POTENCIAL E APLICAÇÃO DA VITAMINA B12 PRODUZIDA POR BACTÉRIAS PROPIÔNICAS (PAB), PROBIÓTICAS E ÁCIDO LÁTICAS (BAL) NO TRATAMENTO DA ANEMIA MEGALOBLÁSTICA

POTENTIAL AND APPLICATION OF VITAMIN B12 PRODUCED BY PROPIONIC ACID BACTERIA (PAB), PROBIOTIC, AND LACTIC ACID BACTERIA (BAL) IN THE TREATMENT OF MEGALOBLASTIC ANEMIA

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202503141827


Giovanna Clarice de Souza Santos1
Daniele Rodrigues do Nascimento2
Rodrigo de Oliveira Santana3
Esther Santos Santana4
Décio Fragata da Silva5
Pedro Henrique da Silva Rodrigues6
Ana Clara dos Santos Silveira7
Samuel Oliveira Santos8
Davidson dos Reis Nascimento9
Fabianny Costa Almeida10
Luiz Henrique de Oliveira Santos11


Resumo

A vitamina B12, ou cobalamina, desempenha um papel essencial em processos metabólicos fundamentais, como a síntese de eritrócitos e a manutenção do sistema nervoso. Sua deficiência está associada à anemia megaloblástica, condição que pode comprometer gravemente a saúde e a qualidade de vida, especialmente em grupos vulneráveis, como vegetarianos, veganos e idosos. Nesse sentido, esses indivíduos enfrentam maior risco de deficiência devido à ausência de fontes alimentares adequadas, uma vez que a vitamina B12 não é produzida endogenamente pelo organismo humano, devendo ser obtida exclusivamente pela dieta ou suplementação. Sendo assim, este trabalho teve como objetivo, discutir o potencial da vitamina B12 produzida por bactérias, com ênfase nas bactérias propiônicas (PAB), probióticas e ácido-láticas (BAL), no tratamento da anemia megaloblástica. Além disso, explora novas perspectivas terapêuticas baseadas no uso de probióticos, que oferecem uma abordagem mais natural e integrada em comparação aos tratamentos convencionais. A metodologia adotada foi uma revisão narrativa da literatura, com levantamento de dados em bases científicas, incluindo PubMed, SciELO, Scopus e ScienceDirect. Para isso, a análise se concentrou nas principais bactérias produtoras de vitamina B12, destacando seus mecanismos de biossíntese e aplicações em produtos terapêuticos e alimentos funcionais. Os resultados apontam que a utilização de bactérias propiônicas e ácido láticas de forma probiótica, e que produzem vitamina B12 representa uma alternativa promissora para o tratamento da deficiência dessa vitamina e da anemia megaloblástica. Além de potencialmente ampliar as opções terapêuticas, essa abordagem oferece benefícios adicionais à saúde intestinal e sistêmica dos pacientes. O trabalho, assim, reforça o papel dessas bactérias na promoção de uma saúde mais integrada e sustentável, contribuindo para estratégias de prevenção e tratamento que vão além das práticas convencionais.

Palavras-chave: Vitamina B12. Anemia Megaloblástica. Bactérias propiônicas. Bactérias probióticas. Bactérias ácido-láticas.

1. INTRODUÇÃO

A vitamina B12, ou cobalamina, é um micronutriente essencial para o metabolismo humano, desempenhando papeis cruciais na produção de eritrócitos, no metabolismo celular e na manutenção do sistema nervoso. Sua deficiência pode causar graves complicações, como a anemia megaloblástica, que se caracteriza pela produção anormal de glóbulos vermelhos. A particularidade da vitamina B12 reside no fato de não ser produzida pelo organismo humano, devendo ser obtida exclusivamente pela dieta, o que torna grupos como vegetarianos, veganos e idosos mais suscetíveis à deficiência (MATHEW et al., 2024; NATIONAL INSTITUTES OF HEALTH, 2024).

A nível molecular, a vitamina B12, especialmente na forma de metilcobalamina, é essencial para a conversão de homocisteína em metionina, uma etapa fundamental para a síntese de DNA. Nesse sentido, a deficiência deste nutriente provoca o acúmulo de homocisteína e a redução da S-adenosilmetionina (SAM), comprometendo a metilação do DNA e a divisão celular e dessa forma, culmina na produção de macrócitos e na anemia megaloblástica, podendo progredir para manifestações neurológicas severas. (GONZÁLEZ-MONTAÑA et al., 2020; GUÉANT, 2022; MOREIRA et al., 2023).

Em contrapartida, estudos têm destacado o potencial de microrganismos, especialmente bactérias propiônicas (PAB), na produção de vitamina B12. Essas bactérias, amplamente utilizadas na indústria alimentícia, destacam-se por sua capacidade de sintetizar compostos bioativos, como ácido propiônico, exopolissacarídeos e vitamina B12, mesmo sob condições de estresse nutricional. Isso as posiciona como uma alternativa promissora para a produção em larga escala de vitamina B12. Adicionalmente, bactérias do ácido láctico (BAL) e probióticas têm demonstrado capacidades tecnológicas e benefícios probióticos que reforçam sua aplicação em alimentos funcionais e enriquecidos (KUMAR et al., 2020; FREIRE et al., 2021; DE SOUSA LIMA, 2021). 

Sendo assim, a produção industrial de vitamina B12 utilizando esses microrganismos apresenta uma solução sustentável e acessível para suprir deficiências nutricionais, especialmente em populações de risco. Além disso, a incorporação dessas bactérias em alimentos funcionais, como iogurtes e suplementos probióticos, não apenas oferece uma estratégia eficaz para prevenir a anemia megaloblástica, mas também contribui para a saúde intestinal e o bem-estar geral (SIQUEIRA, 2021).

Diante deste cenário, o problema de pesquisa identificado se fundamenta na necessidade de alternativas acessíveis, sustentáveis e eficazes para o tratamento e prevenção da anemia megaloblástica, pois a dependência de fontes animais para obtenção de vitamina B12, além de custosa, exclui uma parcela significativa da população que seguem dietas vegetarianas e veganas. Nesse contexto, o uso de bactérias produtoras de vitamina B12 apresenta-se como uma estratégia inovadora, sustentável e socialmente aplicável, contribuindo para a prevenção de complicações como neuropatias e beneficiando indivíduos com doenças crônicas e dificuldades de absorção vitamínica (SANTOS, 2022; LIMA, 2023).

Portanto, o objetivo deste trabalho foi discutir o potencial e a aplicação terapêutica da vitamina B12 produzida por bactérias propiônicas, probióticas e ácido lácticas no tratamento da anemia megaloblástica, analisando suas vantagens e viabilidade para o desenvolvimento de soluções terapêuticas e alimentares.

2. MATERIAIS E MÉTODOS

Trata-se de uma pesquisa documental, descritiva e retrospectiva, caracterizada como uma revisão narrativa da literatura. A investigação bibliográfica foi realizada por meio das bases de dados United States National Library of Medicine (PubMed), Scientific Electronic Library Online (SciELO), Scopus e ScienceDirect.

Os descritores utilizados, validados pelos Descritores em Ciências da Saúde (DeCS) e disponíveis na Biblioteca Virtual de Saúde (BVS), incluíram: Vitamina B12, Anemia Megaloblástica, Bactérias produtoras de Vitamina B12, Bactérias propiônicas, Bactérias probióticas, Bactérias ácido-láticas e Suplementação de Vitamina B12. O recorte temporal abrangeu artigos publicados entre 2019 e 2024, nos idiomas português, inglês e espanhol, que abordassem aspectos relevantes sobre o uso de bactérias como fonte de vitamina B12 para o tratamento da anemia megaloblástica.

Foram incluídos artigos disponíveis gratuitamente na íntegra e que discutem temas como a eficácia da produção de vitamina B12 por PAB, BAL e bactérias probióticas, os processos de suplementação utilizando essas bactérias, além de estudos sobre a absorção e os impactos da vitamina B12 no tratamento da anemia megaloblástica.

Como critérios de exclusão, foram descartados estudos que não abordassem especificamente o papel da vitamina B12 de origem bacteriana no tratamento da anemia megaloblástica, incluindo aqueles focados em outros tipos de deficiência vitamínica, bem como pesquisas centradas exclusivamente em populações que não têm relação com o tratamento da anemia megaloblástica.

A busca inicial resultou em um total de 7.182 artigos, considerando os descritores validados pelos Descritores em Ciências da Saúde (DeCS). Devido ao grande volume de publicações, a triagem foi realizada em etapas.

Primeiramente, foram analisados os títulos e resumos para identificar os artigos mais relevantes, priorizando aqueles que abordavam diretamente a produção de Vitamina B12 por bactérias propiônicas, probióticas e ácido-láticas (PAB, BAL e probióticas) e seu impacto no tratamento da anemia megaloblástica.

Após essa triagem inicial, foram selecionados artigos completos que atendiam aos critérios de inclusão e exclusão, resultando em 61 artigos utilizados na revisão final. A escolha final foi baseada na relevância científica, impacto do estudo na área e qualidade metodológica das pesquisas, garantindo a fundamentação adequada para esta revisão narrativa.

3. RESULTADOS E DISCUSSÕES 

3.1 Funções biológicas da vitamina B12 e anemia megaloblástica

A vitamina B12, ou cobalamina, é uma vitamina hidrossolúvel obtida principalmente por meio da ingestão de alimentos de origem animal. Sua absorção ocorre no íleo distal, onde é internalizada por um receptor específico, sendo posteriormente armazenada no fígado e participando do ciclo entero-hepático (Guéant; Rodriguez; Alpers, 2022).

Além disso, a vitamina B12 possui diferentes isoformas com funções específicas no organismo. A metilcobalamina, por exemplo, participa da síntese de DNA, enquanto a adenosilcobalamina está envolvida no metabolismo energético. Por outro lado, a cianocobalamina, presente em suplementos, é convertida em formas ativas no organismo, e já a hidroxocobalamina é utilizada como antídoto para intoxicação por cianeto (Obeid et al., 2019; Mandia, 2024; Kumar et al., 2023).

Ademais, a cobalamina é essencial para a síntese de proteínas e neurotransmissores, como a acetilcolina, fundamental para a função cognitiva e a prevenção de doenças neurodegenerativas, incluindo Alzheimer. Bem como, participa da eritropoiese e do metabolismo de aminoácidos, sendo fundamental para a manutenção da função neurológica (Moreno et al., 2021; Pardo-Cabello et al., 2023).

A vitamina B12 também atua como cofator da metionina sintase, enzima essencial para a regeneração do tetraidrofolato, necessário para a síntese de DNA. Nesse sentido, a deficiência de B12 compromete a eritropoiese, resultando na formação de megaloblastos e no desenvolvimento da anemia megaloblástica, caracterizada pela falha na replicação do DNA e na maturação dos eritrócitos (Cho, Lee e Baek, 2021; Almeida, 2022).

Portanto, a anemia megaloblástica pode ocorrer por deficiência de vitamina B12 ou folato, levando à produção reduzida de hemácias, destruição precoce dos eritrócitos ou perda sanguínea. Desse modo, o hemograma dos pacientes com esta anemia apresenta VCM elevado (macrocitose), aumento do RDW, redução de reticulócitos e, em estágios avançados, predominância de megaloblastos (Cabrera Aguilar et al., 2022; Santos et al., 2023).

3.1.1 Tratamentos convencionais e limitações

A anemia megaloblástica é prevalente em idosos, vegetarianos estritos e indivíduos com disfunções absortivas. O tratamento convencional envolve a reposição de vitamina B12 e ácido fólico, sendo a administração intramuscular de B12 a via preferencial em casos graves, pois assegura absorção eficaz, especialmente em pacientes com anemia perniciosa ou distúrbios gastrointestinais severos (Socha et al., 2020).

Nos casos de anemia perniciosa, o tratamento com B12 parenteral é vitalício, visto que a deficiência no fator intrínseco impede a absorção entérica irreversivelmente. A resposta terapêutica é rápida: em 12 horas, a medula óssea começa a reverter o padrão megaloblástico para normoblástico; entre o 5º e 8º dia, a contagem de reticulócitos atinge o pico, e os níveis de bilirrubina, ferro e lactato desidrogenase (LDH) diminuem significativamente (Wang et al., 2024).

Apesar da alta eficácia, existem limitações uma vez que a suplementação isolada de folato pode mascarar a deficiência de B12, permitindo a progressão de danos neurológicos. Além disso, a administração intramuscular pode representar um desafio em termos de adesão, exigindo visitas regulares a unidades de saúde ou treinamento para autoadministração. Logo, o custo contínuo do tratamento e a necessidade de monitoramento laboratorial representam barreiras adicionais, especialmente em sistemas de saúde com recursos limitados (Dapueto et al., 2022).

3.2 Principais bactérias produtoras de vitamina B12 O quadro 1 sintetiza os principais dados obtidos sobre as bactérias produtoras de vitamina B12, destacando suas características e potenciais biotecnológicos. O uso de bactérias como Propionibacterium freudenreichii, Propionibacterium shermaniiLactobacillus reuteri, Pediococcus pentosaceus, Pseudomonas denitrificans, Bacillus megaterium e Hyphomicrobium sp. tem se mostrado promissor na produção da cobalamina, aproveitando suas propriedades probióticas e metabólicas. Além disso, o quadro 1 apresenta as referências consultadas, a classificação das bactérias, suas características metabólicas, as propriedades atribuídas a cada uma delas, a capacidade de produção de vitamina B12 e suas potenciais aplicações na biotecnologia alimentar.

Quadro 1 – Resultados obtidos sobre as principais bactérias produtoras de vitamina B12.

3.2.1 Bactérias probióticas

Os probióticos são microrganismos vivos que conferem benefícios à saúde quando consumidos em quantidades adequadas em que incluem principalmente bactérias dos gêneros Lactobacillus, Bifidobacterium e Streptococcus. Além disso, exibem diversos efeitos benéficos, incluindo propriedades anti micobacterianas, anticancerígenas e antivirais. Ademais, podem melhorar a função imunológica, prevenir doenças intestinais e apresentar efeitos anti hipertensivos e anti hipercolesterolemiantes. Nesse sentido, a crescente popularidade dos probióticos resultou em seu uso generalizado na alimentação e na medicina (AARTI et al., 2020; RAINA, 2020; LI et al., 2020; ZAIB et al., 2023).

As bactérias probióticas como Lactococcus lactis, Levilactobacillus brevis e Pediococcus pentosaceus, isoladas de biorreatores de Chlorella vulgaris, demonstraram notável capacidade de biossíntese de vitamina B12 (cobalamina). Entre elas, P. pentosaceus destacou-se pela produção da maior quantidade de cobalamina. Essas bactérias possuem genes específicos envolvidos na biossíntese de cobalamina e apresentam características probióticas que podem contribuir para a saúde intestinal (BALABANOVA et al., 2021; RIBEIRO et al., 2023).

3.2.2 Bactérias ácido láticas

As bactérias ácido-láticas (BAL) formam um grupo diversificado de microrganismos, caracterizados pela produção de ácido lático e outros compostos orgânicos por meio da fermentação da glicose. Esses microrganismos são encontrados em diversos ambientes, como o trato gastrointestinal humano, produtos lácteos e vegetais. Na indústria alimentícia, as BAL desempenham papeis essenciais na fermentação, influenciando o sabor, a textura e a preservação de alimentos fermentados (SHU et al., 2020; SAUER et al., 2021; WANG et al., 2021).

Além de sua aplicação tradicional na alimentação, as BAL têm ganhado atenção por suas propriedades probióticas, que contribuem para o equilíbrio da microbiota intestinal e a saúde geral. Entre os benefícios metabólicos proporcionados por essas bactérias, destacam-se a produção de ácidos graxos de cadeia curta, bacteriocinas e vitaminas, incluindo a vitamina B12 (WANG et al., 2021; SAUER et al., 2021; BANGAR et al., 2022).

Uma das espécies de destaque nesse grupo é Lactobacillus reuteri, uma bactéria ácido-lática com propriedades probióticas amplamente estudadas. Essa bactéria pode ser isolada da microbiota de humanos e animais, além de fontes de fermentação natural, refletindo sua distribuição ecológica. Suas propriedades adesivas, mediadas por proteínas de superfície, permitem uma colonização eficiente do trato gastrointestinal, promovendo auto-agregação e co-agregação com patógenos. Essas características são fundamentais para a eficácia dos benefícios probióticos (DELL’ANNO et al., 2021; XU et al., 2021; LIN et al., 2023).

Além disso, L. reuteri apresenta notável adaptabilidade ao ambiente gastrointestinal, ajustando sua expressão gênica para lidar com estresses como mudanças de pH e presença de bile. Essa espécie também possui propriedades antimicrobianas contra bactérias Gram-negativas, atribuídas a metabólitos de baixo peso molecular produzidos de forma dependente de pH (XU et al., 2021; MACCELLI et al., 2020).

Entre as cepas de L. reuteri, a F2 destaca-se por sua capacidade de produzir vitamina B12 extracelularmente em meios livres de cobalamina, utilizada com sucesso na biofortificação de alimentos, como leite de soja fermentado. Estudos genômicos de cepas como L. reuteri 92071 revelaram clusters gênicos completos para a biossíntese da vitamina B12, reforçando seu potencial biotecnológico (MACCELLI et al., 2020; KUMARI et al., 2021; GAO et al., 2023).

Outra espécie ácido-lática relevante é Pediococcus pentosaceus, da família Streptococcaceae. Conhecida por sua aplicação em alimentos fermentados, essa bactéria é classificada como Gram-positiva, com capacidade de formar pares ou tétrades. Além de sua relevância para a preservação de alimentos, P. pentosaceus é destacada pela produção de vitamina B12. Estudos mostram que algumas cepas podem sintetizar até 28,19 ± 2,27 pg/mL de cobalamina, sendo uma das mais produtivas entre as BAL (RIBEIRO et al., 2023).

Além da vitamina B12, P. pentosaceus produz substâncias bioativas com propriedades antimicrobianas, antioxidantes e anti-inflamatórias. Esses atributos fazem dessa bactéria uma aliada na saúde intestinal e no tratamento de condições como a anemia megaloblástica, oferecendo novas possibilidades para a suplementação nutricional e terapêutica (JIANG et al., 2021; QI et al., 2021).

3.2.3 Bactérias propiônicas

As bactérias do ácido propiônico (PAB) constituem um grupo de microrganismos amplamente reconhecidos por sua capacidade de sintetizar ácido propiônico, um metabólito com aplicações na indústria alimentícia e farmacêutica. Avanços recentes na taxonomia permitiram diferenciar as PAB cutâneas das PAB lácteas, sendo estas últimas especialmente relevantes na produção de queijos e no desenvolvimento de bebidas funcionais (AMMAR et al., 2021).

Além do ácido propiônico, as PAB produzem outros metabólitos de interesse biotecnológico, como ácido acético, ácido succínico e vitamina B12, destacando-se como promissoras na produção de compostos de alto valor agregado por processos fermentativos (BÜCHER et al., 2021; PIWOWAREK et al., 2022; TINDJAU et al., 2023).

Entre as PAB, Propionibacterium freudenreichii é uma espécie de destaque, conhecida por ser gram-positiva, anaeróbia e aerotolerante. Essa bactéria contribui significativamente para a saúde intestinal, atuando na inibição de microrganismos patogênicos e promovendo o crescimento de bifidobactérias benéficas. Suas propriedades probióticas incluem resistência às condições adversas do trato gastrointestinal, adesão a células epiteliais e efeitos imunomoduladores. Essas características tornam-na um componente valioso em produtos alimentares funcionais voltados para a saúde humana (TANGYU et al., 2022; CORONAS et al., 2023).

Outro destaque de P. freudenreichii é sua capacidade de sintetizar vitamina B12 por meio de vias metabólicas específicas. Estudos recentes indicam que a oxidação do propionato desempenha um papel fundamental nesse processo, especialmente sob condições microaeróbicas. Inicialmente, açúcares como glicose são degradados via glicólise, resultando em ácido pirúvico, que é convertido em ácido succínico. Este, por sua vez, é transformado em propionato no ciclo de Wood-Werkman. A oxidação do propionato gera metilmalonil-CoA, um precursor essencial na biossíntese de vitamina B12. Essa via metabólica ilustra a importância de P. freudenreichii na biotecnologia alimentar e no desenvolvimento de alimentos enriquecidos, particularmente para populações em risco de deficiência de vitamina B12, como veganos e vegetarianos (DANK et al., 2022; GUO et al., 2022).

Além de P. freudenreichii, outras espécies da família Propionibacteriaceae também produzem vitamina B12. Propionibacterium shermanii, por exemplo, tem sido utilizada para produção industrial de cobalamina. Sua eficiência depende do controle rigoroso das condições ambientais durante a fermentação. Inicialmente, a fase anaeróbica favorece o crescimento bacteriano e a utilização de açúcares. Posteriormente, a introdução gradual de oxigênio induz a produção de dibenzocobalamina (DBI) e sua conversão em cobalamina, a forma ativa da vitamina B12. Esse processo, conhecido como aerobiose controlada, permite alcançar rendimentos de até 40 mg/L em escalas de planta-piloto (BALABANOVA et al., 2021; LIMA et al., 2019).

Embora P. shermanii tenha potencial biotecnológico, sua relevância industrial ainda é menor em comparação com outras espécies. Assim, as PAB, lideradas por P. freudenreichii, permanecem como candidatas-chave para aplicações em saúde e nutrição, especialmente no tratamento de condições relacionadas à deficiência de vitamina B12, como a anemia megaloblástica.

3.2.4 Bactérias alternativas para produção de vitamina B12

Além das bactérias ácido-láticas, probióticas e propiônicas, há outros microrganismos com capacidade de produzir vitamina B12, desempenhando papeis relevantes em escala industrial. Entre eles, destacam-se Hyphomicrobium sp., Pseudomonas denitrificans e Priestia megaterium (anteriormente conhecida como Bacillus megaterium).

O Hyphomicrobium sp. é uma bactéria metilotrófica com grande potencial biotecnológico. Bactérias metilotróficas são capazes de metabolizar compostos de um carbono, como metanol, o que as torna essenciais no ciclo do carbono e em processos industriais. Essa habilidade permite a produção de metabólitos de alto valor agregado, como a vitamina B12. Estudos recentes demonstram que, quando cultivada em meio mineral contendo metanol, Hyphomicrobium sp. alcança produções de até 17,9 ± 5,05 µg de vitamina B12 por grama de peso seco celular. Esses resultados destacam seu potencial para aplicações industriais, especialmente considerando o uso de metanol como uma fonte de carbono acessível e abundante. Assim, Hyphomicrobium sp. não apenas oferece vantagens econômicas na produção de vitamina B12, como também contribui para práticas sustentáveis em biotecnologia (ZHANG et al., 2023; DUDKO et al., 2023).

Pseudomonas denitrificans é uma bactéria Gram-negativa, aeróbia facultativa, com a habilidade de realizar a desnitrificação, convertendo nitratos em nitrogênio gasoso. Além de sua importância ambiental, essa bactéria é amplamente utilizada na produção industrial de vitamina B12. Durante sua fermentação, a adição de sal de cobalto e dimetilbenzimidazol (DBI) é essencial para a biossíntese da vitamina, além disso, para otimizar sua produção, condições de alta disponibilidade de oxigênio são recomendadas, juntamente com fontes de betaína, como melaço de beterraba. Ademais, a betaína, rica em trimetilglicina, estimula a biossíntese de vitamina B12, tornando o processo mais eficiente e econômico. Estudos apontam que, com essas condições, P. denitrificans pode alcançar produções elevadas, posicionando-se como um dos principais microrganismos industriais na síntese dessa vitamina (LIMA, 2019; CHEN et al., 2020; SHKRYL et al., 2020).

Por outro lado, Priestia megaterium é uma bactéria Gram-positiva, aeróbia facultativa e formadora de endósporos, o que lhe confere resistência a condições ambientais adversas. Reconhecida como um produtor natural de cobalamina, ou vitamina B12, essa bactéria possui vias metabólicas únicas para a biossíntese do composto. O processo ocorre em etapas, incluindo a síntese de uroporfirinogênio III, a montagem do anel de cortina via uma rota anaeróbica e a formação de 5,6-dimetilbenzimidazol, um ligante essencial. Curiosamente, P. megaterium adapta suas vias metabólicas de acordo com a disponibilidade de oxigênio, utilizando rotas distintas para a síntese da vitamina (BIEDENDIECK et al., 2021; DEERY et al., 2021).

A presença de cobalto no meio de cultivo é fundamental para maximizar a produção de vitamina B12 em P. megaterium, podendo atingir concentrações de até 13 µg/L (Biedendieck et al., 2021). O cobalto atua não apenas como componente estrutural da cobalamina, mas também como fator limitante, influenciando diretamente os rendimentos do processo biossintético (BIEDENDIECK et al., 2021; DEERY et al., 2021).

4. CONCLUSÃO

Com base nos temas abordados, a pesquisa confirma a relevância da vitamina B12 para a saúde humana, com ênfase em seu papel essencial nos processos metabólicos de síntese de DNA e maturação dos eritrócitos. Além disso, evidencia-se que sua deficiência está associada à anemia megaloblástica e a complicações metabólicas, como a hiper-homocisteinemia, que eleva o risco de doenças cardiovasculares. O estudo também demonstra que os tratamentos convencionais, embora eficazes na reposição de vitamina B12 e na correção da anemia, apresentam limitações relacionadas à identificação precisa das causas subjacentes e à eficácia em casos de distúrbios de absorção.

Sendo assim, os resultados destacam o potencial biotecnológico das bactérias propiônicas, como Propionibacterium freudenreichii e Propionibacterium shermanii, e das bactérias ácido-láticas, como Lactobacillus reuteri e Pediococcus pentosaceus, para a produção de vitamina B12. Esses microrganismos, oferecem perspectivas inovadoras para a biotecnologia alimentar, possibilitando a produção sustentável de vitamina B12 por meio de alimentos funcionais e probióticos.

Desse modo, a utilização de bactérias produtoras de vitamina B12 apresenta uma alternativa promissora para populações com baixa ingestão de alimentos de origem animal, contribuindo de forma sustentável para suprir as necessidades desse nutriente essencial. Sendo assim, estratégias integradas que associam suplementação convencional à incorporação de probióticos enriquecidos com bactérias produtivas são recomendadas, considerando seu potencial para prevenir e tratar deficiências vitamínicas, melhorar a saúde metabólica e mitigar complicações neurológicas.

Portanto, este estudo alcança os objetivos propostos, oferecendo contribuições teóricas e práticas para o avanço de intervenções biotecnológicas aplicadas à saúde. Como limitação, destaca-se a necessidade de estudos futuros que avaliem a viabilidade comercial e a eficácia clínica de produtos desenvolvidos com base nesses microrganismos. Recomenda-se, também, o aprofundamento das análises sobre a estabilidade e a biodisponibilidade da vitamina B12 sintetizada por bactérias em diferentes matrizes alimentares.

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1Graduada em Biomedicina pela Universidade Tiradentes (UNIT). E-mail: giovannaclarice.santos@gmail.com
2Graduada em Biomedicina pela Universidade Tiradentes (UNIT). E-mail: danirodrigues071@gmail.com
3Mestrando em Biotecnologia Industrial pela Universidade Tiradentes (UNIT). E-mail: arhrodrigo@gmail.com
4Doutoranda em Biotecnologia Industrial pela Universidade Tiradentes (UNIT). E-mail: esthersantana.bio@gmail.com
5Mestre em Ciências Biológicas pela Universidade Tiradentes (UNIT). E-mail: dfragata@yahoo.com.br 
6Graduando em Biomedicina pela Universidade Tiradentes (UNIT). E-mail: pedrohenri.biomed@gmail.com
7Graduanda em Biomedicina pela Universidade Tiradentes (UNIT). E-mail: anaclarinhass1@gmail.com
8Doutorando em Biotecnologia Industrial pela Universidade Tiradentes (UNIT). E-mail: oliveirabmdc@gmail.com
9Mestrando em Biotecnologia Industrial pela Universidade Tiradentes (UNIT). E-mail: davidsonutri@gmail.com
10Graduanda em Biomedicina pela Universidade Tiradentes (UNIT). E-mail: fabi.c.almeida2020@gmail.com
11Laboratório de corrosão e nanotecnologia. E-mail: henriqueoliveira.quim@gmail.com