REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/pa10202511082225
Karla Marcelly Ferreira da Silva
Luana Ribeiro Carvalho Souza
Orientador(a): Prof(a). Tatiana Lagoa
RESUMO
Os análogos do peptídeo semelhante ao glucagon tipo 1 (GLP-1) se destacam no tratamento do diabetes mellitus tipo 2 e da obesidade, apresentando eficácia na redução do peso corporal e no controle glicêmico, além de benefícios metabólicos e cardiovasculares adicionais. Entretanto, a popularização desses medicamentos, impulsionada por mídias sociais e pelo uso estético, aumenta progressivamente a automedicação, resultando em desafios significativos para a saúde pública. O alto custo e a ausência de políticas consolidadas para a incorporação no Sistema Único de Saúde (SUS) reforçam as barreiras de equidade. Nesse contexto, a atenção farmacêutica assume papel essencial, incluindo orientação sobre posologia, acompanhamento de efeitos adversos, prevenção de interações medicamentosas e promoção do uso racional. A atuação do farmacêutico contribui para a segurança do paciente e a efetividade da terapia, sendo fundamental que o tratamento com análogos de GLP-1 seja acompanhado de mudanças sustentáveis no estilo de vida, como alimentação equilibrada e prática de atividade física. A integração entre inovação terapêutica, responsabilidade ética e políticas de acesso equitativo é indispensável para maximizar os benefícios clínicos desses medicamentos e mitigar riscos à saúde pública.
Palavras-chave: Análogos de GLP-1. Obesidade. Atenção farmacêutica. Uso racional de medicamentos. Saúde pública.
ABSTRACT
Glucagon-like peptide-1 (GLP-1) receptor agonists stand out in the treatment of type 2 diabetes mellitus and obesity, demonstrating efficacy in reducing body weight and controlling glycemia, as well as providing additional metabolic and cardiovascular benefits. However, the popularization of these medications, driven by social media and aesthetic use, has led to self-medication, off-label use, and inequities in access, representing significant challenges for public health. High costs and the lack of consolidated policies for incorporation into the Brazilian Unified Health System (SUS) further reinforce barriers to equitable access. In this context, pharmaceutical care assumes a crucial role, including guidance on dosing, monitoring adverse effects, preventing drug interactions, and promoting rational use. The pharmacist’s intervention contributes to patient safety and therapy effectiveness, highlighting the importance of combining GLP-1 receptor agonist treatment with sustainable lifestyle changes, such as balanced nutrition and regular physical activity. The integration of therapeutic innovation, ethical responsibility, and equitable access policies is essential to maximize the clinical benefits of these medications and mitigate risks to public health.
Keywords: GLP-1 receptor agonists. Obesity. Pharmaceutical care. Rational use of medicines. Public health.
1. INTRODUÇÃO
Atualmente, os análogos do peptídeo semelhante ao glucagon tipo 1 (GLP-1) têm recebido crescente destaque no tratamento farmacológico do diabetes mellitus tipo 2 e, mais recentemente, no manejo da obesidade. O avanço das pesquisas clínicas e a comprovação de sua eficácia tanto no controle glicêmico quanto na redução de peso corporal impulsionaram a prescrição e a procura por essas medicações no Brasil e internacionalmente. Paralelamente à consolidação de seu uso clínico, observa-se uma procura espontânea da população para fins estéticos, fenômeno que intensifica o debate sobre seus impactos e a popularização desses medicamentos (COSTA; MAIA; PALHARES, 2025; HAIDER; LIPSKA, 2022).
O uso indiscriminado, entretanto, acarreta implicações significativas para a saúde pública, incluindo efeitos adversos, automedicação, uso sem acompanhamento profissional e desigualdade no acesso ao tratamento. Além disso, somam-se o elevado custo terapêutico e a ausência de políticas consolidadas para a incorporação desses fármacos no Sistema Único de Saúde (SUS), o que levanta preocupações sobre equidade no acesso e sustentabilidade da assistência farmacoterapêutica (ANVISA, 2025; SBD; SBEM; ABESO, 2024; RECKEL et al., 2025).
Nesse contexto, ressalta-se o papel do farmacêutico como profissional essencial para a promoção do uso racional desses medicamentos, por meio da orientação adequada, do acompanhamento farmacoterapêutico e da educação em saúde. Ainda assim, permanecem desafios significativos relacionados à regulação do uso, ao controle da automedicação e à necessidade de estratégias integradas entre diferentes atores do cuidado, a fim de garantir segurança, eficácia e equidade no manejo da obesidade e do diabetes (PATEL, 2020; CONSELHO FEDERAL DE FARMÁCIA, 2025).
1.1 PROBLEMA
De que maneira a popularização dos análogos do GLP-1 impacta a saúde pública e quais são os desafios enfrentados pelo farmacêutico na orientação desses pacientes?
2. OBJETIVOS
2.1 GERAL
Analisar a popularização dos análogos do GLP-1 e suas implicações para a saúde, destacando os desafios da orientação farmacêutica.
2.2 ESPECÍFICO
- Identificar os fatores que contribuíram para a popularização dos análogos do GLP-1 e avaliar seus impactos na saúde, considerando benefícios e riscos com base em evidências científicas.
- Salientar o papel do farmacêutico na orientação sobre o uso racional desses medicamentos.
- Propor estratégias de educação em saúde para mitigar riscos associados ao uso indiscriminado dos análogos do GLP-1.
3. JUSTIFICATIVA
A obesidade e o diabetes mellitus tipo 2 são desafios críticos para a saúde pública pois estão relacionados à elevada morbimortalidade e custos significativos para o sistema de saúde. Visto isso, os análogos do GLP-1 destacam-se nesse cenário por promoverem eficazmente a redução de peso e o controle glicêmico (ASSIS et al., 2021).
Contudo, esses medicamentos ganharam grande visibilidade atualmente, favorecida pela propaganda em redes sociais e por celebridades como uso estético, muitas vezes sem acompanhamento médico, prejudicando a acessibilidade para os pacientes clinicamente necessitados. O uso inadequado gera riscos à segurança do utilizador (incluindo efeitos gastrointestinais, pancreatite, doença renal e outras complicações) e ainda pode levar à escassez do medicamento para pacientes com indicações patológicas (BARBOSA et al, 2022).
Além disso, há preocupações públicas e acadêmicas sobre o papel da saúde pública nesse período de popularização inadequada dos agonistas do receptor GLP-1. Debates e pesquisas recentes enfatizam a responsabilidade coletiva diante de seu uso em larga escala, apontando para lacunas regulatórias, impacto econômico e necessidade de políticas justas de acesso (PORTO et al, 2021).
Diante desse levantamento, a atuação do farmacêutico assume papel central na orientação e promoção do uso racional. Portanto, o tema se justifica por sua relevância prática e atual, ao buscar reduzir os riscos à saúde pública (BARBOSA et al, 2022).
4. PROBLEMA DA PESQUISA
A obesidade, classificada como uma doença crônica multifatorial, tornou-se um dos principais desafios de saúde pública, associada ao aumento da incidência de diabetes mellitus tipo 2, doenças cardiovasculares e outras complicações metabólicas. Essa condição impacta negativamente a qualidade de vida e gera custos econômicos consideráveis para os sistemas de saúde (BRASIL, 2016).
Diante do impacto clínico e socioeconômico, a busca por estratégias eficazes para redução de peso corporal estão sendo cada vez mais exploradas pelas indústrias criando assim formas de agregar as mudanças no estilo de vida com novos métodos e terapias farmacológicas (PIMENTEL et al., 2023).
Nesse contexto, os análogos do GLP-1 têm ganhado grande destaque. Originalmente desenvolvidos e aprovados para o tratamento do diabetes mellitus tipo 2, esses medicamentos demonstraram, em estudos clínicos, benefícios adicionais no emagrecimento, o que ampliou seu uso também para pacientes com obesidade. O exemplo mais conhecido é a semaglutida, que além da indicação para o diabetes, foi aprovada em diversos países para o manejo da obesidade em indivíduos com ou sem diabetes (SANTOS et al., 2024).
A eficácia na redução de peso e a ampla divulgação em redes sociais e na mídia resultaram em um fenômeno de popularização e uso indiscriminado. O resultado de tal disseminação de fatos motivou indivíduos a passaram a utilizar esses medicamentos, sem acompanhamento médico adequado, para finalidades estéticas e pela promessa de emagrecimento rápido. Na análise do tema priorizou-se a busca pelos reais problemas e os desafios enfrentados para uma orientação profissional relacionados ao uso dos análogos do GLP-1 como aliado no emagrecimento (SANTOS et al., 2024).
Por conseguinte, de fato os GLP-1 representam uma inovação terapêutica promissora, porém, seu uso de forma incorreta, traz implicações relevantes para a saúde pública e impõe novos desafios ao sistema de saúde. Entre esses, destaca-se o papel do farmacêutico na orientação sobre o uso racional, na prevenção da automedicação e na promoção da segurança do paciente (KANE MP, et al., 2021).
Diante desse cenário, surge a questão norteadora deste estudo: De que maneira a popularização dos análogos do GLP-1 impacta a saúde pública e quais são os principais desafios enfrentados pelo farmacêutico na orientação sobre o uso racional desses medicamentos?
5. METODOLOGIA
Trata-se de pesquisa bibliográfica, de caráter exploratório e descritivo, fundamentada em fontes secundárias. A coleta de dados foi realizada por meio de buscas sistemáticas nas bases Google Acadêmico e SciELO. Foram utilizados os descritores em português, como: “análogos do GLP-1”, “obesidade”, “emagrecimento”, “off-label” e “orientação farmacêutica”.
Como critérios de inclusão, foram considerados artigos publicados entre 2015 e 2025, disponíveis em texto completo, em português, e que abordassem diretamente o uso clínico, as implicações em saúde pública ou o papel do farmacêutico na orientação sobre os análogos do GLP-1. Foram excluídas publicações repetidas, resumos de congresso, editoriais e estudos que não apresentassem relação direta com o tema.
A análise dos dados seguiu uma abordagem qualitativa, por meio da leitura crítica, interpretação e síntese das informações obtidas, visando responder ao problema de pesquisa e aos objetivos propostos. A busca resultou em 39 artigos, dos quais 23 foram selecionados para análise e utilizados na confecção deste trabalho.
6. RESULTADOS
6.1 OBESIDADE
A obesidade é reconhecida como uma condição crônica, multifatorial e de alta relevância para a saúde pública mundial. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), é definida pelo índice de massa corporal (IMC) igual ou superior a 30 kg/m², sendo classificada em grau I (IMC entre 30 e 34,9 kg/m²), grau II (IMC entre 35 e 39,9 kg/m²) e grau III, também denominada obesidade grave ou mórbida (IMC ≥ 40 kg/m²). O IMC alto está diretamente relacionado com maiores taxas de morbimortalidade, configurando-se como fator de risco independente para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares, diabetes mellitus tipo 2, doença renal crônica, apnéia do sono, alguns tipos de câncer, entre outras complicações (BRASIL, 2016). Dessa forma, durante a anamnese clínica, a aferição do IMC e outros marcadores relacionados, devem ser vistos como tópicos essenciais para a estratificação de pacientes em riscos devido ao sobrepeso (CASTILHO et al., 2021).
No Brasil, a prevalência da obesidade segue em ascensão nas últimas décadas, evidenciando cada vez mais seu caráter universal: afeta diferentes classes sociais e faixas etárias. O fenômeno reflete a interação entre fatores genéticos e ambientais, sendo impulsionado principalmente por um estilo de vida cada vez mais sedentário e pela ampla disponibilidade de alimentos ultraprocessados e de baixo valor nutricional. Essa alimentação deficiente, marcada pela substituição de hábitos alimentares saudáveis, contribui para o desequilíbrio energético, sendo assim, a principal determinante fisiológico do ganho de peso (COSTA et al., 2021).
Além das consequências clínicas, a obesidade representa um processo biológico de difícil reversão. A perda de peso não ocorre de forma natural, uma vez que o organismo ativa mecanismos compensatórios diante do déficit calórico, como o aumento da fome e a redução da saciedade, favorecendo o ganho de peso a longo prazo. Esse cenário torna a manutenção da perda de peso um desafio constante, que exige mudanças permanentes no comportamento alimentar, na rotina de atividades físicas e na relação do indivíduo com fatores emocionais e sociais associados ao ato de comer (CASTILHO et al., 2021).
Outro aspecto relevante é o impacto social da obesidade. Muitas vezes, o excesso de peso é tratado sob uma ótica simplista, associada à responsabilidade individual, reforçando estereótipos e preconceitos. Tal visão pode influenciar negativamente a qualidade do atendimento prestado, pois, ainda que não intencionalmente, profissionais de saúde podem adotar posturas pessimistas e discriminatórias, afetando a adesão ao tratamento e os desfechos clínicos. Haja visto, há a necessidade de uma interpretação coesa, principalmente pelos profissionais que atuam de forma direta, para que os mesmos não sejam limitados a uma percepção simples de escolhas pessoais, mas sim como uma doença crônica complexa, que demanda uma abordagem integrada e livre de estigmas (TAROZO et al., 2020).
6.2 ANÁLOGOS GLP-1
O tratamento farmacológico da obesidade, por muitos anos possuíam apenas opções atuantes predominantemente no sistema nervoso central, com eficácia limitada e perfil de segurança frequentemente questionado. Esse cenário começou a mudar com a introdução dos análogos do peptídeo semelhante ao glucagon tipo 1 (GLP-1), inicialmente desenvolvidos para o tratamento do diabetes mellitus tipo 2, mas que rapidamente demonstraram impacto significativo na redução de peso corporal (ABRANTES; FERNANDES, et al., 2024).
Desenvolvidos inicialmente para o tratamento do diabetes mellitus tipo 2, os análogos do GLP-1 começaram a ser prescritos também para o manejo da obesidade, muitas vezes por meio do uso denominado “off-label” (GOMES; TREVISAN, 2021). O uso off-label de medicamentos consiste na aplicação de um fármaco para condições diferentes daquelas para as quais foi originalmente desenvolvido e aprovado (GUIMARÃES et al., 2021).
Esse termo refere-se a medicamentos cuja indicação terapêutica não consta na bula, pois não foram testados ou tiveram registro aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para aquele uso específico. Assim, a prescrição e o emprego clínico do medicamento passam a ser de responsabilidade direta do profissional médico, que deve, após a anamnese, ponderar os benefícios terapêuticos frente aos possíveis riscos e efeitos adversos, de modo a garantir uma conduta eticamente segura e respaldada (SILVEIRA, 2019).
Apesar disso, os análogos do GLP-1 vêm demonstrando resultados promissores no tratamento de longo prazo e até contínuo da obesidade, sustentando seu potencial terapêutico além do controle glicêmico (GOMES; TREVISAN, 2021). Tais análogos, representam uma das estratégias farmacológicas mais promissoras no manejo da obesidade e do sobrepeso, especialmente em pacientes adultos com comorbidades metabólicas associadas, como diabetes mellitus tipo 2, hipertensão arterial ou dislipidemias (COSTA et al., 2021).
Esses fármacos exercem múltiplos efeitos fisiológicos que contribuem para o emagrecimento e a melhora do controle metabólico. Entre seus principais mecanismos de ação destacam-se: a supressão da secreção de glucagon; o estímulo à secreção de insulina dependente da glicose; o retardo do esvaziamento gástrico, que prolonga a sensação de saciedade; e a atuação direta em centros hipotalâmicos relacionados ao apetite, promovendo a redução da ingestão alimentar (BARROS et al., 2021).
No organismo, o GLP-1 endógeno é um hormônio incretínico produzido pelas células L do intestino delgado em resposta à ingestão de nutrientes. Após sua liberação, ele se liga a receptores específicos acoplados à proteína G, presentes em tecidos como o pâncreas, estômago, fígado e sistema nervoso central. A ligação desencadeia uma cascata de sinalização celular que modula a secreção hormonal, o metabolismo energético e o comportamento alimentar. No pâncreas, o GLP-1 aumenta a sensibilidade das células beta à glicose, potencializando a liberação de insulina de forma dependente da glicemia, o que reduz o risco de hipoglicemia. No sistema nervoso central, atua em áreas hipotalâmicas, regulando circuitos de recompensa e controle da fome. Essa ação multifatorial explica a eficácia dos análogos sintéticos, que mimetizam e prolongam os efeitos desse hormônio fisiológico (BARROS et al., 2021).
No processo de emagrecimento, a ação dos análogos do GLP-1 ocorre principalmente por dois caminhos: redução da ingestão de alimentos e melhor aproveitamento da energia pelo organismo. Esses fármacos prolongam a saciedade ao manter o alimento no estômago por mais tempo e, ao mesmo tempo, diminuem os sinais de fome enviados ao cérebro, o que leva a uma menor ingestão calórica diária. Além disso, ajudam a equilibrar os níveis de glicose no sangue, favorecendo um metabolismo mais estável e evitando picos de fome relacionados às variações bruscas de açúcar. Essa combinação de controle do apetite e regulação metabólica resulta em perda de peso gradual e sustentável, especialmente quando associada a mudanças no estilo de vida (BARROS et al., 2021).
Atualmente, diversas opções de análogos de GLP-1 estão disponíveis no mercado, variando em formulações injetáveis de curta ou longa duração e, mais recentemente, em apresentações orais. Todos apresentam eficácia comprovada na redução de peso e no controle glicêmico, embora diferenciam-se quanto à posologia, via de administração e perfil de tolerabilidade. A escolha do fármaco depende de fatores como o grau de obesidade, presença de comorbidades, custo do tratamento e adesão do paciente (SANTOS et al., 2024).
Embora os análogos do GLP-1 apresentem resultados expressivos na redução de peso e no controle metabólico, seu uso farmacológico para fins de emagrecimento, principalmente em indivíduos não diabéticos, requer cautela. Os medicamentos dessa classe, como a semaglutida, podem ocasionar episódios de hipoglicemia, alterações no trato gastrointestinal, chegando em alguns casos a levar o paciente a modificações imunológicas, o que reforça a importância do acompanhamento médico rigoroso durante o tratamento (STAICO et al., 2023).
Além disso, reações adversas como desidratação e desequilíbrio eletrolítico requerem monitoramento contínuo, principalmente nas fases iniciais do uso. Por consequência, apesar dos benefícios observados, é fundamental que o tratamento seja associado a mudanças sustentáveis no estilo de vida, como a adoção de hábitos alimentares equilibrados e a prática regular de atividade física, garantindo resultados seguros e saudáveis (SANTOS et al., 2024).
Entre os análogos disponíveis, a semaglutida e a tirzepatida têm se destacado pelos resultados clínicos positivos no tratamento da obesidade, sobretudo pela capacidade de regular o apetite e melhorar o controle glicêmico. A semaglutida atua retardando o esvaziamento gástrico, o que aumenta a sensação de saciedade e reduz o consumo calórico diário (STAICO et al., 2023).
Estudos também apontam que ela pode diminuir a preferência por alimentos ricos em gordura, favorecendo uma perda de peso mais expressiva. Esses ensaios clínicos indicam reduções médias de até 17,4% do peso corporal, além de melhorias em parâmetros cardiovasculares e inflamatórios, como diminuição da pressão arterial sistólica e da inflamação sistêmica (GOMES; TREVISAN, 2021).
Já a tirzepatida, por sua vez, apresenta um mecanismo de ação duplo, agindo tanto nos receptores de GLP-1 quanto de GIP (Peptídeo Inibitório Gástrico), o que potencializa seus efeitos sobre o metabolismo da glicose e o emagrecimento. Essa ação combinada promove uma redução ainda mais significativa do peso corporal. Apesar desses resultados promissores, o uso da tirzepatida também está associado a efeitos adversos gastrointestinais, como náuseas, vômitos e diarreia, que tendem a ser mais intensos no início do tratamento. Há, ainda, preocupações com possíveis riscos a longo prazo, como pancreatite e disfunções renais, o que torna imprescindível o acompanhamento clínico e laboratorial periódico (COSTA et al., 2025).
Diante dos efeitos adversos e dos cuidados necessários durante o uso dos análogos do GLP-1, torna-se indispensável o acompanhamento por uma equipe multiprofissional, que possa avaliar o paciente de forma integral e individualizada. Nesse cenário, destaca-se o papel do farmacêutico, cuja atuação é essencial para garantir o uso seguro e racional desses medicamentos. O profissional farmacêutico contribui significativamente para a farmacoterapia da obesidade, atuando desde a triagem clínica do paciente até a elaboração de um plano terapêutico adequado às suas necessidades. Além disso, orienta quanto ao uso correto das medicações, possíveis reações adversas e interações medicamentosas, promovendo a adesão ao tratamento e a educação em saúde. Dessa forma, a ação farmacêutica agregada ao tratamento é fundamental para otimizar os resultados clínicos e reduzir riscos associados à terapia, fortalecendo a segurança do paciente e a efetividade do tratamento (MENDES, 2018).
O uso dos análogos do GLP-1, tem ganhado grande visibilidade no manejo da obesidade e no emagrecimento estético. Embora a eficácia seja comprovada na redução de peso e na melhora de parâmetros metabólicos, o uso off-label e indiscriminado desses medicamentos traz sérios desafios para a saúde pública. (GOMES; TREVISAN, 2021).
O uso desses medicamentos para fins estéticos ou sem acompanhamento profissional adequado tem se tornado uma preocupação crescente, sobretudo devido à popularização de substâncias como a semaglutida em redes sociais e ambientes digitais. A divulgação de resultados rápidos e a influência de personalidades públicas têm estimulado o uso indiscriminado, sem supervisão médica, aumentando o risco de reações adversas e contribuindo para a sobrecarga dos serviços de saúde (INDIANI et al., 2025).
Além das questões clínicas, os impactos sociais e econômicos também são um dos aspectos preocupantes sobre essa popularização. O alto custo de medicamentos como a semaglutida e a liraglutida limita seu acesso principalmente à população com maior poder aquisitivo, o que acentua desigualdades e reforça discrepância no cuidado à saúde. Essa realidade evidencia o desafio de garantir equidade terapêutica, especialmente no sistema público, onde o tratamento da obesidade ainda enfrenta restrições estruturais e financeiras (INDIANI et al., 2025).
O manejo eficaz da obesidade exige uma abordagem multidisciplinar que vá além da terapia medicamentosa. A incorporação dos análogos de GLP-1 deve estar associada à reeducação alimentar, à prática de atividade física regular e ao suporte psicológico, garantindo resultados sustentáveis e prevenção de reincidências. O uso isolado do fármaco, sem acompanhamento integral, tende a reduzir a efetividade a longo prazo e pode gerar frustração nos pacientes (INDIANI et al., 2025).
Nesse contexto, a atuação ética e técnica dos profissionais de saúde, especialmente do farmacêutico, é essencial. Sua função inclui orientar sobre o uso correto do medicamento, identificar possíveis interações, monitorar reações adversas e promover o uso racional dos fármacos. Essa participação ativa contribui para a segurança do paciente e para a credibilidade da prática terapêutica (INDIANI et al., 2025).
É de suma importância que o profissional participante do processo medicamentoso utilizando os análogos seja capacitado para equilibrar o respeito ao desejo individual de emagrecimento com a obrigação de basear as condutas em evidências científicas e princípios de beneficência. A crescente demanda por esses medicamentos, impulsionada pelo ideal estético de magreza, reforça a necessidade de uma prescrição criteriosa, ética e socialmente responsável (INDIANI et al., 2025).
6.3 ATENÇÃO FARMACÊUTICA
A atenção farmacêutica, embora não possua uma definição única e oficial, pode ser compreendida como o conjunto de atitudes, valores éticos, comportamentos e responsabilidades do farmacêutico voltados à promoção, prevenção e recuperação da saúde. Essa prática envolve uma relação colaborativa entre o profissional e o paciente, com foco na identificação e resolução de problemas relacionados ao uso de medicamentos, visando alcançar resultados terapêuticos efetivos, como a cura, o alívio de sintomas e a prevenção de agravos, sempre respeitando as particularidades de cada indivíduo (CADETE, 2023).
Nesse contexto, a atuação do farmacêutico é essencial para a promoção do uso racional de medicamentos, envolvendo orientação técnica sobre a forma correta de administração, acompanhamento terapêutico e prevenção de interações medicamentosas e reações adversas. Essa função torna-se especialmente relevante no tratamento com análogos do peptídeo semelhante ao glucagon tipo 1 (GLP-1), fármacos frequentemente utilizados sem prescrição médica adequada. A intervenção farmacêutica contribui para que os pacientes compreendam os benefícios e riscos associados à terapia, incluindo posologia, modo de administração e potenciais efeitos adversos, assegurando o uso seguro e eficaz dos medicamentos (BARBOSA, 2022; INDIANI et al., 2025).
Adicionalmente, o farmacêutico exerce papel fundamental na identificação e prevenção de interações medicamentosas, especialmente em pacientes portadores de múltiplas comorbidades e em uso concomitante de diferentes fármacos. Ao revisar o perfil farmacoterapêutico do paciente, o profissional pode detectar possíveis interações com os análogos do GLP-1 e sugerir ajustes ou alternativas terapêuticas, quando necessário, contribuindo para a segurança e eficácia do tratamento (NASCIMENTO, 2021).
Dessa forma, o farmacêutico configura-se como um elo essencial entre o paciente e a equipe multiprofissional de saúde, promovendo comunicação eficaz, acompanhamento contínuo e suporte técnico durante todo o processo terapêutico. Sua atuação ética e científica é determinante para o sucesso do tratamento, assegurando o uso racional dos medicamentos e a obtenção de resultados clínicos satisfatórios, especialmente no controle glicêmico e na redução ponderal proporcionados pelos análogos do GLP-1 (INDIANI et al., 2025).
7. DISCUSSÃO
A análise da literatura evidencia que a obesidade é uma condição crônica de alta prevalência e relevância para a saúde pública, estando diretamente associada a comorbidades como diabetes mellitus tipo 2, hipertensão e dislipidemias. Os dados sobre o aumento da obesidade no Brasil refletem tendências globais, em que fatores genéticos, ambientais e comportamentais interagem, agravando a carga sobre o sistema de saúde. Nesse contexto, a introdução dos análogos do GLP-1 surge como uma inovação terapêutica significativa, capaz de promover controle glicêmico e redução ponderal, com efeitos metabólicos e cardiovasculares adicionais (BARBOSA et al, 2022).
Entretanto, o fenômeno da popularização desses medicamentos para fins estéticos, impulsionado por mídias sociais e celebridades, representa um desafio contemporâneo (INDIANI et al., 2025). O uso off-label e sem supervisão médica aumenta o risco de eventos adversos, como distúrbios gastrointestinais, hipoglicemia, desidratação e desequilíbrios eletrolíticos, além de sobrecarregar serviços de saúde(COSTA et al., 2025). Estudos recentes também apontam que a busca por emagrecimento rápido pode reforçar padrões de estigma e desigualdade social, uma vez que medicamentos de alto custo tendem a ser acessíveis apenas a parcelas específicas da população (INDIANI et al., 2025).
A discussão sobre os impactos da popularização dos GLP-1 evidencia a necessidade de um manejo multidisciplinar. O farmacêutico, neste cenário, desempenha papel estratégico na promoção do uso racional, orientação sobre posologia, monitoramento de efeitos adversos e prevenção de interações medicamentosas. (CADETE, 2023) A atenção farmacêutica, portanto, não se limita à dispensação, mas integra educação em saúde e acompanhamento contínuo, fortalecendo a segurança do paciente e a efetividade terapêutica (NASCIMENTO, 2021).
Além disso, a literatura sugere que, para potencializar os resultados do tratamento, o uso de análogos do GLP-1 deve ser associado a intervenções comportamentais e nutricionais, práticas de atividade física e suporte psicológico. A abordagem isolada do medicamento apresenta limitações na manutenção do emagrecimento a longo prazo, destacando a importância de estratégias integradas entre pacientes, profissionais de saúde e políticas públicas (CASTILHO et al., 2021).
Finalmente, observa-se que a popularização dos GLP-1 impõe dilemas éticos e sociais, exigindo equilíbrio entre o desejo individual de emagrecimento e a responsabilidade profissional de garantir segurança e eficácia. A discussão reforça a necessidade de regulamentação adequada, políticas de acesso equitativo e educação sobre riscos e benefícios, garantindo que o avanço terapêutico se traduza em resultados positivos para a saúde pública (ANVISA, 2025; BARBOSA et al., 2022).
8. CONCLUSÃO
A análise do tema evidencia que os análogos do GLP-1 representam uma inovação terapêutica relevante no manejo do diabetes mellitus tipo 2 e da obesidade, promovendo redução de peso corporal, melhora do controle glicêmico e benefícios metabólicos e cardiovasculares adicionais. Porém, com a crescente popularização desses medicamentos para fins estéticos, apresenta riscos significativos à saúde individual e novos desafios para a saúde pública, incluindo automedicação, efeitos adversos e desigualdade no acesso.
Para um tratamento farmacológico adequado e uso racional desses fármacos, a atuação de profissionais capacitados, especialmente do farmacêutico, que desempenha papel estratégico na orientação e promoção da adesão ao tratamento, são imprescindíveis. Visto que, a eficácia dos análogos do GLP-1 é potencializada quando combinada com mudanças sustentáveis no estilo de vida, incluindo alimentação equilibrada e atividade física regular.
A atenção farmacêutica dessa forma, é essencial para integrar os benefícios clínicos à segurança do paciente, fortalecendo a efetividade da terapia e reduzindo riscos associados ao uso inadequado. Concluindo, desta forma, que o equilíbrio entre inovação terapêutica, segurança do paciente e responsabilidade ética-profissional constitui o caminho para maximizar os benefícios dos análogos do GLP-1, tornando- os uma ferramenta eficaz e sustentável no enfrentamento da obesidade e suas comorbidades.
9. REFERÊNCIAS
ABRANTES; FERNANDES, C. et al. O uso dos análogos do GLP-1 no tratamento da obesidade e seus riscos. Revista Interdisciplinar em Saúde, v. 11, n. único, p. 1235 1248, 12 dez. 2024. Acesso em: 20 set. 2025.
ANVISA – Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Medicamentos agonistas GLP- 1 só poderão ser vendidos com retenção da receita. Brasília: Anvisa, 16 abr. 2025. Atualizado em 23 abr. 2025. Disponível em: Anvisa. Acesso em: 30 ago. 2025.
BARBOSA, AMS.; REIS, FR da S..; MARQUES, CO. Atenção farmacêutica no tratamento da obesidade envolvendo análogos do peptídeo 1 semelhante ao glucagon (GPL1). Pesquisa, Sociedade e Desenvolvimento , [S. l.] , v. 7, pág. e41011730134, 2022. DOI: 10.33448/rsd-v11i7.30134. Disponível em: https://rsdjournal.org/index.php/rsd/article/view/30134. Acesso em: 16 out. 2025.
BARROS, M. F., Meirelles, S. F. R., Rodrigues, A. L, & Terra, M. M. (2021). Ação da incretina GLP-1 e perspectivas para a redução da incidência de obesidade. Revista Transformar, 15 (1): 483-497. http://www.fsj.edu.br/transformar/index.php/transformar/article/view/588. Acesso em: 10 set. 2025.
BRASIL. Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica Diretrizes brasileiras de obesidade. 2016. Disponível em: https://abeso.org.br/wp-content/uploads/2019/12/Diretrizes- DownloadDiretrizesBrasileiras-de-Obesidade-2016.pdf. Acesso em: 08 set. 2025.
CASTILHO, M. M., Westphal, G., Thon, R. A. Pereira, I. A. S., Martins, F. M. do Amaral, M. F., … & Júnior, N. N. (2021). Efeitos de um programa multiprofissional de tratamento da obesidade no ambiente aquático em adultos com obesidade severa. Research, Society and Development, 10(1), e12910111636-e12910111636. Disponível em: http://dx.doi.org/10.33448/rsd-v10i1.11636. Acesso em: 09 set. 2025.
CADETE, Ana Carolina. Atenção farmacêutica no uso indiscriminado de medicamentos antidiabéticos injetáveis para emagrecer. Artigo Científico, Ânima educação 10-07-2023. Disponível em: https://repositorio.animaeducacao.com.br/items/cd9f18b9-31c8-4312-9ff4- e7430ea06471. Acesso em: 16 out. 2025.
COSTA, I. M, Almeida, J. D., Costa, K. M., Jardim, L. F. S., Rosa, M. J. S., Pifano, P. P., Oliveira, R. R., Silva, S. O., Lima, S. S., & Godoy, J. T. (2021). Uso de análogos de GLP-1 no tratamento da obesidade: uma revisão narrativa. Brazilian Journal of Health Review, 4 (2): 4236-4247. Disponível em: https://doi.org/ 10.34119/bjhrv4n2-022. Acesso em: 30 ago. 2025.
COSTA, Vinícius Silva; MAIA, Athina; PALHARES, Luiz Felipe Nunes. Efeitos adversos graves no trato gastrointestinal associados aos agonistas de GLP-1 disponíveis no Brasil: uma revisão da literatura. Revista de Medicina, São Paulo, v. 104, n. 2, e227746, 2025. Disponível em: https://www.revistas.usp.br/revistadc/article/view/227746. Acesso em: 30 ago. 2025.
GUIMARÃES, C. R., Silva Sousa, E. F., & Pinto, R. R. (2021). Riscos e benefícios do uso de off label de medicamentos: Revisão de literatura Risks and benefits of the use of off label of medicines: Literature. Brazilian Journal of Development, 7(11), 104149-104157. Disponível em: https://doi.org/10.34117/bjdv7n11-166. Acesso em: 20. set. 2025.
GOMES, H. K. B. C.; TREVISAN, M. O uso do Ozempic (semaglutida) como medicamento off label no tratamento da obesidade e como auxiliar na perda de peso. Revista Artigos.Com, v. 29, 2021. Acesso em: 20. set. 2025.
INDIANI, Lidiane et al. Análogos de GLP-1 no controle de peso: desafios éticos e considerações práticas na prescrição. Observatório de la Economía Latinoamericana, v. 23, n. 5, p. e10079-e10079, 2025. Acesso em: 16 out. 2025.
KANE MP, et al. Controle do diabetes tipo 2 com semaglutida oral: orientação prática para farmacêuticos. Jornal americano de farmácia do sistema de saúde: AJHP: jornal oficial da Sociedade Americana de Farmacêuticos do Sistema de Saúde. 2021; 78 (7): 556-567. Acesso em: 08 set. 2025.
MENDES, Carla Fernanda de Oliveira. Assistência farmacêutica na obesidade: uma nova análise. 2018. Acesso em: 08 out. 2025.
NASCIMENTO, Júlia Carrilho; LIMA, Wilkson Melquiades Glória; TREVISAN, Márcio. A atuação do farmacêutico no uso da semaglutida (Ozempic): uma revisão integrativa. Revista Brasileira de Desenvolvimento, v. 7, n. 11, pág. 108982-108996, 2021. Acesso em: 16 out. 2025.
PORTO, Grazielle et al. Riscos causados pelo uso indiscriminado de medicamentos para emagrecer. Research, Society and Development, volume 10, número 10, 2021. Acesso em: 01 set. 2025.
PIMENTEL, D. C. et al. Eficácia e segurança da semaglutida (OZEMPIC®) no tratamento da Obesidade: uma revisão bibliográfica. Cuadernos de educación y desarrollo, v. 15, n. 11, p. 13875–13893, 17 nov. 2023. Acesso em: 08 set. 2025.
SBD; SBEM; ABESO. Carta Aberta sobre aumento na procura por agonistas de GLP-1 para fins estéticos. São Paulo: SBD, SBEM e ABESO, 20 dez. 2024. Disponível em: SBD (Diabetes). Acesso em: 30 ago. 2025.
SANTOS, R. F. DOS; DEUNER, M. C. Riscos associados ao uso indiscriminado de Semaglutida (Ozempic). Revista JRG de Estudos Acadêmicos, v. 7, n. 14, 6 jun. 2024. Acesso em: 08 set. 2025.
SAGRATZKI, R. M. G. et al. O risco de Intoxicação Pelo Uso do Ozempic (Semaglutida) em Pacientes Não Diabéticos. Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences, v. 5, n. 4, p. 1826–1837, 13 set. 2023. Acesso em 20 set. 2025.
SILVEIRA, MC. O uso Off Label de Medicamentos no Brasil. Dissertação (Mestrado em Saúde Pública) – Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca, Fundação Oswaldo Cruz, 2019; 196. Acesso em: 20. set. 2025.
STAICO, Bruna Machado et al. O uso de análogos de GLP-1 liraglutida, semaglutida e tirzepatida no tratamento da obesidade: uma revisão de literatura. RECIMA21-Revista Científica Multidisciplinar-ISSN 2675-6218, v. 4, n. 4, p. e442950- e442950, 2023. Acesso em: 20. set. 2025
TAROZO, M., & Pessa, R. P. (2020). Impacto das consequências psicossociais do estigma do peso no tratamento da obesidade: uma revisão integrativa da literatura. Psicologia: Ciência e Profissão, 40. https://doi.org/10.1590/1982- 3703003190910. Acesso em: 08 set. 2025
