PERSPECTIVAS ATUAIS NO TRATAMENTO E PESQUISA DA ESCLEROSE LATERAL AMIOTRÓFICA: REVISÃO NARRATIVA

CURRENT PERSPECTIVES IN THE TREATMENT AND RESEARCH OF AMYOTROPHIC LATERAL SCLEROSIS: NARRATIVE REVIEW

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cs10202508261913


Beatriz Guilherme Leonardo1
Marcia Glaciela da Cruz Scardoelli2


RESUMO  

O presente estudo tem como objetivo investigar os principais fatores envolvidos no  desenvolvimento da Esclerose Lateral Amiotrófica, com ênfase na relação entre a  progressão da doença, fatores genéticos e ambientais, e o impacto na qualidade de  vida dos pacientes, a fim de fornecer uma compreensão abrangente sobre a doença  e suas implicações para o manejo clínico e os cuidados paliativos. O estudo foi  realizado por meio de uma revisão narrativa de literatura. A coleta de dados foi  realizada mediante busca eletrônica nas bases de dados Google Scholar, Scientific  Electronic Library Online (SCIELO), Literatura Latino-Americana e do Caribe em  Ciências da Saúde (LILACS) e National Library of Medicine (PUBMED) sobre a  temática em questão. Por fim, as perspectivas atuais de tratamento e pesquisa na ELA  têm mostrado avanços significativos, especialmente no campo das terapias genéticas  e regenerativas. No entanto, os desafios persistem, e o futuro do manejo da ELA  dependerá de abordagens mais personalizadas, baseadas em uma compreensão  mais profunda dos mecanismos moleculares e na aplicação de terapias inovadoras. A  colaboração entre cientistas, médicos e formuladores de políticas será essencial para  enfrentar os desafios éticos e clínicos e para melhorar a vida dos pacientes afetados  pela ELA.  

Palavras-chave: Esclerose Lateral Amiotrófica. Diagnóstico. Tratamento. 

1. INTRODUÇÃO 

A Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) é uma doença neurodegenerativa  progressiva que afeta principalmente os neurônios motores, levando à perda gradual  da função motora voluntária. A doença é caracterizada pela degeneração e morte dos  neurônios motores superiores e inferiores, que são responsáveis por controlar a  musculatura esquelética. A consequência é a fraqueza muscular progressiva, atrofia e  espasticidade, culminando na incapacidade de realizar atividades diárias, como andar,  falar, engolir e, eventualmente, respirar. A ELA é uma das formas mais comuns de  doença dos neurônios motores, embora sua prevalência seja relativamente baixa  quando comparada a outras patologias neurodegenerativas, como o Mal de Alzheimer  (Brown e Al-Chalabi, 2017).  

Conforme Mehta et al., (2020), a ELA afeta aproximadamente 1 a 2 pessoas  por 100.000 habitantes por ano em todo o mundo. A incidência varia ligeiramente entre  diferentes populações e regiões geográficas, com as taxas mais altas observadas na  Europa e América do Norte. A maioria dos pacientes é diagnosticada entre os 40 e 70  anos, sendo que a idade média de início é por volta dos 60 anos. Embora a doença  possa afetar ambos os sexos, há uma predominância masculina na maioria dos  estudos, com uma proporção de aproximadamente 1,5 homens para cada mulher  afetada (Mehta et al., 2021). É importante notar que a ELA é esporádica na maioria  dos casos, mas cerca de 5-10% dos pacientes têm histórico familiar da doença,  sugerindo um componente genético em algumas situações (Alonso et al., 2020).  

A etiologia da ELA envolve tanto fatores genéticos quanto ambientais. Entre os  fatores genéticos, mutações em diversos genes têm sido implicadas na patogênese  da doença, sendo os mais comuns os genes SOD1, C9orf72, TARDBP e FUS. Essas  mutações podem resultar em disfunções celulares que levam à neurodegeneração,  como o acúmulo de proteínas mal dobradas, estresse oxidativo e disfunção  mitocondrial. O gene C9orf72, em particular, está associado a uma forma familiar da  doença e também a outros distúrbios neurodegenerativos, como a demência  frontotemporal (Nguyen et al., 2021). Além dos fatores genéticos, fatores ambientais  também são considerados importantes no desenvolvimento da ELA, embora os  mecanismos não sejam totalmente compreendidos. A exposição a metais pesados,  pesticidas, traumatismos cranianos e atividades físicas intensas foram sugeridos  como possíveis fatores de risco, mas as evidências ainda são inconclusivas (Van Es  et al., 2017). 

A progressão da ELA é variável, mas a maioria dos pacientes experimenta um  declínio funcional rápido. Inicialmente, os sintomas podem ser sutis, como fraqueza  muscular ou fasciculações em uma das extremidades. À medida que a doença avança,  essa fraqueza se espalha para outras regiões do corpo, resultando em dificuldades  para caminhar, usar as mãos, falar e engolir. Em estágios avançados, os músculos  respiratórios também são afetados, levando à insuficiência respiratória, que é a  principal causa de morte nos pacientes com ELA. A expectativa de vida média após o  diagnóstico é de 3 a 5 anos, embora haja variabilidade, com alguns pacientes  sobrevivendo por mais de 10 anos (Chiò et al., 2019). Intervenções como ventilação  não invasiva e dispositivos de comunicação assistida podem prolongar a vida e  melhorar a qualidade de vida, mas ainda não há cura para a doença.  

O impacto da ELA na qualidade de vida dos pacientes é profundo, uma vez que  a doença afeta não apenas a capacidade física, mas também a independência e a  comunicação. Estudos mostram que os pacientes com ELA sofrem com uma  deterioração significativa na sua qualidade de vida devido à perda progressiva de suas  habilidades motoras e à dependência crescente de cuidadores (Pagnini et al., 2018).  As limitações físicas resultantes da doença estão frequentemente associadas a  sentimentos de isolamento social e depressão, especialmente à medida que os  pacientes perdem a capacidade de se comunicar verbalmente. A família e os  cuidadores também são profundamente impactados, enfrentando desafios emocionais  e logísticos no cuidado contínuo do paciente. Em muitos casos, os cuidados paliativos  são recomendados para aliviar o sofrimento e fornecer suporte emocional tanto para  os pacientes quanto para suas famílias (Hardiman et al., 2017).  

Dada a severidade e a progressão rápida da ELA, é essencial que os pacientes  recebam cuidados multidisciplinares, que podem incluir neurologistas, fisioterapeutas,  fonoaudiólogos, nutricionistas e profissionais de cuidados paliativos. O objetivo dos  cuidados é manter a maior qualidade de vida possível, abordando tanto os sintomas  físicos quanto os aspectos emocionais da doença. Intervenções precoces, como a  fisioterapia respiratória e a terapia ocupacional, podem ajudar a prolongar a  independência funcional dos pacientes, enquanto o suporte psicológico pode mitigar  os efeitos da depressão e ansiedade associadas à doença (Jackson et al., 2020).  

O presente estudo tem como objetivo realizar uma revisão narrativa de literatura  para investigar os principais fatores envolvidos no desenvolvimento da Esclerose  Lateral Amiotrófica, com ênfase na relação entre a progressão da doença, fatores  genéticos e ambientais, e o impacto na qualidade de vida dos pacientes, a fim de  fornecer uma compreensão abrangente sobre a doença e suas implicações para o  manejo clínico e os cuidados paliativos. 

2. METODOLOGIA  

A metodologia de um trabalho científico consiste em reunir os elementos  necessários para a busca de respostas às indagações propostas nos objetivos e  problemas do estudo, por meio de processos sistematizados e técnicas específicas de  pesquisa (GIL, 2010). Neste contexto, o presente estudo configura-se como uma  revisão narrativa da literatura, com o objetivo de explorar as perspectivas atuais no  tratamento e na pesquisa da Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA).  

Para tanto, foi realizado um levantamento bibliográfico abrangente,  considerando publicações indexadas nos últimos 10 anos, compreendendo o período  de 2014 a 2024. As buscas foram conduzidas nas seguintes bases de dados: Google  Scholar, Scientific Electronic Library Online (SciELO), Literatura Latino-Americana e  do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) e  National Library of Medicine (PubMed).  

Para os critérios de inclusão, foram utilizados artigos completos em língua  portuguesa, disponíveis eletronicamente, relatos de experiência, estudos de revisão,  livros, monografias e dissertações que obedecessem à temática supracitada.  Referente aos critérios de exclusão, foram desconsiderados estudos que, embora  relacionados à área da saúde ou às doenças neurodegenerativas em geral, não  abordam especificamente a Esclerose Lateral Amiotrófica, ou não tratavam das  abordagens terapêuticas e perspectivas de pesquisa atuais sobre a doença. Também  foram excluídos trabalhos com acesso restrito, incompletos ou sem rigor metodológico  adequado. 

3. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA  

3.1 FISIOPATOLOGIA DA ELA  

A Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) é uma doença neurodegenerativa  caracterizada pela degeneração progressiva dos neurônios motores, tanto superiores  quanto inferiores, resultando em fraqueza muscular e, eventualmente, paralisia. A  patologia da ELA está intimamente relacionada com a destruição dos neurônios  motores, que são responsáveis pelo controle voluntário dos músculos esqueléticos. A  morte desses neurônios leva à atrofia muscular, perda de controle motor e, em fases  mais avançadas, à insuficiência respiratória, que é a principal causa de mortalidade  em pacientes com ELA (Brown & Al-Chalabi, 2017). 

As consequências da degeneração dos neurônios motores na ELA são  devastadoras. Com a progressão da doença, os pacientes experimentam uma perda  gradual de força muscular, que se inicia geralmente nos membros superiores e  inferiores e, posteriormente, afeta músculos envolvidos em funções vitais, como a  deglutição e respiração. Essa progressão afeta significativamente a qualidade de vida  dos pacientes, que acabam por se tornar dependentes de suporte mecânico para a  respiração e cuidados assistenciais para as tarefas diárias (Hardiman et al., 2017). A  ausência de cura ou tratamentos eficazes para a ELA torna o prognóstico geralmente  ruim, com uma sobrevida média de 2 a 5 anos após o diagnóstico (Van Es et al., 2017).  

Diversos mecanismos celulares estão implicados na fisiopatologia da ELA,  entre eles o estresse oxidativo, a inflamação, e o acúmulo de proteínas anômalas. O  estresse oxidativo é caracterizado pelo desequilíbrio entre a produção de espécies  reativas de oxigênio (ERO) e a capacidade antioxidante celular, levando a danos  celulares, principalmente em neurônios motores. Estudos indicam que o estresse  oxidativo desempenha um papel fundamental na morte neuronal na ELA, devido à  vulnerabilidade dos neurônios motores ao estresse oxidativo, exacerbada por  mutações em genes como o SOD1 (Cozzolino & Carri, 2012). A inflamação crônica  também é uma característica marcante da ELA, onde microglia ativada, células  responsáveis pela defesa do sistema nervoso central, promovem um ambiente  neurotóxico que agrava a degeneração dos neurônios motores (Philips & Rothstein,  2014).  

O acúmulo de proteínas anômalas é outro mecanismo chave na ELA. A  formação de agregados proteicos, como inclusões citoplasmáticas, é observada nos  neurônios motores de pacientes com ELA. Essas inclusões são compostas por  proteínas mal dobradas, como a TDP-43, que está fortemente associada à forma  esporádica da doença, e pela SOD1, relacionada à forma familiar da ELA. O acúmulo  dessas proteínas leva à disfunção celular e à morte neuronal, agravando a progressão  da doença (Taylor et al., 2016). A incapacidade dos mecanismos celulares de  degradação, como o sistema ubiquitina-proteassoma, de eliminar essas proteínas  danificadas é central para o desenvolvimento da ELA (Blokhuis et al., 2013).  

A genética desempenha um papel crucial na compreensão da ELA.  Aproximadamente 10% dos casos de ELA são hereditários, sendo classificados como  ELA familiar, enquanto os outros 90% são esporádicos. Entre os genes mais  associados à ELA estão o SOD1, C9orf72 e TARDBP. O gene SOD1 foi o primeiro  gene identificado como causador de ELA familiar e suas mutações estão presentes  em cerca de 20% dos casos familiares (Rosen et al., 1993). O SOD1 codifica a enzima  superóxido dismutase, responsável pela neutralização de ERO, e suas mutações resultam na formação de proteínas mal dobradas que são tóxicas para os neurônios  motores (Valentine et al., 2005).  

O gene C9orf72 é a causa genética mais comum de ELA tanto familiar quanto  esporádica. A expansão de repetições hexanucleotídicas (GGGGCC) no primeiro  intron do gene C9orf72 resulta em disfunção celular e neurodegeneração, além de  estar associado a outras condições neurodegenerativas, como a demência  frontotemporal (DeJesus-Hernandez et al., 2011). O impacto dessa mutação nas vias  celulares, como o transporte nucleocitoplasmático e a formação de agregados  proteicos tóxicos, é uma área ativa de pesquisa (Zhang et al., 2015).  

Outro gene relevante na ELA é o TARDBP, que codifica a proteína TDP-43.  Essa proteína desempenha um papel importante na regulação da expressão gênica e  no metabolismo do RNA. No entanto, em pacientes com ELA, a TDP-43 sofre  translocação anormal do núcleo para o citoplasma e forma inclusões citoplasmáticas  tóxicas. As mutações no TARDBP foram identificadas em uma pequena porcentagem  de casos de ELA familiar, mas a disfunção da TDP-43 é observada em até 97% dos  casos de ELA esporádica, tornando-se um dos principais alvos para estudos  terapêuticos (Mackenzie et al., 2010).  

Apesar dos avanços na identificação de genes relacionados à ELA e na  compreensão dos mecanismos moleculares da doença, o tratamento da ELA ainda é  limitado. As terapias atualmente disponíveis, como o riluzol, têm efeitos modestos na  progressão da doença, prolongando a sobrevida dos pacientes em apenas alguns  meses (Bensimon et al., 1994). Novas abordagens terapêuticas estão sendo  desenvolvidas, incluindo o uso de terapia gênica para corrigir mutações genéticas  específicas, bem como intervenções destinadas a reduzir o acúmulo de proteínas  tóxicas e modular a resposta inflamatória (Miller et al., 2012).  

A complexidade da ELA reside no fato de que múltiplos mecanismos patológicos  estão envolvidos, o que torna difícil desenvolver um tratamento único eficaz. Além  disso, a variabilidade clínica e genética entre os pacientes sugere que a ELA não é  uma doença homogênea, mas sim um espectro de desordens que compartilham  características comuns (Van Damme et al., 2017). Portanto, uma abordagem  terapêutica personalizada, baseada no perfil genético e molecular de cada paciente,  pode ser uma estratégia promissora para melhorar o tratamento da ELA no futuro  (Robberecht & Philips, 2013).  

3.2 DIAGNÓSTICO E AVALIAÇÃO 

O diagnóstico da Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) é um processo clínico  complexo, uma vez que não há um teste específico ou biomarcador único para  confirmar a presença da doença. Os métodos diagnósticos utilizados baseiam-se em  uma combinação de exame clínico, neuroimagem, e testes de eletromiografia, todos  com o objetivo de descartar outras condições neurológicas e confirmar a degeneração  dos neurônios motores. A avaliação clínica inicial é fundamental, permitindo ao  neurologista identificar sinais de comprometimento dos neurônios motores superiores  e inferiores, como fraqueza muscular, espasticidade e atrofia. Entretanto, a  sobreposição de sintomas com outras doenças neurodegenerativas pode dificultar o  diagnóstico precoce (Chiò et al., 2011).  

A eletromiografia (EMG) é um dos principais exames utilizados para confirmar  a degeneração dos neurônios motores em pacientes com suspeita de ELA. O exame  avalia a atividade elétrica nos músculos, detectando sinais de desnervação e  reinervação, características da degeneração dos neurônios motores. Na ELA, a EMG  pode revelar fasciculações, fibrilações e potencialidades de unidade motora de  amplitude aumentada, todos indicativos de uma perda progressiva de controle  neuromuscular. A sensibilidade da eletromiografia no diagnóstico da ELA é alta,  especialmente quando combinada com outros testes clínicos, mas ela não é capaz de  diferenciar completamente a ELA de outras neuropatias motoras (de Carvalho et al.,  2008).  

A neuroimagem, particularmente a ressonância magnética (RM), desempenha  um papel importante no diagnóstico diferencial da ELA. Embora a RM não seja  utilizada para diagnosticar diretamente a ELA, ela é crucial para excluir outras  condições que podem mimetizar os sintomas, como esclerose múltipla, tumores da  medula espinhal ou mielopatias cervicais. Recentemente, estudos têm explorado o  uso de RM funcional e técnicas de difusão para detectar alterações estruturais e  funcionais no córtex motor de pacientes com ELA. Essas técnicas ainda estão em  desenvolvimento, mas oferecem a possibilidade de melhorar a precisão diagnóstica  no futuro (Turner et al., 2012).  

Apesar dos avanços nos métodos de imagem e eletrofisiologia, o diagnóstico  precoce da ELA permanece um grande desafio. Muitos pacientes apresentam  sintomas inespecíficos no início da doença, como cãibras musculares ou fraqueza  localizada, que podem ser atribuídos a outras condições neuromusculares menos  graves.  

Isso frequentemente leva a um atraso no diagnóstico, com o tempo médio entre o  início dos sintomas e o diagnóstico final sendo de aproximadamente 12 a 18 meses.  Esse atraso é particularmente problemático, pois a progressão da doença é rápida e intervenções precoces podem ser cruciais para prolongar a sobrevida e melhorar a  qualidade de vida dos pacientes (Benatar et al., 2006).  

Outro desafio no diagnóstico da ELA é a ausência de biomarcadores definitivos.  A identificação de biomarcadores que possam prever ou confirmar o diagnóstico de  ELA em seus estágios iniciais é uma área de intensa pesquisa. Biomarcadores no  líquido cefalorraquidiano (LCR), como a proteína TDP-43, e marcadores de  inflamação, têm mostrado algum potencial, mas ainda não foram validados para o uso  clínico. Testes genéticos também são realizados em casos de ELA familiar, com  mutações em genes como SOD1, TARDBP e C9orf72, sendo investigados. No  entanto, para a maioria dos pacientes com ELA esporádica, os testes genéticos têm  utilidade limitada (Crockford et al., 2018).  

Os avanços no diagnóstico diferencial da ELA em relação a outras doenças  neurodegenerativas também são significativos. A ELA pode compartilhar sintomas  com várias outras condições neuromusculares, como a atrofia muscular espinhal  (AME), a neuropatia motora multifocal (NMM), e a esclerose múltipla. Testes de  condução nervosa, em conjunto com a EMG, são usados para diferenciar a ELA de  neuropatias periféricas. A NMM, por exemplo, pode ser diferenciada pela presença de  bloqueios de condução nos nervos periféricos, algo que não ocorre na ELA. Além  disso, a ressonância magnética pode ajudar a diferenciar a ELA da esclerose múltipla,  que frequentemente apresenta lesões desmielinizantes no sistema nervoso central,  ausentes em pacientes com ELA (Turner et al., 2013).  

O progresso na neuroimagem avançada e nos exames laboratoriais também  tem contribuído para o diagnóstico diferencial de ELA e outras doenças do espectro  motor. Técnicas como a espectroscopia de ressonância magnética (ERM) têm  permitido a análise da bioquímica cerebral em regiões específicas, como o córtex  motor, onde se observa uma redução nos níveis de N-acetil aspartato (NAA), um  marcador de integridade neuronal, em pacientes com ELA. Esses avanços são  promissores, mas ainda precisam de mais validação antes de serem amplamente  aplicados na prática clínica (Verstraete et al., 2012).  

Os avanços em técnicas de biomarcadores também têm fornecido novas  esperanças para o diagnóstico mais precoce da ELA. Além de pesquisas em  biomarcadores no LCR, estudos estão examinando biomarcadores sanguíneos, como  os neurofilamentos de cadeia leve (NfL), que se elevam em resposta à degeneração  axonal. Evidências sugerem que os níveis de NfL no sangue podem estar  correlacionados com a progressão da ELA, tornando-os uma ferramenta potencial  para monitorar a doença e até mesmo ajudar no diagnóstico precoce (Steinacker et al., 2016). Contudo, mais estudos são necessários para confirmar sua eficácia e  sensibilidade na prática clínica.  

Outro avanço no diagnóstico diferencial é a combinação de múltiplos métodos  diagnósticos, como a integração de dados genéticos, neuroimagem e eletromiografia  para formar um quadro mais completo do estado da doença. Esta abordagem  multifacetada permite uma maior precisão no diagnóstico, ajudando a diferenciar a  ELA de outras doenças neurodegenerativas com características semelhantes. Além  disso, o uso de técnicas de inteligência artificial (IA) e aprendizado de máquina para  analisar grandes conjuntos de dados clínicos e de imagem está emergindo como uma  área de grande interesse. A IA tem o potencial de identificar padrões sutis em exames  de imagem e eletrofisiologia que podem não ser detectados pelos métodos  tradicionais, contribuindo para diagnósticos mais precoces e precisos (Pinto et al.,  2019).  

3.3 TRATAMENTOS ATUAIS PARA ELA  

Os tratamentos atuais para a Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) envolvem  uma combinação de intervenções farmacológicas e terapias de suporte destinadas a  retardar a progressão da doença e melhorar a qualidade de vida dos pacientes.  Embora a ELA ainda não tenha cura, os avanços no desenvolvimento de fármacos e  abordagens multidisciplinares têm proporcionado algum alívio aos pacientes. O riluzol  foi o primeiro fármaco aprovado para o tratamento da ELA e, até hoje, continua sendo  amplamente utilizado. Sua principal ação é inibir a liberação de glutamato, um  neurotransmissor excitatório que, em excesso, pode levar à excitação neuronal e à  morte dos neurônios motores. Estudos mostram que o uso contínuo de riluzol pode  prolongar a sobrevida dos pacientes em alguns meses, mas seus efeitos sobre a  progressão dos sintomas motores são limitados (Cree et al., 2020).  

Outro fármaco aprovado mais recentemente é o edaravone, que atua como um  antioxidante, reduzindo o estresse oxidativo nas células nervosas. O estresse  oxidativo tem sido identificado como um dos principais mecanismos de  neurodegeneração na ELA, e o edaravone foi projetado para neutralizar as espécies  reativas de oxigênio, protegendo os neurônios motores de danos adicionais. Ensaios  clínicos demonstraram que o edaravone pode retardar a progressão da doença em  alguns pacientes, especialmente quando administrado nos estágios iniciais da ELA  (Sawada, 2017). No entanto, assim como o riluzol, o impacto do edaravone na  progressão da ELA é modesto, e não há evidências de que ele possa alterar o curso  da doença a longo prazo (van Eijk et al., 2021). 

Além dos fármacos, as terapias de suporte desempenham um papel crucial no  manejo da ELA, ajudando os pacientes a manterem a função e a qualidade de vida  por mais tempo. A ventilação não invasiva (VNI) é uma das intervenções mais eficazes  para prolongar a sobrevida e melhorar o conforto dos pacientes com ELA,  especialmente à medida que a doença avança e a insuficiência respiratória se torna  uma complicação comum. A VNI fornece suporte ventilatório sem a necessidade de  intubação, aliviando a hipoventilação e os sintomas de fadiga respiratória (Bourke et  al., 2020). Vários estudos mostram que o uso de VNI pode melhorar significativamente  a qualidade de vida dos pacientes, reduzindo a sensação de dispneia e prolongando  a sobrevida em até 7 meses (Andersen et al., 2019).  

A fonoaudiologia também é uma parte essencial do cuidado de suporte na ELA.  À medida que a doença progride, muitos pacientes desenvolvem disartria e disfagia,  resultando em dificuldades na comunicação e na deglutição. Os fonoaudiólogos  trabalham com os pacientes para adaptar estratégias de comunicação, como o uso de  dispositivos assistivos e técnicas compensatórias para a fala. Em relação à deglutição,  intervenções que incluem a modificação da consistência dos alimentos e treinamento  muscular podem ajudar a prevenir aspiração e desnutrição, dois riscos críticos na ELA  avançada (Beukelman et al., 2019).  

A fisioterapia também desempenha um papel importante no manejo da ELA,  auxiliando na manutenção da mobilidade e na prevenção de complicações  secundárias, como contraturas musculares e dores articulares. Embora a fisioterapia  não possa alterar o curso da neurodegeneração, exercícios de baixo impacto,  alongamentos e programas de reabilitação personalizados podem melhorar a  funcionalidade e o bem-estar dos pacientes. Além disso, há evidências de que a  fisioterapia pode reduzir a sensação de fadiga e melhorar o humor dos pacientes com  ELA (Hogden et al., 2019).  

As abordagens multidisciplinares têm se mostrado cada vez mais eficazes no  manejo da ELA. O envolvimento de uma equipe composta por neurologistas,  fisioterapeutas, fonoaudiólogos, nutricionistas e profissionais de cuidados paliativos  permite uma abordagem mais holística, que foca tanto nos sintomas físicos quanto  nas necessidades emocionais e psicológicas dos pacientes. As clínicas  multidisciplinares especializadas em ELA demonstraram resultados superiores em  termos de qualidade de vida e sobrevida dos pacientes, em comparação com os  cuidados fornecidos de maneira fragmentada (Miller et al., 2020).  

Outro aspecto importante das abordagens multidisciplinares é o suporte  nutricional. Pacientes com ELA frequentemente apresentam perda de peso  significativa devido à dificuldade de deglutição e ao aumento do gasto energético causado pela atividade muscular descontrolada. Nutricionistas especializados em ELA  monitoram a ingestão calórica e adaptam as dietas para garantir que os pacientes  recebam nutrientes suficientes. A gastrostomia percutânea endoscópica (PEG) é uma  intervenção frequentemente recomendada quando a deglutição se torna impossível,  permitindo que os pacientes continuem a receber nutrição adequada sem o risco de  aspiração (Heller et al., 2019).  

A implementação dessas terapias de suporte e o acompanhamento em clínicas  multidisciplinares têm mostrado benefícios claros no manejo da ELA, porém a doença  continua a ser um grande desafio terapêutico. O campo da pesquisa está explorando  novas abordagens, como a terapia gênica e o uso de células-tronco, com o objetivo  de desenvolver tratamentos que possam interromper ou reverter o processo  degenerativo da ELA. No entanto, essas terapias ainda estão em fases experimentais  e precisam de mais estudos para determinar sua eficácia e segurança (Chio et al.,  2021).  

A combinação de fármacos, terapias de suporte e manejo multidisciplinar  representa a abordagem mais abrangente atualmente disponível para tratar a ELA.  Embora ainda existam limitações significativas nos tratamentos, essas intervenções  proporcionam uma melhora tangível na qualidade de vida dos pacientes, mesmo que  os benefícios sejam temporários. Com a contínua evolução das pesquisas sobre a  ELA, há esperança de que novos tratamentos mais eficazes surjam no futuro,  permitindo não apenas o prolongamento da vida, mas também a possibilidade de cura  para essa devastadora doença neurodegenerativa (Hardiman et al., 2020).  

3.4 DESAFIOS ÉTICOS E SOCIAIS NO TRATAMENTO DA ELA

A Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) é uma doença neurodegenerativa que  apresenta enormes desafios, não apenas em termos médicos, mas também no que  diz respeito às questões éticas e sociais que envolvem seu tratamento. Um dos  principais desafios é o acesso desigual aos tratamentos, que varia amplamente  dependendo do local, da infraestrutura do sistema de saúde e das condições  socioeconômicas dos pacientes. Países com sistemas de saúde pública bem  estruturados podem oferecer uma gama mais ampla de tratamentos e terapias de  suporte para pacientes com ELA, enquanto em regiões menos desenvolvidas, o  acesso a medicamentos como o riluzol e o edavarone é limitado ou inexistente. Essa  disparidade também é observada em relação ao acompanhamento multidisciplinar  que, em alguns casos, está disponível apenas para pacientes que podem arcar com os custos elevados de serviços privados, ampliando as desigualdades no cuidado  (Chiò et al., 2019).  

O custo elevado de tratamentos, como a ventilação não invasiva e as terapias  de suporte contínuas, agrava as desigualdades. Além disso, muitos pacientes com  ELA enfrentam desafios financeiros devido à perda de capacidade laboral, o que  impacta diretamente sua qualidade de vida e o acesso a cuidados de longo prazo. A  desigualdade no cuidado também se reflete na disponibilidade de medicamentos  inovadores, uma vez que terapias experimentais e novos tratamentos geralmente  estão acessíveis apenas por meio de ensaios clínicos, que costumam estar  concentrados em grandes centros de pesquisa, limitando o acesso de pacientes em  áreas rurais ou países de baixa renda (Miller et al., 2021).  

Outro aspecto crucial no tratamento da ELA diz respeito às questões éticas  envolvidas nas terapias experimentais. Embora muitos pacientes e suas famílias  vejam as terapias experimentais como uma esperança em meio ao prognóstico  desolador, esses tratamentos carregam riscos e incertezas significativas. Esses ensaios  clínicos, apesar de rigorosamente regulamentados, muitas vezes geram dilemas  éticos sobre o equilíbrio entre potencial benefício e os riscos à saúde, especialmente  em pacientes que já estão em estágios avançados da doença. Além disso, a pressão  para acelerar o desenvolvimento de tratamentos pode levar a decisões precipitadas  por parte dos pacientes e de seus cuidadores, que muitas vezes enfrentam  expectativas irreais quanto aos resultados dos tratamentos experimentais (Pagnini et  al., 2020).  

Cuidados paliativos também levantam questões éticas importantes no manejo  da ELA. A ELA é uma doença progressiva e incurável, o que significa que muitos  pacientes acabam necessitando de cuidados paliativos em algum ponto. Decisões  sobre a interrupção de tratamentos de suporte vital, como a ventilação assistida, e a  transição para cuidados de fim de vida são emocionalmente carregadas e complexas.  O conceito de autonomia do paciente é central nesses momentos, pois envolve  respeitar os desejos do paciente em relação ao prolongamento da vida ou à qualidade  de vida no estágio terminal da doença. Porém, os familiares e cuidadores muitas vezes  se veem em dilemas éticos ao tentar equilibrar essas decisões com suas próprias  expectativas e emoções (Simmons et al., 2021).  

O impacto social da ELA vai além dos pacientes, afetando profundamente as  famílias e os sistemas de saúde. As famílias de pacientes com ELA frequentemente  assumem a responsabilidade de cuidar de seus entes queridos à medida que a doença  avança, o que pode gerar um desgaste físico, emocional e financeiro significativo.  Estudos mostram que cuidadores de pacientes com ELA apresentam altos níveis de estresse, ansiedade e depressão, especialmente em estágios avançados da doença,  quando a dependência dos pacientes para tarefas diárias básicas é completa (Galvin  et al., 2020). Além disso, a demanda por cuidados em tempo integral muitas vezes  força membros da família a deixarem seus empregos, exacerbando as dificuldades  financeiras.  

Os sistemas de saúde também são impactados de maneira significativa. O  tratamento de pacientes com ELA envolve uma abordagem multidisciplinar que  demanda recursos consideráveis. Desde a ventilação assistida até as terapias de  reabilitação e acompanhamento psicológico, o custo global de cuidado para pacientes  com ELA é elevado. Nos países onde o sistema de saúde público cobre esses  serviços, os governos enfrentam o desafio de alocar recursos de forma adequada para  atender às demandas crescentes de uma população com doenças crônicas como a  ELA. A alocação de recursos para doenças raras, como a ELA, também gera debates  éticos sobre como balancear o financiamento entre condições de alta prevalência e  doenças menos comuns, mas que ainda assim necessitam de atenção urgente (Vogt  et al., 2020).  

Outro fator a ser considerado no impacto social da ELA é o estigma social e a  conscientização limitada sobre a doença. Em muitas sociedades, a falta de  conhecimento sobre a ELA contribui para que os pacientes e suas famílias se sintam  isolados. A falta de suporte social e a ausência de políticas públicas específicas para  auxiliar pacientes com ELA também aumentam a carga sobre os indivíduos afetados  pela doença. A conscientização pública, por meio de campanhas e iniciativas  educacionais, pode desempenhar um papel fundamental na redução desse  isolamento social e no aumento do suporte disponível para os pacientes e suas  famílias (Kiernan et al., 2021).  

O papel dos cuidadores e o apoio que eles recebem é outro ponto importante  de debate. A carga de cuidar de uma pessoa com ELA frequentemente recai sobre  familiares que não têm treinamento adequado para lidar com a complexidade dos  cuidados necessários. Isso leva a um aumento nos níveis de estresse e burnout, além  de um impacto emocional significativo sobre os cuidadores. Soluções para esse  problema incluem o aumento do suporte oferecido por sistemas de saúde, como  programas de treinamento para cuidadores, e o acesso a serviços de alívio para os  cuidadores, que possam proporcionar momentos de descanso e diminuir o desgaste  emocional (Vaughn et al., 2019).  

4. RESULTADOS E DISCUSSÃO 

Os resultados e discussões mais recentes destacam a rápida evolução das  abordagens terapêuticas e os desafios contínuos na busca por tratamentos eficazes.  A partir de 2019, diversos estudos investigaram novos fármacos, terapias  regenerativas e intervenções multidisciplinares para retardar a progressão da doença  e melhorar a qualidade de vida dos pacientes.  

Um dos avanços mais promissores no tratamento da ELA é o uso de terapias  baseadas em RNA. Pesquisas recentes focam em tratamentos que utilizam  oligonucleotídeos antissenso, que têm como alvo a expressão de genes mutados  associados à ELA, como o SOD1 e o C9orf72. O estudo de Miller et al. (2020) revelou  que o uso de oligonucleotídeos antissenso contra mutações no gene SOD1 pode  reduzir a toxicidade associada à proteína SOD1 mal dobrada, atrasando a progressão  da ELA em modelos animais e ensaios clínicos iniciais. Resultados semelhantes foram  observados em estudos com o gene C9orf72, onde os oligonucleotídeos mostraram  reduzir a formação de dipeptídeos tóxicos e a agregação proteica (Nicolas et al.,  2021). Esses achados sugerem que o tratamento direcionado a mecanismos  genéticos subjacentes pode representar um avanço significativo para pacientes com  ELA de origem genética.  

Além disso, as terapias celulares, como o uso de células-tronco, continuam a  ser uma área de intensa pesquisa. Estudos clínicos recentes indicam que a infusão de  células-tronco mesenquimais modificadas pode fornecer suporte neuroprotetor e  promover a regeneração neuronal em pacientes com ELA. Thonhoff et al. (2020)  conduziram ensaios clínicos de fase 2 com células-tronco modificadas, demonstrando  uma desaceleração modesta da progressão da doença em alguns pacientes, embora  os resultados ainda não sejam uniformes. Esses estudos sugerem que as terapias  celulares, embora promissoras, ainda necessitam de mais investigação para identificar  os pacientes que mais podem se beneficiar dessas abordagens.  

A terapia farmacológica também continua a ser investigada com novos agentes,  como o Tofersen, que têm mostrado promessas nos ensaios clínicos. Esse fármaco é  um oligonucleotídeo antissenso projetado para reduzir a produção de proteínas SOD1  mutantes, que são tóxicas para os neurônios motores. Os ensaios clínicos conduzidos  por Miller et al. (2021) mostraram uma redução nos níveis da proteína SOD1 no líquido  cefalorraquidiano e uma desaceleração da progressão clínica da doença,  particularmente em pacientes com mutações no gene SOD1. Esses achados indicam  que intervenções precoces e específicas para mutações genéticas podem ter um  impacto significativo no curso da ELA.  

No entanto, as respostas ao tratamento variam amplamente, e ainda há muitos  desafios éticos e científicos a serem superados. Um desafio importante é a variabilidade clínica entre os pacientes, que apresenta dificuldades para a  padronização dos tratamentos. Diferentes mutações genéticas e fatores ambientais  podem influenciar o curso da doença, tornando difícil prever a resposta individual às  terapias. Além disso, a maioria dos tratamentos avançados ainda está em fase de  ensaios clínicos e não está amplamente disponível, o que levanta questões de  acessibilidade para pacientes em diferentes partes do mundo (Mehta et al., 2020).  

Outro avanço promissor está relacionado ao uso de biomarcadores, que podem  melhorar a capacidade de diagnosticar precocemente a ELA e monitorar a resposta  ao tratamento. Steinacker et al. (2020) relataram que os níveis de neurofilamentos de  cadeia leve (NfL) no sangue e no líquido cefalorraquidiano podem servir como  biomarcadores robustos da progressão da doença. O uso de biomarcadores como o  NfL oferece uma maneira prática e menos invasiva de monitorar o efeito dos  tratamentos em tempo real, permitindo ajustes terapêuticos mais precisos e  personalizados. A capacidade de detectar alterações patológicas antes que os  sintomas se tornem evidentes pode abrir novas oportunidades para intervenções  precoces, aumentando a eficácia dos tratamentos existentes.  

Em termos de terapias multidisciplinares, a abordagem integrada continua a ser  fundamental para melhorar a qualidade de vida dos pacientes. Terapias de suporte,  como ventilação não invasiva e reabilitação física, continuam a ser essenciais no  manejo dos sintomas e na redução das complicações respiratórias e motoras. Estudos  recentes, como o de Hobson et al. (2019), destacam a importância de equipes  multidisciplinares, compostas por fisioterapeutas, fonoaudiólogos e psicólogos, no  manejo de pacientes com ELA, fornecendo intervenções que não apenas prolongam  a vida, mas também melhoram a funcionalidade e o bem-estar psicológico dos  pacientes.  

Em conclusão, as perspectivas atuais no tratamento da ELA têm mostrado  progresso significativo, particularmente nas áreas de terapias genéticas e celulares.  No entanto, os desafios permanecem em termos de acessibilidade, variabilidade de  resposta e ética no desenvolvimento de novas terapias. Abordagens personalizadas,  baseadas em biomarcadores e no perfil genético dos pacientes, emergem como uma  estratégia promissora para otimizar os resultados clínicos. Enquanto a busca por uma  cura continua, as intervenções atuais estão melhorando a qualidade de vida e  oferecendo novas esperanças para pacientes com ELA e suas famílias.  

5. CONCLUSÃO  

A Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) apresenta uma série de desafios tanto no  diagnóstico, quanto no tratamento e na compreensão de seus aspectos éticos e sociais. Em termos de fisiopatologia, os estudos recentes enfatizam a degeneração  dos neurônios motores como um processo complexo, influenciado por múltiplos  mecanismos celulares, incluindo o estresse oxidativo, a inflamação e o acúmulo de  proteínas anômalas. As mutações genéticas, como aquelas nos genes SOD1, C9orf72 e TARDBP, desempenham um papel fundamental no desenvolvimento da ELA, e os  avanços na compreensão desses mecanismos fornecem bases promissoras para  novas terapias.  

No campo do diagnóstico, as limitações dos métodos atuais, como  eletromiografia e neuroimagem, bem como a ausência de biomarcadores definitivos,  continuam sendo obstáculos. Contudo, avanços no uso de neurofilamentos e novas  técnicas de imagem oferecem esperança para diagnósticos mais precoces e precisos,  o que é crucial para melhorar o manejo da doença.  

Quanto aos tratamentos, os fármacos atualmente aprovados, como riluzol e  edavarone, juntamente com abordagens multidisciplinares, proporcionam melhorias  na qualidade de vida, mas os benefícios em termos de sobrevida ainda são limitados.  Novas terapias, como tratamentos com oligonucleotídeos antissenso e células-tronco,  oferecem potencial para intervenções mais eficazes no futuro, embora a variabilidade  na resposta ao tratamento permaneça um desafio.  

Os desafios éticos e sociais no tratamento da ELA ressaltam a importância do  acesso equitativo aos tratamentos e do suporte adequado para pacientes e  cuidadores. As terapias experimentais oferecem esperança, mas levantam questões  éticas complexas, especialmente no que diz respeito à equidade no acesso e à  transparência dos riscos e benefícios. O impacto da doença sobre as famílias e os  sistemas de saúde é profundo, exigindo mais suporte social e políticas públicas  eficazes.  

Por fim, as perspectivas atuais de tratamento e pesquisa na ELA têm mostrado  avanços significativos, especialmente no campo das terapias genéticas e  regenerativas. No entanto, os desafios persistem, e o futuro do manejo da ELA  dependerá de abordagens mais personalizadas, baseadas em uma compreensão  mais profunda dos mecanismos moleculares e na aplicação de terapias inovadoras. A  colaboração entre cientistas, médicos e formuladores de políticas será essencial para  enfrentar os desafios éticos e clínicos e para melhorar a vida dos pacientes afetados  pela ELA. 

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 1Acadêmica do curso de medicina, Centro Universitário Cesumar (Unicesumar) bguilherme.leonardo@hotmail.com
2Orientador, Departamento de Medicina, Centro Universitário Cesumar (Unicesumar)