PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DAS PRINCIPAIS DOENÇAS EM GESTANTES NO TOCANTINS: ESTUDO RETROSPECTIVO DE 2015 A 2024  

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/fa10202511302337


Kalinny Sthefanny Macedo Rodrigues1
Karla Danielly Lima Vinhadelli2
Mariana Martins de Souza3
Eliane Patricia Lino Pereira Franchi4


RESUMO

A gestação é um período marcado por intensas transformações fisiológicas e emocionais, que aumentam a vulnerabilidade da mulher a diferentes agravos capazes de comprometer tanto a sua saúde quanto a do feto. Este estudo, de natureza quantitativa, descritiva e retrospectiva, analisou dados secundários do DATASUS referentes ao período de 2015 a 2024, com a finalidade de identificar o perfil epidemiológico das principais doenças notificadas em gestantes residentes no Tocantins. Foram avaliadas sífilis, HIV, hepatites virais, prurido gestacional, exantema gestacional e cefaleia, considerando variáveis como ano de diagnóstico e estado de residência. Os resultados revelaram crescimento expressivo da sífilis, com pico em 2023 seguido de declínio em 2024. O HIV apresentou comportamento oscilatório, sem tendência linear de aumento ou redução. As hepatites virais mostraram queda acentuada no decorrer da série histórica, alcançando apenas um caso em 2024. Prurido e exantema gestacional demonstraram estabilidade relativa entre 2018 e 2023, com declínio significativo no último ano analisado. Conclui-se que, embora haja avanços na vigilância epidemiológica e nas ações de prevenção, persistem desafios importantes na detecção precoce, no acompanhamento pré-natal e na atenuação das desigualdades sociais e raciais. Os achados reforçam a importância de fortalecer o pré-natal, ampliar testagens, qualificar profissionais da atenção básica e aprimorar políticas públicas voltadas à saúde materna no Tocantins. 

Palavras-chave: DATASUS, Doenças, Epidemiologia, Gestantes,Tocantins. 

ABSTRACT

Pregnancy is a period marked by intense physiological and emotional changes, which increase a woman’s vulnerability to various conditions capable of compromising both her health and that of the fetus. This quantitative, descriptive, and retrospective study analyzed secondary data from DATASUS for the period from 2015 to 2024, with the aim of identifying the epidemiological profile of the main diseases reported in pregnant women residing in Tocantins. The conditions evaluated were syphilis, HIV, viral hepatitis, gestational pruritus, gestational exanthema, and headache, considering variables such as year of diagnosis and state of residence. The results revealed a significant increase in syphilis cases, with a peak in 2023 followed by a decline in 2024. HIV showed fluctuating behavior, with no linear trend of increase or decrease. Viral hepatitis demonstrated a marked reduction throughout the historical series, reaching only one case in 2024. Gestational pruritus and exanthema showed relative stability between 2018 and 2023, with a significant drop in the final year analyzed. It is concluded that, although there have been advances in epidemiological surveillance and prevention actions, important challenges remain in early detection, prenatal follow-up, and the reduction of social and racial inequalities. The findings reinforce the importance of strengthening prenatal care, expanding testing, improving the training of primary care professionals, and enhancing public policies aimed at maternal health in Tocantins. 

Keywords: DATASUS, Diseases, Epidemiology, Pregnant women, Tocantins. 

1 INTRODUÇÃO 

A gestação é um período marcado por intensas transformações fisiológicas, hormonais e emocionais, essenciais para a formação do feto, mas que tornam a mulher mais propensa a determinadas doenças e agravos (Costa et al., 2016). Mundialmente, as complicações decorrentes de condições pré-existentes ou adquiridas ao longo da gravidez, como síndromes hipertensivas, diabetes gestacional, e infecções como HIV e sífilis, destacam-se como importantes determinantes da morbimortalidade materna e perinatal (Soares et al., 2021). 

No contexto brasileiro, a assistência pré-natal deve ter como foco a detecção e manejo de patologias prevalentes. As principais morbidades incluem distúrbios metabólicos, como o diabetes gestacional (Brasil, 2023); infecções de transmissão vertical, notadamente sífilis e HIV, cuja incidência permanece elevada (Brasil, 2023; Domingues et al., 2021); além de condições específicas da gestação, como a pré-eclâmpsia e manifestações como prurido, exantemas e cefaleia gestacional, que podem ser benignas ou indicar distúrbios metabólicos, infecções ou hipertensão arterial (Sociedade Brasileira de Cardiologia, 2021). 

Tais modificações fisiológicas que incluem aumento do volume sanguíneo, imunomodulação e complexas alterações hormonais influenciando o metabolismo de glicose e lipídios (Fernandes; Campos; Francisco, 2019), reforçam a importância de um acompanhamento pré-natal rigoroso, assegurando a identificação precoce e a intervenção oportuna (Brasil, 2022). 

A realização deste estudo justifica-se pela importância da vigilância epidemiológica no acompanhamento das condições de saúde que acometem gestantes, principalmente em regiões com características socioeconômicas e estruturais diversas, como o estado do Tocantins. A gestação é um período de vulnerabilidade biológica e social, e o monitoramento dos principais agravos como sífilis, HIV, hepatites virais, prurido, exantema e cefaleia, viabiliza a análise dos obstáculos presentes nos serviços de saúde e a construção de estratégias preventivas e interventivas mais eficientes (Peres et al., 2021). 

De maneira complementar, a análise retrospectiva dos dados disponíveis no DATASUS entre 2015 e 2024 possibilita o reconhecimento de tendências temporais, variações regionais e possíveis falhas nos processos de notificação e acompanhamento pré-natal, favorecendo a melhoria contínua das políticas públicas de saúde da mulher e o avanço das estratégias de vigilância epidemiológica (Livramento et al., 2019). 

Considerando esse contexto, a problemática que norteia esta pesquisa é: Quais são as principais doenças que acometem gestantes no estado do Tocantins no período de 2015 a 2024 e como se apresenta o perfil epidemiológico dessas condições segundo os dados do DATASUS. 

Logo, o objetivo geral é analisar o perfil epidemiológico das principais doenças que acometem gestantes no estado do Tocantins, no período de 2015 a 2024, a partir dos dados disponibilizados pelo DATASUS. 

2 METODOLOGIA 

O presente estudo caracteriza-se como uma pesquisa quantitativa, descritiva e retrospectiva, desenvolvida a partir da análise de dados secundários provenientes do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS). O estudo abrangeu o período compreendido entre 2015 e 2024 e teve como cenário o estado do Tocantins. 

O estudo foi realizado no estado do Tocantins, o mais novo da federação, criado em 1988 e localizado na região Norte do Brasil, em uma zona de transição para a região Centro-Oeste. Com vasta extensão territorial, o Tocantins possui 277.423,627 km² e conta com uma população estimada de 1.607.363 habitantes, distribuída de forma heterogênea entre seus 139 municípios (IBGE, 2022). Esses municípios estão organizados em oito microrregiões — Bico do Papagaio, Médio Norte Araguaia, Cerrado Tocantins Araguaia, Cantão, Capim Dourado, Amor Perfeito, Ilha do Bananal e Sudeste — que, por sua vez, compõem duas macrorregiões de saúde: Norte e Centro-Sul. A estrutura demográfica e socioeconômica do estado, marcada por rápido desenvolvimento urbano concentrado e desafios no acesso aos serviços de saúde, influencia diretamente o perfil epidemiológico da população. Destaca-se ainda a regionalização da rede de atenção organizada em Macrorregiões e Regiões de Saúde (TOCANTINS, 2024), fator que impacta os processos de notificação e registro de agravos em gestantes, justificando a escolha desse cenário para a realização do estudo. 

A coleta de dados foi realizada por meio do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), acessado na plataforma TabNet/DATASUS. Para alcançar as informações desejadas, seguiu-se o percurso: DATASUS → Informações de Saúde (TabNet) → Epidemiológicas e Morbidade → SINAN – Doenças e Agravos de Notificação, selecionando-se o estado do Tocantins e aplicando-se filtros correspondentes aos agravos estudados. 

Foram investigadas as seguintes doenças e respectivos códigos da Classificação Internacional de Doenças (CID-10): sífilis (A50–A53), infecção pelo HIV (B20–B24), hepatites virais (B15–B19), prurido gestacional (O26.8), exantema na gestação (O26.4) e cefaleia na gestação (O26.8; G43; R51). Para cada agravo, selecionaram-se as variáveis “Ano de diagnóstico”, “Município de residência”, e “Casos confirmados”, além da filtragem pela condição “gestante”.  

Foram incluídas no estudo todas as notificações confirmadas de gestantes residentes no Tocantins no período determinado. Excluíram-se os registros duplicados, incompletos ou inconsistentes quanto ao CID, à condição gestacional ou ao ano de notificação. Os dados extraídos foram organizados manualmente em planilhas eletrônicas, assegurando padronização e integridade das variáveis antes da análise. 

A análise dos dados ocorreu a partir de estatística descritiva, com a elaboração de tabelas. A análise dos achados foi realizada com base em literatura científica atualizada, permitindo contextualizar o comportamento epidemiológico dos agravos estudados, bem como relacioná-los a fatores sociais, demográficos e estruturais do estado. 

No que se refere aos aspectos éticos, o estudo dispensa apreciação por Comitê de Ética em Pesquisa, conforme disposto na Resolução nº 510/2016 do Conselho Nacional de Saúde, visto que utiliza-se exclusivamente dados secundários de domínio público, sem identificação de indivíduos. Ressalta-se, contudo, o compromisso com a integridade científica e o uso responsável das informações, em conformidade com os princípios éticos que norteiam a pesquisa acadêmica. 

3 RESULTADOS  

Os resultados obtidos por meio da análise das notificações de gestantes no estado do Tocantins entre 2015 e 2024 evidenciaram importantes oscilações na incidência dos agravos estudados, demonstrando tendências epidemiológicas que refletem tanto a dinâmica das doenças quanto às condições estruturais da vigilância em saúde no período analisado. A sífilis em gestantes apresentou o comportamento mais expressivo, iniciando com 199 casos em 2015 e alcançando seu ápice em 2023, com 877 registros, o que corresponde a um aumento acumulado de 340,7% ao longo da série histórica. Esse crescimento progressivo, ressaltando-se as variações ascensionais de maior relevância entre 2016 e 2017 (73,7%) e entre 2017 e 2018 (43,1%), evidencia a persistência da transmissão ativa no território. Em 2024, observou-se redução para 410 casos, representando queda de 53,2% comparado ao ano anterior, embora ainda revele prevalência mais que duplicada quando comparada ao início da série. 

Tabela 1 – Distribuição das doenças notificadas em gestantes no estado do Tocantins por ano de diagnóstico, 2015–2024

Fonte: Ministério da Saúde – DATASUS (Sinan/RESP), 2024.
*Total anual calculado com base nos dados por raça/etnia.

Tabela 2 – Taxa de Incidência de Doenças Notificadas em Gestantes no Estado do Tocantins por Ano de Diagnóstico, 2015–2024

Fonte: Elaborada pelos autores. 

A taxa de incidência das doenças notificadas em gestantes no estado do Tocantins foi calculada pela razão entre o número de casos registrados e a população estimada para cada ano, multiplicada por 100.000 habitantes, permitindo a comparação padronizada das variações epidemiológicas no período de 2015 a 2024. A análise desse indicador demonstra comportamentos distintos entre os agravos avaliados. A sífilis apresentou tendência ascendente expressiva ao longo da série histórica, partindo de 13,13 por 100.000 habitantes em 2015 e atingindo 58,02 em 2023, o maior valor observado no período. Esse crescimento pode refletir a ampliação da testagem rápida no pré-natal, o fortalecimento das ações de rastreamento e maior sensibilidade da vigilância epidemiológica. Em 2024 observou-se redução importante para 25,99 habitantes, sugerindo possível oscilação nos registros, mudanças na cobertura assistencial ou variações nos fluxos de vigilância. 

O comportamento do HIV em gestantes, por outro lado, apresentou-se predominantemente instável, sem tendência linear definida. Em 2015 registaram-se 47 casos, com queda gradual até 2017 (41 casos). A partir desse período, verificaram-se aumentos expressivos, como o de 53,7% em 2018 e o de 44,7% em 2020, seguido por redução contínua até 2022 (36 casos). Entretanto, em 2023 houve novo crescimento, com 59 casos notificados, seguido da queda mais acentuada da série em 2024, quando apenas 25 casos foram registrados. Esse padrão sugere forte sensibilidade às variações na cobertura do pré-natal, na realização de testagens e na estrutura da vigilância epidemiológica, aspecto coerente com as oscilações observadas também nas taxas padronizadas por população. 

As hepatites virais se destacaram pela redução mais acentuada entre todos os agravos analisados. Em 2015 foram notificados 416 casos, com queda imediata para 106 casos em 2016, representando redução de 74,5%. Após oscilações moderadas entre 2017 (126 casos) e 2018 (150 casos), o número voltou a diminuir para 130 casos em 2019 e caiu drasticamente para 52 casos em 2020. Embora tenha ocorrido leve recuperação até 111 casos em 2023, em 2024 registrou-se apenas um caso em todo o estado, redução de 99,7% em relação ao ano anterior. Quando analisadas por taxa de incidência, as hepatites virais apresentam trajetória coerente, partindo de 27,46 para apenas 0,06 no período, o que sugere impacto direto das políticas de imunização, ampliação da testagem e fortalecimento dos protocolos de prevenção, embora não se possa descartar a possibilidade de subdiagnóstico, especialmente em formas assintomáticas. 

Os agravos classificados como prurido gestacional e exantema gestacional apresentaram comportamento semelhante ao longo do período analisado. Após o aumento expressivo entre 2015 e 2016, quando os casos passaram de 77 para 177 (crescimento de 129,9%), verificou-se queda abrupta em 2017 (73 casos). Entre 2018 e 2023 ambos os agravos mantiveram estabilidade relativa, com variações anuais limitadas à faixa entre 65 e 80 registros. Em 2024 constatou-se diminuição substancial, com 36 ocorrências em cada agravo, representando redução superior a 50% em comparação ao ano anterior. As taxas de incidência, que oscilaram entre 4,09 e 11,55 também refletem essa estabilidade, sugerindo que tais agravos, frequentemente subnotificados e influenciados por fatores ambientais e sazonais, mantêm padrão epidemiológico relativamente constante na população gestante do estado. A cefaleia apresentou comportamento semelhante, com taxas variando entre 4,02 e 11,55 ao longo da série e redução para 2,28 em 2024, o que pode também refletir diferenças na classificação clínica, no registro e na sensibilidade dos sistemas de vigilância. 

De modo geral, a análise integrada dos casos absolutos e das taxas padronizadas indica que a sífilis permanece como o agravo de maior relevância epidemiológica entre as gestantes tocantinenses, demonstrando tendência ascendente prolongada e demandando prioridade das políticas de saúde. As hepatites virais, ao contrário, revelam importante avanço no controle, enquanto o HIV, prurido gestacional, exantema gestacional e cefaleia apresentam comportamentos mais sensíveis às variações assistenciais e às oscilações na vigilância. Esses resultados reforçam a necessidade de fortalecimento contínuo da atenção pré-natal, ampliação das estratégias de rastreamento e manutenção da vigilância ativa como pilares para a proteção da saúde materno-infantil no Tocantins. 

4 DISCUSSÃO 

Os resultados apresentados evidenciam tendências epidemiológicas relevantes com vistas à compreensão  da saúde gestacional no Tocantins entre 2015 e 2024. A crescente incidência de sífilis destaca-se como o achado mais preocupante. O aumento contínuo até 2023 reforça falhas persistentes no acompanhamento pré-natal, especialmente na testagem e no tratamento oportuno das gestantes e de seus parceiros, conforme já discutido em estudos nacionais que apontam a manutenção de altas taxas de transmissão materno-infantil devido à baixa adesão terapêutica e à dificuldade de acesso ao cuidado adequado (Ramos et al., 2022). Mesmo com a redução observada em 2024, o número ainda se mantém elevado, reforçando a imprescindibilidade de estratégias mais robustas de rastreamento, práticas educativas em saúde e fortalecimento da Atenção Primária. 

O comportamento variável do HIV indica que, embora haja avanços no diagnóstico e prevenção da transmissão vertical, ainda existem desafios relacionados à adesão ao tratamento e à vigilância epidemiológica. A queda observada em 2024 pode representar melhora no cuidado ou, alternativamente, redução na realização de testes e notificações durante o período analisado. Estudos evidenciam que a assistência qualificada e o acompanhamento contínuo da gestante vivendo com HIV são fundamentais para manter a taxa de transmissão vertical próxima de zero (Trindade et al., 2021). 

A queda acentuada das hepatites virais ao longo da série histórica sugere impacto positivo das políticas de vacinação e da ampliação da testagem no pré-natal, especialmente para a hepatite B. Entretanto, a redução extrema observada em 2024 também pode estar relacionada a subdiagnóstico, principalmente em casos assintomáticos. Conforme Zica et al. (2021), a triagem pré-natal para hepatites é imprescindível para prevenir complicações hepáticas maternas e riscos neonatais, reforçando a importância da manutenção e qualificação da vigilância. 

Prurido e exantema gestacional, embora muitas vezes considerados sintomas leves, desempenham papel importante na identificação de agravos maiores, como colestase intra-hepática e infecções virais. A estabilidade relativa ao longo dos anos reflete sua natureza multifatorial. Já a queda observada em 2024 pode representar melhorias clínicas, mudanças sazonais ou variações na notificação. Segundo Macedo e Marques (2000), o prurido pode ser um sinal clínico relevante na gestação e merece investigação adequada para reduzir riscos obstétricos. 

A análise racial evidencia desigualdades estruturais importantes: mulheres pardas são predominantemente afetadas em todos os agravos analisados. Esse padrão está associado a determinantes sociais da saúde, como renda, escolaridade, condições de moradia e acesso ao cuidado pré-natal de qualidade. A literatura demonstra que as disparidades raciais exercem influência direta sobre a incidência de doenças gestacionais e sobre a probabilidade de identificação precoce e manejo oportuno (Pedraza; Lins, 2021). 

De forma geral, os resultados indicam avanços em algumas áreas, como redução das hepatites e maior estabilidade dos sintomas gestacionais; contudo, persistem fragilidades significativas na prevenção de infecções sexualmente transmissíveis. A análise dos dados evidencia que o fortalecimento do pré-natal, a ampliação das testagens, a qualificação dos profissionais da Atenção Básica e o combate às desigualdades raciais e sociais são medidas essenciais para aprimorar a saúde materna no Tocantins, alinhando-se ao que defendem Rodrigues et al. (2022). 

Esses achados endossam a urgência de políticas intersetoriais que promovam cuidado integral, equitativo e contínuo às gestantes, reduzindo a morbimortalidade e garantindo o aprimoramento na qualidade de vida materno-infantil. 

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS 

A pesquisa possibilitou compreender de forma ampla o panorama dos principais agravos que acometem gestantes no Estado do Tocantins entre 2015 e 2024, respondendo ao problema proposto inicialmente. Os dados analisados revelaram que, embora haja avanços nas ações de prevenção e acompanhamento pré-natal, ainda existem desafios importantes na detecção e controle de doenças como sífilis, HIV e hepatites virais, bem como no monitoramento de condições gestacionais como prurido e exantema. A predominância dos casos entre mulheres pardas e a oscilação dos registros ao longo dos anos reforçam a influência de fatores sociais e estruturais no acesso à saúde.      

As hipóteses iniciais foram confirmadas, uma vez que os resultados demonstraram a persistência de desigualdades regionais e raciais, além de falhas no sistema de vigilância epidemiológica. A sífilis, por exemplo, apresentou crescimento expressivo, evidenciando a necessidade de maior atenção às estratégias de prevenção e ao tratamento do casal durante a assistência pré-natal. Já a redução dos casos de hepatites e HIV sugere que as ações de imunização e controle vêm surtindo efeito, embora ainda exijam manutenção e monitoramento constante para evitar novos surtos ou subnotificação.      Como recomendação, indica-se a necessidade de fortalecer as políticas públicas destinadas à saúde materna, com ênfase na ampliação da testagem rápida, na formação continuada de profissionais da atenção básica e na melhoria da qualidade do cuidado pré-natal, sobretudo em regiões mais vulneráveis. Também é essencial investir em campanhas educativas voltadas à população feminina, reforçando a importância da prevenção e do acompanhamento regular. Assim, esta pesquisa contribui para ampliar a compreensão sobre os desafios da saúde gestacional no Tocantins e oferece subsídios para a formulação de estratégias mais eficazes e equitativas. 

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1Acadêmica do Curso de Enfermagem – Afya Faculdade Porto Nacional – TO 

2Acadêmica do Curso de Enfermagem – Afya Faculdade Porto Nacional – TO 

3Acadêmica do Curso de Enfermagem – Afya Faculdade Porto Nacional – TO 

4Doutora em Doenças Tropicais – Afya Faculdade Porto Nacional – TO