PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DAS GESTANTES ATENDIDAS NA UNIDADES DE TERAPIA INTENSIVA DA REGIÃO DE SAÚDE ARAGUAIA EM 2023

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202508251126


Whatina Leite de Souza1
Aelson de Barros Garcia1
Júlio Cesar de Sousa e Sousa2
Larissa Luz Alves3
Maria do Socorro Rodrigues Cardoso4
Orientadora: Diala Alves de Sousa5


RESUMO 

Objetivo: Analisou o perfil das gestantes atendidas em Unidades de Terapia Intensiva (UTI) no ano de 2023, na região de saúde Araguaia. Método: Trata-se de um estudo transversal descritivo retrospectivo de caráter quantitativo, realizado através do Sistema de Informação do Ministério da Saúde (TabWin). A coleta de dados ocorreu no mês de agosto de 2024 por meio de um roteiro semiestruturado. Resultado: Verificou-se que a principal causa de internação foi assistência relacionada ao parto (71,3%), a escolaridade é ignorada ou não se aplica (94,6%), cor parda (81,45%), não tem filhos ou não informou (94,71%), a maioria reside em Conceição do Araguaia (42%), e fica em média 2 dias internada (46,53%). Conclusão: o estudo apontou a necessidade de melhor estruturação do acompanhamento de pré-natal, bem como uma integração entre as unidades básicas de saúde e os hospitais de referência. Além disso, nota-se a importância do registo adequado dos dados nos sistemas de informação do Ministério da Saúde a fim de melhor identificar as condições de saúde dos usuários do Sistema Único de Saúde.

Palavras-chave: Epidemiologia. Gestante. Unidade de Terapia Intensiva.

ABSTRACT 

Objective: To analyzed the profile of pregnant women treated in Intensive Care Units (ICU) in 2023, in the Araguaia health region. Method: This is a descriptive, retrospective, cross-sectional study of a quantitative nature, carried out through the Ministry of Health Information System (TabWin). Data collection took place in August 2024 through a semi-structured script. Result: The main cause of hospitalization was childbirth-related care (71.3%), education level was unknown or not applicable (94.6%), brown skin color (81.45%), did not have children or did not report (94.71%), the majority lived in Conceição do Araguaia (42%), and remained hospitalized for an average of 2 days (46.53%). Conclusion: the study pointed to the need for better structuring of prenatal care, as well as integration between basic health units and referral hospitals. In addition, it is important to note the importance of adequately recording data in the information systems of the Ministry of Health in order to better identify the health conditions of users of the Unified Health System. 

Keywords: Epidemiology. Pregnant woman. Intensive Care Unit.

1. INTRODUÇÃO 

De acordo com Brasil (2022), uma gestação pode iniciar em condições favoráveis para a mãe e para o bebê e no decorrer do período gestacional evoluir para uma gravidez de alto risco. Assim, durante as consultas de pré-natal é possível elencar critérios que podem classificar se uma gestação é ou não de alto risco, como por exemplo, condições sociodemográficas, história reprodutiva anterior, condições clínicas prévias.  

Desse modo, pacientes que enfrentam complicações graves durante a gestação, parto e puerpério deverão ser atendidas numa Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Brasil (2023) define Unidades de Terapia Intensiva como um serviço hospitalar destinado a pacientes críticos, graves ou de alto risco clínico ou cirúrgico que necessitam de cuidados intensivos e ininterruptos, além de assistência médica, fisioterapêutica e de enfermagem, com monitorização contínua durante as 24 (vinte e quatro) horas do dia.  

Tratou-se de um tipo de serviço que pode aumentar consideravelmente a sobrevida da paciente grávida e contribuir significativamente para a redução das taxas de mortalidade materna. Conforme afirma Santos et al., (2022), vem crescendo o número de gestantes internadas em Unidades de Terapia Intensiva (UTI), refletindo a necessidade de um acompanhamento eficaz do pré-natal e constantes desafios enfrentados por mulheres com condições clínicas graves. Amorim Amorim et al., (2006) aponta como principais causas de internação em UTI obstétrica a síndrome hipertensiva, oligoidrâmnio, gestação múltipla e doenças preexistentes.  

Neste sentido, o Estado do Pará possui 144 (cento e quarenta e quatro municípios) e uma área territorial de 1.245.870,704 km2, apresentando uma diversidade populacional que vive em áreas urbanas, rurais, ribeirinhas e, em comunidades indígenas, conforme descreve o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (2022). 

Assim, devido a sua grande extensão territorial, o Estado é dividido em 13 (treze) Regiões de Integração (RI). Localizada na Região Sudeste do Pará e entrecortada pelas rodovias BR-158 e PA-279, encontra-se a Regional de Saúde Araguaia sob coordenação do 12º Centro Regional de Saúde, com uma área territorial de mais de 147 mil quilômetros quadrados, o que representa 14% da área total do Pará.  

A Região Araguaia é composta por 15 municípios (Água Azul do Norte, Bannach, Conceição do Araguaia, Cumaru do Norte, Floresta do Araguaia, Ourilândia do Norte, Pau D’Arco, Redenção, Rio Maria, Sapucaia, Santana do Araguaia, Santa Maria das Barreiras, 

São Félix do Xingu, Xinguara e Tucumã) e possui um quantitativo populacional de 454.710 (quatrocentos e cinquenta e quatro mil setecentos e dez habitantes). De acordo com o IBGE (2023), os municípios da Região de Saúde Araguaia mais populosos são: Redenção (85.597 habitantes), São Félix do Xingu (65.418 habitantes) e Xinguara (52.893). Já o município menos populoso é Bannach (4.031 habitantes), seguido de Sapucaia (5.847 habitantes) e Pau D’Arco (6.931 habitantes).  

A região de saúde Araguaia possui 04 (quatro) Hospitais Regionais (Hospital Regional de Conceição do Araguaia, localizado em Conceição do Araguaia, Hospital Regional Público do Araguaia, localizado em Redenção, Hospital Regional de Rio Maria, localizado em Rio Maria e Hospital Regional da PA 279, localizado em Ourilândia do Norte. Entretanto, apenas os hospitais regionais de Conceição do Araguaia, Redenção e Ourilândia do Norte possuem Unidades de Terapia Intensiva (UTI) e são referência para atendimento de gestantes classificadas de alto risco. Contudo, ainda não existem pesquisas sobre o perfil das gestantes atendidas em tais unidades hospitalares. 

Assim, o presente estudo objetivou analisar o perfil epidemiológico de gestantes e puérperas que foram internadas nas UTI existentes na região de saúde Araguaia, no ano de 2023, a fim de evidenciar os fatores de risco de maior prevalência que justificam os internamentos materno.  

2. MÉTODOS 

Tratou-se de um estudo transversal descritivo retrospectivo de caráter quantitativo, realizado através do TabWin, que é um aplicativo tabulador de dados que foi desenvolvido pelo Ministério da Saúde e permite a realização de tabulações de características epidemiológicas (incidência de doenças, agravos e mortalidade) por estado e município.   

O TabWin pode obter dados dos seguintes sistemas CNES (Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde), SIA (Sistema de Informação Ambulatorial), SIH (Sistema de Informação Hospitalar), SIM (Sistema de Informação sobre Mortalidade), SINASC (Sistema de Informações de Nascidos Vivos), SINAN (Sistema de Informação de Agravos de Notificação), BPA (Boletim de Produção Ambulatorial), DATASUS (Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde).  

Assim, o TabWin identificou 1.419 (mil quatrocentos e dezenove) internações maternas em Unidade de Terapia Intensiva dos Hospitais Regionais da região de saúde Araguaia. O critério de inclusão foi: gestantes ou puérperas internadas na UTI no ano de 2023. A coleta de dados foi realizada no período de agosto de 2024 por meio de um roteiro semiestruturado, com objetivo de traçar o perfil de internação das gestantes. Em seguida, os dados foram analisados e distribuídos em tabelas por meio do programa Excel. A pesquisa não tem necessidade de ser submetida ao Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos por ser uma pesquisa realizada em base de dados do Ministério da Saúde. 

3. RESULTADOS 

A partir dos dados extraídos do sistema TabWin foi possível realizar uma análise das internações realizadas nos Hospitais Regionais da região Araguaia e identificar o perfil epidemiológico das gestantes de alto risco internadas na UTI durante o ano de 2023.

Tabela 1. Grau de escolaridade das pacientes internadas na UTI no ano de 2023. (n=1.419)

Fonte: (BRASIL, 2024). 

Ao analisarmos o grau de escolaridade das gestantes apresentados na tabela 1, nota-se que uma grande parte das gestantes tem sua escolaridade ignorada ou não é aplicável 94, 6%, já as gestantes com 2º grau equivale 2,8% e com 1° grau são 1,7%. A escolaridade ignorada ou não aplicável pode indicar que as gestantes não se encaixam nas categorias tradicionais de escolaridade, ou os dados estão ausentes no momento do preenchimento dos sistemas. 

Tais informações corroboram com o estudo realizado por Cisne et al., (2022) que analisou a influência que os diferentes níveis de escolaridade possuem em alguns fatores obstetrícios das gestantes. De acordo com a autora, o grau de escolaridade exerce relevante importância nas escolhas da mulher durante a gravidez e o momento do parto. No referido estudo, a maioria das gestantes pesquisadas tinham nível médio e optaram pelo parto cesáreo.

Tabela 2. Idade das gestantes internadas em UTI no ano de 2023 (n=1.419).

 Fonte: (BRASIL, 2024). 

Referente a faixa etária, a tabela 2 aponta que a maior parte das gestantes internadas na UTI estão na faixa etária de 20 a 29 anos, 50,6%. Outras gestantes têm entre 30 a 39 anos, 27,3% e 18,2% das gestantes internadas na UTI estão na faixa etária de 12 a 19 anos, o que pode indicar que gestantes jovens, principalmente adolescentes, têm mais risco de complicações que exigem internação em UTI. 3,9% das gestantes internadas na UTI estão na faixa etária de 40 a 45 anos, a menor representada, o que é esperado, considerando que a gravidez em idades mais avançadas tende a ser associada a mais riscos, embora, quando ocorra, possa demandar cuidados intensivos. 

O estudo realizado por Aguiar et al., (2020), analisou a importância da educação em saúde no pré-natal para fortalecer a autonomia das gestantes durante o parto e apontou que a maioria das gestantes também eram adultas jovens, com idade entre 20 e 29 anos. Para a autora, mesmo que seja uma idade favorável para evitar intercorrências no parto ou pós-parto, se não houver um acompanhamento adequado, a gestante pode precisar de internação em UTI.

Tabela 3. Raça/cor declarada pelas gestantes internadas em UTI no ano de 2023 (n=1.419).

Fonte: (BRASIL, 2024). 

A cor/raça mais prevalente entre as gestantes internadas na UTI é a Parda, representando uma grande maioria de 81,45%, conforme apresenta a tabela 3. Um número considerável de gestantes 14,09%, não tem a cor/raça informada, tal dado representa uma lacuna importante e pode sugerir falta de padronização no registo de informações, o que pode dificultar uma análise mais aprofundada da relação entre a cor/raça e os desfechos clínicos. E 1,83% são indígenas. 

Lessa et al., (2022), analisou o impacto da raça/cor no processo de cuidado do pré-natal. Conforme afirma a autora, mulheres negras têm menor chance de iniciar o pré-natal antes de 12 semanas, o que pode impactar o decorrer da gestação. Já a investigação realizada por Leal et al., (2017), apontou que, puérperas de cor parda também tiveram maior risco de terem um pré-natal inadequado e ausência de acompanhante quando comparadas às brancas. Portanto, preencher os dados das gestantes de modo a identificar a raça/cor pode trazer informações importantes a respeito da gestante.

Tabela 4. Quantidade de filhos de gestantes internadas na UTI em 2023 (n=1.419).

 Fonte: (BRASIL, 2024). 

Para o Brasil (2022), a paridade elevada é um fator de risco para complicações obstétricas, como parto prematuro e hipertensão gestacional. No entanto, a tabela 4 descreve que a grande maioria das gestantes (94,71%) não tem filhos ou essa informação não foi fornecida. Isso pode indicar que muitas dessas mulheres são primigestas ou que os dados sobre filhos não foram reportados em uma grande quantidade de casos. A percentagem de gestantes com 2 filhos é de 3,31% e apenas 1,20% das gestantes têm um único filho. Isso representa um número muito pequeno em relação ao total de 1419 gestantes, indicando que a maioria das mulheres que passaram pela UTI durante a gestação tem pouco ou nenhum histórico prévio de partos.

Tabela 5. Quantidade de gestantes por local de residência (n=1.419).

Fonte: (BRASIL, 2024). 

Referente ao local de residência, a tabela 5 mostra que três municípios concentram a maior quantidade de gestantes internadas em UTI na região Araguaia, que são: Conceição do Araguaia com 42%, Redenção com 21,3% e Santana do Araguaia 4%. Quatro municípios que apareceram na tabela não pertencem a região de saúde Araguaia (Moju, Tomé -Açu, Couto de Magalhães, Juarina e Pequizeiro), evidenciando que os cartões do SUS de tais gestantes ainda não foram atualizados e estão mostrando seu antigo local de residência.

Tabela 6. Diagnóstico das gestantes internadas em UTI, de acordo com CID 10, no ano de 2023.

Fonte: (BRASIL, 2024). 

Considerando a tabela acima, as três principais causas de internação de gestantes em UTI, no ano de 2023, foram:  Assistência Relativa ao Parto (71,3%), provavelmente engloba complicações relacionadas ao parto, como distócia (dificuldade no trabalho de parto), parto cesáreo de emergência, ou complicações pós-parto; Síndromes Hipertensivas (40,2%), que incluem condições como pré-eclâmpsia e eclâmpsia; e Alterações do Volume do Líquido Amniótico (20,1%), como oligohidrâmnio (baixo volume de líquido) ou polidrâmnio (excesso de líquido), que são complicações que podem afetar o desenvolvimento fetal e causar risco à saúde da mãe, justificando internações na UTI para monitoramento rigoroso. 

De acordo com Brasil (2022), os três diagnósticos citados acima são frequentemente associadas a necessidade de internação em UTI, principalmente a síndrome hipertensiva específica da gestação, como a pré-eclâmpsia, que é uma condição que pode levar à necessidade de internação em UTI, especialmente quando associada a complicações como a síndrome de HELLP. Já Bastos et al., (2003) evidenciou em seus estudos que, o oligoidrâmnio está associado não somente a uma elevada necessidade de internação em UTI neonatal, mas também a um maior risco de prematuridade e sofrimento fetal agudo. A antecipação do parto é frequentemente indicada nesses casos para proteger a saúde materna e fetal.

Tabela 7. Duração do internamento na UTI no ano de 2023 (n= 1.419).

Fonte: (BRASIL, 2024). 

A tabela 7 evidenciou que a maior parte das gestantes permaneceu na UTI por 2 dias (46,53%), o que pode sugerir que a maioria das complicações obstétricas não requerem estadias longas, mas sim uma observação inicial e controle. Permaneceram 3 dias (17,54%) das gestantes, que também são períodos significativos e 1 dia (15,78%).   

4. DISCUSSÃO 

O estudo evidenciou que as pacientes atendidas em UTI dos Hospitais regionais da região de saúde Araguaia, tem a escolaridade ignorada ou não aplicável (94, 6%), com idade entre 20 a 29 anos (50,6%), de raça/cor predominante parda (81,45%), não tem filhos ou essa informação não foi fornecida (94,71%). Tais dados evidenciam reflexões importantes sobre a assistência a gestantes de alto risco: são adultas jovens em idade fértil, pardas e primigestas, corroborando como os dados apresentados em outros estudos sobre a mesma temática. Todavia, o fato de não apresentar dados suficientes sobre escolaridade e sobre filho evidencia também uma falha nos sistemas de informação que limita a análise sobre o perfil de tais gestantes. 

Referente ao local de residência das gestantes, observa-se que os municípios Conceição do Araguaia (42%), Redenção (21,3%) são os que apareceram com maior número. O município de Conceição do Araguaia faz fronteira com cidades pequenas do Estado do Tocantins, o que acaba atraindo muitas gestantes para terem seus bebês em Hospitais com maior infraestrutura. Redenção é o maior município populacional da região Araguaia (85.597 habitantes). Além disso, ambos os municípios possuem Hospital Regional com UTI.   

Já a análise dos dados de internação revela informações importantes sobre as principais causas das internações, refletindo a complexidade dos cuidados necessários para gestantes que enfrentam complicações graves. A alta percentagem do diagnóstico de internação em UTI ser a Assistência Relativa ao Parto (71,3%), reflete a assistência obstétrica oferecida às gestantes na região Araguaia, especialmente em municípios menores e mais distantes de unidades hospitalares mais equipadas e com recursos humanos especializados. Além disso, observa também uma falha na estratificação de risco durante o acompanhamento do pré-natal nas unidades básicas de saúde, sendo a gestante diagnosticada com de alto risco apenas no momento do parto, onde surgem complicações durante o parto e as gestantes precisam ser transferidas para hospitais de referência, muitas vezes em estado crítico, o que eleva o número de internações em UTI. 

As Síndromes Hipertensivas (40,2%) são a segunda maior causa de internação em UTI na região Araguaia, o que corrobora com o estudo realizado por Araújo et al., (2018), e podem estar relacionados a falta de acompanhamento adequado durante o pré-natal, condições socioeconômicas insuficientes ou até mesmo resistência das gestantes em aderir ao tratamento farmacológico, o que dificulta manter a pressão arterial em níveis adequados. As Alterações do Volume do Líquido Amniótico, também responsáveis por 20,1% das internações em UTI na região, apresentam causas variadas e podem relacionar-se a dificuldade no acesso a exames de ultrassonografia e monitoramento fetal adequado. 

Quanto aos dias de permanência das gestantes em UTI, o estudo mostrou que a maioria das gestantes permanece uma média de até 3 dias, (1 dia 15,78%; 2 dias 46,53%; 3 dias, 17,54%), portanto os dados mostram que embora tais gestantes precisam de um atendimento de curta duração, isto é, as intervenções realizadas são resolutivas e eficientes no manejo das complicações obstétricas. O estudo apresentou algumas limitações como insuficiência do registo dos dados no sistema (escolaridade e quantidade de filhos), porém não é possível identificar se é falha no desenvolvimento do sistema que não possui tais campos para preenchimento ou é falha no momento da internação que não se atenta a preencher corretamente tais informações. 

5. CONCLUSÃO 

A região de saúde Araguaia possui quatro hospitais regionais: Hospital Regional de Conceição do Araguaia (HRCA), Hospital Regional Público do Araguaia (HRPA), Hospital Regional da PA 279 (HR PA279) e Hospital Regional de Rio Maria (HRRM). Destes, três possuem Unidade de Terapia Intensiva, o HRCA, o HRPA e o HR PA279, porém ainda não havia nenhum estudo investigando o perfil epidemiológico das gestantes internadas em tais unidades.  

Assim, o estudo apontou que a principal causa de internação foi assistência relacionada ao parto, portanto pode estar relacionado tanto ao acompanhamento inadequado do pré-natal, que não realizou a estratificação de risco em tempo oportuno, ou a assistência dos recursos humanos no momento do parto. Tais mulheres atendidas nas UTI da região tem a escolaridade ignorada, idade entre 20 a 29 anos, cor parda, não tem filhos ou não informou, a maioria mora em Conceição do Araguaia e fica em média 2 dias internadas. 

Logo, notou-se a necessidade de integração entre as unidades básicas de saúde e os hospitais de referência para estabelecer uma estratificação de risco adequada, bem como um fluxo de referência e contra referência de modo eficaz, diminuindo assim os riscos de internação em UTI ou garantido a vaga para aquelas gestantes que realmente carecem de um tratamento intensivo no momento do parto. Além disso, observa o quanto é urgente a capacitação dos profissionais responsáveis pelo preenchimento adequado dos sistemas de informação do Ministério da Saúde, uma vez que tais dados subsidiam pesquisas que podem contribuir para elaboração de políticas públicas direcionadas a uma assistência resolutiva no Sistema Único de Saúde.  

Importante ressaltar o quanto tais Unidades de Terapia Intensiva tem contribuído para a assistência de gestantes de alto risco na região Araguaia. Conclui-se que o estudo contribuirá para o entendimento dos gestores, profissionais e acadêmicos da área da saúde do sul do Pará sobre as condições de vida e saúde das gestantes, apontado a necessidade de mais investigações a respeito da temática.

REFERÊNCIAS 

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SANTOS, A. L. (Org.). A assistência de enfermagem a mulheres gestantes em UTI. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação) – Centro Universitário Brasileiro – UNIBRA. Bacharelado em Enfermagem, Recife, 2022.


1Enfermeira, Especialista em Saúde Pública, UEPA – PA; Especialista em Auditoria em Saúde e Educação em Saúde, CUSC – SP; Especialista em Linhas de Cuidado em Enfermagem – Urgência e Emergência, UFSC – RS; Especialista em Gestão da Qualidade, UNOPAR – PR; Especialista em Micropolítica da Gestão e Trabalho em Saúde, UFF- RJ. Mestre em Terapia Intensiva, IMBES – SP, Doutoranda em Gestão Estratégica em Terapia Intensiva, IMBES – SP, Secretária de Saúde de Redenção, Pará.
2Bacharel em Direito, FESAR – PA; Especialista em Micropolítica da Gestão e Trabalho em Saúde, UFF- RJ.
3Médico, Universidade de Buenos Aires, Argentina.
4Enfermeira, Especialista em Urgência e Emergência, UNIRG – TO; Docência do Ensino Superior, FESAR – PA; Mestre em Ciência e meio ambiente, UFPA – PA.
5Psicóloga, Especialista em Saúde Mental, PUC – GO; Mestre em Ciência e meio ambiente, UFPA – PA.
6Enfermeira, Especialista em Terapia Intensiva, UVA-CE; Docência do Ensino Superior, FAK-CE, Saúde da Família, UVA-CE; Qualidade e Segurança no Cuidado ao Paciente, I. Sírio Libanês, Mestre em Terapia Intensiva – IBRATI-SP; Doutora em Terapia Intensiva – SOBRATI-SP; Docente da UNIFAMEC. CRATO – CE. Docente do Centro de Ensino em Saúde. SP.