PERFIL DA UTILIZAÇÃO DE PRÓTESES REMOVÍVEIS EM PACIENTES ADULTOS: ANÁLISE ESTATÍSTICA DE PRONTUÁRIOS DA FACULDADE DO AMAZONAS- IAES  

PROFILE OF THE USE OF REMOVABLE PROSTHESES IN ADULT  PATIENTS: STATISTICAL ANALYSIS OF DENTAL RECORDS  FROM THE FACULTY OF AMAZONAS- IAES 

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ch10202512131701


Arlyson Vilaça Lima1
Márcia Lopes Rocha2
Maria Lúcia Tinoco Pacheco3
Edirley da Silva Dias4


RESUMO 

A perda dentária é um problema de saúde bucal que impacta a função mastigatória, a estética facial e a  qualidade de vida dos pacientes. A reabilitação com próteses removíveis, tanto parciais ou totais,  constitui uma estratégia eficiente para restaurar essas funções. Este estudo teve como objetivo analisar  o perfil de utilização de próteses removíveis em pacientes adultos atendidos na Clínica Escola de  Odontologia da Faculdade do Amazonas – IAES no período de 2023 e 2024, considerando fatores  como idade, sexo, tipo de prótese, zona de residência e distribuição temporal dos atendimentos. A  pesquisa caracterizou-se como um estudo quantitativo, documental, descritivo e retrospectivo, com  coleta de dados a partir de 63 prontuários de pacientes adultos. Foram registrados sexo, idade, tipo de  prótese utilizada, zona de residência, localização da perda dentária e mês de atendimento. Os dados  foram organizados em tabelas e analisados por frequência absoluta e relativa, além de cruzamentos, entre variáveis, para identificar padrões de associação. Os resultados mostraram que a prótese parcial  removível (PPR) foi mais utilizada por pacientes de meia-idade, enquanto a prótese total ( PT )  predominou entre idosos. No entanto as mulheres representaram a maioria da amostra e apresentaram  maior adesão ao uso de PPR. A demanda por próteses variou ao longo dos anos de 2023 e 2024, com  meses específicos apresentando maior número de procedimentos. Conclui-se que a utilização de  próteses removíveis é influenciada por fatores sociodemográficos e temporais, sendo a PPR a opção mais comum entre adultos de meia-idade e a PT predominante em idosos. A análise estatística do  perfil de utilização permite orientar o planejamento clínico e a organização dos serviços  odontológicos, contribuindo para a reabilitação e a qualidade de vida dos pacientes. Dessa forma, a  Faculdade do Amazonas – IAES desempenha o papel central nesse processo com a promoção da  cidadania e a formação de acadêmicos mediados pelos professores, desenvolvendo competências técnicas, éticas e socioemocionais essenciais para um atendimento humanizado. 

Palavras-chave: Próteses removíveis; Perda dentária; Reabilitação oral; Pacientes adultos; Análise de  prontuários. 

ABSTRACT 

Tooth loss is an oral health problem that impacts masticatory function, facial aesthetics, and the  quality of life of patients. Rehabilitation with removable prostheses, whether partial or total,  constitutes an efficient strategy to restore these functions. This study aimed to analyze the profile of  removable prosthesis use in adult patients treated at the Dental School Clinic of the Amazonas Faculty  (IAES) between 2023 and 2024, considering factors such as age, sex, type of prosthesis, area of  residence, and temporal distribution of treatments. The research was characterized as a quantitative,  documentary, descriptive, and retrospective study, with data collected from 63 adult patient records.  Sex, age, type of prosthesis used, area of residence, location of tooth loss, and month of treatment  were recorded. The data were organized in tables and analyzed by absolute and relative frequency, as  well as cross-tabulations between variables to identify patterns of association. The results showed that  removable partial dentures (RPDs) were more commonly used by middle-aged patients, while  complete dentures (CDs) predominated among the elderly. Women represented the majority of the  sample and showed greater adherence to the use of RPDs. The demand for prostheses varied  throughout the year, with specific months showing a higher number of procedures. It is concluded that  the use of removable prostheses is influenced by sociodemographic and temporal factors, with RPDs  being the most common option among middle-aged adults and CDs predominant in the elderly.  Statistical analysis of the usage profile allows for guiding clinical planning and the organization of  dental services, contributing to the rehabilitation and quality of life of patients. The Amazonas Faculty  – IAES plays a central role in this process by promoting citizenship and training academics mediated  by professors, developing essential technical, ethical, and socio-emotional skills for humanized care. 

Keywords: Removable prostheses; Tooth loss; Oral rehabilitation; Adult patients; Analysis of dental  records. 

1 INTRODUÇÃO 

A perda dentária continua sendo um relevante problema de saúde pública no Brasil e  no mundo, impactando significativamente a qualidade de vida dos indivíduos, especialmente  na fase adulta. A perda parcial dos dentes é frequentemente atribuída à progressão de doenças  periodontais, cáries não tratadas ou traumas bucais, comprometendo funções estéticas,  fonéticas e mastigatórias dos pacientes (LOPES et al., 2021; CORTEZ et al., 2023).

Dentre as alternativas de reabilitação oral, as próteses removíveis permanecem  amplamente utilizadas na prática clínica. Apesar dos avanços tecnológicos na Odontologia,  como os implantes dentários e as próteses fixas, as próteses removíveis ainda são uma opção  viável, sobretudo por sua acessibilidade econômica, rápida confecção e eficácia funcional  (GIROTTO et al., 2022). Essa escolha é ainda mais comum em clínicas escola de instituições  de ensino superior, onde os atendimentos à comunidade seguem critérios pedagógicos e  sociais (VIEIRA et al., 2023). 

As próteses removíveis são dispositivos protéticos que substituem total ou  parcialmente os dentes perdidos e podem ser retiradas pelo próprio paciente para  higienização. Sua confecção e adaptação envolvem avaliação clínica detalhada, considerando  aspectos anatômicos, funcionais e estéticos. Além disso, o sucesso do tratamento depende do  envolvimento do paciente e da qualidade do acompanhamento profissional (FILHO et al.,  2021; OLIVEIRA S. S. B. et al., 2021). 

No contexto socioeconômico, as próteses removíveis continuam sendo uma alternativa  viável para grande parte da população brasileira, considerando o alto custo dos implantes e  próteses fixas. A acessibilidade e o custo-benefício tornam-se fundamentais na promoção da  saúde bucal e na melhoria da qualidade de vida dos pacientes, especialmente em sistemas  públicos de saúde (VIEIRA et al., 2023). 

Entretanto, a adaptação às próteses removíveis pode apresentar desafios, como  desconforto inicial, dificuldade de retenção e necessidade de ajustes periódicos. Esses fatores  podem interferir na satisfação e na adesão ao tratamento. O papel do cirurgião-dentista é  essencial nesse processo, pois cabe a ele orientar o paciente sobre o uso, a higienização e a  manutenção adequada das próteses (ALHARBI et al., 2024; BEZERRA et al., 2024). 

Do ponto de vista psicológico, a utilização das próteses removíveis também exerce  impacto significativo na autoconfiança e na interação social dos pacientes. A restauração da  estética facial e da função mastigatória contribui para o bem-estar geral e para a reintegração  social, destacando o valor do tratamento protético para além do aspecto funcional (ALHARBI  et al., 2024). 

Na Clínica Escola de Odontologia da Faculdade do Amazonas, pacientes com  diferentes perfis são atendidos semanalmente, o que contribui para um panorama  diversificado de demandas e condutas clínicas. No entanto, até o momento, não há estudos  institucionais que sistematizem os dados sobre o uso de próteses removíveis, os tipos mais  indicados ou os fatores associados à escolha dessas reabilitações. A ausência de dados  estatísticos interfere no aprimoramento do planejamento pedagógico e clínico, reduzindo a capacidade de direcionar os atendimentos de forma mais abrangente e efetiva. A  sistematização desses dados, por outro lado, possibilita planejar ações mais precisas, ampliar  o alcance dos atendimentos, beneficiar um maior número de pacientes e fortalecer práticas de  promoção da cidadania (GIL, 2019; CRESWELL, 2014; POLIT; BECK, 2019). 

A realização deste estudo justifica-se pela importância de compreender o perfil dos  pacientes adultos que utilizam próteses removíveis, faixa etária na qual a perda dentária se  torna mais prevalente em razão de fatores como cáries, doenças periodontais e hábitos inadequados de higiene bucal (LOPES et al., 2021; CORTEZ et al., 2023). A análise  estatística dos prontuários atendidos na Clínica Escola de Odontologia da Faculdade do  Amazonas em 2023 e 2024 permite identificar padrões de uso, materiais empregados e  principais motivos de reabilitação, contribuindo para aprimorar o planejamento clínico e as  estratégias educativas voltadas à prevenção e reabilitação oral (GIROTTO et al., 2022;  FILHO et al., 2021). Além disso, o estudo fornece subsídios para o desenvolvimento de  políticas institucionais que promovam a saúde bucal e o bem-estar dos pacientes, reforçando o  papel social e científico da instituição na formação de profissionais conscientes e  tecnicamente preparados para atender às demandas da população. 

Diante desse contexto, surge à necessidade de compreender qual é a frequência e o  perfil de utilização de próteses removíveis por pacientes adultos atendidos na Clínica Escola  de Odontologia da Faculdade do Amazonas – IAES ao longo dos anos de 2023 e 2024. Sendo  assim, este estudo tem como objetivo geral analisar estatisticamente os prontuários  odontológicos de pacientes adultos atendidos no período de 2023 e 2024 na Clínica Escola de  Odontologia da Faculdade do Amazonas, visando caracterizar o perfil de utilização de  próteses removíveis. Como objetivos específicos, pretende-se: (1) identificar a frequência de  uso dos diferentes tipos de próteses removíveis (parciais, totais, unilaterais etc.); (2) verificar  a associação entre o tipo de prótese e características como idade, sexo e localização da perda  dentária; e (3) comparar a prevalência dos tipos de prótese ao longo dos meses dos anos de  2023 e 2024. 

2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA  

2.1 Conceitos e tipos de próteses removíveis 

As próteses removíveis são dispositivos protéticos utilizados para substituir dentes  ausentes e tecidos bucais adjacentes, com a característica de poderem ser retiradas e  recolocadas pelo próprio paciente. Sua principal finalidade é restaurar a função mastigatória, 

fonética e estética, promovendo uma melhor qualidade de vida aos indivíduos que sofreram  perdas dentárias. Além disso, representam uma solução acessível e amplamente empregada na  odontologia reabilitadora, principalmente em contextos de limitações financeiras (GIROTTO  et al., 2022; BEZERRA et al., 2024). 

A literatura odontológica classifica as próteses removíveis (PR) em dois grandes  grupos: próteses totais removíveis (PTR) e próteses parciais removíveis (PPR). As próteses  totais são indicadas para pacientes que perderam todos os dentes de um arco, enquanto as  próteses parciais são utilizadas quando ainda há dentes remanescentes que podem servir de  suporte e retenção. Essa classificação é fundamental para o diagnóstico e planejamento  adequado de cada caso clínico (GIROTTO et al., 2022; FILHO et al., 2021). 

As próteses totais removíveis (PT), também conhecidas popularmente como  ―dentaduras‖, têm como objetivo substituir todos os dentes de um arco maxilar ou  mandibular. Elas são confeccionadas, em sua maioria, com base em resina acrílica e dentes  artificiais em resina ou porcelana. A estabilidade e a retenção dessas próteses dependem do  formato anatômico do rebordo alveolar e da adaptação precisa obtida durante o processo de  moldagem (BEZERRA et al., 2024; OLIVEIRA et al., 2022). 

Nesse contexto, as próteses parciais removíveis (PPR) são indicadas quando há perda  parcial de dentes e o paciente ainda possui unidades dentárias saudáveis capazes de servir  como suporte. Essas próteses podem ser confeccionadas em estrutura metálica (PPR metálica)  ou totalmente em resina acrílica (PPR provisória), sendo que as metálicas oferecem maior  resistência e durabilidade. O uso de grampos, apoios e conectores garante a estabilidade e  retenção da peça durante o uso (FILHO et al., 2021; OLIVEIRA et al., 2021; ALHARBI et  al., 2024). 

O processo de confecção de uma prótese removível envolve várias etapas clínicas e  laboratoriais, como moldagem preliminar, moldagem funcional, prova de cera, acrilização e  ajustes finais. Cada fase exige atenção aos detalhes anatômicos e funcionais do paciente,  visando um encaixe confortável e eficiente. A precisão dessas etapas está diretamente  relacionada ao sucesso e à longevidade do tratamento protético (GIROTTO et al., 2022;  FONTES; CARVALHO; MARTINS, 2021). 

Do ponto de vista funcional, as próteses removíveis têm papel essencial na restauração  da mastigação e da fonética. A ausência de dentes pode comprometer a deglutição e a  articulação das palavras, afetando o convívio social do paciente. Assim, a reabilitação  protética não apenas devolve a função, mas também contribui para a autoconfiança e o bem-estar psicossocial do indivíduo (FONTES; CARVALHO; MARTINS, 2021; ALHARBI et al.,  2024). 

A estética também é um fator determinante na escolha e aceitação das próteses  removíveis. A reabilitação do sorriso é frequentemente apontada pelos pacientes como um dos  maiores benefícios do tratamento. A harmonização entre dentes artificiais e o formato facial  proporciona resultados naturais e melhora significativa na autoestima. O avanço na  odontologia estética permitiu a confecção de próteses mais realistas e confortáveis  (ALHARBI et al., 2024; MARINHO et al., 2024). 

Com os avanços tecnológicos, novos materiais acrílicos e resinas termopolimerizáveis foram desenvolvidos, aumentando a resistência e reduzindo reações alérgicas. Além disso, o  uso de técnicas digitais, como o escaneamento intraoral e o design computadorizado  (CAD/CAM), tem revolucionado a confecção de próteses removíveis, proporcionando ajustes  mais precisos e melhor adaptação. Esses recursos também reduzem o tempo clínico e  melhoram a satisfação do paciente (SILVA; DHJ et al., 2025; LINS; NASCIMENTO, 2023). 

Apesar dos benefícios, o uso de próteses removíveis pode apresentar limitações e  desconfortos, como instabilidade, lesões de mucosa e dificuldade de adaptação inicial. A  higiene inadequada também pode causar halitose e estomatite protética. Por isso, é  indispensável o acompanhamento odontológico periódico para realizar ajustes, avaliar a  retenção e orientar o paciente sobre a manutenção adequada (OLIVEIRA et al., 2021;  FONTES; CARVALHO; MARTINS, 2021). 

A adesão ao tratamento com próteses removíveis depende fortemente da motivação e  compreensão do paciente. O sucesso clínico é resultado da combinação entre o trabalho  técnico do cirurgião-dentista e a cooperação do usuário. A orientação quanto à limpeza diária,  o uso noturno e o armazenamento correto da prótese são determinantes para evitar  complicações e prolongar a vida útil do dispositivo (OLIVEIRA et al., 2021; ALHARBI et  al., 2024; CORTEZ et al., 2023). 

2.2 Fatores associados à perda dentária e à necessidade protética em adultos  

A perda dentária em adultos é um problema de saúde pública relevante,  frequentemente resultado de um conjunto integrado de fatores clínicos, sociodemográficos e  comportamentais. Um estudo de base populacional no Brasil identificou que menores níveis  de escolaridade e renda, além da percepção de necessidade de tratamento odontológico, estão  fortemente associados à perda dentária. Esses determinantes estruturais refletem  desigualdades no acesso aos cuidados odontológicos e na adoção de comportamentos preventivos (CORTEZ et al., 2023). Entre os principais fatores clínicos, a presença de cárie  severa ou doença periodontal crônica destaca-se como causa direta da perda de unidades  dentárias, demonstrando a necessidade de diagnóstico precoce e intervenção nesses agravos  para evitar o desfecho da perda dentária (LOPES et al., 2021; FRANCISCO, 2021). 

Além disso, fatores comportamentais como frequência de visitas ao dentista, motivo  da última consulta e autoavaliação de saúde bucal têm impacto sobre a probabilidade de  ocorrerem perdas dentárias. Por exemplo, pessoas cuja última consulta foi motivada por dor  ou extração apresentaram maior risco de ter perdido dentes. Isso sugere que o cuidado reativo,  em vez de preventivo, está associado a maiores perdas e, portanto, à necessidade futura de  reabilitação protética (ALHARBI et al., 2024; LOPES et al., 2021; MARINHO et al., 2024). 

No âmbito sociodemográfico, o sexo feminino foi associado em alguns estudos a uma  maior prevalência de perdas dentárias, possivelmente pela combinação de fatores hormonais,  comportamento de saúde bucal e maior demanda por tratamento estético ou funcional.  Entretanto, essas associações não são universais e podem variar conforme o contexto  populacional (GIROTTO et al., 2022; LOPES et al., 2021). O nível educacional e a renda  familiar emergem como determinantes estruturais consistentes para a perda dentária. Entre  adultos de 20 a 59 anos em áreas rurais do Brasil, a baixa escolaridade e a situação  socioeconômica desfavorável foram fortemente correlacionadas à ocorrência de perdas  dentárias. Essas variáveis influenciam a capacidade de acesso aos serviços, a adoção de  práticas preventivas e a utilização de dispositivos protéticos adequados (GOMES et al., 2023;  MARINHO et al., 2024). 

Outro fator relevante é o tipo e a qualidade do serviço odontológico utilizado.  Avaliações negativas do serviço, ou a última consulta motivada por extrair ou tratar dor,  indicam menor vínculo com o cuidado odontológico contínuo e, consequentemente, maior  risco de perdas dentárias. Esse achado reforça a necessidade de organização de sistemas de  saúde bucal com foco em prevenção e manutenção, e não apenas em cura (SILVA; DHJ et al.,  2025). 

Do ponto de vista técnico-protético, a perda dentária — principalmente quando  envolve dentes posteriores (molares e pré-molares) — reduz drasticamente a função  mastigatória, aumentando a necessidade de prótese removível ou fixa para restabelecer a  função. Estudos demonstram que os molares são os dentes mais extraídos e, por isso, levam  frequentemente à necessidade de reabilitação. Assim, os padrões de extração devem ser  considerados nos projetos de prótese (CORTEZ et al., 2023; VIEIRA et al., 2023).

A faixa etária também exerce influência: embora este subtópico se concentre em  adultos, e não exclusivamente em idosos, já se demonstra que com o avanço da idade aumenta  a prevalência da perda dentária, devido ao acúmulo de fatores de risco ao longo da vida, além  de possíveis comorbidades (OLIVEIRA et al., 2021; ALHARBI et al., 2024; SILVA et al.,  2022). 

Diferentes regiões dentárias (anteriores versus posteriores) e diferentes padrões de  extração também implicam variabilidade da necessidade protética. Por exemplo, a perda de  dentes anteriores afeta estética e fonética, enquanto a perda de posteriores prejudica a  mastigação e a estabilidade oclusal. A repercussão da perda dentária vai além da função  mastigatória e estética: ela desencadeia alterações no suporte ósseo, no rebordo alveolar e no  equilíbrio oclusal, o que pode dificultar ou encarecer a reabilitação protética, como o uso de  próteses removíveis (NEGREIROS et al., 2025). 

2.3 Impactos funcionais e psicossociais do uso de próteses removíveis em adultos    

A perda dentária em adultos representa um problema multifatorial que impacta  diretamente a função mastigatória, a estética facial, a fonética e, consequentemente, a  autoestima e a qualidade de vida dos indivíduos. Nesse contexto, o uso de próteses  removíveis, sejam elas totais ou parciais, surge como uma intervenção protética essencial,  capaz de restaurar a função oral e a estética, promovendo não apenas o bem-estar físico, mas  também melhorias significativas nos aspectos psicossociais do paciente (MARINHO et al.,  2024; LOPES et al., 2021). 

Do ponto de vista funcional, as próteses removíveis permitem a recuperação da  capacidade mastigatória, essencial para a ingestão de alimentos variados e nutritivos. Estudos  indicam que pacientes que utilizam próteses removíveis apresentam uma melhora  significativa na função mastigatória, o que contribui para uma dieta mais equilibrada e  saudável (GIROTTO et al., 2022; GOMES et al., 2023). 

Além disso, as próteses removíveis desempenham um papel crucial na restauração da  estética facial, especialmente em pacientes com perda dentária anterior. A reposição dos  dentes ausentes melhora a aparência do sorriso e o contorno facial, impactando positivamente  na percepção da imagem corporal e na interação social (CORTEZ et al., 2023; NEGREIROS  et al., 2025). 

No âmbito psicossocial, o uso de próteses removíveis está associado a melhorias na  autoestima e na qualidade de vida dos pacientes. A recuperação da função mastigatória e da  estética facial contribui para uma maior confiança nas interações sociais e profissionais, reduzindo sentimentos de vergonha e constrangimento (ALHARBI et al., 2024). Estudos  também apontam que a adaptação às próteses removíveis pode variar entre os indivíduos,  influenciada por fatores como idade, tempo de uso e suporte psicológico. Pacientes mais  jovens tendem a se adaptar mais rapidamente, enquanto idosos podem enfrentar desafios  adicionais devido a fatores anatômicos e psicológicos (NEGREIROS et al., 2025; SILVA et  al., 2022). 

A satisfação com as próteses removíveis está diretamente relacionada à qualidade do  atendimento odontológico e ao acompanhamento pós-operatório. Pacientes que recebem  orientação adequada sobre o uso e cuidados com as próteses apresentam níveis mais elevados  de satisfação e menores taxas de complicações (VIEIRA et al., 2023; NEGREIROS et al.,  2025). Entretanto, o uso de próteses removíveis também pode apresentar desafios, como  desconforto inicial, dificuldades na adaptação e necessidade de ajustes periódicos. Esses  aspectos podem afetar temporariamente a qualidade de vida dos pacientes, sendo essencial um  acompanhamento contínuo para minimizar tais impactos (GOMES et al., 2023). 

Além disso, a manutenção da saúde bucal, incluindo a higiene adequada das próteses e  dos tecidos orais, é fundamental para prevenir complicações como infecções e lesões  mucosas. A educação do paciente sobre práticas de higiene oral é crucial para o sucesso a  longo prazo do tratamento protético (OLIVEIRA et al., 2021; FONTES; CARVALHO;  MARTINS, 2021). 

É importante ressaltar que os impactos funcionais e psicossociais do uso de próteses  removíveis podem variar conforme as características individuais dos pacientes, como idade,  estado de saúde geral e suporte social. Uma abordagem personalizada no planejamento e  acompanhamento do tratamento é essencial para atender às necessidades específicas de cada  paciente (SILVA; DHJ et al., 2025; NEGREIROS et al., 2025; MARINHO et al., 2024). 

3 METODOLOGIA  

Este estudo foi conduzido com base em uma abordagem de pesquisa quantitativa, de  caráter documental e retrospectivo, utilizando a análise de prontuários clínicos odontológicos  da Clínica Escola da Faculdade do Amazonas – IAES, referentes ao período de janeiro a  dezembro de 2023 e 2024. A abordagem quantitativa permite mensurar e analisar dados de  forma objetiva, viabilizando a identificação de padrões, frequências e associações entre  variáveis numéricas ou categóricas. De acordo com Polit e Beck (2019), a pesquisa  quantitativa busca examinar relações entre variáveis por meio de procedimentos sistemáticos  e estruturados, permitindo a produção de dados mensuráveis e generalizáveis.

A pesquisa documental caracteriza-se pela utilização de materiais que ainda não  receberam tratamento analítico prévio, como prontuários, relatórios e registros institucionais.  Neste estudo, os dados foram extraídos de prontuários clínicos referentes aos anos de 2023 e  2024 dados retrospectivos de pacientes, anonimizados antes da análise e tratados de forma  confidencial, garantindo a privacidade dos pacientes e sem contato direto com os mesmos. A  pesquisa e o acesso a esses dados retrospectivos foram autorizados pela Faculdade do  Amazonas – IAES por meio de carta de anuência, em conformidade com as diretrizes éticas  da Resolução CNS Nº 510/2016, assegurando o respeito à confidencialidade. Conforme Gil  (2019), a pesquisa documental não exige contato direto com participantes humanos, pois se  baseia exclusivamente em documentos já existentes, como os prontuários armazenados em  instituições de ensino e saúde. 

Em virtude disso, o delineamento retrospectivo, uma vez que se baseará na análise de  dados já existentes entre 2023 e 2024, sem interferência direta do pesquisador no momento da  coleta. Essa estratégia é amplamente utilizada em estudos na área da saúde, principalmente  quando se pretende avaliar condutas, tratamentos ou perfis de atendimento ao longo de um  determinado período. Segundo Creswell (2014), estudos retrospectivos analisam eventos  passados registrados de maneira sistemática, permitindo compreender ocorrências e padrões  consolidados ao longo do tempo. 

Para coleta de dados foram utilizados 80 prontuários (2023 a 2024) padronizados  contendo as variáveis: idade e sexo; tipo de prótese removível utilizada; localização da perda  dentária (maxilar, mandibular, anterior ou posterior); mês de instalação da prótese, zona de  residência. A amostra incluiu pacientes adultos que utilizaram próteses removíveis (totais ou  parciais) em 2023 e 2024. 

Como critérios de inclusão: pacientes atendidos entre janeiro e dezembro de 2023 a  janeiro a dezembro de 2024; prontuários completos com informações sobre tipo de prótese e  localização da perda dentária; prótese removível como forma de reabilitação; atendimentos  supervisionados conforme os protocolos da clínica-escola. E critérios de exclusão: dados  incompletos ou ilegíveis; pacientes com condições clínicas especiais que interfiram na  indicação da prótese; uso de próteses fixas ou implantes; registros fora do período do estudo. 

Para a análise de dados, estes foram inseridos em planilha eletrônica (Microsoft  Excel®) e analisados estatisticamente de forma descritiva, com cálculo de: frequência  absoluta e relativa dos tipos de prótese; média e desvio padrão das idades; distribuição por  sexo; frequência das localizações dentárias mais acometidas; distribuição mensal das  instalações, zona de residência (CAMARGO et al., 2022; LINS; NASCIMENTO, 2023). Os resultados obtidos levaram em consideração 63 prontuários que, após a utilização dos critérios  de inclusão e exclusão, atenderam aos objetivos da pesquisa e serão apresentados conforme os  objetivos pertinentes ao estudo (FILHO et al., 2021; SILVA et al., 2022; SANTOS;  ARRUDA, 2025). 

4 RESULTADOS E DISCUSSÃO 

Os resultados serão apresentados em gráficos e tabelas, com o objetivo de facilitar a  visualização e interpretação dos dados, subdivididos em 3 subtópicos: 4.1 Frequência de uso  dos diferentes tipos de próteses removíveis; 4.2 Associação entre tipo de prótese e  características dos pacientes e 4.3 Comparação da prevalência dos tipos de prótese ao longo  de 2023 e 2024.  

4.1 Frequência de uso dos diferentes tipos de próteses removíveis  

A utilização de próteses removíveis é um recurso essencial para restaurar a função  mastigatória, a estética facial e a fonética em pacientes adultos que apresentam perda dentária  parcial ou total. Segundo Bezerra et al. (2024), afirma que a frequência de uso varia de acordo  com a faixa etária, sexo e condição socioeconômica, sendo as próteses parciais removíveis  (PPR) geralmente mais comuns do que as próteses totais (PT) em adultos de meia-idade.  

Analisando os dados da Clínica Escola de Odontologia da Faculdade do Amazonas no  período de 2023 e 2024, observou-se que de um total de 63 prontuários, 36 (43%) utilizavam  PPR, enquanto 27 (57%) utilizavam PT (Figura 1). Segundo Girotto et al. (2022), destaca que  esses valores corroboram a tendência de procura pelo serviço de PPR predomina entre os  pacientes devido à maior incidência de perda dentária parcial ao atingir a idade adulta. 

Figura 1: tipo de prótese conforme prontuário 

Fonte 1: Elaboração dos próprios autores (2025).

A distribuição por sexo revelou que 44 pacientes eram do sexo feminino (69,8%) e 19  do sexo masculino (30,2%). Para Oliveira et al. (2020), afirma que o público feminino por  reabilitação protética, o que está de acordo com estudos anteriores que apontam maior adesão  das mulheres aos tratamentos odontológicos preventivos e restauradores.  

A análise por faixa etária demonstrou que a PPR predominava em pacientes de meia  idade (30–59 anos), com 25 casos registrados, enquanto a PT era mais frequente em idosos  (≥60 anos), com 19 casos (Figura 2). De acordo com Filho et al. (2021), esse padrão reforça a  ideia de que a progressão da perda dentária ao longo da vida influencia diretamente o tipo de  prótese utilizada.  

Figura 2: dados analisados levando em consideração prótese e idade do paciente 

Fonte 2: Elaboração dos próprios autores (2025). 

Os dados indicam que a idade média dos usuários de PT foi de 65,1 anos, enquanto a  média de idade para PPR foi de 50,7 anos (Imagem 3). De acordo com Negreiros et al. (2025),  a escolha do tipo de prótese está associada à idade do paciente, sendo que a PT é indicada  principalmente quando há perda dentária total, comum em indivíduos mais velhos.  

A análise estatística cruzando sexo e tipo de prótese evidencia que tanto homens  quanto mulheres utilizam próteses parciais removíveis (PPR) com maior frequência em  relação às próteses totais (PT). No entanto, a diferença é mais expressiva entre as mulheres:  25 de 44 pacientes femininas utilizando PPR, contra 11 de 19 pacientes masculinos. Segundo  Camargo et al. (2022), mulheres tendem a buscar tratamentos odontológicos de reabilitação  oral de forma mais precoce e consistente visando maximizar tanto a funcionalidade quanto a  satisfação estética.  

Comparando os dados obtidos na Clínica Escola de Odontologia da Faculdade do  Amazonas, observa-se uma notável consistência nos padrões de uso de próteses removíveis.  Pacientes de meia-idade, geralmente entre 30 e 59 anos, apresentam maior predileção pelas próteses parciais removíveis (PPR), enquanto idosos, com 60 anos ou mais, tendem a utilizar  próteses totais (PT) devido à maior incidência de perda dentária completa. Além disso, a  análise por sexo indica que a população feminina demonstra maior adesão ao tratamento  protético, tanto em número de procedimentos realizados quanto na manutenção da prótese ao  longo do tempo. Esses padrões corroboram os achados de Santos, Arruda (2025), que  ressaltam a influência de fatores demográficos na escolha e utilização das próteses, reforçando  a necessidade de um planejamento individualizado que leve em consideração idade, sexo e  condições específicas de perda dentária. A compreensão dessas tendências é essencial para  otimizar a eficácia da reabilitação oral, melhorar a satisfação dos pacientes e promover  intervenções preventivas e educativas mais direcionadas.  

4.2 Associação entre tipo de prótese e características dos pacientes  

A escolha do tipo de prótese removível está diretamente relacionada às características  individuais dos pacientes, como idade, sexo e localização da perda dentária. Segundo Filho et  al. (2021), os fatores demográficos influenciam significativamente a decisão clínica, sendo  essenciais para o planejamento personalizado do tratamento protético.  

Em termos de idade, a análise da clínica escola de odontologia da Faculdade do  Amazonas em 2024 mostrou que pacientes com prótese total (PT) tinham idade média de 65,1  anos (56%), enquanto os usuários de prótese parcial removível (PPR) apresentavam média de  50,7 anos (44%) (Figura 3). Segundo Gomes et al. (2023), a tendência é de que a PT é mais  comum em idosos devido à maior incidência de perda dentária total na faixa etária adulta.  

Figura 3: dados elaborados a partir da idade de média e o tipo de prótese PPR instalada.  

Fonte 3: Elaboração dos próprios autores (2025). 

A análise cruzando sexo e tipo de prótese revelou que, entre os 44 pacientes do sexo  feminino, 25 utilizavam PPR e 19 PT, enquanto entre os 19 homens, 11 utilizavam PPR e 8 

PT. Assim, observa-se uma predominância do uso de PPR em ambos os sexos, mas com  maior adesão feminina (Figura 4), corroborando de Cortez et al. (2023), que aponta maior  atenção das mulheres à estética e saúde bucal.  

Figura 4: Cruzamento de dados referente a sexo do paciente pelo tipo de prótese instalada

Fonte 4: Elaboração dos próprios autores (2025). 

A localização da perda dentária é outro fator determinante para a escolha do tipo de  prótese. Perdas bilaterais e totais geralmente requerem PT, enquanto perdas parciais e  unilaterais indicam PPR. De acordo com Lins, Nascimento (2023), apontam que o padrão de  distribuição da perda influencia diretamente a necessidade protética e o sucesso funcional da  reabilitação.  

Ao analisar a faixa etária, observou-se que a PPR predomina em pacientes de meia  idade (30–59 anos) com 25 casos, enquanto a PT é mais frequente entre idosos (≥60 anos)  com 19 casos. Para Marinho et al (2024), a idade é um preditor importante do tipo de prótese  a ser utilizada, refletindo a progressão natural da perda dentária ao longo da vida.  

A associação entre sexo e faixa etária também revelou padrões interessantes: mulheres  de meia-idade são as que mais utilizam PPR, enquanto homens idosos apresentam maior  proporção de PT. Alharbi et al. (2024), reforçam a necessidade de considerar fatores  combinados para a escolha da prótese, evitando tratamentos genéricos.  

Estatisticamente, os dados da Clínica Escola de Odontologia da Faculdade – IAES mostraram que o sexo feminino tem uma probabilidade 1,8 vezes maior de utilizar PPR em  comparação ao sexo masculino, enquanto pacientes idosos têm maior chance de utilizar PT.  De acordo com Francisco (2021), essas associações podem ser analisadas por testes de qui quadrado para verificar significância, conforme práticas recomendadas na pesquisa  odontológica. 

Os dados mostram que, dos 63 pacientes que procuraram o serviço odontológico para  utilização de PR, 17 (27%) eram da zona norte da cidade, seguidos por 13 (21%) da zona  centro-sul e 12 (19%) da zona sul, considerando áreas com maior população local (Imagens 5  e 6). Segundo Oliveira et al. (2022), fatores sociais e demográficos também influenciam o tipo  de prótese adotada, uma vez que os custos para utilização das próteses são relevantes, por se  tratar de um procedimento de alto valor. 

Figura 5: Distribuição de pacientes por zonas da cidade de Manaus em porcentagem 

Fonte 5: Elaboração dos próprios autores (2025). 

Figura 6: Distribuição de pacientes por zonas de Manaus em quantitativo 

Fonte 6: Elaboração dos próprios autores (2025). 

A associação entre características individuais e tipo de prótese é relevante não apenas  para planejamento clínico, mas também para políticas de saúde pública. Para Cortez et al. (2023), identificar quais grupos populacionais necessitam mais de determinados tipos de  prótese permite otimizar recursos e orientar programas preventivos.  

4.3 Comparação da prevalência dos tipos de prótese ao longo de 2023 a 2024  

A análise temporal da instalação de próteses removíveis permite identificar padrões  sazonais de demanda, auxiliando no planejamento clínico e no gerenciamento de estoques.  Segundo Alharbi et al. (2024), a frequência de procedimentos odontológicos varia ao longo do  ano devido a fatores sociais, climáticos e econômicos.  

Em 2023, nos meses de abril foram realizadas 16 instalações de próteses e em agosto,  15 instalações. Esses foram os meses que mais registraram instalações de PR em comparação  a 2024. Os registros da Clínica Escola de Odontologia da Faculdade do Amazonas mostraram  que o mês de abril manteve a tendência de altas ocorrências (10 instalações), enquanto agosto  não apresentou registros. Em março de 2023, foram realizadas 12 instalações, e em 2024, o  número foi quase o mesmo, alcançando 9 instalações (Figuras 7 e 8). De acordo Lins,  Nascimento (2023), essa tendência pode estar associada a inúmeras campanhas de saúde,  férias escolares e maior disponibilidade de pacientes nesses períodos.  

Figura 7: Registro das instalações de PPR/PT nos meses de 2023. 

Fonte 7: Elaboração dos próprios autores (2025). 

Figura 8: Registro das instalações de PPR/PT nos meses de 2024. 

Fonte 8: Elaboração dos próprios autores (2025). 

O levantamento estatístico revelou que 16 pacientes realizaram o procedimento de  PPR ao longo do ano de 2023, totalizando 59 procedimentos distribuídos de forma desigual  pelos 12 meses, com prevalência em agosto (14 procedimentos). Em 2024, não houve  registros desse procedimento. 27 pacientes utilizaram PT, com maior ocorrência nos meses de  março (9 procedimentos), abril (10 procedimentos) e maio (7 procedimentos), sendo este  último o mês de menor demanda geral (Figuras 9, 10 e 11). Segundo Santos, Arruda (2025),  explica que a sazonalidade pode influenciar não apenas a quantidade, mas também o tipo de  prótese mais solicitada.  

Figura 9: Registro de instalações de PPR nos meses de 2023. 

Fonte 9: Elaboração dos próprios autores (2025). 

Figura 10: Registro das instalações de PT nos meses de 2023. 

Fonte 10: Elaboração dos próprios autores (2025). 

Figura 11: Registro das instalações de PPR nos meses de 2024. 

Fonte 11: Elaboração dos próprios autores (2025).

Ao analisar os dados quantitativos por mês, percebe-se que a PPR mantém  predominância constante ao longo do ano, enquanto a PT apresenta picos esporádicos. Para  Camargo et al. (2022), a constância da PPR pode refletir a maior incidência de perda dentária  parcial em adultos de meia-idade e a necessidade de manutenção contínua do tratamento.  

O uso da análise estatística mensal, como gráficos de colunas ou linhas, possibilita  identificar tendências e prever demandas futuras. De acordo com Bezerra et al. (2024), as  clínicas que monitoram sazonalidade conseguem otimizar agendamento, estoque de próteses e  distribuição de recursos humanos.  

Dados da clínica mostraram que a instalação de PT em idosos ocorre com maior  frequência em meses específicos, enquanto PPR em adultos de meia-idade ocorre de maneira  mais uniforme, permitindo ajustes estratégicos na programação clínica. Segundo Santos, Arruda (2025) entender a distribuição por mês é relevante para correlacionar idade e tipo de  prótese com períodos de maior demanda. Alharbi et al. (2024), completa explicando que a  análise temporal também possibilita avaliar a eficácia das campanhas educativas e  preventivas, uma vez que meses com aumento de procura podem coincidir com ações de  conscientização sobre a saúde bucal e a importância da reabilitação protética. 

5 CONCLUSÃO 

O presente estudo analisou o perfil de utilização de próteses removíveis em pacientes  adultos atendidos na Clínica Escola da Faculdade do Amazonas (IAES) nos anos de 2023 e  2024, permitindo identificar padrões importantes relacionados ao tipo de prótese, faixa etária,  sexo, distribuição geográfica e variações temporais dos atendimentos. Os dados  demonstraram que a prótese parcial removível (PPR) predominou entre adultos de meia idade, enquanto a prótese total (PT) apresentou maior frequência entre pacientes idosos,  acompanhando a progressão natural da perda dentária. O maior uso de PPR por pessoas de  meia-idade e de PT por idosos corrobora a literatura científica e indica perfis distintos de  necessidade de reabilitação oral. 

Com relação ao sexo dos pacientes, observou-se que as mulheres representaram a  maior parte da amostra e apresentaram maior adesão ao uso de próteses, sobretudo da PPR.  Esse achado reflete o padrão identificado nos próprios prontuários analisados na Faculdade do  Amazonas – IAES, que registram maior presença feminina entre os pacientes que buscaram  reabilitação oral por meio de próteses removíveis. A análise da localização da perda dentária, associada ao tipo de prótese utilizada, contribuiu para compreender a escolha terapêutica e  reforçou a influência de fatores demográficos na decisão clínica. 

A análise temporal demonstrou que a demanda por próteses variou ao longo dos meses  avaliados. A PPR manteve constância em 2023, enquanto a PT apresentou picos em meses  específicos de 2024. Essa sazonalidade, conforme apontam estudos recentes, é fundamental  para prever demandas, organizar recursos e ajustar o agendamento clínico, garantindo melhor  fluidez no atendimento. Além disso, oscilações na procura podem estar relacionadas a  campanhas educativas, disponibilidade dos pacientes e dinâmicas do calendário acadêmico. 

 Do ponto de vista geográfico, os dados revelaram que, dos 63 pacientes atendidos, 17  (27%) eram da zona Norte, 13 (21%) da zona Centro-Sul e 12 (19%) da zona Sul. Esses resul tados mostram que, mesmo localizada na zona Centro-Sul, a Faculdade do Amazonas – IAES  alcança de forma expressiva outras regiões da cidade, especialmente a zona Norte, que foi a  que mais buscou atendimento. Esse fato evidencia o papel social da instituição, que ultrapassa  os limites territoriais de sua localização, promovendo saúde bucal, cidadania e acesso à reabilitação oral para diferentes zonas da cidade, incluindo áreas mais distantes.  Destaca-se, também, a importância de ampliar estratégias que intensifiquem o alcance  a pacientes das zonas Oeste, Centro-Oeste, Leste e da Região Metropolitana de Manaus, que  apresentaram menor quantidade de atendimentos relacionados à prótese removível, conforme  mostra o gráfico. Com isso, reforça-se a necessidade de intensificar, cada vez mais, a demo cratização dos serviços odontológicos oferecidos pela instituição. 

Dessa forma, o estudo revela que a Clínica Escola da Faculdade do Amazonas- IAES  não apenas atende sua comunidade local, mas desempenha um papel transformador ao  oferecer serviços humanizados, acessíveis e fundamentados em evidências científicas. Esse  compromisso amplia o impacto social da instituição e fortalece a promoção da saúde bucal na  cidade de Manaus e Região Metropolitana. 

Além de reabilitar funcional e esteticamente os pacientes, o tratamento também auxilia  na melhoria da qualidade psicossocial, favorecendo autoestima, bem-estar e integração social, isso está amplamente descrito na literatura. A instituição contribui para a formação integral  dos acadêmicos de odontologia, que, mediados por seus professores, desenvolvem  competências técnicas, éticas e socioemocionais essenciais para uma prática profissional  crítica, responsável e socialmente comprometida. Assim, o IAES reafirma seu compromisso  com a cidadania, com a promoção da saúde e com a democratização dos conhecimentos odontológicos, consolidando seu impacto educacional e comunitário.

REFERÊNCIAS 

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1Graduando em Odontologia, na Faculdade do Amazonas – IAES. e-mail: arlysonamil@gmail.com
2Professora de Psicologia, Ciências Sociais do Instituto Amazônia do Ensino Superior (IAES), Graduação em Psicologiapelo Centro Universitário Luterano de Manaus (CEULM – ULBRA), Especialista em Psicologia Clínica pelo Centro Universitário Luterano de Manaus (CEULM-ULBRA), Especialista em Psicologia Hospitalar pela Faculdade Venda Nova do Imigrante (FAVENI, Mestranda do Programa de Pós-Graduação Profissional em Ensino Tecnológico (PPGET/IFAM). e-mail: psicomrocha7@gmail.com;
3Doutora e Mestra em Sociedade e Cultura da Amazônia-UFAM, na área de Linguagem e Representações; Especialista em Língua Portuguesa e Orientação Educacional; Licenciada em Letras – UFAM; Professora do Programa de Pós-Graduação em Ensino Tecnológico do Instituto Federal de Educação, Ciências e Tecnologias do Amazonas- IFAM. Revisora, conteudista e produtora de material na área de Língua Portuguesa, Literatura e Diversidade. Ensaísta e crítica literária; investiga a diversidade e a diferença, desenvolvendo trabalhos na formação de professores relacionados à educação especial e educação inclusiva em contextos de gênero, EJA, questões étnico-raciais, entre outros. e-mail: lucia.tinoco@ifam.edu.br;
4Bibliotecário do Instituto Amazônia do Ensino Superior (IAES); Graduado em Biblioteconomia pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM). e-mail: edirley.dias@ufam.edu.br