PERFIL CLÍNICO E SOCIODEMOGRÁFICO DE MÃES ADOLESCENTES COM FILHOS PREMATUROS

CLINICAL AND SOCIODEMOGRAPHIC PROFILE OF TEENAGE MOTHERS WITH PREMATURE CHILDREN

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202511301841


Irislaine Duarte Lopes Aquino
Orientador: Alisson Araújo


Introdução: A gravidez na adolescência é considerada um problema de saúde pública e pode estar associada à prematuridade, contexto que chama a atenção da sociedade em geral, de forma especial os serviços de saúde. Este artigo tem como objetivo analisar o perfil clínico e sociodemográfico das mães adolescentes residentes no município de Divinópolis/MG, região centro-oeste de Minas Gerais que tiveram filhos prematuros no período de 2009 a 2019. Método: Trata-se de um estudo, descritivo e ecológico que compreende um intervalo histórico de dez anos, onde utilizou dados secundários de 2.754 gestantes adolescentes que tiveram registros disponíveis no Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS) a partir de informações do Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (SINASC), que tem como fonte a Declaração de Nascidos Vivos (DNV) a respeito das características e o perfil epidemiológico e clínico das gestantes. Resultados: No período avaliado observou-se que das 2.754 adolescentes 361 deram à luz a recém-nascido a termo, sendo que 81,4% nasceram entre 32 a 36 semanas, 41,1% realizaram mais de sete consultas de pré-natal, 72,5% declararam ter de 8 a 11 anos de escolaridade. 89,1% declararam estar solteira. A taxa de partos vaginais foi de 72,4 %, e parto cesáreo foi (52,1%). Conclusão: Conhecer o perfil clínico e sociodemográfico das gestantes adolescentes que tiveram bebês prematuros possibilita ao gestor planejar e promover ações direcionadas a fim de proporcionar a continuidade do cuidado evitando complicações obstétricas e o parto prematuro.

Palavras-chave: Gravidez na adolescência. Nascimento Prematuro. Prevalência. Gestação.

Introduction: Teenage pregnancy is considered a public health problem and may be associated with prematurity, a context that draws the attention of society in general, especially health services. This article aims to analyze the clinical and sociodemographic profile of teenage mothers living in the city of Divinópolis/MG, central west region of Minas Gerais who had premature children in the period from 2009 to 2019. Method: This is a descriptive and ecological study which covers a historical interval of ten years, where it used secondary data from 2,754 pregnant adolescent women who had records available in the Information Technology Department of the Unified Health System (DATASUS) based on information from the Live Birth Information System (SINASC), which has as a source, the Declaration of Live Births (DNV) regarding the characteristics and epidemiological and clinical profile of pregnant women. Results: During the period evaluated, it was observed that of the 2,754 adolescents, 361 gave birth to a full-term newborn, with 81.4% born between 32 and 36 weeks, 41.1% had more than seven prenatal consultations, 72.5% declared having 8 to 11 years of schooling. 89.1% declared to be single. The rate of vaginal births was 72.4%, and cesarean births were (52.1%). Conclusion: Knowing the clinical and sociodemographic profile of pregnant adolescents who had premature babies allows the manager to plan and promote targeted actions to provide continuity of care, avoiding obstetric complications and premature birth. 

Keywords: Teenage pregnancy. Premature Birth. Prevalence. Gestation.

Introdução 

A gravidez na adolescência vem sendo tratada como um problema mundial de saúde pública e apontada pelos profissionais de saúde, educação e da assistência social como um desafio que ganha grande proporção com a diminuição da idade, principalmente em países em desenvolvimento (OPAS, 2016).  

O estudo “Saúde Brasil”, realizado pelo do (MS) Ministério da Saúde, aponta que uma das maiores taxas de mortalidade infantil ocorre em filhos de mães mais jovens de até 19 anos, com taxa de 15,3% óbitos para cada mil nascidos vivos, índice acima da taxa nacional que é de 13,4 óbitos. Demonstrando que imaturidade biológica e condições socioeconômicas desfavoráveis podem influenciar nos resultados obstétricos. O estudo aponta ainda que a gravidez na adolescência acontece com maior frequência entre as meninas com menor escolaridade, baixa renda, que têm menos acesso à serviços públicos e em situação de maior vulnerabilidade social (BRASIL, 2021). 

Em 2018, o relatório conjunto publicado pela Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS), Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF/OMS) e UNFPA/OMS indica que na América Latina e no Caribe a taxa de gravidez por 1.000 nascidos vivos de mulheres entre 15 e 19 anos é estimada em 65,5% dos nascidos vivos.

No Brasil esse número chega a 68,4%, sendo considerada a maior taxa de mães adolescentes da América Latina. No entanto são índices menores do que de países Africanos (98,5 por mil nascidos vivos) e superiores as taxas da Europa (16,2 por mil nascidos vivos) e da América do norte (28,3 por mil nascidos vivos) indicativo de que os países precisam de medidas urgentes para melhorar os índices de gravidez na adolescência (INDICA, 2017; BRASIL, 2021). 

A gestação na adolescência está diretamente relacionada a resultados obstétricos e neonatais insatisfatórios, sendo necessário aperfeiçoar a qualidade da assistência durante o parto com objetivo de reduzir os riscos de resultados negativos a mães de alto risco. As adolescentes grávidas têm maior fator de risco para a ocorrência de eventos adversos no trabalho de parto em relação às mulheres adultas, estando predispostas ao trabalho de parto mais longo, parto prematuro e bebês com baixo peso ao nascer ou pequeno para a idade gestacional (GURUNG, 2020). 

É considerado prematuro o nascimento que acontece anterior as 37 semanas de gestação e está expressamente relacionado a intercorrências obstétricas e condições crônicas na infância sendo considerado a principal causa de internação em Unidade de terapia intensiva neonatal (UTIN) (WHO, 2021). 

Divinópolis, município situado na região centro oeste de Minas Gerais/Brasil, possui uma distinta situação relacionada a partos prematuros e idade materna. Um trabalho que contou com uma análise realizada através do SINASC da referida cidade nos anos de 2008 a 2011 demonstrou que mulheres com menor idade que deram à luz tiveram maiores probabilidade de ter bebês prematuros. Sendo que a maior parte dos recém-nascidos pré-termo analisados tiveram entre 32 e 36 semanas de gestação (GUIMARÃES et al., 2017). 

No período de 2009 a 2019, uma análise preliminar verificou neste sistema um total de 2.764 adolescentes com idade de 10 a 19 anos que deram à luz no município de Divinópolis/MG, sendo que destas 361 tiveram seus filhos com menos de 36 semanas de gestação. Ao se verificar o número de partos prematuros entre essas adolescentes, constatou-se que passou de 8,2% em 2009 para 14,6% em 2019. Os dados comprovam que o número de nascimento de bebês prematuros aumentou entre essas mães adolescentes no município. (SINASC/DATASUS, 2021). 

Diante do exposto, o presente estudo tem como pergunta de pesquisa: Qual o perfil clínico e sociodemográfico das mães adolescentes, residentes no município de Divinópolis (MG), que tiveram bebês prematuros no período de 2009 a 2019? 

Os dados a serem analisados são significativos e nos remetem a uma reflexão a respeito da necessidade em: 1) melhorar a qualidade da assistência pré-natal, parto e puerpério já oferecida às adolescentes; 2) diversificar a abordagem sobre prevenção da gravidez na adolescência com desfecho na prematuridade incluindo, também, componentes socioeducacionais e comportamentais com objetivo de garantir a efetividade das políticas públicas; e 3) aumentar a autonomia e a capacidade de responsabilização para reduzir os casos de gravidez não intencional na adolescência e suas consequências ao recém-nascido. 

Neste sentido conhecer o perfil e os indicadores dessas mães adolescentes que tiveram filhos prematuros irão proporcionar aos gestores e aos profissionais de saúde que realizam a assistência à criança, mãe adolescente e família um planejamento de ações com foco nas necessidades reais desse grupo específico. Essa premissa é destacada na Agenda de Prioridades de Pesquisa do Ministério da Saúde do ano de 2018 que define no eixo 14.1 que se realize análise sociodemográfica e dos fatores associados à mortalidade materna, considerando a alta prevalência de gravidez na adolescência com desfecho em partos prematuros no Brasil.  

Neste ensejo, o presente estudo tem como objetivo analisar o perfil clínico e sociodemográfico das mães adolescentes residentes no município de Divinópolis/MG que tiveram filhos prematuros no período de 2009 a 2019. 

Métodos  

Trata-se de um estudo descritivo, ecológico de séries temporais onde utilizou-se de uma série histórica que compreende um intervalo de dez anos, realizada a partir de dados secundários disponíveis publicamente através da base de dados do Sistema de Informação sobre Nascidos Vivos (SINASC) através do DATASUS com informações disponíveis em registros de nascidos vivos (NV) a respeito das características e o perfil epidemiológico e clínico das gestantes adolescentes que tiveram filhos prematuros no período de 2009 a 2019 no município de Divinópolis/MG. 

O SINASC foi escolhido como banco de dados, por fornecer uma contribuição significativa de dados sobre nascidos vivos, com suas principais características, como sexo, local onde ocorreu o nascimento, tipo de parto, peso ao nascer, entre outras. 

Para delimitação da faixa etária, no que diz respeito à adolescência, foi considerado a definição da OMS, em que a adolescência compreende a faixa etária de 10 a 19 anos, a fim de analisar adequadamente o efeito da prematuridade em mães na adolescência.  

Foram considerados “casos” todas as gestantes adolescentes (10 a 19 anos) residentes em Divinópolis, MG, que deram à luz a bebês prematuros nascidos nos anos de 2009 e 2019: 

Cenário de estudo 

O cenário deste estudo integra o município de Divinópolis/MG que atualmente é a maior cidade da região ampliada oeste de Minas Gerais, com população estimada de 240.408 habitantes apresentou Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) de 0,764 em 2010 sendo considerada Polo da Macrorregional Oeste e sede da Gerência Regional de Saúde da região Oeste de Minas Gerais (IBGE, 2020). 

Divinópolis é o maior município da região ampliada oeste e representa quase 50% da população da microrregião na qual está inserida sendo considerado polo regional de saúde, obtendo assim papel de referência e de suporte para assistência na média e alta complexidade dos municípios de sua região de saúde (PMD/SMS/PMS, 2014/2017). 

No ano de 1999 foi implantada em Divinópolis/MG a Unidade Neo-Pediátrica no Complexo de Saúde São João de Deus, única unidade hospitalar que realiza atendimento público especializado, contribuindo para suprir a necessidade de atendimento dos bebês prematuros e pacientes criticamente doentes. No entanto, o serviço é prestado para toda região do Centro Oeste de Minas Gerais. Em 2017 ampliou-se o número de leitos, passando de oito para 10. Composto por uma equipe multidisciplinar que dedica atenção especial para os recém-nascidos , especialmente os prematuros de baixo peso (CSSJD, 2021). 

A população do estudo foi obtida a partir de dados secundários gerados pela Declaração de Nascidos Vivos (DN) e composta pelo total de 361 mães adolescentes na faixa etária de 10 a 14 e 15 a 19 anos, residentes no município de Divinópolis/MG, que tiveram nascidos vivos prematuros, entre os anos de 2009 a 2019. Isto foi feito com o objetivo de conhecer as características sociodemográficas maternas (idade, estado civil, nível de escolaridade) e o perfil clínico dessas mães adolescentes (tipo de gravidez, duração da gestação, número de consultas de pré-natal, tipo de parto, entre outros). 

A coleta de dados foi realizada no período de setembro a novembro de 2021. 

Foram critérios de inclusão: ser gestante adolescente com idade de 10 a 19 anos, residentes no município de Divinópolis/MG, que tiveram filhos prematuros, considerando os nascidos vivos, de gestação com duração inferior a 37 semanas. Os critérios de exclusão foram: ser mãe de bebê prematuro com idade superior a 19 anos e inferior a 10 anos, as que tiveram partos gemelares e as que tiveram filhos em hospitais de Divinópolis mas não residirem no município. 

Para a análise dos dados foram utilizados procedimentos da estatística descritiva simples. 

A pesquisa que originou este trabalho dispensou aprovação do Comitê de Ética em Pesquisas, por se tratar de levantamento de banco de dados de domínio público, conforme resolução do Conselho Nacional de Saúde (CNS-466/12). No entanto todos os preceitos éticos envolvendo publicações científicas originárias de análise de dados secundários foram obedecidos.  

Resultados: 

O município de Divinópolis/MG no período de 2009 a 2019 registrou um total de 3.311 gestantes que tiveram nascidos vivos (NV), prematuros sendo que mães adolescentes (10 a 19 anos) representaram 10,9% (N=361) do total. A Tabela 1 a seguir apresenta a evolução dos nascimentos por ano e faixa etária da mãe, evidenciando queda nas taxas de nascidos vivos de mães nas faixas etárias de 10 a 19 anos ao longo do período analisado. 

Tabela 1. Distribuição de gestantes mães de nascidos vivos (N.V) prematuros segundo idade materna e região Divinópolis/MG no período de 2009 a 2019.

Fonte: MS/SVS/DATASUS – Sistema de Informação de Nascidos Vivos – SINASC, 2021. 

O município de Divinópolis/MG registrou um total de 2.754 gestantes adolescentes que tiveram filhos no período de 2009 a 2019, observa-se que 15,08 (N=361) dos bebês filhos de mães adolescentes nasceram prematuros. 

A Tabela 2 apresenta a evolução dos nascimentos por ano e faixa etária. No período avaliado ao verificar o número de partos prematuros entre as gestantes adolescentes constatou-se um aumento de 6,4%. Passando de 8,2% em 2009 para 14,6% em 20019. Nota-se que apesar da queda no número de parturientes adolescentes que deram à luz a bebês a termo apresentados na tabela 1, a tabela 2 indica que aumentou o número de nascimento de bebês prematuros ao longo do período analisado (SINASC/DATASUS, 2021). 

Tabela 2. Distribuição de nascidos vivos prematuros e a termo filhos de mães adolescentes segundo idade materna de 10 a 19 anos no município de Divinópolis /MG no período de 2009 a 2019.

Fonte: MS/SVS/DATASUS – Sistema de Informação de Nascidos Vivos – SINASC, 2021. 

A Tabela 3 a seguir apresenta a evolução dos nascimentos por semanas de gestação. De acordo com esta tabela, observa-se que 81,4% (N=294) desses bebês nasceram entre 32 a 36 semanas de gestação. Foi possível identificar que somente nos anos de 2012, 2013 e 2014 houve registros de nascimentos com menos de 22 semanas de gestação. No entanto, 17,7 (N=64) nasceram entre 22 a 31 semanas de gestação.  

Tabela 3. Distribuição de gestantes adolescentes com idade materna (10 a 19 anos) mães de nascidos vivos (N.V) prematuros segundo tempo de gestação no momento do parto por região/Divinópolis/MG no período de 2009 a 2019.

Fonte: MS/SVS/DATASUS – Sistema de Informação de Nascidos Vivos – SINASC, 2021. 

Em relação às consultas de pré-natal, verificou-se no período de 2009 a 2019, 40,1% (N=145) realizaram mais de sete consultas de pré-natal, sendo que a maior taxa 42,6% (N= 154) realizaram de quatro a seis consultas, 13,0% (N=47) realizaram uma a três consultas e 3,0% (N=11) não fizeram nenhuma consulta de pré-natal. Os números apresentados são preocupantes e chamam atenção para a importância da captação precoce da gestante adolescente (Tabela 4). 

Tabela 4. Distribuição de gestantes adolescentes mães de nascidos vivos prematuros com idade materna de 10 a 19 anos, segundo número de consultas de pré-natal realizadas durante a gestação no município de Divinópolis / MG no período

Fonte: MS/SVS/DATASUS – Sistema de Informação de Nascidos Vivos – SINASC, 2021 de 2009 a 2019. 

A tabela 5 mostra que 18,7 % (N=68) das gestantes adolescentes que tiveram filhos prematuros no município de Divinópolis/MG período de 2009 a 2019 tinham menos de oito anos de escolaridade, sendo que a maior porcentagem, ou seja, 75,5 % declararam ter de 8 a 11 anos de escolaridade.  

Tabela 5. Distribuição de gestantes adolescentes (10 a 19 anos) mães de nascidos vivos prematuros segundo escolaridade materna no município de Divinópolis / MG no período de 2009 a 2019.

Fonte: MS/SVS/DATASUS – Sistema de Informação de Nascidos Vivos – SINASC, 2021 

A tabela seguinte (Tabela 6) indica que em relação ao estado civil o número de gestantes adolescentes que tiveram filhos prematuros o status de solteira representa a maior proporção com 89,1%(N=322) adolescentes, sendo que 8,0% (N=29) afirmaram ser casadas, 1,6% (N=6) declaram em união estável, 0,2%(N=1) afirmam ser separada judicialmente e em 0,8% (N=3) das declarações a informação do status conjugal é ignorada. Não foi identificado nenhuma declaração de adolescente viúva. 

Tabela 6. Distribuição de gestantes adolescentes (10 a 19 anos) mães de nascidos vivos prematuros segundo estado civil materno no município de Divinópolis/MG no período de 2009 a 2019.

Fonte: MS/SVS/DATASUS – Sistema de Informação de Nascidos Vivos – SINASC, 2021 

A Tabela 7 apresenta a evolução dos nascimentos através da via de parto utilizada entre as adolescentes. No período avaliado constatou-se um aumento significativo dos partos via vaginal saltando de 52,1%(N=12) em 2009 para 72,4% (N=21) em 2019. Em contrapartida ocorreu uma diminuição importante do número de parturientes adolescentes que deram à luz a bebês prematuros via cesariana.  

Tabela 7. Distribuição de gestantes adolescentes (10 a 19 anos) mães de nascidos vivos prematuros segundo via de parto no município de Divinópolis/MG no período de 2009 a 2019.

Fonte: MS/SVS/DATASUS – Sistema de Informação de Nascidos Vivos – SINASC, 2021 

A avaliação das características sociodemográficas maternas mostra maiores prevalências de mulheres de raças/cores parda e branca o Sistema de Informações de nascidos Vivos, revelou que 42,2% (N=167) das mães adolescentes se autodeclaram da cor parda em seguida com pouca diferença vem a cor branca com 41,2% (N=149), logo após 8,8% (N=32) da cor preta, 0,8% (N=3) da cor amarela e 2,7% (N= 10) consta como dados ignorados. 

Tabela 8. Distribuição de gestantes adolescentes (10 a 19 anos) mães de nascidos vivos prematuros segundo raça e cor no município de Divinópolis – MG no período de 2009 a 2019.

Fonte: MS/SVS/DATASUS – sistema de informação de nascidos vivos – SINASC, 2021 

Discussão 

Os achados do estudo demonstram na avaliação das características sociodemográficas maternas maiores prevalências de mulheres que se autodenominam de raça/cor parda e branca. Sendo 42,2% (N=167) pardas e 41,2% (N=149) brancas. Um estudo realizado em 2017 “Gravidez na adolescência: Vozes de meninas e especialistas”, associa a gestação nesta fase da vida, a baixa escolaridade e baixa renda, somados a determinadas raças e etnias. A maioria dos casos ocorre entre meninas pobres, negras e/ou indígenas e com menos tempo de estudo (UNFA, 2017). 

Em relação ao estado civil das gestantes, 89,1% (N=322) declaram o status de solteira, sendo que 8,0% (N=29) afirmaram ser casadas, 1,6% (N=6) declaram em união estável, 0,2% (N=1) afirmam ser separada judicialmente e em 0,8% (N=3) das declarações a informação do status conjugal é ignorada. Não foi identificado nenhuma declaração de adolescente viúva.  

Os resultados mostram que o status de solteira representa a maior proporção, isso significa que a maternidade para a maioria das adolescentes, aconteceu sem vínculo com parceiro. Neste momento delicado as adolescentes, ficaram sem a participação do pai do bebê seja ele por vínculo biológico ou afetivo, o que é de acordo com Souto, et al. (2017) essa situação uma realidade constante. 

A gestante adolescente sem o companheiro tem dificuldade em aderir o pré-natal, visto que esse é um momento em que a mulher necessita de apoio, excepcionalmente do parceiro. Essa companhia vai além das questões biológicas, interferindo no desenvolvimento seguro da gestação, preparando a gestante para o parto, puerpério, e lactação, além de ajudar na identificação precoce de possíveis situações que possam oferecer risco para a saúde materna e/ou fetal (CARVALHORAS, et al., 2016; SANTOS, et al., 2018). 

A trajetória escolar das adolescentes do estudo demonstra que 72,5% declararam possuir de 8 a 11 anos de escolaridade e 18,7% das mães adolescentes que tiveram filhos prematuros declaram ter menos de oito anos de escolaridade. 

Dado preocupante já que estudos comprovam que gestantes adolescentes têm menos chances de retornar à escola, assim como menos oportunidades no mercado de trabalho, ainda mais quando essas adolescentes assumem a responsabilidade de cuidar de um bebê prematuro (UNFA, 2020).  

No caso da prematuridade 81,4% (N=294) dos bebês das mães adolescentes nasceram entre 32 a 36 semanas de gestação. Foi possível identificar também que somente nos anos de 2012, 2013 e 2014 houve registros de nascimentos com menos de 22 semanas de gestação. 

Dar à luz a um bebê com menos de 32 semanas de gestação causa impacto tanto na saúde pública devido aos custos do tratamento de um bebê prematuro quanto na saúde do binômio mãe e filho. Quando se trata de um bebê com menos de 31 semanas significa maiores cuidados, mais tempo de internação, demanda profissional e equipamentos qualificados e em muitos casos terão sequelas permanentes (FARIA, 2020).  

Em relação aos indicadores envolvendo o ciclo gravídico-puerperal, o estudo revelou que 42,6% (N= 154) das gestantes adolescentes que deram à luz a bebês prematuros no período de 2009 a 2019 realizaram de quatro a seis consultas enquanto 41,1% (N=145) realizaram mais de 7 consultas; 13,0% (N=47) realizaram uma a três consultas e 3,0% (N=11) não fizeram nenhuma consulta de pré-natal. 

Sousa, et al. (2020) apontam que somente 12,4% das gestantes adolescentes iniciaram o pré-natal no primeiro trimestre, se contrapondo ao que é preconizado mundialmente como cuidado mínimo durante a gestação. Sem contar que não realizam o número mínimo de consultas, aumentando os riscos característicos da gravidez nesta fase da vida.  

O município de Divinópolis apresentou uma evolução dos nascimentos através da via de parto utilizada entre as adolescentes. No período avaliado constatou-se um aumento significativo dos partos via vaginal saltando de 52,1%(N=12) em 2009 para 72,4% (N=21) em 2019. Em contrapartida ocorreu uma diminuição importante do número de parturientes adolescentes que deram à luz a bebês prematuros via cesariana. 

Estudo realizado no estado do Rio grande do Sul em uma série histórica de 2010 a 2016 apontou que o maior percentual de parto vaginal foi identificado nas adolescentes entre 10 e 14 anos (55,9%), sendo o único indicador em que o desempenho desta faixa etária foi superior ao das demais (BERLITZ B, et al., 2020) 

O percentual de nascimentos de filhos de gestantes adolescentes acompanha a tendência global de queda. Entretanto, os resultados em relação ao aumento da prematuridade entre as parturientes adolescentes no município de Divinópolis/MG acendem um alerta. De acordo com Kawakita et al (2016) após realizar um estudo com 43.537 mulheres com faixa etária inferior a 25 anos nos Estados Unidos, quanto mais jovem a mulher, maior a chance de parto prematuro. 

Estudo realizado em um hospital da região noroeste do estado do Rio Grande do Sul demonstrou que a etiologia do parto prematuro pode ser multifatorial, portanto, conhecer somente seus fatores de risco e causas não são suficientes para reduzir sua a sua incidência. Configurando que atualmente o parto prematuro é um grande desafio para o profissional de saúde (ROSA, et al.; 2021). 

O maior percentual de parto vaginal foi identificado na evolução dos nascimentos através da via de parto utilizada entre as adolescentes que tiveram filhos prematuros de 52,1% em 2009 para 72,4% em 2019. Em contrapartida ocorreu uma diminuição importante do número de parturientes adolescentes que deram à luz a bebês prematuros via cesariana. Uma provável explicação para o aumento no número de partos vaginais pode estar relacionada ao aumento dos partos prematuros das adolescentes, geralmente os partos que acontecem antes do tempo acabam ocorrendo por via vaginal.  

Os resultados evidenciam que apesar da diminuição do número de parturientes adolescentes ocorreu um aumento expressivo na proporção de gestantes adolescentes que tiveram filhos prematuros no município de Divinópolis/MG no período de 2019 a 2019.

Frente aos dados obtidos através do estudo chama atenção que a maioria das gestantes que tiveram filhos prematuros realizaram mais de seis consultas de pré-natal demonstrando estar condizente com o que é preconizado pelo ministério da saúde.  

Estudo realizado em 2017, onde foi feito oficinas com gestantes adolescentes e profissionais de saúde, levantou alguns gargalos encontrados na prestação de serviço de assistência às gestantes adolescentes, entre eles a falta de qualidade no serviço de saúde. Onde as gestantes não conseguem garantir a continuidade no cuidado por não ter acesso a serviços especializados nos setores de saúde e educação. (INDICA,2017). 

Segundo Guimarães, et al. (2017), número de consultas pré-natal e a qualidade dessas consultas são fatores que estão associados a prematuridade. É imprescindível uma assistência de pré-natal de qualidade para prevenir os riscos associados a gravidez e ao período neonatal sendo necessário acompanhar a gestante com objetivo de identificar os riscos antes que aconteçam, diminuindo as chances de ocorrência de morbidade e mortalidade do binômio mãe e filho (SOUZA, et al.; 2020). 

Esses dados são significativos nos levam à uma reflexão quanto a necessidade de mudanças no planejamento de ações. É muito importante trabalhar a prevenção e promoção    da saúde do adolescente, discutindo temas a respeito da sexualidade e saúde reprodutiva, tanto no âmbito familiar e escolar, quanto nos programas de educação em saúde, que devem acompanhar o planejamento reprodutivo e incentivar os jovens na busca por orientações sobre as formas de prevenção nas escolas e nas Unidades de Saúde da Atenção Primária onde há acesso de modo gratuito aos métodos contraceptivos (SBP, 2019). 

O caráter local  do estudo pode ser considerado uma das limitações uma vez que se trata de levantamento de dados de apenas um município, o que resultou em um menor número de amostra, é necessário investigar outros município da região centro oeste mineira visto que a região conta com somente um hospital para atendimento público especializado e apenas 10 leitos destinados a neonatologia para o atendimento de toda região do vale do Itapecerica , Vale ressaltar ainda as limitações referentes aos dados secundários.  

Salienta-se ainda que os estudos transversais representam a etapa inicial do processo de vigilância em saúde e, neste caso, foram revelados elementos importantes para que estudos subsequentes investiguem as circunstâncias da prematuridade em gestantes adolescentes. 

Conforme apontado em estudos anteriores, a falta de informações adequadas dificulta traçar o perfil de saúde no município que refletem nos resultados dos indicadores de saúde, repercutindo na promoção, prevenção e atenção à saúde da mulher e da criança. Essas situações precisam ser discutidas com intuito de melhorar a capacidade dos níveis locais de planejar e avaliar e subsidiar as políticas de saúde designadas a melhorar a qualidade da assistência prestada às mães e bebês (RODRIGUES M., et al.2014; GABRIEL G. P., et al. 2009) 

Todavia, esperamos que esse trabalho tenha despertado o interesse em se aprofundar na temática a respeito da gravidez na adolescência assim como as razões que levam a um parto prematuro e que tenha mostrado a importância do suporte que deve ser dado ao pré-natal da gestante adolescente com olhar diferenciado do profissional de saúde de modo a garantir a efetivação do acesso às redes de apoio aos territórios de saúde, a fim de que seus direitos sejam reconhecidos e garantidos. 

Enfatiza-se que a temática requer cuidado e atenção dos gestores, profissionais e pesquisadores que atuam na área. Sendo necessários novos estudos para ampliar o conhecimento teórico e prático a fim de ampliar esclarecimento sobre o tema. 

Conclusão 

O estudo evidenciou que o conjunto de características sociodemográficas e os desfechos gestacionais das mães adolescentes que tiveram filhos prematuros no período de 2009 a 2019 demonstram que o município apresenta dados parcialmente positivos em relação a escolaridade, via de parto, e número de consultas pré-natal, em contrapartida ocorreu um aumento no número de gestantes adolescentes que deram à luz a bebês prematuros. 

Divinópolis é o maior município da região ampliada oeste sendo considerado polo regional de saúde e referência de suporte para assistência na média e alta complexidade dos municípios de sua região de saúde. Os dados apontam que o município teve grandes avanços, no entanto os resultados demonstram em relação aos indicadores sociais relacionados aos casos de prematuridade em gestantes adolescentes.  

Os desafios são constantes e indicam a necessidade de planejamento de ações e serviços especializados de saúde e de articulação de estratégias de acesso, de forma a garantir o princípio da integralidade as gestantes adolescentes e seus filhos. É importante que como maior cidade da macrorregião o município aumente sua oferta de serviços e ofereça aos seus munícipes e aos municípios vizinhos acesso facilitado ao sistema de saúde. 

Portanto conclui-se além de alcançar indicadores e garantir o acesso ao serviço de saúde é necessária que o município ofereça a gestante adolescente uma assistência de qualidade identificando os fatores de risco e as causas que levam a gestante adolescente ao parto prematuro proporcionando a continuidade do cuidado a fim de evitar complicações obstétricas, e neonatais. 

REFERÊNCIAS 

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