REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ni10202602151232
Pedro Oliveira Pinheiro1
Ana Maria Machado de Carvalho2
Francisca Nayana Freitas Melo2
Késia Rodrigues da Costa2
Fernanda Veras Vieira Feitosa2
Cleoneide Paulo Oliveira Pinheiro3
Resumo
OBJETIVO Analisar a percepção dos usuários de um chatbot desenvolvido para apoio a pacientes com a doença celíaca. METODOLOGIA: Estudo descritivo, de abordagem qualitativa, realizado no período de agosto de 2023 a maio de 2024.A pesquisa foi conduzida em três fases (1) construção do Chatbot;(2) validação de conteúdo por especialistas;(3) avaliação de usabilidade por membros da Associação dos Celíacos do Brasil. Para esse estudo foi aplicado entrevista semiestruturada e a análise de conteúdo. Respeitou-se os aspectos éticos das pesquisas que envolvem os seres humanos sendo a pesquisa aprovada pelo comitê de ética em pesquisa do Centro Universitário Estácio Ceará com o parecer: No 6.171.605. RESULTADOS. Participaram seis celíacos, todas mulheres, com idade entre 22 e 51 anos, diagnosticadas há mais cinco anos. Da análise de conteúdo, emergiram duas categorias: (1) Orientação e cuidados com os celíacos; (2) Confiabilidade e experiência do usuário . O chatbot foi percebido como de fácil uso e eficaz no atendimento às necessidades de informação. CONCLUSÃO A ferramenta digital mostrou-se útil para a promoção da saúde dos celíacos, na visão do usuário. Observou-se que a percepção dos usuários sobre o chatbot foi positiva, apontando sua utilidade no suporte e apoio para a promoção da saúde da pessoa com doença celíaca apontando a necessidade de treinamentos para seu uso. Assim, aprimoramentos são de valia para otimizar a experiência e a interação mais satisfatória para os usuários.
Palavras-chave: Doença celíaca. Promoção da saúde. Tecnologia
1 INTRODUÇÃO
A doença celíaca (DC) é definida como uma intolerância à ingestão do glúten, caracterizada por um processo inflamatório, ocasionando uma atrofia das vilosidades intestinais, má absorção e diversas manifestações clínicas. Dessa maneira, o diagnóstico tardio desencadeia complicações que podem comprometer a saúde e a qualidade de vida das pessoas que convivem com essa enfermidade (Campos et al., 2022; Zanchi et al., 2024).
A DC pode acometer qualquer indivíduo, geneticamente predisposto nas diversas regiões do mundo, sendo comumente manifestada a partir do desmame do leite materno e a introdução de outros alimentos para a criança, embora possa se apresentar de forma assintomática. Essa doença apresenta uma taxa de prevalência maior no sexo feminino ficando em torno de 0,5-1% da população mundial. No entanto, estima-se que 40% da população carrega os genes para essa doença (Caio et al., 2019; Maglio; Troncone, 2020).
As manifestações clínicas, podem variar, mas alterações e agravos a saúde ocorrem quando a pessoa entra em contato com o glúten seja por contato com a pele ou por ingestão. Assim, a dieta com ausência total de glúten é necessário como tratamento e para o bem-estar do paciente, uma vez que a sintomatologia se encontra diretamente relacionada ao consumo e/ou contato de quaisquer produtos que contenham a proteína. No entanto, a adesão de pacientes ao tratamento que consiste a dieta isenta do glúten configura-se a um desafio para os profissionais de saúde, pois requer modificações no estilo de vida e adequações contínuas na rotina diária sendo necessário um suporte para essas pessoas ( Perez-Junkera et al., 2024).
O chatbot é um software baseado em uma Inteligência Artificial(IA), que atualmente se encontra presente em diversos campos da saúde. É um dispositivo baseado em sistemas, definido como um software que utilizam a IA para criar uma comunicação um agente usuário e um virtual. Esses chats são programados para fornecer respostas ao receber perguntas ou afirmações dos usuários, estabelecendo assim um diálogo entre o ser humano e a máquina que pode ser aplicado em pacientes com doenças que necessitam de um acompanhamento (Kim; Choi; Kang, 2024).
Os instrumentos tecnológicos de cuidado dizem respeito a qualquer forma que possibilite e leve bem-estar aos indivíduos. Dessa forma, as tecnologias têm sido uma prática constante no campo da saúde, facilitando no monitoramento, acompanhamento aos pacientes, bem como possibilitando uma assistência e atenção a pessoas com enfermidades diversas (Safi et al.,2020).
O uso de aplicativos e Chatbot são comumente usados no acompanhamento de pacientes com diagnósticos de câncer e na promoção da saúde de gestantes, idosos dentre outras formas. No entanto, observa-se a ausência destes suporte para o paciente celíaco, o que poderia favorecer a uma melhor condição de saúde destes pacientes, pois quando diagnosticado tardiamente, é necessário fazer acompanhamento para uma reeducação alimentar , como também um apoio psicológico( Weng et al., 2024).
Com a expansão do uso de dispositivos eletrônicos móveis, as tecnologias digitais em saúde, denominadas mHealth, favorecem o acesso e o suporte, pois são ferramentas de acesso facilitado, convenientes e eficientes. Portanto, essas ferramentas podem ser adaptadas para oferecer intervenções e auxiliar nos cuidados de saúde aos usuários (Kim; Choi; Kang, 2024).
O desenvolvimento de tecnologias digitais tem se mostrado essencial para levar a informação de forma mais clara, direta e o acesso disposição a todo momento que for necessário, trazendo seguranças e aporte ao paciente (Safi et al.,2020; Caio et al., 2019;). Em razão dos avanços tecnológicos e da necessidade de ampliar as possibilidades de assistência aos pacientes portadores da DC, seus familiares e profissionais de saúde envolvidos na prestação de cuidados, questiona-se quanto o uso do chatbot como instrumento de cuidado ao paciente que convive com a doença celíaca.
Diante do exposto, acredita-se que o uso de chatbots possibilita cuidados personalizados para cada paciente, promovendo uma interação com o usuário, a disseminação de informações seguras, orientações precisas e acompanhamento constante. Assim, oportunizando segurança nas tomadas de decisões nos variados contextos vivenciados pelas pessoas que convivem com essa enfermidade. Desse modo, o estudo objetivou analisar a percepção dos usuários de um chatbot desenvolvido para apoio a pacientes com a doença celíaca.
2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
2.1 Compreendendo a doença celíaca
Desde a década de 1980, a DC não é mais considerada uma doença rara, afetando, atualmente entre 0,5 e 1% da população mundial, com importantes variações regionais ( Fasano & Catassi, 2001). No Brasil, a partir de um trabalho realizado em Ribeirão Preto -SP, estima-se que a quantidade de celíacos seja de 1:273 indivíduos, tendo uma prevalência semelhante à de países desenvolvidos (Melo et al., 2006).
A manifestação da DC pode ocorrer no indivíduo em qualquer idade, podendo se apresentar de duas formas: forma não clássica, tendo como característica um quadro clínico variado ou até mesmo ausência de sintomas gastrointestinais, e a forma clássica, caracterizada pela presença de sintomas clássicos como diarreia crônica, anorexia, distensão abdominal, perda de massa muscular, entre outras. A redução de tamanho das vilosidades intestinais e, consequentemente, a diminuição da superfície de absorção de nutrientes pode originar quadros de desnutrição nos portadores de DC, comprometendo a sua saúde de modo geral (Fasano & Catassi, 2001).
O diagnóstico da doença celíaca é realizado a partir de exames de sangue específico, o Antitransglutaminase, associado às manifestações clínicas e à biópsia do duodeno através da endoscopia digestiva. Assim, o diagnóstico da DC se dá em razão de alterações das características normais do intestino delgado, sendo, porém, imprescindível a confirmação diagnóstica através de exames complementares específicos (Fasano & Catassi, 2001).
Para DC, o tratamento compreende uma dieta totalmente isenta de glúten. O Ministério da Saúde obriga a indústria alimentícia a inserir o rótulo “contém glúten” para produtos que contém o glúten e o rótulo “não contém glúten”, os alimentos isentos, através da Lei n°10.674 (Brasil,2015). Vale ressaltar que não é fácil a restrição do consumo de glúten, haja vista que muitos alimentos possuem esse componente e tal dieta deve ser seguida pelo resto da vida, pois a DC não tem cura (Brasil, 2022).
É necessário realçar as barreiras quanto ao acesso a uma dieta equilibrada, devido ao seu custo financeiro, já que alimentos isentos de glúten não são de fácil acesso e grande parte da população não possui condições de arcar com o elevado valor. Além disso, há a carência de conhecimento dos pacientes quanto aos alimentos que podem ser consumidos, necessitando de apoio de um profissional.
2.2 Chatbot como ferramenta de apoio ao cuidado para celíacos
A junção de duas palavras em inglês que significam “bate-papo” (chat) mais robô (bot), literalmente significa robô de conversa. Graças à inteligência artificial (IA) e ao computacional, esses robôs de conversa podem atuar virtualmente vinte e quatro horas por dia para beneficiar grupos, empresas ou comunidades (Dharwadkar; Deshpande, 2018). Devido ao Processamento de Linguagem Natural (PLN), uma subárea da IA que estuda as limitações de uma máquina em entender a linguagem humana, o chatbot consegue ignorar os erros de digitação e oferecer uma resposta coerente com o perfil e necessidade do usuário e, estão em um processo contínuo de aprendizado a cada experiência nova (Li Zhou et al., 2020).
Atualmente, é comum encontrar esses robôs espalhados pela internet, seja em: websites, redes sociais ou usados para vendas e anúncios. O serviço de bot pode ser adaptado para todo o tipo de negócio ou serviço, comprovando a teoria da desenvolvedora americana de tecnologia Gartner, em 2017, durante uma conferência, a empresa pontuou algumas previsões estratégicas para aquele ano e os demais, uma delas foi a respeito do aumento de interação dos usuários com robôs, porém, o mais interessante dessa experiência é que a maioria das pessoas não saberão que estão interagindo com uma inteligência artificial (Gartner, 2016).
A atuação dos chatbots se baseia em palavras-chave, modelos de pesquisa e rastreio de antigas interações com usuários para obtenção de soluções próximas ou iguais às esperadas pelo indivíduo que procurou. Hoje em dia, temos duas categorias de chatbots disponíveis, aqueles com regras previamente alocadas e os dotados de aprendizado que se adaptam ao negócio graças à sua linguagem de máquina e inteligência artificial mais aprimorada (Gomes, 2017).
Vários são chatbots desenvolvidos para a área da saúde nos últimos anos, com vistas a diminuir a carga excessiva de trabalho dos profissionais de saúde, especialmente do médico no atendimento primário e no acompanhamento daqueles pacientes que necessitam dessa assistência de forma mais contínua (Belfin et al, 2019).
Essa tecnologia pode ser muito importante para pacientes com DC, visto que necessitam de orientação constante para o acompanhamento da dieta isenta de glúten e de esclarecimentos quanto aos produtos de consumo alimentar, cosmético, de higiene pessoal e doméstica, além de medicamentoso, podendo ser feito um atendimento específico, confortável e domiciliar através do chatbot.
3 METODOLOGIA
Trata-se de um estudo descritivo de abordagem qualitativa, fundamentado na compreensão do contexto em que o indivíduo está inserido e dos acontecimentos que o envolvem.( Minayo, Deslandes & Gomes, 2019) .
A pesquisa foi desenvolvida no período de agosto de 2023 a julho de 2024, em três fases : (1) construção do chatbot ; (2) validação de conteúdo e aparência por juízes; e (3) teste de usabilidade para celíacos, com análise da percepção dos usuários sobre o dispositivo. No desenvolvimento do chatbot, respeitou-se os procedimentos técnicos como: Especificação da solução técnica. Levantamento de requisitos de software. Projeto do banco de dados MySQL. Definição das funcionalidades do chatbot. Codificação da aplicação no Telegram. Testes de homologação em campo. Disponibilização da ferramenta. A validação de conteúdo envolveu seis médicos sendo dois pediatras, um clínico geral e três gastroenterologistas, participantes como juízes.
Na fase de Design e Desenvolvimento, foram considerados os aspectos conceituais – isto é, a forma de apresentação do conteúdo ao público-alvo – a navegação e a interface, com o estabelecimento do layout da tela, aspecto visual, imagens, ícones, figuras, que podem compor a aparência do chatbot. Complementando a fase 2 tem-se a Implementação e Avaliação que compreende o processo de validação, por juízes, do conteúdo e da qualidade das informações, composto por profissionais, com experiência domínio na temática.
O conteúdo do Chatbot foi avaliado quanto a questões de clareza, pertinência e aplicabilidade. Quanto a clareza foi considerar se o conteúdo é compreensível. Com relação a pertinência se avaliou se o conteúdo é relevante e se atende à finalidade relativa ao tema e aos objetivos propostos e a aplicabilidade foi observado se o conteúdo é apropriado e útil para os objetivos propostos. Na fase da Usabilidade, foram convidadas pessoas diagnosticadas com a doença celíaca para uma entrevista semiestruturada que se deu forma livre, respeitando o tempo e a disponibilidade dos participantes.
Os participantes para o teste de usuabilidade foram celíacos membros da Associação dos Celíacos do Brasil – Seção Ceará (ACELBRA-CE), sociedade civil sem fins lucrativos fundada em maio de 2006, com sede em Fortaleza-CE e destinada a congregar portadores de doença celíaca (ACELBRA-CE, 2006). Incluíram-se associados há, pelo menos, três meses, na faixa etária de 18 a 60 anos e denúncias com doença celíaca nos últimos cinco anos. Excluíram-se aqueles com patologias associadas ou comprometimento de saúde mental em familiares da associação, fora da faixa etária ou que se sentissem desconfortáveis em obrigações com uma entrevista.
Para esse estudo se aplicou uma entrevista semiestruturada com usuários do dispositivo, membros da Acelbra-CE há, pelo menos, três meses. Para a análise das falas utilizou-se o método de análise de conteúdo e procedeu-se com a pré-análise, exploração dos dados e interpretação das falas, buscando analisar as colocações semelhantes e diferenciadas, que representavam significados para as participantes.
As entrevistas foram transcritas na íntegra, lidas repetidas vezes, com a finalidade de proceder com a análise das informações, ordenação das ideias e dos conteúdos capazes de identificar a percepção do celíacos quanto o uso e efeitos do chatbot. Desta forma, procedeu-se com a pré-análise das entrevistas, buscando assinalar as colocações semelhantes e aquelas diferenciadas, mas que representavam significados importantes para os participantes. As falas foram organizados com o sentido de expressar ideias, sentimentos, valores e crenças, dentre outros. Com a exploração do material coletado, buscou-se em leituras minuciosas, encontrar as unidades de significados, tendo em vista o contexto do estudo (Bardin, 2009).
O estudo compreende a um recorte da pesquisa de Iniciação científica intitulada: Desenvolvimento, validação usabilidade de chatbot para cuidados a pacientes com doença celíaca. O projeto foi submetido ao Comitê de Ética em Pesquisa do Centro Universitário Estácio do Ceará e obedeceu a todos os aspectos éticos das pesquisas que envolvem seres humanos, seguindo a Resolução nº 466/2012 do Conselho Nacional de Saúde, a qual aponta as diretrizes e normas regulamentadoras de pesquisa envolvendo seres humanos, sendo aprovado com o parecer de número: 6.171.605.
4 RESULTADOS E DISCUSSÕES
Participaram da pesquisa seis pessoas diagnosticadas com doença celíaca membros da Associação dos Celíacos do Brasil-Seção Ceará (ACELBRA-CE).Todas as participantes se declararam gênero feminino, com idade entre 22 e 51 anos, residentes em Fortaleza-Ceará.A estas pessoas foi solicitado que avaliassem a forma de apresentação do conteúdo, a navegação e a interface, com o estabelecimento dolayout da tela, aspecto visual, imagens, ícones e figuras com que compõem a aparência do chatbot e a sua percepção sobre o uso e impacto do chatbot para o celíaco.
O chatbot foi desenvolvido com as seguintes opções de navegação e geração de conhecimento: login individual por usuário, botão para descrições e explicações sobre a DC, botão com árvore de decisão sobre dietas, botão consulta medicamentos restritos aos pacientes celíacos; botão Tira-dúvidas sobre o tema, Árvore de decisão pré-definidas, fila de respostas para questões não previstas, botão para localização de Postos de Saúde de apoio aos pacientes celíacos e botão de Urgência/Emergência para pacientes celíacos.
Na fase 1 da pesquisa forneceu insights valiosos sobre a DC, destacando a necessidade urgente de ampliar a difusão de informações precisas e confiáveis e subsídios para a construção do chatbot para o celíaco. A construção da tecnologia foi norteada pela literatura com o objetivo de auxiliar pacientes e profissionais de saúde em todas as fases na jornada de diagnóstico, tratamento e controle da doença.
O processo de design e desenvolvimento do chatbot, respeitou aos aspectos conceituais ,isto é, a forma de apresentação do conteúdo ao público-alvo, a navegação e a interface, com o estabelecimento do layout da tela, aspectos visuais, imagens, ícones, figuras, que podem compor a aparência do chatbot.
Na implementação e avaliação que compreendeu o processo de validação por juízes, do conteúdo e da qualidade das informações, composto por profissionais médicos, com expertise e domínio na temática. O conteúdo do Chatbot foi avaliado quanto a questões de clareza, pertinência e aplicabilidade. A clareza avalia se o conteúdo é compreensível. A pertinência avalia se o conteúdo é relevante e se atende à finalidade relativa ao tema e aos objetivos propostos.
A aplicabilidade permitiu que o conteúdo fosse apropriado e útil para os objetivos propostos, pois concentrou-se em dar vida ao chatbot e auxiliar na jornada de pacientes e profissionais de saúde com DC através de um design inovador e amigável, visando facilitar o acesso às informações e o acompanhamento da doença
Na fase da usabilidade, foram convidados pessoas acometidas pela doença para usar o aplicativo. Segundo Rogers, Sharp e Preece (2013), a validação de aplicativos consiste em atender as experiências dos usuários, aos critérios de usabilidade, que ocorrem em diversos ambientes, desde laboratórios controlados a ambientes naturais
Para avaliar o conteúdo, foi utilizado um instrumento adaptado para esta pesquisa, com base nos pressupostos de Doak, Doak e Root (1996), denominado Suitability Assessment of Materials (SAM). O SAM contempla um checklist de seis itens para checar características relacionadas ao conteúdo, linguagem, aparência, ilustração gráfica, motivação e adequação cultural. A validade de aparência é a representação estética constituída por linhas, formas, cores e movimento das imagens que devem se harmonizar ao conteúdo das informações.
A etapa de avaliação da usabilidade permitiu avaliação sob a perspectiva do usuário, o que levou a um melhor esclarecimento das necessidades daqueles que convivem diretamente com a DC.
Ao analisar as falas dos celíacos respondentes, emergiram duas categorias temáticas 1a Orientação e cuidados com os celíacos e a 2.a Confiabilidade e experiência do usuário.
ORIENTAÇÃO E CUIDADOS COM OS CELÍACOS
A partir das falas dos entrevistados identificou-se que a utilização do dispositivo Chatbot é valiosa para o cuidado e promoção da saúde do celíaco por prestar informações que levam a mudança de comportamento e uma segurança
“ O Chatbot me deu muitas informações úteis sobre a dieta sem glúten, sintomas da doença celíaca e estratégias para lidar com situações do dia a dia, o que com certeza poderá me ajudar a manter minha saúde sob controle. Às vezes a gente tem muitas dúvidas e não tem a quem perguntar, né? (Entrevistada 4)
“A ferramenta é muito esclarecedora e traz informações sobre a doença celíaca, assim, vejo como ferramenta de valor para os cuidados com a nossa saúde ”. Vai ajudar muito e muita gente! (Entrevistada 1)
A informação em saúde é considerada de muito valia, pois possibilita o cidadão a compreender sobre os condicionantes e determinantes que influenciam no processo saúde doença, favorecendo a promoção da saúde e a prevenção da doença a partir da adoção de hábitos de vida saudáveis e a melhoria da adesão a tratamento, fortalecendo ao autocuidado e a autonomia dos indivíduos, além de poder contribuir fortemente no controle social.
Aspden e Katz(2001) destacam o valor da informação, considerando como valiosa para a saúde, a partir de um estudo sobre o uso da internet para a busca de informação para a saúde
A DC pode desencadear uma série de comorbidades que acarretam maior acometimento sistêmico, quando o paciente não segue devidamente orientado. Pode apresentar atrofia e inflamação das vilosidades duodenais acarretadas pelo glúten, que podem estar associadas ao desenvolvimento de doenças neoplásicas, dermatológicas, endócrinas, hematológicas, hepáticas, psicológicas, neurológicas, reprodutivas, renais e musculoesqueléticas (Crucinsky; Damião; Castro, 2021).
Assim, a adesão e acesso a uma dieta totalmente isenta de glúten é importante a saúde e tratamento do celíaco, pois a doença está associada ao consumo e uso de produtos que possuam o glúten em sua composição. A dieta isenta de glúten reduz a inflamação intestinal e permite a recuperação das vilosidades, minimizando os riscos de acometimento de complicações decorrentes da doença (Caio et al., 2019; Maglio; Troncone, 2020)
A adesão ao tratamento e o acompanhamento regular do celíaco por uma equipe multiprofissional, proposto por um médico gastroenterologista, um nutricionista, prestadores de cuidados primários, psicólogos, repercutem diretamente no sucesso terapêutico, pois orientam sobre o diagnóstico e a importância de seguir um tratamento adequado, bem como identificar quaisquer complicações que possam existir, adotando a terapia adequada em tempo hábil (Zanchi et al., 2024; Perez-Junkera et al., 2024).
É importante destacar que o atraso no diagnóstico e até mesmo após a identificação da doença, com a adesão da dieta isenta de glúten, podem afetar a saúde mental do paciente celíaco, uma vez que a dificuldade em obter um diagnóstico acarreta um sentimento de frustração, invisibilidade e incompreensão nas pessoas com DC, pois se sentem doentes, mas não identificam uma “solução”, um tratamento adequado (Troncone, 2020; Crucinsky; Damião; Castro, 2021).
Neste cenário, o uso das tecnologias são importantes ferramentas que auxiliam nos nos processos de saúde. Segundo Tittel et al. (2021) vários Chatbots foram desenvolvidos para a área da saúde nos últimos anos, com vistas a diminuir a carga excessiva de trabalho dos profissionais de saúde, especialmente do médico no atendimento primário e no acompanhamento daqueles pacientes que necessitam dessa assistência de forma mais contínua.
Em um cenário onde a tecnologia evolui rapidamente, os chatbots emergem como um recurso essencial para atualizar a comunicação entre pacientes e profissionais da área da saúde. Essas ferramentas inovadoras têm o potencial de reformular a entrega de serviços de saúde, tornando os procedimentos mais ágeis e disponíveis para todos. (Perez-Junkera et al., 2024; Castro, 2021).
Os chatbots utilizados no âmbito da saúde de saúde permitem que as instituições de saúde atendam a essas expectativas, fornecendo suporte contínuo e respostas rápidas sem interferir com o horário normal de trabalho. Essas tecnologia, os chatbots de saúde melhoram a acessibilidade e a eficiência da operação, personalizam o atendimento ao paciente, reduzem os custos e otimizam a gestão do tempo, tornando os pacientes mais satisfeitos ( García-Rudolph et al., 2024; Safi et al.,2020). Essas ferramentas ajudam nos processos de identificação em situações de emergência e direcionam rapidamente os pacientes aos profissionais de saúde.
Assim, respondem às dúvidas dos pacientes instantaneamente, reduzindo assim o tempo de espera por informações e orientações, o que de certo modo facilita nas tomadas de decisão num cenário emergencial colaborando portanto para a saúde dos usuarios (Kim; Choi; Kang, 2024; Weng et al., 2024).
CONFIABILIDADE E EXPERIÊNCIA DO USUÁRIO.
Por meio dos relatos dos participantes, pode-se observar que na percepção do celíaco o uso do dispositivo chatbot presta orientações e informações confiáveis necessitando porém de uma maior experiência no manuseio do dispositivo de forma que possa fazer maior uso e melhor proveito, como se observa na fala das entrevistadas:
“O Chatbot me deu muitas informações úteis sobre a dieta sem glúten, sintomas da doença celíaca e estratégias para lidar com situações do dia a dia, o que com certeza poderá me ajudar a manter minha saúde sob controle. Às vezes a gente tem muitas dúvidas e não tem a quem perguntar, né?” (Entrevistada 4)
“Tem muito potencial quando presta informações seguras. Quando a gente sabe que teve a participação dos médicos como avaliadores..como é mesmo, que diz?..Se passou por eles a informação é mais segura. Não é um doutor google..entende?” Mas, a gente precisa mexer e treinar o uso para achar as respostas que procuramos( Entrevistada 6)
Os participantes do estudo consideram necessária um maior orientação para o uso do dispositivo a implantação de recursos tecnológicos na área. Ressaltando que os profissionais necessitam de treinamento para a utilização desse tipo de tecnologia para a realização dos procedimentos de avaliação.
“Para melhorar o atendimento e inovar na avaliação precisa mesmo de um entendimento como funciona o aplicativo. Se eu fosse desenvolver algo tentaria fazer um tutorial ou manual.kkkk Nem todo mundo sabe mexer no Telegran. Mas teria que ter algo diferente além do arquivo das informações das avaliações que já fazemos. Teria uma aba que o próprio paciente preenchesse também. Assim ele se sentiria mais inserido nesse processo” Entrevistada 5.
Considerando esse enfoque, o uso e aplicabilidade do chatbot abordando a segurança e confiança nas informações prestadas na atenção à saúde esse dispositivo já é disponível em vários acometimentos e agravos e cuidados a saúde. Autores como Kumar e Keerthanas (2017) apontam propostas de agente de saúde, assim como Cameron et al apresentarem a posposta da criação do chatbot no acomselhamento em saúde mental.
Neste contexto, o uso de chatbots permite oferecer cuidados mais personalizados para cada paciente, promovendo a interação com o usuário, a disseminação de informações seguras, orientações precisas e acompanhamento constante, oportunizando uma segurança nas tomadas de decisões frente às incertezas existentes físicas e psicológicas vivenciadas devido aos cuidados que essa enfermidade demanda.
A partir dos dados analisados, também foi possível evidenciar que os a utilização de tecnologias digitais podem ser usadas de diferentes modos e funcionalidades. Desde a colaboração entre profissionais, como ferramenta de compartilhamento de informações ou como forma de armazenamento, como banco de dados. Fato que decorre do crescente desenvolvimento tecnológico e da expansão dos recursos da computação na área da saúde.
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
O estudo evidenciou que os celíacos consideram o chatbot uma ferramenta promissora para o apoio e cuidados da pessoa com a intolerância ao glutén, oferecendo informações confiáveis e favorecendo ao autocuidado. A percepção positiva dos usuários quanto à usabilidade e à confiabilidade do conteúdo reforça a relevância do uso de tecnologias digitais no apoio à educação em saúde e ao manejo de condições crônicas.
Os achados deste estudo devem ser interpretados considerando algumas limitações. O número reduzido de participantes limita a possibilidade de generalização dos resultados. Além disso, o período de utilização da ferramenta foi limitado, o que impossibilitou a análise de seus efeitos a longo prazo e de sua integração contínua ao cuidado em saúde.
Recomenda-se, para estudos futuros, a ampliação da amostra, a inclusão de diferentes perfis de usuários e a utilização de métodos mistos que permitam avaliar de forma mais robusta a percepção dos usuários referente o chatbot. Sugere-se ainda a implementação de programas de capacitação para usuários e profissionais de saúde sobre o uso da ferramenta digital, assim como a ampliação da ferramenta para integrar acompanhamento nutricional e psicológico, promovendo uma abordagem mais completa e contínua no cuidado de pessoas com doença celíaca.
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1Médico. Hospital Geral de Japuiba- Angra dos Reis- RJ. e-mail: pedroliveirapinheiro@gmail.com
2Discente do Curso de Medicina do Centro Universitário Estácio do Ceará/Idomed- Campus Quixadá-CE e-mail: anamariamult@gmail.com
3Docente do Curso de Medicina do Centro Universitário Estácio do Ceará /Estacio/Idomed – Campos Quixadá-CE. Doutora em Saúde Coletiva (AAA Uece-UFC-Unifor). E-mail: cleoneide.oliveira@estacio.br
