REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/pa10202503231741
Gisely da Silva Bulian1
Orientadora: Dra. Diala Alves de Sousa 2
RESUMO
A Parada Cardiorrespiratória (PCR), é caracterizada pela súbita interrupção da atividade cardíaca, que resulta na ausência de circulação e respiração. Representa, assim, um risco iminente de morte, o que evidencia a importância do reconhecimento rápido do evento e do início precoce da reanimação cardiopulmonar (RCP). O estudo tem como objetivo enfatizar a importância do reconhecimento imediato da PCR e a execução de manobras de RCP de forma oportuna e eficaz, além de discutir o papel crucial da equipe de enfermagem no atendimento. A pesquisa foi realizada por meio de uma revisão de literatura que analisou artigos científicos, nas bases de dados Google Acadêmico, SCIELO e LILACS. A revisão identificou que a PCR é uma das principais causas de morte em escala global, com uma incidência significativa tanto em ambientes intra quanto extra-hospitalares. Verificou-se que a eficácia das manobras de RCP, como as compressões torácicas de qualidade e a aplicação rápida do desfibrilador externo automático (DEA), é decisiva para a reversão do evento. Além disso, os dados ressaltam que a intervenção imediata da equipe de enfermagem, responsável pela identificação e pelo acionamento dos protocolos de emergência, está diretamente relacionada à melhora das taxas de sobrevivência. Evidencia os desafios inerentes como a escassez de treinamento específico, a inadequação dos materiais e a falta de comunicação entre os profissionais podem comprometer o sucesso das intervenções. Portanto, a capacitação contínua e a adoção de protocolos assistenciais são essenciais para otimizar a resposta emergencial.
Palavras-chave: Parada Cardiorrespiratória. Reanimação Cardiopulmonar. Enfermagem. Atendimento. Desafios.
ABSTRACT
Cardiopulmonary arrest (CPA) is characterized by the sudden interruption of cardiac activity, resulting in the absence of circulation and breathing. It therefore represents an imminent risk of death, which highlights the importance of rapid recognition of the event and early initiation of cardiopulmonary resuscitation (CPR). The study aims to emphasize the importance of immediate recognition of CPA and the execution of CPR maneuvers in a timely and effective manner, in addition to discussing the crucial role of the nursing team in care. The research was carried out through a literature review that analyzed scientific articles in the Google Scholar, SCIELO and LILACS databases. The review identified that CPA is one of the main causes of death on a global scale, with a significant incidence in both intra- and extra-hospital settings. It was found that the effectiveness of CPR maneuvers, such as quality chest compressions and the rapid application of the automated external defibrillator (AED), is decisive for reversing the event. Furthermore, the data highlight that immediate intervention by the nursing team, responsible for identifying and activating emergency protocols, is directly related to improved survival rates. It highlights inherent challenges such as lack of specific training, inadequate materials and lack of communication among professionals that can compromise the success of interventions. Therefore, ongoing training and the adoption of care protocols are essential to optimize emergency response.
Keywords: Cardiopulmonary Arrest. Cardiopulmonary Resuscitation. Nursing. Care. Challenges.
1 INTRODUÇÃO
A parada cardiorrespiratória (PCR), considerada a complicação mais grave das doenças cardiovasculares (DCV), é caracterizada pela súbita interrupção da atividade cardíaca, resultando na ausência de circulação e/ou respiração. Essa condição leva à irresponsividade da vítima a estímulos externos. A PCR pode causar inconsciência, apneia, ausência de resposta a estímulos táteis, dolorosos e verbais, além da ausência de pulsações palpáveis. Se não for revertida prontamente, pode causar danos irreversíveis aos tecidos e ao cérebro, comprometendo a recuperação do paciente. Diante desse quadro, o risco de morte é iminente, tornando essencial o reconhecimento imediato da PCR e o início precoce e correto da reanimação cardiopulmonar (RCP), (BARROS, et al., 2024 apud RAMOS, et al., 2023).
A reanimação cardiopulmonar (RCP) envolve procedimentos voltados para vítimas que apresentam sinais de PCR, como ausência de resposta verbal, respiração e pulso palpável, caso estejam ausentes por até 10 segundos, juntamente com a inconsciência, deve-se iniciar imediatamente a RCP, (BARROS, et al., 2024).
A parada cardíaca súbita é a principal causa de morte na Europa, nos Estados Unidos e no Canadá. No Brasil, conforme dados da Sociedade Brasileira de Cardiologia, estima-se que ocorram cerca de 200 mil episódios de PCR anualmente, com 50% desses eventos ocorrendo no ambiente intra-hospitalar e os outros 50% no ambiente extra-hospitalar. Sendo uma das complicações mais graves nesse contexto, pois as chances de sobrevivência após o evento variam de 2% a 49%, dependendo do ritmo cardíaco inicial e da rapidez com que a reanimação é iniciada, (BENETTI, et al., 2021 apud ASSIS, 2020).
No ambiente hospitalar, a equipe de enfermagem costuma ser a primeira a identificar a PCR e a iniciar as manobras de ressuscitação. Além disso, é responsável por ativar o chamado de emergência, garantir a disponibilidade dos insumos necessários e coordenar a comunicação entre os demais profissionais da equipe. Dessa forma, sua atuação contribui para um atendimento ágil, sincronizado e eficiente, otimizando a qualidade da assistência prestada ao paciente, (ARAÚJO, et al., 2022).
Dessa forma, é fundamental identificar a causa subjacente da parada e tomar medidas para prevenir o reaparecimento do evento. Além disso, é necessário adotar parâmetros que melhorem o prognóstico do paciente em longo prazo, assegurando a preservação da função neurológica. As chances de sobrevivência do paciente podem aumentar significativamente, chegando a duplicar ou até triplicar, quando as manobras de RCP são realizadas de forma adequada, pois representam a melhor oportunidade para a recuperação das funções cardiopulmonares e cerebrais, (BATISTA; OSSES, 2024 apud PAGANÍNI; SOUSA, 2023).
A PCR constitui a complicação mais grave das doenças, acarretando danos imediatos e potencialmente irreversíveis aos tecidos e ao cérebro, tornando o reconhecimento rápido e a intervenção imediata cruciais para a sobrevivência do paciente. Diante desse cenário, a atuação da equipe de enfermagem se destaca, pois é frequentemente a primeira responsável por identificar a PCR, e garantir a rápida mobilização dos recursos necessários. O objetivo deste estudo é enfatizar a importância do reconhecimento imediato da PCR e da realização de manobras de RCP oportunas e eficazes, além de discutir o papel crucial da equipe de enfermagem nesse processo.
2 METODOLOGIA
Este estudo foi realizado por meio de uma revisão de literatura descritiva e exploratória com o intuito de abordar a importância do enfermeiro na ressuscitação cardiopulmonar. A pesquisa foi realizada entre janeiro e fevereiro de 2025.
A busca de artigos foi efetuada nas principais bases de dados de ciências da saúde, como Google Acadêmico, SCIELO (Scientific Electronic Library Online) e LILACS (Literatura Latino-Americana e do Caribe). Foram utilizadas palavras-chave relacionadas diretamente ao tema, como parada cardiorrespiratória, reanimação cardiopulmonar. enfermagem, atendimento, desafios.
Os critérios de inclusão foram a indexação de artigos nas bases de dados publicadas entre 2020 e 2024, abrangendo artigos originais, estudos de caso, revisões de literatura, relatos de experiência, estudos teóricos e pesquisas. Os critérios de exclusão englobaram artigos sem texto completo disponível, trabalhos duplicados, e aqueles sem relação com o tema ou que não apresentassem relevância para o estudo.
3 REFERENCIAL TEÓRICO
3.1 PARADA CARDIORRESPIRATÓRIA
A PCR é caracterizada pela interrupção dos movimentos de contração e relaxamento do coração, resultando na ausência de circulação, pulsação e respiração, uma condição incompatível com a vida. Esse estado é comprovado pela falta de pressão nos vasos sanguíneos, associada à ausência de movimentos respiratórios. Como consequência, a perfusão e a oxigenação dos órgãos tornam-se insuficientes, levando o indivíduo a um quadro clínico de difícil reversão, (LIMA, et al., 2023).
Essa condição é caracterizada por quatro ritmos cardíacos: assistolia, atividade elétrica sem pulso (AESP), fibrilação ventricular (FV) e taquicardia ventricular (TV) sem pulso. Os sinais clínicos incluem inconsciência, ausência de respiração ou respiração em gasping e ausência de pulso carotídeo. A parada cardiorrespiratória pode ser desencadeada por diversas doenças ou situações clínicas, estando frequentemente associada à obstrução das artérias coronárias, arritmias cardíacas ou como um evento terminal decorrente da evolução de várias enfermidades, (BARROS, et al., 2024 apud FACUNDO, et al., 2022).
A principal causa de PCR em adultos é a doença coronariana. No Brasil, a doença de Chagas também desempenha um papel significativo nos índices de PCR, devido à sua interferência nos ritmos elétricos do coração. Em crianças, diferentemente dos adultos, a PCR ocorre mais frequentemente como consequência de uma parada respiratória e está frequentemente associada a doenças cardíacas congênitas. A taxa de sucesso na reversão da PCR é maior quando sua causa primária ocorre em adultos, (SILVA; SILVA, 2020).
Entretanto, existem algumas doenças pré-existentes que podem levar à PCR, como: doenças coronárias ateroscleróticas, miocardite aguda, espasmo da artéria coronária, infarto agudo do miocárdio, miocardiopatias, estenose aórtica, aneurisma aórtico, entre outras condições. Além disso, causas iatrogênicas, como intoxicação por digitálicos e bloqueio atrioventricular, também podem contribuir, assim como causas não cardíacas, como hipertensão pulmonar, hemorragia cerebral, embolia, asfixia, trauma e Acidente Vascular Encefálico, (OLIVEIRA, et al., 2022 apud BENETTI, et al., 2021).
Ainda, condições pré-existentes, fatores como idade e sexo influenciam a incidência da PCR. A maioria (70% dos casos) ocorre em homens, com uma taxa de 8 vítimas para cada 1.000 habitantes por ano na população masculina entre 60 e 69 anos de idade, sendo que esses indivíduos já apresentam doenças cardíacas diagnosticadas, (BENETTI, et al., 2021).
Estima-se que, no Brasil, ocorram aproximadamente 200.000 casos de PCR por ano, sendo que metade desses episódios acontece em ambiente pré-hospitalar. Apesar dos avanços na assistência à PCR, essa condição ainda representa uma elevada taxa de morbimortalidade, muitas vezes decorrente da falta de atendimento especializado em tempo adequado, o que compromete as chances de sobrevivência dos pacientes, (RAMOS, et al., 2023).
No contexto pré-hospitalar, a fibrilação ventricular e a taquicardia ventricular representam, em média, 80% dos casos de PCR. Quando tratadas precocemente, essas arritmias apresentam um alto índice de reversão. O uso do desfibrilador externo automático (DEA) dentro de até cinco minutos após o início da parada pode elevar a taxa de sobrevivência dos pacientes para até 70%, (LIMA, et al., 2023).
3.2 REANIMAÇÃO CARDIOPULMONAR
A RCP é um conjunto de manobras realizadas com o objetivo de manter o fluxo sanguíneo adequado aos órgãos vitais até que ocorra o retorno da circulação espontânea. O sucesso dessas intervenções depende tanto da qualidade da RCP quanto da assistência prestada pela equipe de saúde, sendo essenciais a avaliação clínica e laboratorial e os cuidados pós-PCR para a recuperação do paciente, (RAMOS, et al., 2023).
O tempo de início da RCP é um fator determinante para o desfecho clínico e a sobrevida da vítima, uma vez que, após cinco minutos de PCR, já podem ocorrer danos celulares e lesões cerebrais graves e irreversíveis. A cada minuto decorrido desde o início do evento arrítmico súbito sem desfibrilação, as chances de sobrevivência diminuem em 10%, (RAMOS, et al., 2023).
As compressões torácicas desempenham um papel essencial nas manobras de RCP, sendo determinantes para que a intervenção seja eficaz. Elas são responsáveis por garantir o fluxo sanguíneo e a oxigenação adequados aos órgãos vitais, como o cérebro e o coração. Por isso, é crucial que as compressões sejam realizadas dentro dos parâmetros de profundidade estabelecidos, entre 5 e 6 centímetros. Nesse sentido, é fundamental avaliar as manobras de compressões torácicas tanto no Suporte Básico de Vida (SBV) quanto no Suporte Avançado de Vida (SAV). Além do mais, a frequência das compressões deve ser mantida entre 100 e 120 por minuto, e é importante evitar interrupções nas compressões que ultrapassem 10 segundos, (ARAÚJO, et al., 2022 apud ASSIS, 2020).
Quanto às compressões torácicas e à administração de ventilação artificial, recomenda a realização de 30 compressões seguidas de 2 ventilações no SBV, e 1 ventilação a cada 6 segundos, de forma assíncrona com as compressões, no SAV, (ASSIS, 2020).
Em algumas situações, a RCP não consegue restabelecer a circulação espontânea do paciente. Nessas circunstâncias, no ambiente de emergência, são aplicados os critérios de término de reanimação (TOR). Esse protocolo é utilizado principalmente em casos de PCR sem ritmo chocável, pacientes com idade superior a 70 anos que não respondem aos estímulos fornecidos e situações em que a PCR não foi testemunhada. A adoção dessa ferramenta contribui para a otimização dos recursos de saúde, reduzindo o uso desnecessário de insumos, diminuindo os danos associados a transportes rápidos de emergência, evitando deslocamentos desnecessários e priorizando a alocação eficiente dos recursos de saúde, (LIMA, et al., 2023).
De acordo com Arantes e Ferreira (2022), a RCP deve ser realizada em um ambiente tranquilo e organizado, permitindo que todos os membros da equipe ouçam e sigam com clareza as orientações do líder. Não há justificativa para um atendimento desorganizado, tumultuado ou com desrespeito entre os profissionais. A conduta ética e moral, aliada ao cumprimento das legislações do exercício profissional, deve guiar todas as ações da equipe de enfermagem durante o atendimento de emergência, garantindo a melhor assistência ao paciente.
3.3 ATENDIMENTO NA PARADA CARDIORRESPIRATÓRIA
O atendimento à PCR é dividido em dois níveis de suporte. O suporte básico de vida consiste em um conjunto de técnicas sequenciais, incluindo compressões torácicas, abertura das vias aéreas, respiração artificial e desfibrilação. Já o suporte avançado de vida mantém as intervenções do SBV, realizando o acesso venoso periférico (AVP), acrescentando a administração de medicamentos e o tratamento das causas subjacentes da PCR, (FACUNDO, et al., 2022).
O suporte básico de vida deve ser iniciado pelo CABD primário, e, se necessário, pode-se avançar para a reanimação avançada com o CABD secundário. O CABD primário segue a seguinte sequência:
- C (Circulação): realização de compressões torácicas externas em caso de ausência de pulso carotídeo, com uma frequência de 100 a 120 compressões por minuto.
- A (Abertura das vias aéreas): desobstrução e manutenção da via aérea aberta.
- B (Respiração/Ventilação): realização de ventilação adequada.
- D (Desfibrilação precoce): utilização de desfibrilador quando indicado (Figura 1), (BATISTA; OSSES, 2024 apud ARANTES; FERREIRA, 2022).
Figura 1 – Atendimento á PCR

FONTE: (ARANTES; FERREIRA, 2022).
A letra C inicia a sequência, indicando a ausência de pulso carotídeo, o que exige o início imediato das compressões torácicas rítmicas sobre o tórax do paciente, com uma frequência de 100 a 120 vezes por minuto. O CABD secundário envolve procedimentos invasivos para suporte ventilatório e circulatório, como intubação endotraqueal, acesso venoso e administração de fármacos, com o objetivo de aperfeiçoar a reanimação e tratar as possíveis causas da PCR, (FACUNDO, et al., 2022).
Portanto, é fundamental posicionar o paciente em decúbito dorsal sobre uma superfície rígida e plana para iniciar as manobras de RCP. Ajoelhe-se ao lado da vítima e, se disponível, utilize uma tesoura para cortar a roupa que cobre o tórax, deixando-o exposto. Coloque os braços totalmente estendidos, formando um ângulo de aproximadamente 90°, com as mãos entrelaçadas. Coloque a região hipotenar da mão dominante sobre o esterno, e a outra mão sobre a primeira, apoiando-se no centro do tórax. Em seguida, comece as compressões torácicas (Figura 2), (REIS; TEIXEIRA, 2020).
Figura 2 – Compressões torácicas

FONTE: (FACUNDO, et al., 2022).
Dessa forma, após a PCR, é essencial priorizar a melhoria da perfusão dos órgãos vitais e a função cardiopulmonar. Deve-se, conforme o caso clínico, providenciar o transporte para um hospital apropriado ou unidade de terapia intensiva (UTI) que disponha de um sistema completo de tratamento pós-PCR. Além disso, é necessário monitorar, tratar e antecipar possíveis disfunções nos órgãos, mantendo o controle contínuo da temperatura corporal para favorecer a recuperação neurológica do paciente. A monitorização neurológica e hemodinâmica deve ser realizada de forma contínua, conforme as indicações específicas para o caso, (PAGANÍNI; SOUSA, 2023).
Também, deve realizar a gasometria com a dosagem de eletrólitos e ácido, além de radiografia de tórax para excluir a possibilidade de pneumotórax e fraturas nas costelas. Também é fundamental realizar um eletrocardiograma para identificar a causa da PCR e possíveis disritmias. Após um episódio a PCR, ocorre um aumento na pressão intracraniana, o que pode agravar a lesão cerebral. Para minimizar esse efeito, a cabeceira da cama deve ser elevada a 30°, favorecendo o alívio da obstrução e a drenagem das veias jugulares. A hiperglicemia tende a piorar nas primeiras horas após a PCR; por isso, o monitoramento da glicemia é essencial, (SILVA; SILVA, 2020).
Além disso, é fundamental avaliar o funcionamento do acesso venoso, bem como realizar a verificação dos sinais vitais por meio de um monitor, incluindo a frequência cardíaca e o ritmo basal, com o objetivo de analisar a condição hemodinâmica do paciente.
Esses cuidados têm como principal função identificar a presença de síndrome coronariana aguda e prevenir a disfunção de órgãos, monitorando possíveis complicações de forma eficaz, (PAGANÍNI; SOUSA, 2023).
3.4 ENFERMEIRO NA PARADA CARDIORRESPIRATÓRIA
O enfermeiro coordena as atividades da equipe de enfermagem, supervisionando e aplicando suas habilidades técnicas na execução dos cuidados. Ele é o profissional responsável pela assistência direta ao paciente, sendo essencial no processo. Seus conhecimentos sobre os parâmetros adequados dos sinais vitais, seja por meio da aferição manual ou monitoramento via equipamentos, tornam sua presença crucial desde o reconhecimento da PCR até a realização das manobras de RCP, (VIANA; LIMA; FERNANDES, 2021).
Portanto, para uma intervenção eficaz do enfermeiro em casos de pacientes com PCR, é fundamental que o atendimento seja realizado de acordo com as diretrizes da American Heart Association (AHA), que define cinco elos na cadeia de sobrevivência (Figura 3), (OLIVEIRA; SILVA; SOUZA, 2022).
Figura 3 – Cadeias de Sobrevivência de PCR

FONTE: (OLIVEIRA; SILVA; SOUZA, 2022).
No primeiro elo, destaca-se o atendimento do Serviço Médico de Emergência, que consiste em acionar as unidades de emergência locais para um atendimento rápido e eficiente. No segundo elo, após a chegada da equipe de emergência, inicia-se o protocolo de reanimação, que envolve a realização de RCP de alta qualidade, com o objetivo de manter a vida. O terceiro elo aborda a necessidade de utilizar o DEA, que aplica um choque no músculo cardíaco, fundamental para a reanimação. No quarto elo, é realizada a ressuscitação avançada, seguida dos cuidados pós-PCR, que buscam estabilizar o paciente e mantê-lo vivo por meio de monitoramento contínuo. Finalmente, o último elo corresponde à etapa de recuperação, na qual o acompanhamento médico deve ser mantido, dado o quadro crítico de PCR enfrentado anteriormente, (BATISTA; OSSES, 2024 apud OLIVEIRA; SILVA; SOUZA, 2022).
Ressalta-se também a importância da conferência do carrinho de urgência pelo enfermeiro, que deve avaliar a funcionalidade do desfibrilador, o lacre das medicações, a integridade da bolsa válvula-máscara e o nível do cilindro de oxigênio. Ao realizar a checagem antecipada desses dispositivos, a equipe estará devidamente preparada para agir de maneira imediata, segura e eficiente em caso de uma PCR, (VIANA; LIMA; FERNANDES, 2021).
Além dessas intervenções, é fundamental que o enfermeiro desempenhe funções essenciais, como a administração de medicamentos, a monitorização dos equipamentos, o suporte aos familiares e a estabilização do paciente. Essas atribuições são de responsabilidade direta dos profissionais de enfermagem. Assim, cabe à equipe de enfermagem reconhecer a importância de seu papel no acompanhamento contínuo do paciente, observando cuidadosamente as alterações em seu quadro clínico. Também, é essencial que a equipe esteja atenta aos sinais e sintomas apresentados pelo paciente, com o objetivo de identificar precocemente qualquer alteração, o que pode contribuir para evitar a ocorrência de uma parada cardiorrespiratória, (BATISTA; OSSES, 2024 apud OLIVEIRA; SILVA; SOUZA, 2022).
O atendimento de enfermagem, assim como qualquer outra atividade profissional, exige formação adequada e cumprimento das normativas legais para o pleno desempenho das funções. No caso da equipe de enfermagem, a eficácia da assistência prestada depende do conhecimento preciso sobre seu papel no atendimento ao paciente, além da capacidade de atuar com rapidez e eficiência. Para isso, é essencial que os profissionais possuam conhecimento científico atualizado, habilidades técnicas aprimoradas e outras competências fundamentais para a atuação na emergência, (ARANTES; FERREIRA, 2022).
Dessa forma, é essencial que o enfermeiro busque continuamente o aperfeiçoamento por meio de cursos e capacitações, que se configuram como ferramentas indispensáveis para o exercício profissional adequado e para a atualização constante do conhecimento. Isso contribui para a oferta de um cuidado seguro e de qualidade em sua rotina de trabalho. A periodização do treinamento é fundamental para aprimorar a qualidade e o desempenho no atendimento à PCR, pois a falta de prática reduz o conhecimento técnico, aumentando o risco de condutas inadequadas e comprometendo a assistência prestada ao paciente, (BARROS et al., 2024 apud SILVA; SILVA, 2020).
Nesse contexto, profissionais capacitados para atender uma PCR são aqueles que participam regularmente de treinamentos em suporte básico e avançado de vida. Uma equipe engajada e bem treinada proporciona uma assistência de maior qualidade, contribuindo para o aumento dos índices de sobrevida dos pacientes, (ARANTES; FERREIRA, 2022).
A elaboração de protocolos assistenciais possibilita a padronização das ações realizadas pela equipe. O enfermeiro, com sua formação técnica e científica, tem a competência necessária para desenvolver esses protocolos. A partir da criação desses direcionamentos, a equipe passa a contar com um guia claro sobre as intervenções a serem realizadas. Além disso, os protocolos contribuem para a melhoria das condições de saúde, uma vez que, ao serem seguidos, otimizam o tempo durante o atendimento e as ações em situações de PCR. Esse fator é crucial, pois o tempo de resposta adequado pode influenciar diretamente o prognóstico do paciente, (VIANA; LIMA; FERNANDES, 2021).
3.5 DIFICULDADES ENFRENTADAS PELOS ENFERMEIROS DURANTE A ASSISTÊNCIA NA PCR
Á assistência à PCR exige expertise nas tomadas de decisão e, por ser um cenário estressante, pode gerar tensão entre os membros da equipe. É comum ocorrerem desentendimentos e discordâncias sobre os procedimentos, o que pode comprometer os desfechos finais. Desse modo, para um atendimento apropriado, é essencial dispor de materiais, insumos e fármacos adequados para essas situações, além de depender de outros fatores, como a infraestrutura local, o sistema de central de regulação dos casos e a capacitação dos recursos humanos, (BENETTI, et al., 2021).
De acordo com Reis e Teixeira (2020) apud Silva e Silva (2020), no que se refere à qualificação profissional do enfermeiro em situações de emergência, a Portaria do Ministério da Saúde nº 2048/2002 enfatiza a necessidade de treinamento especializado para aprimorar a qualidade das informações relacionadas à vigilância epidemiológica de causas externas. Nos cursos de graduação da área da saúde, a formação em emergência é frequentemente insuficiente, sendo necessário complementá-la com cursos de formação, capacitação e educação permanente para os profissionais.
Reis e Teixeira (2020) apontam que, na formação do enfermeiro, os conteúdos teóricos e práticos sobre a PCR e as RCP são frequentemente abordados de maneira superficial e limitados, não atendendo adequadamente às necessidades dos alunos. Como resultado, essas deficiências formativas acabam refletindo nas dificuldades que os profissionais enfrentam na prática futura.
Além disso, a escassez na assistência de emergência está frequentemente relacionada à falta de definição das atribuições entre os membros da equipe de atendimento, à ausência de coordenação nas atividades e à carência de capacitação específica, além de falhas no fornecimento de materiais e equipamentos específicos para os procedimentos de PCR e, principalmente, o uso de materiais inadequados ou com defeitos. Essa situação pode resultar em uma assistência lenta, desalinhada e estressante, comprometendo o sucesso do tratamento, (BENETTI, et al., 2021).
Além disso, o profissional lida de perto com o processo de dor, morte, sofrimento, incompreensão, irritabilidade e outros sentimentos, o que pode, por consequência, levar ao desenvolvimento de problemas de saúde. Assim, é essencial identificar os fatores que dificultam a qualidade no atendimento e buscar alternativas que resolvam essas questões, (REIS; TEIXEIRA, 2020).
4 CONCLUSÃO
A PCR representa uma das complicações mais graves das doenças cardiovasculares, demandando uma resposta imediata e eficaz para evitar danos irreversíveis aos tecidos e ao cérebro. A rápida identificação do evento e o início oportuno das manobras de RCP são determinantes para aumentar as chances de sobrevivência dos pacientes, uma vez que cada minuto de atraso pode reduzir significativamente as probabilidades de recuperação.
Nesse contexto, a atuação da equipe de enfermagem se mostra crucial, pois esses profissionais são frequentemente os primeiros a reconhecer a PCR, iniciar as intervenções emergenciais e coordenar os recursos necessários para o atendimento. Entretanto, desafios como a falta de treinamento especializado, a inadequação dos materiais e a dificuldade na comunicação entre os membros da equipe podem comprometer a eficácia das intervenções, evidenciando a necessidade de investimentos contínuos em capacitação e atualização profissional.
Portanto, o aprimoramento dos protocolos assistenciais, aliado a uma formação sólida e prática regular em suporte básico e avançado de vida, é fundamental para garantir um atendimento coordenado, eficiente e que maximize as chances de sobrevivência dos pacientes. Essa abordagem integrada e multidisciplinar não apenas melhora o prognóstico imediato, mas também contribui para a preservação da função neurológica e a redução das taxas de morbimortalidade associadas à PCR.
5 REFERÊNCIAS
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1 Enfermeira, Especialista em Metodologia e Didática do Ensino Superior, UNEOURO-RO; Ginecologia e Obstetrícia, FACIMED-RO; Educação em Saúde, USP – SP.
2 Enfermeira, Especialista em Terapia Intensiva, UVA-CE; Docência do Ensino Superior, FAK – CE; Saúde da Família, UVA-CE; Qualidade e Segurança no Cuidado ao Paciente, I. Sírio-Libanês-SP; Mestre em Terapia Intensiva-IBRATI-SP; Doutora em Terapia Intensiva – SOBRATI-SP.