OSTEOSSÍNTESE DE FRATURA BILATERAL DE MANDÍBULA: RELATO DE CASO

OSTHEOSYNTESIS OF BILATERAL JAW FRACTURE: A CASE REPORT

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cs10202510142123


Ana Carolina Dalmonech Cordeiro1
Adriele Soares Cardoso2
Bruna Naiely Kloos Oliveira Soares3
Rogério Bonfante Moraes4


Resumo 

A mandíbula é um dos ossos mais importantes da face. É o maior e único osso móvel do viscerocrânio,  tendo seus movimentos possibilitados pela presença da articulação temporomandibular. Devido a sua  posição proeminente, a mandíbula acaba sendo frequentemente atingida pelos traumas faciais,  representando pelo menos metade dos episódios de fraturas da face. Possuem etiologia variada,  podendo ser ocasionadas por acidentes, agressões, quedas ou extrações de terceiros molares. Dentre as  formas de tratamento, destacam-se o método conservador pelo bloqueio maxilomandibular e o método  invasivo pela osteossíntese com redução e fixação interna rígida dos locais fraturados. O objetivo  deste trabalho foi descrever um caso clínico de fratura bilateral de mandíbula tratado por osteossíntese  e bloqueio maxilomandibular, destacando os aspectos cirúrgicos, as condutas clínicas adotadas e a  evolução pós-operatória da paciente. O caso foi atendido nos hospitais Heuro e hospital Regional de  Cacoal, durante o período de março e abril de 2025, e foi selecionada por apresentar uma fratura  bilateral de mandíbula, considerada uma condição de interesse clínico devido à sua complexidade e  relevância para a prática odontológica. O plano de tratamento foi elaborado com base nos achados  clínico-radiográficos, optando-se pela realização do bloqueio maxilomandibular com barra de Erich  associado a posterior osteossíntese com acesso cirúrgico intra-oral e fixação com placas de tiântio e  parafusos. Até o presente momento, o acompanhamento pós-operatório mensal demonstrou bons  resultados, com a paciente apresentando boa cicatrização e placas em posição. Ressalta-se a  necessidade do acompanhamento a longo prazo para afirmar sucesso total do caso. 

Palavras-chave: Mandíbula. Fraturas maxilomandibulares. Técnicas de fixação da arcada osseodentária. 

1. INTRODUÇÃO 

A mandíbula é um dos ossos mais importantes da face do ser humano. É o maior, bem  como também o único osso móvel do viscerocrânio, tendo seus movimentos possibilitados  pela presença da articulação temporomandibular (ATM). Integra o sistema estomatognático  de forma extremamente importante, sendo responsável por funções como fonação, deglutição,  mastigação e manutenção da oclusão dentária (FLANDES; DIAS; JUNIOR, 2019). 

Devido a sua posição proeminente na face, a mandíbula acaba sendo atingida de  maneira bastante frequente pelos traumas faciais. As fraturas de mandíbula representam pelo  menos metade dos episódios de fraturas faciais, sendo juntamente ao osso nasal, os ossos  faciais com maior incidência de trauma (OLIVEIRA et al., 2021). 

As fraturas de mandíbula possuem etiologia variada, podendo ser ocasionadas por  traumatismos de forma direta ou indireta. Os principais fatores etiológicos são acidentes  motociclísticos, ciclísticos e automobilísticos, agressões com armas de fogo, acidentes  desportivos, agressões físicas e quedas (DANTAS et al., 2017). 

Segundo Mendonça et al. (2013) os sinais e sintomas das fraturas mandibulares são  dor, desvio de abertura bucal para o lado fraturado, distopia oclusal, hematoma, edema,  equimose, trismo, degrau e crepitação óssea. 

O diagnóstico das fraturas mandibulares é realizado através da anamnese e do exame  físico do paciente, bem como também com o auxílio dos exames imaginológicos 2D e 3D. A  junção dos dados clínicos e radiográficos permite identificar o mecanismo traumático, os  locais e extensão das fraturas (GAIA et al., 2023; SANTOS et al., 2023). 

A escolha do tratamento das fraturas mandibulares dependerá da análise de alguns  critérios, tais como a idade do paciente, a presença de comprometimento funcional e  anatômico, presença de disfunções na ATM e presença ou não de corpos estranhos  (RAMPASO et al., 2012). 

Os métodos de tratamento podem ser conservados ou cirúrgicos. A osteossíntese é a  abordagem cirúrgica mais comum, e consiste na redução e fixação interna rígida dos locais  fraturados através do auxílio de placas e parafusos. É o tratamento largamente mais indicado,  principalmente em fraturas complexas. Assim, possui boa previsibilidade e altos índices de  sucesso, desde que seja indicado e realizado da forma correta (CUSTÓDIO et al., 2024). 

As fraturas mandibulares interferem diretamente nos tratamentos odontológicos,  devido ao deslocamento ósseo fisiológico e ao desequilíbrio oclusal causado por tal. Logo, suas implicações na oclusão, mastigação, deglutição, além da estética, comprometem a  qualidade de vida (JÚNIOR et al., 2010; FLANDES; DIAS; JUNIOR, 2019). Entendendo que as fraturas mandibulares podem interferir diretamente na qualidade de  vida dos pacientes, a presente pesquisa se justifica pela importância da abordagem terapêutica  dessas fraturas, visto que o tratamento dessas lesões contribui em uma menor morbidade,  reduzem as complicações e favorecem a consolidação óssea. 

Sendo assim, mediante ao pressuposto abordado, o objetivo deste trabalho é descrever  um caso clínico de fratura bilateral de mandíbula tratado por osteossíntese, destacando os  aspectos cirúrgicos, as condutas clínicas adotadas e a evolução pós-operatória da paciente. 

2. RELATO DE CASO 

A história clínica se inicia com a paciente G. K. S. dos S., gênero feminino, 21 anos de  idade, residente do município de Espigão do Oeste, Rondônia, dando entrada ao Hospital  Heuro de Cacoal para receber atendimento. A queixa principal, segundo a paciente, foi a de  ter sofrido um acidente de moto com traumatismo da região facial. Na análise da escala de  Glasgow, paciente apresentava-se em nível máximo (15), orientada, com dicção coerente,  obedecendo a todos os comandos de movimento e com abertura de olhos espontânea. 

Na anamnese, paciente negou quaisquer tipos de alergias ou comorbidades sistêmicas.  Durante o exame físico extra-oral, notou-se a presença de mobilidade mandibular ao  movimento de palpação bimanual, além do deslocamento de fratura. Notou-se também  dificuldade na abertura bucal (trismo), edema no terço inferior facial e ferimento corto  contuso no lábio inferior, porém sem sangramento ativo no momento. A região mentual  encontrava-se suturada, sendo confirmada pela paciente que tal procedimento foi realizado em  seu município de residência (Espigão do Oeste). 

Nos exames complementares imaginológicos, foi possível notar a presença de fratura  bilateral na mandíbula juntamente à fratura do côndilo esquerdo da mandíbula. Após a análise  e junção dos dados coletados, a paciente foi diagnosticada com fratura bilateral de mandíbula  (Figuras 01, 02 e 03). 

Figura 01 – Tomografia computadorizada evidenciando fraturas na mandíbula (vista frontal e  inferior).

Fonte: Cedido pelo professor Rogério Bonfante Moraes (2025).

Figura 02 – Tomografia computadorizada evidenciando fraturas na mandíbula (vistas laterais  esquerda e direita).

Fonte: Cedido pelo professor Rogério Bonfante Moraes (2025).

Figura 03 – Tomografia computadorizada da maxila e mandíbula.

Fonte: Cedido pelo professor Rogério Bonfante Moraes (2025).

O planejamento proposto para a paciente consistiu na estabilização imediata  maxilomandibular com barra de Erich (Figura 04) e posterior osteossíntese da fratura bilateral  associada a um tratamento conservador do côndilo mandibular esquerdo. A paciente foi  encaminhada ao Hospital Regional de Cacoal para realizar o procedimento cirúrgico. Ainda, a mesma autorizou o relato de seu caso através da assinatura do Termo de Consentimento Livre  e Esclarecido (TCLE). 

Figura 04 – Imagem de tomografia computadorizada após instalação da barra de Erich.

Fonte: Cedido pelo professor Rogério Bonfante Moraes (2025).

Após quatro dias de internação, deu-se início ao procedimento cirúrgico planejado. A  paciente foi posicionada em decúbito dorsal, sendo feita a anestesia geral e a intubação  nasotraqueal com auxílio do médico anestesista. A assepsia e antissepsia foram realizadas  com PVPI. Após a paramentação com os campos cirúrgicos e com os materiais devidamente  estéreis, realizou-se a anestesia local com Bupivacaína 0,5% com epinefrina. O acesso  cirúrgico foi realizado de forma intra-oral, tanto do lado esquerdo quanto do lado direito da  mandíbula. 

Após o acesso intra-oral, realizou-se o descolamento de todo o tecido periostal,  identificando-se as fraturas em ambos os lados e curetando todo o tecido de granulação  (Figura 05).  

Figura 05 – Localização das fraturas no lado esquerdo e direito da mandíbula,  respectivamente.

Fonte: Cedido pelo professor Rogério Bonfante Moraes (2025).

Realizou-se o bloqueio maxilo-mandibular seguido da redução da fratura. Do lado  esquerdo, na região de zona de tensão de parassínfise mandibular, a fixação interna rígida foi  realizada com o sistema 2.0mm, sendo 1 (uma) placa reta de 4 (quatro) furos com  intermediário, 1 (um) parafuso de 6mm e 3 (três) parafusos de 8mm. Do mesmo lado, porém  na região de zona de compressão de parassínfise, utilizou-se o sistema 2.4mm, sendo 1 (uma)  placa reta com 5 furos e sem intermediário, associada a 1 (um) parafuso de 12mm e 3 (três)  parafusos de 14mm. 

Do lado direito, na região de ângulo mandibular, procedeu-se a fixação interna rígida  com o mesmo sistema 2.0mm, sendo utilizada 1 (uma) placa reta de 4 furos com intermediário  pelo método de Champy e 4 (quatro) parafusos de 8mm. O bloqueio maxilo-mandibular foi  liberado, sendo realizado uma intensa e abundante irrigação com Soro Fisiológico a 0,9% e  checagem da oclusão. As suturas foram realizadas com fio absorvível composto por  poliglactina Vicryl 4-0 (Figura 06).  

Figura 06 – Osteossíntese (fixação) das fraturas mandibulares com placas de titânio e  parafusos.

Fonte: Cedido pelo professor Rogério Bonfante Moraes (2025).

Além da osteossíntese das fraturas, realizou-se também o debridamento do ferimento  corto contuso na região de lábio inferior, seguido também de sutura com o mesmo tipo de fio  utilizado na região intra-oral. Os curativos faciais foram realizados e a paciente foi extubada,  sendo encaminhada para a sala de recuperação pós-anestésica sem intercorrências.  

Durante sua internação, as medicações utilizadas foram Dipirona e Tramal como  analgésicos, Cefalotina como antibiótico, Dexametasona e Tenoxican como anti inflamatórios, Omeprazol para proteção gástrica, Ondansetrona para prevenção de náuseas e  vômitos, além da Clorexidina 0,12% para bochechos internos como forma de prevenção às infecções locais.

A paciente recebeu alta no dia seguinte após a cirurgia. A região onde fora realizada a  abordagem cirúrgica encontrava-se em bom aspecto de cicatrização, ausência de sinais e  sintomas de infecções, ausência de sangramento, além de suturas devidamente posicionadas.  Em bom estado de saúde geral, corada, hidratada, afebril, acianótico e anictérica, a paciente  foi orientada a retornar 7 (sete) dias depois para acompanhamento. 

Após uma semana, a paciente retornou para acompanhamento. No exame físico,  notou-se deiscência de sutura ao lado direito da mandíbula, além de mobilidade do elemento  34, secreção purulenta e desoclusão dentária. Paciente relatou não estar utilizando os elásticos  guias. No exame panorâmico pós-operatório, os parafusos e placas se encontravam em  posição adequada. A conduta pós-operatória consistiu na irrigação local de forma abundante  com Clorexidina 0,12%, seguido da prescrição de Amoxicilina + Clavulanato de Potássio e  Toragesic, além de realizar irrigações em sua residência e realizar novo retorno com 1 (uma)  semana. 

Em novo retorno com 14 (quatorze) dias, no exame físico notou-se ausência de  secreção purulenta e melhora do aspecto cicatricial. No entanto, ainda persiste a mobilidade  extrema do elemento 34. Paciente foi orientada a realizar exodontia deste elemento. A  Amoxicilina + Clavulanato de Potássio foi mantida por mais uma semana. 

Com 40 (quarenta) dias de pós-operatório, paciente retornou para acompanhamento  (Figura 07). Ainda não havia realizado a exodontia do elemento 34. Os demais achados  clínicos demonstram boa estabilidade oclusal, aspecto cicatricial favorável e ausência de  sinais locais e/ou sistêmicos de infecções. 

Figura 07 – Pós-operatório de 40 dias com cavidade bucal aberta (lado esquerdo) e em  repouso (lado direito). 

Fonte: Cedido pelo professor Rogério Bonfante Moraes (2025).

3. DISCUSSÃO 

De forma geral, as fraturas ósseas ocorrem quando as forças que impactam sobre o  osso são maiores que a força de resistência do osso em si. A gravidade das fraturas depende  de fatores como direção, força e intensidade do impacto gerado (JESUS et al., 2021).  

A mandíbula é um osso facial que possui um elevado índice de fratura. Devido a seus  fatores anatômicos, como localização no terço inferior da face e grande proeminência, a  mandíbula acaba se tornando um osso com bastante exposição, tornando-o mais susceptível às  fraturas (CASTRO et al., 2022). 

O ângulo é a região da mandíbula mais acometida pelas fraturas, pois se localiza entre  o ramo e o corpo mandibular, sendo uma área de osso basal fino e de menor resistência, além  de poder ter um terceiro molar impactado. Ademais, os côndilos, corpo, ramo, regiões  simfisárias, parasimfisárias e processo coronóide também são bastante afetados, podendo  caracterizar fraturas múltiplas ao mesmo tempo (CASTRO et al., 2022; NARCISO et al.,  2024). 

Corroborando aos dados literários supracitados, o presente caso relatado mostrou que a  paciente sofreu fratura de mandíbula na região de ângulo, bem como também da região  condilar, o que demonstra concordância quanto aos locais do osso mandibular que mais  podem ser afetados nesses episódios (CASTRO et al., 2022; NARCISO et al., 2024). 

Em relação à etiologia das fraturas mandibulares, os fatores mais comumente  relacionados são os acidentes de trânsito (automobilísticos e ciclísticos), quedas, agressões  físicas, agressões com armas de fogo, durante a prática de esportes com contato físico, durante  a extração de terceiros molares inferiores e por lesões tumorais ósseas (LEAL, 2019; LIMA;  FABRIS, 2022). 

No presente estudo, a etiologia da fratura foi um acidente automobilístico de  motocicleta. Também corroborando com este caso, Monteiro et al. (2023) relataram uma  pesquisa onde a paciente também sofreu traumatismo mandibular por acidente de motocicleta.  Já no estudo de Antoniette, Junior e Marson (2020) o fator etiológico do traumatismo  mandibular foi um ferimento por projétil de arma de fogo. 

A anamnese, o exame clínico e físico associados aos exames de imagens, é  considerado a melhor forma de realizar o diagnóstico das fraturas mandibulares  (RODRIGUES et al., 2018). Os sinais e sintomas mais comumente presentes são: dor  localizada, faixa de movimentação alterada, equimose, edema, hematoma, desvios de  abertura, alterações oclusais, lacerações, déficit neurossensitivo do nervo alveolar inferior, sangramento na região de meato acústico externo, crepitações, mobilidade óssea e degraus  palpáveis (BOMEISEL et al., 2022). 

Entrando em acordo com a literatura, no presente caso, como sinais clínicos,  observou-se a presença de mobilidade mandibular ao movimento de palpação bimanual, além  do deslocamento de fratura. Notou-se também dificuldade na abertura bucal (trismo), edema  no terço inferior facial e ferimento corto contuso no lábio inferior, porém sem sangramento  ativo no momento. 

Quanto aos exames de imagem para auxílio no diagnóstico das fraturas mandibulares,  podem ser utilizadas as radiografias panorâmicas, radiografias laterais oblíqua de mandíbula  esquerda e direita, radiografia de Towne (postero-anterior de mandíbula), radiografia de  Towne reversa e tomografia computadorizada (LIMA et al., 2022). No presente caso, optou se pela tomografia computadorizada, pois é o único exame de imagem que possibilita uma  visão em 3D da mandíbula, fornecendo uma localização mais precisa e exata da fratura,  deslocamentos e fragmentos, conforme descrevem Lima et al. (2022). 

No tangível a abordagem terapêutica, as fraturas mandibulares podem ser tratadas pelo  método conservador (tratamento fechado) e/ou pelo método cirúrgico (tratamento aberto)  (CASTRO et al., 2022).  

A abordagem conservadora é variável e pode ser realizada com métodos de bloqueio  utilizando barra de Erich, elásticos de tração ou amarria de Ivy. Normalmente esses métodos  são associados à orientação de dieta pastosa e acompanhamento multidisciplinar com  fisioterapia fonoaudióloga (LEAL, 2019). 

Por outro lado, a abordagem invasiva, ou técnica aberta, consiste no tratamento  cirúrgico. Essa abordagem utiliza-se do acesso com incisão (podendo ser intra-orais ou extra orais) para redução e fixação das fraturas mandibulares através da osteossíntese com o uso de  placas e parafusos de titânio (NASCIMENTO, 2020; GAIA et al., 2023).  

Observando-se o presente caso relatado, nota-se que houve uma associação do método  conservador com o método cirúrgico. Em relação ao método conservador, inicialmente  utilizou-se o bloqueio com barra de Erich para estabilização maxilomandibular e do côndilo  mandibular esquerdo, enquanto a paciente aguardava pela cirurgia. 

Corroborando a este caso, o estudo de Belloti, Lopes e Mandarino (2018) demonstrou  o uso da mesma técnica para tratamento de fratura mandibular. Por outro lado, Carvalho et al.  (2022) optaram pelo bloqueio maxilomandibular com amarrias de Ivy, um tipo de  odontossíntese com fios de aço unidos entre si nos pré-molares superiores e inferiores.

Por sua vez, o método cirúrgico foi eleito para abordagem das fraturas nas regiões de  ângulo de mandíbula e parassínfise mandibular, onde foi adotada o uso das incisões intra orais com fixação interna semirrígida das fraturas com placas de titânio e parafusos. 

Analisando-se a literatura, nota-se concordância com o caso relatado por Custódio et  al. (2024), no qual os autores utilizaram da mesma técnica para fixação de ângulo mandibular,  bem como também com o estudo de Shimada et al. (2022), onde utilizaram a osteossíntese  para tratamento da região de parassínfise mandibular direita. 

Em contrapartida, Soares et al. (2019) relataram um caso de fratura mandibular em  região de parassínfise e côndilo bilateral, onde não optaram pelo método cirúrgico e sim pelo  tratamento conservador, onde estabeleceram a consolidação das fraturas com sucesso sem  complicações pós-tratamento. 

A abordagem cirúrgica através da osteossíntese ainda é o método mais utilizado na  abordagem das fraturas mandibulares, pois apresenta vantagens como imobilização total da  mandíbula, manutenção das vias aéreas, melhores condições de higienização e devolução das  posições ósseas de forma anatomicamente correta. No entanto, sua desvantagem está nos  maiores riscos cirúrgicos quando comparado à técnica conservadora (NASCIMENTO, 2020). 

Por outro lado, a abordagem conservadora possui a vantagem de ser um método mais  simples e menos invasivo. No entanto, possui a limitação de ser mais indicado apenas em  situações onde não há desvios de fragmentos ósseos (SOARES et al., 2019). 

A escolha do tratamento das fraturas mandibulares passa por fatores como tipo de  fratura, grau de deslocamento, idade, localização da fratura, presença ou não de dentes e o  tempo decorrido entre o trauma e o tratamento. Assim, tendo em vista as possibilidades  terapêuticas, cabe ao cirurgião-dentista escolher a melhor abordagem para seu caso mediante  a análise individual de cada paciente (RODRIGUES et al., 2019). 

4. CONCLUSÃO 

Mediante ao caso clínico relatado e a discussão de suas peculiaridades, conclui-se que,  até o presente momento da escrita deste trabalho, a abordagem terapêutica da fratura  mandibular com a associação da osteossíntese e bloqueio maxilomandibular demonstrou-se  ser uma técnica eficaz perante as necessidades observadas no caso. 

Conclui-se também que, o relato deste caso foi considerado importante, pois, quando  não tratadas ou tratadas de maneira incorreta, as fraturas mandibulares podem culminar em  consequências graves, como assimetria facial, perda óssea, instabilidade na oclusão e  comprometimento da estética e função, afetando assim a qualidade de vida do paciente.

Apesar dos bons resultados observados no caso relatado, ressalta-se a importância e a  necessidade do acompanhamento a longo prazo da paciente para poder afirmar com absoluta  certeza o sucesso total das terapêuticas adotadas. 

REFERÊNCIAS 

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1Discente do Curso Superior de Odontologia da Faculdade Uninassau Campus de Cacoal. e-mail:  anadalmonech@icloud.com
2Discente do Curso Superior de Odontologia da Faculdade Uninassau Campus de Cacoal. e-mail:  adrielecardoso67@outlook.com.br
3Discente do Curso Superior de Odontologia da Faculdade Uninassau Campus de Cacoal. e-mail:  bruna.kloos.oliveira@outlook.com
4Docente do Curso Superior de Odontologia da Faculdade Uninassau Campus de Cacoal. Mestre em Ciências  Odontológicas (USP). e-mail: rbmoraesoo@gmail.com