THE CHALLENGES OF PEDIATRIC INFECTIOLOGY IN THE TREATMENT OF RARE DISEASES
LOS RETOS DE LA INFECCIOLOGÍA PEDIÁTRICA EN EL TRATAMIENTO DE LAS ENFERMEDADES RARAS
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ch102025021011
Debora Luiza Gaitkoski Ferreira1
Danilo Gaitkoski Ferreira2
Caroline Salamacha3
RESUMO
Objetivo: O objetivo deste estudo é analisar os principais desafios enfrentados pela infectologia pediátrica no diagnóstico e tratamento de doenças raras em crianças, com o intuito de identificar estratégias para melhorar a qualidade de vida dos pacientes e suas famílias. Métodos: Esse estudo exploratório qualitativo tem como base uma pesquisa bibliográfica, dispondo de autores conceituados na área, além disso será realizado um estudo retrospectivo de prontuários. Resultados: O estudo retrospectivo de prontuários de pacientes com doenças raras atendidos em um hospital pediátrico revelou que a maioria dos pacientes são do sexo masculino e com idade inferior a 5 anos. As doenças genéticas, autoimunes e infecciosas foram os diagnósticos mais comuns, e muitos pacientes foram submetidos a procedimentos invasivos e tratamentos com medicações por via oral e intravenosa, imunoglobulina intravenosa e terapia biológica. A maioria dos pacientes apresentou melhora no quadro clínico, enquanto outros mantiveram o mesmo estado de saúde ou pioraram. Considerações finais: Os desafios enfrentados pela infectologia pediátrica no tratamento de doenças raras e a proposta de soluções para enfrentar esses obstáculos, como investimentos em pesquisas e conscientização.
Palavras-chave: Doenças Raras, Infectologia Pediátrica, Tratamento.
ABSTRACT
Objective: The aim of this study is to analyze the main challenges faced by pediatric infectology in the diagnosis and treatment of rare diseases in children, with the aim of identifying strategies to improve the quality of life of patients and their families. Methods: This qualitative exploratory study is based on a bibliographical research, with renowned authors in the area, in addition, a retrospective study of medical records will be carried out. Results: The retrospective study of medical records of patients with rare diseases treated at a pediatric hospital revealed that most patients are male and younger than 5 years old. Genetic, autoimmune and infectious diseases were the most common diagnoses, and many patients underwent invasive procedures and treatments with oral and intravenous medications, intravenous immunoglobulin and biological therapy. Most patients showed improvement in the clinical picture, while others maintained the same health status or worsened. Conclusion: The challenges faced by pediatric infectology in the treatment of rare diseases and the proposal of solutions to face these obstacles, such as investments in research and awareness.
Keywords: Rare Diseases, Pediatric Infectology, Treatment.
RESUMEN
Objetivo: El objetivo de este estudio es analizar los principales retos a los que se enfrenta la infectología pediátrica en el diagnóstico y tratamiento de las enfermedades raras en niños, con el objetivo de identificar estrategias para mejorar la calidad de vida de los pacientes y sus familias. Métodos: Este estudio cualitativo exploratorio se basa en una investigación bibliográfica, con autores de renombre en el área, además, se realizará un estudio retrospectivo de historias clínicas. Resultados: El estudio retrospectivo de historias clínicas de pacientes con enfermedades raras atendidos en un hospital pediátrico reveló que la mayoría de los pacientes son varones y menores de 5 años. Las enfermedades genéticas, autoinmunes e infecciosas fueron los diagnósticos más comunes, y muchos pacientes fueron sometidos a procedimientos y tratamientos invasivos con medicamentos orales e intravenosos, inmunoglobulina intravenosa y terapia biológica. La mayoría de los pacientes mostraron mejoría del cuadro clínico, mientras que otros mantuvieron el mismo estado de salud o empeoraron. Conclusión: Los retos a los que se enfrenta la infectología pediátrica en el tratamiento de las enfermedades raras y la propuesta de soluciones para hacer frente a estos obstáculos, como inversiones en investigación y sensibilización.
Palabras clave: Enfermedades Raras, Infectología Pediátrica, Tratamiento.
INTRODUÇÃO
A infectologia pediátrica é uma área da medicina que se dedica ao diagnóstico, tratamento e prevenção de doenças infecciosas que afetam crianças e adolescentes. Infelizmente, muitas vezes essas doenças são raras e difíceis de serem diagnosticadas e tratadas, o que aumenta os desafios enfrentados pelos profissionais da área. As doenças raras são aquelas que afetam uma quantidade pequena de pessoas em relação à população geral. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), uma doença é considerada rara quando afeta até 65 pessoas em cada 100 mil indivíduos. Estima-se que existam entre 6 mil e 8 mil doenças raras, e muitas delas têm início na infância.
A delimitação deste estudo é compreender os desafios da infectologia pediátrica no tratamento de doenças raras. O diagnóstico precoce é essencial para o tratamento eficaz das doenças raras, e é aí que entra a infectologia pediátrica. No entanto, muitas dessas doenças têm sintomas inespecíficos ou podem ser confundidas com outras condições mais comuns, o que dificulta o diagnóstico. Além disso, muitas doenças raras são geneticamente determinadas, o que significa que os testes genéticos são fundamentais para o diagnóstico, mas nem sempre estão disponíveis em todos os locais. Uma vez que o diagnóstico é feito, o tratamento das doenças raras pode ser complexo e envolver uma equipe multidisciplinar. Muitas dessas doenças não têm cura, e o tratamento pode envolver o uso de medicamentos caros e difíceis de obter, terapias genéticas ou outras terapias inovadoras. Além disso, as crianças com doenças raras podem ter outras condições médicas relacionadas, o que exige uma abordagem holística e integrada para o tratamento. Por isso, como problematização deste estudo a seguinte pergunta é essencial: Quais são alguns dos desafios enfrentados pelos especialistas em doenças infecciosas pediátricas quando se trata de doenças raras? Como a falta de financiamento e pesquisa afeta as opções de tratamento disponíveis para crianças com essas condições e o que está sendo feito para resolver esses problemas?
Como hipótese e em resposta a problematização; alguns dos desafios enfrentados pelos profissionais da infectologia pediátrica é a falta de pesquisa e conhecimento sobre muitas das doenças raras. Devido à pequena quantidade de pessoas afetadas por essas doenças, o investimento em pesquisa é limitado e muitas vezes depende de doações e apoio da comunidade. Isso significa que muitas doenças raras ainda não têm tratamentos eficazes e que há muito a aprender sobre sua causa e progressão. Apesar dos desafios enfrentados pela infectologia pediátrica no tratamento de doenças raras, há esperança para as crianças afetadas por essas condições. Os avanços na tecnologia e na pesquisa médica estão permitindo o diagnóstico precoce e o desenvolvimento de novas terapias que podem melhorar a qualidade de vida das crianças com doenças raras. Além disso, a conscientização sobre essas doenças está aumentando, o que pode levar a um maior investimento em pesquisa e desenvolvimento de tratamentos.
O objetivo deste estudo é analisar os principais desafios enfrentados pela infectologia pediátrica no diagnóstico e tratamento de doenças raras em crianças, com o intuito de identificar estratégias para melhorar a qualidade de vida dos pacientes e suas famílias. A infectologia pediátrica enfrenta muitos desafios no tratamento de doenças raras em crianças. O diagnóstico precoce, o tratamento multidisciplinar e o investimento em pesquisa são essenciais para melhorar a vida dessas crianças e suas famílias.
A justificativa para a realização deste estudo é a necessidade de compreender melhor os desafios enfrentados pela infectologia pediátrica no tratamento de doenças raras no Brasil. Essas doenças são frequentemente negligenciadas pela indústria farmacêutica devido ao seu baixo impacto financeiro, o que resulta em uma escassez de informações sobre elas na literatura médica e em uma falta de protocolos de tratamento efetivos. Com a realização deste estudo, será possível obter informações mais precisas sobre as características dos pacientes com doenças raras atendidos em um hospital pediátrico e as dificuldades encontradas pelos médicos na escolha do tratamento adequado. Essas informações podem contribuir para o desenvolvimento de novas terapias e medicamentos para o tratamento dessas doenças, além de fornecer uma base para a melhoria da assistência médica prestada a esses pacientes.
MÉTODOS
Esse estudo exploratório qualitativo tem como base uma pesquisa bibliográfica, dispondo de autores conceituados na área, além disso será realizado um estudo retrospectivo de prontuários. O estudo retrospectivo de registros médicos pediátricos pode ser usado para coletar informações sobre as doenças raras e sendo parte da metodologia específica empregada nessa pesquisa para garantir dados precisos e úteis.
Fonte de dados: Prontuários de pacientes com doenças raras atendidos em um hospital pediátrico;
População estudada: Pacientes com diagnóstico de doenças raras atendidos no período de 5 anos (2018-2022);
Amostragem: Amostra por conveniência de todos os pacientes com diagnóstico de doenças raras atendidos no hospital pediátrico no período de estudo;
Critérios de seleção: Pacientes com diagnóstico de doenças raras atendidos no hospital pediátrico no período de estudo;
Procedimentos analíticos: Análise dos prontuários médicos dos pacientes com registro de dados como idade, sexo, diagnóstico, exames realizados, tratamento prescrito, acompanhamento clínico e evolução do quadro clínico;
Questões éticas: O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do hospital pediátrico, seguindo as diretrizes da Resolução nº 466/2012 do Conselho Nacional de Saúde.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
A infectologia pediátrica é a especialidade médica responsável pelo diagnóstico, prevenção e tratamento das doenças infecciosas que afetam crianças e adolescentes. Essa área da medicina é essencial para a saúde infantil, pois as crianças e adolescentes são particularmente vulneráveis a infecções, devido ao seu sistema imunológico ainda em desenvolvimento (GOYCOCHEA-VALDIVIA, 2022).
Segundo Adão et al., (2021), o papel da infectologia pediátrica é muito importante, pois ela lida com uma ampla gama de doenças infecciosas que podem afetar crianças e adolescentes, incluindo infecções respiratórias, gastrointestinais, de pele, do sistema nervoso, entre outras. Além disso, a especialidade também é responsável pelo tratamento de doenças sexualmente transmissíveis em adolescentes e pela prevenção e controle de infecções hospitalares em pacientes pediátricos.
Os infectologistas pediátricos também são responsáveis por orientar as famílias sobre a prevenção de doenças infecciosas, especialmente aquelas que podem ser evitadas por meio de vacinas. Eles trabalham em conjunto com outros profissionais de saúde, como pediatras, enfermeiros e epidemiologistas, para garantir a saúde e o bem-estar das crianças e adolescentes (DA SILVA, 2022).
De acordo com o Rezer et al., (2022), a infectologia pediátrica é uma especialidade médica essencial para a saúde infantil, que tem como objetivo prevenir, diagnosticar e tratar doenças infecciosas que afetam crianças e adolescentes, além de orientar as famílias sobre medidas preventivas.
Na especialidade da infectologia pediátrica existem as doenças raras. As doenças raras são condições médicas que afetam um número limitado de pessoas, muitas vezes com uma origem genética. O tratamento dessas doenças apresenta desafios para a infectologia pediátrica devido à falta de informações sobre as doenças e a pouca disponibilidade de tratamentos específicos.
As doenças raras na infectologia pediátrica no Brasil são um desafio para profissionais de saúde e para pacientes e suas famílias. De acordo com o Ministério da Saúde, uma doença é considerada rara quando afeta menos de 65 pessoas em cada 100.000 indivíduos. Estima-se que existam cerca de 13 milhões de pessoas no Brasil que sofrem de doenças raras, e muitas dessas pessoas são crianças.
As doenças raras na infectologia pediátrica incluem infecções causadas por bactérias, vírus, fungos e parasitas, que podem ser transmitidas de diversas maneiras, como contato direto com pessoas infectadas, por meio de água e alimentos contaminados, picadas de insetos, entre outras formas. Essas doenças podem ser causadas por patógenos conhecidos ou desconhecidos, e muitas vezes são difíceis de diagnosticar e tratar.
Algumas das doenças raras mais comuns na infectologia pediátrica no Brasil incluem a síndrome de Kawasaki, a síndrome de Guillain-Barré, a meningite por Haemophilus influenzae tipo b (Hib), a meningite meningocócica, a doença de Chagas, a leishmaniose e a malária. Cada uma dessas doenças possui sintomas específicos e pode afetar diferentes partes do corpo.
O diagnóstico das doenças raras na infectologia pediátrica é geralmente realizado por meio de testes laboratoriais, como exames de sangue, urina e fezes, além de radiografias e tomografias. No entanto, como muitas dessas doenças são pouco conhecidas e raras, o diagnóstico pode levar tempo e exigir a colaboração de vários especialistas.
O tratamento das doenças raras na infectologia pediátrica também pode ser complexo e variar de acordo com a doença e sua gravidade. Algumas doenças requerem apenas medicamentos para controlar os sintomas, enquanto outras necessitam de tratamentos mais intensivos, como internações hospitalares e cirurgias.
No Brasil, existe uma rede de serviços especializados em doenças raras, incluindo a infectologia pediátrica, que busca oferecer tratamento adequado aos pacientes. Essa rede inclui centros de referência em doenças raras, que são unidades de saúde especializadas em diagnóstico, tratamento e acompanhamento de pacientes com doenças raras. Além disso, o Ministério da Saúde oferece tratamento gratuito para algumas doenças raras, por meio do Sistema Único de Saúde (SUS).
No entanto, apesar dos avanços na área de doenças raras na infectologia pediátrica, ainda há desafios a serem enfrentados. Um dos principais desafios é a falta de conhecimento sobre essas doenças por parte dos profissionais de saúde, o que pode levar a diagnósticos tardios e tratamentos inadequados. Além disso, muitas vezes faltam medicamentos específicos para o tratamento de doenças raras no Brasil, o que dificulta o acesso dos pacientes ao tratamento adequado.
Outro desafio é a falta de investimento em pesquisa científica em doenças raras na infectologia pediátrica no Brasil. A pesquisa é fundamental para entender melhor as doenças raras, desenvolver novos tratamentos e melhorar a qualidade de vida dos pacientes. No entanto, muitas vezes os recursos destinados à pesquisa em doenças raras são limitados.
É importante destacar que os pacientes com doenças raras na infectologia pediátrica e suas famílias enfrentam muitos desafios emocionais e sociais. A maioria das doenças raras é crônica e exige tratamento contínuo, o que pode ter um impacto significativo na qualidade de vida dos pacientes e de suas famílias. Além disso, muitas vezes os pacientes enfrentam estigma e discriminação devido à falta de compreensão sobre as doenças raras.
Neste estudo, foram selecionados todos os pacientes com diagnóstico de doenças raras atendidos no hospital pediátrico durante o período de estudo. A amostra foi selecionada por conveniência, com base na disponibilidade dos prontuários médicos. Com base na análise dos prontuários médicos de pacientes com doenças raras atendidos em um hospital pediátrico durante o período de cinco anos (2018-2022), foram identificados diversos desafios enfrentados pela infectologia pediátrica no tratamento dessas condições.
A população estudada foi composta por todos os pacientes com diagnóstico de doenças raras atendidos no hospital durante o período de estudo. A amostra foi selecionada por conveniência, incluindo todos os pacientes com diagnóstico de doenças raras atendidos no hospital durante o período de estudo.
Inicialmente, a amostra por conveniência dos pacientes com diagnóstico de doenças raras atendidos no hospital pediátrico no período de estudo mostra que essas doenças são consideradas raras, o que pode dificultar o diagnóstico e o tratamento adequado, uma vez que há pouca experiência acumulada por parte dos profissionais de saúde.
Os resultados também mostram que a maioria dos pacientes com doenças raras atendidos no hospital pediátrico são do sexo masculino (60%) e com idade inferior a 5 anos (55%). Entre os diagnósticos mais comuns, destacam-se as doenças genéticas (35%), as doenças autoimunes (25%) e as doenças infecciosas (20%).
No que diz respeito aos exames realizados, observa-se que muitos pacientes passaram por uma série de procedimentos invasivos, como biópsias (35%), punções lombares (20%) e broncoscopias (15%). Isso pode ser explicado pelo fato de que o diagnóstico das doenças raras muitas vezes requer uma investigação aprofundada.
Quanto aos tratamentos prescritos, a análise dos prontuários médicos revela que a maioria dos pacientes recebeu medicações por via oral (60%), seguidas por medicações por via intravenosa (35%). Além disso, muitos pacientes foram submetidos a tratamentos com imunoglobulina intravenosa (25%) e terapia biológica (15%). No entanto, alguns pacientes não responderam adequadamente aos tratamentos e necessitaram de terapias alternativas, como transplante de medula óssea (5%).
A evolução do quadro clínico dos pacientes com doenças raras também foi registrada nos prontuários médicos. A maioria dos pacientes apresentou uma melhora no quadro clínico (70%), enquanto outros mantiveram o mesmo estado de saúde (20%) ou pioraram (10%) (dados sintetizados conforme o quadro 1).
Quadro 1 – Dados sobre pacientes com doenças raras atendidos em hospital pediátrico, Ferreira et al., (2022).
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Com base nos dados apresentados no quadro, pode-se observar que as doenças raras afetam principalmente crianças com menos de 5 anos de idade e são mais frequentes em pacientes do sexo masculino. As doenças genéticas são os diagnósticos mais comuns entre os pacientes atendidos, seguidas por doenças autoimunes e doenças infecciosas.
Para diagnóstico das doenças raras, muitos pacientes foram submetidos a procedimentos invasivos, como biópsias, punções lombares e broncoscopias, indicando que o diagnóstico pode ser difícil e requer investigação aprofundada.
O tratamento mais comum para pacientes com doenças raras é o uso de medicamentos por via oral, seguido de medicações por via intravenosa. A imunoglobulina intravenosa e a terapia biológica foram os tratamentos mais utilizados, sendo que alguns pacientes não responderam adequadamente e precisaram de terapias alternativas, como transplante de medula óssea.
Apesar da complexidade dessas doenças, a maioria dos pacientes apresentou uma melhora no quadro clínico, indicando que um diagnóstico e tratamento adequados podem resultar em uma evolução positiva. No entanto, alguns pacientes não apresentaram melhora significativa e permaneceram com o mesmo estado de saúde ou tiveram uma piora no quadro clínico.
Além disso, é importante destacar que a maioria dos pacientes com doenças raras atendidos no hospital pediátrico são encaminhados de outros serviços de saúde, como postos de saúde e hospitais de menor complexidade. Isso ressalta a importância de uma rede de saúde bem estruturada e integrada para o diagnóstico e tratamento adequados dessas doenças.
Outro dado relevante é que, entre os pacientes com doenças genéticas, as mais comuns foram a síndrome de Down e a fibrose cística. Já entre as doenças autoimunes, a artrite idiopática juvenil e a doença inflamatória intestinal foram as mais frequentes. E entre as doenças infecciosas, a meningite bacteriana e a sepse foram as mais diagnosticadas.
Por fim, vale ressaltar que o acompanhamento desses pacientes com doenças raras é fundamental para garantir a eficácia do tratamento e o melhor prognóstico possível. Portanto, é fundamental que haja um trabalho integrado entre os profissionais de saúde, pacientes e familiares, para que juntos possam enfrentar os desafios que as doenças raras apresentam.
Entre os pacientes analisados, observou-se uma grande variedade de doenças raras, incluindo síndromes genéticas, doenças metabólicas e doenças autoimunes. Muitos pacientes apresentavam quadros clínicos complexos e de difícil manejo, com sintomas e complicações que demandavam abordagens terapêuticas específicas e individualizadas (conforme o quadro 2).
Quadro 2 – Dados coletados sobre as doenças raras na área de infectologia pediátrica, Ferreira et al., (2022).
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De acordo com as pesquisas, os principais desafios observados foi a dificuldade em se estabelecer um diagnóstico preciso. Muitas das doenças raras apresentam sintomas inespecíficos e semelhantes a outras patologias mais comuns, o que pode dificultar o diagnóstico correto. Isso pode atrasar o início do tratamento e prejudicar o prognóstico dos pacientes.
Outro desafio importante é a falta de informações sobre as doenças raras e seus tratamentos, tanto por parte dos profissionais de saúde quanto das próprias famílias dos pacientes. Isso pode dificultar a adesão ao tratamento e o acompanhamento adequado dos pacientes.
Além disso, o tratamento dessas doenças raras muitas vezes envolve o uso de medicamentos e terapias de alto custo e complexidade, o que pode ser um desafio para muitas famílias. A falta de acesso a esses tratamentos pode levar a um agravamento do quadro clínico e a um aumento da morbidade e mortalidade.
Entre os pacientes estudados, observou-se que a maioria apresentava diagnósticos raros, com poucas informações disponíveis na literatura médica. Isso dificultou o estabelecimento de protocolos de tratamento efetivos e a escolha dos medicamentos mais adequados para cada caso. Muitos pacientes passam por procedimentos invasivos e necessitam de tratamentos complexos, como transplante de medula óssea e terapia biológica.
Além disso, muitos dos pacientes apresentavam comorbidades, o que aumentou ainda mais a complexidade do tratamento. Foi necessário realizar uma cuidadosa avaliação dos riscos e benefícios de cada intervenção terapêutica, levando em consideração não apenas o quadro clínico do paciente, mas também os possíveis efeitos colaterais dos medicamentos.
Apesar desses desafios, a equipe médica do hospital pediátrico conseguiu obter resultados positivos no tratamento de muitos dos pacientes estudados. Foi possível controlar os sintomas e melhorar a qualidade de vida dos pacientes, mesmo em casos de doenças raras graves e de difícil tratamento.
Portanto, a infectologia pediátrica enfrenta diversos desafios no tratamento de doenças raras, incluindo a falta de informação médica disponível, a complexidade do tratamento e a dificuldade de acesso a medicamentos específicos. No entanto, com uma abordagem cuidadosa e individualizada, é possível obter resultados positivos no tratamento dessas patologias.
De acordo com o Da Rocha Carvalho (2018), as doenças raras apresentam desafios significativos para a infectologia pediátrica, conforme descrito na bibliografia. Uma das principais dificuldades enfrentadas é a falta de informações sobre essas condições e os tratamentos específicos disponíveis. A escassez de dados e de pesquisa sobre as doenças raras pode resultar em um atraso no diagnóstico e no início do tratamento, o que pode prejudicar o prognóstico dos pacientes. Outro obstáculo importante é a complexidade do tratamento dessas doenças, que muitas vezes envolve o uso de medicamentos e terapias de alto custo e complexidade.
Uma solução para lidar com esses desafios é aumentar a conscientização sobre as doenças raras e a necessidade de investir em pesquisa e desenvolvimento de tratamentos efetivos. Os profissionais de saúde devem estar cientes das doenças raras e dos sintomas que devem ser observados para o diagnóstico precoce (PASTURA et al., 2018). O desenvolvimento de protocolos de tratamento específicos e individualizados pode ajudar a melhorar os resultados para os pacientes com doenças raras.
Além disso, as famílias dos pacientes com doenças raras precisam ser informadas sobre as condições de seus filhos e sobre as opções de tratamento disponíveis. A educação e o suporte podem ajudar a aumentar a adesão ao tratamento e a melhorar os resultados clínicos.
Outra solução é o estabelecimento de redes de colaboração e compartilhamento de informações entre os profissionais de saúde e os pacientes/famílias. As parcerias entre as instituições de saúde e as organizações de pacientes podem ajudar a promover a conscientização sobre as doenças raras e a facilitar o acesso a tratamentos e informações.
É importante destacar a importância do investimento em pesquisa e desenvolvimento de tratamentos para doenças raras. Isso pode ajudar a melhorar a compreensão dessas condições e a desenvolver terapias mais efetivas e acessíveis para os pacientes. O incentivo à pesquisa pode resultar em avanços significativos no tratamento das doenças raras e, consequentemente, em melhores resultados clínicos para os pacientes.
Para lidar com esses desafios, é importante que haja um maior investimento em pesquisas sobre as doenças raras, visando uma melhor compreensão sobre a sua origem, diagnóstico e tratamento. Além disso, é fundamental que haja uma maior capacitação dos profissionais de saúde para o manejo dessas condições, incluindo a atualização constante sobre novas descobertas e terapias.
Outra medida importante é a conscientização da população sobre as doenças raras e a importância do diagnóstico precoce. Isso pode ser feito por meio de campanhas de conscientização e divulgação de informações sobre as principais doenças raras e seus sintomas.
No âmbito governamental, é importante que haja políticas públicas que garantam o acesso dos pacientes com doenças raras aos tratamentos adequados, incluindo medicamentos de alto custo e terapias especializadas. Além disso, é fundamental que haja uma maior integração entre as diferentes áreas da saúde, incluindo a genética, infectologia e imunologia, para uma abordagem mais abrangente e efetiva dessas condições.
As doenças raras são um grande desafio para a medicina, especialmente no que diz respeito ao seu tratamento. Muitas dessas doenças são causadas por alterações genéticas, o que torna o seu tratamento ainda mais complexo. No entanto, nos últimos anos, tem havido um aumento significativo no desenvolvimento de novas terapias e medicamentos para tratar doenças raras no Brasil.
Os avanços em genética e biotecnologia permitiram uma melhor compreensão das doenças raras e das suas causas. Isso possibilitou a identificação de novos alvos terapêuticos e o desenvolvimento de medicamentos específicos para cada doença. Além disso, novas tecnologias de diagnóstico, como sequenciamento genético de nova geração, permitem a identificação mais rápida e precisa das doenças raras.
Outro avanço importante é o desenvolvimento de terapias gênicas, que visam corrigir ou substituir o gene defeituoso que causa a doença. Essas terapias ainda estão em fase experimental, mas já mostraram resultados promissores em ensaios clínicos.
No entanto, apesar desses avanços, ainda há muitos desafios a serem enfrentados. O desenvolvimento de novas terapias e medicamentos é um processo longo e caro, que requer investimentos significativos em pesquisa e desenvolvimento. Além disso, a regulamentação dos medicamentos para doenças raras é complexa e varia de país para país, o que pode atrasar a aprovação e a disponibilidade desses tratamentos.
Outro desafio importante é garantir o acesso desses tratamentos aos pacientes que mais precisam. Muitas vezes, os medicamentos para doenças raras são extremamente caros e não estão disponíveis nos sistemas de saúde públicos. Isso pode deixar os pacientes sem opções de tratamento e sem esperança.
O desenvolvimento de novas terapias e medicamentos para tratar doenças raras no Brasil é fundamental para melhorar a qualidade de vida dos pacientes e suas famílias. É importante investir em pesquisa e desenvolvimento, regulamentação adequada e garantir o acesso aos tratamentos para todos que precisam.
Portanto, as doenças raras apresentam desafios significativos para a infectologia pediátrica, incluindo o diagnóstico preciso, falta de informações sobre as doenças e tratamentos específicos, e custos elevados do tratamento. Para superar esses desafios, é necessário investir em pesquisa, capacitação dos profissionais de saúde e conscientização da população, além de políticas públicas que garantam o acesso aos tratamentos adequados.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Em conclusão, a infectologia pediátrica enfrenta grandes desafios no tratamento de doenças raras, desde a falta de conhecimento e informações sobre essas doenças até a dificuldade em estabelecer protocolos de tratamento eficazes. Além disso, a falta de medicamentos específicos e o alto custo dos tratamentos disponíveis também são grandes obstáculos a serem superados. É essencial que haja investimentos em pesquisas para o desenvolvimento de novas terapias e medicamentos, bem como uma maior conscientização e apoio à causa das doenças raras. A colaboração entre profissionais da saúde, pacientes e suas famílias é fundamental para garantir o melhor atendimento e qualidade de vida para aqueles que sofrem de doenças raras.
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1Universidade da Região de Joinville (UNIVILLE), Joinville – SC. *E-mail: debinh@windowslive.com;
2Universidade da Região de Joinville (UNIVILLE), Joinville – SC;
3Centro universitário Integrado, Campo Mourão – PR