THE BENEFITS OF CYNOTHERAPY IN PEDIATRIC ONCOLOGY IN HOSPITALIZED PATIENTS: A NARRATIVE LITERATURE REVIEW
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ar10202507280926
Francine de Lima1
Alessandra Cristina de Paula Faria Zampier2
Tatiana da Silva Melo Malaquias³
Resumo
Diante do diagnóstico de câncer infantil e início do tratamento, podem ocorrer efeitos psicológicos negativos no paciente e familiares. O objetivo principal deste estudo é analisar a produção científica a respeito dos fatores positivos sobre o quadro clínico da criança diante da prática da cinoterapia, técnica que consiste na implementação do cão em ambiente hospitalar, apresentando benefícios durante o processo de tratamento, que pode ser exaustivo, afetando corpo e mente. Tendo em vista que a implementação de animais em hospitais vem ocorrendo há mais de sessenta anos, iniciada em hospitais psiquiátricos utilizando o animal como coterapeuta. Esse estudo trata-se de uma revisão narrativa de literatura, apresentando resultados positivos em relação ao contato entre o animal, em especial o cão, e paciente. A presença do cão dentro do setor onco-pediátrico, proporciona a melhora na saúde física e mental da criança em cuidados oncológicos, sendo estabelecido o cuidado humanizado e lúdico, capaz de confortar os pequenos pacientes e seus familiares, minimizando sintomas negativos provocados pelas intervenções hospitalares, além da melhor aceitação do tratamento pelo paciente, tornando momentos delicados em algo alegre e divertido.
Palavras-chave: Terapia assistida por animais, mascote-terapia, cães de terapia, animais de conforto.
Abstract
The diagnosis of childhood cancer and the initiation of treatment can have negative psychological effects on patients and their families. The main objective of this study is to analyze the scientific literature regarding the positive effects on children’s clinical condition resulting from canine therapy, a technique that involves introducing dogs into hospital settings. This technique offers benefits during the treatment process, which can be exhausting and impacts both body and mind. The introduction of animals into hospitals has been occurring for over sixty years, beginning in psychiatric hospitals using the animal as a cotherapist. This study is a narrative literature review, presenting positive results regarding the contact between animals, especially dogs, and patients. The presence of dogs in pediatric oncology units improves the physical and mental health of children undergoing cancer care, establishing humanized and playful care that comforts young patients and their families, minimizing negative symptoms caused by hospital interventions, and improving patient acceptance of treatment, transforming difficult moments into joyful and enjoyable experiences.
Keiwords: Animal-assisted therapy, mascot-therapy, therapy dogs, emotional comfort.
1 INTRODUÇÃO
O diagnóstico de câncer infantil e o subsequente início do tratamento representam um desafio imenso, não apenas físico, mas também psicológico, para a criança e toda a sua família. Lidar com essa realidade pode desencadear uma série de efeitos negativos que precisam ser compreendidos e abordados. Dessa forma, é de extrema importância pensar em práticas que possam ajudar a processar emoções, desenvolver mecanismos de enfrentamento e fortalecer a comunicação familiar, bem como preservar a saúde mental de todos os envolvidos nesse difícil percurso.
Partindo desse pressuposto, o presente trabalho de conclusão de curso tem como tema “Os benefícios da cinoterapia na oncopediatria em pacientes hospitalizados: uma revisão narrativa de literatura”, tendo como objetivo principal analisar estudos sobre a prática de cinoterapia para melhora do quadro de pacientes pediátricos com diagnóstico de câncer. A partir dessa temática, tem-se como objetivos específicos identificar na literatura mecanismos de ações positivas diante do tratamento da criança oncológica e verificar o trabalho essencial do animal como cão-terapeuta, abordando as regras necessárias para introduzir o animal dentro de setores de saúde.
Diante desse cenário, a pergunta norteadora é: Quais os benefícios que a cinoterapia traz para a criança oncológica hospitalizada? E apoiando-se nessa problemática, considera-se as hipóteses:
1° Melhora da saúde física e mental da criança.
2° Benefícios da prática cinoterápica diante do tratamento oncológico.
3° Introdução do animal em hospitais e clínicas de saúde.
Diante do apresentado, a relevância desse estudo é identificar os benefícios que o cão terapeuta pode trazer para crianças e jovens em tratamento oncológico, sendo introduzido dentro do setor hospitalar, seguindo todos os protocolos de segurança e evitando riscos para o animal e para o paciente. O cão terapeuta tem o papel fundamental em amenizar o sofrimento da criança durante o tratamento contra o câncer, diminuindo ansiedade, medo, dor, assim promovendo bem-estar e relaxamento para o paciente e familiares.
2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
O câncer é composto por mais 100 tipos de patologias, caracterizado pelo desenvolvimento de células irregulares no organismo, afetando órgãos e tecidos. Durante o ciclo celular considerado normal, ocorre o processo de desenvolvimento, multiplicação e apoptose, sendo a morte dessas partículas, o que não ocorre nas células cancerígenas, que não realizam esse processo de morte, ocorrendo a multiplicação e desenvolvimento desordenado, em consequência o aumento de anomalias celulares (Brasil, 2019).
O desenvolvimento do câncer, conhecido como oncogenes pode se manifestar de forma lenta, podendo levar anos para que ocorra o desenvolvimento da célula cancerosa. São definidos três estágios do surgimento dessas anomalias, sendo o primeiro estágio, a ação das células cancerosas nos genes, segundo estágio, agentes cancerígenos agem na célula acometida e terceiro estágio, multiplicação da célula afetada (Brasil, 2019).
Os tipos de câncer podem variar pelo tipo de célula que deu início ao tumor, podendo ser agressivo ou não. Ocorrem diferentes fatores para o surgimento dessa anomalia, podendo variar entre suas condições de vida, que envolvem desde fatores externos, relacionados a processos ambientais como uso de tabaco, alcoolismo, exposição solar, micro-organismos entre outros processos, sendo a causa interna, podem ter relação hormonal, imunológica ou mutações gênicas (Brasil, 2019).
O câncer infanto-juvenil, apesar de ser uma anomalia que também afeta as células do corpo com crescimento desordenado, possui diferenças em relação ao câncer que acomete o adulto. Na fase adulta, o câncer pode desenvolver de forma lenta, já na infância costuma progredir de maneira rápida, podendo ser invasivo (Brasil,2008).
Os sinais e sintomas iniciais do câncer infanto-juvenil podem ser confundidos com doenças comuns, isso pode levar os pacientes a procurarem atendimento médico com as mesmas queixas várias vezes por um período curto de tempo, podendo ser facilmente diagnosticadas de forma imprecisa, dificultando o tratamento correto (Brasil, 2008).
Os profissionais de saúde devem ficar atentos às queixas não só do paciente, mas também ao relato dos pais, também é de grande importância a capacitação dessa equipe para um diagnóstico preciso e início do tratamento. Alguns sinais devem ser observados como perda de peso, febre por mais de sete dias com causa não identificada, palidez sem motivo aparente, vômitos associados com perda da visão e cefaleia, dores musculares e nas articulações, perda de equilíbrio, hematomas sem explicação aparente, sangramento nasal (Brasil, 2008).
A Unidade Básica de Saúde tem um papel importante no diagnóstico precoce da doença, com a realização do planejamento familiar pode ser identificado o problema antes mesmo do agravo, além de ações para promoção de saúde, com atendimento humanizado entre as famílias, classificações de risco e territorialização (Brasil, 2008).
Com a suspeita do câncer começa o processo de diagnóstico da doença a partir de uma sequência de exames, importante levar em consideração os sintomas que a criança apresenta, podem ser realizados exames laboratoriais como hemograma, exames de imagem ou biópsia (Brasil, 2008).
Após a investigação e confirmação do diagnóstico correto, o tratamento deve ser iniciado em centros especializados com três principais modalidades de tratamento, como quimioterapia, cirurgias e radioterapia, dependendo da necessidade do paciente (Brasil,2008).
A quimioterapia baseia-se na administração de medicamentos para eliminar a célula afetada, sua finalidade dependerá do estágio da doença, onde cada fase terá ações diferentes no corpo. A quimioterapia prévia ocorre a diminuição da célula cancerígena para o ressecamento do tumor, quimioterapia profilática realizada como forma de tratamento curativo, pós-cirúrgico, quimioterapia curativa sendo utilizada como forma de tratamento de tumores malignos em estágio avançado (Brasil, 2019).
Métodos utilizados a radiação para destruição do tumor, apesar de ser um método bastante utilizado em adultos, em crianças dificilmente será realizado pois pode causar complicações conhecidas por efeitos tardios, podendo prejudicar o desenvolvimento da criança, prejudicando a fase adulta (Brasil,2019).
Devido ao tratamento ser considerado algo que pode afetar a saúde física e mental da criança e de seus familiares, ocorre uma série de direitos sociais para manter tratamento adequado e humanizado. A lei N° 14,238 de 19 de novembro de 2021, institui o Estatuto da pessoa com Câncer e assegura outras providências (Brasil, 2022).
Dentre os princípios básicos do estatuto destaca-se o acesso universal, medidas de profiláticas, informações claras e confiáveis sobre todo processo de tratamento e diagnóstico, conscientização e apoio familiar, prestar assistência, auxiliando e evitando a falta de informação, diminuir a dificuldade que o paciente enfrenta para receber os devidos cuidados (Brasil, 2022).
Os direitos da criança e do adolescente são considerados direitos especiais, durante todo processo, do momento da suspeita até o diagnóstico e tratamento, garantindo universalidade e integralidade (Brasil, 2022).
Para minimizar o sofrimento do paciente em tratamento oncológico e de seus familiares, o projeto de lei N° 682-A, de 2021 dispõe a prática de cinoterapia, que consiste na introdução de cães no ambiente hospitalar (Brasil, 2021).
Em justificativa a cinoterapia ou terapia assistida por cães (TAC), demonstra que a participação de cães no ambiente hospitalar traz grandes benefícios para a saúde física e mental do paciente (Brasil,2021).
No Brasil, essa prática foi introduzida pela psiquiatra Dra. Nise da Silveira, sendo utilizada há mais de 60 anos. A prática de animais como co-terapuetas já vem sendo utilizada por muitos anos, porém sem parâmetros seguros, que por meio do Projeto de Lei N° 682-A, tem por finalidade estabelecer regras para segurança do animal e do paciente (Brasil, 2021).
Para a implementação do cão dentro do setor hospitalar, o animal deve passar por avaliação do médico veterinário, comprovando as condições de saúde do animal, além do treinamento adequado realizado pelo cinotécnico com formação adequada. Os animais utilizados devem viver em condições adequadas, sem maus tratos e devem ser examinados frequentemente por um médico veterinário registrado em conselho de classe (Brasil, 2021).
Além da avaliação do médico veterinário, existe um método sendo utilizado em alguns países, incluindo no Brasil, chamado de C-BARQ, esse método consiste em um questionário envolvendo 101 perguntas, dividas em 13 categorias, com perguntas relacionadas ao cão e seus tutores, incluindo a personalidade, idade, agressividade, comportamento e a raça do animal (Cavalli, et al, 2023).
Durante esse processo de perguntas, sendo utilizado o método C-BARQ, os resultados mostram que não existe um perfil específico para o animal, porém as raças mais comuns, são o Golden Retriever, Labrador e Toy Poodle, devido a aceitação de comandos, obediência e baixos níveis de agressividade, esse questionário proporciona a formação de novos cães de terapia, destacando que o animal não pode demonstrar ansiedade, medo, ou agressividade por quaisquer cães que estejam juntos ao ambiente e nem por pessoas desconhecidas (Duffy, et all, 2023)
Assegurando a implementação do cão como forma de tratamento cinoterápico, deve ser seguido alguns requisitos, como estar apto às suas funções como forma terapêutica, estar devidamente identificado como cão terapêutico, estar junto a um terapeuta ou auxiliar com cópia do documento de recomendação do animal (Brasil, 2021). Destaca-se nesse processo, a necessidade de renovação do certificado do cão de terapia a cada dois anos para cães ativos ou para futuros cães terapeutas (Mongillo, et all, 2023).
Diante disso, o Sistema Único de Saúde (SUS) pode oferecer o tratamento de cinoterapia desde que tenha prescrição médica, sendo seguido protocolos clínicos e diretrizes terapêuticas de acordo com o Ministério da Saúde (Brasil, 2021).
Através das redes sociais, como instagram com método de pesquisa cão terapeuta, é possível encontrar diversas postagens, reels, declarações de pessoas sobre a sensação de bem estar que o animal pode trazer por meio da sua interação (Instagram, 2024).
Durante a apresentação dos jogos olímpicos em Paris 2024, Bacon, o cão terapeuta da seleção dos EUA, era responsável por reduzir a ansiedade das atletas, pois a presença do animal pode liberar endorfina e dopamina, promovendo sensação de bem-estar, diminuindo níveis de cortisol (Instagram, 2024).
Casos que emocionam a internet, devido ao reencontro de pacientes hospitalizados com seus cães de estimação, demonstrando a importância do afeto entre ambos, e o impacto positivo para recuperação do paciente (Instagram, 2024).
Em São Paulo, o primeiro cãozinho vira-lata é adotado como cão-terapeuta em um hospital da rede de saúde, o Dia Cidade. Segundo a Secretária Municipal de Saúde, o animal, com o nome de Ademar, que já era parte da equipe a mais de um ano, recebendo os cuidados informais, passou 8 meses em adestramento para se tornar apto ao trabalho de cinoterapia (Instagram, 2023).
Este estudo permitiu destacar os benefícios do cão terapeuta para crianças e jovens em tratamento oncológico no ambiente hospitalar, destacando que é de fundamental importância que a introdução desses animais siga rigorosos protocolos de segurança, garantindo o bemestar tanto do paciente quanto do cão. A partir da revisão da literatura foi possível verificar que o objetivo principal do cão terapeuta é amenizar o sofrimento da criança durante o árduo tratamento contra o câncer, reduzindo a ansiedade, o medo e a dor. A partir da prática da cinoterapia promove-se um maior bem-estar e relaxamento não só para o paciente, mas também para seus familiares.
3 METODOLOGIA
O seguinte estudo trata-se de uma revisão narrativa de literatura, de acordo com as autoras Polit e Beck (2019), é um método que proporciona um resumo das evidências coletadas através de fontes secundárias. Em destaque, esse método de revisão aborda busca por fontes através de livros, artigos, jornais, dissertações, entre diversas outras fontes, concentrando informações com o objetivo de facilitar a compreensão do leitor sobre o tema abordado.
Já a revisão narrativa aborda a história e a forma que o autor interpreta as informações através de suas experiências vividas. A análise das narrativas permite o desenvolvimento e conhecimento sobre determinado assunto de forma ágil, podendo fornecer dados científicos para novos estudos, processo para aprofundar seus conhecimentos, induzindo autores a realizarem novas versões sobre determinado tema, atualizando suas versões (Fucamp, 2021).
Na construção desta revisão foram seguidas as seguintes etapas metodológicas: elaboração da questão norteadora, busca na literatura, coleta de dados, análise crítica dos estudos incluídos, discussão dos resultados e apresentação do estudo.
Para responder a seguinte pergunta norteadora: “Quais os benefícios que a cinoterapia traz para a criança oncológica hospitalizada?” foi realizada a busca de artigos científicos nas bases de dados Scientific Eletronic Library Online (SciELO), PubMed, e BVS, utilizando as terminologias cadastradas nos Descritores em Ciências da Saúde (DeCS) criados pela Biblioteca Virtual em Saúde desenvolvido a partir do Medical Subject Headings da U.S. National Library of Medicine, que permite o uso da terminologia comum em língua nacional (Português) e estrangeira (inglês e espanhol). Os descritores utilizados para encontrar a produção científica correspondente foram: Intervenções assistidas por animais, mascote terapia, animais, cães de terapia realizando a pesquisa por meio do operador boleano AND.
Para elaboração da pergunta norteadora foi utilizado o método de estratégia PICO, com o objetivo de facilitar a busca por evidências científicas, obtendo informações válidas e relevantes, sendo a sigla PICO focada na população ou paciente, estudos e pesquisa e as evidências relatadas na literatura (Polit e Beck, 2019).
Estratégia PICO:
P: Crianças e adolescentes diagnosticados com câncer.
I: Tratamento cinoterápico e seus benefícios durante o processo de hospitalização
CO: Estudos evidenciam a melhora da saúde física e mental da criança em tratamento oncológico.
Como critério de inclusão foi selecionado: publicado nos últimos 5 anos (2019 a 2024), em idiomas de linguagem nacional, artigos realizados no Brasil e internacionais, que abordasse os benefícios que o cão-terapeuta pode trazer para crianças e jovens em tratamento oncológico. Dessa forma, foram excluídos os artigos que não atenderam aos critérios de inclusão e artigos que não apresentaram os descritores propostos.
Para seleção das fontes, inicialmente foi feita a leitura dos títulos e resumos dos artigos encontrados, avaliando-os segundo o critério de inclusão onde os artigos selecionados foram lidos na íntegra para que se cumprisse com o objetivo proposto em seguida foi realizada a leitura do material para formação do trabalho em questão.
Para separar os dados, foi utilizado o método de tabela EXCEL, facilitando a organização e editando com dados principais, identificando os autores, ano da publicação, palavras chave utilizadas na literatura, títulos e fontes.
4 RESULTADOS E DISCUSSÕES OU ANÁLISE DOS DADOS
Foram encontrados um total 128 artigos. Após a leitura minuciosa foram selecionados 11 artigos que atenderam aos critérios de inclusão e exclusão, que foram considerados para este estudo, conforme Quadro e Figura 1, seguindo os seguintes critérios, após a seleção dos artigos foram classificados em ordem alfabética os seguintes aspectos: A) Benefícios da TAA na saúde física da criança, B) Benefícios da TAA na saúde mental da criança, C) Melhora da qualidade de vida durante a hospitalização, D) Benefícios da TAA para familiares e equipe atuantes durante o tratamento oncológico. O quadro abrange informações importantes, como o título do artigo, autores, ano de publicação, tipo de pesquisa, resultados encontrados. Essa base de dados permite que haja informações com base em evidências, evitando informações incorretas, promovendo visão clara e crítica sobre o assunto abordado.
Quadro 1 – Características dos artigos selecionados



Figura 1- Categorização dos artigos selecionados

A) Benefícios da TAA na saúde física da criança oncológica:
De acordo com Nilson, Funkquist e Engval, (2021), o diagnóstico do câncer infantil, acompanha-se o tratamento e a internação dessas crianças, afetando sua rotina e desencadeando inúmeros sentimentos, como tristeza, ansiedade, medo e dor, relacionada aos procedimentos ou pela doença.
Segundo Erdmann, et al, (2024), apesar do diagnóstico e tratamento a longo prazo ser algo desgastante, grande parte dessas crianças podem ser curadas da doença, Ernst, et al, e Luthi, et al, (2024), reforçam os cuidados importantes que devem ser seguidos fora do ambiente hospitalar, principalmente no cuidado psicossocial dessa criança.
Um estudo realizado por Nilsson, Funkquist e Engval, (2021), confirma que após a sessão de TAA com o cão sendo implementado dentro do setor oncológico pediátrico, houve diminuição da dor dessas crianças enquanto o animal permanecia por perto, devido a distração do momento que lhe ocasionava esses incômodos álgicos, podendo trazer memórias positivas do tratamento contra a doença.
Conforme Blalock e Smith, (2021) e Livinat, et al, (2021), a diminuição da dor nos pacientes oncológicos pediátricos ocorre devido a relação entre o sistema psiconeuroimunoendócrino, fazendo com que ocorra estimulação cortical, desencadeado reações positivas tanto no sistema imunológico e endócrino, quanto no sistema límbico. Braun. C, et al, (2021), enfatiza que a interação do cão com a criança, ocorre a liberação de endorfina, resultado na melhora da dor e sensações de bem-estar, além do aumento de linfócitos, agindo em defesa do organismo contra possíveis infecções.
Diante disso, Golfeto, et al, e Hicks CL, et al, (2021), reforçam os estímulos liberados por meio do sistema psiconeuroimunoendócrino, com o convívio entre pessoas e o animal. A atividade simples de conversar e fazer carinho no animal, reduz significativamente a dor, liberando ocitocina e serotonina, reduzindo inúmeros sintomas, sob o mesmo ponto de vista, Spikeistein A, et al, (2025), enfatiza que a TAA é capaz de proporcionar a diminuição da dor durante a picada da agulha, para coleta de exames laboratoriais.
B) Benefícios da TAA na saúde mental da criança oncológica:
Apesar da terapia assistida por animais ser algo antigo, sendo utilizada desde o século IX, com pássaros, pouco reconhece do efeito benéfico para saúde. Na metade do século XX, o psicólogo infantil Boris Levinson, de Nova York, introduziu cães como forma de tratamento terapêutico, sendo considerado uns dos maiores estudiosos sobre o tema.
Conforme da Silva, et al, (2021), revelam que o cão é o animal com maior adestramento, além do afeto e amorosidade por pessoas, criando memorias positivas por um simples toque ou por abanar o rabo, com uma forma de carinho.
De acordo com Moreira, et al, (2021), realizaram pesquisas em crianças e adolescentes em tratamento oncológico, mostram que durante procedimentos quimioterápico, método utilizado para destruir células proliferativas do câncer, a presença do cão durante as sessões, as crianças apresentavam sentimento de alegria, melhor aceitação do tratamento, além de melhorar a comunicação entre paciente e equipe médica e de enfermagem.
Da mesma maneira, Weaver MS, et al, (2023), apresenta variáveis sinais na interação psicológica e social da criança em tratamento, vindo a sofrer com sintomas complexos, como depressão, tristeza, isolamento e medo, devido a limitação de contato entre seus familiares e amigos.
Diante dessas informações Silveira, et al, (2021), afirma que o fato de o cão estar presente durante esse processo, ocorre liberação de endorfina e adrenalina, hormônios responsáveis por sensações de bem-estar, e ajudar o organismo a se preparar diante de uma situação de estresse, fazendo com que ocorra a diminuição de sintomas depressivos, além da diminuição da dor, acarretando em reações alegres dos pequenos pacientes.
C) Melhora da experiência de hospitalização da criança oncológica
O Instituto Nacional do Câncer destaca que a terapia assistida por animais, mais conhecida como TAA, é um tipo de tratamento um animal instalado dentro de um setor, para melhorar diversos sintomas negativos da hospitalização, ainda mais se tratando de crianças (Brasil,2025)
De acordo com Feng Y, et al, (2025), a presença do animal pode auxiliar de forma terapêutica, sendo o cão os animais com maiores chances de escolha para esse tratamento, desde que sejam devidamente treinados, capazes de amenizar o processo frustrante e ameaçador, se tratando de uma internação para tratamento de câncer infantil.
Lindstrom, et al, (2025) relata que o tempo de hospitalização pode ser algo desafiador, podendo levar dias, meses ou anos dependendo do caso clínico a ser tratado, tornando a hospitalização em dias exaustivos e entediantes. Com a introdução da TAA crianças relatam que o cão proporciona maior distrações, onde há sensações que o tempo passou rapidamente, e ainda ser capaz de produzir memórias positivas, agradáveis e sensações de conforto.
Burr e Wittman, (2021), realçam que apesar dos benefícios da TAA no tratamento de câncer pediátrico, para introduzir o cão dentro de um setor responsável pelo cuidado oncológico, devem ser levados algumas considerações importantes, como o porte e fenótipo do animal. Haubrey HF, (2023), afirma que o método C-BARQ, pode ajudar a identificar os níveis de agressão, medo e ansiedade diante de situações vivenciadas no hospital, relacionado a demanda de pacientes e profissionais em um único setor.
Burr e Wittman, (2021), ainda destaca que algumas crianças ao se depararem com um animal de grande porte sentem medo, deixando o contato de lado, mas ao verem o cão, considerado amigável e brincalhão, motiva o contato, melhorando na qualidade de interação entre a criança e o animal, promovendo o cuidado lúdico.
Santaniello, et al, (2022), destaca regras importantes que devem ser seguidas, por se tratar de pacientes com o sistema imunológico fraco, a higiene é considerado uma das regras mais importantes para administração do cão de terapia no setor, as Diretrizes da Associação Americana de Hospitais Veterinários junto a Associação Médica Veterinária Americana, ressaltam a importância de uma avaliação da saúde do cão conforme sua idade, como verificação de riscos zoónoticos, nutrição, vacinação, saúde bucal, controle de parasitas, além do comportamento e até mesmo reprodução e personalidade.
Cavalli CM, et al, e McCullough, et al, (2023), afirmam o método C-BARQ, para avaliação do comportamento do cão, onde os próprios tutores podem realizar o teste, verificando a personalidade do cão. Aubrey HF, (2023), refere que o cão deve ser gentil, amigável, calmo, além de ser capaz de se adaptar aos novos cheiros, pessoas e espaço físico, e assim realizar seu trabalho como um cão de terapia, amenizando o sofrimento desses pacientes.
D) Benefícios da TAA para familiares e equipe atuantes durante o tratamento oncológico.
De acordo com INCA, (2022), o diagnóstico de câncer infantil, o processo de internação e tratamento, pode causar uma série de sintomas físicos e emocionais, não apenas na criança, mas em seus cuidadores e familiares.
Cotoc C, et al, (2022), relata que o estresse, ansiedade, medo e a dor são sentimentos comuns quando se trata de tratamento oncológico infantojuvenil, esses sintomas podem afetar de forma indireta a condição clínica do paciente.
A Associação Médica Veterinária Americana, conscientiza sobre novas abordagens holísticas em setores pediátricos, em geral na oncologia introduzindo métodos como a Terapia Assistida por Animais (TAA), o contato lúdico entre o paciente e o animal.
Cowfer, et al,Moreira RL, et al, (2023), revelam que a presença do cão no ambiente de tratamento oncológico impacta a saúde emocional de familiares de forma positiva, os pais notam que o cão ameniza sintomas de estresse e ansiedade em seus filhos, o que, por sua vez, acarreta no alívio do estresse dos próprios pais e cuidadores.
Conforme Caprilli e Messeri, (2022), o contato com o animal ajuda a criança a se adaptarem ao ambiente de tratamento, proporcionando melhora do bem-estar emocional do paciente e dos familiares, McCullough, et al, reforça as melhorias dos sintomas ainda no início do tratamento da criança, já para os pais ocorre amenização do estresse, aumento do sentimento de alivio ao ver o filho reagindo de forma positiva e motivada, podendo tornar a estadia no hospital uma brincadeira divertida, terapêutica, leve, humana e aceitável.
Segundo All Sabei, et al, Ortega – Campos, et al, Spruin, et al, (2021), o cão, apesar de prestar assistência ao paciente, pais e cuidadores, pode auxiliar no cuidado mental da equipe de enfermagem em geral, dependendo do local que o cão irá atuar, o animal é capaz de aprender habilidades simples, mas que facilitam a rotina, desde como apoiar a cabeça no colo do profissional ou pessoas do ambiente para alívio do estresse, movimentar em meio a equipamentos médicos, suavemente sem atrapalhar a rotina do trabalho.
Lee, et al, (2021), afirma que o esgotamento profissional, cansaço e as rotinas de trabalho é comum diante de profissionais da saúde, podendo causar consequências graves em sua conduta. Buckley, et al, (2021), alega que profissionais de saúde em cuidados oncológicos passam por momento extremamente estressantes, a presença do cão pode diminuir as chances de burnout, além do apoio social, Beetz e Wells, (2021), desvendam que os cães auxiliam na comunicação, além de estabelecer novas conexões interpessoais, podendo diminuir os sinais de solidão e depressão.
5 CONCLUSÃO/CONSIDERAÇÕES FINAIS
A presença do cão no setor oncológico pediátrico proporciona o cuidado humanizado e lúdico, confortando e minimizando os sintomas negativos provocados pelo diagnóstico e tratamento, como estresse, depressão, medo, dor e ansiedade, além da interação cão e paciente ser capaz de tornar o momento algo divertido e alegre, minimizando o sofrimento e melhor aceitação ao tratamento.
Diante deste trabalho, conclui-se que a terapia assistida por animais (TAA), em especial com a presença do cão, traz benefícios importantes, estudos considerados evidenciam que a cinoterapia promove efeitos positivos tanto na parte física, quanto a emocional da criança em tratamento, além de auxiliar do suporte emocional de pais e cuidadores.
Apesar dos resultados favoráveis que a cinoterapia apresenta, são necessários mais estudos sobre o tema, podendo aprofundar e fortalecer esse tipo de tratamento em cuidado oncológico, além de adquirir maior segurança durante a prática em ambiente hospitalar.
REFERÊNCIAS
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¹Discente do Curso Superior de Enfermagem do Centro Universitário Campo Real.
²Enfermeira, Especialista, Docente do Curso de Enfermagem do Centro Universitário Campo Real.
³Enfermeira, Doutora, Docente do Curso de Enfermagem da Universidade Estadual do Centro Oeste.
