ÓBITOS POR INSUFICIÊNCIA RENAL NOS ÚLTIMOS DEZ ANOS NO ESTADO DO CEARÁ: ANÁLISE TEMPORAL

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ch10202503251515


Isadora Wanderley Araújo; Nicoli Ferri Revoredo Coutinho; Lucas Felipe de Oliveira; Murilo Rodrigues da Silva; Higor Fernandes Pereira; Maria Clara Machado Borges; Ingrid Matos Bezerra; Nadine de Morais Bezerra; Carolina Anunciação Patricio dos Santos; Arthur Milfont Quental; Luana Lócio Nunes; Daniel de Assis da Silva; Larissa Moreira Torres


RESUMO

A insuficiência renal, condição caracterizada pela falência dos rins em desempenhar funções essenciais, é um problema de saúde pública de crescente impacto. Este estudo analisou os óbitos por insuficiência renal no Ceará entre 2014 e 2023, investigando sua distribuição sociodemográfica, geográfica e temporal, bem como os tipos de insuficiência renal (aguda, crônica e não especificada). Os dados obtidos do DATASUS incluíram 6.793 óbitos durante o período, predominando em idosos (38,19% acima de 80 anos) e homens (56,87%). A maioria era de cor parda (68,19%), casada (40,20%), e os óbitos ocorreram majoritariamente em hospitais (80,70%). A insuficiência renal crônica (47%) foi a principal causa, seguida pela aguda (37%) e por causas não especificadas (15%). Regionalmente, Fortaleza (1ª Região de Saúde) concentrou a maior parte dos casos, com crescimento progressivo de óbitos em Sobral e Cariri nos últimos anos. Observou-se uma tendência ascendente nos óbitos gerais, com um pico em 2022 (832 casos) e uma leve redução em 2023 (761 casos). O estudo aponta que a mortalidade é influenciada por fatores como envelhecimento, comorbidades crônicas (hipertensão e diabetes), desigualdades regionais e limitações no acesso a cuidados especializados. A maior prevalência entre homens pode estar associada a fatores biológicos e comportamentais. A centralização do atendimento em hospitais reflete tanto a gravidade da doença nos estágios avançados quanto barreiras no acesso a cuidados preventivos e ambulatoriais. Conclui-se que o aumento da mortalidade por insuficiência renal no Ceará destaca a necessidade de políticas públicas para diagnóstico precoce, ampliação do acesso a cuidados especializados e mitigação das desigualdades regionais e raciais. A descentralização dos serviços de saúde e estratégias de manejo integradas são essenciais para reduzir a carga da insuficiência renal e melhorar os desfechos para a população.

Descritores: Insuficiência Renal; Saúde Pública; Epidemiologia 

1. INTRODUÇÃO

A insuficiência renal, também conhecida como doença renal, é uma condição caracterizada pela incapacidade dos rins de realizar suas funções essenciais de forma adequada, incluindo a filtração sanguínea, a regulação do equilíbrio hidroeletrolítico e a excreção de produtos metabólicos e toxinas. Essa condição pode ser classificada em aguda ou crônica, dependendo da rapidez com que ocorre e da sua duração (NEVES et al., 2021).

A insuficiência renal aguda (IRA) é definida como uma diminuição rápida e frequentemente reversível da função renal, geralmente causada por fatores como hipoperfusão renal (devido à desidratação, choque ou insuficiência cardíaca), nefrotoxicidade por medicamentos ou obstruções no trato urinário. Clinicamente, a IRA pode levar ao acúmulo de ureia e creatinina no sangue, distúrbios eletrolíticos, como hipercalemia, e acidose metabólica. Apesar de potencialmente reversível, a mortalidade associada à IRA permanece significativa, especialmente em pacientes críticos (FUJIMURA-JUNIOR et al., 2022).

Por outro lado, a insuficiência renal crônica (IRC), atualmente denominada doença renal crônica (DRC), é caracterizada por uma redução progressiva e irreversível da função renal, geralmente ao longo de meses ou anos. É frequentemente associada a condições crônicas, como hipertensão arterial, diabetes mellitus, glomerulopatias e nefropatias hereditárias. A progressão da DRC culmina no estágio final da doença renal, conhecido como insuficiência renal terminal, em que os rins não conseguem mais manter a homeostase, exigindo terapia de substituição renal, como hemodiálise, diálise peritoneal ou transplante renal (NOVA et al., 2021).

A DRC é um grave problema de saúde pública devido à sua elevada prevalência e aos impactos socioeconômicos associados. Segundo dados epidemiológicos, condições como hipertensão e diabetes são os principais fatores de risco para o desenvolvimento da doença. Além disso, a população idosa apresenta maior vulnerabilidade, devido ao declínio natural da função renal com o envelhecimento e à presença frequente de comorbidades (KUPSKE et al., 2021).

Globalmente, estima-se que mais de 850 milhões de pessoas vivam com algum grau de comprometimento renal, sendo que a DRC é reconhecida como a 11ª principal causa de morte e a 6ª com maior crescimento em mortalidade ajustada por idade. Esse aumento reflete tanto a expansão da população idosa quanto o aumento da prevalência de fatores de risco crônicos (OLIVEIRA et al., 2020).

No Brasil, a DRC afeta cerca de 10% da população adulta, com prevalências que variam de acordo com a região e os critérios diagnósticos utilizados. Dados da Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN) indicam que aproximadamente 140 mil pessoas estavam em terapia renal substitutiva (TRS) em 2023, o que inclui hemodiálise, diálise peritoneal e transplante renal. Este número tem crescido a uma taxa anual de cerca de 5%, refletindo tanto a maior detecção da doença quanto o aumento da sobrevida de pacientes com condições crônicas associadas. No entanto, é importante ressaltar que a DRC muitas vezes permanece subdiagnosticada em seus estágios iniciais, devido à ausência de sintomas específicos, o que dificulta intervenções precoces e contribui para a progressão da doença (KUPSKE et al., 2023).

Portanto, a realização deste estudo é de grande relevância devido ao impacto epidemiológico e socioeconômico dessa condição. A insuficiência renal, especialmente em estágios avançados, está associada a alta mortalidade e significativas limitações à qualidade de vida dos pacientes, além de representar um desafio substancial aos sistemas de saúde. 

No Ceará, onde desigualdades regionais e limitações no acesso a serviços de saúde especializados são evidentes, compreender o perfil epidemiológico dos óbitos é essencial para subsidiar políticas públicas e estratégias de intervenção. O monitoramento das taxas de mortalidade ao longo dos últimos anos pode revelar tendências, identificar lacunas no diagnóstico e no manejo clínico e destacar possíveis desigualdades relacionadas a fatores como localização geográfica, nível socioeconômico e acesso à assistência especializada.

2. METODOLOGIA

2.1 Tipo de Estudo

Este estudo é retrospectivo, descritivo e quantitativo, baseado em dados secundários e tem como objetivo analisar as taxas de mortalidade por insuficiência renal no estado do Ceará de 2014 a 2023. Estudos retrospectivos consistem na análise de informações coletadas anteriormente, permitindo a avaliação de padrões e correlações entre variáveis em eventos passados, sem intervenção do pesquisador durante o processo de coleta (SOARES et al., 2018).

Com a abordagem quantitativa, a análise será realizada numericamente, utilizando estatísticas para quantificar padrões, identificar tendências e explorar relações entre variáveis, possibilitando uma compreensão mensurável do fenômeno em estudo (SOARES et al., 2018).

2.2 Local e População

Os dados analisados foram obtidos do estado do Ceará, com foco em indivíduos que faleceram por insuficiência renal entre 2014 e 2023.

2.3 Variáveis

O período temporal analisado foi de 2014 a 2023. A localização geográfica analisada foi o estado do Ceará. A variável preditora é o diagnóstico de insuficiência renal, e o desfecho corresponde ao óbito.

2.4 Critérios de Inclusão e Exclusão

Critérios de inclusão: indivíduos residentes no Ceará que faleceram devido à insuficiência renal entre 2014 e 2023. Critérios de exclusão: indivíduos residentes do Ceará que faleceram fora do estado e pessoas sem registro de óbito por insuficiência renal no DATASUS.

2.5 Coleta de Dados

Foram definidos parâmetros para a coleta de dados, como idade, sexo e faixa etária dos pacientes, além das classificações de insuficiência renal segundo o CID-10. A coleta foi realizada independentemente por dois pesquisadores diretamente no site DATASUS (https://datasus.saude.gov.br/informacoes-de-saude-tabnet/), com os dados extraídos e organizados em planilhas Excel. Em seguida, os dados foram verificados quanto à consistência e precisão para posterior análise e interpretação dos resultados.

2.6 Análise de Dados

Os dados foram organizados no software Excel (versão 2013) para análise quantitativa. A análise incluiu gráficos e quadros, permitindo uma visualização clara da evolução das taxas de mortalidade por insuficiência renal ao longo dos anos no Ceará, evidenciando tendências e variações temporais.

2.7 Aspectos Éticos

Por tratar-se de pesquisa com dados secundários e de acesso público, a aprovação de um Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) não é necessária para este estudo. Ressalta-se que os dados foram obtidos de fontes oficiais, sem interação direta com participantes, e os riscos associados são mínimos. Estes podem ser provenientes a perda de dados durante a extração, o que será minimizado com a dupla checagem de todos os dados pela pesquisadora ao extrair as informações no DATASUS. 

3. RESULTADOS 

A distribuição por faixa etária revela uma predominância de óbitos em idosos, com a maior frequência observada no grupo de 80 anos ou acima (38,19%), seguido pelos grupos de 70 a 79 anos (24,23%) e de 60 a 69 anos (17,33%). As faixas etárias mais jovens apresentam baixas taxas de mortalidade, com 0,50% no grupo menor de 1 ano e 0,25% no grupo de 1 a 4 anos.

Em relação ao sexo, observa-se uma maior frequência de óbitos entre homens (56,87%), comparado às mulheres (43,13%). Quanto à cor/raça, a maioria dos óbitos ocorreu em indivíduos de cor parda (68,19%), seguida por brancos (25,86%) e pretos (3,93%).  Sobre o estado civil, os dados indicam que a maior parte dos óbitos ocorreu em pessoas casadas (40,20%), seguidas por viúvos (27,89%) e solteiros (21,72%). 

Quanto ao local de ocorrência, a maioria dos óbitos foi registrada em hospitais (80,70%), seguido por domicílios (12,59%) e outros estabelecimentos de saúde (5,58%). Óbitos registrados na via pública representaram apenas 0,50%, enquanto 0,62% ocorreram em outros locais. Esses dados evidenciam maior detalhe na tabela 01 abaixo. 

Tabela 01. Perfil sociodemográfico de óbitos por insuficiência renal nos últimos dez anos no estado do Ceará, 2024.

VariáveisFrequência absolutaFrequência Relativa
Faixa EtáriaMenor 1 ano340,50%
1 a 4 anos170,25%
5 a 9 anos110,16%
10 a 14 anos140,21%
15 a 19 anos320,47%
20 a 29 anos911,34%
30 a 39 anos1772,61%
40 a 49 anos3495,14%
50 a 59 anos6519,58%
60 a 69 anos117717,33%
70 a 79 anos164624,23%
80 anos e mais259438,19%
SexoMasculino386356,87%
Feminino293043,13%
Cor/raçaBranca175725,86%
Preta2673,93%
Amarela180,26%
Parda463268,19%
Indígena120,18%
Ignorado1071,58%
Estado civilSolteiro147521,72%
Casado273140,20%
Viúvo189527,89%
Separado judicialmente2643,89%
Outro4286,30%
Local ocorrênciaHospital548380,70%
Outro estabelecimento de saúde3795,58%
Domicílio85512,59%
Via pública340,50%
Outros420,62%

Fonte: DATASUS

No gráfico 01 a 1ª Região de Saúde (Fortaleza) destacou-se com o maior número absoluto de óbitos em todos os anos avaliados. Observando-se no gráfico 02 uma tendência geral de crescimento, atingindo seu pico em 2022 (390 óbitos) e uma ligeira redução em 2023 (353 óbitos).

A 5ª Região de Saúde (Sobral) ocupou a segunda posição em termos de número de óbitos, variando entre 110 (2014) e 169 (2023). Embora tenha apresentado flutuações ao longo do período, houve um crescimento consistente após 2020.

A 2ª Região de Saúde (Cariri) também mostrou uma tendência de aumento geral, com destaque para o crescimento significativo entre 2018 e 2019, quando os óbitos passaram de 160 para 211. Após uma redução em 2020 (138 óbitos), o número voltou a crescer, alcançando 191 em 2022, antes de diminuir para 142 em 2023.

As Regiões do Sertão Central (3ª RS) e Litoral Leste/Jaguaribe (4ª RS) apresentaram os menores números absolutos de óbitos ao longo da série histórica. A 3ª RS oscilou entre 33 óbitos (2014) e 68 óbitos (2017 e 2018), com estabilidade relativa nos últimos anos. Já a 4ª RS mostrou números menores, com um aumento pontual em 2016 (47 óbitos), seguido por estabilidade em torno de 30 a 50 óbitos anuais nos anos subsequentes.

Gráfico 01. Total de óbitos absolutos em dez anos por insuficiência renal nas cinco Macrorregiões de Saúde do estado do Ceará, 2024.

Fonte: DATASUS

Gráfico 02. Distribuição em dez anos de óbitos por insuficiência renal nas cinco Macrorregiões de Saúde do estado do Ceará, 2024.

Fonte: DATASUS

Observa-se no gráfico 03 uma tendência geral de crescimento no número de óbitos ao longo da série histórica, com algumas variações pontuais.

Em 2014, foram registrados 500 óbitos, e esse número aumentou consistentemente até 2019, quando atingiu 735 óbitos. Em 2020, houve uma redução para 624 óbitos, possivelmente associada a fatores externos, como o impacto da pandemia de COVID-19 no acesso e manejo de condições crônicas. Nos anos subsequentes, verificou-se uma recuperação nos números, com 733 óbitos em 2021 e um pico de 832 óbitos em 2022, o maior valor do período analisado. Em 2023, o total de óbitos apresentou uma leve queda, totalizando 761 casos.

Gráfico 03. Distribuição total de óbitos absolutos em dez anos por insuficiência renal no estado do Ceará, 2024.

Fonte: DATASUS

No gráfico 04 é possível observar que grande parte dos óbitos ocorrem por IRC (47%), seguido de IRA (37%) e insuficiência renal não especificada (15%).

Gráfico 04. Total de óbitos por insuficiência renal divididos em aguda, crônica e não especificada, 2024.

Fonte: DATASUS

4. DISCUSSÃO 

Este estudo evidencia a importância da análise de óbitos por insuficiência renal, destacando disparidades regionais e os fatores sociodemográficos associados à mortalidade. A predominância de óbitos em idosos no Ceará, especialmente na faixa etária acima de 80 anos, reflete o impacto cumulativo de comorbidades crônicas, como hipertensão e diabetes mellitus, que são reconhecidamente os principais fatores de risco para a progressão da DRC. Esse achado é consistente com estudos globais que mostram a relação direta entre o envelhecimento populacional e o aumento da prevalência da DRC, sobretudo nos estágios mais avançados que requerem terapia renal substitutiva (COLLINS et al., 2020).

A maior prevalência de óbitos em homens também é corroborada pela literatura, que aponta diferenças biológicas e comportamentais no desenvolvimento e manejo da insuficiência renal entre os sexos. Estudos sugerem que fatores hormonais e maior prevalência de hábitos de risco, como tabagismo e consumo inadequado de alimentos, podem contribuir para a maior mortalidade masculina por doenças renais (GANSEVOORT et al., 2017). A predominância de óbitos entre indivíduos de cor parda no Ceará, por sua vez, pode estar associada às desigualdades sociais e ao acesso desigual a serviços de saúde, um fator amplamente descrito em investigações sobre disparidades raciais e étnicas na saúde pública brasileira (FERREIRA et al., 2021).

A distribuição geográfica dos óbitos, com maior concentração na 1ª Região de Saúde (Fortaleza), reflete o papel centralizador dos grandes centros urbanos no atendimento de condições complexas, como a insuficiência renal em estágio avançado. No entanto, o aumento gradual dos óbitos nas regiões de Sobral e Cariri indica a necessidade de expandir os serviços especializados nessa área para suprir a crescente demanda. Essa tendência está em consonância com estudos que destacam a relação entre a urbanização, a transição epidemiológica e o aumento da carga de doenças crônicas não transmissíveis (GBD, 2020).

A predominância de óbitos ocorrendo em hospitais (80,70%) evidencia o papel das instituições hospitalares no manejo das complicações renais agudas e crônicas, mas também pode refletir a dificuldade de acesso a cuidados preventivos e ambulatoriais, especialmente em regiões periféricas. Essa situação é agravada pela subnotificação de casos nos estágios iniciais da DRC, uma lacuna amplamente reconhecida como um obstáculo para intervenções precoces e redução da mortalidade (LEVEY et al., 2015).

Outro achado relevante é a relação entre os diferentes tipos de insuficiência renal e os óbitos registrados. A maior prevalência de mortes por IRC (47%), seguida pela IRA (37%), reforça a necessidade de estratégias de manejo que combinem prevenção, diagnóstico precoce e intervenções eficazes para reduzir a progressão da DRC e o impacto das complicações agudas. A redução observada em 2020 no número total de óbitos pode estar associada a fatores relacionados à pandemia de COVID-19, que impactaram tanto o acesso aos serviços de saúde quanto o registro de mortes por condições crônicas, um fenômeno observado em outras regiões e amplamente discutido na literatura (CARRERO et al., 2021).

A atenção primária é um grande aliado na identificação precoce e no manejo adequado dos fatores de risco para a insuficiência renal, como hipertensão, diabetes e obesidade. Entretanto, os dados indicam que a cobertura e a qualidade dessas ações preventivas ainda enfrentam desafios estruturais, especialmente em regiões mais remotas e economicamente desfavorecidas. A implementação de estratégias de rastreamento da DRC na população em risco, aliada ao fortalecimento da educação em saúde, pode reduzir significativamente a progressão da doença e as hospitalizações relacionadas a complicações evitáveis (SOUZA et al., 2020).

O impacto econômico da insuficiência renal também merece destaque, uma vez que a terapia renal substitutiva, como hemodiálise e transplante renal, impõe elevados custos ao sistema de saúde. No contexto do Sistema Único de Saúde (SUS), a alta demanda por esses tratamentos coloca pressão sobre os recursos financeiros e logísticos, especialmente em estados que enfrentam desigualdades regionais no acesso a serviços especializados (KUPSKE et al., 2023). Para mitigar esse impacto, é essencial investir em políticas que promovam a equidade no acesso a tecnologias de saúde, ampliem a capacidade de serviços de nefrologia e incentivem parcerias público-privadas para otimizar os recursos disponíveis (MOREIRA et al., 2023).

Ademais, os índices de mortalidade no Ceará ressaltam a necessidade de políticas intersetoriais que integrem saúde, assistência social e educação, abordando determinantes sociais como pobreza e baixa escolaridade para ampliar o acesso aos serviços de saúde. Além disso, equipes multidisciplinares, programas de educação continuada e tecnologias para acompanhamento são essenciais para melhorar desfechos clínicos e apoiar pacientes em diferentes áreas, reduzindo a sobrecarga hospitalar (NEVES et al., 2021; SOUZA et al., 2020).

5. CONCLUSÃO 

O crescimento contínuo do número de óbitos ao longo da última década, com um pico em 2022, destaca a necessidade de políticas públicas que abordem tanto os determinantes sociais da saúde quanto o fortalecimento da infraestrutura para o diagnóstico e tratamento da insuficiência renal. 

O monitoramento contínuo das taxas de mortalidade e a ampliação do acesso a cuidados especializados são fundamentais para mitigar o impacto dessa condição, especialmente em regiões marcadas por desigualdades sociais e geográficas. Esses achados reforçam a urgência de intervenções que combinam esforços intersetoriais e estratégias baseadas em evidências para enfrentar o crescente ônus da insuficiência renal no Brasil.

REFERÊNCIAS

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