OBESIDADE INFANTIL E SEUS FATORES DE ADOECIMENTO MENTAL: ATUAÇÃO DO PSICÓLOGO ESCOLAR EM SUA PREVENÇÃO E PSICOEDUCAÇÃO

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ra10202510171722


Ingryd Unis Sbarzi Fernandes1
Neire Abreu Mota Porfiro2


RESUMO: A obesidade infantil constitui um grave problema de saúde pública que transcende aspectos físicos, afetando a saúde mental e o desenvolvimento socioemocional das crianças. No contexto escolar, o sobrepeso frequentemente expõe os alunos a situações de bullying, exclusão social e estigmatização, resultando em ansiedade, depressão e baixa autoestima. Este estudo tem como objetivo investigar o papel do psicólogo escolar na prevenção da obesidade infantil e no manejo dos fatores de adoecimento mental associados, com ênfase em práticas de psicoeducação. Adota-se abordagem qualitativa, de caráter exploratório-descritivo, por meio de revisão sistemática da literatura, abrangendo publicações entre 2020 e 2025. A análise dos dados seguirá a técnica de análise de conteúdo temática proposta por Bardin. Espera-se identificar estratégias psicoeducativas e interventivas eficazes, como programas de apoio à imagem corporal, promoção de hábitos saudáveis e fortalecimento das habilidades sociais, contribuindo para o aprimoramento da atuação do psicólogo escolar e para políticas públicas integradas de saúde e educação.

Palavras-chave: Obesidade Infantil. Saúde Mental. Psicologia Escolar. Psicoeducação. Intervenção Preventiva. 

1. INTRODUÇÃO

A obesidade infantil se configura como um dos maiores problemas de saúde pública no mundo atual, afetando milhões de crianças em várias partes do globo, incluindo o Brasil. Caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura corporal, a obesidade infantil não se limita às implicações físicas, mas também tem consequências significativas para a saúde mental e emocional das crianças afetadas. O aumento dos índices de obesidade está frequentemente associado a fatores como a mudança nos padrões alimentares, a sedentarização, o ambiente familiar e social, além de questões psicológicas que podem agravar a condição, criando um ciclo difícil de romper. 

A relação entre obesidade infantil e saúde mental é particularmente preocupante, pois  crianças obesas enfrentam uma série de desafios emocionais e sociais. Muitas vezes, elas são vítimas de bullying, estigmatização e exclusão social, o que pode levar a quadros de depressão, ansiedade, baixa autoestima e dificuldades de adaptação escolar.  

Desse modo, a escola, sendo um dos principais contextos de socialização da infância, tem um papel crucial na promoção da saúde e no desenvolvimento emocional dos alunos. Entretanto, poucas são as abordagens que investigam a atuação do psicólogo escolar de maneira direta na prevenção e no manejo desses aspectos emocionais relacionados à obesidade infantil. 

De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (2023), estima-se que mais de 39 milhões de crianças com menos de cinco anos estejam com sobrepeso ou obesidade, e esse número tende a crescer nas próximas décadas. No Brasil, dados do Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (ENANI-2019) apontam que cerca de 15,8% das crianças de até cinco anos apresentam excesso de peso, indicando um fenômeno em expansão já nas fases iniciais do desenvolvimento humano (UNICEF, 2021). 

Mais do que uma condição de ordem física, a obesidade infantil configura-se como um fenômeno multifatorial, resultante da interação entre fatores biológicos, genéticos, psicológicos, culturais, sociais e ambientais (WHO, 2023; Brasil, 2014). Crianças com sobrepeso ou obesidade frequentemente enfrentam dificuldades emocionais e psicossociais significativas, como baixa autoestima, isolamento, ansiedade, depressão, insegurança quanto à própria imagem corporal e experiências de preconceito, especialmente no contexto escolar (Pinto; Ferreira; Giugliani, 2019). 

A escola, por sua vez, é compreendida como um espaço privilegiado de socialização, construção de vínculos e formação de identidade. Todavia, esse mesmo ambiente pode tornarse palco de práticas discriminatórias, como o bullying e a estigmatização, que agravam os quadros de sofrimento psíquico vivenciados por crianças obesas (Oliveira et al., 2020). Tais experiências impactam diretamente o rendimento escolar, a participação social e o desenvolvimento emocional desses estudantes. 

Esta pesquisa busca compreender como o psicólogo escolar pode atuar de maneira preventiva, ao trabalhar com as crianças e seus familiares para reduzir os fatores de risco relacionados à obesidade, além de promover a psicoeducação sobre hábitos saudáveis e saúde mental. Além disso, o psicólogo escolar desempenha um papel crucial na abordagem dos fatores emocionais que surgem nas crianças obesas, oferecendo suporte psicológico e intervenções que busquem melhorar sua autoestima, saúde emocional e adaptação escolar. 

A dimensão desta pesquisa está diretamente ligada às inferências da obesidade infantil para a saúde mental, especialmente no ambiente escolar. Crianças com sobrepeso ou obesidade são frequentemente alvo de bullying, exclusão social e discriminação, o que pode acarretar quadros de ansiedade, depressão, baixa autoestima, isolamento e dificuldades de aprendizagem.  

O espaço escolar, por ser um dos principais ambientes de convivência da infância, desempenha um papel fundamental na formação de hábitos, valores e na construção da identidade. Por isso, é necessário compreender de que maneira esse espaço pode contribuir tanto para a prevenção quanto para o agravamento da obesidade e dos seus efeitos emocionais. Nesse contexto, o psicólogo escolar assume uma função essencial, não apenas na escuta e acolhimento das demandas emocionais dos alunos, mas também na construção de práticas psicoeducativas que promovam saúde e qualidade de vida. 

Nesse cenário, a atuação do psicólogo escolar torna-se fundamental, não apenas na escuta e acolhimento das demandas subjetivas dessas crianças, mas também na elaboração de intervenções preventivas que articulem psicoeducação, promoção de hábitos saudáveis e o fortalecimento de vínculos sociais positivos.  

O psicólogo pode atuar junto a professores, famílias e alunos na construção de estratégias que favoreçam a empatia, a inclusão e a valorização da diversidade corporal, contribuindo para um ambiente escolar mais saudável e menos hostil (CFP, 2021; Fonseca; Moura; Araújo, 2022). 

Para tanto, a pergunta problema contextualizou-se em: Como o psicólogo escolar pode atuar na prevenção da obesidade infantil e no manejo dos fatores de adoecimento mental associados a essa condição no ambiente escolar? Sendo que, o objetivo geral será investigar o papel do psicólogo escolar na prevenção da obesidade infantil e no manejo dos fatores de adoecimento mental relacionados a essa condição, com ênfase em estratégias psicoeducativas e práticas interventivas no contexto escolar. 

Enquanto os objetivos específicos  foram ordenados em: analisar os fatores psicológicos, sociais e ambientais que contribuem para o desenvolvimento da obesidade infantil, com foco na interação entre esses fatores no ambiente escolar; compreender os impactos emocionais e psicológicos da obesidade infantil nas crianças em idade escolar, como ansiedade, depressão, baixa autoestima e exclusão social; identificar e discutir as estratégias psicoeducativas que podem ser adotadas pelo psicólogo escolar para promover hábitos saudáveis e apoiar o bem-estar emocional das crianças com sobrepeso ou obesidade; examinar as práticas de intervenção psicológica utilizadas pelo psicólogo escolar no manejo de questões relacionadas ao bullying, estigmatização e outros fatores que afetam a saúde mental das crianças obesas. 

Metodologicamente utilizaremos uma pesquisa com abordagem qualitativa, objetivo exploratório-descritivo através da revisão sistemática, utilizando produções disponibilizadas em Língua Portuguesa no recorte temporal do período de 2020 a 2025, além disso, os resultados serão analisados por meio da análise de conteúdo orientado por Bardin (2016). 

Diante do exposto, a presente pesquisa visa vislumbrar uma reflexão para o campo da Psicologia com ações discursivas do objeto temático por meio das informações científicas, uma vez que, ao abordar uma problemática de alta complexidade e impacto na infância contemporânea: a obesidade infantil associada ao adoecimento mental no contexto escolar traz significativas reflexões.

Socialmente, o estudo busca lançar luz sobre os efeitos psicossociais da obesidade em crianças em idade escolar, destacando a urgência de práticas educativas e preventivas voltadas ao acolhimento e ao cuidado integral da saúde mental infantil. A estigmatização, o bullying e a exclusão social vivenciados por crianças com sobrepeso comprometem não apenas seu bemestar emocional, mas também suas possibilidades de aprendizagem, socialização e desenvolvimento saudável. 

Do ponto de vista científico, esta pesquisa contribui para a ampliação do conhecimento sobre os fatores interdisciplinares que envolvem a obesidade infantil, articulando aspectos nutricionais, psicológicos, pedagógicos e socioculturais. Em especial, destaca-se o papel do psicólogo escolar como agente promotor de saúde e mediador de processos psicoeducativos, ainda pouco explorado na literatura especializada brasileira.  

Ao propor uma abordagem preventiva e integradora, este estudo preenche lacunas teóricas sobre a interface entre saúde mental e obesidade na infância, oferecendo subsídios para a formulação de políticas públicas educacionais e práticas escolares inclusivas e humanizadas. 

Assim, a relevância desta pesquisa reside na potencialidade de promover reflexões, práticas e políticas voltadas ao enfrentamento do sofrimento psíquico infantojuvenil associado à obesidade, fortalecendo a atuação da psicologia escolar como instrumento de transformação social e promoção do bem-estar nas instituições educacionais. 

2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 

2.1 OBESIDADE INFANTIL: DEFINIÇÕES, CAUSAS E FATORES ASSOCIADOS 

A obesidade infantil é caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura corporal, resultante de um desequilíbrio entre a ingestão calórica e o gasto energético. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a obesidade infantil é definida como um índice de massa corporal (IMC) superior ao percentil 95 para a faixa etária e o sexo da criança, com base em curvas de crescimento padronizadas (WHO, 2022). Trata-se de uma condição de natureza multifatorial, o que significa que sua origem não pode ser atribuída a uma única causa, mas sim à interação de fatores genéticos, biológicos, psicológicos, sociais e ambientais (Brasil, 2014; UNICEF, 2021). 

Dentre os principais determinantes da obesidade infantil, destacam-se os fatores genéticos, pois diversos estudos indicam que há uma predisposição hereditária para o ganho de peso, mediada por genes que regulam o apetite, a saciedade e o metabolismo lipídico (Lima et al., 2019).  

No entanto, a genética sozinha não explica o fenômeno. O ambiente familiar e o contexto sociocultural têm papel decisivo na formação de hábitos alimentares e comportamentos de vida. Crianças que convivem em ambientes com padrões alimentares desbalanceados, consumo excessivo de alimentos ultraprocessados, refeições irregulares, além da ausência de atividades físicas regulares, apresentam maior risco para o desenvolvimento de obesidade (Monteiro et al., 2022). 

Além disso, o sedentarismo e o aumento da exposição às telas — como televisão, smartphones, tablets e videogames — contribuem significativamente para o comportamento inativo entre crianças e adolescentes. Esse cenário reduz o tempo de brincadeiras ativas e atividades ao ar livre, essenciais para o equilíbrio corporal e emocional (Silva; Ferreira; Santos, 2020). 

Também merecem destaque os fatores psicossociais, pois muitas vezes o ato de comer está associado a mecanismos de enfrentamento emocional. Crianças submetidas a situações de estresse, ansiedade, conflitos familiares ou baixa autoestima podem desenvolver comportamentos alimentares compulsivos, utilizando a comida como forma de alívio ou compensação emocional (Fonseca et al., 2022). Ademais, pressões sociais para se conformar a padrões estéticos impostos pela mídia podem gerar sofrimento psíquico e distorção da imagem corporal desde a infância. A esse respeito, Piaget (1983, p. 225) adverte sobre os limites do desenvolvimento infantil: 

A equilibração me parece o fator fundamental desse desenvolvimento. Compreendemos então ao mesmo tempo a possibilidade de aceleração, e a impossibilidade de um aceleramento que ultrapasse certos limites. […] Não creio que haja vantagens em acelerar o desenvolvimento da criança além de certos limites. Muita aceleração corre o risco de romper o equilíbrio. O ideal da educação não é aprender ao máximo, maximalizar os resultados, mas é antes de tudo aprender a aprender; é aprender a se desenvolver e aprender a continuar a se desenvolver depois da escola. 

Portanto, a obesidade infantil não é apenas uma questão de má alimentação ou falta de exercício, mas sim o resultado de um conjunto complexo de fatores inter-relacionados. Esse entendimento reforça a necessidade de uma abordagem interdisciplinar que envolva ações integradas entre família, escola, profissionais de saúde e políticas públicas, com vistas à prevenção e promoção da saúde integral da criança. 

2.2 CONSEQUÊNCIAS PSICOLÓGICAS DA OBESIDADE INFANTIL 

A obesidade infantil não se restringe às repercussões fisiológicas, apresentando implicações significativas no campo da saúde mental e do desenvolvimento emocional das crianças. Diversas pesquisas têm evidenciado que o excesso de peso na infância está associado a um aumento do risco de desenvolvimento de transtornos psicológicos, especialmente aqueles relacionados à autoimagem e à autoestima (Oliveira et al., 2020; Fonseca; Moura; Araújo, 2022). 

Crianças obesas tendem a desenvolver uma imagem corporal negativa, marcada por sentimentos de inadequação, vergonha e insegurança. Esses sentimentos podem comprometer a construção da identidade, o convívio social e a participação em atividades escolares e recreativas. Segundo estudos, há uma forte associação entre obesidade infantil e níveis elevados de sintomas de ansiedade, depressão, isolamento social e retraimento emocional, o que compromete tanto o bem-estar psíquico quanto o desempenho escolar (WHO, 2023). 

O estigma social que envolve o corpo gordo é um dos principais fatores desencadeadores de sofrimento emocional, uma vez que crianças com sobrepeso frequentemente se tornam alvos de bullying, comentários depreciativos e exclusão nos espaços escolares, o que contribui para um ciclo de vulnerabilidade psicológica e exclusão (Silva et al., 2020). A pressão estética imposta por padrões midiáticos e culturais reforça a noção de inadequação, gerando culpa, tristeza e retraimento, além de reforçar comportamentos de evitação e solidão. 

Nesse sentido, Vygotsky (2001, p. 162) já apontava a importância do brincar como forma de desenvolvimento simbólico e emocional da criança,  “ao brincar, a criança assume papéis e aceita as regras próprias da brincadeira, executando, imaginariamente, tarefas para as quais ainda não está apta ou não sente como agradáveis na realidade.” 

A negação ou limitação dessa vivência lúdica — seja pelo próprio corpo ou pela rejeição dos pares — compromete o desenvolvimento cognitivo e afetivo. Adicionalmente, a obesidade infantil pode atuar como fator de risco para o surgimento de transtornos alimentares, como a compulsão alimentar, nos quais a criança utiliza a alimentação como mecanismo de regulação emocional. Esse padrão pode ser interpretado como uma tentativa de compensação frente à ansiedade, à frustração ou ao estresse, consolidando um ciclo nocivo de ingestão exagerada de alimentos e piora do quadro de saúde física e emocional (Guerra et al., 2021). 

Torna-se evidente, portanto, que a obesidade infantil deve ser compreendida de maneira ampla, considerando seus impactos emocionais, comportamentais e sociais. A atuação de profissionais como o psicólogo escolar é fundamental na mediação de práticas inclusivas, apoio psicossocial e desenvolvimento de estratégias de enfrentamento para essas crianças. 

2.3 O PAPEL DA ESCOLA NA PROMOÇÃO DA SAÚDE E PREVENÇÃO DA OBESIDADE 

A escola é reconhecida como um espaço estratégico para o desenvolvimento integral da criança, não apenas em sua dimensão cognitiva, mas também nos aspectos afetivos, sociais e físicos. Por estar inserida na rotina diária dos estudantes, a instituição escolar representa uma oportunidade concreta para a promoção de hábitos saudáveis, tanto no que diz respeito à alimentação quanto às práticas de convivência e socialização (Brasil, 2021; Unesco, 2020). 

Nesse contexto, a escola pode tornar-se um agente transformador no enfrentamento da obesidade infantil, desde que suas políticas pedagógicas estejam alinhadas às diretrizes intersetoriais de saúde e educação. A educação nutricional é uma das estratégias fundamentais, sendo definida como o conjunto de práticas pedagógicas voltadas à construção de conhecimentos, atitudes e comportamentos alimentares saudáveis. Sua implementação pode se dar por meio de projetos pedagógicos, hortas escolares, atividades interdisciplinares e ações de conscientização que envolvam professores, estudantes e famílias (Melo; Cavalcante; Braga, 2019). 

A escola também desempenha papel importante na promoção da atividade física, seja por meio das aulas regulares de Educação Física, seja por iniciativas extracurriculares que estimulem a movimentação corporal, o brincar ativo e a redução do tempo de sedentarismo e exposição às telas. A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS, 2021) destaca que a prática regular de exercícios está associada à prevenção de doenças crônicas não transmissíveis, inclusive a obesidade infantil. 

Além das ações voltadas à saúde física, o espaço escolar é também essencial na formação de vínculos sociais e na construção da identidade. Por isso, é preciso considerar a escola como ambiente de convivência e inclusão, capaz de minimizar a ocorrência de bullying, estigmatização e preconceito relacionados ao corpo da criança. A promoção de valores como empatia, diversidade e respeito deve estar presente nas práticas pedagógicas, contribuindo para o fortalecimento da autoestima e da saúde mental dos alunos (Oliveira et al., 2020). 

Ao refletir sobre os processos de desenvolvimento da infância, Vygotsky (2001, p. 18) 

afirma: 

A primeira e principal lei que caracteriza o desenvolvimento infantil – diferentemente de uma série de outros processos – é que ele possui uma organização muito complexa no tempo. Como qualquer outro processo, ele é histórico, ou seja, transcorre no tempo; tem início, tem etapas temporais determinadas do seu desenvolvimento e tem fim. Contudo, não está organizado no tempo de forma que – se é possível dizer assim – o seu ritmo coincida com o ritmo do tempo […]. 

Essa afirmação reforça a importância de respeitar o ritmo do desenvolvimento infantil no planejamento das práticas escolares. Assim, a escola, ao promover o cuidado integral e oferecer um ambiente seguro, inclusivo e acolhedor, cumpre sua função social de proteger e educar, contribuindo para a prevenção da obesidade e o fortalecimento da saúde emocional das crianças. 

2.4 PSICOLOGIA ESCOLAR E PSICOEDUCAÇÃO: FUNDAMENTOS E PRÁTICAS 

A Psicologia Escolar, conforme diretrizes estabelecidas pelo Conselho Federal de Psicologia (CFP), é um campo de atuação comprometido com a promoção da saúde mental, a prevenção de situações de risco e o desenvolvimento integral de crianças e adolescentes no contexto educacional. Sua atuação extrapola o atendimento clínico individualizado e busca intervir de forma sistêmica, mediando relações entre escola, família e comunidade, com vistas à construção de ambientes escolares mais saudáveis, inclusivos e acolhedores (CFP, 2021). 

Entre as ferramentas de atuação do psicólogo escolar, destaca-se a psicoeducação, definida como um conjunto de estratégias voltadas à conscientização sobre aspectos emocionais, comportamentais e sociais que influenciam o desenvolvimento humano. A psicoeducação visa não apenas informar, mas também promover a autonomia emocional, o enfrentamento de dificuldades e a prevenção de agravos à saúde mental, por meio de ações educativas, reflexivas e participativas (Andrade et al., 2020). 

No contexto da obesidade infantil, a psicoeducação assume papel crucial ao possibilitar que crianças e suas famílias compreendam as dimensões emocionais envolvidas na alimentação, na imagem corporal e na convivência social.  

Dentre as práticas possíveis, destaca-se a educação emocional, que favorece o reconhecimento, a nomeação e a expressão das emoções, contribuindo para que a criança desenvolva estratégias mais saudáveis de enfrentamento frente ao estresse, à ansiedade e à frustração (Guerra et al., 2021). 

Cabe também ao psicólogo escolar desenvolver ações preventivas que articulem saúde física e mental. Isso inclui a promoção de hábitos saudáveis, a detecção precoce de comportamentos de risco, o combate ao bullying, e o fortalecimento de vínculos familiares e escolares. Em situações específicas, pode-se realizar atendimentos psicoterápicos individuais ou em grupo, com foco no fortalecimento da autoestima, na prevenção de transtornos alimentares e no suporte à convivência escolar (Fonseca; Moura; Araújo, 2022). 

Ademais, é essencial que a psicologia escolar atue de forma colaborativa com os docentes, promovendo a formação continuada dos profissionais da educação para que compreendam os aspectos emocionais envolvidos na obesidade infantil e desenvolvam estratégias pedagógicas que favoreçam a inclusão e o respeito à diversidade corporal. 

Portanto, a Psicologia Escolar não deve se restringir à atuação corretiva, mas sim assumir uma função educativa, preventiva e transformadora, dialogando com as diferentes dimensões do processo ensino-aprendizagem e com os desafios contemporâneos da infância. 

2.5 EXPERIÊNCIAS E ESTRATÉGIAS DE INTERVENÇÃO PSICOLÓGICA EM ESCOLAS 

Diversos estudos e experiências práticas demonstram a eficácia de intervenções escolares integradas, que combinam ações de psicoeducação, apoio psicológico, atividades físicas e educação nutricional no enfrentamento da obesidade infantil e de seus impactos emocionais e sociais. Tais estratégias têm se mostrado eficazes para a promoção da saúde integral de crianças e adolescentes, especialmente quando envolvem a atuação direta do psicólogo escolar em articulação com a comunidade educativa (Fonseca; Moura; Araújo, 2022). 

Dentre as iniciativas mais reconhecidas, destacam-se os programas de apoio à imagem corporal, os quais têm como objetivo central resgatar a percepção positiva do próprio corpo, promovendo o autocuidado, o respeito à diversidade corporal e a valorização da saúde em detrimento de padrões estéticos impostos socialmente. A melhora da autoestima e da autopercepção corporal está diretamente relacionada à redução de comportamentos de risco, como a compulsão alimentar, o isolamento social e os quadros de ansiedade (Santos et al., 2021). 

A atuação do psicólogo escolar nesses contextos é essencial, pois ele pode mediar discussões sobre o corpo, o respeito à diferença, a construção da identidade e os impactos emocionais do bullying. Além disso, é possível desenvolver projetos de educação alimentar e promoção da atividade física, que integrem a prática pedagógica a hábitos saudáveis. Esses projetos são mais eficazes quando ocorrem de forma interdisciplinar, envolvendo professores, nutricionistas, educadores físicos e famílias (Brasil, 2021). 

Neste contexto, o treinamento de habilidades sociais surge como estratégia importante. Ele consiste no desenvolvimento de competências emocionais e relacionais que favoreçam o enfrentamento de situações de rejeição, intimidação e discriminação. Crianças com sobrepeso, frequentemente alvo de estigmatização no ambiente escolar, se beneficiam de atividades que promovam a empatia, o autocontrole, a resolução de conflitos e a comunicação assertiva (Andrade et al., 2020). 

Como defende Vygotsky (2001, p. 82), o estudo da infância deve ser compreendido como um campo científico voltado ao desenvolvimento humano: 

Na pedagogia, pode-se estudar a educação da criança, o que, até certo grau, é ciência da criança. Pode-se estudar a psicologia da criança, e isso também será, em certo grau, ciência da criança. Por isso, desde o início, é preciso estabelecer exatamente o que da criança é o objeto do estudo pedológico. Portanto, seria mais preciso dizer que a pedologia é a ciência do desenvolvimento da criança. O desenvolvimento da criança é o objeto direto e imediato da nossa ciência. 

Assim, a promoção da saúde mental e da saúde corporal de crianças com obesidade deve respeitar os estágios do desenvolvimento, considerando o contexto sociocultural em que estão inseridas. O trabalho integrado da escola, com o suporte técnico e humanizado do psicólogo escolar, fortalece o processo de formação cidadã e melhora os indicadores de bem-estar psicológico e social entre os alunos. 

De acordo com relatório recente do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF, 2025), a obesidade infantil superou, pela primeira vez, a desnutrição como a forma mais prevalente de má nutrição em nível global. Estima-se que uma em cada dez crianças no mundo viva com obesidade, o que corresponde a aproximadamente 188 milhões de crianças e adolescentes em idade escolar. Esse quadro é agravado pela ampla exposição das infâncias ao marketing de alimentos ultraprocessados, que contribui para escolhas alimentares inadequadas e padrões nutricionais prejudiciais à saúde.

O relatório Alimentando o Lucro: Como os Ambientes Alimentares estão Falhando com as Crianças, baseado em dados de mais de 190 países, demonstra que a prevalência de desnutrição entre crianças e adolescentes de 5 a 19 anos caiu de quase 13% em 2000 para 9,2% em 2025. Em contrapartida, as taxas de obesidade aumentaram de 3% para 9,4% no mesmo período, ultrapassando a desnutrição em todas as regiões do mundo, com exceção da África Subsaariana e do Sul da Ásia (UNICEF, 2025). A figura evidencia dados dessa realidade.

Figura 1 – Tendências no percentual de crianças e adolescentes de 5 a 19 anos 

Fonte: UNICEF (2025)

O relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância – UNICEF (2025) demonstra que a obesidade infantil assumiu, em nível global, maior prevalência do que a desnutrição, configurando-se como a forma mais comum de má nutrição entre crianças e adolescentes de 5 a 19 anos. Estima-se que uma em cada dez crianças no mundo viva com obesidade, totalizando aproximadamente 188 milhões de indivíduos nessa faixa etária. Tal cenário é impulsionado, sobretudo, pela substituição da alimentação tradicional por alimentos ultraprocessados, baratos e altamente calóricos, intensamente promovidos por estratégias de marketing voltadas ao público infantojuvenil (UNICEF, 2025).

Segundo o relatório, alguns países das Ilhas do Pacífico concentram as maiores taxas de obesidade do mundo, como Niue (38%), Ilhas Cook (37%) e Nauru (33%), registrando índices que mais do que dobraram desde o ano 2000. Em nações de alta renda, o problema também é preocupante: Chile (27%), Estados Unidos (21%) e Emirados Árabes Unidos (21%) apresentam prevalências elevadas (UNICEF, 2025). No Brasil, a obesidade superou a desnutrição ainda antes dos anos 2000, passando de 5% em 2000 para 15% em 2022 entre crianças e adolescentes, enquanto o sobrepeso dobrou no mesmo período, de 18% para 36% (UNICEF, 2025).

Os dados revelam que alimentos ultraprocessados e fast foods, ricos em açúcares adicionados, gorduras não saudáveis, amidos refinados e aditivos, estão progressivamente substituindo frutas, verduras e proteínas na dieta de crianças e adolescentes, em uma fase da vida em que a nutrição é fundamental para o crescimento, o desenvolvimento cognitivo e a saúde mental. 

O relatório também denuncia que tais produtos dominam os espaços de consumo e chegam às escolas, impulsionados pelo marketing digital, que amplia o alcance da indústria de alimentos e bebidas sobre o público jovem. Em pesquisa global conduzida pela plataforma U-Report com 64 mil jovens de 13 a 24 anos, em mais de 170 países, 75% relataram ter visto anúncios de refrigerantes, lanches ou fast foods na semana anterior, e 60% afirmaram que esses anúncios aumentaram sua vontade de consumir tais produtos (UNICEF, 2025).

Diante desse quadro, o UNICEF (2025) alerta que, sem medidas preventivas, os custos econômicos e sociais decorrentes do sobrepeso e da obesidade poderão superar cifras trilionárias globalmente até 2035. 

O documento ainda destaca iniciativas governamentais positivas, como a proibição da venda de ultraprocessados em escolas públicas no México e a progressiva restrição de sua aquisição pelo Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) no Brasil, além das políticas nacionais de rotulagem frontal, banimento de gorduras trans e restrição de propagandas voltadas ao público infantil.

3. METODOLOGIA  

Este estudo foi conduzido com base na abordagem qualitativa, de natureza exploratório-descritiva, adequada à investigação de fenômenos complexos, subjetivos e contextualmente situados, como é o caso da obesidade infantil e seus desdobramentos emocionais no ambiente escolar. Segundo Minayo (2010), a pesquisa qualitativa busca interpretar o universo de significados, motivos, aspirações, valores e atitudes dos sujeitos em seus contextos sociais, sendo apropriada para a compreensão de realidades que não podem ser reduzidas à mensuração estatística. 

No que se refere aos procedimentos metodológicos, a investigação será realizada por meio de revisão sistemática da literatura, técnica que visa reunir, avaliar e sintetizar, de forma rigorosa e ordenada, o conjunto de estudos disponíveis sobre um tema específico, permitindo o mapeamento do conhecimento produzido, a identificação de lacunas e a orientação de novas práticas e pesquisas. De acordo com Galvão, Pereira e Silva (2004), a revisão sistemática diferencia-se das revisões narrativas por seguir critérios metodológicos explícitos de busca, seleção, análise e apresentação dos resultados, garantindo maior transparência e confiabilidade. 

A busca será realizada nas seguintes bases de dados: Scientific Electronic Library Online  (SciELO), Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), Periódicos Eletrônicos de Psicologia (PePSIC), Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) e Google Acadêmico, considerando publicações entre 2020 e 2025, em língua portuguesa. Serão utilizados descritores combinados por operadores booleanos (AND/OR), como: “obesidade infantil”, “psicologia escolar”, “psicoeducação”, “saúde mental”, “intervenções escolares” e “bullying”

Os critérios de inclusão compreendem artigos disponíveis em texto completo, publicados no idioma português, que abordem direta ou indiretamente a obesidade infantil no contexto escolar, com ênfase em intervenções psicológicas, psicoeducativas e estratégias de prevenção de adoecimento mental. Os critérios de exclusão envolvem artigos repetidos, textos opinativos, estudos fora do recorte temporal estabelecido ou que tratem exclusivamente da obesidade sob a perspectiva clínica ou nutricional, sem interface com a saúde mental e o contexto educacional. 

A análise dos dados será realizada por meio da análise de conteúdo temática, conforme proposta clássica de Bardin (2016), que consiste em um conjunto de técnicas de tratamento de comunicações com vistas à interpretação de significados a partir de categorias explícitas ou latentes no material examinado. A análise ocorrerá em três etapas: (1) pré-análise, com leitura flutuante e organização do corpus; (2) exploração do material, com codificação e categorização temática; e (3) tratamento dos resultados, com interpretação crítica à luz dos objetivos da pesquisa e do referencial teórico. 

Por tratar-se de um estudo documental e teórico, sem coleta de dados junto a seres humanos, não será necessária submissão ao Comitê de Ética em Pesquisa. Ainda assim, todas as normas éticas relativas ao uso de fontes científicas, integridade acadêmica e citação adequada serão rigorosamente observadas. 

4. ANÁLISE DOS DADOS  

A análise dos dados obtidos a partir da revisão sistemática da literatura será conduzida segundo os princípios da análise de conteúdo temática, conforme o referencial metodológico proposto por Bardin (2016). Trata-se de um método amplamente utilizado nas ciências humanas e sociais, que permite a identificação, categorização e interpretação dos conteúdos latentes presentes em textos científicos, possibilitando a construção de sentidos com base em unidades de significado extraídas dos materiais selecionados. O processo de análise seguirá as seguintes etapas: 

  1. Pré-análise: nesta fase, será realizada uma leitura flutuante de todos os artigos selecionados, com o objetivo de familiarização com o corpus documental. A organização do material será feita por meio da criação de fichamentos e quadros-síntese que evidenciem os elementos centrais de cada estudo: autores, ano, objetivos, metodologia, resultados e conclusões. 
  2. Exploração do material: esta etapa corresponde à codificação das informações e à categorização dos dados. Serão extraídas unidades de registro relacionadas aos temas centrais do estudo, como: estratégias de psicoeducação, impactos psicológicos da obesidade infantil, práticas do psicólogo escolar, intervenções contra bullying, promoção de hábitos saudáveis e valorização da imagem corporal. As categorias emergentes serão organizadas em eixos temáticos que permitam interpretar padrões recorrentes ou divergentes entre os estudos analisados. 
  3. Tratamento dos resultados e interpretação: com base nos dados categorizados, será realizada uma análise interpretativa que relacione os achados empíricos aos objetivos da pesquisa e ao referencial teórico adotado. Serão destacadas as contribuições das práticas psicológicas no contexto escolar, os principais desafios e as lacunas identificadas na literatura científica sobre a obesidade infantil e saúde mental no ambiente educacional. 

A análise será apresentada de forma descritiva e interpretativa, com apoio de quadros e tabelas que organizem os achados de forma sistematizada. As interpretações serão sustentadas por argumentos teóricos fundamentados nas produções científicas analisadas, respeitando os princípios da objetividade, coerência e rigor metodológico. 

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

A obesidade infantil configura-se como um desafio multifatorial que afeta não apenas a saúde física das crianças, mas também seu bem-estar emocional, psicológico e social. Este estudo evidencia que o ambiente escolar desempenha papel estratégico na prevenção e no manejo da obesidade infantil, podendo servir como espaço de promoção da saúde integral, inclusão social e desenvolvimento de competências socioemocionais.

O psicólogo escolar, ao atuar de forma preventiva e psicoeducativa, torna-se um agente fundamental na identificação precoce de fatores de risco, no enfrentamento do bullying e da estigmatização, e na promoção de hábitos saudáveis entre alunos, professores e familiares. As estratégias de intervenção, quando articuladas de maneira interdisciplinar e integrada, fortalecem a autoestima das crianças, contribuem para a construção de vínculos positivos e minimizam os efeitos psicológicos adversos associados à obesidade.

Além disso, a pesquisa reforça a necessidade de ações contínuas e estruturadas, que envolvam escola, família e comunidade, para enfrentar o adoecimento mental relacionado à obesidade infantil. Espera-se que os resultados desta investigação sirvam de subsídio para futuras pesquisas, formulação de políticas públicas e implementação de práticas pedagógicas e psicológicas mais eficazes, promovendo ambientes escolares saudáveis, inclusivos e acolhedores.

Em síntese, o estudo confirma que a atuação do psicólogo escolar transcende a função de acolhimento individual, consolidando-se como instrumento de transformação social e promoção da saúde integral de crianças em idade escolar, contribuindo para a prevenção da obesidade infantil e o fortalecimento da saúde mental.

No entanto, a obesidade infantil e juvenil define-se como a forma mais prevalente de má nutrição em nível global, resultado da ampla difusão dos alimentos ultraprocessados e de seu marketing direcionado às infâncias. Esse cenário impõe a necessidade urgente de políticas públicas integradas, voltadas à regulação do ambiente alimentar e à promoção de hábitos saudáveis, de modo a garantir o direito das novas gerações a uma vida digna e saudável.

A obesidade infantil também evidencia a necessidade de reflexão sobre políticas públicas e planejamento escolar voltados à promoção da saúde. A atuação do psicólogo escolar deve estar articulada com programas governamentais e comunitários que incentivem hábitos alimentares equilibrados, prática regular de atividades físicas e educação socioemocional. A implementação de projetos interdisciplinares, envolvendo professores, nutricionistas, educadores físicos e profissionais de saúde mental, pode potencializar os resultados, pois aborda simultaneamente os fatores biológicos, psicológicos e sociais que contribuem para a obesidade. Além disso, programas educativos que envolvam os pais e responsáveis são essenciais para criar ambientes familiares que favoreçam escolhas saudáveis e o acompanhamento contínuo do desenvolvimento infantil.

Outro ponto relevante refere-se à prevenção do estigma e à construção de uma cultura escolar inclusiva. A obesidade infantil não deve ser encarada apenas como uma questão de saúde física, mas como um desafio social que exige atenção à dignidade, autoestima e bem-estar emocional da criança. Intervenções preventivas e programas educativos devem enfatizar valores como respeito à diversidade corporal, empatia e cooperação, contribuindo para reduzir situações de bullying, isolamento social e preconceito. Dessa forma, a escola se torna um espaço de aprendizado não apenas acadêmico, mas também ético e social, capaz de formar cidadãos conscientes e resilientes.

O papel do psicólogo escolar, nesse contexto, é também de agente de transformação, mediando conflitos, promovendo habilidades socioemocionais e orientando práticas pedagógicas que valorizem a saúde integral. O acompanhamento contínuo, o uso de instrumentos de avaliação psicológica e a criação de grupos de apoio podem permitir que crianças com sobrepeso ou obesidade desenvolvam estratégias de enfrentamento adaptativas, reduzindo o impacto negativo da condição sobre sua vida escolar e social.

Além disso, a pesquisa sobre obesidade infantil reforça a importância de abordagens preventivas e políticas públicas que integrem saúde, educação e bem-estar social. Investir na formação de profissionais capacitados, na infraestrutura escolar adequada e na educação nutricional e física desde as primeiras fases escolares é uma medida estratégica para reduzir a incidência de obesidade e suas consequências psicossociais. A abordagem multidimensional, envolvendo família, escola e comunidade, garante que as intervenções não se restrinjam ao ambiente escolar, mas se estendam à vida cotidiana da criança, promovendo mudanças sustentáveis nos hábitos e no estilo de vida.

Portanto, a obesidade infantil deve ser compreendida como um fenômeno complexo, que demanda atenção contínua e integrada. A atuação do psicólogo escolar, aliada a políticas públicas eficazes, programas educativos e engajamento familiar, é fundamental para prevenir a obesidade e mitigar seus impactos emocionais, sociais e acadêmicos. Promover a saúde integral da criança, respeitando suas necessidades individuais, diversidade e contexto social, é um passo essencial para formar cidadãos saudáveis, autônomos e preparados para enfrentar os desafios da vida. A continuidade do debate, o monitoramento de estratégias preventivas e a adaptação de intervenções ao contexto específico de cada escola são medidas indispensáveis para assegurar que os esforços de prevenção e promoção da saúde infantil sejam eficazes, equitativos e duradouros.

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1 Graduanda em Psicologia pela Faculdade Católica de Rondônia. E-mail.: ingryd.fernandes@sou.fcr.edu.br
2 Doutoranda no Programa de Doutorado Profissional em Educação Escolar pela Universidade Federal de Rondônia – UNIR. Pesquisadora da Linha 2 – Currículo, Políticas e Diferenças Culturais na Educação Básica. Mestra em Educação pela Universidade Federal de Rondônia. Pós-graduada em Metodologia do Ensino Superior (UNINTES-2004). Pós-graduada em Neuropsicopedagogia pelo Instituto Rhema (2024). Pós-graduada em Coordenação Pedagógica pela Universidade Federal de Rondônia (UNIR- 2012). Graduada em Pedagogia com Habilitação em Administração Escolar (UNIPEC-2003). Membro dos Grupo de Pesquisa: Práxis (UNIR); Educação Intercultural e Povos Tradicionais (UNIR). Articuladora dos Anos Iniciais da Base Nacional Comum Curricular no Estado de Rondônia. Professora Voluntária da Universidade Federal de Rondônia de 2019 a 2020. Atuou como Assessora Técnica pedagógica na Escola Superior de Contas do Tribunal de Contas do Estado de Rondônia (2021 a 2022). Tem experiência como Coordenadora de Ensino na Faculdade Católica de Rondônia (2022). Atualmente atua na Faculdade Católica de Rondônia como docente, Coordenadora de TCC, e colaboradora do Núcleo de apoio Discente e Docente, bem como Professora NII na Secretaria Municipal de Educação e bolsista do Instituto Federal de Rondônia. Articuladora do Pacto Nacional da Educação de Jovens e Adultos. CV: http://lattes.cnpq.br/2174979432762207 Orcid: https://orcid.org/0000-0001-6949-9792 E-mail: nporfiro28@gmail.com