O USO DA ELETROTERAPIA COMO POSSIBILIDADE DE TRATAMENTO DA DOR LOMBAR CRÔNICA

THE USE OF ELECTROTHERAPY AS A POSSIBILITY FOR TREATMENT OF CHRONIC LOW BACK PAIN

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ma10202512301525


Jonatas Machado da Costa Lima1
Victor Manuel Fernandes Fontenele2
Kênia Mendes Rodriguês Castro3
Evaldo Sales Leal4


Resumo 

Introdução: A dor lombar crônica (DLC) é uma condição musculoesquelética de alta prevalência que se configura como uma das principais causas de incapacidade funcional global, gerando um impacto negativo na qualidade de vida dos indivíduos. A eletroterapia, por sua vez, é um recurso amplamente estabelecido e utilizado na prática clínica da fisioterapia para o manejo da dor e da otimização da função. Objetivo: Analisar evidências científicas disponíveis sobre a eficácia da eletroterapia como possibilidade de tratamento para a redução da dor e o aumento da funcionalidade em pacientes portadores de DLC. Metodologia: Trata-se de uma revisão bibliográfica integrativa, realizada nas seguintes bases de dados: National Library of Medicine (PUBMED), Portal de Periódicos CAPES e Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), usando os descritores “Low Back Pain”, “Treatment”, “Electric Stimulation Therapy”. A fim de se realizar a busca integrada, utilizou-se o conectivo “AND” unindo os descritores. Resultados: Os achados demonstram de forma consistente que a eletroterapia é eficaz na redução do quadro álgico, na melhora da função muscular e na qualidade de vida, tendo maior eficácia terapêutica quando utilizada de forma coadjuvante, sendo associada a programas de exercícios terapêuticos. Contudo, as variações nos protocolos de aplicação e nos métodos de estudo impõem um desafio. Conclusão: A eletroterapia é um recurso importante e promissor no tratamento da DLC, devendo ser utilizada como apoio à reabilitação ativa. Pesquisas futuras devem priorizar o maior rigor metodológico para estabelecer diretrizes clínicas mais claras e definitivas. 

Palavras-chave: Eletroterapia, Dor Lombar Crônica, Fisioterapia. 

1 INTRODUÇÃO 

A dor lombar (DL) representa, na atualidade, uma das principais causas de incapacidade funcional em escala global, caracterizando-se como uma condição de saúde pública de alta prevalência que impacta negativamente a qualidade de vida de uma vasta população, desde jovens até idosos. Embora a maioria dos episódios agudos de lombalgia apresente resolução espontânea em poucas semanas, uma parcela considerável dos casos, estimada entre 10 a 15%, progride para um quadro crônico (Leemans et al., 2021). A dor lombar crônica (DLC) corresponde a uma condição persistente que se estende por mais de 12 semanas, cujo manejo se torna um desafio constante para os sistemas de saúde. 

As complicações da DLC são de natureza multifatorial, com uma alta prevalência que pode variar de 60 a 70% em países desenvolvidos (Eid et al., 2024). Fatores como o aumento da sensibilização central do sistema nervoso, traumas, condições inflamatórias, sobrecarga postural decorrente de atividades laborais ou cotidianas, e a obesidade são frequentemente citados como elementos que contribuem para a perpetuação do quadro doloroso. Diante dessa complexidade, a busca por modalidades terapêuticas que sejam ao mesmo tempo eficazes, seguras e acessíveis torna-se uma prioridade clínica e científica. 

Nesse contexto, a eletroterapia surge como uma alternativa terapêutica de grande relevância na abordagem fisioterapêutica. Esta modalidade utiliza estímulos elétricos com o objetivo primário de modular a dor, mas seus benefícios se estendem à promoção do bem-estar e à melhora da funcionalidade geral do paciente. O destaque da eletroterapia se deve ao fato de ser uma abordagem segura, não invasiva, e ao seu baixo custo, o que a torna um recurso valioso e acessível para o tratamento da DLC (Abdulkarim, 2024). 

A eletroterapia mostra-se promissora ao oferecer diversas técnicas para o tratamento da DLC, especialmente como técnica coadjuvante, já que é potencializada quando está associada a outras intervenções como os exercícios terapêuticos. Estudos demonstram que essa combinação promove uma maior redução da dor, melhora na mobilidade da coluna lombar e consequentemente, mais qualidade de vida, superando os resultados obtidos com as terapias de forma isolada (Miftari et al., 2023; Tori et al., 2021). 

Apesar de sua ampla utilização na prática clínica e dos benefícios apontados, a literatura ainda não apresenta um consenso claro sobre a efetividade da eletroterapia. Estudos indicam que, embora a utilização isolada possa reduzir dores, as modalidades e os parâmetros de aplicação como frequência, intensidade e duração do tratamento específico da DLC ainda não foram bem determinados (Wolfe et al., 2024). Essa diferença nos protocolos cria uma incerteza que dificulta a padronização de uma prática clínica baseada em evidências. 

Nessa perspectiva, o presente trabalho teve como objetivo analisar, por meio de uma revisão bibliográfica integrativa, as evidências científicas disponíveis sobre a eficácia da eletroterapia como possibilidade de tratamento para a redução da dor e o aumento da funcionalidade em pacientes portadores de DLC. 

2 METODOLOGIA  

O presente estudo consiste em uma revisão bibliográfica integrativa, realizada por meio das bases de dados: National Library of Medicine (PUBMED), Portal de Periódicos CAPES e Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS) que disponibilizaram uma seleção abrangente e extensa de periódicos científicos nacionais e internacionais. Foram selecionados para análise artigos nos idiomas português, inglês, espanhol e foram excluídos aqueles que não atendiam o requisito esperado. 

Foram utilizados os “Descritores em Ciência da Saúde (DeCS) ” e seus correspondentes em inglês combinados com operador booleano “AND”. As palavras-chave utilizadas foram: “Low Back Pain”, “Treatment”, “Electric Stimulation Therapy”. Os estudos foram pré-selecionados por meio da leitura dos artigos, por meio dos seguintes critérios de inclusão: artigos originais que abordem o tema proposto, publicações completas de forma gratuita, com o ano de publicação entre 2020 e 2025. Os critérios de exclusão foram: artigos que não abordem a proposta do tema e do período requisitado, e aqueles que não estavam disponibilizados gratuitamente. 

Figura 1 – Distribuição da estratégia de busca dos achados nas bases de dados.  

FLUXOGRAMA 

Fonte: dos próprios autores 2025.

3 RESULTADOS E DISCUSSÃO 

O quadro é uma demonstração geral dos dados sobre o autor, ano de publicação, objetivos dos artigos, tipos de estudo e resultados. 

Quadro 1 – Características dos estudos selecionados quanto ao autor, ano, título, qualis e objetivos, incluídos no estudo. Piripiri-PI, 2025. 

Nº AUTOR / ANO TITULO QUALIS OBJETIVO 
(Altınbilek & Murat, 2020) Comparação de diatermia de ondas curtas, estimulação elétrica nervosa transcutânea, outros métodos de eletroterapia e terapia por exercícios em condições crônicas de região lombar.    B2 Avaliar os efeitos de modalidades de fisioterapia aplicadas 5 dias/semana vs. 2 dias/semana na dor, depressão e incapacidade funcional em pacientes com dor lombar mecânica crônica. 
Hoque, et al., (2022) Efeitos da Estimulação Elétrica Nervosa Transcutânea em pacientes com lombalgia crônica inespecífica.   A2 Avaliar os efeitos da Estimulação Elétrica Nervosa Transcutânea (TENS) em pacientes com dor lombar crônica não específica. 
Ferrándiz, et al., 
(2022) 
Efeitos de um programa de exercícios supervisionados, além de estimulação elétrica ou bandagem kinesio na dor lombar: um ensaio clínico randomizado.    A1 Investigar o efeito de um tratamento misto com exercício e estimulação elétrica vs. exercício e kinesio taping em pacientes com dor lombar crônica não específica. 
   Yakşi, et al., (2021) A estimulação elétrica nervosa transcutânea afeta a dor, a dor neuropática e as respostas simpáticas da pele no tratamento da lombalgia crônica? Um estudo randomizado e controlado por placebo.    A4 Avaliar a eficácia da Estimulação Elétrica Nervosa Transcutânea (TENS) na dor, dor neuropática e respostas simpáticas da pele no tratamento da dor lombar crônica. 
Silveira et al., 2021. A eletroterapia pode aprimorar o efeito de exercícios 
cinesiofuncionais no tratamento da dor lombar inespecífica crônica? 
B1    Comparar o efeito de um protocolo de exercícios cinesiofuncionais (ECF) isolados ou associados a corrente interferencial (CI) ou corrente aussie (CA), sobre a intensidade da dor, a mobilidade/flexibilidade, a funcionalidade e a qualidade de vida (QV) de indivíduos com dor lombar inespecífica crônica.
Linzmeyer, et al., 
(2022) 
Efeito da estimulação elétrica neuromuscular na função muscular em pacientes com dor lombar crônica.   B1 Investigar os efeitos da estimulação elétrica neuromuscular (EENM) na função muscular em pacientes com dor lombar crônica. 
Jalalvandi et al., 
(2022) 
Efeitos de exercícios para as costas versus estimulação elétrica nervosa transcutânea no alívio da dor e incapacidade em enfermeiros de centro cirúrgico com DL crônica não específica: um ensaio clínico randomizado.     A1 Comparar o efeito de exercícios para as costas vs. 
Estimulação Elétrica Nervosa Transcutânea (TENS) no alívio da dor e incapacidade em enfermeiros com dor lombar crônica não específica. 
Johnson et al., 
(2022)    
Eficácia e segurança da estimulação elétrica nervosa transcutânea (TENS) para dor aguda e crônica em adultos: uma revisão sistemática e metaanálise de 381 estudos (estudo meta-TENS).    A2 Investigar a eficácia e a segurança da estimulação elétrica nervosa transcutânea (TENS) para o alívio da dor em adultos. 
Lemos et al., (2021) Eletroacupuntura e estimulação elétrica nervosa transcutânea na lombalgia crônica inespecífica: um ensaio clínico randomizado cego.    A3 Comparar os efeitos da EA e da TENS em indivíduos com dor lombar crônica inespecífica.  
10 Pivovarsky et al., 2021. Efeito analgésico imediato de dois modos de estimulação elétrica nervosa transcutânea em pacientes com dor lombar crônica: um ensaio clínico randomizado    A4 Comparar e avaliar os efeitos analgésicos imediatos de dois modos de estimulação elétrica nervosa transcutânea (TENS) em pacientes com dor lombar crônica. 

FONTE: autoria própria, 2025. 

Quadro 2 – Características dos estudos selecionados quanto à metodologia e principais achados, incluídos no estudo. Piripiri-PI, 2025.

 METODOLOGIA PRINCIPAIS ACHADOS 
Ensaio clínico randomizado com 60 pacientes com dor lombar mecânica crônica, divididos em dois grupos. Um grupo recebeu fisioterapia 5 dias/semana (15 sessões) e o outro 2 dias/semana (6 sessões). Ambos os protocolos incluíam compressas quentes, TENS, ultrassom e exercícios. A dor, depressão e incapacidade funcional foram avaliadas antes, após o tratamento e 4 semanas depois. Ambos os protocolos de tratamento (5x/semana e 2x/semana) foram eficazes na redução da dor, depressão e incapacidade. O protocolo de 2x/semana, no entanto, demonstrou uma melhora mais acentuada, embora a diferença entre os grupos não tenha sido estatisticamente significativa. 
Ensaio clínico randomizado controlado com 120 pacientes com dor lombar crônica não específica, divididos em 3 grupos: um recebendo AINEs e orientações de atividades diárias (ADL); outro recebendo AINEs, ADL e TENS; e um terceiro com AINEs, ADL e exercícios de extensão. A dor e a incapacidade foram avaliadas antes e depois do tratamento. Todos os grupos apresentaram melhora. Os grupos que incluíram TENS ou exercícios de extensão, além dos AINEs e ADL, mostraram uma melhora significativa na dor e na incapacidade. Não houve uma diferença relevante entre os três grupos de tratamento. 
Ensaio clínico randomizado, simples-cego, com 58 pacientes com dor lombar crônica não específica, divididos em grupo de exercícios + kinesio taping e grupo de exercícios + TENS. O tratamento durou 4 semanas, com 12 sessões. Foram avaliados dor, incapacidade, cinesiofobia, ansiedade, depressão, qualidade do sono e mecanossensibilidade. Ambos os grupos apresentaram melhora na dor e incapacidade. O grupo que recebeu TENS associado aos exercícios demonstrou uma redução mais significativa da dor em comparação ao grupo com kinesio taping. Ambos os tratamentos tiveram um grande efeito na ansiedade e na depressão. 
Ensaio clínico randomizado e controlado por placebo com 74 pacientes com dor lombar crônica, comparando TENS convencional, TENS em modo burst e TENS placebo. O tratamento foi aplicado por 30 minutos, 5 vezes por semana, durante 3 semanas (total de 15 sessões). Foram avaliadas a dor, a dor neuropática e as respostas simpáticas da pele. A TENS em modo burst mostrou-se um método eficaz e seguro para o controle da dor a curto prazo. 
Todos os grupos, incluindo o placebo, apresentaram melhora significativa da dor imediatamente após o tratamento. Não houve diferença significativa entre a TENS convencional e a TENS burst, nem efeito significativo na dor neuropática ou nas respostas simpáticas da pele. 
5Ensaio clínico no qual 42 sujeitos foram aleatorizados em três grupos: GI (treinamentos cinesiofuncional; n=14), GII (treinamentos cinesiofuncional + corrente interferencial; n=14) e GIII (treinamento cinesiofuncional + corrente aussie; n=14). Os indivíduos foram submetidos a dez sessões de tratamento ao longo de 5 semanas. Avaliações pré e pós-intervenção incluíram: EVA para dor, questionário SF-36 para qualidade de vida, teste de Schober modificado e banco de Wells para mobilidade/flexibilidade, índice Oswestry para incapacidade funcional e inventário de Beck para depressão. Houve melhora significativa na intensidade da dor e na mobilidade/flexibilidade em todos os grupos. No SF-36, apenas os grupos que associaram exercícios à corrente elétrica (GII e GIII) apresentaram melhora nos domínios de capacidade física, aspectos físicos e dor. A avaliação da depressão (IDB) não apresentou modificações. A associação das técnicas terapêuticas (exercícios + eletroterapia) apresentou maior benefício, produzindo melhora na dor, mobilidade/flexibilidade e qualidade de vida. 
O estudo é uma revisão sistemática que utilizou 10 bases de dados para a busca por meio de uma combinação abrangente de descritores que atendessem à questão de pesquisa. Os critérios de seleção baseados na estratégia PICOT foram população – indivíduos com dor lombar crônica, intervenção – EENM; desfechos – alterações musculares paravertebrais /ou abdominais. Com base nos estudos analisados, a maioria obteve melhora na força e aumento da área transversal dos músculos multífido, transverso do abdome e oblíquo interno em pacientes com DLC tratados com EENM. Outros artigos que também utilizaram EENM aplicada nesses músculos em indivíduos sedentários sem doenças, corroboram os achados de melhora nos aspectos da função muscular. 
Ensaio clínico, realizado com quarenta e quatro enfermeiros elegíveis de centro cirúrgico (30 mulheres, 14 homens, idade média: 37,86 ± 6,74) com DLC inespecífica foram designados aleatoriamente para exercícios para as costas (incluindo exercícios de fortalecimento e alongamento ( n  = 22)) ou grupos TENS ( n  = 22) pelo método de randomização de blocos permutados. Após 6 semanas, a média de dor e incapacidade diminuiu significativamente em ambos os grupos. No entanto, o grupo TENS teve uma redução significativamente maior na dor e na incapacidade do que o grupo de exercícios. 
A revisão incluiu 381 ECRs (24.532 participantes). A intensidade da dor foi menor durante ou imediatamente após a TENS em comparação com o placebo (91 ECRs, 92 amostras, n=4.841, DMP=-0,96 (IC 95% -1,14 a -0,78), evidência de certeza moderada). As características metodológicas (p. ex., RoB, tamanho da amostra) e da dor (p. ex., aguda vs. crônica, diagnóstico) não modificaram o efeito.  A intensidade da dor foi menor durante ou imediatamente após a TENS em comparação com tratamentos farmacológicos e não farmacológicos usados como parte do padrão de tratamento. Os níveis de evidência foram rebaixados devido a ensaios de pequeno porte que contribuíram para a imprecisão nas estimativas de magnitude. Os dados foram limitados para outros resultados, incluindo eventos adversos que foram mal relatados, geralmente leves e não diferentes dos comparadores. 
9Ensaio clínico randomizado cego com 48 indivíduos com dor lombar crônica inespecífica. Os pacientes foram alocados nos seguintes grupos: Cinesioterapia Convencional (GC), Cinesioterapia Convencional mais Estimulação Elétrica Nervosa Transcutânea (CTENSG) e Cinesioterapia Convencional mais Eletroacupuntura (CEAG). Todos os grupos melhoraram significativamente a dor. No entanto, o CEAG reduziu a dor significativamente mais do que o GTENSG e o GC. Os três grupos melhoraram significativamente a função no ponto final. Em relação ao questionário Roland Morris, o GCEAC pontuou significativamente menor do que o CTENSG e o GC. 
10 Ensaio clínico randomizado, cego, de três braços. 105 pacientes com dor lombar crônica não específica (18-85 anos) foram randomizados para Grupo Placebo (estimulação elétrica simulada), Grupo TENS Convencional (estimulação contínua a 100Hz por 100µs com intensidade sensorial) e Grupo TENS Burst (estimulação a 100Hz modulada a 2Hz por 100µs com intensidade motora). Aplicação única de TENS por 30 minutos.  A intensidade da dor (EVA) e a qualidade da dor (Questionário de Dor McGill) diminuíram significativamente nos Grupos de Intervenção (TENS Convencional e TENS Burst). Um efeito positivo foi observado nas intervenções em comparação com o Grupo Placebo em todos os domínios do Questionário de Dor McGill, exceto para a intensidade da dor. O limiar de dor à pressão aumentou significativamente imediatamente após a aplicação da TENS. 

FONTE: autoria própria, 2025. 

Legenda: TENS: Estimulação Elétrica Nervosa Transcutânea; DLC: Dor Lombar Crônica; EA: Eletroacupuntura; EENM: Estimulação Elétrica Neuromuscular; ECF: Exercícios Cinesiofuncionais; CI: Corrente Interferencial; 
CA: Corrente Aussie; AINEs: Anti-inflamatórios Não Esteroides; ADL: Atividades da Vida Diária; EVA: Escala Visual Analógica; IDB: Inventário de Depressão de Beck; GC: Grupo Controle; GI: Grupo Intervenção; LBP: Low Back Pain (Dor Lombar); VAS: Visual Analogue Scale (Escala Visual Analógica); RCR: Ensaio Clínico 
Randomizado; DLC: Dor Lombar Crônica; CG: Cinesioterapia Convencional; CTENSG: Cinesioterapia Convencional mais Estimulação Elétrica Nervosa Transcutânea; CEAG: Cinesioterapia Convencional mais Eletroacupuntura; ECRs: Ensaios Clínicos Randomizados; DMP: Diferença Média Ponderada; PICOT: População, Intervenção, Comparação, Outcome, Tempo. 

Os estudos selecionados revelam o uso constante da eletroterapia como forma de tratamento para a dor lombar crônica. Entretanto, embora diversas modalidades de uso comprovem o potencial terapêutico desse recurso, a diversidade no protocolo e a variedade nos resultados exige uma discussão detalhada para situar os achados e direcionar a prática clínica. Nesse contexto os resultados serão analisados e discutidos em sequência, abordando cada estudo e sua contribuição, e comparando-os quando pertinente.  

Em um estudo realizado por Ferrándiz et al, (2022), 58 pacientes com dor lombar crônica foram avaliados realizando uma comparação de um programa de exercícios associando a estimulação elétrica nervosa transcutânea (TENS) a outro protocolo que incluía o uso de kinesio Taping. Segundo os autores, ambos os grupos tiveram uma melhora significativa, porém, o grupo que recebeu o TENS, teve uma melhora ainda mais eficaz no quadro de dor desses pacientes. Esses estudos apontam que o uso do TENS quando combinado com exercícios terapêuticos podem ampliar os efeitos analgésicos, promovendo uma recuperação mais eficaz. 

Jalalvandi et al., (2022) realizaram um estudo no qual investigaram os efeitos de um programa de exercícios para a região lombar em relação a utilização do TENS em indivíduos com dor lombar crônica. O estudo mostra que ambas as intervenções foram eficazes na redução da dor e na melhora da funcionalidade, sem apresentar diferenças significativas entre os grupos. Em relação ao estudo de Ferrandiz et al., (2022), ambos demonstram que a TENS é uma intervenção eficaz, tanto quando utilizada de forma isolada quanto combinada a exercícios, o que reforça suas possibilidades de uso na reabilitação em diferentes cenários clínicos. 

Em contrapartida, Hoque et al., (2022) produziram um estudo, com 120 pacientes que comparou a aplicação da TENS combinada a anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) e atividades de vida diária (AVDs) com intervenções que incluíam apenas AINs, AVDs e exercícios. Os autores não encontraram diferenças significativas entres os grupos em relação a melhora da dor e incapacidade. Essa ausência de superioridade da TENS é complementada pelo estudo de Yaksi et al., (2021), que ao analisar o uso da TENS modo burst com o TENS convencional e placebo, observaram que embora todos os grupos tenham apresentado melhora significativa na dor a curto prazo, o modo burst demonstrou uma melhora significante maior. Essas variações nos resultados podem ser relacionadas às diferenças nos parâmetros de aplicação como frequência, intensidade e duração e características distintas das amostras avaliadas. 

Diante de várias demandas, Johnson et al., (2022) realizaram um estudo incluindo 381 estudos sobre a eficácia e a segurança do uso da TENS para o tratamento da dor aguda e crônica em adultos. Os autores observaram que, embora existam evidências de que o TENS é eficaz para o alívio da dor, a intensidade desse efeito tende entre pequena e moderada, e que as qualidades de evidências em muitos casos são baixas, principalmente por conta de limitações metodológicas. Apesar de ser uma terapêutica bastante útil em pacientes com quadro álgico, sua aplicação deve ser criteriosa, de forma que sua utilização seja de forma correta e eficaz baseada em uma avaliação individualizada e em protocolos bem definidos. 

A utilização do TENS apresenta diferentes formas de aplicação, em seu estudo, Pivovarsky et al. (2021) analisaram os efeitos analgésicos da TENS convencional e da TENS burst em portadores de dor lombar crônica, demonstrando que ambas as modalidades promoveram redução significativa da dor logo após a aplicação, com resultados semelhantes entre si. No entanto, este achado diverge do estudo de Yakşi et al. (2021), que observou superioridade do modo burst. Essa divergência é crucial e pode ser explicada pela diferença nos protocolos específicos de cada estudo, como a frequência e a intensidade aplicadas, que influenciam diretamente o mecanismo de analgesia (liberação de opioides endógenos). Isso sugere que a escolha entre os modos deve ser precisa e baseada no objetivo terapêutico, exigindo uma avaliação individualizada. 

De acordo com o ensaio clínico randomizado realizado por Lemos et al. (2021) cujo objetivo era analisar os efeitos da eletroacupuntura, da TENS, e da cinesioterapia convencional em pacientes com dor lombar crônica. Foi evidenciado que, mesmo todos os grupos tenham apresentado uma melhora, a eletroacupuntura demonstrou uma maior redução nos limiares de dor, além de um melhor desempenho na estabilidade pélvica em relação aos outros grupos. Assim os resultados adquiridos demonstram que a eletroacupuntura pode ser considerada como uma alternativa bem promissora e com potencial elevado em determinados desfechos. 

Linzmeyer et al (2022) realizou uma revisão sistemática a fim de analisar os efeitos provocados pela estimulação elétrica neuromuscular (EENM) na função dos músculos estabilizadores da pelve e do tronco em portadores de dor lombar crônica. A análise demonstrou que a EENM promoveu um aumento significativo da força e na ativação dos músculos estabilizadores profundos do tronco, como o multífido, transverso do abdome e o oblíquo interno, no qual a disfunção desses músculos podem ser associados a prevalência constante da dor e da instabilidade lombar, e a capacidade da EENM de ativá-los de modo seletivo e controlado, demonstrando um potencial terapêutico importante na estabilização da coluna e prevenção de recidivas. 

Em seu estudo, Silveira et al. (2021) analisaram os efeitos de um protocolo de exercícios cinesiofuncionais associado a corrente interferencial, em relação com à realização isolada dos exercícios. O Estudo destacou que o uso combinado dos exercícios a eletroterapia teve benefícios significativamente maiores em relação a capacidade funcional, aspectos físicos e dor, além de melhorias na mobilidade e flexibilidade. Corroborando com esses resultados, Ferrándiz et al. (2022) observou que a associação da TENS com exercícios foi mais eficaz do que a aplicação combinada de exercícios a Kinesio Taping. Esses achados destacam a relevância da terapia combinada, na qual a eletroterapia contribui para a modulação da dor, facilitando a execução e a adesão do paciente ao programa de exercícios favorecendo o fortalecimento muscular e a estabilização da coluna. 

Altınbilek & Murat (2020) analisaram a eficácia de um protocolo fisioterapêutico que incluía o uso do TENS, ultrassom e compressas quentes feito cinco vezes por semana, em relação a um protocolo realizado apenas duas vezes por semana, em portadores de dor lombar crônica. Os resultados obtidos demonstram que os dois grupos obtiveram melhora significativa, em todos os desfechos avaliados incluindo dor, depressão e incapacidade funcional, sendo que o grupo tratado duas vezes por semana obteve resultados ligeiramente superiores. Esses dados sugerem que protocolos menos intensivos podem alcançar efeitos semelhantes ou até mais favoráveis aos de maior frequência, representando uma alternativa vantajosa em termos de custo-benefício e adesão do paciente. 

Apesar dos resultados promissores, observou-se uma grande variação nos métodos utilizados pelos estudos analisados. Os parâmetros de aplicação da eletroterapia, como frequência (de 2 Hz a 125 Hz), intensidade (sensorial ou motora), duração das sessões e número total de aplicações, diferem bastante, o que dificulta comparar resultados e estabelecer protocolos padronizados. Grande parte dos estudos apresentou amostras pequenas, ausência de um grupo de controle em certos casos e falta de acompanhamento dos pacientes a longo prazo para verificar se os resultados se mantêm. Segundo Johnson et al. (2022) essas insuficiências enfraquecem os níveis de evidência dando ênfase a necessidade de ensaios clínicos mais robustos. Dessa forma, pesquisas futuras devem priorizar amostras maiores, acompanhamento prolongado e protocolos bem definidos, para que se possam estabelecer diretrizes clínicas mais claras e definitivas. 

4 CONCLUSÃO 

Em síntese, a revisão bibliográfica integrativa demonstrou que a eletroterapia constitui um recurso terapêutico relevante no manejo da dor lombar crônica (DLC). Os achados indicam que modalidades como a Estimulação Elétrica Nervosa Transcutânea (TENS) e a Estimulação Elétrica Neuromuscular (EENM) promovem benefícios significativos na redução do quadro álgico, na melhora da função muscular e na qualidade de vida dos pacientes. É fundamental destacar que a maior eficácia da eletroterapia é observada quando esta é empregada de forma coadjuvante, associada a programas de exercícios terapêuticos, superando os resultados obtidos com o uso isolado. 

Apesar dos resultados promissores, a análise da literatura aponta para a existência de variações nos achados, principalmente em função da diversidade nos protocolos de aplicação (frequência, intensidade e duração) e das diferenças metodológicas dos estudos. Tais fatores reforçam a necessidade de uma abordagem clínica individualizada, na qual a eletroterapia deve ser utilizada como um recurso auxiliar para o controle da dor, facilitando o envolvimento ativo do paciente no processo de reabilitação. Para o avanço do conhecimento na área, sugere-se que pesquisas futuras busquem a padronização de protocolos e a condução de ensaios clínicos com maior qualidade metodológica, a fim de estabelecer diretrizes clínicas mais claras e definitivas para o tratamento da DLC. 

REFERÊNCIAS 

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1Discente do Curso Superior de Fisioterapia da Christus Faculdade do Piauí – CHRISFAPI e-mail: Jonatasmcl@hotmail.com.
2Discente do Curso Superior de Fisioterapia da Christus Faculdade do Piauí – CHRISFAPI e-mail: victori7not@gmail.com
3Docente do curso de bacharelado em fisioterapia pela Christus Faculdade do Piauí – CHRISFAPI e-mail: Kenia_mendes2011@hotmail.com.
4Docente do Curso Superior de Fisioterapia da Christus Faculdade do Piauí – CHRISFAPI. Mestre em Enfermagem pela Universidade Federal do Piauí (UFPI – PI). e-mail: evaldosleal@hotmail.com