THE USE OF CANNABIS SATIVA IN THE COMPLEMENTARY TREATMENT OF ALZHEIMER’S DISEASE
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ra10202512121739
Larissa Sena Carvalho Lobato1
Lilian Pantoja Corrêa2
Luan Henrique Figueiro Bitencourt3
Orientador: Manoel Guacelis Sena Dias Junior4
RESUMO
A Doença de Alzheimer é uma enfermidade neurodegenerativa progressiva que afeta sobretudo idosos e representa um grande desafio de saúde pública. Os tratamentos convencionais disponíveis atuam apenas no controle dos sintomas e não impedem a evolução da doença, além de provocarem efeitos adversos. Nesse contexto, cresce o interesse científico pela Cannabis Sativa como terapia complementar, especialmente por seus compostos CBD e THC, que possuem propriedades neuroprotetoras, antioxidantes e anti-inflamatórias. O CBD destaca-se por não ser psicoativo e por atuar no sistema endocanabinoide, influenciando processos afetados no Alzheimer. Estudos apontam que ele pode reduzir placas βamiloides, modular a proteína tau e aliviar sintomas como agitação, ansiedade e insônia. No Brasil, embora existam avanços regulatórios, o uso medicinal da cannabis ainda enfrenta barreiras e depende de decisões judiciais para ampla aplicação. A revisão conclui que o CBD apresenta potencial promissor, mas ainda são necessárias mais evidências e ajustes legais para sua incorporação efetiva ao tratamento da doença.
Palavras-chave: Cannabis Sativa . Alzheimer. Canabinoides. Canabidiol. Tratamento complementar.
ABSTRACT
Alzheimer’s disease is a progressive neurodegenerative disease that primarily affects the elderly and represents a major public health challenge. Conventional treatments only control symptoms and do not prevent the disease from progressing, in addition to causing adverse effects. In this context, scientific interest in Cannabis Sativa as a complementary therapy is growing, especially due to its compounds CBD and THC, which have neuroprotective, antioxidant, and anti-inflammatory properties. CBD stands out for not being psychoactive and for acting on the endocannabinoid system, influencing processes affected in Alzheimer’s. Studies indicate that it can reduce βamyloid plaques, modulate tau protein, and alleviate symptoms such as agitation, anxiety, and insomnia. In Brazil, although there are regulatory advances, the medicinal use of cannabis still faces barriers and depends on judicial decisions for widespread application. The review concludes that CBD shows promising potential, but more evidence and legal adjustments are still needed for its effective incorporation into the treatment of the disease.
Keywords: Cannabis Sativa . Alzheimer’s. Cannabinoids. Cannabidiol. Complementary treatment.
1 INTRODUÇÃO
Nas últimas décadas, a transformação demográfica marcada pelo rápido envelhecimento populacional tem elevado significativamente a prevalência de doenças neurodegenerativas em todo o mundo, entre elas a Doença de Alzheimer (OMS, 2023). Essa condição tem se tornado cada vez mais presente na realidade das famílias, ampliando as discussões sobre seus impactos sociais, econômicos e na saúde pública. A Doença de Alzheimer é caracterizada como uma enfermidade degenerativa, progressiva e irreversível, que provoca prejuízos severos na memória e em outras funções cognitivas, comprometendo de forma significativa a autonomia e a capacidade funcional dos indivíduos afetados (Lucas; Freitas; Monteiro, 2022).
Apesar dos avanços na área da saúde, ainda não existe um medicamento capaz de curar ou interromper completamente a progressão do Alzheimer. Os fármacos disponíveis, como galantamina, donepezila e rivastigmina, atuam principalmente como inibidores da acetilcolinesterase, buscando retardar parcialmente o declínio cognitivo e mitigar sintomas, mas com eficácia limitada e frequentemente acompanhada de efeitos adversos (Lucas; Freitas; Monteiro, 2022). Os sintomas iniciais incluem perda de memória recente, dificuldade de raciocínio, desorientação, alterações comportamentais e prejuízo na realização de atividades cotidianas, sintomas que tendem a evoluir progressivamente ao longo do tempo.
Nesse cenário, cresce o interesse por terapias complementares que possam contribuir para o manejo da doença. Entre essas possibilidades, destaca-se a Cannabis Sativa , uma planta de uso medicinal milenar, cujos registros remontam de 5.000 a 6.000 anos, rica em fitocanabinoides com potencial terapêutico diverso (Pessoa; Lira; Siqueira, 2023). Estudos recentes têm apontado que compostos como o canabidiol (CBD) e o tetraidrocanabinol (THC) apresentam propriedades neuroprotetoras, antioxidantes e anti-inflamatórias, sugerindo possíveis benefícios no tratamento de doenças neurodegenerativas, incluindo o Alzheimer (Moraes; Fukushima; Nicoletti, 2022).
O avanço das pesquisas e das regulamentações sobre o uso medicinal da cannabis tem despertado o interesse do setor farmacêutico, especialmente pela possibilidade de introdução de novas abordagens terapêuticas no manejo da doença. Assim, profissionais farmacêuticos passam a desempenhar papel essencial na orientação segura e baseada em evidências para o uso desses compostos (Santos, 2023). Diante desse contexto, torna-se fundamental investigar, de forma sistemática, as evidências disponíveis sobre o uso terapêutico da Cannabis Sativa no tratamento da Doença de Alzheimer, buscando compreender seu potencial, suas limitações e suas contribuições para práticas clínicas futuras.
A relevância deste estudo reside na necessidade de reunir e analisar criticamente as evidências disponíveis acerca do uso da Cannabis Sativa no tratamento da Doença de Alzheimer, contribuindo para ampliar a compreensão sobre sua eficácia, segurança e aplicabilidade. Os resultados dessa investigação podem subsidiar decisões clínicas, fortalecer a base científica sobre o tema e auxiliar na integração de terapias complementares ao sistema de saúde, beneficiando pacientes, profissionais e a sociedade.
2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
A presente pesquisa, permiti compreender o estado atual do conhecimento sobre a Doença de Alzheimer e as perspectivas terapêuticas emergentes, incluindo o uso de compostos derivados da Cannabis Sativa . O levantamento de estudos publicados possibilita identificar avanços, lacunas, controvérsias e limitações que justificam a realização deste trabalho. Assim, esta seção apresenta uma revisão sistematizada dos principais conceitos relacionados ao Alzheimer, abrangendo epidemiologia, fisiopatologia, diagnóstico, terapias convencionais e investigações recentes sobre a utilização de canabinoides como tratamento complementar.
A Doença de Alzheimer (DA) é uma enfermidade neurodegenerativa progressiva que compromete memória, raciocínio, comportamento e outras funções cognitivas essenciais. Responsável por aproximadamente 60% a 70% dos casos de demência, caracteriza-se pela morte gradual de neurônios decorrente do acúmulo anormal de proteínas no cérebro, como placas beta-amiloides e agregados de proteína tau hiperfosforilada (Caldas, 2022). Os sintomas iniciais incluem esquecimento de eventos recentes, dificuldade para localizar palavras, desorientação temporal e espacial e confusão mental. Com a progressão da doença, observa-se perda profunda da memória, incapacidade de realizar tarefas simples, alterações comportamentais e, nas fases finais, dependência total (OMS, 2023).
Embora sua etiologia não seja totalmente esclarecida, estudos apontam fatores de risco como idade avançada, predisposição genética (especialmente portadores do gene APOE-ε4), histórico familiar, sedentarismo, dieta inadequada e doenças crônicas como hipertensão, diabetes e obesidade.
Epidemiologia: A Organização Mundial da Saúde indica que o Alzheimer é a forma mais prevalente de demência, representando entre 50% e 75% dos casos. A maior incidência ocorre em indivíduos acima de 65 anos, podendo atingir cerca de 25% das pessoas com 85 anos ou mais. Além disso, mulheres apresentam risco até três vezes maior de desenvolver a doença (OMS, 2023). Atualmente, estima-se que 55 milhões de pessoas em todo o mundo convivam com algum tipo de demência. Projeções indicam que esse número poderá alcançar 82 milhões até 2030. No Brasil, aproximadamente 1,2 milhão de indivíduos foram diagnosticados com Alzheimer. Globalmente, surgem mais de 10 milhões de novos casos por ano, o que equivale a um diagnóstico a cada 3,2 segundos (Alzheimer’s Disease International, 2023).
Fisiopatologia: Embora a perda neuronal seja parte do envelhecimento, na Doença de Alzheimer ela ocorre de maneira acelerada. O diagnóstico definitivo requer análise neuropatológica, evidenciando atrofia cortical e outros danos cerebrais associados ao declínio cognitivo (Nunes, 2023). Pacientes com Alzheimer apresentam depósitos extracelulares de proteínas beta-amiloides, formando placas neuríticas responsáveis pela morte neuronal (Filho et al., 2020). Também são observados emaranhados neurofibrilares decorrentes da hiperfosforilação da proteína tau. Esses elementos, associados ao estresse oxidativo e à neuroinflamação, contribuem diretamente para o desenvolvimento e progressão da doença (Filho et al., 2024). Os fatores de risco podem ser classificados em não modificáveis (idade, genética e histórico familiar) e modificáveis, como hipertensão, obesidade, depressão, sedentarismo, tabagismo, isolamento social e exposição à poluição (Nunes, 2023).
Diagnóstico: O diagnóstico do Alzheimer é clínico e complementar, baseado em exames laboratoriais, neuroimagem e avaliações cognitivas. O sistema ATN, que analisa biomarcadores de amiloide, tau e neurodegeneração, auxilia na identificação e na classificação da doença (Bilmann et al., 2022). A evolução da doença ocorre em três fases: pré-clínica, comprometimento cognitivo leve e demência, que pode ser leve, moderada ou grave (Portal AlzheimerMed, 2023). Pesquisas nos Estados Unidos identificaram biomarcadores sanguíneos capazes de detectar alterações proteicas associadas à DA, permitindo maior precisão diagnóstica (Filho et al., 2024). Embora ainda em fase experimental, esse avanço pode transformar o diagnóstico futuro (Alzheimer’s Disease International, 2023).
Tratamento Convencional: O tratamento da Doença de Alzheimer visa retardar a progressão dos sintomas, uma vez que não há cura disponível (Carvalho, 2022). As terapias farmacológicas incluem: Inibidores da colinesterase, como donepezila, rivastigmina e galantamina, que aumentam a disponibilidade de acetilcolina nas sinapses. Memantina, antagonista do receptor NMDA, utilizada principalmente em estágios moderados a graves (Melo, 2024).
Entre esses fármacos, a donepezila é amplamente recomendada devido à sua alta permeabilidade à barreira hematoencefálica e menor toxicidade. Os principais efeitos adversos incluem cefaleia, tontura, vômitos, sonolência e aumento da pressão arterial (Ministério da Saúde, 2022). Além da farmacoterapia, intervenções como musicoterapia, arteterapia, terapia de reminiscência, estimulação multissensorial e aromaterapia auxiliam na redução de sintomas neuropsiquiátricos (Timer, 2023).
Novo Tratamento Complementar: Cannabis Sativa : O sistema endocanabinoide desempenha papel importante na regulação da memória e de processos neuroprotetores. Estudos sugerem que sua disfunção pode estar relacionada ao Alzheimer. Nesse contexto, o CBD, composto não psicoativo da Cannabis Sativa , tem sido amplamente investigado por propriedades antioxidantes, anti-inflamatórias e neuroprotetoras (Santos, 2023). A Cannabis Sativa é uma planta da família Cannabaceae, de grande variabilidade química, contendo mais de 60 fitocanabinoides, incluindo THC e CBD (Silva, 2023). Sua utilização terapêutica remonta a milhares de anos, tendo sido empregada para fins medicinais e industriais em diversas culturas (Carneiro, 2024). No Brasil, sua história envolve o uso tradicional trazido por africanos escravizados, além de consumo recreativo e medicinal ao longo dos séculos. Atualmente, o debate sobre seu uso é influenciado por questões legais, sociais e sanitárias (Celestino et al., 2022).
Uso da Cannabis Sativa na Doença de Alzheimer: Estudos têm demonstrado que o CBD pode reduzir processos inflamatórios e oxidativos, além de proteger neurônios contra danos associados ao Alzheimer (Costa, 2023). Sua ação anti-inflamatória reduz a neuroinflamação, considerada um dos principais fatores na progressão da doença (Costa, 2023). O CBD também apresenta potencial para inibir agregações proteicas relacionadas ao Alzheimer, contribuindo para retardar sua evolução (Carvalho, 2022). Pesquisas apontam que a modulação do sistema endocanabinoide pode auxiliar na neuroproteção, na estabilização sináptica e na redução da excitotoxicidade neuronal (Aragão et al., 2022).
Apesar dos resultados promissores, mais estudos clínicos são necessários para comprovar a eficácia terapêutica do CBD, uma vez que parte das evidências ainda provém de estudos pré-clínicos (Barbosa et al., 2024).
Legislação: O acesso a medicamentos à base de canabinoides no Brasil tem sido crescente, impulsionado por demandas judiciais e regulamentações sanitárias (Rodrigues & Diotto, 2021). Inicialmente proibido pela Portaria 344/1998, o CBD passou a ter seu uso flexibilizado a partir da RDC nº 17/2015, que autorizou a importação de produtos à base de canabinoides (Brasil, 2022).
A RDC nº 66/2016 ampliou essa possibilidade, e em 2017 foi registrado o primeiro medicamento à base de CBD no país, indicado para Esclerose Múltipla (Brasil; 2022). Países como Canadá, Estados Unidos, Inglaterra e Espanha já regulamentaram amplamente o uso medicinal e até recreativo da cannabis (Mattos, 2022). Apesar dos avanços, a regulamentação brasileira ainda é limitada, dificultando o acesso e a produção nacional.
3 METODOLOGIA
A metodologia deste estudo foi delineada como uma revisão integrativa da literatura, cujo objetivo é reunir e analisar criticamente evidências científicas disponíveis sobre os benefícios da Cannabis Sativa como tratamento complementar da doença de Alzheimer. Para tanto, definiu-se a questão norteadora: “Quais os benefícios do Cannabis Sativa, como tratamento complementar da doença de Alzheimer?”. A busca foi realizada nas bases de dados PubMed, SciELO e LILACS, contemplando publicações em português, inglês e espanhol. A estratégia de pesquisa utilizou os descritores “Cannabis Sativa ” e “cannabis tratamento doença de Alzheimer”, combinados pelo operador booleano AND, garantindo maior precisão na recuperação dos estudos. Foram incluídos apenas artigos completos e originais que apresentassem relevância técnica e científica, excluindo capítulos de livros, monografias, dissertações, teses, editoriais, artigos de opinião, reflexões e estudos duplicados ou que não abordassem os descritores definidos. O processo de seleção ocorreu em etapas, iniciando pela remoção de duplicatas, seguido da triagem por título e resumo, e posteriormente pela leitura integral dos textos elegíveis.
A análise dos artigos selecionados considerou a área temática, os objetivos descritos, a adequação ao público-alvo e a pertinência metodológica, sendo incorporados os métodos utilizados nos estudos para enriquecer a síntese. A extração dos dados foi realizada por meio de formulário padronizado, contemplando informações sobre autoria, ano, país, desenho metodológico, população estudada, tipo de intervenção, desfechos avaliados e principais resultados. A qualidade metodológica dos estudos foi avaliada por instrumentos específicos de acordo com o tipo de pesquisa, e os resultados foram organizados em síntese narrativa, agrupando evidências por tipo de intervenção e desfecho clínico.
Figura1. Fluxograma da Metodologia

(FOTE: Fluxogram Criada pelos autores)
4 RESULTADOS E DISCUSSÕES
Foram obtidos 120 artigos identificados nas três bases de dados, onde 20 foram excluídas por serem literaturas duplicadas, restando, portanto, 100 estudos. Ao se aplicar seleção inicial na triagem da leitura dos títulos, 40 artigos foram removidos por não condizerem com o tema proposto nesta revisão, restando 60 selecionados para a leitura dos resumos. No critério de elegibilidade dos artigos, 42 foram selecionados para a leitura completa, onde 12 concluíram todos os critérios de inclusão e exclusão; sendo selecionados para o restante do estudo.
Os critérios de inclusão restringiram-se a publicações completas e originais com relevância técnica e científica, excluindo capítulos de livros, monografias, dissertações, teses, estudos duplicados, artigos de opinião e reflexão, editoriais e pesquisas que não tratassem dos descritores selecionados.
Figura 2– Tabela de Artigos Selecionados
| Referência | Título | O que diz |
| LUCAS, T.; FREITAS, C.; MONTEIRO, F. (2023). | Intervenções farmacológicas no Alzheimer: uma abordagem atual. | Aborda os principais medicamentos usados no tratamento do Alzheimer, seus mecanismos de ação, eficácia e limitações; discute terapias atuais como inibidores de acetilcolinesterase e memantina. |
| PESSOA, G. T.; LIRA, A. C.; SIQUEIRA, J. A. (2023). | Cannabis Sativa : aspectos históricos, químicos e aplicações terapêuticas. | Apresenta o histórico da Cannabis Sativa , composição química e usos terapêuticos, incluindo ações no sistema nervoso central e potencial medicinal de canabinoides. |
| MORAES, J.; FUKUSHIMA, L.; NICOLETTI, L. (2022). | Estudos farmacológicos com derivados da Cannabis Sativa . | Analisa evidências farmacológicas de derivados da Cannabis, especialmente CBD e THC, e seus possíveis efeitos terapêuticos em doenças neurológicas e inflamatórias. |
| SANTOS, A. B. et al. (2023). | Eficácia do canabidiol no tratamento de convulsões e doenças do sistema nervoso central: revisão sistemática. | Relata que o CBD tem eficácia comprovada no controle de convulsões e potencial terapêutico em doenças neurológicas, reforçando sua segurança e tolerabilidade. |
| FERREIRA, C. N. (2016). | Doença de Alzheimer: aspectos clínicos, diagnóstico e tratamento. | Revisa sintomas clínicos, métodos diagnósticos e opções terapêuticas disponíveis para Alzheimer, destacando o manejo clínico e as dificuldades no diagnóstico precoce. |
| CALDAS, N. D. B.; BATISTA, F. L. (2022). | Uso do canabidiol no tratamento de Alzheimer. | Discute o potencial do CBD na redução de sintomas da doença de Alzheimer, incluindo neuroinflamação, estresse oxidativo e melhora de parâmetros cognitivos em modelos experimentais. |
| ALZHEIMER’S DISEASE INTERNATIONAL (2020). | Numbers of people with dementia worldwide | Apresenta dados globais da prevalência de demência, mostrando aumento progressivo e impacto epidemiológico do Alzheimer no mundo. |
| FILHO, A. et al. (2024). | Fisiopatologia da Doença de Alzheimer: uma revisão. | Descreve os mecanismos fisiopatológicos centrais da doença, como deposição de beta-amiloide, proteína tau hiperfosforilada e neuroinflamação. |
| NUNES, P. et al. (2021). | Aspectos moleculares da Doença de Alzheimer. | Explora os processos moleculares envolvidos no Alzheimer, incluindo alterações genéticas, bioquímicas e sinalização celular. |
| BILMANN, L. et al. (2020). | Biomarcadores no diagnóstico da Doença de Alzheimer: aplicação do sistema ATN. | Explica o sistema ATN (amiloide, tau, neurodegeneração) e mostra como esses biomarcadores auxiliam no diagnóstico diferencial e na detecção precoce da doença. |
| CARVALHO, M. (2022). | Doença de Alzheimer: uma revisão sobre diagnóstico e tratamento. | Traz um panorama atualizado sobre estratégias diagnósticas, incluindo exames clínicos e de imagem, e discute tratamentos farmacológicos e não farmacológicos. |
| JESUS, A. C. J. et al. (2024). | Legalização da maconha para fins medicinais. | Analisa o debate jurídico e social sobre a legalização da Cannabis medicinal, incluindo regulamentação, benefícios terapêuticos e desafios éticos. |
(FOTE: Tabela Criada pelos autores, de acordo com os artigos estudados)
A presente revisão integrativa constitui a parte central do artigo, na qual se expõe de forma ordenada o assunto tratado e se apresentam os resultados obtidos a partir da análise dos estudos selecionados. Os dados coletados foram organizados de modo a facilitar a interpretação, utilizando recursos como tabelas, gráficos e planilhas, de acordo com a natureza da análise realizada. A discussão, por sua vez, abriga os comentários sobre o significado dos achados, a comparação com resultados de outras pesquisas e a posição crítica do autor diante do tema. Essa estruturação permite que cada aspecto seja abordado de forma coerente, fornecendo subsídios para avaliar a adequação dos argumentos e a consistência das conclusões.
Os estudos analisados evidenciaram que os compostos derivados da Cannabis Sativa , especialmente o canabidiol (CBD) e o tetrahidrocanabinol (THC), apresentam efeitos terapêuticos promissores no tratamento complementar da Doença de Alzheimer. Entre os benefícios relatados destacam-se as propriedades neuroprotetoras, anti-inflamatórias e antioxidantes do CBD, capazes de reduzir o estresse oxidativo, a neuroinflamação e a morte neuronal, além de inibir a enzima acetilcolinesterase, aumentando a disponibilidade de acetilcolina de forma semelhante aos fármacos sintomáticos atualmente utilizados. Os dados também sugerem que o CBD pode interferir em processos centrais da fisiopatologia da doença, como a formação e remoção dos peptídeos β-amiloides e a hiperfosforilação da proteína tau, atuando potencialmente como agente modificador da progressão da enfermidade.
Outro ponto relevante observado foi a melhora em sintomas neuropsiquiátricos, como agitação, agressividade, ansiedade, distúrbios do sono e alterações no apetite, com impacto positivo na qualidade de vida dos pacientes e de seus cuidadores. Esses achados ganham importância diante da limitação dos tratamentos convencionais, que em grande parte atuam apenas no controle sintomático. No entanto, ainda não há consenso sobre a segurança do uso prolongado dos canabinoides, nem sobre a dosagem ideal para alcançar benefícios sem efeitos adversos.
No contexto brasileiro, os desafios incluem questões regulatórias e econômicas, já que, apesar dos avanços na autorização de importação de produtos à base de canabinoides, como o Mevatyl®, o alto custo e a burocracia dificultam o acesso. Esse cenário levanta reflexões éticas e sociais sobre equidade no acesso a terapias alternativas. O Conselho Federal de Farmácia reconhece a relevância dos derivados da cannabis e defende a capacitação dos profissionais de saúde, bem como a criação de protocolos nacionais que orientem a prática clínica. Apesar dos resultados encorajadores, a literatura revisada mostra que a maioria dos estudos ainda se encontra em fases iniciais, muitos realizados em modelos animais ou com amostras clínicas reduzidas e acompanhamento de curto prazo.
Poucos ensaios clínicos randomizados e controlados foram identificados, o que limita a robustez das evidências. Assim, embora os dados indiquem que a Cannabis Sativa apresenta potencial terapêutico significativo como tratamento complementar da Doença de Alzheimer, oferecendo benefícios neuroprotetores e psicocomportamentais, sua consolidação na prática clínica depende de pesquisas mais abrangentes, controladas e de longa duração. Paralelamente, a evolução da legislação e a atuação integrada de órgãos reguladores e profissionais de saúde serão decisivas para assegurar o uso responsável, eficaz e acessível desses produtos à população.
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
As considerações finais desta revisão integrativa permitem afirmar que os objetivos propostos foram atingidos, uma vez que se identificaram benefícios potenciais da Cannabis Sativa como tratamento complementar da Doença de Alzheimer. Os achados evidenciam que os canabinoides, especialmente o CBD e o THC, apresentam propriedades neuroprotetoras e psicocomportamentais que contribuem para a modulação de mecanismos fisiopatológicos da doença e para a melhora de sintomas neuropsiquiátricos, favorecendo a qualidade de vida dos pacientes e de seus cuidadores. A análise realizada confirma a hipótese inicial de que os derivados da Cannabis Sativa podem atuar como alternativa terapêutica promissora, ainda que emergente, no enfrentamento das doenças neurodegenerativas.
Entretanto, reconhece-se como limitação a escassez de ensaios clínicos robustos, de longa duração e com amostras ampliadas, o que impede a consolidação definitiva das evidências e a definição de protocolos terapêuticos seguros e eficazes. Sugere-se, para futuros estudos, a padronização das formulações utilizadas, o aprofundamento das investigações sobre dosagens ideais e a ampliação da produção científica nacional, de modo a fortalecer a prática clínica e a regulamentação no país.
Conclui-se, portanto, que a Cannabis Sativa demonstra potencial terapêutico relevante como abordagem complementar no tratamento da Doença de Alzheimer, respondendo à questão inicial da pesquisa e confirmando a pertinência da continuidade das investigações para que se estabeleçam bases sólidas de aplicação clínica e científica.
6. REFERÊNCIAS
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1Curso Superior de Farmácia do Instituto Instituto Faculdade de Educação e Tecnologia da Amazônia – FAM Campus Abaetetuba. e-mail: esmelsena90@gmail.com.
2Curso Superior de Farmácia do Instituto Faculdade de Educação e Tecnologia da Amazônia – FAM. e-mail: lpantoja741@gmail.com.
3Curso Superior Farmácia do Instituto Faculdade de Educação e Tecnologia da Amazônia – FAM. e-mail: luansenabitencourt@gmail.com.
4Docente: Curso Superior de Farmácia do Instituto Faculdade de Educação e Tecnologia da Amazônia – FAM Campus Abaetetuba e-mail: guacelisjr2@gmail.com
