REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202510240945
Isabela Antônia Alba
André Luís Braghini Sá
Resumo: A acne é uma condição dermatológica comum que afeta milhões de pessoas em todo o mundo, sendo desafiador encontrar tratamentos eficazes e bem tolerados. Este artigo investiga uma abordagem inovadora para o tratamento da acne, explorando o potencial do canabidiol (CBD). A revisão literária foca nos mecanismos da acne e nas propriedades farmacológicas do CBD, destacando sua interação com receptores cutâneos e suas capacidades anti-inflamatórias. Estudos clínicos recentes apresentam evidências promissoras da eficácia do CBD na redução da inflamação e na melhora das condições de pele em pacientes com acne. A pesquisa também aborda limitações dos estudos atuais, bem como questões de segurança e regulamentação do CBD. A análise dos mecanismos de ação sugere que o CBD pode ser uma alternativa terapêutica viável, especialmente para aqueles que não respondem a tratamentos convencionais. Embora sejam necessárias mais pesquisas para comprovar a eficácia e segurança a longo prazo, este estudo destaca o potencial do CBD na dermatologia e seu papel como uma opção promissora no tratamento da acne.
Palavras-chaves: Canabidiol; acne; canabinoides; sistema endocanabinoide
1. INTRODUÇÃO
A pele humana abriga uma vasta gama de micro-organismos, incluindo bactérias, fungos e vírus, cuja presença é essencial para manter a imunidade local e garantir o funcionamento adequado da barreira cutânea. Quando ocorre um desequilíbrio nesse microbioma, podem surgir condições dermatológicas, como dermatite atópica, rosácea, psoríase e, também, a acne (CASTILLO, NANDA e KERI, 2019).
Desde os anos 1940, os tratamentos para acne evoluíram significativamente. Inicialmente, foram usados medicamentos orais, mas com o avanço da pesquisa, surgiram novas abordagens, especialmente o uso de fármacos tópicos contendo agentes com propriedades anti-inflamatórias, antibióticas, cicatrizantes e adstringentes. Entre esses, destacam-se o peróxido de benzoíla, a tretinoína, a eritromicina e o ácido azelaico. Atualmente, a escolha do tratamento ideal para a acne é baseada na gravidade da condição, no tipo de lesão e na adesão do paciente ao tratamento. Entretanto, muitos métodos terapêuticos tradicionais são invasivos, o que pode dificultar o tratamento. Isso tem impulsionado a busca por alternativas eficazes e menos invasivas (WUSNIESKI et al., 2019; CAO et al., 2015).
Nesse contexto, a planta Cannabis sativa, da família Cannabaceae, mais conhecida como maconha, tem ganhado destaque na pesquisa científica devido aos seus fitocanabinoides. Entre eles, o delta-9-tetrahidrocanabinol (THC) é a substância psicoativa mais conhecida, enquanto o canabidiol (CBD), que não possui efeitos psicotrópicos, têm sido amplamente estudado por suas propriedades farmacológicas (PENHA et al., 2019).
A descoberta do sistema endocanabinoide revolucionou a compreensão dos mecanismos fisiológicos e patológicos do corpo humano, especialmente em relação à regulação de processos como a inflamação e a homeostase da pele. Esse sistema, composto por receptores canabinoides, endocanabinoides e enzimas, desempenha um papel crucial na modulação da resposta imunológica e na manutenção do equilíbrio do microbioma cutâneo. Com a identificação dos efeitos benéficos dos fitocanabinoides, como o canabidiol (CBD), surgiram novas possibilidades para o tratamento da acne, uma condição frequentemente associada à inflamação e ao desequilíbrio da flora. Os canabinoides, ao interagirem com os receptores do sistema endocanabinoide, demonstraram potencial para reduzir a inflamação, regular a produção de sebo e promover a cicatrização da pele, posicionando-se como uma alternativa promissora aos tratamentos convencionais. Essa abordagem inovadora não apenas amplia as opções terapêuticas disponíveis, mas também reflete uma tendência crescente em direção a tratamentos que respeitam a biologia natural do corpo e busca soluções (FONSECA et al., 2013; MARTINS et al., 2022).
Dentro dessa perspectiva, esta revisão bibliográfica visa explorar estudos científicos que investigam a relação entre o uso de Cannabis sativa, especificamente do fitocanabinoide CBD, e seus potenciais benefícios no tratamento da acne. A análise busca abordar as propriedades anti-inflamatórias, antimicrobianas e, também, antioxidantes do canabidiol, que podem ser essenciais para a regulação da produção sebácea e o controle das lesões inflamatórias associadas à acne. A revisão busca não apenas sintetizar os achados existentes, mas também identifica lacunas no conhecimento atual, apontando para a necessidade de mais pesquisas clínicas robustas que possam comprovar sua eficácia e segurança como alternativa aos tratamentos tradicionais, consequentemente, abrindo possibilidades para que novas leis sejam elaboradas para facilitar o uso dos compostos extraídos da “maconha”.
2. METODOLOGIA
Este artigo foi realizado através de uma revisão bibliográfica. Foram utilizadas plataformas como PUBMED, SciELO e Google Acadêmico, todas de acesso gratuito, para a busca de artigos em português, inglês e espanhol. A pesquisa abrangeu o período de publicação de 2000 à 2024. Inicialmente, a pesquisa foi realizada de forma ampla, abrangendo os temas relacionados ao canabidiol (CBD), identificando assim, um total de 119 artigos. Em seguida, aplicaram-se palavras-chave como “acne”, “canabidiol” e “cannabis” para refinar a pesquisa, resultando na exclusão de artigos não pertinentes ao escopo do estudo. Ao final, 51 artigos foram selecionados e utilizados na elaboração deste trabalho.
3. DISCUSSÃO
3.1 Acne: definição, fisiopatologia e tratamentos atuais
A presença na pele humana de uma ampla gama de micro-organismos, que engloba bactérias, fungos e vírus, é crucial para manter a imunidade local e assegurar o correto desempenho da barreira cutânea. Composta pela epiderme, camada externa e fina, e pela derme, mais espessa, a pele protege contra agressões ambientais e regula funções como hidratação e temperatura. As glândulas sebáceas, localizadas na derme, produzem sebo, fundamental para a proteção cutânea, mas seu excesso pode levar a doenças como a acne, resultantes de desequilíbrios nesse ecossistema microbiano (CASTILLO, NANDA e KERI, 2019; VIANA, 2021).
Dentre as bactérias colonizadoras da microbiota da pele, a Cutibacterium acnes (C. acnes), antigamente conhecida por Propionibacterium acnes, apresenta-se em maior predomínio. Caracterizada por ser uma bactéria anaeróbica, Gram-positiva, a C. acnes está presente principalmente nas unidades pilossebáceas da pele em contato com os queratinócitos, porém, também pode ser encontrada em áreas não sebáceas e em outros tecidos como intestino, estômago, pulmões entre outros. Dentre suas funções, destaca-se a manutenção da homeostase da pele, por prevenir a colonização de outros patógenos nocivos, mas também atua como um patógeno oportunista em condições inflamatórias, incluindo a acne (DRÉNO et al., 2018; MAYSLICH, GRANGE e DUPIN, 2021).
A acne é uma doença inflamatória crônica e multifatorial comum da pele, afetando aproximadamente 80% dos jovens e adolescentes, devido ao estímulo de andrógenos na puberdade, ainda persistindo em uma notória porcentagem após os 25 anos. Ela tem impacto nas unidades pilossebáceas da derme e pode resultar em lesões inflamatórias ou não inflamatórias. Além de potenciais impactos psicológicos significativos, pode ocasionar cicatrizes graves nas áreas mais frequentemente encontradas, como, rosto, tórax, coxas e braços, regiões essas conhecidas por abrigar uma alta densidade de glândulas sebáceas (GRUPO COLOMBIANO.,2019; FOX et al., 2016).
A fisiopatologia da acne começa com o aumento da produção de sebo pelas glândulas sebáceas, estimulada pelo aumento da produção de andrógenos, que, combinado com o acúmulo de queratinócitos (células que revestem o folículo piloso), obstruem a abertura do folículo, o que impede a liberação normal do sebo para a superfície da pele, contribuindo para o desenvolvimento de lesões acneicas. Isso cria um ambiente favorável para a proliferação da bactéria Cutibacterium acnes (C. acnes), que consome o sebo e gera uma infecção, resultando na formação de espinhas. As lesões são caracterizadas por comedões e uma bolsa de secreção ao redor. Esses processos refletem os quatro fatores principais da patogênese multifatorial da acne: hiperqueratinização folicular, produção excessiva de sebo, aumento da colonização por C. acnes e inflamação, que também são os principais alvos dos tratamentos atuais (CAZAROTTE, 2024; HASSUN, 2000).
Visando limitar e tratar os fatores patológicos da doença, a escolha do tratamento da acne é geralmente baseada de acordo com seu grau de severidade, variando de 1 a 5, como demonstrado na tabela 1, podendo envolver aplicação local, intervenção sistêmica e em alguns casos mais graves onde cicatrizes e cistos são predominantes, intervenções cirúrgicas (tabela 2). Contudo, além do grau de severidade, a capacidade de tolerância do paciente a certas substâncias, também deve ser observada, podendo a escolha inadequada do tratamento ocasionar reações adversas indesejadas. (BARROS et al., 2020; BRENNER et al., 2006).
Tabela 1 – Classificação e grau de severidade da acne

Fonte: adaptado de Barros et al. 2020
Tabela 2 – Principais métodos de tratamento da acne

Fonte: Barros et al. 2020; Brenner et al. 2006
No entanto, o sucesso da terapia nestas situações ainda é restrito, uma vez que o uso prolongado de antibióticos tanto tópicos como sistêmicos, têm comprovado a resistência adquirida das cepas de Cutibacterium acnes tornando-se uma das principais razões em alguns casos para a ineficiência do tratamento da acne comum. Além disso, a utilização destes medicamentos tende a causar reações adversas como ressecamento e irritação. Por isso, constituintes naturais derivados de plantas (fitoquímicos), geralmente tidos como seguros, têm despertado grande interesse como uma alternativa de tratamento (CASTILLO, NANDA e KERI, 2019; CHUTOPRAPAT, KOPONGPANICH e CHAN, 2022).
3.2 Cannabis sativa: Legislação, perspectivas e desafios
No Brasil, a maconha é considerada uma substância ilícita, sendo seu uso proibido. Contudo, desde 2014, há um movimento, especialmente liderado por pais de crianças com epilepsia e outras doenças, que busca a legalização medicinal, visando permitir a aquisição, o cultivo e o transporte. Com a divulgação na mídia dos benefícios do canabidiol, muitos pacientes têm buscado aprovação judicial para importar medicamentos que contêm o princípio ativo da maconha (BEZERRA et al. 2019).
Em 2015, por meio da Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) nº 3/2015, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), incluiu o CBD no catálogo de substâncias sujeitas ao controle especial, o que significa que o canabidiol deixou de ser uma substância proibida e passou a ser classificada como sendo de uso controlado (PORTELA, et al., 2023).
Posteriormente em 2019, os pacientes em tratamento com canabidiol ganharam nova esperança com a RDC de nº327 aprovada pela ANVISA que dispõe sobre os procedimentos para a concessão da Autorização Sanitária para a fabricação e a importação, bem como estabelece requisitos para a comercialização, prescrição, a dispensação, o monitoramento e a fiscalização de produtos de Cannabis para fins medicinais, e dá outras providências (ANVISA, 2019, p.1).
“Art. 4° Os produtos de Cannabis contendo como ativos exclusivamente derivados vegetais ou fitofármacos da Cannabis sativa, devem possuir predominantemente, canabidiol (CBD) e não mais que 0,2% de tetrahidrocanabinol (THC). Parágrafo único. Os produtos de Cannabis poderão conter teor de THC acima de 0,2%, desde que sejam destinados a cuidados paliativos exclusivamente para pacientes sem outras alternativas terapêuticas e em situações clínicas irreversíveis ou terminais (ANVISA, 2019, p.3).”
“Art. 5° Os produtos de Cannabis podem ser prescritos quando estiverem esgotadas outras opções terapêuticas disponíveis no mercado brasileiro (ANVISA, 2019, p.3).”
“Art.10 – § 5° Não são considerados produtos de Cannabis para fins medicinais os cosméticos, produtos fumígenos, produtos para a saúde ou alimentos à base de Cannabis spp. e seus derivados (ANVISA, 2019, p.4).”
Em 2015, pela autoria do Deputado Federal Fábio Mitidieri (PSD/SE), o Projeto de Lei nº399/2015 foi apresentado visando inicialmente alterar o art.2º da Lei nº 11.343/2006, e posteriormente, passou a abranger não apenas o uso para fins medicinais, mas também para uso industrial e da pesquisa, como explicitado a seguir:
“Art2º – §2º Os medicamentos que contenham extratos, substratos, ou partes da planta denominada Cannabis sativa, ou substâncias canabinoides, poderão ser comercializados no território nacional, desde que exista comprovação de sua eficácia terapêutica, devidamente atestada mediante laudo médico para todos os casos de indicação de seu uso. (NR)” (BRASIL, 2015, p.1).
Em 2021, o Projeto de Lei (PL) 399/15 foi aprovado, autorizando o plantio de Cannabis para fins científicos ou medicinais, sob condições específicas e fiscalização rigorosa. O PL visa regulamentar o uso medicinal da planta, auxiliando pacientes cujos tratamentos convencionais são ineficazes ou causam efeitos colaterais (BRASIL, 2021).
Em vista do exposto, apesar dos avanços apresentados pela PL nº 399/2015, o projeto enfrenta alguns desafios notáveis, como a proibição do autocultivo, o desafio para legalização de empresas que visam aderir ao projeto e principalmente, a preocupação com o comércio ilegal e aumento do tráfico de drogas (SILVA, BOTELHO e MULLER, 2023).
3.3 Principais componentes da Cannabis sativa
Estudos in vitro e in vivo, incluindo um ensaio clínico de 12 semanas em humanos, evidenciam que os fitocanabinoides são capazes de reduzir a produção de sebo, inibir a proliferação de sebócitos e diminuir a expressão de citocinas pró-inflamatórias. Esse tratamento tópico demonstrou resultados positivos na diminuição do eritema e na produção de sebo (SCHEAU et al., 2020).
No campo da pesquisa científica, a planta Cannabis sativa, da família Cannabaceae e popularmente conhecida como “maconha”, tem recebido atenção crescente. Ela produz uma ampla variedade de compostos, destacando-se entre seus metabólitos secundários os terpenos, polifenóis e canabinoides. Os canabinoides, embora representem menos de 20 moléculas, estão entre os metabólitos mais abundantes da planta (PENHA et al., 2019; FERREIRA, LOPES e AMARAL, 2024).
Os canabinoides podem ser classificados em três grupos principais com base em sua origem (Tabela 3). Os endocanabinoides (ECBs) são compostos biossintetizados pelo próprio organismo, derivados do ácido araquidônico (AA) e sintetizados a partir de fosfolipídios da membrana celular. Já os Fitocanabinoides (PCBs) são substâncias extraídas diretamente das plantas, enquanto os canabinoides sintéticos (SCs) são obtidos por processos químico, com destaque para o dronabinol e a nabilona, que já estão amplamente disponíveis no mercado (FERREIRA, LOPES e AMARAL, 2024).
Tabela 3 – Classificação dos canabinoides e alguns de seus principais integrantes

Fonte: adaptado de Nietiedt, 2022
Dentre os fitocanabinoides, o delta-9-tetrahidrocanabinol (THC) e o canabidiol (CBD) são os mais amplamente estudados. Enquanto o Δ9 -THC é um canabinoide psicoativo tendo como foco o sistema nervoso central, o CBD não possui esses efeitos entorpecentes e contém diversos efeitos farmacológicos vantajoso, incluindo efeitos anti-inflamatórios e antioxidantes. Além disso, estudos indicam a capacidade do CBD de modular a homeostase corporal através do Sistema Endocanabinoide, antagonizando receptores específicos distribuídos pelo corpo, principalmente na epiderme. Devido às suas propriedades terapêuticas, a utilização do CBD para tratamentos de várias condições, incluindo doenças de pele, estão sendo consideradas (DE VASCONCELOS et al, 2022; ATALAY, JAROCKA-KARPOWICZ e SKRZYDLEWSKA, 2020).
3.4 Sistema endocanabinoide e seus receptores
O uso terapêutico da Cannabis sativa é reconhecido há bastante tempo, porém, o interesse em suas propriedades aumentou com a identificação de um sistema endocanabinoide (ECS). Esse sistema encontra-se amplamente distribuído pelo organismo, e desempenha um papel crucial em diversas funções fisiológicas, como alívio da dor, desenvolvimento embrionário, memória, resposta imunitária, entre outras. Ele é composto por uma rede de sinalização molecular que compreende os endocanabinoide, os receptores específicos acoplados à proteína G (GPCRs), receptores canabinoides 1 (CB1), e 2 (CB2), e enzimas que desempenham papéis essenciais no seu metabolismo. É através deste sistema, que os endocanabinoides desempenham suas funções (FONSECA et al., 2013; TEIXEIRA, 2023; FILIPIUC et al., 2023).
O receptor CB1 é predominantemente encontrado no sistema nervoso central (SNC) e em menor quantidade em tecidos periféricos, estando associado aos efeitos psicoativos dos canabinoides. Já o receptor CB2, é expresso principalmente em células periféricas e imunológicas, apresentando baixa densidade no SNC, estando ligado às propriedades imunomoduladoras e anti-inflamatórias (SHERIFF et al., 2020; CORREIA, 2023).
Estudos recentes apontaram a existência de um sistema endocanabinoide (ECS) específico na pele, sustentado pela identificação de ligantes endógenos para os receptores canabinoides tipo 1 (CB1R) e tipo 2 (CB2R) em células dérmicas, queratinócitos epidérmicos, melanócitos, mastócitos, glândulas sudoríparas, folículos capilares e fibras nervosas cutâneas. O ECS epidérmico desempenha um papel crucial na manutenção da homeostase e integridade da barreira cutânea, regulando funções neuro imunoendócrinas. Endocanabinoides como o 2- araquidonoil glicerol (2-AG) e a anandamida (AEA), ambos derivados do ácido araquidônico, têm recebido grande atenção por sua atuação central nesse sistema. A ligação de canabinoides aos receptores CB1R/CB2R provoca uma mudança conformacional que os ativa, desencadeando efeitos biológicos significativos na pele (FERREIRA, LOPES e AMARAL, 2024; SHERIFF et al., 2020).
Em 2008, Debrosi e colaboradores conduziram uma pesquisa que demonstrou que os endocanabinoides AEA e 2-araquidonilglicerol aumentaram a síntese de lipídios e induziram a apoptose (morte programada) em sebócitos humanos, por meio da ativação do receptor canabinoide tipo 2 (CB2). Esses achados sugerem que antagonistas de CB2 podem ser eficazes no tratamento de doenças de pele associadas à disfunção das glândulas sebáceas, como a acne. Além dos receptores canabinoides, os endocanabinoides também se ligam aos receptores de potencial transitório (TRP) em diversas células da pele, desempenhando papéis importantes em processos como a manutenção da barreira cutânea, crescimento e diferenciação celular, além de funções imunológicas e inflamatórias (BASWAN et al., 2020).
Dentre os fitocanabinoides, diferentemente do que se observa do THC, acredita-se que o Canabidiol não atue diretamente em receptores específicos, demonstrando baixa afinidade aos receptores CB1 e CB2. Dado esse contexto, é importante investigar outros possíveis alvos para o CBD, como os canais de potencial transitório (TRP) recentemente estudados (PEDRAZZI et al., 2014; ETEMAD et al, 2022).
3.5 Efeitos terapêuticos do CBD
De acordo com Castillo-Arellano e colaboradores (2023), o CBD é uma molécula complexa e multifacetada, ou seja, pode exercer diversas funções terapêuticas ao se ligar a diferentes alvos moleculares. Sua atividade inclui agir como agonista, agonista inverso ou antagonista em diversos receptores, além de atuar como modulador alostérico negativo (NAM) ou positivo (PAM). Adicionalmente, o CBD afeta várias enzimas, tanto neuroenzimas quanto enzimas do fígado (FERREIRA e BETTI, 2024).
Pesquisas apontam a capacidade agonística do CBD com receptores TRPV1 e TRPA1, com efeitos antagônicos no canal TRPM8, envolvidos em processos de dor e inflamação, com um efeito de dessensibilização que reduz a liberação de citocinas pró-inflamatórias e neuropeptídeos, desempenhando um papel importante na saúde da pele (MACIEL, 2022).
No estudo de Oláh et al. (2014), o CBD demonstrou efeitos antiacne ao inibir a lipogênese excessiva em sebócitos humanos induzida por agentes pró-acne, como ácido araquidônico e anandamida (AEA) em células SZ95 humanas, de forma dose-dependente. O CBD atuou como um agente sebostático, reduzindo a proliferação celular e a inflamação sem comprometer a viabilidade celular, além de normalizar a produção de lipídios. Esses efeitos são mediados pela ativação do receptor TRPV4 e a regulação da via pró lipogênica ERK1/2 MAPK, destacando o CBD como uma terapia promissora para a acne vulgar.
Posteriormente em 2016, Oláh e sua equipe também buscaram comprovar o efeito antiacne de outros fitocanabinoides não psicotrópicos e observaram que o cannabigerol (CBG) e canabigerovarina (CBGV) possuem potencial para tratar a pele seca, enquanto canabicromeno (CBC), canabidivarina (CBDV) e Δ(9) – tetrahidro canabivarina (THCV) reduziram a lipogênese associada à acne. Além disso, demonstraram que todos os fitocanabinoides exerceram ações anti-inflamatórias notáveis, demonstrando serem seguros e eficientes no tratamento de inflamações cutâneas.
Em 2018, Jim e Lee conduziram uma pesquisa utilizando extratos de hexano de semente de cânhamo (HSHE) para avaliar seus efeitos sobre a inflamação e lipogênese induzidas por Cutibacterium acnes em sebócitos. O mesmo estudo indicou que o HSHE apresentou propriedades anti-inflamatórias ao reduzir as expressões de duas importantes enzimas mediadoras da inflamação, a iNOS, COX-2, bem como das citocinas inflamatórias IL-1β e IL- 8, induzidas pelo C.acnes. Além disso, atividade anti lipogênica foi evidenciada pela inibição de 75% da enzima 5-lipoxigenase.
Seguindo o mesmo estudo, os autores exploraram o potencial antimicrobiano do extrato de hexano de semente de cânhamo contra C. acnes em várias concentrações e observou-se que a 20% de HSHE alcançou a inibição de 99% suprimindo completamente o crescimento bacteriano, em comparação com a eritromicina, outro tratamento convencional para acne, que alcançou cerca de 67% de efetividade para o mesmo propósito (JIM e LEE, 2018).
Vogl et al. (2004) reforçam os benefícios do cânhamo para o cuidado da pele, relatando a extração de óleos de semente de cânhamo em diferentes datas de colheita. O estudo encontrou concentrações significativas de ácidos graxos, como ácido linoleico e ácido alfa-linoleico, que são essenciais para a saúde da pele, demonstrando que o cânhamo é um recurso valioso para formulação cosmética.
De igual modo, Blaskovich et al. (2021) revelaram que o CBD tem uma ação seletiva contra certas bactérias Gram-negativas, e um espectro de ação mais amplo contra bactérias Gram-positivas, incluindo Cutibacterium acnes. O mesmo estudo demonstrou que o CBD apresentou uma concentração inibitória mínima (CIM) entre 1 e 4 μg mL−1 contra mais de 20 tipos de bactérias Gram-positivas, como Staphylococcus aureus resistente à meticillina (MRSA), Streptococcus pneumoniae multirresistente (MDR), Enterococcus faecalis, além de bactérias anaeróbicas como Clostridioides difficile e Cutibacterium acnes. Notavelmente, o CBD não induziu resistência após uso contínuo, sugerindo o potencial para mais pesquisas sobre esses compostos.
O estudo de Cohen et al. (2023) demonstrou que a combinação do extrato de triterpeno de Centella asiática (CAT) com silimarina, derivada da fruta de Silybum marianum, apresenta uma atividade anti-inflamatória mais eficaz quando utilizada em conjunto com canabidiol (CBD), superando os efeitos observados com os ingredientes isoladamente. O CAT também intensificou a ação inibitória do CBD sobre o crescimento de C. acnes. Esses compostos foram incorporados em uma formulação tópica considerada segura e eficiente, que reduziu a produção excessiva de IL-6 e IL-8 sem comprometer a viabilidade das células epidérmicas. A pesquisa sugere que a combinação dos extratos com o CBD pode atuar de forma sinérgica no tratamento da acne, abordando diversos fatores patogênicos e reduzindo os possíveis efeitos adversos.
Zendulka et al. (2016) afirmam que tanto os canabinoides endógenos quanto os exógenos passam por metabolismo hepático após serem administrados oralmente, o que afeta significativamente a biodisponibilidade da substância. Entretanto, devido à sua característica lipofílica, a ingestão junto a alimentos com bom teor de gordura pode aumentar sua absorção e, consequentemente, sua biodisponibilidade. Por outro lado, a administração transdérmica de canabinoides tem sido investigada como alternativa para evitar esse metaboslismo hepático, entretanto, por ser altamente hidrofóbico e lipofílico, esses compostos enfrentam dificuldades para atravessar camadas aquosas da pele. Portanto, o transporte apenas será eficaz como o aumento da permeação (MILLAR SA, et al.,2018; LUCAS, GALETTIS e SCHNEIDER, 2018).
Seguindo o estudo de Lucas, Galettis e Schneider (2018) foi demonstrado que os canabinoides são inicialmente distribuídos em órgãos mais vascularizados, como cérebro e fígado, e, posteriormente, distribuem pelos tecidos menos vascularizados, sendo essa distribuição influenciada por fatores corporais e condições de saúde. Em casos de uso crônico, a substância tende a se acumular no tecido adiposo permitindo uma liberação gradual, prolongando sua atividade e seus efeitos. Posteriormente, após a metabolização no fígado, os metabólitos resultantes seguem para eliminação, principalmente através das fezes e em menor proporção, na urina, com um tempo de eliminação oral de 2 a 5 dias (FERREIRA e BETTI, 2024).
De acordo com Lodzki et al. (2003), a administração transdérmica de CBD em camundongos, utilizando transportadores que facilitam a passagem dessa substância através da membrana, como os transportadores endossômicos, resultou em um acúmulo significativo da substância na pele e no músculo subjacente, comprovando não somente que tais transportadores são eficazes na permeação do CBD, como também o seu uso transdérmico preveniu inflamação e edema induzidos, indicando o potencial dessa forma de administração como um tratamento anti-inflamatório.
Um estudo de Hammel et al. (2015), utilizando de aplicação tópica de CBD em forma de gel demonstraram eficácia na redução da inflamação com administração de 6,2 e 62 mg/dia, obtendo linearidade entre a concentração plasmática e a dose, sem efeitos colaterais evidentes. Paralelamente, um estudo utilizando pomada tópica com CBD realizado com 20 pacientes com distúrbios de pele, apresentou efetividade na redução da inflamação, sem reações adversas (PALMIERI, LAURINO e VADALÀ, 2019).
Em 2015, Ali e Akhtar conduziram um estudo utilizando um creme contendo 3% de extrato de sementes de Cannabis, o qual demonstrou resultados positivos na redução da produção de sebo e no eritema da pele em comparação com outra base de creme sem ativos. Esses achados sugerem que o desenvolvimento desse tipo de loção pode ser promissor no tratamento não apenas da acne vulgar, mas também de outras condições dermatológicas.
4. CONCLUSÃO
Dada a revisão, é possível observar que o canabidiol (CBD) tem emergido como uma alternativa promissora no tratamento da acne, devido às suas propriedades anti-inflamatórias, sebostáticas e antimicrobianas. Estudos sugerem que o CBD pode atuar diretamente nas glândulas sebáceas, regulando a produção de sebo e inibindo processos inflamatórios associados ao desenvolvimento da acne. Embora os resultados iniciais sejam encorajadores, são necessárias mais pesquisas clínicas para consolidar o uso do CBD como uma abordagem terapêutica eficaz, segura e de longo prazo no manejo da acne. Dessa forma, o CBD pode representar uma opção viável e menos invasiva em comparação aos tratamentos tradicionais, ampliando as possibilidades terapêuticas para pacientes que buscam alternativas naturais no controle desta condição dermatológica.
Contudo, devido a escassa pesquisa que se tem documentado até o momento referente ao papel do CBD em seres humanos, mais informações ainda são necessários para investigar sua eficácia a longo prazo e evitar efeitos colaterais indesejados, já que muito permanece desconhecido sobre a complexidade das interações dos canabinoides com outros sistemas do corpo humano.
No geral, as pesquisas realizadas até o momento, apresentam resultados positivos quanto a aplicação tópica do composto, demonstrando ser uma alternativa segura e sem efeitos colaterais significativos para pacientes que sofrem com distúrbios de pele como a acne.
Outro ponto importante, é superar o “tabu” e a discriminação da planta para ampliar seu uso em pesquisas sobre seus benefícios terapêuticos e medicinais, portando a medida que a burocratização sob a Cannabis diminui mais possibilidades se tornam favoráveis para descoberta de novos medicamentos fazendo com que novas alternativas de tratamentos para inúmeras patologias como a acne possam serem implementadas. Portanto, à medida que mais provas da eficácia destas substâncias se tornam disponíveis, a utilização de canabinoides no tratamento de doenças de pele pode tornar-se convencional no futuro.
REFERÊNCIAS
- ALI A, AKHTAR N. The safety and efficacy of 3% Cannabis seeds extract cream for reduction of human cheek skin sebum and erythema content. Pak J Pharm Sci. 2015 Jul;28(4):1389-95. PMID: 26142529.
- ANVISA. Resolução Da Diretoria Colegiada nº 327, De 9 De Dezembro De 2019. Dispõe sobre os procedimentos para a concessão da Autorização Sanitária para a fabricação e a importação, bem como estabelece requisitos para a comercialização, prescrição, a dispensação, o monitoramento e a fiscalização de produtos de Cannabis para fins medicinais. Brasília, DF: Anvisa. Disponível em: http://portal.anvisa.gov.br/documents/10181/5533192/RDC_327_2019_.pdf/db3ae18 5-6443-453d-805d-7fc174654edb
- ATALAY S, JAROCKA-KARPOWICZ I, SKRZYDLEWSKA E. Propriedadesantioxidantes e antiinflamatórias do canabidiol. Antioxidantes . 2020; 9(1):21. https://doi.org/10.3390/antiox9010021
- BARROS, A. B. de; et al. Acne vulgar: aspectos gerais e atualizações no protocolo de tratamento. BWS Journal (Descontinuada), [S. l.], v. 3, p. 1–13, 2020. Disponível em: https://bwsjournal.emnuvens.com.br/bwsj/article/view/125.
- BASWAN, S.M., et al (2020). Therapeutic potential of cannabidiol (CBD) for skin health and disorders. Clinical, Cosmetic and Investigational Dermatology, 13, 927– 942.
- BEZERRA, Gabriela Araujo Viana et al. A legalização da Cannabis para fins medicinais. 2019.
- BLASKOVICH, MA, et al. O potencial antimicrobiano do canabidiol. Commun. Biol. 2021
- BRASIL. Câmara dos Deputados. Projeto de Lei nº 399, de 23 de fevereiro de 2015. Altera o art. 2º da Lei nº 11.343, de 23 de agosto de 2006, para viabilizar a comercialização de medicamentos que contenham extratos, substratos ou partes da planta Cannabis sativa em sua formulação. Brasília: Câmara dos Deputados, 2015. Disponível em https://www.camara.leg.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=947642.
- BRASIL. Senado Federal. Projeto de Lei 399/2015 e seus apensados. Brasília, DF:Senado Federal, 2021. Disponível em: https://www.camara.leg.br/noticias/689107- relator
- BRENNER, Fabiane Mulinari; et al. Acne: um tratamento para cada paciente. Revista de Ciências Médicas, [S. l.], v. 15, n. 3, 2006. Disponível em: https://seer.sis.puc- campinas.edu.br/cienciasmedicas/article/view/1117.
- CAO, H., et al (2015). Complementary therapies for acne vulgaris. Cochrane library. 19(1), CD009436.
- CASTILLO-ARELLANO J, et al. The Polypharmacological Effects of Cannabidiol.Molecules, 2023; 28(7): 3271
- CASTILLO DE, NANDA S, KERI JE. Propionibacterium (Cutibacterium) acnes Bacteriophage Therapy in Acne: Current Evidence and Future Perspectives. Dermatol Ther (Heidelb). 2019 Mar;9(1):19-31
- CAZAROTTE, Beatriz. Acne: Diretrizes modernas no tratamento e cuidados com a pele. RECIMA21 – Revista Científica Multidisciplinar – ISSN 2675-6218, [S. l.], v. 5, n. 1, p. e515392, 2024. DOI: 10.47820/recima21.v5i1.5392. Disponível em: https://recima21.com.br/index.php/recima21/article/view/5392.
- CHUTOPRAPAT, Romchat; KOPONGPANICH, Peerawas; CHAN, Lai Wah. A mini- review on solid lipid nanoparticles and nanostructured lipid carriers: topical delivery of phytochemicals for the treatment of acne vulgaris. Molecules, v. 27, n. 11, p. 3460, 2022.
- COHEN, Guy et al. Development of an effective acne treatment based on CBD and herbal extracts: preliminary in vitro, ex vivo, and clinical evaluation. Evidence‐Based Complementary and Alternative Medicine, v. 2023, n. 1, p. 4474255, 2023.
- CORREIA, Francisco Lucas Pereira. O uso do canabidiol como potencial insumo cosmético: legalidades e perspectivas. 2023. Trabalho de Conclusão de Curso. Universidade Federal do Rio Grande do Norte.
- DE VASCONCELOS, Tibério Cesar Lima et al. A propriedade anti-inflamatória do Canabidiol (CBD) utilizada em cosméticos para o tratamento de acne causada por Cutibacterium acnes (Propionibacterium acnes). Research, Society and Development, v. 11, n. 15, p. e50111536750-e50111536750, 2022.
- DOBROSI N, et al. Endocannabinoids enhance lipid synthesis and apoptosis of human sebocytes via cannabinoid receptor-2-mediated signaling. FASEB J. 2008;22(10):3685-3695. doi:10.1096/fj.07-104877
- DRÉNO, Brigitte et al. Cutibacterium acnes (Propionibacterium acnes) and acne vulgaris: a brief look at the latest updates. Journal of the European Academy of Dermatology and Venereology, v. 32, p. 5-14, 2018.
- ETEMAD, Leila et al. Efeitos farmacológicos do canabidiol por canais de potencial receptor transiente. Life Sciences , v. 300, p. 120582, 2022.
- FERREIRA, I.; LOPES, CM; AMARAL, MH. Avanços no tratamento da acne vulgar: o papel científico dos canabinoides. Cosmetics 2024 , 11 , 22. https://doi.org/10.3390/cosmetics11010022
- FERREIRA, Micaelly Rodrigues; BETTI, Andresa Heemann. USO DE CANABIDIOL NO TRATAMENTO DO TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA: UMA REVISÃO. RevistaIbero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação, v. 10, n. 7, p. 1048-1078, 2024.
- FILIPIUC SI, et al. The Skin and Natural Cannabinoids-Topical and Transdermal Applications. Pharmaceuticals (Basel). 2023 Jul 24;16(7):1049. doi: 10.3390/ph16071049. PMID: 37513960; PMCID: PMC10386449.
- FONSECA, B. M. et al. O Sistema Endocanabinóide–uma perspetiva terapêutica. Acta Farmacêutica Portuguesa, v. 2, n. 2, p. 37-44, 2013.
- FOX L, et al. Treatment Modalities for Acne. Molecules. 2016; 21(8):1063. Published 2016 Aug 13. doi:10.3390/molecules21081063
- GRUPO COLOMBIANO de Estudos sobre Acne. Diretrizes colombianas para o tratamento da acne: uma revisão baseada em evidências do Grupo Colombiano de Estudo da Acne. Revista da Associação Colombiana de Dermatologia e Cirurgia Dermatológica , Bogotá, CO, v. 19, não. 2 P. 129–157, 2019. Disponível em: https://www.revista.asocolderma.org.co/index.php/asocolderma/article/view/373.
- HAMMELL DC, et al. Transdermal cannabidiol reduces inflammation and pain- related behaviours in a rat model of arthritis. Eur J Pain. 2016 Jul;20(6):936-48. doi: 10.1002/ejp.818. Epub 2015 Oct 30. PMID: 26517407; PMCID: PMC4851925.
- HASSUN, Karime Marques. Acne: etiopatogenia Acne: etiopathogenesis. An Bras Dermatol, 2000, 75.1: 7-15.
- JIN S, LEE MY. The ameliorative effect of hemp seed hexane extracts on the Propionibacterium acnes-induced inflammation and lipogenesis in sebocytes. PLoS One. 2018 Aug 27;13(8):e0202933. doi: 10.1371/journal.pone.0202933. PMID: 30148860; PMCID: PMC6110517.
- LODZKI M, et al. Cannabidiol-transdermal delivery and anti-inflammatory effect in a murine model. J Control Release. 2003 Dec 12;93(3):377-87. doi: 10.1016/j.jconrel.2003.09.001. PMID: 14644587.
- LUCAS CJ, GALETTIS P., SCHNEIDER J. A farmacocinética e a farmacodinâmica dos canabinoides. Br. J. Clin. Pharmacol. 2018; 84 :2477–2482. doi: 10.1111/bcp.13710.
- MACIEL, Izadora Rodrigues. O uso do canabidiol aplicado na estética da pele. 2022.
- MARTINS AM, et al. Produtos à base de cannabis para o tratamento de doenças inflamatórias da pele: uma revisão oportuna. Pharmaceuticals . 2022; 15(2):210. https://doi.org/10.3390/ph15020210
- MAYSLICH, Constance; GRANGE, Philippe Alain; DUPIN, Nicolas. Cutibacterium acnes as an opportunistic pathogen: an update of its virulence-associated factors. Microorganisms, v. 9, n. 2, p. 303, 2021.
- MILLAR SA, et al. A Systematic Review on the Pharmacokinetics of Cannabidiol in Humans. Frontiers in Pharmacology, 2018; 9: 425858.
- NIETIEDT, Natália Azuaga. O uso de canabinoides no tratamento da acne. 2022.
- OLÁH A, et al. Differential effectiveness of selected non-psychotropic phytocannabinoids on human sebocyte functions implicates their introduction in dry/seborrhoeic skin and acne treatment. Exp Dermatol. 2016 Sep;25(9):701-7. doi: 10.1111/exd.13042. Epub 2016 Jun 15. PMID: 27094344.
- OLÁH, Attila et al. O canabidiol exerce efeitos sebostáticos e antiinflamatórios em sebócitos humanos. The Journal of clinical investigation , v. 124, n. 9, p. 3713-3724, 2014.
- PALMIERI B, LAURINO C, VADALÀ M. A therapeutic effect of cbd-enriched ointment in inflammatory skin diseases and cutaneous scars. Clin Ter. 2019 Mar- Apr;170(2):e93-e99. doi: 10.7417/CT.2019.2116. PMID: 30993303.
- PEDRAZZI, João Francisco Cordeiro et al. Perfil antipsicótico do canabidiol. Medicina (Ribeirão Preto), v. 47, n. 2, p. 112-119, 2014.
- Penha, E. M., et al (2019). A Regulamentação de Medicamentos Derivados da Cannabis sativa no Brasil. Brazilian JournalofForensicSciences,MedicalLawandBioethics. 9(1),125-145.
- PORTELA, Ronaldo et al. Judicialização de produtos à base de canabidiol no Brasil: uma análise de 2019 a 2022. Cadernos de Saúde Pública, v. 39, p. e00024723, 2023.
- SCHEAU, C., et al (2020). Cannabinoids in the pathophysiology of skin inflammation. Molecules (Basel, Switzerland), 25(3), 652.
- SHERIFF, Tabrez et al. The potential role of cannabinoids in dermatology. Journal of Dermatological Treatment, v. 31, n. 8, p. 839-845, 2020.
- SILVA, Guilherme Cler da; BOTELHO, Daniela Garcia; RESGALA, Renato Marcelo Júnior. Cannabis e direito penal: Implicações jurídicas do uso medicinal da planta, desafios e perspectivas da regulamentação jurídica da cannabis medicinal no Brasil. Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação, [S. l.], v. 9, n. 10,p. 6080–6100, 2023. DOI: 10.51891/rease.v9i10.12089. Disponível em: https://periodicorease.pro.br/rease/article/view/12089.
- TEIXEIRA, Joana Sofia Gomes. Papel do canabidiol na modulação da resposta imunitária. 2023. Tese de Doutorado.
- VIANA, Letícia Santos et al. Efeito do óleo de canabidiol (CBD) sobre a acne. Research, Society and Development, v. 10, n. 14, p. e306101422075-e306101422075, 2021
- VOGL, Christian R. et al. Hemp. (Cannabis sativa L.) as a resource for green cosmetics: Yield of seed and fatty acid compositions of 20 varieties under the growing conditions of organic farming in Austria. Journal of Industrial Hemp, v. 9, n. 1, p. 51- 68, 2004.
- WUSNIESKI, M. E. M. & MULLER, S., D. (2019). Análise de Formulações Tópicas Magistrais para o Tratamento da Acne. Repositório Anima Educação.
- ZENDULKA O., et al. Canabinoides e interações do citocromo P450. Curr. Droga Metab. 2016; 17 :206–226. doi: 10.2174/1389200217666151210142051
