THE ROLE OF NURSING PROFESSIONALS IN THE FACE OF POSTPARTUM DEPRESSION
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ni10202511081534
Ana Clara Ramos da Silva1
Leudiane de Jesus Mattos Alves2
Resumo
A depressão pós-parto é um transtorno psicológico que afeta um número significativo de mulheres no período puerperal, comprometendo não apenas o bem-estar materno, mas também o vínculo mãe-bebê e o desenvolvimento infantil. Diante disso, os profissionais de enfermagem desempenham um papel essencial na identificação precoce, acolhimento e encaminhamento adequado das puérperas com sinais e sintomas da doença. Este artigo tem como objetivo analisar a atuação da enfermagem na prevenção, detecção e manejo da depressão pós-parto, destacando a importância da escuta qualificada, do acompanhamento contínuo no pré-natal e no pós-parto, e da articulação com a equipe multiprofissional. Trata-se de um estudo com abordagem qualitativa, com caráter exploratório e descritivo, realizado por meio de uma pesquisa bibliográfica. Conclui-se que a capacitação dos profissionais de enfermagem, aliada a protocolos assistenciais e políticas públicas de saúde mental, são fundamentais para oferecer um cuidado integral, humanizado e eficaz às mulheres nesse período de vulnerabilidade.
Palavras-chave: Enfermagem. Depressão. Pós-parto. Saúde mental. Assistência à mulher.
1 INTRODUÇÃO
A Depressão Pós-Parto (DPP) pode estar associada a inúmeros fatores como o físico, emocional, estilo de vida ou ainda estar ligado ao histórico de outros problemas ou transtornos mentais. É um transtorno psicológico que pode acometer mulheres no pós-parto, apresentado dessa forma transformações hormonais, físicas e nas suas atividades rotineiras e sintomas diversos, fazendo assim, que a mesma precise de acompanhamento de uma equipe multiprofissional ou mesmo do uso de alguns medicamentos em casos de agravamento do quadro (Zamorano, 2021).
A relevância de estudos sobre a depressão pós-parto (DPP) reside na compreensão dos inúmeros fatores que influenciam o desenvolvimento dessa condição e suas consequências na saúde mental das mulheres. Esses estudos são fundamentais para promover o diagnóstico precoce, permitindo que intervenções adequadas sejam devidamente programadas. Além disso, entender os desdobramentos da DPP contribui para o desenvolvimento de estratégias de apoio psicológico e social, essenciais para melhorar a qualidade de vida da puérpera e seus vínculos afetivos com o bebê e a família (Lima et al, 2023).
Acredita-se que a presença de alguns transtornos mentais como ansiedade e depressão durante a gestação, aumenta significativamente o risco de desenvolver a DPP. Entre outros fatores foram identificados: despreparo da mulher para a maternidade, situação econômica em vulnerabilidade, baixa escolaridade, instabilidade conjugal e problemas obstétricos. Esses fatores podem estar inter-relacionados e impactar a saúde mental da mulher, aumentando a vulnerabilidade à DPP tanto no curto quanto no longo prazo (Oliveira, 2024).
Nessa perspectiva, levantou-se a problemática dessa pesquisa: como os enfermeiros podem identificar e atender efetivamente as mulheres que sofrem de depressão pós-parto, considerando as barreiras sociais e a falta de capacitação na área da saúde mental?
A atuação do enfermeiro no contexto da depressão pós-parto é crucial, envolvendo desde a triagem e identificação precoce de sinais e sintomas da condição até a oferta de cuidados psicológicos e orientação eficaz. Os enfermeiros são frequentemente os primeiros profissionais de saúde com quem as mães interagem, e, portanto, desempenham um papel vital na criação de um ambiente acolhedor, onde as mulheres se sintam seguras para expressar suas preocupações (Lima, 2022).
A enfermagem tem um papel fundamental no cuidado aos transtornos mentais em mulheres pós-parto, mesmo após a alta hospitalar através do acompanhamento em atenção primária à saúde. Um dos grandes questionamentos em relação ao tema seria de que forma os enfermeiros poderiam atuar nessa condição, tendo em vista que após o parto mãe e filhos vão para casa.
Entre as inúmeras hipóteses para enfrentar a DPP, existem várias estratégias que podem ser desenvolvidas com o objetivo de promover a saúde e o bem-estar das parturientes, acompanhamento psicológico contínuo e o fortalecimento das redes de apoio como familiares e amigos. visitas domiciliares para avaliação do estado físico e emocional da parturiente.
2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
2.1 DEPRESSÃO PÓS PARTO E A IMPORTÂNCIA DA PREVENÇÃO
A Depressão Pós-Parto (DPP) é uma condição clínica qualificada como um transtorno depressivo que afeta não somente a mulher em estado puerpério, mas toda a sua família por conta das alterações emocionais, necessitando dessa forma tratamento adequado (Soares e Rodrigues, 2018). A depressão pós-parto se manifesta em mulheres após o parto e com uma variedade de sintomas emocionais e comportamentais, como tristeza, nervosismo, choro fácil e sentimentos de inadequação na maternidade.
A DPP é caracterizada por uma oscilação de emoções, onde as mães podem experimentar tanto alegria quanto sofrimento psíquico simultaneamente (Lopes Junior; Santos; Silva, 2024). Ainda, pode ser influenciada por uma série de fatores, incluindo histórico pessoal ou familiar de transtornos mentais, experiências traumáticas, e fatores sociais e econômicos que afetam a disposição das mulheres em relatar seus sintomas (Lopes Junior; Santos; Silva, 2024).
A manifestação da DPP ocorre nas primeiras quatro semanas após o parto, mas, geralmente inicia-se durante o período gestacional. De acordo com o Manual Diagnóstico de Transtornos Mentais – DSM V (2013) em regra os sintomas estão relacionados a alteração do humor, cansaço excessivo, dificuldade de concentração e mudanças a sensações consideradas prazerosas e agradáveis. Somado a isso, pode ocorrer também a insônia, diminuição da autoestima e sentimento de culpa (Nader et al, 2020).
De acordo com o Ministério da Saúde (2025) “o diagnóstico da depressão pós-parto é basicamente clínico, feito com observação nos sintomas e situação em específicos”, é considerada um subtipo da depressão maior. Para um diagnóstico preciso, em regra os sintomas aparecem até a quarta semana após o nascimento da criança.
Além disso, para distinguir entre um caso de curto prazo e uma forma mais grave de depressão, o profissional de saúde especializado (psiquiatra) pode pedir para você preencher um questionário de triagem de depressão e pedir exames de sangue para determinar se há presença de alguma disfunção da tireóide ou outros tipos de hormônios no organismo (Brasil, 2025).
Em casos positivos, o tratamento é realizado de forma individual, de acordo com a peculiaridade do caso, com medicamentos antidepressivos e acompanhamento psicológico.
Segundo o Ministério da Saúde, é fundamental o apoio da família e amigos para a prevenção e seu devido tratamento, ainda, se recomenda que a participação do casal em todo o processo de tratamento para que alcance eficácia (Brasil, 2025).
(…) por ser preventivo em vários aspectos: modificações da identidade da gestante; acompanhar a gestação do vínculo pais-bebê; trabalhar o desenvolvimento da confiança na própria percepção e na própria sensibilidade; ampliar recursos do casal como agente de prevenção com outras pessoas da família; e conscientização dos pais em relação ao atendimento que recebem e à reivindicação de suas necessidades (Bonfim et al, 2022, p. 4).
O pré-natal integral é importante, pois é nele que a grávida pode tirar inúmeras dúvidas em relação ao período da gravidez, infelizmente o acesso a este programa ainda é precário no país, por falta de promoção e divulgação dos serviços muitas mulheres ficam sem assistência psicológica durante toda a gravidez (Bonfim et al, 2022). Para Bonfim et al (2022, p. 6) “o puerpério é uma fase singular e complexa, após a fase da gestação, que já representou um momento com muitas transformações, novidades e sobrecarga emocional”.
Monteiro et al (2020) enfatizam que os profissionais da saúde devem promover ações preventivas estimulando a mulher na compreensão das fases do puerpério, dando assim condições de controle dessa patologia. “O enfermeiro pela própria característica de seu trabalho é aquele que inicialmente estará em contato com a mulher durante o pré-natal, sendo essa etapa de imprescindível valor para detecção precoce da depressão” (Monteiro et al, 2020, p. 7).
A prevenção da DPP pode ser realizada através o desenvolvimento de um programa chamado Pré-Natal Psicológico (PNP), que envolve aconselhamento psicológico por telefone e outras intervenções focadas nos fatores de risco individuais, mostrou-se eficaz na redução da DPP e no melhor cumprimento da função materna. É crucial identificar os sintomas iniciais e fatores de risco e proteção associados à DPP. Quanto mais cedo esses fatores forem detectados, melhor assistência poderá ser oferecida às puérperas. De acordo com os autores, essas estratégias ressaltam a importância de uma assistência integral e preventiva para mulheres durante o puerpério, visando reduzir o impacto da DPP como um problema de saúde pública (Arrais; Araújo; Schiavo, 2019).
A depressão pós-parto (DPP) é um problema de saúde pública, que afeta tanto a saúde materna, quanto o desenvolvimento da criança. Caracteriza-se por um episódio depressivo ou uma soma de episódios após o nascimento de um filho. Distingue-se por um conjunto de sintomas que se iniciam, geralmente, entre a quarta e a oitava semana após o parto, alcançando sua intensidade máxima nos seis primeiros meses (Brocchi; Bussab; David, 2015, p. 263).
A DPP é uma complicação comum que pode afetar de 15% a 20% das puérperas em nível mundial e até percentagens mais elevadas em algumas populações, o que a caracteriza como um problema significativo de saúde pública. A prevenção é essencial para reduzir a incidência e os impactos dessa condição (Arrais, Araújo e Schiavo, 2019). Lima (2022) discute a prevenção da depressão pós-parto (DPP) e os papéis que os profissionais de enfermagem podem desempenhar nesse contexto. Afirma que, embora a etiologia da DPP tenha componentes biológicos que dificultam sua prevenção total, é possível realizar ações que coadjuvem na identificação de fatores de risco e no suporte às mães.
O diagnóstico oportuno de DPP permite que enfermeiros e outros profissionais de saúde identifiquem mulheres em risco mais rapidamente. Isso é crucial, pois alguns fatores de risco, como histórico psiquiátrico, estressores sociais e emocionais, podem ser identificados durante consultas pré-natais e pós-parto. Ao reconhecer essas condições precoces, é possível programar intervenções preventivas (Lima, 2022).
Em um estudo realizado no ano de 2009, em uma Tese de Doutorado, Amaury Cantinilo, apresentou o tratamento precoce como um dos principais focos para evitar casos futuros de DPP. Foram apresentados tanto tratamento farmacológicos como estratégias não farmacológicas, por exemplo, grupos de suporte, visitação de agentes de saúde, psicoterapia, massoterapia e eletroconvulsoterapia (Cantinilo, 2009). De acordo com Cantinilo (2009, p. 55) “dentre os transtornos de ansiedade que podem ocorrer no puerpério ou mais comumente encontrados na literatura são o transtorno do pânico, o transtorno obsessivo-compulsivo e o transtorno do estresse pós-traumático”.
Um fator de fundamental importância na prevenção da DPP é a amamentação que “proporciona algumas condições e processos psicológicos que atuam como protetores frente ao desenvolvimento da depressão pós-parto” (Nader et al, 2020, p. 3884). De acordo com Figueiredo et al (2013) as mães que possuem eficácia no processo de amamentação apresentam menores níveis de sintomas de depressão pós-parto.
De acordo com dados da literatura, alguns fatores contribuem e podem influenciar o desenvolvimento da DPP, tais como, baixo nível de escolaridade, mulheres que não residem com o companheiro, que fizeram uso de álcool/tabaco, sofreram estresse na gravidez, casos anteriores de depressão, nesses casos, há grande probabilidade do desenvolvimento da depressão pós-parto ( Hartmann; Mendoza-Sassi; Cesar, 2017).
2.2 FATORES DE RISCO ASSOCIADOS À DEPRESSÃO PÓS-PARTO
A DPP se dá por diversos motivos e sua prevalência no Brasil está entre 12 a 37%, isto é, uma a cada quatro mulheres brasileiras tem a probabilidade de adquirir a depressão pós-parto. Entre vários fatores estão a não aceitação da gravidez, questões afetivas que foram vivenciadas pelas mães na infância ou na adolescência, idade inferior a 16 anos, histórico de transtorno psiquiátrico, estresses causados nos últimos 12 meses, conflitos conjugais, estado civil de solteira ou divorciada e vulnerabilidade social (Alves e Passos, 2022).
O histórico genético de transtornos mentais como ansiedade, distúrbios de humor, distúrbios de personalidade ou quaisquer condições psiquiátricas estão associadas a um aumento no risco de DPP. Além disso, existem estudos que indicam que a depressão maior durante o período pré-natal ou qualquer outra doença psiquiátrica também elevam significativamente o risco. Logo, aspectos como esses devem ser constatados durante as primeiras consultas na atenção primária, visto que é considerado a porta de entrada pra o sistema de referência (Santos e Siqueira et al.,2022).
Estudos apontam que mulheres com histórico pessoal ou familiar de transtornos mentais têm uma probabilidade maior de desenvolver DPP. Esse fator genético pode contribuir para a predisposição à condição, juntamente com outros fatores ambientais e psicossociais que influenciam a saúde mental da puérpera.
Quadro 1 – Fatores de risco associados a DPP
| Fatores de risco identificados para a DPP | |
| Fatores | Características |
| Idade | Mulheres mais jovens, especialmente adolescentes, apresentam um maior risco. |
| Baixa renda econômica | Este fator está relacionado ao aumento de conflitos familiares e dificuldade em cuidados com o bebê. |
| Baixa escolaridade | Nível educacional inferior é associado a um risco maior de desenvolver depressão. |
| Instabilidade na relação conjugal | Relações precárias ou não formalizadas aumentam o risco |
| Falta de suporte social | A ausência de apoio familiar e social pode contribuir para o surgimento de sintomas depressivos |
| Gravidez indesejada | A falta de preparação para a maternidade impacta negativamente no bem-estar emocional |
| Depressão anterior | Históricos de problemas de saúde mental aumentam a probabilidade de recaídas. |
| Problemas obstétricos | Complicações durante a gestação ou no parto também são fatores de risco |
| Sentimento de despreparo | Mulheres que se sentem inadequadas para a maternidade ou incapazes de cuidar do bebê |
Esses fatores são biopsicossociais e interagem entre si, tornando crucial a identificação precoce e intervenções adequadas para prevenir a depressão pós-parto. Os fatores biopsicossociais que contribuem para a depressão pós-parto (DPP) podem ser tratados e mitigados através de diversas intervenções , tais como: educação em saúde, apoio social, aconselhamento psicológico, treinamento de habilidades, acompanhamento no pré-natal, cuidados multidisciplinares, incentivo a participação do parceiro, promoção de saúde física, entre outros (Alves e Passos, 2022).
Um dos fatores de risco mais frequentemente associado ao desenvolvimento da Depressão Pós-Parto (DPP) é “ter passado por intercorrências na gravidez anterior/atual” (Arrais, Araújo e Schiavo, 2019). Além disso, outros fatores significativos incluem a realização de cesarianas e a não planificação ou desejo da gravidez. A presença de fatores como “ansiedade e depressão gestacional” , “dificuldades financeiras”, “rede de apoio empobrecida” e “conflito familiar/conjugal” também são relevantes, mas foram menos frequentes nas respostas das participantes desse estudo (Arrais, Araújo e Schiavo, 2019).
De acordo com Arrais, Araújo e Schiavo (2019) embora não haja um único fator que se destaque em todas as populações e contextos, as intercorrências na gravidez têm se mostrado um indicador forte e impactante do risco de desenvolvimento da DPP, sugerindo que essas experiências adversas devem ser foco especial em programas de prevenção e acompanhamento. Os fatores de risco para a depressão pós-parto (DPP) são variados e envolvem uma interação complexa entre aspectos biológicos, psicológicos e sociais. Fator como baixa renda, apoio social insuficiente, eventos estressantes durante a gravidez e história prévia de doenças emocionais podem aumentar a vulnerabilidade de mulheres ao desenvolvimento dessa condição. Esses fatores não atuam isoladamente, mas se entrelaçam, influenciando a saúde mental da gestante de maneiras únicas e específicas para cada indivíduo (Arrais, Araújo e Schiavo, 2019).
Brocchi, Bussab e David (2015, p. 263) apontam vários fatores relacionado a depressão pós-parto, “a) depressão e ansiedade pré-natal; b) autoestima baixa; c) dificuldade em lidar com o bebê; d) alto nível de estresse; e) pobre suporte social; f) relação marital pobre; g) história de depressão; h) presença de melancolia”. Identificar seus fatores relacionados é essencial para prevenção, diagnóstico e tratamento precoce. Em regra, esses fatores geralmente são divididos em categorias biológicas, psicológicas e sociais.
2.3 ESTRATÉGIAS E INTERVENÇÕES: O PAPEL DO ENFERMEIRO
Os impactos da depressão pós-parto dependem de inúmeros fatores no desenvolvimento do bebê, tais como, a idade do bebê, seu comportamento, o nível do episódio depressivo materno e a interatividade da mãe deprimida. A DPP afeta além da mãe, a criança e até mesmo o pai. Durante o puerpério, a mãe sofre transformações psicológicas e físicas, podendo ainda, surgir vários transtornos emocionais, que influencia negativamente o desenvolvimento do bebê (Araújo et al, 2025).
Para que seja garantido a saúde mental e o desenvolvimento da criança de forma adequada é fundamental intervenções de caráter preventivo e que dê suporte tanto para a mãe quanto ao pai, por exemplo, a minimização dos conflitos são fatores que podem amenizar os efeitos da depressão (Araújo et al, 2025).
A Organização Mundial da Saúde (OMS) vem divulgando novas orientações no pós-parto e incluem a amamentação, rede de apoio aos pais, realização de exames no pré-natal e medidas de alívio para situações de dores comuns como dor no períneo, ingurgitamento mamário e apoio emocional (COFEN, 2022).
Nessa perspectiva, os profissionais da enfermagem tem um papel de grande importância nesse processo, identificando os sinais e dando suporte emocional para as mães, tendo em vista, que os enfermeiros são os profissionais em contato direto com as gestantes e puérperas, essa proximidade contribui para que eles possam perceber qualquer mudança no comportamento e fazer os devidos encaminhamentos para os profissionais especialistas, o apoio familiar faz grande diferença. Com a mãe sentindo esse acolhimento, as chances de superação da depressão pós-parto aumentam consideravelmente (Araújo et al, 2025).
De acordo com Araújo et al (2025) ao analisar alguns sintomas na puérpera, o enfermeiro utiliza a Escala de Depressão Pós-Parto (EPDS) uma ferramenta de rastreamento com 10 itens, utilizada para identificar mulheres em risco de DPP. Essa escala é utilizada como mecanismo de triagem de detecção precoce de sinais e sintomas da depressão, foi desenvolvida para identificar para identificação precoce de depressão clínica como: “anedonia, ou perda da capacidade de sentir prazer, ponto fundamental em estados depressivos; sentimento de culpa; alterações no sono; redução na disposição em geral; tristeza profunda; ideação suicida, etc.” (Moraes, 2020). A seguir o modelo da Escala de Depressão Pós-Parto na figura 1:
Figura 1 – Modelo da Escala de Depressão Pós-Parto (EPDS)

Esta escala foi proposta pela primeira vez em 1987 a partir de um estudo com 84 mães, de acordo com os autores, a Escala de Edimburgo foi satisfatória, pois apresentou sensibilidade e especificidade para identificar mudanças na gravidade da depressão ao longo do tempo. A Escala de Depressão Pós-Parto de Edimburgo (EPDS, do inglês Edinburgh Postnatal Depression Scale) tem como objetivo auxiliar na identificação dos sintomas da depressão puerperal.
De acordo com o Portal Wemeds (2024), é uma escala de fácil aplicação e confiável, porém é limitado, pois é autorrelatado, avaliando somente a percepção da própria paciente em relação aos sintomas. O uso da escola não permite a identificação das causas da depressão, nem a sua gravidade.
Um dos papéis mais importantes do enfermeiro é a escuta qualificada, demonstrando empatia e ausência de julgamentos. Muitas vezes, a mulher só se abre quando se sente ouvida e compreendida, o que pode ser o primeiro passo para aceitar ajuda.
Ao integrar a equipe multiprofissional, o enfermeiro coordena e articula as ações de cuidado, assegurando que a puérpera receba suporte adequado tanto no nível individual quanto familiar. Essa atuação é essencial para promover a humanização do atendimento e garantir a continuidade do cuidado no período pós-parto (Araújo et al, 2025, p. 5).
A atuação do enfermeiro numa equipe multidisciplinar é essencial nas ações de combate à depressão pós-parto, considerando seu papel próximo e continuo junto às mulheres no ciclo gravídico-puerperal (gestação, parto e pós-parto). Na equipe multidisciplinar, que pode incluir médicos, psicólogos, assistentes sociais, terapeutas ocupacionais e outros profissionais, o enfermeiro atua como ele fundamental entre a gestante/puérpera e os demais membros da equipe (Silva et al, 2022).
De acordo com Silva et al (2022) é perceptível que os profissionais da saúde que trabalham vinculado à atenção primária precisam de subsídios públicos para melhorar os indicadores de agravamento da doença. A especialização contínua dos profissionais é fundamental para que o mesmo identifique precocemente e encaminha para os serviços especializados de psicologia.
Sobre os serviços prestados pela equipe de enfermagem, Araújo et al (2025, p. 6) apontam que:
Durante o atendimento no puerpério, são estabelecidos diversos objetivos: avaliar o estado de saúde da mãe e do recém-nascido, visando o retorno às condições pré-gestacionais, apoiar e orientar sobre o aleitamento materno, fornecer orientações sobre planejamento familiar, identificar e manejar possíveis situações de risco ou intercorrências, avaliar a interação entre mãe e bebê, completar ou realizar ações que não foram executadas durante o pré-natal. Esses objetivos visam garantir uma assistência qualificada, permitindo que a puérpera compartilhe ansiedades e esclareça dúvidas, promovendo uma adaptação mais segura e saudável ao novo papel materno.
Embora o diagnóstico formal da DPP seja de responsabilidade médica, o enfermeiro tem papel essencial na identificação precoce, acolhimento, orientação e encaminhamento do paciente. Nesse sentido, o profissional deve estar atento aos sinais e sintomas durante o atendimento no pré-natal tardio, no puerpério e nas visitas domiciliares.
Segundo Brito et al (2020) é fundamental que o enfermeiro que trabalha no cuidado a mãe em estado gravídico/puérpera deverá conhecer todos os sintomas ligados a DPP, para que a assistência prestada seja de qualidade e garantir que a mãe exerça de forma saudável a maternidade.
De acordo com o Decreto nº 94.406/87, do Ministério de Saúde, “o enfermeiro pode acompanhar inteiramente o pré-natal de baixo risco na rede de atenção primária à saúde (APS)”. Diante disso, a assistência de enfermagem no pré-natal muita das vezes gera, no primeiro momento, desconfiança entre as gestantes assistidas pelo enfermeiro na consulta de pré-natal.
3 METODOLOGIA
A presente pesquisa foi desenvolvida com base em uma abordagem de revisão de literatura, buscando destacar os fatores de risco que levam a Depressão Pós-Parto e a importância da atuação dos profissionais da enfermagem no cuidado das mulheres que enfrentam essa condição.
Inicialmente, realizou-se uma pesquisa bibliográfica em periódicos científicos, utilizando bases do Google Acadêmico e alguns repositórios acadêmicos, tais como, Scielo (Scientific Electronic Library Online), Pepsic (Periódicos de Psicologia) e BNTD (Biblioteca Nacional de Teses e Dissertações). A busca foi conduzida utilizando combinações de palavraschave relevantes ao tema, como “Fatores de risco associados a Depressão Pós-Parto” e “depressão pós-parto”.
Após a busca inicial, foram aplicados critérios de inclusão e exclusão para selecionar os artigos mais relevantes e pertinentes ao tema proposto. Foram considerados artigos publicados em periódicos científicos publicados nos últimos 10 anos, tendo em vista a baixa produção acadêmica sobre essa temática.
Os artigos selecionados foram minuciosamente analisados e os dados relevantes serão extraídos, como conceitos, teorias, resultados de pesquisa e práticas inclusivas descritas pelos autores. Ainda, no decorrer da pesquisa, observou-se similaridades, diferenças e tendências nas abordagens e resultados encontrados nos estudos analisados.
Os dados extraídos estão organizados e categorizados de acordo com os principais temas e subtemas identificados na revisão de literatura. Essa etapa permitiu uma compreensão aprofundada do papel do enfermeiro no enfrentamento dessa patologia que acomete inúmeras mulheres em todo o mundo, no Brasil de acordo com dados, uma a cada quatro mulheres desenvolve a depressão pós-parto.
Com base na organização e categorização dos dados, realizou-se uma síntese dos resultados obtidos, destacando os principais achados da revisão de literatura. Essa síntese permitiu a identificação das tendências, lacunas de conhecimento e áreas que requerem mais investigação para que dessa forma possa ser traçado um perfil do papel dos enfermeiros na atuação de prevenção e combate da DPP.
O presente estudo apresenta uma abordagem qualitativa, o que permite responder de forma segura a problemática desta pesquisa: como os enfermeiros podem identificar e atender efetivamente as mulheres que sofrem de depressão pós-parto, considerando as barreiras sociais e a falta de capacitação na área da saúde mental? Nessa perspectiva, pode-se classificar esse estudo como uma pesquisa bibliográfica, quanto aos objetivos é uma pesquisa exploratória e descritiva através de uma abordagem qualitativa e por meio do método dedutivo (Gil, 2022).
Primeiramente foram selecionados 50 artigos e após a aplicação dos critérios de exclusão restaram 22 artigos que estão devidamente referendados ao final deste estudo. Abaixo será representado o fluxograma que demonstra a composição desta seleção:
Figura 2: fluxograma dos tipos de publicações selecionadas

A maioria das informações apresentadas neste estudo foi extraída de artigos publicados em revistas científicas indexadas, com foco em bases de dados confiáveis como Scielo, LILACS, Google Acadêmico, garantindo a qualidade e credibilidade das fontes utilizadas. A seleção das fontes considerou a relevância, atualidade e credibilidade das publicações, priorizando artigos dos últimos cinco anos. Dessa forma, buscou-se garantir a qualidade científica e a fundamentação teórica adequada ao tema abordado.
4 RESULTADOS E DISCUSSÕES
A depressão pós-parto é um transtorno comum que afeta uma em cada quatro mulheres, sendo considerado um grave problema de saúde mental que compromete além da mãe a criança e até mesmo o pai do bebê. Diante disso buscou-se através da pesquisa bibliográfica através da literatura publicada em revistas científicas sobre a atuação do enfermeiro na atenção à DPP.
Mesmo sendo o tema de relevância, observou-se que há uma baixa produção de estudos específicos sobre a atuação do enfermeiro nesse contexto, principalmente no Brasil, o que justifica a realização desta pesquisa para que dessa forma contribua para ampliação do conhecimento e orientações quanto as práticas de cuidado. A seguir será apresentado o quadro 2 com os resultados encontrados:
Quadro 2 – Estudos selecionados após os critérios de inclusão e exclusão
| Título | Autores e ano | Considerações Finais |
| O papel da enfermagem na depressão pós-parto | Araújo et al 2025 | Concluímos que a enfermagem é eficaz durante os sinais da depressão pós-parto de forma precoce, para evitarmos o agravamento desta comodidade. O papel da enfermagem também é ver além da doença, para que haja um tratamento mais eficaz e humanizado. |
| Fatores de risco e proteção associados à depressão | Arrais; Araújo; Schiavo 2018 | os resultados confirmam a importância do conhecimento dos fatores de risco e de proteção da DPP para o planejamento e execução de ações preventivas ainda na fase pré-natal, para viabilizar a promoção do cuidado integral a gestante e puérpera, desprendendo–se da exclusividade do modelo biomédico e concretizando as diretrizes das políticas públicas mais recentes e os avanços nas áreas de Psicologia Clínica e da Saúde e até mesmo da Obstetrícia e Saúde da Mulher. |
| Atuação do enfermeiro no reconhecimento e intervenção da depressão pós-parto | LOPES JUNIOR, H.M.P; SANTOS, G.C.S; SILVA, L.G 2024 | A capacitação e a qualificação dos profissionais de enfermagem são imprescindíveis para enfrentar os desafios associados à DPP. A educação contínua e o desenvolvimento de habilidades específicas, como a empatia, a observação e a comunicação eficaz, são fundamentais para o sucesso das intervenções e a prevenção antecipada e a intervenção precoce são estratégias importantes que podem ser implementadas durante a gravidez e nos primeiros meses após o parto. |
| Fatores desencadeantes e sintomas associados à depressão pós-parto | MARTINS, Fernanda da Mata. et al. 2024 | Conclui-se que foi observado a necessidade da implementação de melhorias na atenção primária, desde as consultas pré-natais até o período puerperal, com o objetivo de atuar na prevenção dos fatores de risco. |
| Assistência da equipe de enfermagem na depressão pós-parto na atenção primária à saúde. | DE PAULA, Daniele Leme. et al. 2023 | Cabe ao enfermeiro o cuidado e conhecimentos sobre os transtornos mentais no puerpério, em qualquer âmbito do atendimento, devendo estar qualificado, atendendo ao longo do pré-natal, objetivando a prevenção deste transtorno e a promoção da saúde mãe-bebê. |
| Assistência de enfermagem na depressão pós-parto: | Frasão e Bussinguer 2023 | Os resultados apontaram que os profissionais de enfermagem devem elaborar planos de prevenção, cuidado nas consultas para se atentar e estiver apto a perceber quando há algo de errado com aquela mãe. O enfermeiro deve ter o conhecimento acerca da etiologia e os sinais associados a DPP, para tomar medidas preventivas contra a doença. |
| O conhecimento de gestantes de uma unidade básica de saúde no Interior do Pará sobre depressão pós-parto | Lima, A. D. et al 2023 | A partir dos dados obtidos, percebe-se a necessidade da disseminação de informações acerca do tema, principalmente durante as consultas de pré-natal, para que as gestantes possam entender e aprender a lidar com as alterações durante e após o parto, a fim de aumentar o conhecimento destas sobre as patologias que podem acometê-las, para que possam observar os sintomas e assim buscar ajuda para obter um diagnóstico precoce, para um bom prognóstico. |
| Assistência do enfermeiro a mulher com depressão pósparto: uma revisão narrativa da literatura | MARÇAL, Ayandra Alves. et al 2023 | Conforme tudo o que foi analisado, destaca-se a importância do enfermeiro no diagnóstico, acompanhamento, prevenção e tratamento da depressão pós-parto. Diante disso, faz-se necessário cada vez mais um investimento, de maneira contínua, em educação continuada, a fim de que estes profissionais – sobretudo os que atuam na APS – estejam sempre capacitados tecnicamente para o enfrentamento desse agravo |
| Depressão pós-parto e seus desdobramentos na saúde mental da mulher: Revisão integrativa. | OLIVEIRA, Lilian Celini de. 2024 | Concluindo que os fatores desencadeantes identificados são amplamente multifatoriais, envolvendo componentes biológicos, psicológicos, sociais e obstétricos, é indispensável a prevenção e adesão de tratamento. |
| Fatores de risco para a depressão pós-parto e a atuação da enfermagem | Alves e Passos 2022 | Conclui-se que o monitoramento cuidadoso do humor no primeiro ano após o parto é de extrema importância, especialmente em mulheres com histórico de depressão familiar. Identificar mulheres com este risco por meio de um simples acompanhamento inicial estabelece um tratamento seguro, maduro e continuo para o bem da mãe e do bebê. O tratamento não deve ser evitado e sim bem preparado. |
| Depressão pós-parto: prevenção e tratamentos | Bonfim et al 2022 | Muitos fatores biológicos e ambientais, como fatores relacionados ao estilo de vida, estão envolvidos na incidência ou prevenção da depressão pós-parto. |
Fonte: Organizado pela autora, 2025
O tema depressão pós-parto é de grande relevância, tendo em vista buscar compreender essa condição como um transtorno de saúde mental que pode afetar a vida de mulheres, suas famílias e o desenvolvimento da criança recém-nascida. É caracterizada por sintomas emocionais e comportamentais, podendo oscilar entre momentos de alegria e sofrimentos intensos, daí a sua complexidade.
De acordo com Oliveira (2024), um ponto central na discussão é a alta prevalência da DPP, que atinge cerca de 25% das mulheres no período pós-parto, configurando-a como um importante problema de saúde pública. Essa alta incidência reforça a necessidade de estratégias de prevenção e intervenção precoce, uma vez que a detecção e o tratamento oportuno podem evitar consequências negativas de longo prazo, como dificuldades no relacionamento materno-infantil, problemas no desenvolvimento da criança, e agravamento do estado emocional da mãe.
Segundo Alves e Passos (2022), os fatores de risco como histórico de transtornos mentais anteriores, vulnerabilidade social, baixa escolaridade, conflitos conjugais e questões obstétricas aumentam a susceptibilidade à DPP. Assim, a prevenção passa pelo reconhecimento desses fatores durante o pré-natal e pós-parto, por profissionais de saúde treinados, com o objetivo de promover ações de acompanhamento, suporte psicológico e fortalecimento das redes de apoio social.
Outro aspecto importante abordado na discussão é o papel estratégico da equipe de enfermagem, cuja atuação precoce na identificação de sinais e sintomas, aliada a uma escuta qualificada, pode facilitar a implementação de intervenções preventivas, minimizando o impacto da depressão na vida da mulher. A capacitação contínua do profissional e o desenvolvimento de protocolos específicos também são essenciais para garantir uma assistência humanizada, eficaz e integrada (Araújo et al, 2025).
Arrais, Araújo e Schiavo (2019) destacam que os fatores de risco não atuam isoladamente, mas de maneira interdependente, formando um conjunto biopsicossocial que influencia o estado mental da mulher no período pós-parto. Estudos indicam que intercorrências na gestação, como complicações obstétricas, têm forte impacto na vulnerabilidade à depressão pós-parto, reforçando a importância do acompanhamento pré-natal e de uma atenção especializada para identificar e manejar esses fatores.
A discussão acerca das intervenções e do papel dos enfermeiros na atenção à depressão pós-parto reforça a importância de uma atuação proativa, humanizada e embasada em protocolos para o cuidado integral da mulher nesse período sensível. De acordo com Araújo et al(2025) e Silva et al (2022), os enfermeiros têm uma posição estratégica na coordenação do cuidado, pois estão frequentemente na linha de frente durante o pré-natal, parto e pós-parto, possibilitando intervenções precoces por meio de escuta qualificada e uso de instrumentos de triagem, como a EPDS. Essa atuação precoce é crucial para identificar sinais que podem evoluir para depressão pós-parto, mesmo antes do diagnóstico formal, e garantir encaminhamento adequado.
Alguns autores apontam que é essencial a capacitação contínua dos profissionais da saúde para que seja aprimorado a sua capacidade de reconhecer os fatores e sinais de risco e alerta, além de promover um atendimento humanizado que facilite o vínculo entre o profissional e a mãe, promovendo dessa forma uma maior adesão às orientações e possíveis tratamentos. Sua atuação na coordenação de ações e no suporte emocional contribui para a recuperação da saúde mental da mãe, fortalecendo as redes de apoio social e familiar, que são fundamentais nesse contexto (Araújo et al, 2025).
Para Oliveira et al (2024) a implementação de protocolos assistenciais e o fortalecimento de políticas públicas de saúde mental são estratégias importantes para estruturar essa atenção, garantindo que as ações de enfermagem sejam consistentes, eficazes e de fácil acesso para todas as mulheres, independentemente de suas condições sociais ou econômicas.
Ainda, de acordo com Araújo et al (2025) o cuidado de enfermagem deve ser contínuo, desde o pré-natal até o pós-parto, incluindo visitas domiciliares e acompanhamento psicossocial, buscando não apenas detectar sinais de depressão, mas também promover ações de prevenção, suporte emocional e fortalecimento das redes de apoio, de modo a reduzir as barreiras que dificultam a efetivação desses cuidados.
Nesse entendimento, a discussão central desse estudo e abordado por mais da metade dos autores, centra se na importância de uma atuação contínua, integral e humanizada do enfermeiro no cuidado das mulheres no período perinatal, principalmente no diagnóstico precoce, no suporte emocional e no fortalecimento das redes de apoio.
É fundamental que o atendimento as mulheres se realizem desde o pré-natal até o pós-parto, incluindo nessas abordagens, visitas domiciliares, acompanhamento com psicólogos e estratégias de prevenção, objetivando a minimização das barreiras sociais e de capacitação que dificultam que os cuidados da saúde mental sejam efetivados, principalmente nas reduções dos riscos de depressão pós-parto.
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Apesar de sua alta incidência, afetando cerca de 25% das mulheres após o parto, a DPP ainda é frequentemente subdiagnosticada e subtratada, em parte devido aos preconceitos, ao estigma, à desinformação e à romantização da maternidade. Nesse sentido, é essencial reconhecer a relevância desse tema, tendo em vista que, a depressão pós-parto não afeta somente o lado emocional da mulher, mas também o desenvolvimento afetivo, cognitivo e físico da criança.
É fundamental compreender os fatores de risco para a depressão pós-parto, contribuindo dessa maneira para a prevenção, detecção precoce e tratamento eficaz dessa doença. Os fatores são variados e multifacetados, interagindo entre sí, envolvendo aspectos biológicos, psicológicos e sociais.
O estudo em pauta, reforça a importância do papel do enfermeiro no combate a DPP, destacando que a capacitação dos profissionais é essencial para oferecer um atendimento integral e humanizado às mulheres em estado de vulnerabilidade. Dessa forma, o profissional da saúde pode contribuir significativamente para a redução dos impactos da depressão pós-parto e promover o bem-estar materno-infantil.
Ainda, observou-se a preocupação de muitos autores em relação a ampliação das estratégias de cuidados voltados à saúde mental na atenção primária, somadas a isso, desenvolvimento de ações preventivas e de acompanhamento psicológico para fortalecer a rede de suporte às mulheres nesse ciclo de gestação, parto e puerpério.
Quanto a problemática desta pesquisa, demonstra-se estratégias e recomendações para que os enfermeiros possam atuar com efetividade na identificação e no cuidado de mulheres com depressão pós-parto. Destaca-se que os profissionais podem realizar a triagem precoce utilizando inúmeros instrumentos como a Escala de Depressão Pós-Parto (EPDS).
O fortalecimento das redes de apoio social e familiar, as ações de visitas domiciliares e orientações, ampliam o alcance e facilita o atendimento às necessidades das mulheres, mesmo diante de tantos obstáculos.
REFERÊNCIAS
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1Discente do Curso Superior de Enfermagem da Faculdade UNAMA em Porto Velho-RO
2Docente do Curso de Enfermagem da Faculdade UNAMA em Porto Velho-RO
