O PAPEL DA FISIOTERAPIA NA QUALIDADE DE VIDA DO PACIENTE PALIATIVO: UMA REVISÃO INTEGRATIVA DA LITERATURA

THE ROLE OF PHYSIOTHERAPY IN THE QUALITY OF LIFE OF PALLIATIVE PATIENTS: AN INTEGRATIVE REVIEW OF THE LITERATURE

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202510101323


Luan Gabriel da Silva Moreira¹
Giovana Carolina Granero Ramos¹
Orientador: Fábio Tormem²


Resumo

O presente estudo teve como objetivo analisar a contribuição da fisioterapia para a promoção da saúde e qualidade de vida em pacientes em cuidados paliativos, por meio de revisão integrativa da literatura. A busca foi realizada nas bases PubMed, SciELO e LILACS, com publicações de 2020 a 2025, resultando em 97 artigos, dos quais 14 atenderam aos critérios de inclusão. As evidências apontaram que a fisioterapia desempenha papel central na preservação da funcionalidade, no manejo da dor, da fadiga e da dispneia, bem como na redução de complicações associadas à imobilidade. Intervenções como exercícios terapêuticos, reabilitação respiratória, mobilização precoce, terapia complexa descongestiva adaptada e programas de exercícios supervisionados mostraram benefícios clínicos, funcionais e psicossociais. Observou-se ainda a viabilidade de modalidades adaptadas e remotas, que garantem continuidade do cuidado em situações de vulnerabilidade clínica ou social. Conclui-se que a inserção do fisioterapeuta em equipes multiprofissionais é essencial para a integralidade da assistência, promovendo autonomia, dignidade e qualidade de vida no processo de terminalidade.

Palavras-chave: Cuidados Paliativos. Fisioterapia. Promoção da Saúde. Qualidade de Vida.

Abstract

This study aimed to analyze the contribution of physical therapy to health promotion and quality of life in palliative care patients, through an integrative literature review. The search was conducted in PubMed, SciELO, and LILACS databases, covering publications from 2020 to 2025, resulting in 97 articles, of which 14 met the inclusion criteria. The evidence showed that physical therapy plays a central role in preserving functionality, managing pain, fatigue, and dyspnea, as well as reducing complications associated with immobility. Interventions such as therapeutic exercises, respiratory rehabilitation, early mobilization, adapted complex decongestive therapy, and supervised exercise programs demonstrated clinical, functional, and psychosocial benefits. The feasibility of adapted and remote modalities was also observed, ensuring continuity of care in contexts of clinical or social vulnerability. It is concluded that the inclusion of physical therapists in multidisciplinary teams is essential for comprehensive care, promoting autonomy, dignity, and quality of life in the end-of-life process.

Keywords: Palliative Care. Physical Therapy. Health Promotion. Quality of Life.

INTRODUÇÃO

Promover saúde em pacientes terminais é um desafio, sobretudo diante do crescimento das doenças crônicas e degenerativas. O conceito de promoção da saúde, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), envolve ações que visam ampliar o bem-estar físico, mental e social, mesmo quando a cura não é possível (World Health Organization, 2020). Nesse cenário, a fisioterapia emerge como disciplina fundamental na abordagem multidimensional do cuidado ao paciente terminal.

O papel da fisioterapia transcende o tratamento curativo, focando na manutenção da funcionalidade, alívio dos sintomas e preservação da autonomia do paciente. Intervenções fisioterapêuticas, como cinesioterapia, técnicas respiratórias e orientações posturais, são empregadas para minimizar complicações decorrentes da imobilidade, controlar dor e dispneia, além de favorecer o conforto global (Silva et al., 2019). Tais estratégias contribuem significativamente para a qualidade de vida, respeitando os limites e desejos individuais do paciente.

A escolha deste tema se justifica pela necessidade de ampliar o conhecimento sobre práticas fisioterapêuticas voltadas à promoção da saúde em pacientes terminais, considerando a escassez de estudos integrativos que sistematizem evidências científicas nesse campo. A literatura aponta que a atuação do fisioterapeuta em equipes multiprofissionais potencializa resultados positivos relacionados à mobilidade, controle sintomático e satisfação dos pacientes e familiares (Oliveira & Santos, 2021).

No âmbito da saúde pública, a implementação de cuidados paliativos qualificados, com participação ativa do fisioterapeuta, representa avanço significativo na humanização do atendimento e na racionalização dos recursos assistenciais. Além disso, reforça a importância da interdisciplinaridade e da comunicação efetiva entre os profissionais envolvidos no cuidado ao paciente terminal (Brasil, Ministério da Saúde, 2018).

A questão norteadora deste artigo é: Como a fisioterapia pode promover a saúde e qualidade de vida de pacientes em cuidados paliativos? O objetivo geral consiste em analisar criticamente as evidências disponíveis sobre a contribuição da fisioterapia para a promoção da saúde e na qualidade de vida nesse contexto. Os objetivos específicos incluem identificar métodos fisioterapêuticos empregados, avaliar benefícios relatados quanto à funcionalidade e ao alívio de sintomas.

Este estudo está delimitado à análise de publicações nacionais e internacionais dos últimos cinco anos, envolvendo adultos em situação terminal, excluindo populações pediátricas e estudos com enfoque exclusivo em outras áreas da saúde. A estrutura do artigo contempla: introdução, metodologia, resultados, discussão e conclusão.

OBJETIVOS

O presente trabalho tem como objetivo analisar a atuação da fisioterapia na promoção da saúde e na qualidade de vida de pacientes em cuidados paliativos, investigando seus efeitos sobre funcionalidade, fadiga, dor e bem-estar; a viabilidade, segurança e adesão aos programas; as estratégias que favorecem autonomia, independência e dignidade; o papel do fisioterapeuta na abordagem multiprofissional; e a aplicação de modalidades adaptadas ou remotas em contextos de fragilidade ou limitações clínicas.

METODOLOGIA

O estudo é uma análise integrativa, definida como um método de pesquisa que utiliza literatura científica como fonte de dados sobre um tema específico em determinado período estabelecido pelos pesquisadores. Esse método amplia o escopo da investigação e permite identificar possíveis resultados conflitantes. (Souza et al., 2010). Assim, seguiu-se seis fases: elaboração da pergunta norteadora; busca ou amostragem na literatura; coleta de dados; análise crítica dos estudos incluídos; discussão dos resultados; apresentação da revisão integrativa.

Deste estudo foi proposto como pergunta orientadora da pesquisa: “Como a fisioterapia pode promover a saúde e qualidade de vida de pacientes em cuidados paliativos?”. As buscas dos artigos ocorreram entre julho e agosto de 2025, nas bases de dados, National Library of Medicine and National Institutes of Health (PubMed), Indexador abrangente da base de dados científicos da América Latina (LILACS) e Scientific Electronic Library Online (SciELO). Para identificar todas as publicações relevantes, foram feitas pesquisas nelas quanto aos últimos 5 anos (de 2020 a 2025) com os Descritores em Ciências da Saúde (DeCS/MeSH): “Palliative care”, “Physiotherapy” e “Quality of life” seguidos do descritor booleano AND.

Os critérios de inclusão adotados foram: artigos publicados entre os anos de 2020 e 2025; estudos disponíveis na íntegra gratuitamente; publicações nos idiomas português, inglês ou espanhol; estudos que abordassem direta ou indiretamente a atuação da fisioterapia no contexto dos cuidados paliativos, com foco em promoção da saúde, conforto ou qualidade de vida.

Foram excluídos: trabalhos que não abordavam o tema central da pesquisa; artigos duplicados nas bases; estudos com foco exclusivo em intervenções curativas ou reabilitação total sem enfoque paliativo; artigos de pacientes paliativos pediátricos.

A análise e síntese dos dados extraídos dos artigos foi realizada de forma descritiva, permitindo a identificação dos tipos de intervenções fisioterapêuticas, seus objetivos, os desfechos relacionados à promoção da saúde e qualidade de vida, bem como a contribuição para o cuidado humanizado de pacientes em fase terminal.

RESULTADOS

O total de evidências encontradas nas bases de dados descritas foram 97 artigos assim distribuídos: SciELO = 4; LILACS = 3; PubMed = 90. Das evidências científicas, 83 foram descartadas por não se encaixarem nos critérios de inclusão. Dos restantes, 14 artigos cumpriam os critérios para inclusão e foram selecionados para o estudo.

Para melhor visualização, se segue um resumo dos artigos selecionados para presente revisão bibliográfica, contendo título, autor, objetivo, metodologia e resultados, como se apresenta no quadro 1.

Quadro 1: Mapeamento da revisão de literatura

TítuloAutorObjetivoMetodologiaResultados
Modalidades de fisioterapia recomendadas para pacientes oncológicos com necessidades paliativas e sua influência nas medidas de resultados relatados pelo paciente: uma revisão sistemáticaGauchez et al., 2024Avaliar massagem, TCC e exercícios em pacientes oncológicos.Ensaio clínico controlado.Reduziu fadiga e dor, melhorou QV.
Manejo não farmacológico em cuidados paliativos para pacientes com DPOC avançadaPyszora & Lewko, 2022Analisar o impacto da reabilitação pulmonar em pacientes com DPOC avançada.Revisão de literatura narrativa.Reabilitação reduziu dispneia, fadiga e ansiedade, melhorando QV.
Cuidados paliativos como adjuvante à reabilitação pulmonar padrão: um caminho para melhorar a independência funcional e a qualidade de vida em um paciente com câncer de pulmãoLakkadsha et al., 2022Avaliar benefícios da reabilitação pulmonar em adenocarcinoma avançado.Estudo de caso clínico.Melhorou dispneia, tosse e tolerância ao exercício.
Exercício no tratamento do câncer para pessoas com câncer de pulmão: uma síntese narrativaToohey et al., 2025Explorar exercício físico no tratamento do câncer de pulmão.Revisão narrativaExercícios melhoram função física, QV e sintomas como fadiga e dispneia.
Estabelecimento colaborativo de metas em reabilitação paliativa: relato de casoHeng, 2024Examinar modelo de reabilitação paliativa centrado no paciente.Relato de caso.Melhorou motivação, independência e engajamento.
Fisioterapia aplicada a pacientes em cuidados paliativos: um estudo descritivo baseado na práticaNavarro-Meléndez et al., 2023Avaliar eficácia da fisioterapia em unidade de CP.Estudo observacional (Barthel, FAC).Melhora significativa da funcionalidade e mobilidade.
Viabilidade de uma intervenção de exercício físico para pacientes em uma unidade de cuidados paliativos: uma análise críticaSchwonke et al., 2024Testar viabilidade de exercícios em CP.Ensaio clínico piloto.Melhora de QV e função física em curto prazo.
Implementação de um Programa de Cuidados Padrão de Exercício Terapêutico em Pacientes com Câncer de Mama MetastáticoPajares et al., 2022Avaliar efeitos de exercício terapêutico em câncer de mama metastático.Ensaio clínico randomizado.Reduziu fadiga e melhorou parâmetros funcionais.
Avaliação e intervenção individual especializada em atividade física em pacientes com câncer avançado em enfermaria de cuidados paliativos; o estudo 3 STEPSBlum et al., 2020Avaliar atividade física em enfermaria de CP.Estudo prospectivo.Intervenção foi segura e promoveu melhora funcional.
Experiências vividas de fisioterapeutas no cuidado de pessoas com esclerose lateral amiotrófica avançada em Portugal: um estudo fenomenológicoMonteiro et al., 2025Analisar experiências de fisioterapeutas em ELA avançada.Estudo qualitativo.Destacou barreiras (recursos) e facilitadores (protocolos individualizados).
Fisioterapia Integradora para Melhorar a Recuperação Funcional no Glioblastoma Multiforme: Relato de CasoBurile et al., 2024Relatar reabilitação paliativa em glioblastoma.Estudo de caso.Melhorou função motora, força e QV.
Efetividade da atividade física sobre marcadores de imunidade e qualidade de vida em pacientes oncológicos: uma revisão sistemáticaAl-Mhanna et al. (2022)Avaliar efeitos da atividade física sobre imunidade, qualidade de vida e fadiga relacionada ao câncer.Revisão sistemática.Exercícios melhoraram imunidade e qualidade de vida. Redução de fadiga relacionada ao câncer. Diminuição de TNF-α, PCR, IL-6 e IL-8. Aumento de células NK. Programa de exercícios mostrou-se seguro e benéfico antes, durante e após o tratamento.
Atuação da Fisioterapia no Linfedema Neoplásico em Paciente com Câncer de Mama Metastático: Relato de CasoBitencourt et al., 2021Relatar manejo fisioterapêutico em linfedema neoplásico.Relato de caso.Terapia descongestiva adaptada reduziu volume e melhorou QV.
Recomendações para Fisioterapia em Oncologia Mamária e Ginecológica durante a Pandemia de COVID-19: Revisão da LiteraturaSilva et al., 2021Adaptar atendimento fisioterapêutico em oncologia na pandemia.Relato de experiência.A fisioterapia deve ser mantida durante e após a pandemia, com foco em qualidade de vida, prevenção de complicações e adaptação dos recursos terapêuticos ao contexto.

Fonte: Dados da pesquisa

DISCUSSÃO

A promoção da saúde em cuidados paliativos é entendida como um conjunto de intervenções que buscam otimizar a funcionalidade, aliviar sintomas e potencializar a qualidade de vida, mesmo sem perspectiva de cura Gauchez et al., (2023). Nesse contexto, a fisioterapia assume papel central, ao atuar na prescrição de exercícios adaptados, no manejo de sintomas físicos e no suporte à autonomia do paciente.

No contexto oncológico, Al-Mhanna et al. (2022) demonstraram que programas de exercícios reduzem mediadores inflamatórios, aumentam células NK e diminuem a fadiga relacionada ao câncer, reforçando que a atividade física é uma ferramenta de promoção da saúde. Esses resultados dialogam diretamente com Toohey et al. (2025), que evidenciam ganhos em força muscular, condicionamento físico e qualidade de vida em pacientes com câncer de pulmão, mostrando a importância da intervenção mesmo antes, durante e após o tratamento oncológico. Pyszora e Lewko  (2022) ampliam essa perspectiva para pacientes com DPOC avançada, destacando que estratégias não farmacológicas, incluindo reabilitação pulmonar e exercícios supervisionados, reduzem dispneia, fadiga e ansiedade, reforçando a relevância de intervenções fisioterapêuticas adaptadas em diferentes contextos de cuidados paliativos.

Lakkadsha et al. (2022) complementam essa visão ao demonstrar que protocolos integrados de fisioterapia respiratória e cuidados paliativos em pacientes com adenocarcinoma de pulmão proporcionam melhorias significativas em sintomas respiratórios, capacidade pulmonar, depressão, ansiedade e qualidade de vida. Esse achado dialoga com Burile et al. (2024), que relataram ganhos funcionais e redução de fadiga em paciente com glioblastoma multiforme, evidenciando que a fisioterapia atua de forma ampla, envolvendo aspectos físicos, psicológicos e sociais, mesmo diante de doenças com prognóstico reservado. Heng (2024) reforça a dimensão subjetiva e centrada no paciente, mostrando que o estabelecimento colaborativo de metas terapêuticas favorece autonomia, confiança, motivação e dignidade, evidenciando que o cuidado fisioterapêutico transcende o corpo físico e impacta a experiência emocional do paciente.

Estudos observacionais, como Navarro-Meléndez et al. (2023), mostram que a fisioterapia em unidades de cuidados paliativos promove redução da dependência funcional e melhora na mobilidade de pacientes oncológicos com metástases, corroborando os relatos de Heng (2024) sobre a importância do cuidado centrado na pessoa. Schwonke et al. (2024) complementam esses achados ao demonstrar que intervenções de exercício resistido de curta duração são seguras, viáveis e capazes de melhorar força e desempenho funcional, mesmo em pacientes hospitalizados e fragilizados, reforçando a importância de programas estruturados e supervisionados. Pajares et al. (2022) evidenciam que, embora a adesão seja limitada, os programas de exercício terapêutico supervisionado em mulheres com câncer de mama metastático promovem ganhos em fadiga e função, enfatizando a necessidade de protocolos adaptáveis às condições clínicas e sociais dos pacientes. Blum et al. (2020) reforçam que, mesmo com baixa adesão, intervenções individualizadas e de baixa intensidade podem gerar melhorias significativas em função física e qualidade de vida, destacando o papel da avaliação funcional sistemática na orientação clínica e na tomada de decisão multiprofissional.

Monteiro et al. (2025) expandem a discussão ao explorar experiências de fisioterapeutas em ELA avançada, destacando desafios estruturais e emocionais no cuidado paliativo, como barreiras ao cuidado centrado na pessoa e a necessidade de adaptação contínua às progressões rápidas da doença. Esses achados convergem com Pajares et al. (2022) e Blum et al. (2020), que apontaram desafios na adesão, evidenciando que a promoção da saúde em cuidados paliativos envolve tanto aspectos funcionais quanto relacionais e estruturais. Silva et al. (2021) demonstra a viabilidade da continuidade da fisioterapia em formato remoto, preservando segurança, adesão e qualidade de vida, complementando Pajares et al. (2022) e reforçando que intervenções adaptadas podem manter benefícios clínicos e psicossociais mesmo em contextos de vulnerabilidade ou restrição de mobilidade.

Bitencourt et al. (2021) evidenciam que a Terapia Complexa Descongestiva adaptada é eficaz no manejo do linfedema neoplásico, impactando positivamente sintomas e qualidade de vida em paciente oncológica em cuidados paliativos, demonstrando que mesmo intervenções não intensivas podem gerar benefícios significativos. Esse estudo complementa os achados de Pajares et al. (2022) e Silva et al. (2021), mostrando que a fisioterapia, presencial ou adaptada, é uma estratégia versátil e indispensável para a promoção da saúde em diferentes dimensões física, funcional, emocional e social.

Em síntese, os estudos analisados convergem para a compreensão de que a fisioterapia em cuidados paliativos transcende o manejo de sintomas físicos, atuando como promotora de saúde integral. A integração de exercícios terapêuticos, reabilitação respiratória, estratégias adaptadas e acompanhamento remoto contribui para a manutenção da funcionalidade, alívio da fadiga e dor, preservação da autonomia e fortalecimento da dignidade do paciente. A atuação multiprofissional, a personalização das intervenções e a flexibilidade na adesão são determinantes para maximizar os efeitos positivos, reafirmando que o fisioterapeuta é agente essencial na promoção de qualidade de vida mesmo em fases avançadas da doença.

CONCLUSÃO

A presente revisão evidencia que a fisioterapia desempenha papel central na promoção da saúde em cuidados paliativos, indo além do manejo de sintomas físicos e da prevenção de complicações. Intervenções como exercícios terapêuticos, reabilitação respiratória, programas adaptados e acompanhamento remoto contribuem significativamente para a preservação da funcionalidade, redução da fadiga e dor, e fortalecimento da autonomia e dignidade do paciente.

Os achados indicam que, mesmo em estágios avançados de doenças crônicas ou oncológicas, a atuação fisioterapêutica proporciona benefícios concretos em múltiplas dimensões física, funcional, emocional e social, evidenciando a importância de estratégias individualizadas, supervisionadas e integradas à abordagem multiprofissional.

Além disso, observa-se que a adesão às intervenções é um desafio frequente, influenciada por limitações clínicas, efeitos do tratamento e fatores pessoais. Nesse contexto, a flexibilidade e a adaptabilidade das práticas, incluindo modalidades presenciais, domiciliares ou remotas, se mostram fundamentais para ampliar o acesso e maximizar os efeitos positivos.

Entretanto, destaca-se que a maioria dos estudos analisados apresenta baixo nível de evidência científica, predominando relatos de caso, estudos observacionais e pesquisas qualitativas. Tal limitação reduz a possibilidade de generalização dos resultados e reforça a necessidade de ensaios clínicos mais robustos e metodologicamente rigorosos para consolidar as recomendações sobre a atuação fisioterapêutica em cuidados paliativos.

Portanto, a fisioterapia em cuidados paliativos atua em conjunto com os cuidados médicos tradicionais, sendo parte do processo de promoção da qualidade de vida, do bem-estar e da autonomia, integrando-se à equipe multiprofissional e contribuindo para um cuidado centrado na pessoa, mesmo em situações de terminalidade.

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¹Acadêmicos do curso de Fisioterapia – UNINGÁ.
²Orientador.