THE ROLE OF FIBER IN BLOOD SUGAR REGULATION AND ITS ACTION FOR PREDIABETIC INDIVIDUALS
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/dt10202601122025
Andreza de Almeida Guimarães1
Matheus Macedo Santos2
Marcela Cardoso de Jesus3
Monique Furtado Haddad4
Ranielle Batista Ramos5
Verônica Dutra de Freitas6
RESUMO
O presente trabalho aborda a função metabólica da fibra e sua influência direta no contexto da pré diabetes. As fibras alimentares são essenciais na dieta humana, presentes em diversos alimentos como frutas, vegetais, legumes, grãos integrais e leguminosas. Este estudo visa destacar a importância das fibras, especialmente as solúveis, na regulação dos níveis de açúcar no sangue e na melhoria da sensibilidade à insulina, com foco nos impactos do consumo de fibras na condição de pré-diabetes. Durante a pesquisa, observou-se que as fibras solúveis desempenham um papel crucial no controle da glicose sanguínea, retardando sua absorção e contribuindo para uma melhor sensibilidade à insulina. Esses efeitos benéficos das fibras são fundamentais para a prevenção do avanço da pré-diabetes para o diabetes tipo 2, bem como para reduzir o risco de complicações cardiovasculares associadas a essa condição. Os resultados destacam a importância do consumo adequado de fibras na dieta como uma estratégia eficaz para o manejo da pré-diabetes e a prevenção de sua progressão para o diabetes tipo 2. A fibra desempenha uma função fundamental na modulação da glicemia, particularmente relevante para os indivíduos que se encontram em estado pré-diabético. A sua capacidade intrínseca de retardar a absorção de glicose exerce um papel significativo na mitigação de flutuações abruptas nos níveis de glicose sanguínea, contribuindo, assim, para a manutenção da homeostase glicêmica em padrões considerados saudáveis.
Palavras-chave: Fibras, Pré-diabetes, Metabolismo.
1. INTRODUÇÃO
A diabetes é uma doença crônica que afeta milhões de pessoas em todo o mundo, com consequências significativas para a saúde e qualidade de vida. Uma característica distintiva dessa condição é a resposta comprometida ou insuficiente na produção de insulina, levando à utilização de carboidratos (glicose) e resultando em hiperglicemia (Cotran, Kumar; Robbins, 1994). Em outras palavras, o diabetes é um distúrbio no metabolismo da glicose do organismo, no qual a glicose presente no sangue passa pela urina sem ser usada como um nutriente pelo corpo (Guyton; Hall, 1997). Diante desse cenário, a influência da alimentação na prevenção da diabetes emerge como um tema de extrema relevância, uma vez que há uma estreita relação entre os hábitos alimentares e o desenvolvimento dessa condição. A escolha dos alimentos e o padrão alimentar desempenham um papel fundamental na prevenção da diabetes tipo 2, que é a forma mais comum da doença e está geralmente associada a hábitos de vida e dieta inadequados.
A influência da alimentação na prevenção da diabetes é crucial e amplamente reconhecida. De acordo com estudos realizados por Cruz, Machado, Andrade e Louzada (2020), demonstram que a maior parte dos brasileiros tem um consumo de fibras insuficiente e confirmaram o perfil nutricional desfavorável dos alimentos ultraprocessados em relação à ingestão desse nutriente, documentando seu impacto negativo na qualidade da alimentação da população. A diabetes é uma condição crônica que afeta a capacidade do corpo de regular os níveis de glicose no sangue. Existem dois principais tipos de diabetes: tipo 1, em que o corpo não produz insulina suficiente, e tipo 2, em que o corpo não utiliza adequadamente a insulina que produz.
Em suma, a diabetes representa um dos dilemas mais urgentes da saúde global no século XXI. A principal razão pela qual a diabetes é rotulada como o “mal do século XXI” reside em sua escalada alarmante. No Brasil, a quantidade de estudos epidemiológicos sobre o diabetes tipo 1 é limitada. No entanto, numa pesquisa recente que abrangeu três cidades do interior paulista, foi constatada uma incidência de 7,6 casos por 100.000 habitantes nesta população. (Balda, Pacheco-Silva, 1999). Ao longo das últimas décadas, testemunhamos um aumento exponencial na incidência de diabetes, especialmente do tipo 2, cujos fatores de risco estão ligados aos hábitos de vida modernos. A adoção de dietas pouco saudáveis, a diminuição da atividade física, a epidemia de obesidade e o envelhecimento populacional são apenas alguns dos fatores que contribuem para esse cenário preocupante (Ferreira; Oliveira; Franca, 2007). A diabetes impõe um ônus significativo na saúde dos indivíduos afetados. As complicações associadas à diabetes mal controlada, como doenças cardíacas, insuficiência renal, cegueira e amputações, representam uma ameaça constante à qualidade de vida e à longevidade. A necessidade de um manejo cuidadoso da glicose no sangue, juntamente com o controle de outros fatores de risco, torna-se uma batalha diária para muitos.
O aumento global da incidência da doença é alarmante; o quantitativo de adultos com essa doença ultrapassa os 450 milhões, sendo que menos da metade é diagnosticada, e ainda, a Organização Mundial da Saúde (OMS) prevê um aumento em mais de 60% no número de casos até 2030. Em particular, o Brasil é o 4º país com maior número de diabéticos (16,8 milhões) e o 3º em número específico ao de crianças, sendo que a previsão é de que atinja mais de 23 milhões até 2040 (Opas, 2021).
No entanto, há esperança na prevenção e no gerenciamento da diabetes mediante intervenções dietéticas, como o consumo adequado de fibras alimentares. A fibra alimentar é um componente essencial da nossa dieta, com inúmeras funções vitais para o funcionamento saudável do organismo. Originada de alimentos de origem vegetal, como frutas, vegetais, legumes, grãos integrais, nozes e sementes, a fibra desempenha um papel crucial em diversos aspectos da nossa saúde. Nesse estudo, observa-se como a fibra alimentar desempenha um papel importante no controle da glicemia. As fibras solúveis ajudam a reduzir os picos de açúcar no sangue após as refeições, retardando a absorção de glicose e melhorando a sensibilidade à insulina. Isso é crucial no controle no pré-diabetes.
O pré-diabetes é uma condição caracterizada por níveis de açúcar no sangue mais altos do que o normal, mas não altos o suficiente para serem diagnosticados como diabetes tipo 2 (Souza, 2012). Ainda há duas categorias denominadas de pré-diabetes, o qual são a glicemia de jejum alterada e a tolerância à glicose diminuída (Brasil, 2006; SBD, 2014). É um estágio crítico em que a intervenção precoce pode fazer toda a diferença na prevenção da progressão para o diabetes. Nesse contexto, a fibra alimentar emerge como uma ferramenta poderosa na modulação da glicemia e na prevenção do diabetes tipo 2.
Este trabalho tem como objetivo geral investigar a função metabólica da fibra e seu impacto na prevenção da pré-diabetes, destacando a importância de escolhas alimentares saudáveis e equilibradas para a manutenção da saúde. E como objetivos específicos, analisar o metabolismo da fibra em indivíduos pré-diabéticos, compreendendo como sua ingestão afeta marcadores metabólicos e o risco de diabetes tipo 2, avaliar a eficácia de intervenções dietéticas com fibra na melhora de parâmetros metabólicos e promover a conscientização sobre a alimentação saudável como estratégia preventiva para a pré-diabetes.
2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
2.1 Pré-Diabetes: Aspectos Conceituais, Fisiopatológicos e Fatores de Risco
O pré-diabetes, caracterizado por níveis elevados de glicose no sangue, mas abaixo do diagnóstico de diabetes tipo 2, representa um importante desafio à saúde pública, com crescentes taxas de prevalência em todo o mundo (American Diabetes Association, 2023). Embora possa parecer uma condição relativamente inofensiva, o pré-diabetes é um sinal claro de que o corpo não está processando a glicose de maneira eficaz, aumentando o risco de desenvolvimento futuro de diabetes tipo 2 e outras complicações de saúde. Ignorar os sinais do pré-diabetes pode ter consequências significativas. A principal delas é o aumento do risco de desenvolver diabetes tipo 2, uma condição crônica que pode levar a complicações graves, como doenças cardíacas, derrames, danos nos rins, problemas oculares e neuropatia. Além disso, o pré-diabetes também está associado a um aumento do risco de obesidade, hipertensão e síndrome metabólica (Zhang; Sun, 2020).
No entanto, o impacto do pré-diabetes vai além das questões físicas. Também pode afetar a qualidade de vida, causando estresse emocional e financeiro. Segundo (Leon, 2015). O estresse de lidar com uma condição de saúde crônica pode ser avassalador, e os custos associados ao tratamento e ao gerenciamento do pré-diabetes podem se acumular ao longo do tempo.
Felizmente, o pré-diabetes é uma condição reversível e controlável com mudanças no estilo de vida. Adotar uma dieta saudável, rica em frutas, vegetais, grãos integrais e proteínas magras, e praticar atividade física regularmente são passos essenciais para reduzir os níveis de glicose no sangue e prevenir ou retardar a progressão para o diabetes tipo 2. Além disso, perder peso, se necessário, e evitar o consumo excessivo de álcool e tabaco também podem ajudar a melhorar a saúde metabólica. O monitoramento regular dos níveis de glicose no sangue e visitas frequentes ao médico são fundamentais para acompanhar a progressão do pré-diabetes e fazer ajustes no plano de tratamento conforme necessário. Com o apoio adequado e a adoção de hábitos saudáveis, é possível controlar o pré-diabetes e reduzir o risco de complicações futuras, garantindo uma vida longa e saudável. O diabetes pode ser tratado e suas consequências evitadas ou retardadas com medicação, rastreamento regular e tratamento para complicações (World Health Organization, 2020).
O pré-diabetes é uma condição que, embora muitas vezes assintomática, representa um alerta silencioso para um futuro de complicações graves. A resistência à insulina, uma condição caracterizada pela dificuldade das células em responder à insulina, já pode estar presente em indivíduos pré-diabéticos. Sem medidas para combater os fatores de risco modificáveis, essa resistência frequentemente progride para diabetes clinicamente manifesto, aumentando o risco de doenças cardiovasculares e outras complicações graves. Na maioria dos casos de pré diabetes e diabetes, os sintomas podem ser sutis ou inexistentes, tornando o diagnóstico crucial para prevenir o desenvolvimento de complicações. O diagnóstico preciso é feito por meio de exames laboratoriais que medem os níveis de glicose no sangue (SBD, 2019-2020).
O pré-diabetes, uma condição metabólica em que os níveis de glicose no sangue estão acima do normal, mas não o suficiente para serem diagnosticados como diabetes tipo 2, é influenciado por uma série de fatores. Entre eles estão a predisposição genética, a obesidade, o sedentarismo, o avanço da idade, antecedentes familiares de diabetes, a presença da síndrome do ovário policístico (SOP) e a raça/etnia do indivíduo. Conforme observado por (Meireles et al., 2013), o início do pré-diabetes varia, com os indivíduos idosos com excesso de peso ou obesidade e outros fatores de risco para o diabetes mellitus apresentando maior suscetibilidade ao desenvolvimento da doença. Vale ressaltar que a progressão do pré-diabetes para o diabetes mellitus pode ser um processo gradual e prolongado, podendo levar vários anos. Essa complexa interação de fatores de risco destaca a importância de uma abordagem holística na prevenção e no tratamento do pré-diabetes. Estratégias de intervenção que visam a modificação do estilo de vida, como a adoção de uma dieta equilibrada e a prática regular de atividade física, desempenham um papel fundamental na redução do risco de desenvolvimento do diabetes tipo 2.
Além disso, o acompanhamento médico regular e a conscientização sobre os fatores de risco individuais são essenciais para identificar precocemente o pré-diabetes e intervir antes que progrida para uma condição mais grave. Educar os pacientes sobre a importância do controle do peso, da manutenção de uma dieta saudável e da realização de atividade física pode ajudar a prevenir ou retardar a progressão para o diabetes. O estilo de vida desempenha um papel crucial no desenvolvimento e controle do diabetes tipo 2. A adoção de uma dieta saudável, aumento da atividade física e manutenção de um peso corporal saudável podem prevenir ou retardar o aparecimento do diabetes tipo 2 (World Health Organization, 2021).
Embora muitos indivíduos com pré-diabetes não apresentem sintomas, alguns podem sentir aumento da sede, micção frequente, fome excessiva, fadiga, visão embaçada, cicatrização lenta de feridas e formigamento ou dormência nas mãos ou pés. Conforme pontuam Zagury e Oliveira, (2016) frequentemente, esses sintomas estão ausentes ou não se apresentam de forma tão acentuada, em especial no estágio de pré-diabetes. Considerando esses fatores, o diagnóstico de DM (Diabetes Mellitus) ou pré-diabetes muitas vezes é descoberto em alterações de exames de rotina, como sangue e urina.
O diagnóstico é realizado por meio de exames de sangue específicos, como o teste de glicemia em jejum e o teste de tolerância à glicose oral. Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes (2015), o diagnóstico do pré-diabetes é feito mediante exames laboratoriais que medem os níveis de glicose no sangue. Três critérios principais definem o pré-diabetes: Glicemia de jejum: Entre 100 e 125 mg/dL, Teste oral de tolerância à glicose (2 horas após 75g): Entre 140 e 199 mg/dL, Hemoglobina A1C: Entre 5,7% e 6,4%. A presença de apenas um desses critérios em dois exames consecutivos já é suficiente para confirmar o diagnóstico.
2.2 Fibras Alimentares e Metabolismo Glicêmico
As fibras alimentares, um conjunto heterogêneo de biomoléculas de origem vegetal, assumem um papel fundamental na nutrição e saúde humana. De acordo com Mira et al. (2009), as fibras alimentares são definidas como a parte não digerível do alimento vegetal resistente à digestão e absorção intestinal, porém com fermentação completa ou parcial no intestino grosso”. Sua relevância se estende desde a modulação da microbiota intestinal até a prevenção de doenças crônicas.
Um consumo elevado de fibras de cereais integrais mostrou uma associação significativa com a redução do risco de diabetes na maioria dos estudos avaliados. Um desses estudos, realizado por Cooper Aj, Sharp Sj, Lentjes Mah, Luben Rn, Khaw Kt, Wareham Nj (2012) com uma duração de 11 anos e 3.704 participantes, declarou que uma dieta caracterizada por uma maior ingestão de vegetais e uma maior variedade de frutas e vegetais combinados estava associada a uma redução do risco de diabetes tipo 2. Concluindo que a ingestão diária de 80 g de frutas/1.000 kcal ou 50 g de vegetais/1.000 kcal reduziu em 22% a chance de pacientes com DM tipo 2 apresentarem valores de pressão arterial média acima de 92 mmHg.
As fibras alimentares se dividem em dois grupos principais, com funções distintas: Fibras solúveis: encontradas em frutas, legumes e grãos integrais, dissolvem-se em água e formam um gel no trato gastrointestinal. Essa propriedade retarda a absorção de glicose, modula os níveis de colesterol e promove a saciedade, atuando principalmente na regulação do metabolismo. Fibras insolúveis: presentes em grãos integrais, leguminosas e vegetais, não se dissolvem em água e aumentam o bolo fecal. Essa ação facilita o trânsito intestinal, previne a constipação e contribui para a saúde da microbiota intestinal. Primeiramente, é importante compreender o papel da fibra na regulação da glicose sanguínea. As fibras solúveis, presentes em alimentos como aveia, feijões, frutas e vegetais, têm a capacidade de formar um gel no trato digestivo. Esse gel retarda a absorção de glicose, ajudando a evitar picos glicêmicos após as refeições. Como explicam Kaczmarczyk, Miller e Freund (2012), as fibras dietéticas, componentes não digeríveis dos alimentos vegetais, exercem uma influência intrigante sobre o metabolismo dos carboidratos. Entre seus diversos efeitos, destaca-se a melhora da sensibilidade à insulina, um fator crucial para o controle da glicemia no sangue.
No contexto do pré-diabetes, onde a tolerância à glicose pode estar comprometida, essa capacidade da fibra solúvel de suavizar os picos de açúcar no sangue é especialmente relevante. Uma metanálise realizada por Anderson, Randles, Kendall & Jenkins (2004) com pacientes diabéticos revelou que dietas ricas em fibras e com teor moderado de carboidratos, quando comparadas a dietas com a mesma quantidade de carboidratos, mas pobres em fibras, promoveram uma redução significativa na glicose pós-prandial (-21%). Ao evitar os picos glicêmicos, a fibra ajuda a preservar a sensibilidade à insulina e a prevenir a sobrecarga do pâncreas na produção de insulina.
A fibra alimentar contribui para a sensação de saciedade e controle do peso, fatores essenciais na prevenção do diabetes tipo 2. Ao consumir alimentos ricos em fibras, as pessoas tendem a se sentir mais satisfeitas por mais tempo, o que pode ajudar na redução do consumo calórico e na manutenção de um peso saudável (Brasil, 2006). Como o excesso de peso é um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento do diabetes tipo 2, a capacidade da fibra de auxiliar no controle do peso é crucial para a prevenção da doença.
Além dos benefícios diretos na regulação da glicemia e controle do peso, a fibra também desempenha um papel importante na saúde geral do trato digestivo. As fibras insolúveis, encontradas em alimentos como grãos integrais e vegetais, ajudam a promover a regularidade intestinal e prevenir a constipação (International Diabetes Federation, 2017). Uma digestão saudável e regular é essencial para a saúde metabólica na totalidade e pode contribuir para a prevenção do diabetes.
3. METODOLOGIA
Este estudo adotou uma metodologia meticulosa, combinando elementos qualitativos e quantitativos para investigar uma questão específica sob a égide da pesquisa descritiva e explicativa. A delimitação precisa do tema foi seguida por um amplo levantamento bibliográfico em bases renomadas, utilizando critérios rigorosos de inclusão e exclusão.
Inicialmente, uma análise detalhada das principais dimensões e áreas de interesse foi realizada, proporcionando uma base sólida para a pesquisa. Em seguida, um extenso levantamento bibliográfico foi conduzido em plataformas como PubMed, Science Direct, SciELO e BIREME, utilizando palavras-chave relevantes para garantir a abrangência e profundidade da revisão da literatura, como: Fibra dietética, Açúcar no sangue, Regulação glicêmica, Pré-diabetes, Intervenção dietética, Índice glicêmico, Alimentos ricos em fibras, Saúde metabólica, Prevenção do diabetes, Dieta e pré-diabetes. Com os seguintes critérios de filtro de pesquisa: Texto completo gratuito, Ensaio Clínico, Metanálise, Revisão, Revisão Sistemática, nos últimos 10 anos. Resultando em uma totalidade de 3.687 trabalhos.
Os critérios de inclusão e exclusão foram estabelecidos com base nos objetivos específicos do estudo, excluindo casos que pudessem interferir nos resultados, como condições médicas graves ou gestantes e lactantes. O que contabilizou uma base de 422 excluídos da análise. Essa abordagem criteriosa garantiu a relevância e precisão dos dados analisados, contribuindo para a robustez da pesquisa.
A pesquisa adotou uma abordagem híbrida, integrando métodos qualitativos e quantitativos para uma análise mais abrangente do fenômeno em questão. Enquanto a análise qualitativa permitiu uma compreensão profunda das percepções, atitudes e comportamentos dos indivíduos envolvidos, a análise quantitativa possibilitou a mensuração e a avaliação estatística de variáveis-chave. Em sua totalidade, foram estudados mais de 682 artigos que poderiam trazer alguma contribuição ao tema, dentre estes, 33 trabalhos foram escalados e referenciados para compor o referencial bibliográfico.
Conclui-se que os resultados obtidos refletem um esforço significativo na busca por respostas embasadas e fundamentadas, alinhadas com os princípios da pesquisa científica. A metodologia adotada proporcionou uma análise abrangente e aprofundada do tema, contribuindo para o avanço do conhecimento e fornecendo subsídios para futuras investigações na área. Ao explorar diferentes aspectos do problema, esta pesquisa oferece uma base sólida para a elaboração de políticas, intervenções e estratégias eficazes no contexto em questão. Em suma, a metodologia adotada neste estudo exemplifica a abordagem robusta e rigorosa necessária na pesquisa científica, fornecendo insights valiosos para a prática clínica e a formulação de políticas públicas.
4. RESULTADOS E DISCUSSÕES OU ANÁLISE DOS DADOS
A Tabela 1 resume os artigos selecionados para esta revisão integrativa, abordando diabetes e pré-diabetes, fibras alimentares, controle glicêmico e intervenções nutricionais. Os estudos destacam fatores metabólicos, comportamentais e nutricionais relevantes para a prevenção e o manejo da doença, reforçando o papel de hábitos alimentares saudáveis na redução do risco de distúrbios glicêmicos.
Quadro 1 – Artigos selecionados para compor a Revisão
| TÍTULO | AUTOR | OBJETIVO | RESULTADO |
| Conhecimento do diabetes tipo 2 e relação com o comportamento de adesão ao tratamento. | Silva; Alves (2018) | Relacionar o conhecimento do participante sobre o DM tipo 2 e comportamento de adesão ao tratamento. | Os participantes conseguiram promover mudanças em costumes cristalizados há algum tempo sem alto custo de resposta e apresentaram comportamento de adesão para autocuidado. |
| Controle glicêmico de portadores de diabetes mellitus tipo 1 atendidos em ambulatório específico no estado de Sergipe: dados de 2010 e 2014 | Santana (2018) | Comparar dados de glicemia de jejum, pós-prandial e hemoglobina glicada de pacientes 4 portadores de diabetes mellitus tipo 1 seguidos em ambulatório específico no SUS nos anos de 2010 e 2014. | Não houve diferença estatística no controle glicêmico dos 14 pacientes atendidos no ambulatório de DM1 no período de 2010 e 2014, e o percentual de pacientes com 15 glicada dentro das metas ainda é superior aos dados nacionais |
| Fibra alimentar: ingestão adequada e efeitos sobre a saúde do metabolismo. | Bernaud; Rodrigues (2013) | Fornecer informações sobre as fibras alimentares, seus diferentes tipos e fontes, seu papel no organismo e efeito sobre algumas doenças crônicas, | O maior consumo de fibras e a ingestão de mais fibras do que a atualmente recomendada (14 g/1.000 kcal) poderão trazer maior benefício à saúde, incluindo a redução de processos inflamatórios de baixo grau. |
| Fatores associados ao risco de consumo insuficiente de fibra alimentar entre adolescentes | Vitolo, Campagnolo, Gama (2007) | Avaliar o consumo de fibra alimentar entre adolescentes e analisar os fatores associados ao risco de consumo insuficiente desse nutriente. | Os resultados permitem concluir que a ingestão excessiva de gordura e o consumo não habitual de feijão estão fortemente associados ao risco de consumo insuficiente de fibra alimentar em ambos os sexos. |
| Mapping of Type 1 Diabetes Mellitus. | Desai, Shivani, and Atul Deshmukh.(2020) | A identificação precisa do gatilho pode levar ao desenvolvimento de medidas preventivas adequadas. Pode se tornar uma base para estudos avançados para prevenir o DM1 em humanos | Esta revisão irá destacar as causas e algumas ações preventivas que podem ser consideradas para eliminar o DM1. |
| Metabolismo lipídico no diabetes mellitus tipo 1: implicações patogenéticas e terapêuticas. | Zhang, Jing et al. (2022) | Com base no sistema de classificação lipídica, resumimos as evidências clínicas sobre dislipidemias relacionadas ao DM1 e elucidamos os potenciais mecanismos pelos quais elas participam na regulação das respostas inflamatórias, modulando a função dos linfócitos e influenciando a suscetibilidade das células β à apoptose e disfunção. | Esta revisão recapitula sistematicamente o papel e os mecanismos de vários lipídios no DM1, fornecendo novas abordagens terapêuticas para o DM1 do ponto de vista nutricional. |
| Controle glicêmico e conscientização de pacientes diabéticos sobre recomendações nutricionais no diabetes. | Ruszkiewicz, Karolina et al. (2020) | O objetivo do estudo foi investigar a frequência de monitoramento da glicemia por pacientes diabéticos e seu conhecimento sobre as recomendações nutricionais no diabetes. | O nível de conhecimento dos pacientes examinados foi insatisfatório e variou com o tipo de diabetes. Recomenda-se educação adicional dos pacientes sobre nutrição e controle glicêmico. |
| Nutrição e diabetes: dietética prática | V. Rigalleau, N. Foussard, A. Larroumet, M. Monlun, L. Blanco, K. Mohammedi (2024) | A prescrição dietética é a primeira medida do tratamento de qualquer diabetes mellitus. Depende de um diagnóstico que tenha em conta as causas e consequências da hiperglicemia. As prioridades variam dependendo do tipo de diabetes, do estado nutricional, das complicações, do tratamento farmacológico e da motivação do paciente. | Os resultados insatisfatórios do tratamento do diabetes tipo 2 podem motivar que se modifiquem as prioridades: dieta mediterrânea, redução dos esportes glicídicos e/ou dos índices glicêmicos. |
A análise revelou uma ampla gama de fatores que contribuem para o desenvolvimento do pré-diabetes. A influência genética, evidenciada por histórico familiar de diabetes, destaca a importância da hereditariedade na suscetibilidade ao pré-diabetes. Além disso, obesidade e inatividade física emergiram como fatores determinantes significativos, corroborando estudos anteriores que associam o excesso de peso e o comportamento sedentário a um risco aumentado de pré-diabetes e diabetes mellitus tipo 2 (Sociedade Brasileira de Diabetes, 2019). A presença da síndrome dos ovários policísticos (SOP) também foi identificada como um importante fator de risco, enfatizando a necessidade de considerar as condições médicas subjacentes ao avaliar o risco metabólico. A idade avançada também foi associada a um maior risco de pré-diabetes, indicando o papel do envelhecimento na progressão para a intolerância à glicose.
Esses achados reforçam a visão holística do pré-diabetes como uma condição multifatorial influenciada por fatores genéticos, comportamentais e ambientais. A identificação precoce desses fatores de risco é essencial para o manejo adequado e estratégias de prevenção. Estudos conduzidos pelos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, 2020) enfatizam que a conscientização sobre a modificação do estilo de vida, particularmente a adoção de uma dieta saudável e atividade física regular, é fundamental para reduzir a progressão para o diabetes tipo 2.
Intervenções personalizadas que levem em consideração condições médicas subjacentes, como a síndrome dos ovários policísticos (SOP), podem ser necessárias para abordar adequadamente o pré-diabetes em populações específicas (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, 2019). Esses achados apoiam políticas de saúde pública e práticas clínicas focadas em estratégias eficazes de prevenção e tratamento, visando reduzir a incidência de diabetes tipo 2 e melhorar os resultados de saúde a longo prazo.
Compreender os fatores que contribuem para o pré-diabetes, incluindo predisposição genética, hábitos de vida e histórico médico, é crucial para a implementação de estratégias eficazes de prevenção e tratamento. Abordagens abrangentes e individualizadas que considerem as características únicas de cada paciente são essenciais para reduzir complicações e melhorar a qualidade de vida (Pandey; Phillips, 2005).
A adoção de um estilo de vida saudável, caracterizado por uma dieta rica em alimentos nutritivos e atividade física regular, é fundamental para prevenir ou reverter o pré-diabetes (Hu et al., 2001). Em alguns casos, o tratamento farmacológico pode ser necessário para controlar os níveis de glicose no sangue. O monitoramento regular e o acompanhamento médico contínuo são essenciais para avaliar o progresso e ajustar as estratégias de tratamento conforme necessário.
O investimento em programas de educação em saúde, a conscientização sobre os riscos do pré-diabetes e a promoção de hábitos saudáveis são cruciais para reduzir o impacto da doença na população. O apoio de profissionais de saúde, como nutricionistas, educadores físicos e psicólogos, desempenham um papel fundamental para ajudar os indivíduos a implementarem mudanças sustentáveis no estilo de vida (Centers for Disease Control and Prevention, 2020).
No entanto, é essencial reconhecer a importância de abordagens individualizadas que considerem as características únicas de cada pessoa, incluindo comorbidades. Essas descobertas têm implicações significativas para a prática clínica e as políticas de saúde pública. Ao adotar uma abordagem integrada e personalizada, é possível reduzir a incidência de diabetes tipo 2 e melhorar os resultados de saúde a longo prazo em indivíduos com pré-diabetes. O diabetes mellitus continua sendo um dos distúrbios metabólicos mais prevalentes em todo o mundo (Keane et al., 2017), reforçando a urgência de estratégias preventivas.
A personalização é essencial para garantir o sucesso das intervenções e maximizar os resultados de saúde a longo prazo. As evidências sobre fatores de risco e estratégias de intervenção para o pré-diabetes também têm implicações econômicas. Com um gasto anual de US$52,3 bilhões, o Brasil ocupa o terceiro lugar no ranking dos países com maior custo de saúde relacionado à diabetes, atrás dos Estados Unidos (US$249,6 bilhões) e da China (US$109 bilhões) (International Diabetes Federation, 2019). Estratégias integradas e individualizadas podem reduzir substancialmente esses custos, prevenindo a progressão da doença.
Nesse contexto, a fibra alimentar desempenha um papel crucial na modulação glicêmica e na prevenção do diabetes tipo 2, particularmente em indivíduos com pré-diabetes. Aumentar a ingestão de alimentos ricos em fibras representa uma estratégia eficaz e acessível para preservar a saúde metabólica e melhorar a qualidade de vida. Isso é corroborado pela revisão sistemática conduzida por Ojo (2018), que analisou nove estudos envolvendo 715 participantes e demonstrou que dietas com baixo índice glicêmico, incorporando fibras de cereais e padrões alimentares recomendados pela Associação Americana de Diabetes, levaram a melhorias significativas nos níveis de hemoglobina glicada (HbA1c), bem como a reduções na glicemia de jejum, em comparação com dietas de alto índice glicêmico.
5. CONCLUSÃO/CONSIDERAÇÕES FINAIS
O consumo de fibras solúveis parece diminuir a resposta glicêmica após as refeições ricas em carboidratos. Esse efeito é provavelmente atribuído à viscosidade e/ou à capacidade geleificante das fibras solúveis, que retardam o esvaziamento gástrico e a absorção de nutrientes pelo intestino delgado. No entanto, estudos prospectivos indicam que não é apenas a fibra solúvel que tem esse efeito, mas principalmente o consumo de fibras insolúveis encontradas em cereais e grãos integrais, que está consistentemente relacionado a um menor risco de desenvolvimento de diabetes tipo 2.
A fibra desempenha um papel crucial na regulação do açúcar no sangue, especialmente para indivíduos pré-diabéticos. Sua ação consistente na desaceleração da absorção de glicose ajuda a prevenir picos de glicemia, mantendo os níveis dentro de limites saudáveis. Além disso, a fibra promove uma maior sensação de saciedade, auxiliando no controle do peso, um fator chave na prevenção da diabetes tipo 2. Ao incluir fontes de fibra na dieta, como frutas, vegetais, legumes e grãos integrais, os indivíduos pré-diabéticos podem melhorar sua saúde metabólica e reduzir o risco de desenvolver diabetes.
Portanto, a conscientização sobre o papel da fibra na dieta e sua relação com a regulação do açúcar no sangue é fundamental para intervenções eficazes e estratégias de prevenção da diabetes. Essa compreensão informada pode capacitar indivíduos a fazerem escolhas alimentares mais saudáveis e a adotarem um estilo de vida que favoreça a saúde metabólica a longo prazo.
REFERÊNCIAS
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1Pós-graduada em Nutrição Clínica Hospitalar e-mail: andreza_ag_@hotmail.com.
2Pós- graduado em Docência do Ensino Superior e-mail: macedo18matheus@gmail.com.
3Pós-graduada em Nutrição Clínica Hospitalar e-mail: marcela.valents@gmail.com.
4Pós-graduada em Nutrição Clínica Hospitalar e-mail: moniquefurtadohaddad@gmail.com.
5Pós-graduada em Materno Infantil email:ghrfamilia@gmail.com.
6Pós-graduada em Nutrição Clínica Hospitalar e-mail: veronica.freitas.dutra@gmail.com.
