THE ROLE OF NURSING IN IDENTIFYING POTENTIAL ORGAN DONORS: A NARRATIVE LITERATURE REVIEW
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ni10202507242132
Gislaine Paz Cordeiro
Viviane Carla Lambrecht
Orientadora: Dra. Raphaella Rosa Horst Massuqueto
RESUMO
O presente estudo teve como objetivo analisar o papel do enfermeiro na identificação e manejo de potenciais doadores de órgãos. Na doação de órgãos, aspectos legais, técnicos, éticos e emocionais são envolvidos. É essencial para salvar vidas e melhorar a qualidade dela em pacientes que aguardam nas filas de transplantes. Durante o processo, a atuação do enfermeiro é fundamental em diversas etapas, desde a detecção precoce da morte encefálica, mantendo a viabilidade dos órgãos através da manutenção vital do potencial doador, até a abordagem familiar, que é a etapa decisiva para a doação acontecer. Este é um estudo de abordagem qualitativa, de caráter descritivo, com levantamento bibliográfico com publicações dos últimos 5 anos. Portanto, é conclusivo que a enfermagem exerce um papel indispensável no processo de doação de órgãos, atuando de forma ativa e estratégica em todas as fases do processo. O enfermeiro é responsável pela identificação precoce do potencial doador, pela realização e acompanhamento dos protocolos de morte encefálica, pela manutenção hemodinâmica e fisiológica do corpo, assegurando a viabilidade dos órgãos, além de desempenhar um papel essencial na comunicação com a família.
Palavras Chaves: Enfermagem. Morte encefálica. Doação de órgãos. Saúde pública.Família.
This study aimed to analyze the role of nurses in identifying and managing potential organ donors. Organ donation encompasses legal, technical, ethical, and emotional aspects. It is essential to saving lives and improving the quality of life for patients awaiting transplants. During the process, nurses’ role is crucial at several stages, from early detection of brain death, maintaining organ viability by keeping the potential donor alive, to family engagement, which is the decisive step for donation to occur. This is a qualitative, descriptive study, with a literature review of publications from the last five years. Therefore, it is conclusive that nursing plays an indispensable role in the organ donation process, acting actively and strategically at all stages. Nurses are responsible for early identification of potential donors, implementing and monitoring brain death protocols, maintaining the body’s hemodynamic and physiological health, ensuring organ viability, and playing an essential role in communicating with the family.
Keywords: Nursing. Brain death. Organ donation. Public health. Family.
1. INTRODUÇÃO
A atuação do enfermeiro no processo de manutenção do potencial doador envolve a prevenção e a detecção precoce das alterações fisiopatológicas decorrentes da morte encefálica. Nesse contexto, é fundamental que o profissional de enfermagem possua conhecimento científico sólido acerca das alterações que podem ocorrer durante essa fase, a fim de garantir a estabilidade clínica e a viabilidade dos órgãos para o transplante. (Figueiredo et al 2020).
Diante desse cenário, a manutenção do potencial doador representa uma etapa crítica do processo, marcado por desafios hemodinâmicos significativos que provocam alterações fisiológicas rápidas e intensas. Por isso, é fundamental a atuação eficiente da equipe, com o objetivo de preservar a viabilidade dos órgãos para a captação (Brasileiro EM et al 2021).
O enfermeiro realiza a detecção precoce dos sinais clínicos sugestivos, desempenhando um papel crucial na manutenção hemodinâmica do potencial doador, bem como a notificação à Central Estadual de Transplantes (Figueiredo AC et al 2020).
O potencial doador de órgãos pode apresentar diversas alterações fisiopatológicas, como hipotermia, hiperglicemia, hipotensão, lesão de córnea, infecções e diabetes insipidus. Diante disso, é responsabilidade do enfermeiro, em conjunto com a equipe de enfermagem, manter a vigilância constante sobre essas alterações, oferecendo suporte clínico adequado com base em conhecimento científico atualizado. Essa conduta é essencial para que a manutenção do potencial doador ocorra de forma eficaz, evitando intercorrências que possam comprometer a viabilidade dos órgãos para doação (Figueiredo et al 2020).
Definida pela Lei de Determinação Uniforme da Morte (UDDA) em 1981, a morte cerebral está presente na literatura médica e também em textos há vários anos, sendo um termo legal e clínico. Distingue-se de outros estados clínicos do paciente, como coma ou estado vegetativo, através de protocolos e critérios estabelecidos que abrangem o diagnóstico de morte cerebral, incluindo avaliações clínicas, testes auxiliares e testes de reflexo do tronco encefálico. A equipe de saúde é equipada de conhecimento e habilidades complexas necessárias para prestar um cuidado de alta qualidade, clínico, ético e legal para o paciente e seus familiares ( Starr; Tadi; Pfleghaar, 2024).
Uma das etapas mais importantes nesse processo é a abordagem familiar, sendo um momento mais sensível e também uma fase decisiva do processo. Esta etapa é realizada pelo enfermeiro, onde o mesmo deve saber realizar a abordagem de forma ética e humana, respeitando o momento difícil que a família se encontra, sendo assim, é essencial realizar a abordagem de forma correta a fim de evitar a recusa familiar. No Brasil a taxa de recusa familiar gira em torno de 30% a 40%, e essa resistência na maioria dos casos, é decorrente da falta de conhecimento sobre a morte encefálica, traumas emocionais no momento da perda, laços culturais e religiosos, ou negação (ABTO 2023).
No entanto, a abordagem humanizada por parte da equipe de saúde é fundamental nesse processo. A maneira como a equipe se comunica com os familiares pode influenciar positivamente a decisão, ao esclarecer informações sobre como ocorre o processo de captação e indicar quais órgãos são viáveis para doação. Além disso, é essencial sanar dúvidas e acolher os questionamentos dos familiares, oferecendo apoio emocional e psicológico diante do momento delicado de luto e tomada de decisão (Lopes et al 2020).
É fundamental que os profissionais reflitam e aprofundem a compreensão sobre a temática da morte, para que se sintam mais preparados e seguros ao atuar no cuidado tanto do paciente quanto de seus familiares (Mendes et al 2021).
No ranking nacional o Paraná é líder com uma taxa de 42,5 doadores por milhão de população (pmp), e Santa Catarina o segue com 41,5 pmp e posteriormente Rondônia com 30,4 pmp, sendo assim os números apresentados representam um sistema organizado e fortalecido através da atuação do enfermeiro para detectar precocemente e conduzir o processo de doação (Brasil,2023).
Dados divulgados mostram que mesmo com os danos causados pela pandemia da COVID-19 as doações no Brasil tiveram um aumento considerável, sendo que no primeiro semestre de 2023, cerca de 1.900 doadores efetivos foram registrados, sendo assim, mais de 4.300 transplantes de órgãos foram possibilitados, evidenciando um aumento de 16% em relação ao mesmo período de 2022, impulsionando melhorias dos processos hospitalares e a atuação da equipe de enfermagem (Brasil,2023).
Diante do pressuposto, pode-se ressaltar a importância desse estudo sobre a doação e transplante de órgãos, por se tratar de um tema bastante sensível e complexo, que exige uma análise cuidadosa, para analisar o papel do enfermeiro na identificação e manejo do potencial doador de órgãos, pela realização e acompanhamento dos protocolos de morte encefálica, pela manutenção hemodinâmica e fisiológica do corpo, assegurar a viabilidade dos órgãos, além de desempenhar um papel essencial na comunicação com a família.
O objetivo deste trabalho foi de descrever o papel da enfermagem na identificação de potenciais doadores de órgãos e tecidos no ambiente hospitalar, destacando as competências e estratégias necessárias para otimizar o processo de doação. E também analisar as etapas do processo de identificação do potencial doador e o papel específico da enfermagem em cada fase; avaliando os desafios e barreiras enfrentados pela equipe de enfermagem durante a identificação e manejo de potenciais doadores.
2 . METODOLOGIA
Trata-se de uma revisão narrativa da literatura, que tem como intuito resumir as evidências referente a um determinado tema ou tópico, podendo ser relatórios autônomos para comunicar o estado de evidência para outros profissionais, ou para estabelecer as bases de novos estudos, ajudando os pesquisadores a interpretar novas descobertas. Para conduzir uma revisão de literatura, deve-se iniciar abordando uma questão, para então reunir dados, analisar e interpretar a informação, e subsequente abordagem de uma estratégia para localizar estudos relevantes e evidências (Polit, Beck, 2019).
Como pergunta norteadora, se utilizou: Como a atuação da equipe de enfermagem pode impactar o processo de identificação e manejo dos potenciais doadores de órgãos?
A estratégia para organização foi de: P: I: C: O: que apresenta os seguintes acrônimos: P: Paciente; I: Intervenção; C: Comparação e O: “Outcomes” (desfecho).
Os elementos de cada acrônimo se refere a: P: População de interesse, ou seja o doador/receptor de órgãos; I: Refere-se a Intervenção, que neste caso é a doação de órgãos; C: Refere-se ao controle ou comparador; e a letra O: Refere-se ao desfecho, resultado esperado, ou seja, a qualidade de vida do receptor e o sucesso na realização do transplante.
Esta estratégia pode ser utilizada para construir questões de pesquisa, possibilitando a definição correta de informações, evitando buscas desnecessárias. (Akobeng, Flemming, Bernardo, 2007).
Os dados foram coletados através de periódicos, publicados nos últimos 5 anos, com base em pesquisa no site Pubmed, u, BVS (Biblioteca Virtual da Saúde) e Scielo (Scientific Electronic Library Online). Como descritores foram utilizados as seguintes palavras: Morte encefálica, Enfermeiro, Doação de Órgãos, Saúde Pública e Família no DeCS (Descritores em Ciências da Saúde) com o operador booleano AND.
Como critérios de inclusão priorizou-se as publicações em português e inglês traduzidos para o português, que estavam disponíveis gratuitamente, com período de publicação nos últimos 5 anos, e também que abordam diretamente o tema sobre doação de órgãos, morte encefálica, atuação da enfermagem e processo de captação dos órgãos.
Para critérios de exclusão foi levado em consideração publicações que não abordaram assuntos referentes ou relevantes sobre o tema abordado, e que não estavam disponíveis na íntegra e com data de publicação maior que 5 anos.
3 RESULTADOS
Durante a pesquisa, foram encontrados 40 artigos e destes, 32 foram descartados, e 8 artigos foram pré-selecionados, atendendo aos critérios de inclusão estabelecidos.
Tabela 1 – Resumo dos artigos sobre morte encefálica e doação de órgãos
| Autor(es) / Ano | Objetivo do estudo | Tipos de Estudo/ Método | Principais Resultados | Conclusão Relevantes |
| Starr; Tadi; Pfleghaar, (2024) | Identificar critérios diagnósticos e causas de morte encefálica | Revisão narrativa | Identificou causas (trauma, AVC) e reforçou atuação multiprofissional | Destaca a necessidade de clareza no diagnóstico e apoio à família |
| Figueiredo AC et AL, (2020) | Analisar o papel do enfermeiro na manutenção hemodinâmica e notificação | Estudo descritivo revisão integrativa | O enfermeiro atua na detecção precoce dos sinais clínicos e notificação à Central de Transplantes | Evidencia a importância do enfermeiro na estabilidade clínica e na organização do processo |
| Brasileiro EM et al. (2021) | Discutir os desafios hemodinâmicos na manutenção do potencial doador | Estudo descritivo/ revisão integrativa | Evidencia alterações fisiológicas rápidas e a importância da atuação intensiva da equipe | Ressalta que a manutenção eficaz essencial para garantir a viabilidade dos órgãos para captação |
| Lopes et al. (2020) | Analisar a importância da abordagem humanizada na entrevista com a família | Estudo qualitativo | Comunicação acolhedora favorece a decisão positiva da família | Reforça a importância do apoio emocional no processo de decisão do enfrentamento do luto |
| Ministério da Saúde (2023) | Divulgar dados sobre a evolução das doações pós-pandemia | Relatório institucional | Registro de 1.900 doadores efetivos e 4.300 transplantes no 1º semestre de 2023 | Aumento de 16% nas doações impulsiona melhorias hospitalares e reforça o papel da enfermagem |
| ABTO (2023) | Informar estatísticas nacionais sobre recusa familiar na doação | Relatório estatístico institucional | Recusa familiar entre 30% e 40%, relacionada a fatores emocionais, culturais e falta de informação | Destaca a importância da abordagem humanizada e da informação clara à família |
| Mendes et al. (2021) | Refletir sobre a preparação de profissionais frente a temática da morte | Estudo qualitativo | Profissionais se sentem inseguros na abordagem familiar | Indica a necessidade de capacitação em comunicação e humanização |
| SNT / CIHDOTT (2023) | Apresentar panorama nacional sobre avanços e desafios na doação de órgãos | Síntese institucional / análise de dados | Avanços na estruturação do processo de doação, porém com persistência de desafios na notificação e aceitação familiar | Demonstra que, apesar dos progressos, ainda há entraves que impactam diretamente a captação de órgãos |
Segue discussões referentes à tabela acima, citando autores e ano de publicação dos mesmos:
Starr, Tadi e Pfleghaar (2024) descreve em seu artigo sobre a morte cerebral, evidenciando que este termo está presente na literatura há muitos anos, levando assim a elaboração da Lei de Determinação Uniforme da Morte (UDDA) em 1980. Concretizando avanços médicos que dizem respeito ao suporte de vida, permitindo apoio respiratório e circulatório completo, mesmo com a função cerebral prejudicada. Relata também a determinação da morte elencando acontecimentos que o indivíduo possa sofrer, definindo assim que está morto, de acordo com os padrões médicos. Ressalta ainda os padrões para determinar a morte cerebral e suas causas. Evidencia a morte cerebral e como ocorre a destruição das células neuronais, levando ao coma, ausência de reflexos, e apneia. Decorre também sobre as causas em adultos e crianças, evidenciando o trauma intracraniano e extracraniano, onde evidencia os números em porcentagem do risco dessas lesões levarem a morte cerebral, e também sobre os fatores de risco, que em por ordem de frequência podem levar a morte encefálica, tais como parada cardiopulmonar, lesão cerebral traumática, hemorragia subaracnóidea e hemorragia intracerebral. Afirma ainda, que a morte cerebral apresenta 100% de mortalidade. Esclarece também as condições que devem estar presentes se a decisão de prosseguir com a determinação de morte cerebral for tomada, que são coma, ausência de reflexos do tronco e apneia, ressaltando que deve ser feito a avaliação de cada condição, bem como testes físicos e laboratoriais, neuroimagens, e levar em conta que todos os reflexos do tronco cerebral devem estar ausentes para diagnosticar a morte encefálica. Relata também as condições que devem ser avaliadas e atendidas antes de prosseguir com o diagnóstico, levando em conta se não há nenhum agente bloqueador neuromuscular administrado, tela de drogas, temperatura do núcleo, pressão arterial sistólica normal, sem eletrólitos graves, ácido-base ou distúrbios endócrinos e exame neurológico, e também teste de apneia. Se todas as condições forem atendidas, o diagnóstico de morte cerebral pode ser feito e então o paciente é legalmente e clinicamente declarado como morto e então pode começar o processo de doação de órgãos se a família permitir. Neste texto ele ressalta também a gestão de enfermagem e as atividades que o enfermeiro deve prestar ao paciente, bem como quando será necessário procurar ajuda para manter o paciente estável e identificar os resultados e prognóstico do paciente, também o trabalho de monitorização, incluindo Escala de Coma de Glasgow (GCS) e verificação de sinais vitais e alteração no ECG. A coordenação de cuidados também é descrita, referente a equipe multidisciplinar bem como seus papéis desempenhados durante todo o processo, de diagnóstico, cuidado com a família e com o paciente e a possível doação dos órgãos, enfatizando a difícil aceitação da família por se tratar de um momento difícil, onde o apoio e explicação sobre o diagnóstico são importantes. Ressalta ainda a gestão de riscos onde elenca a promoção da circulação para proteger os órgãos doadores, o alinhamento do corpo para evitar escaras, evitar lesões e infecções e também a documentação que é adequada em relação à declaração de morte encefálica.
Starr, Tadi e Pfleghaar (2024) corrobora com (Brasileiro et al, 2021) que relata que após o diagnóstico de morte encefálica, o corpo do paciente passa por mudanças fisiopatológicas intensas, como hipotermia, hiperglicemia, hipotensão, arritmias e diabetes insipidus. E o enfermeiro precisa atuar de forma eficaz para manter a homeostase e garantir a viabilidade dos órgãos, evitando intercorrências que inviabilizam a doação, sendo que a vigilância contínua e a aplicação de protocolos atualizados são cruciais nessa etapa, também apresentado por (Starr; Tadi; Pfleghaar, Sapkota, 2024), um ponto de extrema importância é a correta realização dos exames clínicos e complementares sendo fundamental para garantir a veracidade do diagnóstico de morte encefálica. O prontuário deve conter todos os registros necessários para respaldar legalmente o procedimento.
(Mendes et al, 2021) evidencia que o manejo da morte encefálica exige não apenas preparo técnico, mas também emocional e ético. Refletir sobre o processo da morte é essencial para que os profissionais se sintam seguros e humanizados ao lidar com situações delicadas. A educação permanente em saúde e os treinamentos sobre comunicação e cuidados paliativos fortaleceram a segurança e a autonomia do enfermeiro nesse processo, fortalecendo o que diz (Figueiredo et al, 2020) que ressalta que o enfermeiro é um profissional chave na detecção precoce dos sinais clínicos de morte encefálica. Cabe a ele notificar a Central Estadual de Transplantes e iniciar os cuidados que assegurem a viabilidade dos órgãos. Sua formação técnica, associada a capacidade de decisão e observação contínua, posiciona-o como agente fundamental nesse processo.
(Lopes et al, 2020; Mendes et al, 2021) evidencia que a comunicação com os familiares deve ser realizada de forma empática e acolhedora. A maneira como o enfermeiro transmite informações sobre a morte encefálica pode influenciar diretamente a aceitação ou a recusa da doação.
Segundo a ABTO (2023), a taxa de recusa familiar no Brasil ainda varia entre 30% a 40%, sendo motivada por fatores como desconhecimento, crenças religiosas, luto e negação.
A abordagem humanizada, portanto, é uma estratégia fundamental para reduzir a recusa. (Ministério da Saúde, 2023) demonstra que apesar dos impactos da pandemia, o Brasil vem registrando crescimento nas taxas de doação. Em 2023, o país contabilizou cerca de 1.900 doadores efetivos no primeiro semestre, o que permitiu mais de 4.300 transplantes, um aumento de 16% em relação a 2022 (Ministério da Saúde, 2023). O estado do Paraná lidera o ranking nacional com 42,5 doadores por milhão de população, evidenciando um sistema eficiente e uma equipe de enfermagem capacitada, atuando de forma estratégica desde a triagem até a manutenção do potencial doador. Dessa forma a discussão reforça que o enfermeiro desempenha um papel essencial e multifacetado na doação de órgãos: técnico, humano, comunicador e coordenador de cuidados. Sua atuação influência diretamente na continuidade do processo e no sucesso das captações, evidenciando a importância da valorização e capacitação continuada desse profissional, e que mesmo com as dificuldades encontradas durante o processo, o número de doação de órgãos vem crescendo e com isso salvando mais vidas e garantindo qualidade de vida para quem necessita.
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A pesquisa evidenciou a importância da participação ativa dos profissionais de enfermagem em diversas etapas desse processo, desde a detecção do potencial doador até o acompanhamento pós-transplante.
É notório que nas últimas décadas a doação de órgãos, principalmente no Brasil, tem aumentado e avançado significativamente, com a participação ativa do Sistema Nacional de Transplantes (SNT) e também das Comissões Intra-Hospitalares de Doação de Òrgaos e Tecidos para Transplantes (CIHDOTT). Porém apesar dos avanços significativos, os desafios relevantes ainda persistem e impactam diretamente principalmente a captação de órgãos, levando em conta a notificação de potenciais doadores e também o aceite e autorização familiar.
Observou-se que, apesar dos avanços na legislação e na estruturação do Sistema Nacional de Transplante, ainda existem obstáculos significativos, como a subnotificação de potenciais doadores e a recusa familiar à doação. Esses fatores impactam diretamente na disponibilidade de órgãos e tecidos para transplante, comprometendo a efetividade do processo.
Embora o número de doações tenha aumentado nos últimos anos, a demanda por transplantes continua superando a oferta. Esse cenário destaca a necessidade de estratégias mais eficazes de sensibilização da população e de capacitação continuada dos profissionais de saúde, especialmente os enfermeiros, que desempenham papel crucial na identificação e manejo dos potenciais doadores.
Além disso, a pesquisa identificou a importância da comunicação clara e empática com os familiares dos potenciais doadores, como forma de minimizar a recusa à doação. O apoio emocional e a orientação adequada podem facilitar a tomada de decisão e contribuir para o aumento das taxas de doação.
Diante dos resultados obtidos, é possível afirmar que a atuação da enfermagem é fundamental para o sucesso do processo de doação e transplante de órgãos. A continuidade da educação e treinamento dos profissionais, aliada a sensibilização da sociedade, é essencial para aprimorar esse processo e salvar mais vidas.
Por fim, este estudo contribui para a compreensão do papel da enfermagem na doação de órgãos, ressaltando a importância de sua atuação ética, técnica e humanizada. Sugere-se que futuras pesquisas explorem estratégias inovadoras de comunicação e capacitação, visando otimizar o processo de doação e transplante de órgãos no Brasil.
7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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