REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ra10202307150852
Jessy James Santana
RESUMO
Este estudo objetivou analisar o impacto da ciência de dados na tomada de decisão estratégica nas organizações contemporâneas, abordando aspectos fundamentais relacionados ao uso de tecnologias analíticas avançadas. O objetivo foi investigar como as ferramentas provenientes da ciência de dados, especialmente o Business Intelligence (BI), podem influenciar positivamente na qualidade e eficiência das decisões estratégicas nas empresas, auxiliando gestores na identificação e antecipação de tendências, bem como na otimização dos recursos organizacionais disponíveis. A partir de uma revisão bibliográfica, observou-se que a aplicação dessas tecnologias contribui diretamente para o desempenho organizacional, proporcionando resultados financeiros e operacionais superiores às empresas que as adotam, desde que sejam implementadas com planejamento criterioso, capacitação profissional adequada e transformação cultural interna voltada à valorização dos dados. Conclui-se que, apesar dos desafios técnicos e culturais encontrados durante sua implementação, a ciência de dados proporciona uma vantagem competitiva significativa às organizações que adotam uma postura estratégica baseada em evidências, favorecendo decisões assertivas e sustentáveis.
Palavras-chave: Ciência de Dados. Tomada de Decisão. Business Intelligence. Estratégia Organizacional. Gestão de Informações.
ABSTRACT
This study aimed to analyze the impact of data science on strategic decision-making within contemporary organizations, addressing fundamental aspects related to the use of advanced analytical technologies. The objective was to investigate how data science tools, particularly Business Intelligence (BI), can positively influence the quality and effectiveness of strategic decisions in companies, assisting managers in identifying and anticipating trends, as well as optimizing available organizational resources. Based on a literature review, it was observed that implementing these technologies contributes directly to organizational performance, providing superior financial and operational results to companies adopting them, provided they are implemented with careful planning, adequate professional training, and an internal cultural shift toward data valuation. Despite the technical and cultural challenges encountered during implementation, data science provides significant competitive advantages to organizations that adopt an evidence-based strategic approach, promoting assertive and sustainable decision-making.
Keywords: Data Science. Decision Making. Business Intelligence. Organizational Strategy. Information Management.
INTRODUÇÃO
Atualmente, observa-se um cenário organizacional altamente competitivo e dinâmico, impulsionado pelo rápido desenvolvimento das Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs), aliado ao fenômeno crescente da globalização, nesse contexto, as organizações enfrentam desafios constantes relacionados à gestão estratégica, especialmente no que diz respeito à qualidade e agilidade das tomadas de decisão, pois estas impactam diretamente na competitividade e no desempenho geral das empresas, tornando-se um diferencial crítico no ambiente empresarial contemporâneo (Santos; Gibertoni, 2022).
Nesse sentido, a utilização da ciência de dados tem se destacado como uma ferramenta essencial para potencializar a eficiência das decisões estratégicas, devido à sua capacidade de processar grandes volumes de informações complexas em tempo real, essas técnicas proporcionam às organizações insights valiosos e precisos que vão além da capacidade analítica manual, oferecendo uma vantagem competitiva significativa ao possibilitar decisões fundamentadas em evidências concretas, favorecendo a assertividade e a redução de riscos associados ao processo decisório (Sewald Junior; Santos Júnior, 2024).
Por consequência, grandes corporações mundiais como Amazon, Walmart e Netflix já incorporaram essas técnicas analíticas avançadas em suas rotinas operacionais e estratégicas, obtendo resultados expressivos, tais como melhora na gestão de estoques, eficiência na cadeia de suprimentos e aumento das vendas, entretanto, embora essas empresas sejam referências no uso efetivo de Big Data Analytics, muitas organizações ainda enfrentam obstáculos substanciais na adoção plena dessas tecnologias, seja pela ausência de infraestrutura tecnológica adequada ou pela resistência interna às mudanças organizacionais e culturais necessárias para sua implementação bem-sucedida (Martins; Maçada, 2022).
Além disso, é válido destacar que as técnicas de análise de dados não se restringem apenas ao Big Data, pois envolvem também metodologias como o Business Intelligence (BI), que são cruciais para o sucesso das decisões estratégicas nas empresas modernas, essas ferramentas permitem a coleta, análise, compartilhamento e monitoramento constante das informações, criando um fluxo contínuo de dados precisos que apoiam os gestores na identificação de oportunidades e ameaças com maior rapidez e precisão, garantindo, assim, decisões mais eficientes e alinhadas com os objetivos estratégicos da organização (Santos; Gibertoni, 2022).
Contudo, a implementação adequada dessas tecnologias requer, além da infraestrutura tecnológica apropriada, uma preparação rigorosa e sistemática das equipes envolvidas no processo decisório, isso porque a qualidade das decisões está diretamente relacionada à capacidade dos gestores em interpretar corretamente as informações geradas pelas ferramentas analíticas, portanto, é essencial que as organizações promovam programas de capacitação contínua, garantindo que os colaboradores não apenas dominem as tecnologias, mas também compreendam plenamente como utilizá-las no contexto estratégico e operacional da empresa (Martins; Maçada, 2022).
Outra questão relevante é que, apesar do crescente interesse das empresas pela ciência de dados, ainda são escassos os estudos empíricos que avaliem concretamente o impacto dessas tecnologias na percepção dos tomadores de decisão, especialmente no contexto brasileiro, assim, a carência de pesquisas que examinem casos reais dificulta uma compreensão mais detalhada dos reais benefícios e desafios associados à adoção dessas ferramentas, evidenciando a necessidade de trabalhos acadêmicos que aprofundem tais análises práticas e contribuam para o avanço científico e profissional na área (Sewald Junior; Santos Júnior, 2024).
Considerando este panorama, justifica-se plenamente a relevância do presente estudo, que busca avaliar, especificamente, o impacto da utilização de ferramentas de ciência de dados na tomada de decisão estratégica em organizações brasileiras, este trabalho pretende contribuir para preencher uma lacuna existente na literatura, fornecendo um panorama mais detalhado sobre os fatores críticos para o sucesso ou insucesso na adoção dessas tecnologias, com ênfase particular em casos reais de empresas brasileiras, propondo ainda ações práticas para melhorar sua implementação e integração organizacional (Sewald Junior; Santos Júnior, 2024).
Deste modo, espera-se que os resultados obtidos neste estudo auxiliem gestores e profissionais da área a compreender melhor as implicações práticas do uso da ciência de dados, demonstrando claramente os benefícios percebidos pelos tomadores de decisão após a implementação adequada dessas tecnologias, dessa forma, o trabalho pretende oferecer contribuições significativas tanto do ponto de vista acadêmico quanto prático, facilitando uma maior conscientização sobre a importância estratégica dessas ferramentas na realidade empresarial atual (Martins; Maçada, 2022).
Cabe ressaltar, ainda, que a análise estratégica dos dados pode influenciar diretamente indicadores empresariais importantes como produtividade, qualidade e lucratividade, pois decisões baseadas em dados tendem a ser mais precisas e eficazes, aumentando as chances de sucesso operacional e estratégico, portanto, organizações que adotam abordagens analíticas avançadas são mais propensas a melhorar consistentemente seu desempenho e alcançar resultados sustentáveis em longo prazo (Santos; Gibertoni, 2022).
Desse modo, torna-se evidente que a ciência de dados é uma realidade irreversível para as organizações que buscam permanecer competitivas em um mercado cada vez mais exigente e volátil, portanto, estudos como este são fundamentais para ampliar o entendimento sobre as melhores práticas e desafios relacionados à implementação dessas tecnologias, permitindo, assim, que as organizações possam se beneficiar plenamente do potencial estratégico oferecido por tais ferramentas analíticas (Sewald Junior; Santos Júnior, 2024).
2 REFERENCIAL TEÓRICO
A tomada de decisão consiste na escolha entre alternativas previamente identificadas, elaboradas e avaliadas pelos gestores das organizações, sendo considerada um processo fundamental e inevitável para qualquer organização, independentemente do seu porte ou segmento de atuação, já que as escolhas feitas pelos administradores têm implicações diretas em todos os níveis organizacionais, além de influenciar o desempenho, a sustentabilidade e o posicionamento competitivo das empresas no mercado em que estão inseridas, dessa forma, é indispensável que este processo seja sustentado por métodos consistentes e bem estruturados (Prado, 2020).
Os métodos utilizados para decidir questões estratégicas nas organizações podem variar significativamente conforme o contexto e a cultura organizacional, podendo ocorrer por meio de intuição ou instinto dos gestores, considerando seus valores pessoais, pela racionalidade lógica, através da colaboração coletiva ou, ainda, pela opinião especializada, esta última é considerada a abordagem mais confiável, especialmente em contextos organizacionais, pois permite embasar as decisões em conhecimentos técnicos e experiências específicas de especialistas, reduzindo, consequentemente, a margem de erro e aumentando a probabilidade de acerto na escolha efetuada (Prado, 2020).
No que se refere às etapas do processo decisório, inicialmente é imprescindível identificar claramente o problema ou situação que demanda uma solução, logo após essa identificação, deve-se coletar informações detalhadas, utilizando-se, por exemplo, feedbacks, pesquisas internas e externas, reuniões com partes interessadas, relatórios administrativos e outros métodos pertinentes, posteriormente, com esses dados em mãos, realiza-se um levantamento criterioso das possíveis soluções, avaliando-se vantagens e desvantagens, até que a alternativa mais adequada e viável seja escolhida, implementada e acompanhada, permitindo ajustes oportunos diante de novos contextos que possam surgir (Carlos Junior, 2019).
Nesse contexto, torna-se evidente o risco elevado de decidir sem uma base sólida de informações precisas e detalhadas, o que pode levar gestores a decisões mal fundamentadas e prejudiciais aos negócios, sobretudo em cenários de alta complexidade ou de difícil previsão, isso frequentemente ocorre pela falta de controle detalhado dos processos internos ou ausência de sistemas capazes de prover acesso fácil e rápido aos dados relevantes, uma solução para minimizar esse problema está na adoção de sistemas integrados de gestão empresarial, como o ERP (Enterprise Resource Planning), que viabilizam uma coleta abrangente e contínua de dados importantes para a administração empresarial (Entenda os Riscos, 2017).
A aplicação da ciência de dados surge justamente para suprir essa demanda crescente por informações detalhadas e análises sofisticadas, permitindo às organizações extrair conhecimento útil e estratégico a partir de grandes volumes de dados complexos, para isso, utiliza técnicas avançadas provenientes da matemática, estatística, mineração de dados, clusterização e mineração de textos, oferecendo insights robustos que superam as limitações tradicionais das análises manuais, permitindo uma interpretação mais precisa e completa dos fenômenos empresariais, influenciando diretamente o desempenho organizacional (Xavier; Ribeiro, 2018).
Essa ascensão no uso das tecnologias analíticas no ambiente empresarial foi amplamente impulsionada pelo desenvolvimento tecnológico das últimas décadas, sobretudo com a disseminação massiva da internet e a expansão considerável do poder computacional, esses avanços proporcionaram um aumento significativo na capacidade de armazenamento e processamento de dados, permitindo às organizações explorar profundamente os recursos analíticos disponíveis, gerando uma vantagem competitiva evidente em relação àquelas que não adotam tais técnicas analíticas em suas operações cotidianas (Provost; Fawcett, 2013).
Organizações que implementam métodos analíticos em suas decisões apresentam melhorias notáveis em indicadores financeiros, tais como retorno sobre patrimônio e otimização dos ativos, bem como em aspectos operacionais, como produtividade geral, tais evidências mostram claramente a relação direta entre o uso eficaz da ciência de dados e o aumento da lucratividade, eficiência operacional e competitividade organizacional, demonstrando, assim, a importância estratégica dessas técnicas no contexto empresarial contemporâneo (Brynjolfsson, 2011).
No entanto, utilizar técnicas analíticas avançadas demanda muito mais do que o mero conhecimento técnico sobre sistemas e ferramentas tecnológicas, exigindo também uma abordagem multidisciplinar que inclui conhecimentos das ciências sociais e humanas, tais competências são necessárias para interpretar adequadamente comportamentos humanos e padrões sociais presentes nos dados analisados, contribuindo para uma tomada de decisão mais alinhada às realidades e dinâmicas do ambiente em que as organizações estão inseridas (Daniel, 2018).
O impacto positivo das tecnologias analíticas é particularmente notado na qualidade das decisões empresariais, contribuindo significativamente para uma maior precisão nas estratégias comerciais e operacionais das organizações, permitindo, assim, otimizar o uso dos recursos disponíveis, corrigir rapidamente falhas e aprimorar continuamente a alocação estratégica, resultando em um desempenho geral mais robusto e sustentável das empresas ao longo do tempo (Affonso, 2021).
Por outro lado, embora os benefícios dessas tecnologias sejam reconhecidos, ainda é possível observar limitações e desafios relacionados à sua implementação em ambientes organizacionais específicos, como empresas brasileiras, especialmente devido à falta de estudos empíricos detalhados que possam demonstrar claramente a percepção dos gestores acerca das vantagens efetivamente obtidas com o uso dessas tecnologias analíticas, justificando a importância da realização de pesquisas mais aprofundadas e específicas nesse contexto (Sewald Junior; Santos Júnior, 2024).
Finalmente, pode-se afirmar que a utilização adequada da ciência de dados, desde que acompanhada por uma infraestrutura tecnológica apropriada, treinamento constante das equipes envolvidas e estratégias claramente definidas, oferece um potencial significativo para impulsionar a competitividade e sustentabilidade das empresas modernas, promovendo melhores resultados financeiros e operacionais, contribuindo, dessa maneira, para o desenvolvimento organizacional e o crescimento contínuo no mercado (Martins; Maçada, 2022).
A ciência de dados tem sido reconhecida como uma das grandes responsáveis por proporcionar às organizações um diferencial competitivo expressivo no mercado atual, já que possibilita decisões estratégicas fundamentadas em informações consistentes, extraídas a partir da análise profunda de grandes volumes de dados, assim, ao utilizarem técnicas analíticas, as empresas conseguem antecipar tendências, identificar padrões ocultos e prever comportamentos futuros, garantindo uma atuação mais assertiva, reduzindo significativamente riscos inerentes ao processo decisório e ampliando a capacidade de adaptação frente às mudanças frequentes no mercado globalizado (Sewald Junior; Santos Júnior, 2024).
Nesse contexto, destaca-se o papel do Business Intelligence (BI) como uma das ferramentas centrais na aplicação prática da ciência de dados nas organizações, uma vez que possibilita não apenas o armazenamento seguro e organizado dos dados coletados, mas principalmente sua análise detalhada, tornando acessível aos gestores informações claras e objetivas, permitindo, dessa forma, que decisões importantes sejam tomadas com maior rapidez e segurança, melhorando significativamente os índices de eficiência operacional e desempenho estratégico das organizações (Santos; Gibertoni, 2022).
Cabe ressaltar que o BI contribui diretamente para a qualidade das decisões estratégicas ao proporcionar relatórios e painéis interativos, gerados a partir de informações coletadas de diversos setores organizacionais, facilitando, portanto, a compreensão global das atividades empresariais e permitindo uma identificação clara de padrões, tendências ou desvios que possam interferir positiva ou negativamente nas estratégias implementadas, o que amplia consideravelmente a assertividade das decisões tomadas, favorecendo resultados mais satisfatórios para a empresa em curto e longo prazo (Santos; Gibertoni, 2022).
Contudo, apesar dos benefícios evidentes, alguns desafios podem ser enfrentados pelas organizações que decidem implementar a ciência de dados como base para suas decisões estratégicas, especialmente em relação à integração dessas tecnologias com sistemas já existentes, como ERP (Enterprise Resource Planning) e CRM (Customer Relationship Management), os quais, por vezes, podem apresentar incompatibilidades tecnológicas ou mesmo dificuldades operacionais na importação e processamento dos dados necessários para a análise, sendo necessário, portanto, planejar cuidadosamente a implementação para mitigar tais problemas (Entenda os Riscos, 2017).
Dessa forma, a eficácia dessas tecnologias depende substancialmente de um planejamento rigoroso e estratégico, que considere não apenas os objetivos organizacionais, mas também as necessidades específicas de cada setor envolvido na coleta e processamento das informações, para tanto, a literatura recomenda que as empresas estabeleçam objetivos claros e métricas precisas, alinhadas às estratégias corporativas, garantindo que as análises produzidas realmente contribuam para decisões estratégicas mais assertivas e eficientes no contexto empresarial contemporâneo (Santos; Gibertoni, 2022).
Apesar das claras vantagens mencionadas, o sucesso da implementação da ciência de dados nas empresas depende também da capacitação dos profissionais envolvidos, sendo necessário um esforço contínuo de qualificação das equipes para garantir que os colaboradores tenham o conhecimento necessário para interpretar corretamente as informações geradas pelas ferramentas analíticas, convertendo-as em ações concretas que beneficiem diretamente a empresa em seus objetivos estratégicos, nesse sentido, o treinamento frequente e o aperfeiçoamento profissional dos colaboradores é indispensável para o aproveitamento efetivo dos benefícios proporcionados pela ciência de dados (Sewald Junior; Santos Júnior, 2024).
É válido mencionar que muitas organizações ainda enfrentam barreiras culturais significativas ao adotar a ciência de dados, especialmente devido ao receio ou resistência dos colaboradores quanto ao uso intensivo de tecnologias avançadas nas rotinas organizacionais, dessa maneira, torna-se necessário que gestores e líderes trabalhem ativamente na transformação cultural interna, criando uma mentalidade aberta à inovação e destacando os benefícios tangíveis que tais tecnologias podem trazer ao cotidiano operacional, contribuindo assim para a efetiva incorporação dessas ferramentas nos processos decisórios e estratégicos (Martins; Maçada, 2022).
Uma vantagem frequentemente destacada por empresas que adotam a ciência de dados refere-se à capacidade de prever cenários futuros com maior precisão, reduzindo assim as incertezas do mercado, pois, através de técnicas avançadas como mineração de dados e modelagem preditiva, torna-se possível antecipar tendências, preferências dos consumidores e até mesmo ameaças potenciais que possam surgir, proporcionando às empresas uma posição proativa, permitindo a antecipação de problemas e o aproveitamento precoce de oportunidades estratégicas que eventualmente venham a surgir (Xavier; Ribeiro, 2018).
Além da antecipação e previsão de cenários futuros, outro ponto relevante é a capacidade que essas ferramentas têm de otimizar recursos empresariais, reduzindo custos operacionais ao identificar áreas que demandam menor esforço ou investimentos mais assertivos, nesse sentido, muitas empresas têm conseguido economizar substancialmente seus recursos financeiros e humanos, direcionando-os para áreas que realmente geram resultados palpáveis e eficazes para a organização, potencializando, dessa forma, os retornos financeiros e maximizando a eficiência operacional (Affonso, 2021).
Outro aspecto essencial é que, apesar de todas as vantagens mencionadas, é fundamental que as organizações compreendam que os resultados obtidos por meio da ciência de dados não são imediatos, pelo contrário, são fruto de um processo contínuo de aprendizado e adaptação, onde o envolvimento contínuo dos gestores e o acompanhamento próximo das informações produzidas é indispensável para que tais resultados se concretizem, exigindo paciência e persistência das equipes envolvidas, sendo, assim, imprescindível uma visão estratégica de longo prazo no planejamento e gestão dessas ferramentas analíticas avançadas (Martins; Maçada, 2022).
Nesse sentido, as organizações devem também estar preparadas para lidar com possíveis riscos associados à utilização inadequada ou incompleta das ferramentas analíticas, entre esses riscos estão interpretações incorretas dos dados, decisões equivocadas baseadas em informações incompletas ou mesmo a ocorrência de falhas técnicas durante o processamento das análises, sendo essencial que os gestores estejam atentos à importância de validar e revisar regularmente as informações obtidas, garantindo que as decisões sejam tomadas com base em dados corretamente interpretados e adequadamente contextualizados (Sewald Junior; Santos Júnior, 2024).
A literatura aponta ainda que, para uma aplicação eficiente dessas ferramentas analíticas, é necessário o desenvolvimento de uma cultura organizacional orientada por dados (data-driven culture), onde as decisões estratégicas sejam sempre respaldadas por informações e evidências concretas, reduzindo assim decisões impulsivas ou baseadas em opiniões pessoais isoladas, tal mudança cultural favorece o fortalecimento das decisões estratégicas e contribui diretamente para o aprimoramento dos resultados empresariais (Santos; Gibertoni, 2022).
As pesquisas recentes destacam, por fim, a necessidade de acompanhar e revisar regularmente o uso dessas ferramentas, avaliando periodicamente sua eficácia e resultados concretos, permitindo ajustes constantes que visem maximizar seus benefícios, garantindo dessa forma que os investimentos realizados proporcionem retornos reais e significativos ao longo do tempo, contribuindo assim para o crescimento sustentável e sucesso empresarial (Martins; Maçada, 2022).
Assim, este capítulo demonstrou amplamente como a ciência de dados pode influenciar positivamente nas decisões estratégicas das organizações, desde que sejam implementadas corretamente e alinhadas às metas estratégicas empresariais, ressaltando também a importância de uma abordagem estruturada e contínua na gestão e avaliação dessas tecnologias (Santos; Gibertoni, 2022).
3 METODOLOGIA
Este estudo foi conduzido por meio de uma abordagem qualitativa, baseada em revisão bibliográfica, com o objetivo de investigar e analisar o impacto da ciência de dados na tomada de decisão estratégica nas organizações. A pesquisa caracteriza-se como exploratória e descritiva, uma vez que busca compreender como ferramentas analíticas, como o Business Intelligence (BI) e Big Data Analytics, influenciam a eficiência e qualidade das decisões empresariais.
A pesquisa adota uma abordagem qualitativa, pois se fundamenta na análise de literatura científica e estudos de caso previamente publicados. Essa metodologia permite compreender o fenômeno em questão sem a necessidade de experimentação direta, privilegiando a interpretação dos dados disponíveis e o levantamento de informações relevantes sobre a temática.
Além disso, trata-se de um estudo exploratório e descritivo. O caráter exploratório se justifica pela necessidade de aprofundar o conhecimento sobre o impacto da ciência de dados nas decisões estratégicas. O caráter descritivo, por sua vez, decorre da sistematização de conceitos, ferramentas e práticas associadas ao uso da análise de dados nas organizações.
4 RESULTADOS E DISCUSSÃO
Ao analisar os resultados provenientes dos estudos realizados sobre o impacto da ciência de dados nas organizações, fica evidente que os gestores reconhecem o valor significativo dessas ferramentas na melhoria do desempenho estratégico das empresas, uma vez que conseguem, por meio da interpretação precisa dos dados coletados, identificar oportunidades que anteriormente passariam despercebidas, otimizando recursos internos e contribuindo diretamente para resultados financeiros e operacionais mais expressivos, esses resultados vão ao encontro do que já foi destacado em pesquisas anteriores, reforçando o papel estratégico das tecnologias analíticas nas organizações contemporâneas (Sewald Junior; Santos Júnior, 2024).
Verificou-se ainda que, nas empresas estudadas, as ferramentas de Business Intelligence (BI) destacaram-se como uma das principais facilitadoras para uma tomada de decisão mais segura e assertiva, principalmente por oferecerem relatórios precisos e visualizações intuitivas dos dados, permitindo que gestores de diversos níveis hierárquicos possam compreender com clareza o contexto organizacional e, dessa maneira, tomar decisões baseadas em informações concretas, eliminando, ou ao menos minimizando, a subjetividade que frequentemente permeia decisões estratégicas menos estruturadas (Santos; Gibertoni, 2022).
Outro aspecto relevante observado nos resultados analisados foi a importância atribuída pelos gestores à capacitação contínua dos colaboradores responsáveis pela análise e interpretação dos dados, evidenciando que apenas dispor da tecnologia não é suficiente para garantir os benefícios desejados, sendo necessário promover programas contínuos de capacitação e aperfeiçoamento profissional, de modo a assegurar que as equipes estejam preparadas para lidar eficazmente com as ferramentas e extrair delas o máximo potencial analítico disponível, favorecendo decisões mais acertadas e coerentes com os objetivos estratégicos organizacionais (Sewald Junior; Santos Júnior, 2024).
Adicionalmente, verificou-se que empresas com maior sucesso na utilização dessas ferramentas são aquelas que conseguem criar uma cultura organizacional orientada por dados (data-driven), envolvendo ativamente seus colaboradores na interpretação e utilização dos dados para decisões estratégicas, reduzindo, assim, resistências internas às mudanças tecnológicas e promovendo uma mentalidade de inovação, alinhada às necessidades atuais do mercado competitivo, esses achados confirmam a importância de uma transformação cultural prévia para garantir o sucesso efetivo da implementação da ciência de dados nas organizações (Martins; Maçada, 2022).
Por outro lado, empresas que não conseguiram estabelecer essa cultura organizacional apresentaram dificuldades consideráveis para integrar plenamente as tecnologias analíticas aos processos decisórios cotidianos, pois, sem uma compreensão clara sobre o valor estratégico dessas ferramentas, gestores acabam subutilizando os recursos disponíveis, resultando em baixa eficácia e frustrações relacionadas ao investimento realizado, evidenciando que o sucesso da implementação não se resume apenas a aspectos técnicos, mas também à capacidade organizacional em adaptar sua cultura interna à nova realidade analítica proposta pela ciência de dados (Sewald Junior; Santos Júnior, 2024).
Outro ponto identificado neste estudo refere-se ao impacto positivo da utilização do Business Intelligence integrado a sistemas existentes na organização, como ERP e CRM, que possibilitam maior sinergia entre setores e uma gestão mais centralizada e coordenada, potencializando, dessa forma, a eficiência dos processos operacionais e estratégicos, no entanto, ficou evidente que empresas que não realizaram um planejamento cuidadoso dessa integração enfrentaram dificuldades na utilização conjunta dessas ferramentas, comprometendo significativamente os resultados esperados (Entenda os Riscos, 2017).
Quanto à percepção dos gestores sobre a aplicação efetiva dessas tecnologias, identificou-se que existe uma associação direta entre a utilização do BI e a agilidade decisória das empresas, já que a rápida disponibilidade das informações facilita a antecipação de movimentos estratégicos frente às mudanças frequentes e imprevisíveis do mercado, possibilitando respostas ágeis e eficazes às demandas internas e externas, ampliando significativamente a capacidade competitiva das empresas analisadas (Santos; Gibertoni, 2022).
Contudo, a análise também demonstrou que o sucesso do uso dessas tecnologias está intimamente ligado à qualidade das informações coletadas e inseridas nas ferramentas analíticas, já que dados inconsistentes ou desatualizados levam inevitavelmente a interpretações errôneas e decisões potencialmente prejudiciais à empresa, reforçando, assim, a necessidade de procedimentos rigorosos para validação contínua das informações antes do seu processamento analítico, garantindo a confiabilidade dos resultados gerados (Martins; Maçada, 2022).
Também foi constatado que empresas que aplicam a ciência de dados de forma consistente experimentaram melhorias significativas em indicadores estratégicos, especialmente relacionados à produtividade e eficiência operacional, tais melhorias são atribuídas principalmente ao uso inteligente e estruturado dos dados para definir estratégias comerciais, mercadológicas e operacionais, permitindo maior aproveitamento dos recursos disponíveis e uma otimização geral dos processos internos (Affonso, 2021).
Notou-se ainda que em algumas organizações persiste a crença equivocada de que a aplicação da ciência de dados se restringe apenas a grandes empresas ou setores específicos, ignorando o potencial transversal dessas ferramentas, capaz de beneficiar empresas de todos os portes e segmentos, fato que demonstra claramente a necessidade de conscientização dos gestores sobre o potencial de universalização das tecnologias analíticas no contexto empresarial (Martins; Maçada, 2022).
Mais um resultado relevante obtido no estudo foi a confirmação da necessidade da presença de profissionais especialistas em ciência de dados, visto que sua atuação favorece significativamente a correta interpretação dos dados coletados, evitando interpretações errôneas e decisões imprecisas, empresas que investiram na contratação desses profissionais especializados obtiveram benefícios mais claros e rápidos em relação àquelas que não contavam com tal suporte técnico especializado (Xavier; Ribeiro, 2018).
Os desafios mais frequentemente relatados pelos gestores estão relacionados à complexidade técnica das ferramentas analíticas e à dificuldade na compreensão dos relatórios gerados, destacando-se, portanto, a importância do desenvolvimento de interfaces mais amigáveis e intuitivas, que facilitem o uso cotidiano por profissionais não especializados diretamente na área de tecnologia, aumentando, assim, a efetividade da ciência de dados em diferentes setores organizacionais (Sewald Junior; Santos Júnior, 2024).
Destaca-se também que durante a análise a ciência de dados proporcionou às empresas uma percepção mais clara e ampla sobre seu posicionamento de mercado, identificando rapidamente oportunidades estratégicas, além de permitir correções imediatas em processos falhos, resultando em um alinhamento mais eficaz entre objetivos estratégicos e operacionais, melhorando significativamente os resultados financeiros e a satisfação dos clientes finais (Santos; Gibertoni, 2022).
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Ao longo deste estudo, foi possível identificar e compreender de forma detalhada como a ciência de dados exerce influência direta e positiva na qualidade das decisões estratégicas das organizações contemporâneas, sendo um fator determinante para o aprimoramento do desempenho geral, especialmente em termos de competitividade, eficiência operacional e gestão eficaz dos recursos disponíveis, permitindo às empresas alcançar resultados superiores e sustentáveis no mercado atual, marcado por intensas mudanças e constante inovação tecnológica.
Verificou-se, com clareza, que a adoção da ciência de dados permite às organizações obter vantagens competitivas expressivas ao fornecer informações detalhadas e objetivas sobre diversos aspectos de seu funcionamento interno e externo, auxiliando significativamente no processo decisório, uma vez que possibilita a identificação precoce de tendências, comportamentos e padrões, reduzindo os riscos e aumentando a assertividade das estratégias implementadas, refletindo-se diretamente na melhoria da performance financeira e operacional das empresas analisadas.
Ficou evidente também que o sucesso da implementação de tais tecnologias não depende apenas da disponibilidade técnica, mas exige igualmente um planejamento estratégico cuidadoso e consistente, considerando fatores como integração com outros sistemas já utilizados pela empresa, capacitação frequente das equipes e construção de uma cultura organizacional favorável ao uso intensivo de dados, proporcionando, assim, uma transformação profunda e necessária dentro das organizações, que amplie a aceitação e eficiência dessas tecnologias analíticas avançadas.
Neste contexto, constatou-se que a capacitação contínua dos colaboradores é indispensável para assegurar que o uso da ciência de dados resulte em decisões efetivamente embasadas e confiáveis, exigindo investimentos constantes em treinamentos e na formação profissional específica, garantindo que os profissionais estejam sempre atualizados e preparados para interpretar e aplicar corretamente as informações geradas pelas ferramentas analíticas adotadas.
Observou-se ainda que empresas que desenvolveram uma cultura interna pautada na utilização estratégica de dados, criando uma mentalidade organizacional favorável à inovação e tomada de decisões baseadas em evidências, obtiveram resultados superiores e conseguiram superar as resistências internas comuns frente à adoção de novas tecnologias, demonstrando que a transformação cultural é um passo essencial e necessário para o sucesso dessa abordagem analítica no ambiente empresarial.
No entanto, apesar das inúmeras vantagens identificadas, percebeu-se também que a utilização inadequada ou parcial dessas tecnologias pode levar a resultados insatisfatórios ou mesmo prejudiciais, especialmente quando as informações analisadas não são devidamente verificadas quanto à sua precisão, completude ou atualidade, destacando-se, portanto, a importância de procedimentos rigorosos de validação e monitoramento contínuo dos dados utilizados pelas empresas antes da tomada de decisões estratégicas.
Outro fator determinante observado no estudo foi a necessidade de contar com profissionais especializados na área de ciência de dados, capazes de garantir que as informações coletadas sejam interpretadas corretamente, evitando equívocos comuns que possam comprometer a eficácia das estratégias adotadas, reforçando a importância de investimentos direcionados à contratação ou qualificação específica desses profissionais para assegurar maior eficácia no uso das tecnologias analíticas.
Além disso, o estudo apontou a necessidade de as ferramentas analíticas serem desenvolvidas de forma mais intuitiva e acessível para profissionais que não sejam da área técnica, permitindo assim uma utilização mais abrangente e efetiva em diferentes contextos organizacionais, promovendo uma maior difusão dos benefícios da ciência de dados, independentemente do porte ou segmento de atuação das empresas.
Sugere-se, portanto, que novos estudos sejam realizados futuramente, com uma abrangência maior e considerando diferentes setores e tamanhos de empresas, para ampliar a compreensão sobre o impacto efetivo dessas tecnologias, especialmente em contextos específicos como o das organizações brasileiras, enriquecendo a literatura acadêmica existente e fornecendo orientações práticas para gestores e profissionais envolvidos na área.
Assim sendo, conclui-se que a implementação eficaz da ciência de dados como ferramenta estratégica nas organizações requer não apenas investimentos financeiros e tecnológicos, mas também uma visão integrada, planejamento rigoroso e cultura organizacional adequada, capazes de garantir resultados sólidos e duradouros, contribuindo significativamente para o desenvolvimento contínuo, o fortalecimento competitivo e o crescimento sustentável das empresas na era da informação.
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