THE NURSE AS A PROTAGONIST IN THE PREVENTION OF CERVICAL CANCER
EL ENFERMERO COMO PROTAGONISTA EN LA PREVENCIÓN DEL CÁNCER DE CUELLO UTERINO
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ar10202503131240
Daniella Cristina Bastos da Silva¹; Samily Cunha de Oliveira¹; Aline Oliveira Almeida¹; Marcelo Alexandre Graúdo Freitas Junior¹; Juliane Pereira Leoncy¹; Isadora do Vale Neves Magalhães¹; Danielle Brito dos Santos²; Gabriel Costa da Silva¹; Maria Izabel Nascimento Machado da Costa²; Alessandra Carla Santos de Vasconcelos Chaves¹.
RESUMO
Objetivo: Discorrer sobre as propostas de atuação do enfermeiro no cuidado e, principalmente, na prevenção do câncer do colo do útero. Revisão bibliográfica: O câncer de colo do útero (CCU) é um grave problema de Saúde pública. Em 2020, mais de 500 mil mulheres foram diagnosticadas com ele e quase 342 mil morreram, a maioria em países pobres. Embora as mulheres sejam as mais atuantes em busca de atendimentos nos serviços de saúde, muitas ainda desconhecem ou subestimam a importância do exame preventivo, o Papanicolau. Esse desconhecimento sobre a verdadeira finalidade do exame pode resultar no desinteresse e despreocupação, deixando-as mais suscetíveis à neoplasia. As ações assistenciais de enfermagem direcionadas para prevenção do CCU são, essencialmente, a educação em saúde e a coleta de material citopatológico para a realização do exame. Considerações finais: O enfermeiro, sem dúvida, exerce um protagonismo no cuidado e, principalmente, na prevenção do câncer do colo do útero, através de ações educativas que possibilitam a construção compartilhada de conhecimento e experiências individuais e coletivas.
Palavras-chave: Enfermagem, Prevenção Primária, Câncer de Colo Uterino.
ABSTRACT
Objective: To discuss the proposed actions of nurses in the care and, mainly, in the prevention of cervical cancer. Literature review: Cervical cancer (CC) is a serious public health problem. In 2020, more than 500,000 women were diagnosed with it and almost 342,000 died, most of them in poor countries. Although women are the most active in seeking care in health services, many still do not know or underestimate the importance of the preventive exam, the Pap smear. This lack of knowledge about the true purpose of the exam can result in disinterest and lack of concern, leaving them more susceptible to neoplasia. Nursing care actions aimed at preventing CC are essentially health education and the collection of cytopathological material for the exam. Final considerations: Nurses undoubtedly play a leading role in the care and, mainly, in the prevention of cervical cancer, through educational actions that enable the shared construction of knowledge and individual and collective experiences.
Key words: Nursing, Primary Prevention, Cervical Cancer.
RESUMEN
Objetivo: Discutir las propuestas para que el enfermero actúe en el cuidado y, principalmente, en la prevención del cáncer de cuello uterino. Revisión de la literatura: El cáncer de cuello uterino (CC) es un grave problema de salud pública. En 2020, más de 500.000 mujeres fueron diagnosticadas con ella y casi 342.000 murieron, la mayoría en países pobres. Si bien las mujeres son las más activas en la búsqueda de atención en los servicios de salud, muchas aún desconocen o subestiman la importancia del examen preventivo, la prueba de Papanicolaou. Esta falta de conocimiento sobre el verdadero propósito del examen puede resultar en falta de interés y despreocupación, dejándolos más susceptibles a la neoplasia. Las acciones de cuidados de enfermería encaminadas a la prevención del CC son, esencialmente, la educación en salud y la recolección de material citopatológico para la realización del examen. Consideraciones finales: La enfermera, sin duda, juega un papel protagónico en el cuidado y, principalmente, en la prevención del cáncer de cuello uterino, a través de acciones educativas que posibilitan la construcción compartida de conocimientos y experiencias individuales y colectivas.
Palabras clave: Enfermería, Prevención Primaria, Cáncer de Cuello Uterino.
INTRODUÇÃO
O câncer é considerado um termo abrangente que integra um complexo de patologias que têm em comum o crescimento acelerado e desordenado de células que podem invadir e espalhar-se para tecidos e órgãos e, dessa forma, também comprometê-los(INCA, 2021). A primeira menção ao câncer foi descrita no ano 2.600 a.c. em um papiro egípcio no qual estavam relatadas cerca de 48 doenças, nele o câncer foi descrito como uma massa protuberante no peito que se estendeu por ele (MUKHERJEE S, 2014).
O câncer do colo do útero (CCU), por sua vez, faz parte desse conjunto de doenças que podem acometer principalmente mulheres em idade fértil, e pode ser causado pela infecção persistente por alguns tipos de Papilomavírus Humano (HPV) os quais modificam as células do epitélio uterino, e podem se transformar em um tumor maligno, comprometendo tecidos, estruturas ou até mesmo órgãos do sistema.
Sabe-se que a prática sexual sem o uso de preservativos é a principal forma de adquirir o vírus, e a maneira mais eficaz de prevenção é através da vacinação. No Brasil, existem dois tipos aprovadas, a quadrivalente que protege contra quatro tipos do vírus HPV mais comuns no Brasil, e a vacina bivalente que protege contra dois tipos do vírus que são considerados os maiores causadores do câncer do colo do útero (TEIXEIRA JC e MARTINS CM, 2022).
O câncer de colo do útero é um problema de saúde pública no Brasil e no mundo. Em 2020, mais de 500 mil mulheres foram diagnosticadas com ele e quase 342 mil morreram, a maioria em países pobres (ONU, 2021). No Brasil, de acordo com os dados epidemiológicos do Instituto Nacional de Câncer (2021), o câncer do colo do útero é o 3° tipo de neoplasia maligna mais recorrente. Na região Norte do país, onde se observa maiores índices de desigualdade sociais e econômicas, o câncer do colo do útero ocupa o 1º lugar entre os cânceres.
Ainda que o Brasil tenha sido um dos primeiros países no mundo a introduzir o exame citopatológico (Papanicolau) para o diagnóstico do câncer do colo do útero, as ações dirigidas à detecção precoce desse tipo de tumor foram caracterizadas, até meados dos anos 1990, por estratégias isoladas e programas pontuais. Não havia uma organização das ações por níveis de atenção, ou mesmo uma rede de instituições e serviços de saúde que permitisse um planejamento integrado para o rastreamento da doença no país (BRASIL, 2018).
Nesse contexto, o enfermeiro desempenha um papel fundamental, como parte de uma equipe multiprofissional, ele é o profissional mais atuante nas ações de controle do CCU (FERREIRA MCM, 2021). Suas responsabilidades incluem a coleta do exame de Papanicolau, a orientação e prevenção da doença, o rastreamento e detecção precoce de alterações, além de fornecer informações claras e precisas às mulheres, acolhê-las durante as consultas e garantir a privacidade e o conforto em todo o processo de cuidado (COREN – RO, 2024). Dessa forma, o objetivo deste trabalho é discorrer sobre as propostas de atuação do enfermeiro no cuidado e, principalmente, na prevenção do câncer do colo do útero.
REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
O papel do enfermeiro na prevenção do CCU
As ações assistenciais de enfermagem direcionadas para prevenção do CCU são, essencialmente, a educação em saúde e a coleta de material citopatológico para a realização do exame, e são programadas e organizadas dentro de um fluxo de trabalho previamente estabelecido na rotina das equipes. Nesse cenário, tem-se a figura do ACS como importante ferramenta de trabalho para mobilização, captação e busca ativa de mulheres na faixa etária de realizar o exame (DIAS EG, et. al., 2021).
O enfermeiro tem como função enfatizar a relevância do exame preventivo, assim como a sua realização periódica, além de orientar essas mulheres sobre medidas de autocuidado através das prescrições de enfermagem, as quais de acordo com a Resolução do COFEN n° 272 (2002), o enfermeiro tem autonomia para efetivar a prescrição de enfermagem tal como orientação dos cuidados durante a consulta de enfermagem, com o intuito de prevenir, por exemplo, possíveis lesões uterinas.
No âmbito da atenção primária (APS), a prevenção, detecção e tratamento baseiam-se em ações individuais e coletivas (PEREIRA SVN, et.al., 2022). Os profissionais enfermeiros atuam principalmente em ações de educação em saúde, garantindo a corresponsabilização dos usuários frente às demandas e estimulando a promoção da saúde, prevenção de agravos, sem se abster da prática assistencial.
Educação em Saúde
A educação em saúde é um grande papel a ser desenvolvido pelo enfermeiro, visto que, segundo Azevedo MVC, et. al. (2021), os estudos apontam que a APS é o cenário mais estruturante para o desenvolvimento de várias ações no controle do câncer, e constitui-se a principal porta de entrada do usuário nos serviços de saúde, caracterizando-se como um local privilegiado para a realização de ações educativas. Durante a consulta de enfermagem pode-se realizar atividades educativas com cada mulher, orientando e enfatizando aspectos referentes à prevenção e realçando medidas preventivas (OLIVEIRA RL, et al. 2021).
Segundo Oliveira RL, et. al. (2021, p. 07) existem três tipos de intervenções que podem ser realizadas individualmente ou coletivamente, são essas: Comportamentais, as que estimulam as usuárias a realizarem o exame e detecção precoce; Cognitivas, as que sensibilizam e informam essas mulheres sobre as ações que devem ser realizadas para a prevenção e controle das patologias; e Sociais, onde a enfermagem atua de forma indireta, onde as próprias pessoas ou a unidade possam ser treinadas para essa ação e também por meio da atuação direta do enfermeiro, possibilitando o aumento do conhecimento sobre as medidas preventivas. Para atuação satisfatória, faz-se necessário que o profissional conheça a cultura e a realidade da população alvo, pois o comportamento preventivo está intimamente ligado também aos fatores sociais, psicológicos e ambientais.
As ações de educação em saúde podem ser desenvolvidas em escolas, igrejas, centros comunitários por meio de palestras, oficinas, rodas de conversa, e nas unidades de saúde, pode ser tanto individual durante os atendimentos, quanto de forma coletiva na sala de espera, desempenhando um papel fundamental na sensibilização da população. Dessa forma, as atividades educativas realizadas regularmente, não apenas promovem a prevenção de doenças, mas também contribuem significativamente para a promoção da saúde da comunidade, fortalecendo o cuidado integral e contínuo (PEREIRA SVN, et al.2022).
Outro local onde essas ações podem ser realizadas é nas casas das usuárias durante as visitas domiciliares e as buscas ativas, que também se destacaram como estratégias educativas voltadas para a prevenção, uma vez que permitem estabelecer um vínculo mais próximo com a população atendida. Ao realizar essas visitas, as profissionais conseguem abordar as mulheres em seus próprios lares, facilitando a transmissão das orientações necessárias para que adotem os cuidados essenciais à sua saúde (REIS BMCB, et al. 2023).
HPV e prevenção do CCU
O enfermeiro assume um papel estratégico e indispensável nas ações de prevenção ao HPV, atuando como protagonista na condução de iniciativas educativas direcionadas a pais e adolescentes (FERREIRA GA, et al, 2024). Considerando o papel desse profissional, temos a distribuição e informações sobre o uso correto de preservativos de barreira tanto masculino quanto feminino para prevenção não somente de gravidez indesejada, mas também para a prevenção de infecções sexualmente transmissíveis (IST).
A introdução da vacina contra o HPV nas campanhas de imunização tem se mostrado uma estratégia eficaz para reduzir a incidência de infecções pelo vírus e, consequentemente, diminuir os casos de câncer do colo do útero, e o enfermeiro é um dos principais atores nessa missão. O Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza gratuitamente a vacina contra o HPV para meninas e meninos entre 9 a 14 anos, com esquema de dose única. Outros grupos populacionais também podem se vacinar, como pessoas que vivem com HIV, transplantados de órgãos sólidos, de medula óssea ou pacientes oncológicos entre 9 e 45 anos; vítimas de abuso sexual entre 15 e 45 anos que não tenham tomado a vacina; pacientes com papilomatose respiratória recorrente; e usuários de Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) com idade entre 15 e 45 anos (OPAS, 2023).
Segundo Meireles LA, et. al. (2020), o enfermeiro possui uma alta responsabilidade nas ações relacionadas a vacinação, visando melhorar a taxa de vacinação, esclarecer notícias falsas, dúvidas frequentes, expor informações sobre a vacina e possíveis eventos adversos, e construir uma relação com a população na qual é responsável, todavia, na maior parte das vezes ele limita-se apenas a executar a técnica.
Assim, evidencia-se a importância da enfermagem na prevenção por meio da vacinação, uma vez que são os enfermeiros e suas equipes os profissionais responsáveis pelas salas de imunização e campanhas de vacinação. Esse papel é fundamental, pois esses profissionais não apenas garantem a administração adequada das vacinas, mas também desempenham um papel educativo, esclarecendo a população sobre a importância da prevenção e incentivam a adesão aos esquemas vacinais.
Preventivo do Câncer do Colo do Útero (PCCU)
O Papanicolau, Preventivo do Câncer do Colo do Útero (PCCU) ou somente preventivo, como popularmente é conhecido, é o principal exame para o rastreio do CCU. De acordo com o Ministério da Saúde (2022) o exame é recomendado para mulheres de 25 a 64 anos que já iniciaram atividade sexual. Inicialmente, deve ser realizado uma vez por ano e, após dois exames normais consecutivos, passa a ser feito a cada 3 anos. Para mulheres com mais de 64 anos que nunca se submeteram ao exame, recomenda-se realizar duas vezes, com intervalo de um a três anos. No caso de resultado negativo, elas não precisam fazer novos exames, visto que não há evidências de efetividade do rastreamento após os 65 anos.
Embora as mulheres sejam as mais atuantes em busca de atendimentos nos serviços de saúde, muitas ainda desconhecem ou subestimam a importância do exame preventivo, porque algumas acreditam erroneamente que o exame serve apenas para o diagnóstico de infecções sexualmente transmissíveis (IST’s) e vaginoses, quando, na realidade, sua principal função é a detecção precoce de alterações no colo do útero que podem levar ao câncer cervical (SANTOS JN e GOMES RS, 2022).
Essa falta de conhecimento sobre a verdadeira finalidade do exame pode resultar no desinteresse e despreocupação, deixando-as mais suscetíveis à neoplasia. Dessa forma, mesmo que existam políticas públicas que promovam ações de prevenção contra o CCU, ainda ocorre à persistência do modelo biomédico, em que o foco é a cura da doença, pois o que se percebe é a procura da mulher por atendimento quando se apresenta algum sinal ou sintoma que pode produzir o dano à saúde (LIMA JM, et al., 2023).
No contexto do rastreamento do câncer do colo do útero, a enfermagem desempenha um papel fundamental, uma vez que de acordo com a resolução do COFEN RESOLUÇÃO Nº 381/2011:
“Art. 1º No âmbito da equipe de Enfermagem, a coleta de material para colpocitologia oncótica pelo método de Papanicolau é privativa do Enfermeiro, observadas as disposições legais da profissão.”
“Parágrafo único: O Enfermeiro deverá estar dotado dos conhecimentos, competências e habilidades que garantam rigor técnico-científico ao procedimento, atentando para a capacitação contínua necessária à sua realização.”
Adesão das mulheres ao PCCU
A estratégia mais eficaz no combate ao câncer do colo do útero é a prevenção mediante diagnóstico em estágios iniciais, porém, o rastreamento precoce entre as mulheres nem sempre é possível em virtude da dificuldade de acesso dessa população aos serviços de saúde (OLIVEIRA RL, et al. 2021). Com relação aos sentimentos vivenciados pelas mulheres, muitas apontam o procedimento como desconfortável, revelando incômodos e dor, e isso influencia na não adesão ao exame. Esse incômodo gera ansiedade, medo e nervosismo (LIMA JM, et al., 2023).
Segundo PEREIRA SVN, et.al., (2022), em relação as condições socioeconômicas, a pluralidade de serviços que a mulher ocupa tem forte impacto na adesão às consultas. Mesmo com todas as estratégias para a realização das ações de prevenção do câncer de colo do útero, sabe-se que existem muitas dificuldades com relação à adesão das mulheres, dentre elas, à oposição do parceiro, a vergonha, o pudor e o preconceito. Por mais que a equipe da estratégia de saúde da família se empenhe em combater as dificuldades e os fatores que causam baixa adesão ao exame preventivo, é inevitável casos de mulheres que não aderem ao exame ou mesmo que não retornam para buscar o resultado (MEDEIROS ATN, et al., 2021).
A baixa adesão das mulheres da região Norte do Brasil ao exame Papanicolau (PCCU) é influenciada por diversos fatores, como socioeconômicos e culturais. A região norte é composta por uma diversidade territorial, regional e populacional, onde grande parte da população reside em áreas rurais, muitas vezes dispersas ao longo de rios, lagos e igarapés, o que dificulta o acesso a serviços essenciais, incluindo saúde e educação (GUIMARÃES AF, et al. 2020). A localização geográfica dificulta o acesso aos serviços de saúde, comprometendo a adesão ao rastreamento do câncer de colo uterino (TELLES LS, et al. 2024).
Outro fator importante para a baixa adesão é a pouca escolaridade. Estudos demonstram que mulheres com menor nível educacional apresentam menor compreensão sobre a importância do exame, o que se torna uma barreira à sua realização (LIMA KF, et al. 2022). Além disso, há uma relação direta entre o tempo de estudo e a adesão ao exame, indicando que quanto menor a escolaridade, menor a frequência de realização do PCCU (SILVA VM, et al. 2021). Esses achados ressaltam a necessidade de estratégias educativas direcionadas, visando compartilhar informações e sensibilizar sobre a relevância do exame, especialmente entre mulheres com baixa escolaridade.
A desinformação acerca do exame, alimentada por mitos e informações equivocadas, juntamente com o medo do desconforto que o procedimento pode causar, contribuem significativamente para que muitas mulheres evitem realizá-lo. Além disso, a dificuldade de acesso aos serviços de saúde, especialmente em regiões mais afastadas ou com menos recursos, agrava ainda mais essa situação. A combinação desses fatores resulta em uma baixa adesão ao exame, o que pode comprometer seriamente a eficácia das estratégias de prevenção e combate a doenças. Por isso, torna-se imprescindível investir de forma contínua em campanhas educativas que abordem, de maneira clara e acessível, a importância desse cuidado preventivo. Essas campanhas devem desmistificar o procedimento, explicar seus benefícios e tranquilizar as mulheres em relação às etapas envolvidas. Incluir o exame na rotina de cuidados preventivos das mulheres não é apenas uma questão de conscientização, mas também de oferecer condições práticas para que elas possam realizar o procedimento com segurança e regularidade.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O enfermeiro, sem dúvida, exerce um protagonismo no cuidado e, principalmente, na prevenção do câncer do colo do útero, que abrangem a coleta do material para a execução do exame citopatológico, consultas de enfermagem oncológica, mas principalmente o desenvolvimento de ações educativas em saúde, como orientação sobre o uso de preservativos e a importância da imunização, contribuindo para o esclarecimento e troca de experiências frente às desinformações, medos, constrangimentos e estigmas das usuárias, sempre buscando orientá-las da melhor maneira durante o todo o tratamento. As ações de educação em saúde possibilitam a construção compartilhada de conhecimento e experiências individuais e coletivas, e vão além do cuidado mecânico/fragmentado, mas estabelecem vínculos entre a comunidade, sua realidade concreta e os profissionais enfermeiros, a partir do fomento de um agir transformador.
REFERÊNCIAS
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¹Universidade Federal do Pará (UFPA), Belém – PA. E-mail: daniellabastos.g2@gmail.com;
²Universidade da Amazônia (UNAMA), Belém – PA.