MANIFESTAÇÕES EXTRAINTESTINAIS E O DESAFIO DIAGNÓSTICO DA DOENÇA CELÍACA EM PEDIATRIA: UMA REVISÃO SISTEMÁTICA

EXTRAINTESTINAL MANIFESTATIONS AND THE DIAGNOSTIC CHALLENGE OF CELIAC DISEASE IN PEDIATRICS

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/dt10202512090812


Vânia Gameiro de Carvalho1
Beatriz Manarin de Souza2
Paula Gameiro Colenghi Stival3
Rafaella Votta Oliveira4


RESUMO  

A Doença Celíaca (DC) é uma doença autoimune desencadeada pela ingestão de  glúten em indivíduos geneticamente predispostos, com consequente lesão da mucosa  do intestino delgado e resultando na atrofia das vilosidades intestinais. Apesar dos  avanços no entendimento da DC, o diagnóstico precoce ainda é desafiador devido à  diversidade de suas manifestações clínicas, que incluem sintomas intestinais e  extraintestinais menos reconhecidos. Este trabalho teve como objetivo investigar as  manifestações atípicas da DC e os desafios relacionados ao diagnóstico precoce.  Para isso, foi realizada uma revisão da literatura existente, focando em estudos que  abordam as manifestações não convencionais e as dificuldades diagnósticas  associadas. A metodologia incluiu a análise crítica de artigos científicos, revisões e  estudos de caso relevantes. A pesquisa revelou que, além dos sintomas clássicos, a  DC pode se manifestar de formas não típicas, o que frequentemente resulta em  diagnósticos tardios e compromete a qualidade de vida dos pacientes. A conclusão  destaca a importância de uma abordagem mais abrangente no diagnóstico da DC  para melhorar a prática clínica e a qualidade de vida dos indivíduos portadores da  doença, sugerindo a necessidade de maior conscientização e formação contínua para  os profissionais de saúde. 

Palavras-chave: Doença Celíaca. Diagnóstico. Manifestações Atípicas.

ABSTRACT  

Celiac Disease (CD) is an autoimmune disease triggered by the ingestion of gluten in  genetically predisposed individuals, with consequent damage to the mucosa of the  small intestine and resulting in atrophy of the intestinal villi. Despite advances in the  understanding of CD, early diagnosis remains challenging due to the diversity of its  clinical manifestations, which include less recognized intestinal and extraintestinal  symptoms. This work aimed to investigate the atypical manifestations of CD and the  challenges related to early diagnosis. To this end, a review of the existing literature  was carried out, focusing on studies that address unconventional manifestations and  the associated diagnostic difficulties. The methodology included critical analysis of  scientific articles, reviews and relevant case studies. The research revealed that, in  addition to the classic symptoms, CD can manifest itself in non-typical ways, which  often results in late diagnoses and compromises patients’ quality of life. The  conclusion highlights the importance of a more comprehensive approach to the  diagnosis of CD to improve clinical practice and the quality of life of individuals with  the disease, suggesting the need for greater awareness and ongoing training for  health professionals. 

Keywords: Celiac Disease. Diagnosis. Atypical Manifestations 

1. INTRODUÇÃO  

A doença celíaca (DC) é considerada uma doença sistêmica crônica e  imunomediada. A doença é desencadeada pela exposição ao glúten na dieta em  pacientes suscetíveis. O quadro clínico é polimórfico, caracterizado por vários  sintomas/sinais intestinais como diarreia, constipação, distensão abdominal, vômitos  e dor abdominal, e extraintestinais, ou pela ausência de qualquer sintoma (Altay;  Doğan, 2022; Hasbaoui,, 2022). 

A presença de manifestações extraintestinais têm se tornado cada vez  mais evidentes nos últimos anos. Muitos pacientes sintomáticos com diagnóstico de DC apresentam inicialmente manifestações extraintestinais. Esses achados podem  incluir baixa estatura, puberdade tardia, anemia por deficiência de ferro,  osteopenia/osteoporose, defeitos do esmalte dentário, elevação de enzimas  hepáticas, infertilidade, artropatia e problemas neurológicos (Altay; Doğan, 2022;  (Saadah, 2020). 

A DC é uma das entidades mais importantes do amplo espectro de  distúrbios relacionados ao glúten (DRG) e é, hoje, considerada o resultado de uma  complexa interação entre fatores intrínsecos e extrínsecos. Em contraste com a  maioria dos outros distúrbios do sistema imunológico, o gatilho (gliadina), uma estreita  associação genética (antígeno leucocitário humano [HLA]-DQ2 ou HLA-DQ8) e o  autoantígeno específico (transglutaminase tecidual-tTG) são bem conhecidos nessa  enfermidade. O principal alvo desta resposta autoimune é a mucosa proximal do  intestino delgado (Hasbaoui et al., 2022; Sabino et al., 2020).  

Em todo o mundo, a prevalência da doença é de cerca de 1%, afetando  duas vezes mais as mulheres que os homens, mesmo que ainda permaneça não  detectada em grande fatia de pacientes correspondendo ao ‘iceberg celíaco’ com uma  proporção de 1:3 – 5 entre casos conhecidos e não diagnosticados (Sabino et al.,  2020; Muhammad II et al., 2022). 

A DC pode se apresentar em qualquer idade, mas normalmente  demonstra dois picos distintos de incidência: o pico inicial ocorre nos primeiros dois  anos de vida, após a exposição ao glúten, enquanto o segundo pico surge entre a  segunda e terceira décadas. A má absorção é a apresentação típica na primeira  infância, enquanto as crianças mais velhas podem apresentar sintomas extra intestinais. A detecção precoce de casos pediátricos é imperativa, não apenas para  resultados favoráveis a longo prazo, mas também para garantir a adesão estrita a  uma dieta sem glúten para um manejo terapêutico eficaz (Perilli et al., 2024;  Muhammad II et al., 2022). 

O diagnóstico de DC é mais fácil quando na presença de sintomas  gastrointestinais do que quando na presença de sintomas extraintestinais. Os critérios  diagnósticos foram recentemente revisados, mas os dois elementos mais relevantes  continuam sendo a dosagem de autoanticorpos específicos e a biópsia do intestino delgado. Os anticorpos anti-transglutaminase tecidual e os anticorpos anti-endomísio  da classe IgA apresentam a maior precisão diagnóstica para a doença celíaca, com  uma sensibilidade muito elevada (até 98%) e especificidade de 90 a 99% (Altay;  Doğan, 2022; Hasbaoui et al., 2022). 

A biópsia do intestino delgado pode revelar diferentes graus de dano à  mucosa, variando de mucosa plana à lesões intestinais leves, além disso, atrofia das  vilosidades e hiperplasia das criptas também podem ser visualizadas. No entanto,  importante ressaltar que a Sociedade Europeia de Gastroenterologia Pediátrica,  Hepatologia e Nutrição (ESPGHAN) propôs recentemente que o diagnóstico de  doença celíaca pode ser aceito sem a necessidade de biópsia duodenal em casos  selecionados que mostram anticorpos antitransglutaminase com títulos elevados  (maior que dez vezes o limite superior da normalidade), confirmados por anticorpos  antiendomísio aumentados em um teste subsequente com ou sem e positividade para  HLA-DQ2 e/ou -DQ8 (Hasbaoui et al., 2022). 

Atualmente, o único tratamento eficaz é uma dieta sem glúten durante  toda a vida. A dieta, quando seguida rigorosamente, leva a melhorias nos sintomas,  normalização dos testes bioquímicos e melhora na qualidade de vida. No entanto, em  alguns casos pode ser necessário mais do que a dieta, como por exemplo pacientes  com anemia podem necessitar de suplementação de ferro ou outros nutrientes como  vitamina D e cálcio. A retirada do glúten da dieta também é eficaz para a melhora dos  sintomas extraintestinais (Sahin et al., 2021; Kumar; Rustogi, 2024).  

2. OBJETIVO  

Este estudo tem como objetivo revisar na literatura as diversas  manifestações extraintestinais causadas pela doença celíaca na população pediátrica  e sua importância para o diagnóstico e tratamento precoce da doença, a fim de  prevenir complicações e melhorar a qualidade de vida dos pacientes. 

3. METODOLOGIA 

Foi realizada uma revisão narrativa da literatura a respeito da Doença  Celíaca em crianças com ênfase nas suas manifestações extraintestinais. As bases  de dados selecionadas foram: PubMed (National Center for Biotechnology  Information), LILACS (Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da  Saúde) e SciELO (Scientific Eletronic Library Online). O acesso livre se incluiu na  seleção dos artigos. Para a busca dos artigos, foram utilizados os seguintes  descritores controlados: criança e pediatria e as palavras-chave: doença celíaca e  manifestações atípicas ou extra intestinais nas suas combinações em português,  inglês e espanhol, conjuntamente, com os operadores booleanos AND e OR. 

Delimitou-se os artigos que contemplavam as palavras chaves  publicados nos últimos 5 anos (2019-2024), nos idiomas inglês, português e espanhol.  As combinações realizadas evidenciaram mais de 150 resultados. Inicialmente,  artigos que abordavam somente a doença celíaca ou que enfatizavam a doença em  adultos, e aqueles com enfoque nas dietas isentas de glúten foram excluídos. Artigos  duplicados também foram descartados. Essa primeira filtragem totalizou 35 artigos.  Foram também selecionados poucos artigos de revisão da doença Celíaca em  crianças de caráter estritamente atual (2022 – 2024), a fim de elucidar as bases  teóricas da doença Celíaca, tais como apontar as definições de outras formas de  manifestações clínicas, diagnóstico sorológico e histopatologia; tratamento e  complicações. Nesse sentido, deu-se preferência aos artigos de revisão, assim como  aos artigos com pontos ainda inéditos, principalmente, no âmbito de diagnóstico e  diagnósticos diferenciais. Assim, por meio de uma leitura crítica, optou-se por selecionar 40 artigos para essa presente revisão. Os autores dos artigos citados  foram corretamente referenciados, visando respeitar as recomendações éticas e os  direitos autorais dos mesmos. 

4. DESENVOLVIMENTO  

MANIFESTAÇÕES HEMATOLÓGICAS  

Diante das manifestações extraintestinais da doença celíaca, as  alterações hematológicas possuem uma frequência alta de 84% segundo (Vasile  Balaban et al., 2019), porém é necessário uma significativa suspeita diagnóstica para associá-las à patologia. A principal é a anemia, mais comumente por deficiência de  ferro, presente em 3 a 16% das crianças e adolescentes que participaram do estudo  de Kumar; Rustogi (2023). Essa alteração ocorre muitas vezes devido à má absorção  causada pela lesão da mucosa do trato gastrointestinal presente na DC (Vasile  Balaban et al., 2019), motivo pelo qual outras deficiências também podem estar  presentes, como a deficiência de folato e de vitamina B12 levando à anemia  macrocítica. Apesar disso, o estudo de Vasile Balaban et al. (2019) também relata a  ocorrência da anemia em pacientes com sorologia positiva antes mesmo do  aparecimento da atrofia duodenal. Nesses casos, Martín-Masot et al. (2019)  evidenciou que a presença do genótipo DMT-1 IVS4+44-AA correlaciona-se com risco  quatro vezes maior de desenvolver anemia apesar do grau de atrofia. Tais fatos  corroboram com a indicação de triagem sorológica, também citado por Vasile Balaban  et al. (2019), e início precoce de dieta isenta de glúten (DIG) para pacientes com este  quadro e suspeição do diagnóstico de DC, principalmente se a anemia por deficiência  de ferro for refratária (Martín-Masot et al., 2019; Vasile Balaban et al., 2019). 

Além disso, também são citadas por Vasile Balaban et al. (2019)  alterações plaquetárias (trombocitopenia/trombocitose), eventos hemorrágicos ou  trombóticos, hipoesplenismo e linfoma. A própria doença celíaca predispõe ao  desenvolvimento de doenças malignas e o risco de linfoma estaria aumentado em  pacientes com DC refratária e atrofia persistente, porém o risco absoluto permanece  baixo segundo Vasile Balaban et al. (2019): em 10 anos, 7 em cada 1.000 pacientes  desenvolvem a doença e 10 em 1.000 se atrofia persistente. Sobre os acontecimentos  hemorrágicos, há relatos de casos que descrevem sobre hemorragias, desde  digestivas até alveolares, e correlacionam tais alterações a deficiências de vitamina  K e a semelhança entre o fator XIII e a transglutaminase tecidual. Ademais, depósitos  de anticorpos no baço levam ao desenvolvimento do hipoesplenismo, condição que  contribui para a suscetibilidade a infecções, tornando esses pacientes ainda mais  vulneráveis (Vasile Balaban et al., 2019). 

MANIFESTAÇÕES NEUROLÓGICAS  

É bem sabido que a manifestação neurológica pode estar presente no  início da DC ou aparecer durante o desenvolvimento da patologia, e os achados  neurológicos podem ser diferentes. Os sinais neurológicos mais frequentes relatados são cefaleia, crises epilépticas, enxaqueca, retardo mental, ataxia (sugerindo  envolvimento do cerebelo) e déficit de atenção e transtorno hiperativo. A cefaleia, seja  na forma de enxaqueca ou na forma inespecífica, representa uma das principais  apresentações clínicas da DC (Sabino et al., 2020). Pesquisas recentes indicam uma  correlação entre a doença celíaca e o aumento da suscetibilidade a dores de cabeça,  especialmente enxaquecas (Perilli et al., 2024; Sabino et al., 2020). 

Quanto à prevalência das manifestações neurológicas, estima-se que  seja em torno de 26% dos pacientes adultos, enquanto sua prevalência na idade  pediátrica ainda não está bem definida, mas presumivelmente menos frequente que  a dos adultos (Sabino et al., 2020). Em Perilli et al. (2024), os autores apontaram a  cefaleia como o distúrbio neurológico mais prevalente em pacientes com DC,  compreendendo predominantemente enxaquecas, seguida por cefaleias tensionais  psicogênicas (Perilli et al., 2024; Sabino et al., 2020). 

No que diz respeito à cefaleia, alguns mecanismos principais têm sido  supostos, dentre eles pode-se destacar a deficiência de vitaminas e de outros  nutrientes como o magnésio resultante da má absorção em pacientes celíacos e,  associado a isso, um desequilíbrio imunológico que envolve o sistema nervoso com  uma predominância de citocinas e quimiocinas pró-inflamatórias, sendo que esta  tempestade inflamatória contribui para alterar a integridade da barreira  hematoencefálica, permitindo que as citocinas induzidas pelo glúten se infiltrem no  parênquima cerebral, desencadeando dores de cabeça através de vias  neuroinflamatórias. Outro aspecto comum da doença celíaca e a presença de cefaleia  é a conhecida associação entre disbiose e o eixo intestino-cérebro (Perilli et al., 2024;  Sabino et al., 2020). 

A dieta sem glúten é a única terapia conhecida para pacientes com  doença celíaca. A adesão absoluta resulta na negativação do nível de autoanticorpos  e no desaparecimento de sintomas extras e gastrointestinais. Dessa forma, uma  adesão à dieta livre de glúten parece melhorar ou, em alguns casos, resolver  completamente os distúrbios de cefaleia (Perilli et al., 2024; Sabino et al., 2020).  

As patologias neuropsiquiátricas relacionadas com a doença celíaca  também podem estar presentes, inclusive como primeira e única manifestação. 

Destaca-se a epilepsia, cefaleia e neuropatia periférica, com prevalências de 4-8%,  26,7% e 11,3% segundo Nagarajappa; Mahathi Chavali; Mylavarapu (2023) e Niknam  (2021), além de transtorno do espectro autista (TEA), transtorno de déficit de atenção  e hiperatividade (TDAH), transtornos de humor, psicóticos e alimentares (Clappison;  Hadjivassiliou; Zis, 2020; Mascarenhas Couto, 2021; Nagarajappa ; Mahathi Chavali;  Mylavarapu, 2023; Niknam, 2021). Como teorias para a causa dessas alterações  encontra-se o envolvimento da autoimunidade e a inflamação características da  doença; calcificações no cérebro associadas a genes da DC; e estudos sobre a  relação intestino-cérebro, na qual as alterações na barreira intestinal favorecem o  mau funcionamento do sistema nervoso central, associado a menor absorção de  alguns nutrientes como vitamina B12 e ácido fólico (Clappison; Hadjivassiliou; Zis,  2020; Mascarenhas Couto, 2021; Nagarajappa ; Mahathi Chavali; Mylavarapu, 2023;  Niknam, 2021). O estudo Nagarajappa; Mahathi Chavali; Mylavarapu (2023) também  encontrou evidências do envolvimento de tipos histológicos mais graves da DC com  alterações neurológicas, sendo que a dieta isenta de glúten melhorou tanto os  sintomas como as alterações anátomo-histológicas da doença. Em contrapartida, não  observou essa relação com o grau histológico, porém citou a relação direta entre a  presença de sintomas gastrointestinais e manifestações neurológicas (Niknam,  2021). 

Diferentemente das manifestações neurológicas, mais bem  estabelecidas pela literatura, as psiquiátricas, como TEA, TDAH e transtornos de  humor, são controversas e de prevalência menor: respectivamente 1,3, 0,3-1,4 e 0,2- 3,7% segundo Clappison; Hadjivassiliou; Zis (2020). Observa-se que poucos artigos  evidenciam associação estatisticamente significativa entre esses transtornos e a DC  (Clappison; Hadjivassiliou; Zis, 2020; Nagarajappa ; Mahathi Chavali; Mylavarapu,  2023) e que são diagnósticos difíceis de serem realizados na população pediátrica,  sendo, muitas vezes, tardio. Além disso, a própria DIG contribui para distúrbios de  humor e alimentares, principalmente, ao carregar consigo diversas implicações  sociais, como isolamento social, risco de contaminação, assim como a necessidade  de explicar o diagnóstico para terceiros. Apesar disso, observa-se escassez na  literatura de estudos mais aprofundados e com maiores amostragens a respeito do  assunto, principalmente para que se possa afirmar a indicação de testes de triagem para esses pacientes (Clappison; Hadjivassiliou; Zis, 2020; Mascarenhas Couto,  2021). 

MANIFESTAÇÕES OSTEOARTICULARES  

Outro sistema que merece destaque por manifestações extraintestinais  na DC é o osteoarticular, com um aumento na prevalência de doenças autoimunes  que, segundo Luiza Altaffer; Weiss (2023), tem um risco cumulativo de 8,1% +/- 1%  em pacientes com DC aos 15 anos. Também nesse estudo, houve predomínio da  doença celíaca em pacientes pediátricos com artrite idiopática juvenil. Além dessa  condição, também parece haver uma forte relação de artrite reumatoide com a DC,  mas de forma ainda não bem elucidada pelos estudos. Porém, diferente das  manifestações neurológicas, muitas crianças com essas manifestações necessitaram  de tratamento sistêmico além da DIG para a resolução dos sintomas osteoarticulares,  sendo que, após a melhora clínica, algumas conseguem suspender este tratamento  adicional. Apesar do aumento na prevalência desses achados, o estudo de Luiza  Altaffer; Weiss (2023) não recomenda testes de triagem da DC em pacientes com  artrite se não apresentarem sintomas intestinais característicos da doença, mas, sim, se atentar às queixas reumatológicas no momento do atendimento médico devido à  queixas intestinais. 

As manifestações ósseas da doença celíaca são resultantes da má  absorção de nutrientes, dentre eles destacando o cálcio e a vitamina D, com  consequentes patologias ósseas e diminuição na densidade mineral óssea  (Ahmadipour et al., 2023). 

A osteoporose é uma manifestação comum da doença celíaca, porém  geralmente de diagnóstico tardio evidenciado através da presença de fraturas  osteoporóticas. Como o mecanismo fisiopatológico permanece incerto, propõe-se que  diante do diagnóstico estabelecido de doença celíaca seja realizada uma avaliação  da densidade mineral óssea. Considerando a má absorção de nutrientes ocasionada  pela doença celíaca, os autores sugerem que diante de um paciente com  osteoporose sem causa aparente, deve-se realizar testes sorológicos para a doença  celíaca (Ahmadipour et al., 2023).

Estima-se que a prevalência da osteoporose nos celíacos seja em torno  de 70%. O diagnóstico precoce e o início do tratamento com a dieta isenta de glúten  associada a suplementação de cálcio e vitamina D podem resultar em uma menor  taxa de fraturas osteoporóticas no futuro (Mohsen Dehghani et al., 2022).  

MANIFESTAÇÕES CUTÂNEAS 

As manifestações cutâneas podem ser o único sinal de uma doença  autoimune, incluindo a doença celíaca. Diante da presença de manifestações  cutâneas associadas a manifestações gastrointestinais ou sinais sugestivos de uma  síndrome de má absorção de nutrientes, deve-se iniciar uma investigação de doença  celíaca. Nesse mesmo estudo, foi constatado por dados epidemiológicos que  pacientes com doença celíaca tendem a apresentar um risco aumentado para  múltiplas doenças cutâneas em comparação com a população em geral. A instalação  de lesões de pele pode ser explicada pela alteração da permeabilidade intestinal,  acarretando uma exposição de antígenos exógenos ao sistema imune, gerando  alterações vasculares e danos cutâneos e intestinais (Ancona et al., 2024). 

A Dermatite herpetiforme é uma doença cutânea crônica, classicamente  desencadeada pela ingesta de glúten. É caracterizada pela presença de lesões  papulovesiculares e placas urticariformes pruriginosas, acometendo principalmente  superfícies extensoras. É a manifestação cutânea da DC com maior  representatividade e pode estar associada à ausência da sintomatologia clássica da  doença. O tratamento com DIG mostrou melhora significativa em um período de 6  meses nos pacientes. Para confirmar a ligação da doença celíaca com a dermatite  herpetiforme é necessário a triagem sorológica e biópsia de pele compatível  (Persechino, 2021).  

A psoríase é uma doença inflamatória crônica caracterizada pela  presença de placas eritematosas típicas escamosas com curso variando entre  recidivas e remitências. Sua relação com a doença celíaca não é totalmente  esclarecida, e de acordo com as diretrizes atuais, a presença de psoríase não indica  triagem obrigatória para pesquisa de doença celíaca. Alguns estudos demonstrados  (Persechino, 2021) relatam uma possível melhora dos sintomas após a associação  da dieta isenta de glúten no tratamento. Porém para melhores elucidações, são necessários estudos mais aprofundados. Nesse mesmo trabalho, os autores relatam  que a alopecia areata não pode ser correlacionada com a doença celíaca pois suas  lesões apresentam um caráter de remissão espontânea, levando a dificuldade de  avaliação da ação da DIG no tratamento. São necessários estudos mais amplos e  bem conduzidos para confirmar essa relação (Persechino, 2021). 

A associação da urticária crônica com a doença celíaca não foi  totalmente elucidada, porém destaca-se que a passagem de antígenos pela barreira  intestinal levam a formação de imunocomplexos que podem depositar na pele  gerando lesões urticariformes (Persechino, 2021). Portanto o reparo desta barreira  resulta na resolução dessa manifestação. A dermatite atópica e o edema  angioneurótico são manifestações não tão comuns relacionadas à doença celíaca.  Há poucos relatos de investigação sobre essas correlações, além de apresentarem  resultados controversos (Persechino, 2021). 

Algumas outras manifestações de pele eventualmente podem estar  relacionadas à doença celíaca, e que porventura se beneficiam da DIG, são a  vasculite alérgica crônica, vitiligo, lúpus eritematoso sistêmico, doença de Behçet,  dermatomiosite, eritema nodoso, dermatose violenta por IgA linear, pitiríase  liquenóide, porfiria, ictiose, morféia, eritrodermia, candidíase mucocutânea crônica,  lipodistrofia centrífuga abdominal infantil, aftose estomatosa. Porém não existem  evidências rigorosas e análise populacional significativa para corroborar com as  hipóteses elencadas (Persechino, 2021).  

MANIFESTAÇÕES CARDÍACAS 

Recentemente, Milutinovic et al. (2024) descreve em sua revisão  sistemática a possibilidade da associação da cardiomiopatia com a doença celíaca,  com 28 pacientes portadores, sendo 9 da faixa etária pediátrica. A explicação  fisiopatológica dessa associação ainda não é totalmente compreendida, mas acredita se que a má absorção de nutrientes associado a um estado inflamatório crônico,  levam a um estado de anemia, coagulopatia e trombose, as quais podem resultar na  cardiomiopatia e consequentemente a insuficiência cardíaca. A progressão para  insuficiência cardíaca está associada à deficiência de nutrientes, sendo esse o  principal fator em comum com a doença celíaca. Com isso, a instalação da cardiomiopatia e da insuficiência cardíaca podem corroborar com a congestão venosa  e edema intestinal, agravando a má absorção dos nutrientes, levando a um possível  ciclo vicioso (Milutinovic et al., 2024). 

Para o diagnóstico etiológico da cardiomiopatia celíaca, é necessária  biópsia endomisial. O tratamento com DIG pode auxiliar na saúde cardiovascular em  geral, porém não há evidências claras sobre seu papel na reversão da cardiomiopatia  (Milutinovic et al., 2024).  

Todavia, a revisão apresenta limitações em relação ao tamanho da  amostra e risco de perda de qualidade devido ao não acompanhamento longitudinal  (Milutinovic et al., 2024).  

MANIFESTAÇÕES HEPÁTICAS  

As manifestações hepáticas são manifestações extraintestinais comuns  em pacientes com doença celíaca e variam desde elevação assintomática dos níveis  de aminotransferase até hepatite autoimune, doença hepática gordurosa não  alcoólica e doença hepática colestática. Desse modo, as anormalidades hepáticas  variam desde lesão hepática leve à doença hepática grave (Altay; Doğan, 2022;  Hasbaoui et al., 2022). 

O envolvimento hepático na DC é geralmente leve e reversível. Contudo,  a insuficiência hepática pode raramente desenvolver-se em doentes com  envolvimento hepático (Altay; Doğan, 2022; Hasbaoui et al., 2022). 

A elevação dos níveis de aminotransferases é a manifestação hepática  mais comum da DC, com prevalência que varia entre 15% e 61%, sendo a maior  prevalência observada em crianças. A hipertransaminasemia isolada, com alterações  histológicas leves ou inespecíficas na biópsia hepática, é conhecida também como  “hepatite celíaca”, sendo que a elevação dos níveis de aminotransferase é  diretamente proporcional ao dano à mucosa duodenal, à má absorção e à elevação  da transglutaminase tecidual sérica (tTG) (Altay; Doğan, 2022; (Hasbaoui et al., 2022). 

Os níveis séricos de aspartato aminotransferase e/ou alanina  aminotransferase estão, na maioria das vezes, elevados em graus leves a moderados, ou seja, menos de 5 vezes o limite superior da normalidade (Hasbaoui et  al., 2022). Vários estudos demonstram que a DC é presente em 9% dos pacientes  com hipertransaminasemia crônica e inexplicável (Altay; Doğan, 2022). 

Além disso, foi demonstrado que a DC está associada a doenças  hepáticas autoimunes, como hepatite autoimune, colangite esclerosante primária e  cirrose biliar primária. Essa associação pode ser explicada pelo fato que a região de  classe II do HLA (antígeno leucocitário humano) no cromossomo 6 é responsável pela  DC e, simultaneamente, pela doença hepática autoimune, o que faz com que ambas  possam muito provavelmente coexistir (Altay; Doğan, 2022). 

Embora a patogênese da lesão hepática seja pouco compreendida na  DC, acredita-se que a modificação da permeabilidade intestinal, alterações na  microbiota intestinal, inflamação intestinal crônica e predisposição genética possam  contribuir para a lesão hepática. A permeabilidade intestinal está aumentada na  doença celíaca; isso está relacionado à inflamação do intestino ou à indução da  secreção de zonulina, um regulador das junções oclusivas. O aumento da  permeabilidade facilita e acelera a passagem de toxinas, antígenos e substâncias  inflamatórias (citocinas e/ou autoanticorpos) para a circulação portal, resultando em  danos hepáticos mediados por essas substâncias. Além disso, três quartos do  fornecimento de sangue ao fígado provém do intestino delgado, sendo assim, o fígado  está altamente exposto à substâncias tóxicas de origem intestinal (Altay; Doğan,  2022; Hasbaoui et al., 2022). 

Em relação aos exames de imagem, os achados ultrassonográficos  variam de ecotextura hepática normal a grosseira/heterogênea, dependendo do grau  de lesão hepática (Hasbaoui et al., 2022). 

Os achados histológicos em pacientes com doença celíaca e lesão  hepática para os quais foi realizada uma biópsia hepática incluem comumente  inflamação periportal, obstrução do ducto biliar, hiperplasia de células de Kupffer,  infiltração de células mononucleares no parênquima, esteatose e fibrose leve. Fibrose  extensa e cirrose também foram relatadas. No entanto, é importante enfatizar que a  biópsia hepática de rotina não está indicada, podendo se fazer útil quando na coexistência de doença hepática específica ou quando há falta de resposta à dieta  (Hasbaoui et al., 2022). 

Em relação ao tratamento das alterações hepáticas relacionadas à DC,  uma dieta ISENTA glúten leva à normalização das transaminases séricas e alterações  histológicas hepáticas em 75% a 95% dos pacientes, geralmente dentro de  aproximadamente um ano de boa adesão. Nos pacientes com elevações persistentes  das enzimas hepáticas, apesar da boa adesão à exclusão do glúten, uma etiologia  alternativa deve ser investigada (Hasbaoui et al., 2022). 

O diagnóstico precoce e o tratamento oportuno da doença hepática  relacionada à DC são importantes em termos de prognóstico. A prevalência da  doença celíaca em pacientes com hipertransaminasemia inexplicável é de 10%, o que  justifica o rastreio da doença celíaca em todos os pacientes com resultados anormais  e inexplicados nos testes bioquímicos hepáticos, independentemente da existência  de sintomas gastrointestinais (Hasbaoui et al., 2022). Dessa maneira, as crianças com  resultados anormais nos testes hepáticos devem ser rastreadas para DC e vice-versa  (Altay; Doğan, 2022). 

MANIFESTAÇÕES ENDÓCRINAS 

A baixa estatura é uma das manifestações extraintestinais mais comuns  da doença celíaca pediátrica (Altay; Doğan, 2022), sendo considerada o segunda  manifestação extraintestinal mais frequente depois da anemia por deficiência de ferro  (Saadah, 2020). Algumas crianças podem ter baixa estatura como única manifestação  da DC, sem apresentar quaisquer sintomas gastrointestinais (Qutub, 2020).  

Por definição, a baixa estatura é definida pela presença de estatura  menor ou igual a 2 desvios padrões da média para idade e sexo ou altura abaixo do  percentil três para idade e sexo. A baixa estatura pode ser o resultado de variantes  normais de crescimento, por exemplo familiar ou constitucional ou pode ser o  resultado de distúrbios sistêmicos crônicos como a doença celíaca (Muhammad II et  al., 2022). 

Segundo Muhammad II et al. (2022), em crianças de baixa estatura sem  sinais gastrointestinais, a prevalência da doença celíaca gira em torno de 2-8%. Ao excluir as causas endócrinas da baixa estatura, a prevalência da doença celíaca  aumenta até 59%. 

A má absorção de nutrientes e a desregulação do eixo do fator de  crescimento semelhante à insulina do hormônio do crescimento desempenham  papéis importantes na patogênese da baixa estatura (Altay; Doğan, 2022). Em alguns  pacientes com DC, foi relatada a presença de disfunção transitória do eixo de  crescimento endócrino (Qutub, 2020), resultando em uma alteração no sistema  circulante de IGF (fator de crescimento semelhante à insulina) causando níveis mais  baixos de IGF-1 (fator de crescimento semelhante à insulina tipo 1 ou Somatomedina  C) (Saadah, 2020). No estudo realizado por Saadah (2020) com pacientes com DC,  o autor relata uma tendência de níveis mais baixos de IGF-1 em pacientes com  sorologia positiva para DC do que em pacientes com sorologia negativa para DC.  Além disso, os autores relataram redução da secreção de GH em pacientes com DC  após estimulação farmacológica em comparação com indivíduos controle.  

Estas alterações podem ser justificadas pela presença de níveis  elevados de citocinas pró-inflamatórias circulantes em pacientes com DC. Em adição  a esses fatores, a desnutrição resultante da DC pode ter um efeito direto nos  peptídeos de glúten circulantes no cérebro, afetando o controle hipofisário e  hipotalâmico (Saadah, 2020). 

Outrossim, a presença de anticorpos circulantes contra a glândula  pituitária e o hipotálamo pode sugerir um mecanismo autoimune envolvendo a  glândula pituitária e causando hipofisite autoimune, o que contribui para o  comprometimento do crescimento corroborando com a supressão da produção de GH (Qutub, 2020; Saadah, 2020). 

A instituição de uma dieta rigorosa sem glúten por 6 a 12 meses  geralmente reverte as alterações no eixo somatotrófico, permitindo secreção e  resposta normais de GH e, posteriormente, recuperação do crescimento normal para  a criança, no entanto, em alguns casos, a disfunção do eixo do hormônio do  crescimento (GH) pode persistir apesar da boa adesão à dieta. A falta de resposta  após 12 meses de uma dieta isenta de glúten rigorosa levanta a possibilidade de um diagnóstico combinado de deficiência de hormônio do crescimento e CD genuínos (Qutub, 2020; Saadah, 2020). 

Importante ressaltar que a doença celíaca é uma condição tratável,  portanto, com um diagnóstico precoce, podemos tratar a baixa estatura no momento  adequado. Devido à alta incidência da doença e ao seu efeito desfavorável no  crescimento, a doença não pode ser esquecida pelos profissionais de saúde quando  diante dos procedimentos de triagem de crescimento na infância (Muhammad II et al.,  2022; Harju et al., 2022). 

MANIFESTAÇÕES ORAIS E DENTÁRIAS  

A saúde oral pode ser influenciada por diversas patologias sistêmicas,  principalmente as que tem em sua fisiopatologia um caráter inflamatório crônico ou  alterações do sistema imune, como por exemplo a doença celíaca (Saverio  Ludovichetti et al., 2022). 

De acordo com Elbek-Cubukcu; Aysegul Arsoy; Ozkaya (2023), dentre  as manifestações orais predominantemente encontradas na doença celíaca, além das  dentárias, destacam-se as úlceras aftosas recorrentes e má higiene bucal. As úlceras  aftosas recorrentes são caracterizadas pela presença de úlceras pequenas,  redondas/ovoides recorrentes, com margens circunscritas, halos eritematosos e  fundo amarelo ou cinza. Sendo comumente encontrada em pacientes com síndromes  de má absorção intestinal e imunodeficientes.  

Quando a presença de úlceras aftosas se encontra associada a defeitos  do esmalte dentário, pode-se inferir a necessidade de uma investigação para doença  celíaca e, se confirmado o diagnóstico, instituir a DIG.  

Em paralelo com a odontologia, existem também as manifestações  extraintestinais do dente, mais especificamente do esmalte dentário, sua quantidade  (hipoplasia) e qualidade (hipomineralização), com um acometimento de 9-14% em  crianças e adolescentes do estudo Kumar; Rustogi (2023) e chegando a mais de 80%  a nível mundial segundo Gassino (2022).

Esses defeitos se apresentam mais comumente diante da forma  clássica da DC e ocorrem principalmente em dentes permanentes (20 a 77% em  comparação com 23 a 52% na dentição decídua), provavelmente induzidos pela  exposição ao glúten (Gassino , 2022).  

A etiopatogenia das alterações dentárias ainda não muito bem  estabelecidas pela literatura, porém ocorrem provavelmente por associação das  alterações autoimunes, genéticas e deficiência nutricional, nesse caso do cálcio. A  partir disso, as mudanças podem ocorrer na cor, opacidade e translucidez do dente,  sendo essencial para o médico a avaliação da arcada dentária dos pacientes  suspeitos e diagnosticados com doença celíaca, visto que essas alterações podem  resultar em defeitos na sensibilidade e oclusão dentária (mastigação). Outras  manifestações encontradas em estudos são a erupção dentária tardia, provavelmente  associadas à perda de peso e menor crescimento das crianças com DC; e lesões de  cárie dentária, possivelmente envolvidas com as alterações do esmalte somado às  restrições alimentares necessárias para o tratamento da doença celíaca (Gassino,  2022). 

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS 

Esse estudo sobre a Doença Celíaca (DC) evidencia a complexidade e  os desafios associados ao diagnóstico e manejo dessa condição autoimune. Ao longo  da pesquisa, foi possível identificar que, além dos sintomas intestinais clássicos, a  DC pode se manifestar por meio de uma ampla gama de sintomas extraintestinais, o  que contribui para o diagnóstico tardio e inadequado. 

A doença celíaca pode apresentar manifestações tão variadas quanto  dermatológicas, neurológicas, psiquiátricas e metabólicas. Essas manifestações,  frequentemente menos reconhecidas, dificultam a identificação precoce da DC e  frequentemente levam a diagnósticos incorretos ou tardios. A adesão rigorosa à dieta  sem glúten (GFD) para o manejo da doença é crucial e, em geral, resolve as  manifestações extraintestinais. 

Discussões à luz da literatura destacam que o diagnóstico da DC é  particularmente desafiador devido à sua apresentação clínica variada e  frequentemente inespecífica. Embora os testes sorológicos disponíveis sejam  sensíveis e específicos, a variabilidade dos sintomas e a ausência de um padrão  clínico único dificultam a detecção precoce e a triagem eficaz. O reconhecimento de  manifestações extraintestinais e a integração de múltiplas disciplinas na abordagem  diagnóstica são essenciais para melhorar a precisão do diagnóstico e a gestão da  DC. 

As limitações do estudo incluem a dificuldade em capturar a totalidade  das manifestações clínicas da DC, dado o caráter heterogêneo da doença e a  diversidade das fontes de dados analisadas. Considerando o impacto significativo da  DC sobre a saúde e o bem-estar dos indivíduos, é evidente que há uma necessidade  contínua de aprimorar as abordagens diagnósticas e terapêuticas. As futuras  pesquisas devem abordar as lacunas identificadas, como a falta de consenso sobre  as melhores práticas de triagem e a necessidade de maior apoio para a adesão à  dieta. A mobilização de recursos para a educação e a conscientização sobre a DC  pode facilitar uma detecção mais precoce e eficaz, promovendo uma melhor gestão  da condição e, consequentemente, um impacto positivo na saúde pública. 

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1Vânia Gameiro de Carvalho: Médica pela Universidade Federal do Triângulo Mineiro – UFTM e  Mestre em Pediatria pela Universidade de São Paulo de Ribeirão Preto

2Médica pelo Centro Universitário Municipal de Franca – Uni-FACEF

3Médica pelo Centro Universitário Municipal de Franca – Uni-FACEF

4Médica  pelo Centro Universitário Municipal de Franca – Uni-FACEF