MANEJO DA HIPERTENSÃO ARTERIAL RESISTENTE: UMA REVISÃO INTEGRATIVA DE LITERATURA 

MANAGEMENT OF RESISTANT ARTERIAL HYPERTENSION: AN INTEGRATIVE LITERATURE REVIEW 

TRATAMIENTO DE LA HIPERTENSIÓN ARTERIAL RESISTENTE: REVISIÓN BIBLIOGRÁFICA INTEGRADORA

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/dt10202601152153


Leandro Flores da Mota1
Rafael Flores da Mota2


RESUMO 

Introdução: A hipertensão arterial resistente (HAR) é definida como a persistência de níveis pressóricos acima  da meta individual, apesar do uso concomitante de três classes de anti-hipertensivos em doses otimizadas,  incluindo um diurético, ou o uso de quatro ou mais fármacos. Trata-se de uma condição associada a risco  elevado de eventos cardiovasculares e renais, demandando estratégias terapêuticas específicas e  atualizadas. Esta revisão de literatura teve como objetivo identificar e analisar as abordagens farmacológicas  mais eficazes atualmente recomendadas para o manejo da HAR, bem como discutir terapias emergentes em  investigação. Métodos: Foi realizada uma busca narrativa em bases científicas como PubMed, Scielo e  Google Acadêmico, utilizando descritores relacionados à hipertensão resistente e seu tratamento. Foram  incluídos artigos em inglês e português, com foco em diretrizes clínicas, ensaios controlados e metanálises  relevantes. Resultados: Foram encontrados 320 artigos. Após a retirada de duplicatas, restaram 180  trabalhos. Ao final da triagem de leitura dos títulos e resumos dos estudos, foram selecionados 19 trabalhos  para leitura na íntegra, dos quais 5 foram selecionados para compor esta revisão. Conclusão: Os achados  apontam que o tratamento inicial deve contemplar uma combinação de um IECA ou BRA, um bloqueador de  canais de cálcio e um diurético tiazídico ou similar de longa duração. Quando necessário, a adição de um  antagonista do receptor mineralocorticoide (principalmente espironolactona) constitui a quarta linha  terapêutica mais eficaz. Alternativas incluem amilorida, eplerenona, doxazosina e betabloqueadores. Novas  terapias em estudo, como a finerenona, baxdrostat e aprocitentan, demonstram potencial promissor. 

Palavras-chave: Hipertensão Arterial Resistente; Tratamento; Manejo. 

ABSTRACT

Introduction: Resistant arterial hypertension (RAH) is defined as the persistence of blood pressure levels above  the individual target, despite the concomitant use of three classes of antihypertensive drugs at optimized  doses, including a diuretic, or the use of four or more drugs. It is a condition associated with a high risk of  cardiovascular and renal events, requiring specific and up-to-date therapeutic strategies. This literature review  aimed to identify and analyze the most effective pharmacological approaches currently recommended for the  management of ARH, as well as to discuss emerging therapies under investigation. Methods: A narrative  search was carried out in scientific databases such as PubMed, Scielo and Google Scholar, using descriptors  related to resistant hypertension and its treatment. Articles in English and Portuguese were included, focusing  on clinical guidelines, controlled trials and relevant meta-analyses. Results: 320 articles were found. After  removing duplicates, 180 papers remained. After screening the titles and abstracts of the studies, 19 papers  were selected to be read in full, of which 5 were selected for this review. Conclusion: The findings indicate that  initial treatment should include a combination of an ACEI or ARB, a calcium channel blocker and a thiazide or  similar long-acting diuretic. When necessary, the addition of a mineralocorticoid receptor antagonist 

Keywords: Hypertension, Resistant; Treatment; Management. 

RESUMEN 

Introducción: La hipertensión arterial resistente (HAR) se define como la persistencia de niveles de presión  arterial superiores al objetivo individual, a pesar del uso concomitante de tres clases de antihipertensivos en  dosis optimizadas, incluido un diurético, o el uso de cuatro o más fármacos. Se trata de una enfermedad  asociada a alto riesgo de eventos cardiovasculares y renales, requiriendo estrategias terapéuticas específicas  y actualizadas. Esta revisión de la literatura tuvo como objetivo identificar y analizar los enfoques  farmacológicos más efectivos actualmente recomendados para el tratamiento de la RHTN, así como discutir  terapias emergentes bajo investigación. Métodos: Se realizó una búsqueda narrativa en bases de datos  científicas como PubMed, Scielo y Google Scholar, utilizando descriptores relacionados con la hipertensión  resistente y su tratamiento. Se incluyeron artículos en inglés y portugués, centrándose en guías clínicas,  ensayos controlados y metanálisis relevantes. Resultados: Se encontraron 320 artículos. Tras eliminar los  duplicados quedaron 180 obras. Al final de la selección de lectura de títulos y resúmenes de los estudios, se  seleccionaron 19 trabajos para lectura completa, de los cuales 5 fueron seleccionados para componer esta  revisión. Conclusión: Los hallazgos indican que el tratamiento inicial debe incluir una combinación de un  inhibidor de la ECA o un ARA II, un bloqueador de los canales de calcio y una tiazida o un diurético similar de  acción prolongada. Cuando sea necesario, la adición de un antagonista del receptor de mineralocorticoides  (principalmente espironolactona) constituye la cuarta línea de terapia más eficaz. Las alternativas incluyen  amilorida, eplerenona, doxazosina y betabloqueantes. Nuevas terapias en estudio, como finerenona,  baxdrostat y aprocidentan, demuestran un potencial prometedor. 

Palabras clave: Hipertensión, Resistente; Tratamiento; Gestión. 

INTRODUÇÃO 

A hipertensão arterial é uma condição crônica de alta prevalência em todo o mundo, representando  um dos principais fatores de risco para doenças cardiovasculares, como infarto agudo do miocárdio, acidente  vascular cerebral e insuficiência cardíaca. Embora, na maioria dos casos, os níveis pressóricos possam ser  controlados com mudanças no estilo de vida e uso de medicamentos anti-hipertensivos, uma parcela dos  pacientes não atinge o controle adequado, mesmo com múltiplas intervenções. É nesse contexto que se  insere a hipertensão arterial resistente (HAR), definida como a elevação persistente da pressão arterial apesar  do uso concomitante de, pelo menos, três classes de anti-hipertensivos em doses otimizadas, sendo um deles  preferencialmente um diurético (DYBIEC et al., 2023). 

A identificação e o manejo da HAR envolvem desafios significativos tanto para os profissionais de  saúde quanto para os sistemas de saúde. Em primeiro lugar, é necessário diferenciar a verdadeira resistência  da chamada “pseudorresistência”, que pode ser causada por fatores como má adesão ao tratamento, técnica  incorreta de aferição da pressão arterial ou efeito do jaleco branco. Portanto, antes de confirmar o diagnóstico  de HAR, é fundamental uma avaliação criteriosa que exclua esses fatores interferentes. Além disso, comorbidades como apneia obstrutiva do sono, diabetes mellitus, obesidade e doença renal crônica  frequentemente coexistem com a HAR, contribuindo para sua complexidade clínica (LAMIRAULT et al., 2020). 

Ainda que o avanço nas diretrizes e o desenvolvimento de novas classes de medicamentos tenham  ampliado as possibilidades terapêuticas, o controle da HAR continua sendo um desafio clínico. Por esse  motivo, o manejo eficaz exige uma abordagem multifatorial, que envolve desde intervenções farmacológicas  até medidas não farmacológicas, como restrição de sódio na dieta, prática regular de atividade física e controle  do peso corporal. Essas estratégias, quando implementadas de forma integrada e individualizada, podem  melhorar significativamente os desfechos clínicos e a qualidade de vida dos pacientes (JUDD et al., 2014). 

Outro aspecto que merece destaque é a importância da adesão ao tratamento, que frequentemente  é negligenciada em casos de HAR. Muitos pacientes apresentam baixa adesão medicamentosa por diversos  motivos, incluindo efeitos colaterais dos fármacos, complexidade do regime terapêutico e ausência de  sintomas aparentes da doença. Portanto, estratégias que favoreçam o engajamento do paciente, como a  educação em saúde e o acompanhamento multiprofissional, são essenciais para o sucesso terapêutico  (CHAN et al., 2023). 

Além disso, a literatura tem destacado o papel emergente de intervenções terapêuticas mais recentes,  como a denervação renal, principalmente em casos refratários às abordagens convencionais. Embora essa  técnica ainda esteja em fase de avaliação mais ampla, estudos iniciais demonstram seu potencial no controle  da pressão arterial em pacientes com HAR, especialmente aqueles com baixa resposta aos esquemas  medicamentosos tradicionais. Dessa forma, a pesquisa científica continua sendo uma aliada importante na  busca por soluções eficazes e seguras (SHARIATI et al., 2024). 

Do ponto de vista epidemiológico, a hipertensão arterial resistente não é apenas uma condição de  difícil controle, mas também um forte preditor de risco cardiovascular aumentado. Pacientes com HAR  apresentam maior probabilidade de desenvolver complicações graves, o que reforça a necessidade de  detecção precoce, estratificação de risco e tratamento agressivo e contínuo. Com isso, torna-se evidente a  urgência de se ampliar o conhecimento sobre essa condição e suas abordagens terapêuticas (LAUDER et  al., 2024). 

Considerando todos esses fatores, a realização de revisões integrativas da literatura se torna uma  ferramenta valiosa para consolidar o conhecimento atual, identificar lacunas na prática clínica e orientar  futuras pesquisas. Ao reunir e analisar criticamente estudos relevantes sobre o manejo da HAR, é possível  oferecer aos profissionais de saúde uma visão abrangente, baseada em evidências, que auxilie na tomada  de decisões clínicas mais assertivas. 

Diante do exposto, esta revisão de literatura tem como objetivo explorar as estratégias de manejo da  hipertensão arterial resistente, abordando os principais avanços terapêuticos, desafios clínicos e perspectivas  futuras. Com isso, espera-se contribuir para o aprimoramento das condutas adotadas e, consequentemente,  para a melhoria dos resultados no cuidado a pacientes com essa condição de alta complexidade. 

MÉTODOS 

Esta revisão integrativa baseou-se em dados quantitativos publicados em artigos, seguindo as recomendações e os critérios descritos nos itens de relatório preferidos para revisões e meta-análises  sistemáticas (PRISMA) e Cochrane Handbook (HIGGINS et al, 2020; PAGE et al, 2021). 

Estratégia de Busca  

Os estudos foram identificados através de uma estratégia de busca abrangente. A revisão foi  realizada nas seguintes bases de dados: Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), SciELO, PUBMED via Medline,  Cochrane, Embase. A estratégia de busca envolveu o cruzamento de palavras-chave selecionadas com base  no Medical Subject Headings (Mesh) e no Descritores de Ciências da Saúde (Decs). Além de termos de busca  específicos, como “hipertensão arterial resistente”, “manejo”, “tratamento” e variações desses termos.

Critérios de inclusão 

Os critérios de elegibilidade foram estabelecidos a partir do modelo PVO (Participantes- Population  [P]; variáveis do estudo [V] e Resultados esperados – Outcomes) que gerou a questão: Quais são as  estratégias atualmente utilizadas no manejo da hipertensão arterial resistente e quais evidências científicas  sustentam sua eficácia? Os seguintes critérios de inclusão foram adotados para a seleção dos estudos:  estudos observacionais e ensaios clínicos feitos com seres humanos e que avaliaram as estratégias utilizadas  no manejo da hipertensão arterial resistente. 

Critérios de exclusão 

Foram excluídos estudos com as seguintes características: estudos que não abordavam a  hipertensão arterial resistente, assim como livros, cartas ao editor e relatos de casos. 

Extração de dados 

O material obtido na busca de dados foi exportado para a plataforma Rayyan® e Mendeley® e  exposta no diagrama PRISMA (Figura 1). As triagens, de seleção por título e resumo, foram realizadas por  dois pesquisadores independentes, selecionando possíveis artigos a serem incluídos na compilação final. Nos  casos em que houve divergências, um terceiro pesquisador independente resolveu as discrepâncias. Com  relação à extração de dados, quatro pesquisadores independentes utilizaram planilha no programa Microsoft  Excel® para registrar o seguinte: dados do estudo (autores, nome do periódico, país e ano de publicação) e  informações metodológicas (desenho, tamanho da amostra e desfechos). 

Avaliação da Qualidade 

Dois autores avaliaram independentemente a qualidade dos estudos por meio de da escala  Newcastle-Ottawa. A avaliação pela escala Newcastle-Ottawa é demonstrada na tabela 2. Esta escala utiliza  pontuação em estrelas (0 a 10) para avaliar estudos em três domínios: seleção, comparabilidade e resultados.  Escores mais altos apontam para estudos de maior qualidade. 

RESULTADOS  

Inicialmente foram encontrados 320 artigos. Após a retirada de duplicatas, restaram 180 trabalhos.  Ao final da triagem de leitura dos títulos e resumos dos estudos, foram selecionados 19 trabalhos para leitura  na íntegra, dos quais 6 estavam de acordo com os critérios previamente determinados de elegibilidades foram  selecionados para compor esta revisão (Figura 1). 

Assim, 06 trabalhos foram selecionados para a revisão conforme detalhamento na Figura 1.

Figura 1 – Fluxograma PRISMA dos estudos incluídos

Fonte: Elaborada pelos autores.

Características dos estudos incluídos Cinco foram incluídos nesta revisão, sendo eles ensaios clínicos meta-análise. Em relação aos 5  estudos incluídos, quatro foram dos EUA e um da Holanda. A tabela 1 apresenta as características dos  estudos incluídos. Tabela 1 – Características dos estudos incluídos.

Tabela 1 – Características dos estudos incluídos.

Fonte: Elaborada pelos autores.

A escala Newcastle-Ottawa foi utilizada a fim de avaliar a qualidade de cada estudo a partir de três  domínios: seleção, comparabilidade e desfecho.  

A pontuação dos artigos é avaliada de maneira estrelar, podendo ir de zero a nove estrelas e quanto  maior a quantidade de estrelas, melhor a qualidade dos artigos. Neste estudo optamos por representar a  escala em números absolutos. Conforme demonstrado na tabela 2, os estudos com melhor qualidade  metodológica foram GIACONA et al., (2024), TIAN et al., (2024) e JANAKIRAMA et al., (2023) com pontuação  total de 8. Entre os estudos com menor pontuação, 7 pontos, estiveram CAMAFORT et al., (2024) e  SCHIFFRIN et al., (2024) que perderam pontos principalmente na representatividade da amostra.

Tabela 2 – Qualidade metodológica dos estudos baseada na escala Newcastle – Ottawa.

Fonte: Elaborada pelos autores.

DISCUSSÃO 

A hipertensão arterial resistente (HAR) representa um importante desafio clínico, especialmente por  estar associada a um risco aumentado de eventos cardiovasculares e renais adversos. Diante disso, os  achados desta revisão apontam para estratégias terapêuticas progressivamente mais estruturadas, com  destaque para o uso racional e escalonado de combinações medicamentosas. A base do tratamento continua  sendo o tripé composto por um inibidor da enzima conversora da angiotensina (IECA) ou um bloqueador do  receptor da angiotensina (BRA), um bloqueador dos canais de cálcio e um diurético tiazídico ou semelhante  de longa duração, conforme demonstrado nos estudos (CAMAFORT et al., 2024; SCHIFFRIN et al., 2024;  GIACONA et al., 2024; TIAN et al., 2024; JANAKIRAMAN et al., 2023). 

Um aspecto relevante identificado na literatura é a importância do uso de terapia combinada em dose  fixa (single-pill combination), o que contribui significativamente para a adesão do paciente ao tratamento,  reduzindo o número de comprimidos ingeridos e, consequentemente, minimizando a probabilidade de  esquecimento ou abandono do esquema terapêutico. A prescrição desses medicamentos na dose máxima  tolerada também é essencial, pois garante a eficácia terapêutica plena antes da introdução de novas classes  farmacológicas (PARODI et al., 2024). 

Na ausência de controle pressórico adequado mesmo após essa tríade, a adição de um quarto agente  é recomendada, com ênfase na espironolactona como antagonista do receptor mineralocorticoide (ARM).  Evidências robustas, como as do estudo PATHWAY-2 e diversas metanálises, consolidam a espironolactona  como a opção mais eficaz neste contexto, superando outros fármacos em sua capacidade de reduzir a  pressão arterial sistólica, tanto no consultório quanto em medições ambulatoriais de 24 horas (NARDOIANNI  et al., 2024). 

No entanto, quando a espironolactona não é tolerada ou apresenta contraindicações, outras opções  devem ser consideradas. Dentre elas, destacam-se a amilorida e a eplerenona, também pertencentes à classe  dos ARM, além de fármacos como a doxazosina, clonidina e os betabloqueadores. A escolha entre essas alternativas deve considerar características individuais dos pacientes, como idade, comorbidades, risco de  interação medicamentosa e tolerabilidade ao tratamento (GŁUSZEK et al., 2024). 

Os avanços terapêuticos mais recentes vêm se concentrando em novas abordagens farmacológicas,  especialmente voltadas à atuação sobre os mecanismos hormonais que regulam a pressão arterial. Nesse  contexto, os antagonistas não esteroidais do receptor mineralocorticoide, como finerenona, esaxerenona e  ocedurenona, representam promissoras opções, com melhor perfil de segurança e eficácia em populações  específicas, como pacientes com doença renal crônica (GIACONA et al., 2024). 

Outra classe emergente são os inibidores seletivos da aldosterona sintase, como o baxdrostat, que  oferecem a vantagem de atuar diretamente na síntese do hormônio aldosterona, potencialmente com menos  efeitos adversos relacionados à retenção de potássio. Além disso, os antagonistas duplos do receptor de  endotelina, como o aprocitentan, têm demonstrado reduções importantes da pressão arterial em estudos  preliminares, ampliando as possibilidades de tratamento, especialmente em casos refratários às opções já  estabelecidas (TIAN et al., 2024). 

É importante destacar que, embora os novos agentes em investigação tragam otimismo quanto ao  controle mais eficaz da HAR, muitos ainda se encontram em fases iniciais de estudo e requerem ensaios  clínicos randomizados com acompanhamento a longo prazo para validação definitiva. Além disso, a  incorporação desses fármacos na prática clínica dependerá da análise custo-benefício, acessibilidade e  diretrizes futuras. Nesse aspecto, vale lembrar que a escolha do tratamento deve sempre ser individualizada,  considerando o perfil clínico do paciente, tolerância às medicações, presença de comorbidades e risco  cardiovascular. A literatura reforça que a abordagem escalonada e sistemática é fundamental para alcançar  o controle pressórico desejado, sendo a espironolactona, até o momento, o pilar do tratamento  medicamentoso de quarta linha (MISHRIKI et al., 2023). 

Por fim, os achados desta revisão reafirmam que o manejo da hipertensão resistente requer uma  abordagem terapêutica multifacetada, combinando racionalidade farmacológica com monitoramento contínuo  e estratégias personalizadas. O futuro do tratamento se mostra promissor com o desenvolvimento de novos  fármacos e intervenções, mas o uso inteligente das opções atualmente disponíveis continua sendo a base  para alcançar melhores desfechos clínicos. 

CONSIDERAÇÕES FINAIS 

A hipertensão arterial resistente continua sendo um desafio clínico significativo, exigindo uma  abordagem cuidadosa, escalonada e baseada em evidências robustas. Esta revisão de literatura demonstrou  que, apesar da complexidade do manejo, estratégias terapêuticas eficazes estão bem definidas nas diretrizes  atuais, com destaque para o uso de combinações medicamentosas em dose fixa, na dose máxima tolerada,  como forma de otimizar a adesão e o controle pressórico. O esquema triplo de base — envolvendo um IECA  ou BRA, um bloqueador dos canais de cálcio e um diurético tiazídico ou similar — deve ser instituído de forma  padronizada antes da introdução de um quarto agente. 

Além disso, futuros estudos devem investigar estratégias individualizadas com base em  biomarcadores, genotipagem e estratificação de risco, com o objetivo de personalizar o tratamento e identificar  precocemente pacientes com maior risco de resposta subótima às terapias padrão. Outra proposta relevante  é explorar mais profundamente o papel de combinações terapêuticas em dose única fixa, avaliando não  apenas a eficácia clínica, mas também sua influência na adesão, qualidade de vida e redução de eventos  cardiovasculares em cenários do mundo real. 

Por fim, destaca-se a importância de incluir populações frequentemente sub-representadas nos  ensaios — como idosos frágeis, indivíduos com múltiplas comorbidades e pacientes de baixa renda — a fim  de garantir a aplicabilidade prática dos resultados obtidos. A hipertensão resistente é multifatorial, e seu  enfrentamento pleno exige não só inovação farmacológica, mas também políticas públicas de acesso e  continuidade do cuidado.

REFERÊNCIAS 

DYBIEC, J. et al. Advances in the Pathogenesis and Treatment of Resistant Hypertension. International  Journal of Molecular Sciences, v. 24, n. 16, p. 12911, 18 ago. 2023. 

CAMAFORT, M.; KREUTZ, R.; CHO, M.-C. Diagnosis and management of resistant hypertension. Heart, v.  110, n. 22, p. 1336–1342, nov. 2024. 

CHAN, R. J.; HELMECZI, W.; HIREMATH, S. S. Revisiting resistant hypertension: a comprehensive review.  Internal Medicine Journal, v. 53, n. 10, p. 1739–1751, out. 2023. 

GIACONA, J. M.; KOSITANURIT, W.; VONGPATANASIN, W. Management of Resistant Hypertension—An  Update. JAMA Internal Medicine, v. 184, n. 4, p. 433, 1 abr. 2024. 

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JANAKIRAMAN, A.; COHEN, D. L. New Potential Treatments for Resistant Hypertension. Current Cardiology  Reports, v. 25, n. 11, p. 1443–1449, nov. 2023. 

LAMIRAULT, G. et al. Resistant Hypertension: Novel Insights. Current Hypertension Reviews, v. 16, n. 1, p.  61–72, 13 fev. 2020. 

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NARDOIANNI, G. et al. Systematic Review Article: New Drug Strategies for Treating Resistant Hypertension— the Importance of a Mechanistic, Personalized Approach. High Blood Pressure & Cardiovascular Prevention,  v. 31, n. 2, p. 99–112, 14 abr. 2024. 

JUDD, E.; CALHOUN, D. A. Apparent and true resistant hypertension: definition, prevalence and outcomes.  Journal of Human Hypertension, v. 28, n. 8, p. 463–468, ago. 2014. 

LAUDER, L.; MAHFOUD, F.; BÖHM, M. Management of Resistant Hypertension. Annual Review of Medicine,  v. 75, n. 1, p. 443–457, 29 jan. 2024.

PARODI, R. et al. Resistant hypertension: Diagnosis, evaluation, and treatment practical approach. European  Journal of Internal Medicine, v. 123, p. 23–28, maio 2024. 

SHARIATI, F.; TANDAN, N.; LAVIE, C. J. Resistant hypertension. Current Opinion in Cardiology, 5 mar. 2024. 

SCHIFFRIN, E. L.; FISHER, N. D. L. Diagnosis and management of resistant hypertension. BMJ, p. e079108,  19 jun. 2024. 

TIAN, Z. et al. Efficacy of pharmacological and interventional treatment for resistant hypertension: a network  meta-analysis. Cardiovascular Research, v. 120, n. 1, p. 108–119, 27 fev. 2024.


1Graduando em medicina da Universidade Federal do Norte do Tocantins, Araguaína,  Tocantins, Brasil. E-mail: leandrofmota1@gmail.com

2Médico pela Faculdade de Ciências Médicas do Pará, Marabá, Pará, Brasil. E-mail: rafaelmota@gmail.com