LUMINOTÉCNICA EM SALAS DE ESTUDO E PESQUISA: DIAGNÓSTICO DA ILUMINAÇÃO NO SALÃO THÁLIA PHEDRA DA BIBLIOTECA PÚBLICA DO AMAZONAS.

LIGHTING IN STUDY AND RESEARCH ROOMS: LIGHTING DIAGNOSIS IN THE THÁLIA PHEDRA ROOM OF THE AMAZONAS PUBLIC LIBRARY.

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ra10202510292258


Kaleb da Silva Ribeiro1
Gabriel Monte Paiva2


Resumo 

O artigo apresenta uma análise luminotécnica do Salão de Estudo e Pesquisa Thália Phedra, localizado na Biblioteca Pública do Amazonas, com o propósito de avaliar o desempenho fotométrico do sistema de iluminação existente e propor uma readequação tecnicamente viável, de baixo custo e em conformidade com as normas vigentes. O estudo fundamentou-se em medições de iluminância obtidas por meio de um luxímetro digital BSIDE L1, seguindo os parâmetros da ABNT NBR ISO/CIE 8995-1:2013. As medições foram realizadas em pontos representativos das áreas de leitura e acervo, permitindo o diagnóstico detalhado da distribuição luminosa e da uniformidade do fluxo luminoso. Os resultados demonstraram que os níveis médios de iluminância apresentavam valores inferiores aos recomendados, com defasagens significativas entre zonas de trabalho e circulação, evidenciando baixa uniformidade luminosa e perdas por má distribuição geométrica das luminárias. Com base nesses dados, foi desenvolvida uma proposta de readequação luminotécnica baseada na adição de lâmpadas LED de 18 W às luminárias existentes, elevando o fluxo luminoso total e otimizando o fator de utilização do sistema. A readequação proposta apresentou ganhos de eficiência luminosa, melhorando as condições de conforto visual e segurança dos usuários. Conclui-se que intervenções técnicas simples, quando embasadas em medições precisas e diretrizes normativas, representam soluções eficazes para aprimorar a qualidade da iluminação em ambientes de estudo e pesquisa.

Palavras-chave: Luminotécnica; Iluminância; Conforto visual; Biblioteca.

1. Introdução 

A iluminação artificial em ambientes de leitura e pesquisa constitui um fator determinante para o conforto visual, o desempenho cognitivo e a eficiência energética dos espaços. Em bibliotecas e salas de estudo, a inadequação dos níveis de iluminância compromete a legibilidade, aumenta o esforço ocular e reduz a permanência e a produtividade dos usuários. Segundo Foletto (2004), o conforto visual está diretamente associado à uniformidade luminosa e à ausência de ofuscamento, enquanto Breginski (2016) destaca que a deficiência na distribuição da luz é uma das principais causas de desconforto e perda de desempenho visual em ambientes educacionais. A norma ABNT NBR ISO/CIE 8995-1:2013 estabelece critérios técnicos de iluminância, uniformidade e controle de ofuscamento, determinando parâmetros mínimos para o adequado desempenho visual em tarefas de leitura e escrita.

Estudos recentes, como os de Casale et al. (2019) e Costa, Leder & Quirino (2024), evidenciam que deficiências luminotécnicas em bibliotecas e instituições de ensino resultam de um dimensionamento incorreto do número de luminárias, da escolha inadequada das fontes luminosas e da ausência de manutenção periódica. Além disso, Tamura & Krüger (2025) demonstram que a qualidade espectral da luz influencia o bem-estar e a percepção térmica, reforçando a necessidade de projetos que conciliem eficiência energética e conforto psicovisual. Nesse contexto, o emprego de tecnologias de iluminação de estado sólido, como os diodos emissores de luz (LEDs), tem se mostrado uma solução eficaz, por oferecer maior durabilidade, baixo consumo e desempenho fotométrico superior (Lopes, 2016; Martins, 2018).

No caso específico da Biblioteca Pública do Amazonas, o Salão de Estudo e Pesquisa Thália Phedra apresentou queixas frequentes de iluminação insuficiente, perceptíveis a partir da leitura e análise do comportamento visual dos usuários. Tal situação evidenciou a necessidade de diagnóstico técnico para verificar a conformidade luminotécnica do ambiente em relação aos parâmetros normativos e propor soluções acessíveis que pudessem elevar a qualidade da iluminação sem demandar modificações estruturais.

Dessa forma, o presente trabalho teve como objetivo avaliar o desempenho luminotécnico do Salão Thália Phedra por meio de medições diretas de iluminância, identificar as deficiências existentes no sistema de iluminação e propor uma readequação eficiente e economicamente viável, em conformidade com a ABNT NBR ISO/CIE 8995-1:2013. A relevância do estudo está em demonstrar que ajustes pontuais, baseados em diagnóstico técnico e fundamentos normativos, podem resultar em melhorias significativas de conforto visual e eficiência energética em espaços públicos de estudo e pesquisa.

2. Revisão Literária 

2.1 Conforto visual e fundamentos luminotécnicos

O conforto visual constitui um dos principais indicadores de qualidade em ambientes de leitura e pesquisa, pois influencia diretamente o desempenho cognitivo e o bem-estar dos usuários (BREGINSKI, 2016). Foletto (2004) define conforto visual como a capacidade do sistema visual de perceber informações com o mínimo de esforço, evitando a fadiga ocular e promovendo sensação de conforto. Esse conceito está associado não apenas à quantidade de luz disponível, mas também à uniformidade da iluminação, à ausência de ofuscamento e à correta reprodução das cores (TAKEUCHI, 2019; COSTA; LEDER; QUIRINO, 2024).

Takeuchi (2019) destaca que a qualidade visual depende do equilíbrio entre a iluminância média (E̅ ), a uniformidade luminosa (U₀ = Emin/E̅ ) e o índice de ofuscamento (UGR). Esses parâmetros permitem avaliar de forma objetiva a adequação luminotécnica de um espaço e garantem que a luz incidente seja distribuída de forma homogênea sobre as superfícies de trabalho (CASALE et al., 2019). Em locais destinados ao estudo, como bibliotecas e salas de aula, o controle desses fatores é essencial para evitar desconforto visual e perda de eficiência nas atividades de leitura (FOLETTO, 2004; TAMURA; KRÜGER, 2025).

2.2 Normas técnicas e parâmetros de desempenho

O desempenho luminotécnico de ambientes internos é avaliado com base em parâmetros técnicos normatizados. A ABNT NBR ISO/CIE 8995-1:2013 estabelece níveis mínimos de iluminância e requisitos de uniformidade luminosa para diferentes tarefas visuais, sendo referência para bibliotecas, salas de estudo e espaços administrativos (ABNT, 2013). Já a ABNT NBR 5410:2006 complementa as diretrizes elétricas, definindo as condições de segurança e dimensionamento das instalações elétricas de baixa tensão (ABNT, 2006). ;;;;;;

Breginski (2016) verifica, em estudo realizado em bibliotecas públicas de Curitiba, que os níveis médios de iluminância frequentemente se encontram abaixo dos valores normativos, comprometendo o conforto visual e a eficiência energética. De forma semelhante, Costa, Leder & Quirino (2024) observam que a inadequação luminotécnica em escolas decorre, em grande parte, da má distribuição das luminárias e da ausência de manutenção periódica. Esses resultados reforçam a importância de medições técnicas e diagnósticos regulares como parte das estratégias de gestão da iluminação em instituições públicas (LIMA; NODA; SOUZA, 2021; SANTOS; RIBEIRO, 2025).

2.3 Distribuição luminosa e uniformidade

A uniformidade da iluminação é um fator determinante para a legibilidade e o desempenho visual (TAKEUCHI, 2019). Costa, Leder & Quirino (2024) demonstram que variações excessivas entre zonas de luz e sombra aumentam o esforço de adaptação ocular, reduzindo a concentração e o conforto durante a leitura. Casale et al. (2019) identificam que o reposicionamento das luminárias e a redistribuição geométrica dos pontos de luz são intervenções eficazes para melhorar a homogeneidade luminosa e corrigir desequilíbrios fotométricos em bibliotecas universitárias.

Esses resultados evidenciam que o problema luminotécnico nem sempre está relacionado à falta de potência instalada, mas, sim, à má utilização do fluxo luminoso disponível. A eficiência do sistema depende, portanto, do fator de utilização (UF), da refletância das superfícies internas e da distribuição espacial das fontes de luz (CASALE et al., 2019; FOLETTO, 2004; TAKEUCHI, 2019).

2.4 Eficiência energética e tecnologia LED

A introdução da tecnologia LED representa um avanço significativo nos projetos de iluminação interior, ao reunir alta eficiência luminosa, durabilidade e baixo consumo energético (LOPES, 2016; MARTINS, 2018). Lopes (2016) define a eficiência energética como a capacidade de produzir o mesmo efeito luminoso com menor consumo elétrico, sem comprometer o conforto visual. Martins (2018) complementa que as lâmpadas LED apresentam eficácia luminosa média superior a 100 lm/W, resultando em desempenho energético até cinco vezes maior que o das lâmpadas fluorescentes.

Breginski (2016) e Farias (2021) demonstram que intervenções simples — como o acréscimo de lâmpadas LED às luminárias existentes — podem elevar em até 30% a eficiência luminosa total sem aumento relevante no consumo. Além disso, parâmetros como a temperatura de cor correlata (CCT) e o índice de reprodução de cor (CRI) revelam-se essenciais para garantir fidelidade cromática e conforto visual, especialmente em ambientes de estudo (SANTOS; RIBEIRO, 2025; TAMURA; KRÜGER, 2025). Essas características consolidam os LEDs como a opção mais viável para readequações luminotécnicas em edificações públicas.

2.5 Iluminação aplicada a bibliotecas e salas de estudo

A literatura sobre iluminação de bibliotecas e ambientes educacionais indica que as deficiências mais recorrentes estão associadas à baixa iluminância média e à distribuição desigual do fluxo luminoso (BREGINSKI, 2016; COSTA; LEDER; QUIRINO, 2024). Breginski (2016) observa que, em medições realizadas em bibliotecas públicas, a maioria dos pontos de leitura apresenta iluminância inferior a 300 lux, valor abaixo do recomendado pela ABNT. Resultados semelhantes são relatados por Lima, Noda & Souza (2021), que demonstram que o aproveitamento adequado da luz natural e o correto posicionamento das luminárias são determinantes para o equilíbrio visual e a economia de energia.

Casale et al. (2019) reforçam que intervenções pontuais — como ajustes na disposição das luminárias, aumento do número de lâmpadas ou substituição por modelos mais eficientes — corrigem falhas de uniformidade e elevam a qualidade visual dos espaços de leitura. Esses estudos evidenciam que o desempenho luminotécnico ideal depende de soluções simples, porém embasadas tecnicamente, que associam eficiência energética e conforto visual (FOLETTO, 2004; FARIAS, 2021).

2.6 Automação e controle da iluminação

A incorporação de sistemas automatizados de controle luminoso torna-se uma tendência em ambientes institucionais que buscam eficiência e sustentabilidade (FERREIRA; CORDEIRO, 2024). Ferreira & Cordeiro (2024) destacam que sensores de presença e de luminosidade permitem o ajuste dinâmico da intensidade luminosa de acordo com a ocupação e as condições de luz natural, reduzindo o consumo elétrico e mantendo o conforto visual constante.

Tamura & Krüger (2025) apontam que a qualidade espectral da luz, associada à temperatura de cor e à composição espectral, exerce influência direta sobre o conforto térmico e a percepção psicológica dos usuários. Essas evidências indicam que a iluminação de ambientes de leitura deve integrar parâmetros técnicos e perceptivos, reforçando a necessidade de uma abordagem multidisciplinar que envolva engenharia elétrica, ergonomia visual e sustentabilidade.

2.7 Convergência entre desempenho visual e sustentabilidade

A literatura converge ao demonstrar que o equilíbrio entre o desempenho visual e a eficiência energética é essencial para projetos de iluminação em ambientes públicos de uso coletivo (FOLETTO, 2004; BREGINSKI, 2016). Pequenas readequações luminotécnicas, quando baseadas em medições e orientações normativas, mostram-se capazes de melhorar substancialmente a qualidade visual e reduzir o consumo de energia (COSTA; LEDER; QUIRINO, 2024; LIMA; NODA; SOUZA, 2021).

Ainda assim, identifica-se a necessidade de estudos complementares que considerem fatores de longo prazo, como manutenção, comportamento dos usuários e efeitos circadianos da luz artificial (TAMURA; KRÜGER, 2025). A integração entre tecnologia LED, automação e planejamento luminotécnico mostra-se o caminho mais promissor para a criação de ambientes de leitura e estudo mais confortáveis, eficientes e sustentáveis.

Síntese da Fundamentação Teórica

A revisão de literatura apresenta o arcabouço teórico que fundamenta o desenvolvimento deste estudo. São analisados conceitos e parâmetros relacionados ao conforto visual, às normas técnicas, à distribuição luminosa, à eficiência energética, à aplicação da tecnologia LED e à automação de sistemas. Esses elementos constituem a base conceitual para a avaliação do desempenho luminotécnico do Salão de Estudo e Pesquisa Thália Phedra e para a proposição de uma readequação de baixo custo e alto impacto técnico. Constata-se que a melhoria do conforto visual e da eficiência energética é possível por meio de soluções simples, desde que respaldadas em medições precisas e em critérios normativos consolidados.

3. METODOLOGIA 

O Estudo foi realizado na Biblioteca Pública que está localizada do Centro Cultura de Manaus, conforme localização que pode ser observado por meio da Figura 1. 

Figura 1 – Localização da Biblioteca Pública do Amazonas na Avenida Sete de Setembro, Centro de Manaus-AM.

Fonte: Google Maps (2025)

A metodologia adotada para a análise e otimização da iluminação do salão de estudo e pesquisa da biblioteca iniciou-se com o levantamento das características físicas e luminotécnicas do ambiente. Verificou-se que o espaço possui 20 metros de comprimento por 13 metros de largura, totalizando uma área de 260 metros quadrados. O ambiente conta com 15 luminárias pendentes, espaçadas uniformemente a 3,5 metros entre si, sendo cada luminária composta por quatro lâmpadas tubulares de LED de 18 W, com 1,2 metro de comprimento e fluxo luminoso individual de 1.800 lúmens. Esses parâmetros são determinantes para a distribuição da iluminância e influenciam diretamente o desempenho visual do espaço.

Em seguida, foram realizadas medições dos níveis de iluminância utilizando um luxímetro digital modelo BSIDE L1, garantindo a precisão das leituras, o aparelho demostrado abaixo na figura 2. As coletas foram efetuadas em diversos pontos estratégicos do salão, permitindo avaliar tanto a intensidade quanto a uniformidade da iluminação. Essa etapa possibilitou identificar áreas em que os níveis de iluminância estavam abaixo dos valores recomendados pelas normas técnicas vigentes para ambientes de leitura e pesquisa, evidenciando a necessidade de intervenções que buscassem adequar o espaço aos padrões de conforto visual e segurança.

Figura 2 – Luxímetro digital BSIDE

Fonte: AIMOMETER (2025)

Com base nos dados obtidos, foi proposta a readequação do sistema de iluminação, visando aumentar a iluminância média e a uniformidade luminosa do ambiente. Para tanto, considerou-se a adição de lâmpadas nas luminárias existentes ou a utilização de adaptadores duplos, aproveitando a infraestrutura elétrica já instalada. Esta estratégia permite reduzir contrastes e zonas sombreadas, promovendo maior conforto visual e segurança, sem a necessidade de reformas estruturais ou investimentos de grande porte.  

Foi feito também um protótipo simples, para uma representação da iluminação em uma sala de estudo, para exemplifica a diferença entre uma sala sem a iluminação adequada e com a devida iluminação.

Dessa forma, o estudo desenvolvido não apenas possibilitou uma análise detalhado das condições de iluminação existentes, mas também forneceu soluções práticas, economicamente viáveis e tecnicamente fundamentadas, capazes de transformar o salão em um ambiente mais confortável, eficiente e em conformidade com as normas técnicas vigentes.

4.     RESULTADOS.

4.1 ANÁLISE DE DADOS 

A análise luminotécnica do Salão de Estudo e Pesquisa Thália Phedra foi conduzida com base nos dados obtidos por meio de um luxímetro digital BSIDE L1, calibrado para medições de iluminância em unidades de lux (lx). O quadro 01, demonstra os parâmetros e fatores de cálculo utilizados para essa análise. O procedimento seguiu as diretrizes estabelecidas pela NBR ISO/CIE 8995-1 (ABNT,2013), que define parâmetros de iluminância média e uniformidade luminosa para ambientes internos destinados à leitura e estudo.

Quadro 01- Parâmetros técnicos e fatores de cálculo utilizados na avaliação.

Fonte: Autor (2025)

As medições foram realizadas em pontos equidistantes, previamente definidos com base no método de malha, abrangendo zonas de leitura, consulta e circulação. A figura 3 mostra a medição em um dos pontos. 

Figura 3 – medições do ponto M1.

                                                            Fonte: Autor (2025).

A distribuição dos pontos visou à caracterização do campo luminoso incidente sobre as superfícies de trabalho, permitindo avaliar o desempenho fotométrico do sistema existente e sua conformidade com os valores de referência normativos. A tabela 01 abaixo relata os resultados das medições de iluminância do salão e os níveis recomendados pela norma técnica (ABNT)

Tabela 01- Resultados das medições de iluminância no salão – Situação atual

Fonte: Autor (2025)

Os resultados demonstraram que, apesar da presença de um número expressivo de luminárias instaladas, a iluminância efetiva medida apresentou valores significativamente inferiores aos níveis exigidos para as tarefas visuais desempenhadas. Apenas o ponto de medição M1 atingiu 500 lx, enquanto os demais apresentaram valores entre 226 lx e 326 lx nas áreas de leitura. Esse desvio em relação aos níveis mínimos comprometeu os requisitos de conforto visual, segurança ocupacional e desempenho cognitivo dos usuários.

Nas áreas de acervo, as leituras situaram-se entre 185 lx e 210 lx, inferiores ao limite mínimo de 300 lx, conforme preconizado pela norma. Essa insuficiência luminosa reduziu a legibilidade dos títulos e dificultou o reconhecimento visual dos volumes nas estantes. Observou-se também uma baixa uniformidade luminosa (U₀ < 0,6), resultante da distribuição irregular do fluxo luminoso e da ausência de controle de ofuscamento. 

Conforme destacado por Takeuchi (2019), a uniformidade da iluminância é um parâmetro crítico para a qualidade visual em bibliotecas, uma vez que variações abruptas de luminância induzem fadiga ocular e reduzem o desempenho visual. A análise energética indicou uma potência total instalada de 1.800 W, responsável pela emissão de aproximadamente 108.000 lm de fluxo luminoso total. Todavia, verificou-se que a eficiência de aproveitamento fotométrico do sistema era reduzida, em razão da geometria de distribuição das luminárias e da ausência de refletância adequada nas superfícies adjacentes. Em termos luminotécnicos, constatou-se que o problema central não se relacionava à potência nominal instalada, mas sim à ineficiência do fator de utilização (UF) do sistema, decorrente da configuração geométrica e do direcionamento inadequado das fontes luminosas.

4.2 PROPOSTA DE READEQUAÇÃO LUMINOTÉCNICA

Com base no diagnóstico obtido, identificou-se que a deficiência do sistema estava vinculada à subutilização do fluxo luminoso emitido e à baixa densidade de lâmpadas por luminária, resultando em distribuição desigual da iluminância. Assim, elaborou-se uma proposta de readequação luminotécnica corretiva, priorizando viabilidade técnica, baixo custo de execução e ausência de intervenções estruturais.

A proposta consistiu na adoção de um arranjo de seis lâmpadas LED de 18 W por luminária, em substituição ao modelo anterior de quatro lâmpadas. Essa alteração elevou o fluxo luminoso total do sistema de aproximadamente 108.000 lm para 162.000 lm, representando um acréscimo de cerca de 50 % no rendimento luminoso global. O ganho de iluminância projetado resultou em valores médios de E ≈ 500 lx nas áreas de leitura e E ≈ 320 lx nas áreas de acervo, atendendo integralmente aos critérios da NBR ISO/CIE 8995-1 (ABNT,2013).

Foi feito uma estimativa dos níveis de iluminância pós readequação como demostra a tabela 02.

Tabela 02 – Estimativa dos níveis de iluminância após a proposta de readequação luminotécnica. 

Fonte: Autor (2025) 

Além do aumento quantitativo da iluminância, o acréscimo de fontes luminosas proporcionou melhor uniformidade espacial (U₀ ≥ 0,7) e redução dos gradientes de luminância, eliminando zonas de sombra e minimizando contrastes abruptos. 

Essas melhorias repercutiram positivamente no índice de conforto visual (CV) e na segurança operacional dos usuários. Conforme Foletto (2004) e Breginski (2016), intervenções dessa natureza podem elevar o desempenho luminotécnico em até 30 %, sem acréscimo proporcional de consumo energético.

A leve diferença entre o valor de iluminância estimado para a mesa da bibliotecária de (470 lx) e o recomendado pela norma (500 lx) deve-se principalmente à posição da mesa da bibliotecária, próxima a elementos de mobiliário que reduzem a refletância e à disposição periférica das luminárias, que não favorece a incidência direta de luz sobre o plano de trabalho. Ainda assim, o valor permanece dentro da margem aceitável de variação (±10 %), atendendo satisfatoriamente aos critérios de conforto visual e desempenho da norma NBR ISO/CIE 89951(ABNT, 2013).

O gráfico 1 a baixo mostra as medidas da iluminação instalada e estimativas da readequação proposta e também mostra os níveis de iluminação recomendados (ABNT)

Gráfico 1- Medições Atuais e Estimativas Após Readequação Luminotécnica.

Fonte: autor (2025)

Do ponto de vista técnico, a solução mostrou-se viável e modular, podendo ser implementada utilizando adaptadores de soquete duplo ou luminárias compatíveis com maior densidade de lâmpadas, mantendo a mesma infraestrutura elétrica e os circuitos de alimentação existentes. A readequação proposta possibilitou ganhos substanciais em eficiência luminosa (η ≈ 90 lm/W) e eficiência energética (EE), garantindo conformidade normativa e melhoria do ambiente de leitura e pesquisa, sem necessidade de reconfiguração estrutural ou investimentos de grande porte.

Em síntese, a intervenção proposta otimizou a relação entre iluminância média (Eₘ) e potência instalada (Pₜ), resultando em um ambiente visualmente equilibrado, energeticamente racional e normativamente adequado, conforme preceitos contemporâneos da engenharia luminotécnica aplicada a espaços educacionais.

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS 

A análise luminotécnica realizada no Salão de Estudo e Pesquisa Thália Phedra permitiu diagnosticar deficiências significativas no sistema de iluminação, caracterizadas por baixos níveis de iluminância e reduzida uniformidade luminosa. O estudo confirmou que o problema estava relacionado à distribuição ineficiente do fluxo luminoso e à limitação do fator de utilização das luminárias, e não à insuficiência de potência instalada. A proposta de readequação, baseada na adição de lâmpadas LED de 18 W às luminárias existentes, demonstrou-se tecnicamente viável, economicamente acessível e em conformidade com os parâmetros da ABNT NBR ISO/CIE 8995-1:2013, elevando o fluxo luminoso total de 108.000 lm para 162.000 lm e garantindo níveis adequados de iluminância nas áreas de leitura e acervo.

Conclui-se que o objetivo do trabalho foi atingido, uma vez que a solução proposta corrigiu as defasagens luminotécnicas e proporcionou ganhos expressivos em conforto visual e eficiência energética, sem necessidade de reformulações estruturais. O estudo contribui para a compreensão prática da aplicação de critérios técnicos de luminotécnica em edificações públicas e reforça a importância de avaliações periódicas de desempenho visual em ambientes de uso coletivo. Recomenda-se, para pesquisas futuras, a aplicação de simulações computacionais para validar o comportamento fotométrico em diferentes cenários de ocupação, bem como o estudo de sensores de controle de luminosidade como estratégia de otimização contínua do consumo energético.

REFERÊNCIAS

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ABNT – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR ISO/CIE 8995-1: Iluminação de ambientes de trabalho – Parte 1: Interior. Rio de Janeiro, 2013.

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1Discente do Curso Superior de Engenharia Elétrica do Instituto Universidade Nilton Lins, Brasil. E-mail: 21001495@uniniltonlins.edu.br
2Docente do Curso Superior de Engenharia Elétrica do Instituto Universidade Nilton Lins, brasil. E-mail:
gabriel.paiva@uniniltonlins.edu.br