LUDOTERAPIA NO CUIDADO ONCOLÓGICO INFANTIL

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202509301824


Tacila Ohana Paiva Ruiz
Randrielly Alexandria dos Santos
Orientadora: Joiza Maria de Oliveira Santana


RESUMO 

Este artigo, buscou identificar os benefícios da ludoterapia no cuidado oncológico infantil, focando em como essa prática terapêutica pode beneficiar o bem-estar emocional e psicológico de crianças em tratamento contra o câncer. O estudo buscou identificar os principais efeitos da ludoterapia, como a redução da ansiedade, a melhora na adesão ao tratamento e o estímulo a interações sociais e emocionais mais saudáveis entre as crianças e os profissionais de saúde. A pesquisa, de caráter bibliográfico, baseou-se na análise de artigos científicos, livros e outros materiais acadêmicos que trataram da ludoterapia e da oncologia pediátrica. A metodologia centrou-se na revisão de literatura, com o intuito de aprofundar a compreensão sobre o impacto da ludoterapia no contexto hospitalar infantil. Espera-se que os resultados desta pesquisa contribuam para a promoção da ludoterapia como uma prática terapêutica eficaz no tratamento de crianças com câncer, além de fornecer uma base sólida para novas pesquisas sobre o tema. 

Palavras-chave: Ludoterapia; Cuidado Oncológico Infantil; Psicologia Infantil; Brincar Terapêutico. 

1. INTRODUÇÃO 

O câncer infantil, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), envolve uma série de doenças que se caracterizam pela multiplicação descontrolada de células anormais em diversos tecidos do corpo. No Brasil, é considerado como uma das principais causas das mortes entre crianças e adolescentes de 1 a 19 anos (INCA, 2020). No decorrer do tratamento, a criança passa por uma série de procedimentos, como exames, quimioterapia e cirurgias, que podem ocasionar em restrições físicas, sociais e emocionais. Essas experiências não apenas afetam sua saúde, mas também podem interromper sua educação e dificultar o convívio familiar, prejudicando seu desejo e capacidade de brincar. 

Nesse contexto, as atividades lúdicas são reconhecidas por sua capacidade de oferecer prazer e alegria, ajudando a resgatar a essência da criança durante o processo de cuidado. Ao brincar, a criança consegue lidar com situações estressantes, como o câncer e os tratamentos associados. Ela explora sua imaginação, organiza seus pensamentos e vivencia diferentes papéis, expressando suas emoções sobre a realidade que enfrenta. Assim, brincar se torna uma atividade social e cultural vital, essencial para seu aprendizado e bem-estar emocional (Vygotsky, 2000). 

O estudo da ludoterapia no contexto do tratamento oncológico infantil possui grande relevância social, uma vez que as crianças enfrentam experiências traumáticas e estressantes ao lidarem com doenças graves. O câncer pode provocar uma série de consequências emocionais e comportamentais, como medo, ansiedade e dificuldades de interação social (Wanderlei, 2012). Nesse sentido, a ludoterapia se apresenta como uma ferramenta vital para mitigar os impactos negativos da doença e da hospitalização, promovendo um ambiente mais acolhedor e menos intimidante16. Cientificamente, a ludoterapia é respaldada por teorias psicológicas que reconhecem o brincar como uma forma natural de expressão e comunicação infantil. 

A pesquisa busca, portanto, contribuir para a evidência de que a ludoterapia não é apenas uma atividade recreativa, mas uma intervenção terapêutica que pode promover bem-estar psicológico e emocional em pacientes pediátricos. Compreender o papel do brincar no processo de cura e adaptação é uma missão que transcende a simples observação. A pesquisa visa sensibilizar profissionais da saúde e familiares sobre a importância de integrar a ludoterapia nas práticas de cuidado. 

O objetivo primário deste artigo é identificar os benefícios da ludoterapia no tratamento de pacientes infantis oncológicos. 

2. METODOLOGIA 

2.1 Desenho 

Esta pesquisa é de abordagem qualitativa, pois busca compreender os impactos da ludoterapia no cuidado oncológico infantil, valorizando a análise e interpretação das informações. Quanto aos procedimentos, trata-se de uma pesquisa bibliográfica, baseada em materiais teóricos e científicos previamente publicados que embasam a temática estudada. 

2.2 Critérios de Inclusão e Exclusão 

A pesquisa foi desenvolvida a partir de um levantamento bibliográfico, utilizando materiais previamente publicados, como artigos científicos, livros especializados e estudos acadêmicos diretamente relacionados ao tema. 

Para garantir a qualidade e relevância dos materiais, foram excluídos artigos mais antigos que não contribuíam de forma significativa, materiais que não abordavam diretamente a ludoterapia, e fontes que não passavam por revisão por pares ou que não atendiam aos critérios de rigor científico. 

2.3 Procedimentos para Coleta e Análise dos Dados 

A coleta de dados foi realizada por meio da busca e seleção de materiais bibliográficos relevantes… A busca foi conduzida utilizando palavras-chave específicas, como “ludoterapia”, “cuidado oncológico infantil” e “psicologia infantil”. Essas palavras-chave foram utilizadas em bases de dados acadêmicas confiáveis, como Scielo e Google Acadêmico. 

Após a coleta, todos os materiais selecionados foram lidos e analisados de maneira crítica. A análise foi qualitativa, buscando identificar padrões, convergências e divergências nas evidências sobre como a ludoterapia pode melhorar o bem-estar emocional das crianças em tratamento. As informações extraídas foram organizadas de forma estruturada, agrupando-as em categorias temáticas, o que facilitou a interpretação das contribuições. 

3. RESULTADOS E DISCUSSÃO 

3.1 Intervenção Paliativa na Oncologia Infantil 

Os cuidados paliativos desempenham um papel essencial na oncologia pediátrica, focando na melhoria da qualidade de vida dos pacientes e de suas famílias. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), os cuidados paliativos têm como objetivo principal a prevenção e o alívio do sofrimento, abrangendo aspectos físicos, psicológicos, sociais e espirituais da saúde (Matsumoto, 2012). 

O câncer infantil é frequentemente cercado por um estigma significativo, que é alimentado pelo medo da morte, dor intensa e mutilação (Angerami-Camon et al., 1996). As experiências de doença grave podem provocar angústia e desespero em pais e irmãos (Valle, 2001). Nesse cenário, o apoio psicológico torna-se um componente vital dos cuidados paliativos. As crianças podem sentir medo de expressar seus próprios sentimentos por receio de agravar a dor emocional dos familiares, o que torna a intervenção de profissionais de saúde ainda mais necessária (Siqueira et al., 2015). 

3.2 O Papel da Ludoterapia 

A ludoterapia se destaca como uma abordagem terapêutica valiosa, oferecendo um meio eficaz para a expressão de emoções e a ressignificação de experiências desafiadoras. O ato de brincar é reconhecido como a linguagem natural da infância, funcionando como uma forma de comunicação que fortalece a conexão entre a criança e o terapeuta (Duarte, 1989). 

Dentro do ambiente hospitalar, a ludoterapia cria um espaço acolhedor e seguro onde as crianças podem compartilhar seus medos, ansiedades e sentimentos, utilizando o jogo como um instrumento para processar e elaborar vivências traumáticas (Winnicott, 1982). Este processo não apenas facilita a comunicação entre a criança e o terapeuta, mas também contribui significativamente para a identificação e o processamento das emoções, proporcionando à criança uma sensação de controle sobre sua própria realidade (Axline, 1980). Essa dinâmica ajuda a reduzir a ansiedade associada ao tratamento e à hospitalização, ao mesmo tempo que incentiva o desenvolvimento emocional e social. 

3.3 A Importância do Brincar no Ambiente Hospitalar 

O ambiente hospitalar pode ser um espaço aterrorizante para crianças, frequentemente associado a dor e desconforto. As práticas lúdicas, portanto, são fundamentais para suavizar essa experiência. A brinquedoteca, instituída pela lei nº 11.104/2005, é um exemplo de como a legislação reconhece a importância do brincar na promoção da saúde emocional e bem-estar infantil durante a internação (SILVA JML, et al., 2020). 

É evidente que a introdução de atividades lúdicas tornam o processo de tratamento menos doloroso e, de certa forma, mais leve (Alavi et al., 2021). A participação em brincadeiras não só melhora o humor e as interações sociais, mas também promove a expressão de sentimentos. Em suma, a ludoterapia se revela uma ferramenta indispensável no contexto da oncologia pediátrica, proporcionando não apenas alívio emocional, mas também contribuindo para o desenvolvimento integral da criança. 

4. CONCLUSÃO 

A presente revisão bibliográfica confirmou a ludoterapia como uma prática terapêutica eficaz, capaz de beneficiar o bem-estar emocional e psicológico de crianças em tratamento oncológico. Os achados indicam que o brincar é um recurso essencial para a criança expressar medos, ansiedades e ressignificar a experiência traumática da hospitalização. 

A ludoterapia contribui diretamente para a redução da ansiedade, melhora a comunicação com os profissionais de saúde e estimula as interações sociais. Em um ambiente de cuidado paliativo, ela garante que a criança continue a ter seu desenvolvimento emocional e social estimulado, mesmo diante da adversidade da doença. Portanto, é fundamental que a ludoterapia seja integrada e valorizada nas práticas de cuidado oncológico pediátrico. 

REFERÊNCIAS 

ALAVI, B. et al. Effectiveness of individual play therapy on hope, adjustment and pain response of children with leukemia hospitalized in Shahrivar Hospital, Rasht, Iran. Preventive Care in Nursing & Midwifery Journal, 2021. 

ANGERAMI-CAMON, V. A. A.; CHIATTONE, H. B. C.; NICOLETTI, E. A. O doente, a Psicologia e o Hospital. 3. ed. São Paulo: Pioneira Psicologia, 1996. 

AXLINE, V. M. Ludoterapia: A dinâmica interior da criança. Tradução de C. R. Rogers. 2. ed. Minas Gerais: Interlivros, 1980. 

BRASIL. Ministério da Saúde, Instituto Nacional de Câncer (INCA). Câncer Infanto-juvenil, 2020. 

DUARTE, I. Infância. In: DUARTE, I. BORNHOLTT & CASTRO, M. G. K. A prática da psicoterapia infantil. Porto Alegre: Editora das Artes Médicas Sul LTDA, 1989. p. 78- 122. 

KLEIN, M. Fundamentos psicológicos da análise de crianças. In: KLEIN, M. A psicanálise da criança. Rio de Janeiro: Imago, 1997. 

MATSUMOTO, D. Y. Cuidados Paliativos: conceitos, fundamentos e princípios. 2012. 

RIBEIRO, C. A.; ALMEIDA, F. A.; BORBA, R. I. H. A Criança e o Brinquedo no Hospital. In: ALMEIDA, F. A.; SABATÉS, L. A. São Paulo: Manole, 2008. 

SILVA, J. M. L. et al. O brinquedo terapêutico instrucional como ferramenta na assistência oncológica infantil. Research, Society and Development, 2020

SIQUEIRA, H. B. O. M. et al. Expressão da dor na criança com câncer: uma compreensão fenomenológica. Estudos de Psicologia (Campinas), v. 32, n. 4, p. 663-674, 2015. 

VALLE, E. R. M. (Ed.). Psico-oncologia Pediátrica. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2001. 

VYGOTSKY, L. S. A formação social da mente. 6. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2000. 

WANDERLEI, K. O lúdico no contexto hospitalar: quando o brincar no contexto hospitalar é recreação e quando é terapia. In: AFFONSO, R. M. L. (Ed.). Ludodiagnóstico: Investigação clínica através do brinquedo. Porto Alegre: Artmed, 2012. p. 192-200. 

WINNICOTT, D. W. A Criança e o seu Mundo. Tradução de A. Cabral. 6. ed. Rio de Janeiro: LTC, 1982.


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