LESÕES NO PERIODONTO APICAL DE ORIGEM NÃO PULPAR: DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL E IMPLICAÇÕES CLÍNICAS NA ENDODONTIA.

NON-PULPAL ORIGIN APICAL PERIODONTAL LESIONS: DIFFERENTIAL DIAGNOSIS AND CLINICAL IMPLICATIONS IN ENDODONTICS

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cs10202508122329


Ana Beatriz Barbosa Cruz1
Anna Carolina Santos Silva2
Daniele Ramos de Oliveira Santos 3
Antônio Henrique Braitt4


RESUMO 

Introdução: As lesões endodônticas periodontais recebem diversas classificações, o autor destaca a classificação de Simon et al. (1972) apud Storrer et al., (2012) em lesões endodônticas primárias com envolvimento periodontal secundário, lesões periodontais primárias, lesões periodontais primárias com envolvimento pulpar secundário e lesões combinadas verdadeiras. No início da odontogênese a polpa e o periodonto se comunicam, porém à medida que o feto evolui as estruturas vão se formando e se separando, restando como via de acesso o forame apical.  Quando existe uma lesão de cárie extensa as bactérias se estendem pelo canal radicular até chegar no ápice radicular. Objetivo: Diante disso, este estudo busca contribuir para o aperfeiçoamento do diagnóstico diferencial na prática clínica odontológica, fornecendo um embasamento teórico atualizado sobre as principais lesões periapicais de origem não pulpar e suas implicações na endodontia. Materiais e Métodos: Esse artigo trata-se de uma revisão integrativa de literatura, com o objetivo de reunir, identificar e analisar criteriosamente estudos que abordam Lesões no periodonto de origem não pulpar, com ênfase no diagnóstico diferencial e nas implicações clínicas na prática endodôntica. A busca bibliográfica foi realizada no Google acadêmico (Google Scholar), abrangendo publicações no período de 1972 a 2023). Foram utilizados os seguintes descritores em português e em inglês: “Endodontia”, “Lesão apical não pulpar”, “Lesões periapicais não endodônticas”. Foram incluídos artigos que abordam lesões periapicais de origem não pulpar com enfoque em diagnóstico e/ ou implicações clínicas em endodontia, bem como disponíveis na integram, em português e inglês, além de artigos originais, revisões de literatura, revisões sistemáticas ou estudo de caso relevantes. Como critério de exclusão, foram excluídos trabalhos duplicados, artigos incompletos, assim como publicações fora do escopo temático. Resultados: A revisão de literatura apresentada fornece uma visão detalhada sobre os cistos dentários, especificamente o cisto dentígero e o cisto periodontal, seus aspectos clínicos, diagnóstico e opções de tratamento. Ambos são cistos odontogênicos, mas com características e abordagens terapêuticas distintas, o que exige uma análise aprofundada para que o tratamento seja adequadamente escolhido. Conclusão: Essa revisão de literatura enfatiza a importância do conhecimento da Anatomia dos Canais Radiculares dos Incisivos inferiores, para o auxílio do profissional no tratamento endodôntico. Tal estudo visa a diminuição de falhas na instrumentação, irrigação e obturação, garantindo o sucesso do procedimento. Portanto, o processo de diafanização é crucial para o estudo e para adquirir conhecimento, permitindo através da visualização tridimensional, uma análise detalhada da morfologia dos Canais Radiculares; garantindo assim, para o  cirurgião-dentista maior segurança, uma melhor compreensão anatômica desse elemento, aprimoramento da técnica clínica, possibilita o planejamento e a escolha da melhor abordagem para o preparo químico-mecânico, a qualidade dos procedimentos e a garantia dos melhores prognósticos para os pacientes.

Palavras-chave: Lesões Endodônticas; Lesões Periapicais; Cistos Odontogênicos; Tumores Odontogênicos

ABSTRACT 

Introduction: Periodontal endodontic lesions receive several classifications, the author highlights the classification of Simon et al. (1972) apud Storrer et al., (2012) in primary endodontic lesions with secondary periodontal involvement, primary periodontal lesions, primary periodontal lesions with secondary pulp involvement and true combined lesions. At the beginning of odontogenesis, the pulp and periodontium communicate, but as the fetus evolves, the structures are formed and separated, leaving the apical foramen as the access route. When there is an extensive caries lesion, the bacteria extend through the root canal until reaching the root apex. Objective: In view of this, this study seeks to contribute to the improvement of differential diagnosis in clinical dental practice, providing an updated theoretical basis on the main periapical lesions of non-pulpal origin and their implications in endodontics. Materials and Methods: This article is an integrative literature review, aiming to gather, identify and carefully analyze studies that address non-pulp periodontal lesions, with an emphasis on differential diagnosis and clinical implications in endodontic practice. The bibliographic search was carried out in Google Scholar, covering publications from 1972 to 2023). The following descriptors were used in Portuguese and English: “Endodontia” (Endodontics); “Lesão apical não pulpar” (Non-pulp apical lesion); “Lesões periapiais não endodonticas” (Non-endodontic periapical lesions). Articles that address non-pulp periapical lesions with a focus on diagnosis and/or clinical implications in endodontics were included, as well as articles available in full, in Portuguese and English, in addition to original articles, literature reviews, systematic reviews or relevant case studies. As exclusion criteria, duplicate works, incomplete articles, as well as publications outside the thematic scope were excluded. Results: The literature review presented provides a detailed overview of dental cysts, specifically dentigerous cysts and periodontal cysts, their clinical aspects, diagnosis and treatment options. Both are odontogenic cysts, but with distinct characteristics and therapeutic approaches, which requires an in-depth analysis so that the treatment can be appropriately chosen. Conclusion: This literature review emphasizes the importance of knowledge of the anatomy of the root canals of the lower incisors, to assist the professional in endodontic treatment. Such a study aims to reduce failures in instrumentation, irrigation and obturation, ensuring the success of the procedure. Therefore, the diaphanization process is crucial for the study and to acquire knowledge, allowing, through three-dimensional visualization, a detailed analysis of the morphology of the root canals; thus ensuring greater safety for the dentist, a better anatomical understanding of this element, improvement of clinical technique, enabling the planning and choice of the best approach for chemical-mechanical preparation, the quality of procedures and the guarantee of the best prognosis for patients.

Keywords: Endodontic Lesions; Periapical Lesions; Odontogenic Cysts; Odontogenic tumors.

INTRODUÇÃO 

As lesões endodônticas periodontais recebem diversas classificações, o autor destaca a classificação de Simon et al. (1972) apud Storrer et al., (2012)1 em lesões endodônticas primárias com envolvimento periodontal secundário, lesões periodontais primárias, lesões periodontais primárias com envolvimento pulpar secundário e lesões combinadas verdadeiras. No início da odontogênese a polpa e o periodonto se comunicam, porém à medida que o feto evolui as estruturas vão se formando e se separando, restando como via de acesso o forame apical.  Quando existe uma lesão de cárie extensa as bactérias se estendem pelo canal radicular até chegar no ápice radicular. 

Cistos são lesões frequentes que formam cavidades patológicas localizadas no interior dos ossos ou nos tecidos moles. Elas podem ou não ser revestidas por epitélio, contendo material líquido ou semissólido. Os cistos não odontogênicos, apesar de ter sua patogênese indefinida, o consenso geral é que foram formados através dos restos epiteliais da embriogênese. Já os cistos odontogênicos surgem a partir dos restos epiteliais de Malassez2

Os tumores odontogênicos podem ser benignos ou malignos. Tumores benignos são classificados em   odontogênicos epiteliais, mesenquimais e mistos. Os tumores malignos são raros.  

As lesões periapicais são frequentemente associadas a processos inflamatórios ou infecciosos de origem endodôntica, o que pode levar a um diagnóstico clínico simplificado, no qual a polpa dental é considerada a principal fonte da patologia. No entanto, diversas condições não endodônticas podem acometer o periodonto apical, como cistos, tumores odontogênicos e não odontogênicos, lesões inflamatórias de origem periodontal e até manifestações sistêmicas que envolvem a região periapical3. A diferenciação entre essas patologias é fundamental para evitar condutas inadequadas, como tratamentos endodônticos desnecessários ou a negligência de doenças potencialmente graves. 

O diagnóstico diferencial dessas lesões exige uma abordagem clínica criteriosa, complementada por exames de imagem e, em muitos casos, avaliação histopatológica. Métodos como radiografias periapicais, tomografia computadorizada de feixe cônico (TCFC) e exames laboratoriais são ferramentas essenciais para determinar a real natureza da lesão4. Assim, compreender as particularidades das lesões periapicais de origem não pulpar é imprescindível para a conduta terapêutica adequada, garantindo um prognóstico mais favorável ao paciente. 

Diante desse cenário, este estudo busca responder à seguinte questão: quais são os principais critérios clínicos e radiográficos para diferenciar lesões no periodonto apical de origem não pulpar das de origem endodôntica, e quais são as implicações clínicas dessa diferenciação na prática endodôntica? A investigação desses critérios pode contribuir para a elaboração de diretrizes diagnósticas mais eficazes, promovendo uma abordagem terapêutica baseada em evidências e reduzindo erros clínicos na endodontia.

Portanto, este estudo busca contribuir para o aperfeiçoamento do diagnóstico diferencial na prática clínica odontológica, fornecendo um embasamento teórico atualizado sobre as principais lesões periapicais de origem não pulpar e suas implicações na endodontia. A correta identificação dessas lesões pode auxiliar na tomada de decisões mais precisas, minimizando tratamentos inadequados e garantindo um manejo clínico mais eficaz.

REVISÃO DA LITERATURA.

As lesões no periodonto apical de origem não pulpar representam um desafio diagnóstico significativo na prática endodôntica. Embora a maioria das lesões periapicais esteja associada a infecções endodônticas decorrentes da necrose pulpar, diversas condições não pulpares, como cistos não odontogênicos, tumores, doenças ósseas e manifestações de patologias sistêmicas, podem afetar a região periapical, exigindo um diagnóstico diferencial preciso3,5. A dificuldade em distinguir essas lesões das de origem pulpar pode levar a diagnósticos equivocados e, consequentemente, a tratamentos inadequados, impactando negativamente a saúde bucal dos pacientes.

Em 1964, Simring e Golberg6 descreveram a relação entre as doenças de origem endodônticas e periodontal, demonstrando que as infecções pulpares podem resultar em um processo de destruição tecidual que tem início no ápice dentário e segue em direção a região da margem gengival.

O diagnóstico diferencial dessas lesões é complexo e requer uma abordagem integrada, combinando dados clínicos, radiográficos e, em alguns casos, exames histopatológicos7. Lesões como displasias ósseas, cistos ósseos simples, granulomas centrais de células gigantes e tumores odontogênicos podem mimetizar patologias endodônticas, dificultando a decisão clínica e aumentando o risco de tratamentos desnecessários, como intervenções endodônticas em dentes sem comprometimento pulpar 8.

Cistos odontogênicos, maioria dos cistos maxilares, são aqueles que se originam do epitélio odontogênico. Os cistos que se originam de uma cápsula de tecido conjuntivo fibroso são classificados como cistos de desenvolvimento e inflamatórios. O cisto dentígero é um exemplo de cisto não odontogênico. Essa lesão é revestida por um epitélio com poucas camadas que pode lembrar o epitélio reduzido do órgão do esmalte, quando está inflamado esse epitélio o epitélio se mostra hiperplásico e geralmente pavimentoso. O cisto possui neutrófilos no lúmen, o que atrai mediadores inflamatórios, exemplo prostaglandinas e os lifócitos-T vão produzir citocinas pró-inflamatórias. Esses dois agentes ativam os osteoclastos, o que causa na reabsorção da matriz óssea9

O diagnóstico correto das lesões endoperiodontais depende do conhecimento das características morfofuncionais dos tecidos periodontal e pulpar10

O cisto dentígero é considerado um dos mais frequentes na maxila. Se caracteriza por ser um cisto odontogênico associado à coroa de um dente não irrompido. Por ter um crescimento lento e não apresentar sintomatologia dolorosa, seu diagnóstico se torna difícil. Este cisto também pode atrapalhar a erupção de dentes vizinhos e causar o rachamento11.

Existem vários tratamentos para o cisto dentígero, sendo o padrão a enucleação e extração dos dentes envolvidos. Essa geralmente é a escolha para cistos menores e quando não tem contato com estruturas anatômicas importantes. Em lesões extensas, o recomendado é a marsupialização, que é a descompressão da lesão. Essa técnica deve ser a escolha para o caso de crianças pois é uma técnica cirúrgica menos invasiva, mantém o dente impactado em sua cavidade, promove a erupção e minimiza o risco de danos às estruturas anatômicas12.

Radiograficamente, o cisto dentígero se caracteriza por ter uma imagem radiolúcida unilocular bem circunscrita e com margem esclerótica associada à coroa de um dente incluso13.

A maioria dos casos são diagnosticados e tratados na segunda década de vida. Segundo o estudo de Trento et al13, a idade média encontrada é de dezoito anos.

As técnicas de marsupialização e enucleação são as mais citadas quando se pensa em tratamento para cistos dentígeros. De acordo com os autores Trento et al13, essas duas técnicas faziam parte de seu trabalho, já que primeiro é melhor fazer a marsupialização para diminuir o tamanho do tumor benigno e depois realizar a enucleação.

Apesar desse cisto ter características específicas nas radiografias, este pode ser confundido com outras lesões. Sendo assim, se torna difícil obter um diagnóstico se baseando somente nos exames radiográficos14.

Uma estrutura que pode ser facilmente confundida com um cisto dentígero pequeno é o folículo pericoronário. Este folículo está geralmente associado a dentes inclusos ou impactados e encontra-se preso ao colo dentário e envolvendo a coroa14.

Carli et al14 em sua pesquisa, concluíram que os parâmetros histopatológicos e a dimensão dos halos não são parâmetro decisivo para diagnóstico e o halo radiolúcido dos folículos nas radiografias foi 0,1mm maior que o cisto dentígero.

No contexto da endodontia, a precisão diagnóstica dessas lesões é fundamental para determinar a conduta terapêutica mais adequada, evitando tratamentos endodônticos desnecessários e garantindo o encaminhamento correto para outras especialidades, como periodontia e cirurgia buco-maxilo-facial15. Além disso, o avanço das técnicas de imagem, como a tomografia computadorizada de feixe cônico (TCFC), tem se mostrado um recurso valioso para diferenciar lesões periapicais de origem pulpar e não pulpar, auxiliando na tomada de decisão clínica16.

MATERIAL E MÉTODOS 

Esse artigo trata-se de uma revisão integrativa de literatura, com o objetivo de reunir, identificar e analisar criteriosamente estudos que abordam Lesões no periodonto de origem não pulpar, com ênfase no diagnóstico diferencial e nas implicações clínicas na prática endodôntica.

A busca bibliográfica foi realizada no Google acadêmico (Google Scholar), abrangendo publicações no período de 1972 a 2023). Foram utilizados os seguintes descritores em português e em inglês: “Endodontia”, “Lesão apical não pulpar”, “Lesões periapicais não endodônticas”.

Foram incluídos artigos que abordam lesões periapicais de origem não pulpar com enfoque em diagnóstico e/ ou implicações clínicas em endodontia, bem como disponíveis na integram, em português e inglês, além de artigos originais, revisões de literatura, revisões sistemáticas ou estudo de caso relevantes.

Como critério de exclusão, foram excluídos trabalhos duplicados, artigos incompletos, assim como publicações fora do escopo temático.

RESULTADOS E DISCUSSÃO 

A revisão de literatura apresentada fornece uma visão detalhada sobre os cistos dentários, especificamente o cisto dentígero e o cisto periodontal, seus aspectos clínicos, diagnóstico e opções de tratamento. Ambos são cistos odontogênicos, mas com características e abordagens terapêuticas distintas, o que exige uma análise aprofundada para que o tratamento seja adequadamente escolhido.

O cisto dentígero é um dos cistos odontogênicos mais comuns encontrados na maxila, sendo frequentemente diagnosticado em dentes não irrompidos, o que representa um desafio diagnóstico devido à ausência de sintomas evidentes, como dor. Como apontado por Vaz17, o cisto dentígero possui um crescimento lento e geralmente assintomático, o que pode atrasar o diagnóstico até que o cisto atinja um tamanho considerável ou interfira na erupção dos dentes vizinhos. Essa característica pode resultar no deslocamento ou até mesmo no rachamento desses dentes adjacentes, o que demanda uma abordagem terapêutica cuidadosa.

Os tratamentos para o cisto dentígero variam conforme a extensão da lesão e a relação com as estruturas anatômicas adjacentes. A enucleação, associada à extração dos dentes envolvidos, é considerada o tratamento padrão para casos menores ou quando não há comprometimento de estruturas vitais. No entanto, em casos mais extensos, a marsupialização é uma alternativa que visa a descompressão da lesão e é particularmente indicada para crianças, conforme descrito por Santana12

A escolha da marsupialização é justificada pelo seu caráter menos invasivo e pelo fato de permitir a erupção do dente impactado, minimizando os riscos de danos às estruturas anatômicas ao redor. Essa abordagem também é menos traumática para o paciente, o que é fundamental na infância, onde o desenvolvimento da estrutura dentária precisa ser preservado.

Por outro lado, o cisto periodontal tem origem nos restos epiteliais do ligamento periodontal e é localizado junto ao ápice radicular do dente. Embora também seja um cisto odontogênico, sua sintomatologia tende a ser mais discreta, com dor apenas quando há infecção associada18. Isso destaca a importância de um diagnóstico preciso, uma vez que o paciente pode não relatar desconforto até que a condição se agrave.

A abordagem terapêutica do cisto periodontal depende da avaliação da extensão da lesão e de fatores individuais do paciente, como idade e condições clínicas. O tratamento endodôntico pode ser eficaz em lesões pequenas ou quando há possibilidade de regressão parcial da lesão, enquanto a enucleação cirúrgica é indicada para casos mais extensos ou quando o cisto comprometer estruturas anatômicas adjacentes. A escolha entre essas opções requer uma análise cuidadosa da condição clínica do paciente e da evolução da lesão, pois ambas as técnicas possuem indicações específicas baseadas no estágio da doença.

Ambos os cistos, dentígero e periodontal, exigem diagnóstico precoce para evitar complicações mais graves, como o comprometimento da erupção dentária ou danos a estruturas vitais. O tratamento deve ser personalizado, levando em consideração a extensão da lesão, a idade do paciente, as características anatômicas envolvidas e o risco de complicações. A enucleação, apesar de ser o tratamento padrão em muitos casos, não deve ser a única opção considerada, especialmente em pacientes pediátricos, onde a preservação da estrutura dentária e a minimização de danos anatômicos são fundamentais.

A revisão de literatura evidencia a importância de uma avaliação clínica e radiográfica detalhada, além de uma abordagem multidisciplinar, envolvendo, quando necessário, endodontistas, periodontistas e cirurgiões. Isso garante que o tratamento escolhido seja o mais eficaz e menos invasivo possível, promovendo uma recuperação completa para o paciente e preservando a funcionalidade dentária a longo prazo.

CONCLUSÃO.

O diagnóstico diferencial das lesões no periodonto apical de origem não pulpar é essencial para a definição da conduta clínica adequada na endodontia. A semelhança radiográfica entre essas lesões e as de origem pulpar pode levar a erros de diagnóstico, resultando em tratamentos endodônticos desnecessários ou na negligência de condições mais complexas3,5. O uso de exames complementares, como a tomografia computadorizada de feixe cônico (TCFC), tem se mostrado um recurso valioso para aumentar a precisão diagnóstica e guiar o manejo clínico correto16.

A adoção de critérios clínicos e radiográficos mais rigorosos, aliada à atualização constante dos profissionais, contribui para uma abordagem mais assertiva, reduzindo falhas terapêuticas e melhorando o prognóstico dos pacientes7

Portanto, este estudo reforça a importância da investigação contínua sobre o tema, visando à padronização de protocolos diagnósticos que otimizem a prática endodôntica.

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1Discente do curso de Odontologia da Faculdade de Ilhéus, Centro de Ensino Superior, Ilhéus, Bahia. e-mail: bibiaanacruz06@gmail.com
2Discente do curso de Odontologia da Faculdade de Ilhéus, Centro de Ensino Superior, Ilhéus, Bahia. e-mail: ac.santossilva@hotmail.com
3Discente do curso de Odontologia da Faculdade de Ilhéus, Centro de Ensino Superior, Ilhéus, Bahia. e-mail: danramos244@hotmail.com
4Especialista e Mestre em Endodontia. Docente do curso de Odontologia da Faculdade de Ilhéus, Centro de Ensino Superior, Ilhéus, Bahia. e-mail: antoniohenriquebraitt@gmail.com