LÂMPADA FLUORESCENTE; UMA ABORDAGEM PARA O ENSINO DE FÍSICA ATRAVÉS DE PRÁTICAS EXPERIMENTAIS APLICADAS EM SALA DE AULA PARA ALUNOS DA TERCEIRA SÉRIE DO ENSINO MÉDIO

FLUORESCENT LAMP; AN APPROACH TO TEACHING PHYSICS THROUGH EXPERIMENTAL PRACTICES APPLIED IN THE CLASSROOM FOR THIRD GRADE HIGH SCHOOL STUDENTS

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202512291106


Luciano D’Emidio Moreira Finicelli1


RESUMO

Este trabalho abordou os conhecimentos de Física presente no funcionamento de lâmpadas fluorescentes que estão ao nosso redor e nos lugares mais diversos do mundo. Tendo como alvo o desenvolvimento de um projeto educativo junto aos alunos do Ensino Médio como estratégia de aprendizagem para o esclarecimento e compreensão dos temas expostos em sala de aula em conformidade com a realidade de cada aluno no seu dia-a-dia. O projeto foi desenvolvido numa Escola da Rede Pública de Ensino de Manaus para alunos do terceiro ano do Ensino Médio. A metodologia apresentada em sala de aula enfatizou o emprego de atividades experimentais com materiais de baixo custo, nas quais, a partir da elaboração e construção de um circuito elétrico para o funcionamento de uma lâmpada fluorescente foram explorados os conceitos da Física Clássica até a Física Moderna de forma interconectada. Assim, os alunos foram capazes de entender, não apenas o efeito Joule que ocorre nos relés, as noções de circuitos elétricos, etc, mas também, a formação da luz proveniente da lâmpada fluorescente, estrutura atômica da matéria, salto quântico, etc. Ao fim do projeto os alunos vivenciaram a aplicabilidade do conteúdo estudado em sala de aula, eliminando perguntas do tipo: “Por que eu preciso estudar este assunto?”.  A presente metodologia, diferentemente da empregada tradicionalmente, valorizou a construção do conhecimento do aluno, contribuiu de maneira inequívoca na formação de sua cidadania, e insere no mercado de trabalho indivíduos mais qualificados, capacitados e conhecedores do saber científico.

Palavras-chave: Ensino de Física; Cidadania; Experimentação; Lâmpada Fluorescente; Circuito Elétrico.

ABSTRACT

This study addressed the knowledge of Physics present in the operation of fluorescent lamps that are around us and in the most diverse places in the world. Aiming at the development of an educational project with high school students as a learning strategy for clarifying and understanding the topics exposed in the classroom in accordance with the reality of each student in their day-to-day. The project was developed in a public school in Manaus for students in the third year of high school. The methodology presented in the classroom emphasized the use of experimental activities with low cost materials, in which, from the elaboration and construction of an electrical circuit for the operation of a fluorescent lamp, the concepts of Classical Physics to Modern Physics were explored in an interconnected way. Thus, the students were able to understand not only the Joule effect that occurs in relays, the notions of electrical circuits, etc., but also the formation of light from the fluorescent lamp, the atomic structure of matter, quantum leap, etc. At the end of the project, the students experienced the applicability of the content studied in the classroom, eliminating questions like: “Why do I need to study this subject?”. The present methodology, unlike the one traditionally employed, valued the construction of student knowledge, contributed unequivocally to the formation of their citizenship, and inserts more qualified, capable and knowledgeable individuals into the job market.

Keywords: Physics Teaching; Citizenship; Experimentation; Fluorescent lamp; Electric circuit.

INTRODUÇÃO

Ao longo dos anos estudar ciências é uma tarefa considerada entediante que causa poucos estímulos nos alunos, pois não há contextualização com a realidade, e de forma conteudista e tradicional na sua totalidade abrange apenas a resolução de problemas. Assim, o ensino deste componente curricular com base nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) buscando um aprendizado mais significativo, vinculá-se ao processo ensino-aprendizado também por intermédio de experimentos, demonstrações na qual haja um protocolo ou roteiro de experimentação para tal fim.

A presente pesquisa visa analisar os impactos do aprendizado no componente curricular da disciplina de física por meio de atividades experimentais e o uso de um aplicativo para os alunos do terceiro ano do Ensino Médio da escola estadual Professor Júlio César de Moraes Passos na cidade de Manaus-AM/Brasil, no período de 2019. Cabe aqui também salientar que as práticas experimentais devem promover à discussão e interpretação dos resultados obtidos, sendo o professor em sala de aula o personagem que apresentará os conceitos e teorias da experimentação não de forma autoritária e, sim como um orientador, tornando possível aos alunos uma visão real do projeto realizado. Nesta hora o papel do professor irá tornar para os alunos uma ocasião inesquecível durante a aprendizagem por meio de aulas mais prazerosas, pois as experiências e/ou práticas experimentais sempre despertarão grande interesse àqueles a que observam-na pelo seu enriquecimento no aprendizado.

O problema que motivou está pesquisa surgiu quando observou-se que os alunos da escola estadual Professor Júlio César de Moraes Passos da terceira série do ensino médio na Cidade de Manaus-AM/Brasil, não estavam sensibilizados para a noção no campo de Ensino do Estudo de Física.  Com isso, esta pesquisa tem como objetivo incitar o uso de atividades práticas experimentais para compreensão dos conceitos básicos da Física. 

A presente pesquisa exemplifica em sua Justificativa: A Física é uma Ciência Exata e da Terra, sobretudo natural, a execução de experimentos práticos para compreensão de fenômenos diversos é a base desta Ciência, sendo assim inadmissível a falta desta metodologia em salas de aula seja qual for o nível de aprendizado ao qual se propõem o aluno.

APRENDER FAZENDO: A IMPORTÂNCIA DAS ATIVIDADES PRÁTICAS

A ideia fundamental de Dewey era a de que, a partir de alguns dados fornecidos aos alunos, estes deveriam ser capazes de interpretar e solucionar os problemas propostos. Segundo Dewey, as atividades práticas possibilitariam o contato do aluno com a realidade, o que estimularia seu envolvimento pessoal com a situação-problema. Entretanto, para que este envolvimento ocorresse durante processo de ensino-aprendizado o ensino deveria sustentar-se em três pilares fundamentais, são eles: (1) a compreensão não de maneira estática e sim de maneira dinâmica através do método ativo; (2) os professores e os alunos, cada qual, assumindo suas responsabilidades; (3) a produção do conhecimento deve-se dar de modo coletivo.  [Dewey, John. Prática Pedagógica – História]

O advento do aprender consiste em comunicar, construir, indagar e expressar a fim de obter uma informação mais exata, concisa. Trazendo consigo a experiência de sua vivência, seus interesses, suas habilidades e seus meios cabendo ao professor a competência de instruir essas crianças a situações satisfatórias. A importância do aprender fazendo está na experiência educativa na qual o aluno traz consigo o raciocínio do aprendizado por meio das suas percepções de relações antes não conhecidas.  A implementação de práticas experimentais carrega consigo o projeto de criar etapas e executá-las: o antes, o durante e o depois, trazendo a importância da reflexão sobre aquilo que está se fazendo, somando ao indivíduo novas habilidades e conhecimentos. Deste modo para Dewey o universo da criança é enriquecido e o conteúdo armazenado ganha um significado de aplicação para vida cotidiana. Isso é de fato Educação, o auto crescimento a partir da auto realização criando de fato um ambiente satisfatório para o aprendiz. Dentro deste cenário de sua visão de educação, Dewey buscava o ponto de pacificação, o equilíbrio, entre uma educação furtiva adquirida no dia a dia e a educação tradicional repassada nas escolas. (Cunha, Marcos. 1994)

De acordo com Dewey, o ato de aprender relaciona-se também às condições do ambiente, isto quer dizer que o local pode trazer estímulos ao indivíduo ou também desencorajá-lo. Essas características físicas do local e/ou o “clima do ambiente”, situação emocional do educador na ocasião relacionam-se diretamente no resultado do processo do ensino-aprendizagem. É fácil perceber a partir dessa perspectiva que atividades sistemáticas ditas educativas na qual o aprendizado é aplicado de modo a coagir  e pressionar o indivíduo está longe de gerar bons resultados. O ato de educar precisa incitar ao aluno à aquisição da experiência acarretando no processo da aprendizagem os estímulos necessários para compreensão do certo ou errado, o estímulo norteia o indivíduo dentro do processo, causa euforia no organismo direcionando-o ao resultado final pois este relaciona-se a uma condição para com o próprio indivíduo no seu aprendizado. Por isso, dentro deste espectro pedagógico, a escola precisa estar preparada para receber esses indivíduos com suas experiências outrora aprendidas como ferramenta a mais para novas experiências em suas respectivas jornadas vinculadas a formação de cidadãos verdadeiros para uma sociedade de realidades verdadeiras. E não criar apenas uma realidade isolada para um conhecimento intelectual abstrato muitas vezes sem uma percepção de sentido de aplicação social com um único objetivo supostamente educativo. Para Dewey isto não tem valor pois uma vez fora do ambiente da escola será subitamente esquecido pelo indivíduo por não ter sentido para o mesmo, assim este tipo de aprendizado desvinculado da realidade não apenas do indivíduo mas sim da sociedade na qual este faz parte (WESTBROOK e  TEIXEIRA, John Dewey. 2010).

Em sua teoria, Jerome Bruner deixa claro que o aprendizado se dá por meio da ação e construção focando nas qualidades, habilidades, domínio, imaginação, resolução de problemas e tantos outros mais de cada aluno. Nela, a aprendizagem de forma alguma é limitada, ou seja, o aluno será conduzido ao seu auto aprendizado a fim de solucionar obstáculos e criar alternativas. Dentro dessa perspectiva a escola necessita conduzir o indivíduo a criar novos meios de descobertas tanto para dificuldades atuais como também dificuldades já conhecidas dentro da sua própria realidade, sociedade. O professor considerará nos alunos características como a compatibilidade, motivação, atitude diante dos obstáculos propostos em sala de aula, constatando o desenvolvimento intelectual destes em integrar e memorizar o conhecimento para uso posterior em sua total realidade. A teórica da descoberta de Bruner cria em sala aula durante a explicações do professor educador, um ambiente harmonioso, distinto e favorável para o ensino pois através das atitudes dos alunos surgirão as discussões quanto ao tema abordado identificando pontos importantes do conhecimento, a questão da compatibilidade em relação aos conceitos científicos e o senso comum para que não haja interpretações equivocadas durante o processo do aprendizado, o professor precisa abordar uma dinâmica atraente que emocione seus ouvintes a fim de trabalhar a questão da motivação, é claro. Ainda nesse contexto de um ambiente favorável à descoberta, as habilidades dos alunos em relacionar teoria e prática estarão presente, por isso o professor educador incitará os alunos para trabalhos efetivamente aplicáveis e de grande importância sua aplicação, veracidando este conhecimento que será útil para toda sua vida (Bruner, J. 2001).

De acordo com Piaget, o aluno precisa de incitação de modo a aguçar a curiosidade pelo conhecimento, seja a partir de uma interação individual ou coletiva por meios dos mais diversos métodos existentes como ferramentas de trabalho do professor objetivando é claro o método ativo de Piaget, a interação ativa do aluno. É importante que o professor crie meios que desafiem os alunos durante as aulas.  O processo do ensino-aprendizagem precisa e deve conduzir o aluno ao autoaprendizado no que diz respeito a solução de situações problemas de sua sociedade e, será através do ato de agir que o processo da construção da consciência é realizado. Neste contexto as práticas experimentais são métodos ativos que conduzem os alunos ao progresso, Piaget comenta que as habilidades fundamentais da inteligência compreende  nas construções das estruturas daquilo que é real, ou seja, daquilo que não é repetitivo e apenas verbal. Em muitas de suas reflexões quanto ao ensino em diversas área do conhecimento, destaca-se para este caso o ensino de física, uma ciência natural e da terra, traz uma função de extrema importância na construção da inteligência criativa, ativa e crítica que acarretam numa perspectiva construtiva que habilita a formação do lado científico dos alunos contribuindo em seu desenvolvimento intelectual (Moreira, M.A.A., 1999.)  

O USO DE SOFTWARES NA EDUCAÇÃO

As tecnologias estão ao alcance de todos e devem ser trabalhadas nas práticas de sala de aula, melhorando as características e os aspectos da construção do aprendizado em Física, com isso acredita-se que estas novas ferramentas que estão disponibilizadas tanto para alunos como para professores venham efetivamente ser utilizadas contribuindo com isso para um resultado satisfatório em sala de aula não apenas de experimentação, mas de toda e qualquer atividade relacionada a construção do saber em Física.

A computação é um instrumento de inovação poderosa e já reconhecida na sociedade e traz benefícios para todos, fazer uso desta ferramenta enriquece o lúdico durante os processos de ensino envolvido na educação pois através de sua apresentação, ou seja, interface gráfica o dinamismo das aulas estará garantido porque a imagem consegue inserir um número significativo de informações através dos movimentos, suas cores e todos efeitos presentes na tela. Além do mais, com o auxílio de softwares o aluno não precisar de tanta abstração para compreensão do aprendizado. Cabe ao professor não restringir apenas o uso das pesquisas e dos livros textos, é preciso que este crie estratégias para que a construção do conhecimento seja feita também a partir da ótica computacional e, com isso, passe a integrar essa tecnologia em seu plano de ensino. O computador auxilia o aprendizado possibilitando a inserção do aluno nesta sociedade globalizada, alfabetiza o indivíduo em novas práticas durante a sua formação de cidadão dentro desta inclusão digital, torna-se assim indispensável o uso desta tecnologia, com o uso destes softwares o aluno será o seu próprio agente da aprendizagem, por meio da orientação do professor (Freire, 2001). 

Por exemplo, nesta pesquisa utilizou-se um software de simulação de funcionamento de uma lâmpada fluorescente convencional, de âmbito gratuito, fornecido pelo PHET COLORADO, disponível em : https://phet.colorado.edu/pt_BR/simulation/legacy/discharge-lamps da Universidade do Colorado. Com o auxílio deste software o aluno presente em sala de aula terá uma visão de como as descargas elétricas ocorrem dentro do tubo da lâmpada fluorescente convencional acarretando no brilho desta. Demonstração essa que apenas aplicada verbalmente numa abordagem tradicional tornaria o aprendizado de conhecimento pouco satisfatório.

Imagem 01: Programa de Demonstração do Funcionamento de Lâmpada Fluorescente

Fonte: http://phet.colorado.edu

METODOLOGIA

Tratando-se da abordagem, consistiu em uma pesquisa qualitativa e quantitativa, adotando como procedimento técnico pesquisa documental e levantamento operacionalizado através de análises. Deste modo, através da classificação das fontes possibilita a realização de um julgamento qualitativo complementado por “estudo estatístico comparado” (FONSECA, 1986).

Com enfoque experimental onde apresenta um método de investigação que envolve a manipulação de tratamentos na tentativa de estabelecer relações de causa-efeito nas variáveis investigadas. A variável independente é manipulada para julgar seu efeito sobre uma variável dependente. A relação de causa-efeito não pode ser estabelecida através de técnicas estatísticas, mas somente pela aplicação de pensamento lógico para experimentos bem delineados. O processo lógico estabelece que nenhuma outra explicação razoável pode existir para as mudanças na variável dependente exceto a manipulação da variável independente. Conforme Senge (1995).

Pretende-se atingir, além da comprovação do aprendizado através de práticas experimentais em sala de aula para o ensino de física, a aplicação deste aprendizado dentro da sociedade na qual o indivíduo pertence. 

Em resumo, para a elaboração e estruturação do projeto, seguiram-se as seguintes etapas:

  1. Definição do Tema e dos Conteúdos
  2. Seleção das Atividades (Vídeos, experimentos, textos)
  3. Escolha dos Materiais
  4. Construção dos Roteiros e Formulários
  5. Construção dos Kits
  6. Aplicação em Sala de Aula
  7. Avaliação da Proposta

Imagem 01: Estrutura do Conteúdo

Fonte: Elaborado pelo autor (2018)

A pesquisa de aplicação das práticas experimentais deste projeto desenvolve-se ao longo de 16 aulas, estas realizadas de formas dialogadas, algumas parcialmente expositivas e na sua maioria através de práticas experimentais e também com o auxílio de vídeos-aula. Esta foi realizada na Escola Estadual Professor Júlio César de Moraes Passos da rede pública de Manaus-Am/Brasil localizada na Av. Max Teixeira, 1041 – bairro cidade nova, Manaus – AM, 69093-770, possui um universo de 1428 alunos distribuídos em turnos diferentes, e 32 professores. 

O pesquisador escolheu para sua coleta, 101 alunos da terceira série do ensino médio e 01 professor da disciplina de física. Amostra foi realizada com o valor total da população durante as práticas experimentais. 

Técnicas e instrumentos de coletas de dados

Para efeito de avaliação da aplicabilidade e viabilidade deste projeto construiu-se um conjunto de questionários para verificação do aprendizado e conhecimentos que serão adquiridos pelos alunos, estes questionários possuem questões objetivas a respeito destes experimentos, apenas o primeiro questionário aplicado contém questões discursiva, pois sua finalidade será de recolher as explicações prévias dos alunos antes deles estudarem o assunto, para no final compararmos os resultados. Visando o êxito dos experimentos expostos aos alunos, alguns procedimentos para a elaboração e criação das atividades propostas foram criados e, solicitou-se aos alunos que seguissem as etapas descritas pelo professor responsável pelo projeto. Após a seleção dos materiais, os alunos foram advertidos quanto às regras de segurança de trabalho, atenção e os cuidados necessários ao manuseio dos materiais.

Procedimentos de Aplicação de Instrumentos

Os instrumentos de coleta de dados desta pesquisa foram aplicados pelo professor do projeto a cada aluno participante desta pesquisa sempre após a realização das atividades práticas em sala de aula. Com exceção da aplicação para os formulários de sondagem de conhecimentos prévios dos assuntos e dados dos pais de alunos.

ANÁLISE DE RESULTADOS

Organização e avaliação dos resultados

De acordo com Chizzotti (1995), a coleta de dados é uma etapa crucial da pesquisa pois nesta etapa o professor-pesquisador irá comprovar ou não suas hipóteses pois esta terá como alicerce os dados que serão coletados. Dentro deste contexto, os gráficos de 1 a 5, reproduzem os resultados coletados das respostas dos 101 alunos participantes, possibilitando-nos aferir o grau da relevância da proposta para a aprendizagem dos conteúdos selecionados. 

Gráfico 1: Resultados obtidos do  questionário 2

Fonte: Dados da Pesquisa 2018

O gráfico 1 verificou o conhecimento prévio dos alunos quanto ao que os mesmos já sabiam sobre alguns conceitos básicos do funcionamento das lâmpadas incandescentes e fluorescentes. O questionário, como foi explicado, continha cinco (5) perguntas dissertativas. Para efeito de avaliação das respostas dos alunos, utilizou-se os seguintes critérios: não respondeu, respondeu errado, respondeu razoável e respondeu coerente, que foram identificadas, respectivamente, pelas letras “a”, “b”, “c” e “d”. A análise do gráfico acima revelou um dado surpreendente: os alunos demonstraram não saber o que é uma lâmpada. Contudo, sabem que serve para iluminar um ambiente. Quanto aos tipos de lâmpadas, comumente empregadas nas residências, quase todos sabem que as lâmpadas podem estar classificadas em incandescente e fluorescente. Todavia, desconhecem os processos que geram a luz, seja na incandescente ou fluorescente. Também, pode ser observado que os alunos desconheciam os componentes básicos de uma lâmpada fluorescente convencional. Para uma análise mais detalhada do gráfico 1  segue à tabela 4 de amostragem dos dados referentes ao questionário 2. As alternativas corretas são as que possuem maior tiragem.

Tabela 1: Total de cada alternativa marcada no questionário 2.

Alternativas
Questão ABCD
14127330
2323066
3742700
4683300
56561218

Fonte: Dados da Pesquisa 2018

Gráfico 2: Resultados obtidos do  questionário 3

Fonte: Dados da Pesquisa 2018

O gráfico 2 procurou verificar se os alunos conseguiram obter o conhecimento necessário quanto a montagem do circuito em série. Para tanto, elaborou-se quatro (4) perguntas objetivas, cada uma delas possuindo quatro (4) alternativas: a,b,c,d.  As questões 1, 2, 3 e 4 observaram, respectivamente, os seguintes aspectos numa associação em série:  a corrente principal percorre um único caminho dentro de um circuito elétrico; o fluxo de carga que passa num elemento resistivo é o mesmo em todos os outros elementos resistivos no circuito; a tensão específica em cada resistor e  a tensão do circuito dada pela somatória das tensões de cada resistor. 

A análise do gráfico 2 demonstrou que os alunos foram unânimes quanto ao conhecimento de que numa associação em série a corrente principal percorre um único caminho dentro de um circuito elétrico. Percebeu-se também que a maioria dos alunos  compreenderam que o fluxo de carga elétrica que passa num elemento resistivo é o mesmo em todos os outros elementos resistivos no circuito em série. Houve uma pequena dispersão das respostas na questão 3 referente a cada resistor possuir uma tensão específica. Contudo, a maioria conseguiu marcar a opção correta. Por fim, constata-se que os alunos foram capazes de compreender que numa associação em série, a tensão do circuito é a somatória das tensões de cada resistor. Para uma análise mais detalhada do gráfico 2 segue a tabela 5 de amostragem dos dados referentes ao questionário 3.  As alternativas corretas são as que possuem maior tiragem.

Tabela 2: Total de cada alternativa marcada no questionário 3.

Alternativas
QuestãoABCD
1001010
229360
3224966
489831

Fonte: Dados da Pesquisa 2018

Gráfico 3: Resultados obtidos do  questionário 4

Fonte: Dados da Pesquisa 2018

Verificou-se a partir do gráfico 3 se os alunos conseguiram obter o conhecimento necessário quanto a montagem do circuito em paralelo. Foram 4 perguntas objetivas onde cada pergunta possuía 4 alternativas: a,b,c,d.  As questões 1, 2, 3 e 4 observaram respectivamente os seguintes aspectos numa associação em paralelo:  Após o circuito ser fechado a corrente elétrica principal foi dividida; A corrente elétrica principal não é compartilhada por todos os resistores do circuito; A tensão dos resistores do circuito é a mesma para cada resistor; A corrente elétrica principal é a somatória de todas as correntes do circuito.

A análise do gráfico 3 demonstrou que os alunos foram capazes de compreender que numa associação em paralelo a corrente elétrica principal se divide ao passar por um nó no circuito, que no caso do experimento fora em duas subcorrentes, logo a corrente principal não pode ser a mesma em todos os resistores do circuito, isto pode ser confirmado interpretando as questões 1 e 2 no gráfico 3. Houve uma pequena dispersão observando as questões 3 e 4  que foram referentes respectivamente a: A tensão dos resistores do circuito é a mesma para cada resistor e; A corrente elétrica principal é a somatória de todas as correntes do circuito.

Todavia, a maioria conseguiu marcar a opção correta. Para uma análise mais detalhada do gráfico 3 segue a tabela 6 de amostragem dos dados referentes ao questionário 3. As alternativas corretas são as que possuem maior tiragem.

Tabela 3: Total de cada alternativa marcada no questionário 4

Alternativas
QuestãoABCD
115095
268762
3791732
4310880

Fonte: Dados da Pesquisa 2018

Gráfico 4: Resultados obtidos do  questionário 5

Fonte: Dados da Pesquisa 2018

Pode-se observar no gráfico 4 que  os alunos conseguiram obter o conhecimento necessário quanto a montagem do circuito elétrico lâmpada fluorescente convencional. Cobrou-se nas questões 1, 2, 3 e 4 respectivamente as seguintes informações:  qual a função do reator; qual a função do relé; qual a função da chave X  no circuito elétrico; qual o tipo de associação do reator no circuito elétrico.  A análise do gráfico 4 explicita que a maioria dos alunos compreenderam todos os aspectos avaliados mesmo havendo uma pequena dispersão em cada questão quanto ao estudado.  Caso seja necessário uma análise mais detalhada do gráfico 4 segue a tabela 7 de amostragem dos dados referentes ao questionário 5. As alternativas corretas são as que possuem maior tiragem.

Tabela 4: Total de cada alternativa marcada no questionário 5

Alternativas
Questão ABCD
1148016
2371774
3771644
46107015

Fonte: Dados da Pesquisa 2018

Gráfico 5: Resultados obtidos do  questionário 6

Fonte: Dados da Pesquisa 2018

O questionário 6 abrangeu 10 perguntas e diferentemente dos questionários 2, 3 e 4 houveram questões objetivas pessoais quanto a metodologia experimental, a instrução do professor durante as aulas, a animação em Java para compreensão do funcionamento das lâmpadas fluorescentes convencionais e o Ensino de Física através dos experimentos abordados em sala de aula. Estas foram as questões 1, 2, 3, e 10.  As questões 4, 5, 6, 7, 8 e 9 foram objetivas respectivamente direcionadas aos conteúdos: Fóton, tipos de lâmpadas, como uma lâmpada incandescente gera luz? Como uma lâmpada fluorescente gera luz? Quando há uma colisão de um elétron com um átomo de Hg o que acontece e o que acontece na dês-excitação do átomo de mercúrio? Ao analisar o gráfico 5 percebeu-se que houve uma pequena dispersão da resposta correta em relação às questões objetivas relacionadas ao conteúdo, comentadas anteriormente. No entanto, o índice de acerto é extremamente satisfatório. Durante a análise, agora em relação às questões pessoais 1, 2, 3 e 10 constatou-se que os alunos obtiveram uma compreensão satisfatória dos conteúdos abordados através dos experimentos. O fato de terem um roteiro para orientá-los durante os experimentos, a participação do professor não foi descartada pelos alunos. O programa em Java possibilitou também um melhor esclarecimento do funcionamento das lâmpadas fluorescentes para os alunos. Por fim, baseando-se na questão 10, os alunos puderam relacionar o conteúdo aprendido em sala de aula com uma situação real de forma divertida, prazerosa e satisfatória para a maioria dos alunos, como aponta o gráfico 5. A tabela 8 descreve a amostragem dos dados referentes ao questionário 6. 

Tabela 5: Total de cada alternativa marcada no questionário 6

Alternativas
QUESTÃO ABCD
1485111
2871031
35818205
4127739
501919
6710183
71476101
891730
919883
101924544

Fonte: Dados da Pesquisa 2018

Após a coleta e o processamento destes dados o resultado desta pesquisa pôde ser verificado quanto às hipóteses desta em sua conclusão.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O projeto a Física das Lâmpadas Fluorescentes atingiu o objetivo almejado, ou seja, os alunos que participaram das atividades experimentais obtiveram um grau de aprendizado satisfatório de acordo com dados obtidos na amostragem a partir dos gráficos impressos anteriormente. Contudo, a prática de atividades em sala de aula, seja qual for o campo de ensino, depende única e exclusivamente da peça fundamental deste cenário, o professor. A fuga do tradicionalismo é possível, mas a mudança de postura do docente vem a caráter das suas raízes de formação através das instituições de ensino superior. Por meio deste projeto que é a proposta desta dissertação de mestrado, os experimentos de fácil acesso possibilitaram uma abordagem da Física Clássica até a Física Moderna de forma prazerosa, motivadora e incentivadora. De fato, incitou tanto alunos como outros professores da Escola, que comentavam: “O professor de Física já inventou mais coisas novamente, está ensinando curso técnico em eletricidade para os alunos, vamos ver”. De fato, os experimentos atraem a todos, esta prática pode e deve ser trabalhada de forma interdisciplinar focando diversos temas do cotidiano. 

Aferiu-se que a metodologia do projeto durante o processo de ensino-aprendizagem é fundamental para o bom andamento e funcionamento de qualquer proposta. Não importa se não há laboratório de ciências, é claro que se houver será sábio fazer uso do mesmo. Mas, através de materiais de fácil acesso a construção dos aparatos fora possível e o conhecimento e conceitos dos temas físicos foram aplicados de forma coerente. Por fim, a aprendizagem através da ação – método este apresentado por Dewey, é válido hoje em dia com certeza, e é uma maneira melhor de transmissão do conhecimentos para os alunos. E este tipo de aprendizado que também fora defendido por Piaget e Bruner acarreta a formação de cidadãos autônomos, criativos e críticos. E este tem que ser o foco da Escola

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1Graduada no Curso Superior de Licenciatura em Física da Universidade Federal do Amazonas/UFAM – Instituto de Ciências e Terra, Discente na EE Júlio César de Moraes Passos (SEDUC/AM) e-mail: lucianofinicelli@gmail.com