INTERVENÇÕES DE ENFERMAGEM NO COMBATE DA HESITAÇÃO VACINAL EM CRIANÇAS ATÉ 5 ANOS

NURSING INTERVENTIONS IN COMBATING VACCINE HESITATION IN CHILDREN UP TO 5 YEARS OLD

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202601121600


Carla Pereira dos Santos1 / Leir da Conceição Marins Cândido2 / Maria Antonia Nascimento da Silva Rodrigues3 / Vitória Eloir Vieira de Souza4 / Claudemir Santos de Jesus5 / Márcia Calazans de Almeida Brunner6 / Lígia D’arc Silva Rocha Prado7 / Alessandra Teixeira Velasco8 / Tamara Sousa de Araújo9 / Cátia Ribeiro Kurpan10 / Raquel dos Santos D’Anello11 / Beatriz Piredda Barrilhas12 / Cassiane Queiroz Thimoteo Silva13 / Bruno Fernando Correa Miguel14 / Angelo Pereira Barbosa da Silva15


Resumo

A queda da cobertura vacinal no Brasil está relacionada a alguns fatores, como notícias falsas, desinformação, fatores socioeconômicos, crenças pessoais entre outros, o que vem contribuir para o aumento de doenças erradicadas. Por essa razão o enfermeiro tem um papel crucial no enfrentamento dessas barreiras. Objetivo: Propor intervenções de enfermagem por meio de uma revisão da literatura sistematizada para que os profissionais possam orientar a população, ao sensibilizar a importância da vacinação. Método: Revisão integrativa da literatura com análise dos materiais publicados entre 2019 e 2024, nas bases de dados Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), Scientific Electronic Library Online (SciELO), Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior CAPES, Google Scholar. Resultados: Na pesquisa inicial foram identificados 83 estudos, onde apenas 12 atenderam os critérios de inclusão, e através desses foram possíveis identificar os fatores da hesitação vacinal, os principais foram a fake news, movimento anti vacinas e desinformação. Considerações finais: Com base nos diferentes fatores que levam a hesitação vacinal, fica evidente a importância do enfermeiro em compreender esses fatores e com base neles propor intervenções de enfermagem junto com outros profissionais e a população, dessa forma, possibilitar a sensibilização da população da importância da vacinação na primeira infância.

Palavras-chave: Vacinação Infantil. Criança. Intervenções de Enfermagem.

1. INTRODUÇÃO

Ao longo da história, a vacinação centrado nas crianças foi descentralizado para atender toda a população, sendo a primeira vacina em 1804, cujo médico Edward Jenner criou uma forma de combater a varíola, que assolava o Brasil no século XVIII até o início do XIX, após 100 anos, já sendo obrigatório à população, houve a primeira recusa intitulada a Revolta da Vacina em 1904, por acreditarem que ao injetar líquidos desconhecidos no corpo poderiam causar reações indesejadas ou até provocar a doença, mas foi declarada erradicada em 1973 não havia mais casos registrados (Sousa et al., 2021; Gugel et al., 2021). 

O Programa Nacional de Imunização (PNI) criado 1973, teve o papel de extrema importância na erradicação de várias doenças. A partir do Decreto n° 78.231 de agosto de 1976, quando institucionalizado, foram estabelecidas algumas atribuições e tornou-se um dos programas de imunização mais completos do mundo, ofertadas de forma gratuita cerca de 49 imunobiológicos e 32 vacinas (Sousa et al., 2021). 

A medida que a tecnologia avança fica ainda mais rápido e fácil o acesso e a propagação de notícias falsas, como a fake News, por meio das mídias sociais, desse modo tem se tornado cada dia maior o problema, o que causa riscos à população, principalmente as crianças, alguns motivos que causam a resistência pode estar relacionada a algumas doenças como a microcefalia e o autismo (Lopes et al., 2022). 

Diversas doenças podem ser evitadas através da vacinação, uma vez que seguem o calendário vacinal. Mas em casos de crianças não vacinadas, as mesmas ficam suscetíveis a diversas doenças, na busca do cenário anterior, cujo número de óbitos era de uma a cada cinco crianças menores de 5 anos.

Dessa forma através da vacinação muitas doenças foram erradicadas, que é uma das maiores conquistas para a saúde pública no Brasil, mas com a grande disseminação de informações falsas, a saúde enfrenta um grande desafio para atingir a cobertura vacinal, pois assim a população ao criar a resistência contra a vacina, por esse motivo nos últimos anos ao presenciar a volta de certas doenças que já tinham sido erradicadas por volta de 1990, como a poliomielite, sarampo e febre amarela (Saraiva; Faria, 2019). 

No entanto, pode-se observar que houve uma queda na cobertura vacinal considerável nos anos de 2018 a 2023, segundo dados epidemiológicos, teve-se uma cobertura abaixo da meta preconizada pelo Ministério da Saúde. A baixa cobertura vacinal tornou-se um problema para a saúde pública, sendo que no Brasil há um dos melhores e mais amplos programas de imunização. 

Atualmente as baixas taxas de vacinação estão relacionadas com diversos fatores, esses são os principais: a disseminação de notícias falsas, crenças, motivos socioeconômicos entre outros fatores, e por conta disso pode-se dizer que a enfermagem tem um papel crucial para combater essas barreiras, uma vez que o enfermeiro pode orientar a população sobre a importâncias das vacinas, e com isso sanar as dúvidas com relação às indicações e contraindicações dos imunizantes (Santos et al., 2020).

A vacinação infantil compôs, historicamente, uma das estratégias mais eficazes de prevenção em saúde pública. No entanto, apesar dos avanços científicos e do fortalecimento dos programas de imunização, como o Programa Nacional de Imunizações (PNI), observou-se uma crescente hesitação vacinal, especialmente entre os responsáveis por crianças na faixa etária de 0 a 5 anos. Este fenômeno foi caracterizado por dúvidas, recusas ou atrasos na adesão ao calendário vacinal, o que afeta diretamente as metas de cobertura e a proteção coletiva.

A hesitação vacinal na infância resultou de uma série de fatores interligados, como o avanço da desinformação nas mídias digitais, o enfraquecimento da confiança nas instituições de saúde, questões religiosas, filosóficas e socioeconômicas. 

O profissional de enfermagem, inserido no contexto da atenção primária à saúde, assumiu papel essencial na promoção do conhecimento sobre imunizações. Atuou diretamente nas salas de vacina, nos atendimentos em Unidades Básicas de Saúde, visitas domiciliares e ações educativas em comunidades, escolas e outros espaços coletivos. A enfermagem compreende as barreiras da população e desenvolveu estratégias de sensibilização para melhorar a cobertura vacinal e combater a resistência dos responsáveis.

A relevância deste estudo residiu na necessidade de fortalecer o papel da enfermagem como agente educador e acolhedor na atenção primária, com vistas a garantir a adesão da população às práticas de imunização. A pesquisa permitiu identificar as barreiras enfrentadas pelos profissionais e as estratégias bem-sucedidas utilizadas nas intervenções. Como afirmaram Santos et al. (2020), a atuação da enfermagem foi determinante para romper com paradigmas negativos relacionados à vacinação e para restabelecer a confiança da comunidade.

Este estudo também contribuiu para o ensino de pós-graduação ao ampliar a compreensão crítica sobre a interface entre saúde coletiva, educação em saúde e comunicação de risco. A análise da hesitação vacinal e das intervenções de enfermagem reforçou a importância de abordar esse tema de forma aprofundada em disciplinas voltadas à saúde pública, imunizações e políticas de enfrentamento das fake news em saúde. A construção de conhecimento sólido e aplicável à realidade do SUS fortaleceu a formação de profissionais capazes de intervir com segurança e ética nas comunidades em que atuam.

Dessa forma, este trabalho teve como objetivo analisar, por meio de uma revisão sistematizada da literatura, as intervenções de enfermagem no enfrentamento da hesitação vacinal em crianças de até cinco anos, com foco em estratégias educativas e comunicacionais que contribuíram para o aumento da adesão ao calendário vacinal no Brasil (Sousa et al., 2021; Gugel et al., 2021). 

Dessa forma, este trabalho teve como objetivo analisar as intervenções de enfermagem no enfrentamento da hesitação vacinal em crianças de até cinco anos no Brasil.

2. METODOLOGIA 

Trata-se de uma pesquisa de natureza qualitativa, do tipo revisão sistematizada da literatura, com ênfase na análise crítica e reflexiva de produções científicas relacionadas à temática da vacinação infantil e à atuação da enfermagem frente à baixa cobertura vacinal. A escolha por essa abordagem justifica-se pela necessidade de compreender, com profundidade, os fatores que influenciam a adesão vacinal e os caminhos adotados pelos profissionais de saúde, especialmente os enfermeiros, na orientação e educação da população.

A revisão sistematizada da literatura constitui um método que permite reunir, sintetizar e analisar, de forma criteriosa, publicações relevantes sobre um tema específico, com o objetivo de oferecer uma compreensão aprofundada e atualizada do fenômeno investigado (MENDES; SILVEIRA; GALVÃO, 2008). A utilização dessa técnica favoreceu a identificação de evidências científicas quanto às estratégias de intervenção adotadas pela enfermagem no enfrentamento à hesitação vacinal.

A elaboração da pergunta norteadora representou a primeira etapa do estudo. Esta foi estruturada com base na estratégia PICO, adaptada para estudos qualitativos, com o intuito de direcionar a busca por evidências. A questão definida foi: Quais estratégias de intervenção foram adotadas pela enfermagem para sensibilizar a população sobre a importância da vacinação infantil diante da queda na cobertura vacinal no Brasil?

Na segunda etapa, ocorreu o levantamento bibliográfico nas seguintes bases de dados disponíveis na Biblioteca Virtual de Saúde (BVS): LILACS (Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde), BDENF (Base de Dados de Enfermagem) e MEDLINE (Medical Literature Analysis and Retrieval System Online). A seleção dessas bases fundamentou-se na relevância para a área da saúde e na presença de publicações científicas específicas da enfermagem e da saúde pública.

Os descritores utilizados foram definidos a partir dos Descritores em Ciências da Saúde (DeCS), sendo eles: “Vacinação Infantil”, “Criança” e “Intervenções de Enfermagem”, combinados com o operador booleano AND, a fim de refinar os resultados. Foram definidos como critérios de inclusão: artigos originais disponíveis em texto completo, em língua portuguesa, publicados entre os anos de 2020 e 2024, que abordassem diretamente a atuação da enfermagem frente à vacinação infantil.

Foram excluídos da análise: trabalhos duplicados entre as bases, publicações indisponíveis para acesso completo, resumos sem conteúdo integral, textos publicados em idiomas diferentes do português, bem como artigos que não abordavam diretamente a temática da hesitação vacinal ou a atuação da enfermagem. Publicações como projetos, editoriais, cartas ao editor e revisões sem critérios metodológicos explícitos também foram desconsideradas.

Após a seleção dos artigos, foi realizada uma leitura exploratória, seguida pela leitura analítica, o que permitiu identificar as contribuições de cada estudo, os objetivos, metodologias, resultados e principais conclusões. As informações extraídas foram organizadas em quadros sinóticos, com o intuito de facilitar a comparação entre os dados e a elaboração da síntese interpretativa. Essa abordagem permitiu compreender a diversidade das práticas adotadas pela enfermagem, bem como os desafios enfrentados no contexto da baixa cobertura vacinal infantil.

Com base nessa análise, foram elaborados diagnósticos de enfermagem fundamentados na Taxonomia da North American Nursing Diagnosis Association (NANDA-I), ferramenta que possibilita a definição e padronização de diagnósticos clínicos de enfermagem, assegurando maior precisão e uniformidade na linguagem profissional. Para a formulação das intervenções de enfermagem, utilizou-se a Nursing Interventions Classification (NIC), que oferece uma estrutura sistematizada e validada para a prática assistencial, contribuindo para a seleção de estratégias eficazes frente à hesitação vacinal.

Dessa forma, a metodologia adotada proporcionou uma base sólida e atualizada para subsidiar propostas de intervenções que fortaleçam a adesão à vacinação e valorizem o papel da enfermagem na promoção da saúde pública.

Quadro 01: Cruzamento dos descritores.

DESCRITORESTOTALFILTROSELEÇÃO20202021202220232024
Vacinação Infantil and Criança and Intervenções de Enfermagem15010600100
Vacinação Infantil and Criança1010303
Vacinação Infantil and Intervenções de Enfermagem19002
Criança and Intervenções de Enfermagem590401
TOTAL19408120101020701

Ao cruzar os descritores “Vacinação Infantil” e “Criança” and “Intervenções de Enfermagem”, obteve-se um total de 15 produções. Após aplicação dos critérios de inclusão, restou 01 artigo selecionado, com destaque para o ano de 2021, no qual houve 01 publicação.

Na combinação “Vacinação Infantil” and “Criança”, evidenciaram-se 101 estudos, sendo 03 filtrados conforme os critérios de inclusão, mas nenhum foi selecionado para a amostra final.

Já o cruzamento entre “Vacinação Infantil” and “Intervenções de Enfermagem”, apresentou 19 estudos, onde nenhum foi incluído após a filtragem, e 02 foram selecionados para análise.

No recorte “Criança” and “Intervenções de Enfermagem”, identificaram-se 59 produções, sendo 04 filtradas, com 01 selecionada.

Assim, o cruzamento totalizou 194 produções, com 08 filtradas segundo os critérios de inclusão e 12 artigos selecionados, com maior concentração nos anos de 2022 (02), 2023 (07) e 2024 (01).

Quadro 01: Descritores Isolados

DESCRITORESTOTALFILTROSELEÇÃO20202021202220232024
Vacinação Infantil 1.081030600000
Criança8.841050200000
Intervenções de Enfermagem2.715020400000
TOTAL12.63708120101020701

Ao buscar o descritor isolado “Vacinação Infantil”, obteve-se um total de 1.081 produções. Após aplicação dos filtros, 03 estudos foram elegíveis, dos quais 06 foram selecionados, embora nenhum deles pertença aos anos entre 2020 e 2024.

O descritor “Criança”, de forma isolada, resultou em 8.841 publicações, das quais 05 foram filtradas e 02 selecionadas para a amostra. Contudo, não houve publicações dentro do recorte temporal de interesse.

Quanto ao descritor “Intervenções de Enfermagem”, foram captadas 2.715 produções, com 02 filtradas e 04 selecionadas, também sem registros entre os anos de 2020 a 2024.

Dessa forma, a busca por descritores isolados resultou em 12.637 produções identificadas, com 08 filtradas e 12 artigos selecionados, sendo 01 publicação no ano de 2020, 01 em 2021, 02 em 2022, 07 em 2023 e 01 em 2024.

Na terceira etapa foi utilizado um instrumento de coleta de dados com o objetivo de sistematizar e organizar as informações essenciais de cada artigo selecionado na fase anterior. Esse instrumento, elaborado previamente, permitiu registrar de forma padronizada os elementos mais relevantes dos estudos analisados, como o título do artigo, os autores e o ano de publicação, o objetivo do estudo, a metodologia empregada, a população e a amostra estudadas, os principais resultados encontrados, as conclusões dos autores e a relevância da pesquisa para a temática da vacinação infantil e das intervenções de enfermagem. 

A aplicação desse recurso metodológico possibilitou uma leitura crítica mais aprofundada e comparativa dos artigos, promovendo maior rigor científico e facilitando a identificação de padrões, lacunas e contribuições significativas nas práticas de enfermagem voltadas à promoção da saúde pública por meio da vacinação infantil.

Quadro 02: Caracterização dos artigos que compuseram para construção desta revisão integrativa.

ArtigoAutores / AnoTítuloMétodoResultado
A1Almeida et al., 2024O papel do enfermeiro na ampliação da adesão à vacinação infantil: uma revisão da literaturaRevisão integrativa da literatura em bases científicas eletrônicasDestaca a importância dos enfermeiros na promoção da adesão à vacinação infantil e a necessidade de investimento em programas liderados por eles
A2Morais; Quintilio, 2021Fatores que levam à baixa cobertura vacinal de crianças e o papel da enfermagemRevisão integrativa da literatura (2010 a 2020)Avalia os fatores que interferem na cobertura vacinal infantil e o papel da enfermagem
A3Santos et al., 2023Fatores que contribuem para a hesitação e recusa vacinal no BrasilRevisão integrativa da literaturaAponta os fatores da recusa vacinal e a necessidade de ações educativas para informar a população
A4Caldas et al., 2023Os desafios do profissional de enfermagem frente à baixa cobertura vacinal em criançasRevisão integrativa de abordagem qualitativaAponta os desafios dos profissionais de enfermagem e o uso da educação em saúde como estratégia
A5Santos et al., 2020Atuação do enfermeiro na hesitação e recusa vacinalEstudo bibliográfico, descritivo e exploratório (2015 a 2020)Demonstra o papel do enfermeiro no controle de doenças e na orientação sobre vacinas
A6Silva, 2023O papel das plataformas digitais na (não) vacinação: vacina do sarampoDissertação exploratória de abordagem qualitativa com análise de postagens do FacebookRelata o impacto das fake news na hesitação vacinal da vacina do sarampo
A7Vieira, 2023Fatores associados à cobertura vacinal infantil no Brasil e unidades da federaçãoEstudo ecológico, analítico, transversal e quantitativoRelata a baixa cobertura vacinal e problemas como horário de UBS, crenças e hábitos
A8Viana et al., 2023Hesitação vacinal de pais e familiares de crianças e o controle das doenças imunopreveníveisRevisão Integrativa baseada na Prática Baseada em Evidências (PBE)Destaca o papel do profissional de saúde em levar informação e reduzir a desinformação
A9Maciel et al., 2023Implementação da prática avançada de enfermagem no enfrentamento do atraso vacinal: um relato de experiênciaRelato de experiência com crianças < 2 anos em ESF de MGAponta desafios e soluções práticas de profissionais de saúde frente ao atraso vacinal
A10Nobre et al., 2022Hesitação e recusa vacinal em países com sistemas universais de saúde: uma revisão integrativa sobre seus efeitosRevisão integrativa da literatura com análise sistemáticaOs artigos científicos estudados permitiram entender como se dá a recusa e a hesitação vacinal em diferentes cenários, os seus efeitos e como esses motivos estão interligados entre si
A11Kfouri; Levi; Cunha. 2023Controvérsias em imunizações 2023Livro, 1. ed – São Paulo – Segmento Farma EditoresTraz sobre a hesitação vacinal e apresenta a matriz dos determinantes da hesitação vacina modelo dos 3 Cs, onde seria a confiança, a complacência, a conveniência. E foram implementados mais 2 que seria a comunicação e o contexto sociodemográfico.
A12LOPES et al. 2022A Influência das fakes news na adesão à vacinação e no reaparecimento de doenças erradicadas: uma revisão de literaturaA metodologia é uma revisão integrativa estruturada em etapas.A revisão traz sobre como as fakes news influenciaram de forma negativa causando um grande impacto na cobertura vacinal, aumentando a hesitação vacinal e assim a reemergência de doenças erradicadas

Fonte: A Autora (2025).

Relacionado ao recorte temporal de 2020 a 2024, foram evidenciados 12 estudos que compuseram a presente revisão integrativa, todos escritos em língua portuguesa. A distribuição das produções ao longo dos anos revelou uma concentração significativa no ano de 2023, com um total de sete artigos publicados, seguido pelos anos de 2020 (01), 2021 (01), 2022 (02) e 2024 (01), o que demonstra uma crescente preocupação com a temática da vacinação infantil nos últimos anos, especialmente após os impactos da pandemia de COVID-19.

As publicações analisadas foram oriundas de diferentes tipos de documentos científicos. A maioria dos estudos é composta por revisões integrativas da literatura, totalizando sete produções com essa metodologia, utilizadas para reunir e sintetizar evidências disponíveis nas bases científicas. Além disso, dois estudos apresentaram metodologias distintas: um relato de experiência, que abordou práticas desenvolvidas por profissionais da Estratégia Saúde da Família (ESF) no estado de Minas Gerais, e uma dissertação exploratória com análise qualitativa de conteúdos publicados em redes sociais, mais especificamente no Facebook. Houve ainda um estudo ecológico de abordagem quantitativa e um estudo bibliográfico, descritivo e exploratório, além da inclusão de um capítulo de livro que discute as controvérsias em imunizações e apresenta a matriz dos cinco C’s da hesitação vacinal.

Quanto aos autores, destaca-se a presença de nomes com recorrência em pesquisas sobre vacinação e enfermagem, como Santos et al., que aparece em dois estudos (2020 e 2023), além de trabalhos relevantes publicados por Almeida et al. (2024), Morais e Quintilio (2021), Caldas et al. (2023), Silva (2023), Vieira (2023), Viana et al. (2023), Maciel et al. (2023), Nobre et al. (2022), Kfouri, Levi e Cunha (2023) e Lopes et al. (2022). Esses autores abordaram a hesitação vacinal, os desafios enfrentados pelos profissionais de enfermagem, a influência das fake news e a importância de ações educativas, evidenciando o papel estratégico da enfermagem na adesão às imunizações.

As bases de dados utilizadas para a extração dos artigos incluíram plataformas científicas como LILACS, BDENF, MEDLINE e SciELO, permitindo uma busca ampla e diversificada, com foco em literatura científica qualificada. Embora o quadro não mencione diretamente os periódicos em que os artigos foram publicados, é possível inferir, pela natureza metodológica e pelos temas abordados, que os estudos pertencem a revistas científicas voltadas à área da saúde, com ênfase em enfermagem, saúde pública e políticas de imunização.

Portanto, os documentos incluídos apresentam variadas metodologias, diferentes fontes de publicação e autores reconhecidos na área, fornecendo uma base sólida e multidimensional para analisar os fatores que influenciam a adesão à vacinação infantil e o papel do enfermeiro nesse contexto. A diversidade de abordagens e a qualidade metodológica dos estudos selecionados contribuíram para um panorama abrangente sobre os desafios e estratégias no enfrentamento da hesitação vacinal no Brasil.

Na quarta etapa os artigos que foram selecionados para revisão integrativa são analisados para a verificação da autenticidade, qualidade metodológica, importância das informações e representatividade, por esta razão, construiu-se um quadro, conforme a seguir:

Quadro 04: Validação dos artigos selecionados e os níveis de evidências.

TÍTULOOBJETIVOSTIPO DE PESQUISADADOS EVIDENCIADOSNÍVEL DE EVIDÊNCIA
O papel do enfermeiro na ampliação da adesão à vacinação infantilDiscutir a importância do enfermeiro na adesão vacinalRevisão integrativaReforça a atuação do enfermeiro como agente promotor da vacinação infantilV
Fatores que levam à baixa cobertura vacinal de crianças e o papel da enfermagemIdentificar causas da baixa cobertura vacinal e o papel do enfermeiroRevisão integrativaDestaca aspectos socioeconômicos e operacionais que influenciam na adesão vacinalV
Fatores que contribuem para a hesitação e recusa vacinal no BrasilIdentificar causas da recusa vacinalRevisão integrativaMostra fatores como desinformação, medo, influência social e culturalV
Os desafios do profissional de enfermagem frente à baixa cobertura vacinal em criançasAnalisar os desafios dos profissionais de enfermagem na vacinação infantilRevisão integrativa qualitativaDestaca a necessidade de educação em saúde e envolvimento comunitárioV
Atuação do enfermeiro na hesitação e recusa vacinalAnalisar a atuação do enfermeiro no enfrentamento da hesitação vacinalEstudo bibliográfico, descritivo e exploratórioReforça a importância da escuta ativa e da educação em saúdeV
O papel das plataformas digitais na (não) vacinação: vacina do sarampoVerificar o impacto das redes sociais na hesitação vacinalEstudo exploratório qualitativo com análise de postagensDemonstra o papel negativo das fake news e desinformaçãoIV
Fatores associados à cobertura vacinal infantil no Brasil e unidades da federaçãoApontar fatores regionais que influenciam na cobertura vacinalEstudo ecológico, analítico e transversalRelata problemas estruturais e culturais que afetam a vacinaçãoIV
Hesitação vacinal de pais e familiares de crianças e o controle das doenças imunopreveníveisRefletir sobre o papel dos profissionais frente à hesitação vacinalRevisão integrativa baseada na PBEDefende a prática baseada em evidências para combater a hesitaçãoV
Implementação da prática avançada de enfermagem no enfrentamento do atraso vacinalRelatar experiências práticas no combate ao atraso vacinalRelato de experiênciaMostra soluções práticas adotadas por enfermeiros na ESFV
Hesitação e recusa vacinal em países com sistemas universais de saúdeInvestigar efeitos da hesitação vacinal em sistemas universaisRevisão integrativa com análise sistemáticaEvidencia impactos da hesitação em contextos internacionaisV
Controvérsias em imunizações 2023Apresentar determinantes da hesitação vacinal e soluçõesLivro técnicoTraz o modelo dos 3Cs (confiança, complacência e conveniência), ampliado com comunicação e contextoVI
A influência das fake news na adesão à vacinação e no reaparecimento de doenças erradicadasDiscutir a influência da desinformação no aumento da hesitação vacinalRevisão integrativaRelaciona diretamente fake news com o aumento de doenças erradicadasV

Fonte: Elaborado pela autora (2025).

Quanto ao tipo de pesquisa, foram identificados diversos desenhos metodológicos entre os artigos selecionados, incluindo um estudo de caso, um estudo descritivo quanti-qualitativo, um estudo descritivo quantitativo de corte transversal, um estudo descritivo transversal, dois estudos qualitativos, um estudo transversal, um estudo transversal descritivo, uma pesquisa bibliográfica e uma pesquisa descritiva. Em relação ao tipo de documento, observou-se a predominância equilibrada entre cinco artigos de revisão integrativa e cinco artigos originais.

No que diz respeito à análise dos níveis de evidência, a classificação seguiu a seguinte hierarquia: nível 1, que corresponde a evidências provenientes de meta-análises de múltiplos estudos clínicos controlados e randomizados; nível 2, referente a evidências obtidas em estudos experimentais individuais; nível 3, que abrange estudos quase-experimentais; nível 4, englobando estudos descritivos não experimentais ou com abordagem qualitativa; nível 5, que inclui relatos de caso ou relatos de experiência; e nível 6, composto por evidências baseadas em opiniões de especialistas ou comitês. Essa categorização permitiu avaliar a qualidade metodológica e a representatividade dos dados apresentados nos artigos analisados.

Na quinta etapa, realizou-se a interpretação e discussão dos dados e resultados encontrados, todos diretamente relacionados ao objetivo de analisar as intervenções de enfermagem que contribuem para fortalecer a adesão à vacinação infantil. Os estudos selecionados foram agrupados sob a unidade temática “Intervenções de Enfermagem na Promoção da Vacinação Infantil”, que abarca as diversas abordagens, desafios e estratégias utilizadas pelos profissionais de enfermagem para ampliar a cobertura vacinal em crianças. 

Essa categorização permitiu uma análise integrada dos achados, destacando o papel fundamental da enfermagem na educação em saúde, no combate à hesitação vacinal, no enfrentamento das fake news, e no suporte às famílias para garantir o cumprimento do calendário vacinal, evidenciando assim a contribuição indispensável para a saúde pública.

Quadro 05: Categorização das Temáticas do Estudo

TEMÁTICAS DO ESTUDO
UNIDADE TEMÁTICACATEGORIATÍTULO
Intervenções de enfermagem no enfrentamento da hesitação vacinal em crianças de até cinco anos1 categoriaFatores que foram encontrados que podem ocasionar a hesitação vacinal.Fatores que contribuem para a hesitação e recusa vacinal no Brasil
Fatores associados à cobertura vacinal infantil no Brasil e unidades da federação
Hesitação vacinal de pais e familiares de crianças e o controle das doenças imunopreveníveis
Implementação da prática avançada de enfermagem no enfrentamento do atraso vacinal
Hesitação e recusa vacinal em países com sistemas universais de saúde
A influência das fake news na adesão à vacinação e no reaparecimento de doenças erradicadas
Controvérsias em imunizações 2023
2 categoriaDiagnósticos e Intervenções de Enfermagem Frente aos Fatores Associados à Hesitação VacinalO papel do enfermeiro na ampliação da adesão à vacinação infantil
Fatores que levam à baixa cobertura vacinal de crianças e o papel da enfermagem
Os desafios do profissional de enfermagem frente à baixa cobertura vacinal em crianças
Atuação do enfermeiro na hesitação e recusa vacinal
O papel das plataformas digitais na (não) vacinação: vacina do sarampo

Fonte: A Autora (2025).

A análise dos dados desta revisão integrativa baseou-se nos artigos selecionados, utilizando abordagens quantitativas e qualitativas para organizar e interpretar as informações. Esse processo envolveu a identificação da frequência de temas recorrentes, a descrição dos contextos estudados e a qualificação dos resultados, com o objetivo de estruturar o conteúdo em categorias temáticas relacionadas à hesitação vacinal. A organização dos dados seguiu os princípios metodológicos propostos por Souza, Silva e Carvalho (2010), permitindo uma compreensão ampla e integrada do fenômeno investigado.

Na sexta etapa, conforme orientações metodológicas de Soares (2014), realizou-se a síntese e a integração do conhecimento extraído dos estudos. Essa fase possibilitou a consolidação das evidências científicas mais relevantes, resultando na definição das categorias analíticas finais. A partir delas, foram destacadas contribuições significativas para a prática da enfermagem, com ênfase nas estratégias adotadas para enfrentar a hesitação vacinal em crianças de até cinco anos.

3. DISCUSSÕES DOS DADOS

INTERVENÇÕES DE ENFERMAGEM NO ENFRENTAMENTO DA     HESITAÇÃO VACINAL EM CRIANÇAS DE ATÉ CINCO ANOS.

1 categoria: Fatores que Influenciam a Hesitação Vacinal na População

A análise dos estudos selecionados permitiu identificar 12 fatores associados à hesitação ou recusa vacinal, sendo os mais recorrentes: fake news, movimentos antivacinas, mitos, insegurança quanto às vacinas e medo de eventos adversos.

O fator mais citado entre os estudos foi a desinformação, amplamente disseminada pelas redes sociais, associada à proliferação de notícias falsas e à atuação de movimentos antivacinas, presentes em 10 das 12 publicações analisadas. De acordo com Caldas et al. (2023), apesar da ampla cobertura do Programa Nacional de Imunizações (PNI), a desinformação tem contribuído para a queda na adesão vacinal, especialmente entre crianças.

Silva (2023) ressalta que muitos pais são influenciados por teorias infundadas sobre vacinas, instituições de saúde e políticas públicas. Lopes et al. (2022) reforçam que essa realidade é ainda mais crítica entre famílias em situação de vulnerabilidade social, que possuem maior dificuldade em distinguir informações confiáveis. Tais conteúdos distorcidos comprometem a tomada de decisão consciente sobre a imunização.

Os movimentos antivacinas, embora não sejam fenômenos recentes, permanecem ativos e adaptam os discursos ao longo do tempo. Argumentos como toxicidade das vacinas, ameaças à liberdade individual ou teorias de controle populacional são exemplos citados por Kfouri, Levi e Cunha (2023). Diante desse cenário, o enfermeiro emerge como figura central, por ser, muitas vezes, o primeiro profissional a estabelecer contato com a família, deve esclarecer dúvidas e combate dos mitos com base em evidências (Morais; Quintilio, 2021).

Outro fator relevante, apontado por oito estudos, é o medo de eventos adversos. Vieira (2023) destaca que, apesar da segurança das vacinas e da predominância de reações leves, como febre e dor local, ainda há receio quanto a efeitos mais graves. Morais e Quintilio (2020) ressaltam que a decisão de vacinar envolve emoções e incertezas, o que exige dos profissionais de saúde uma atuação acolhedora, com informações claras e acessíveis, que transmitam segurança à família. No entanto, mesmo com comprovação científica da eficácia das vacinas, mitos persistem, o que gera insegurança (Almeida, 2024).

A percepção equivocada de que certas doenças estão erradicadas e as dúvidas quanto à eficácia das vacinas foram mencionadas em seis estudos. Morais e Quintilio (2021) observam que o sucesso das campanhas anteriores pode ter gerado uma falsa sensação de segurança. Isso leva alguns pais a questionarem a necessidade da vacinação diante da ausência visível dessas doenças. Neste contexto, o papel do enfermeiro é essencial na educação em saúde e reforço da confiança no calendário vacinal (Caldas et al., 2023).

A falta de confiança nas vacinas, nos serviços de saúde e nos próprios profissionais também foi identificada em seis estudos. Segundo Almeida et al. (2024), a insegurança e a dúvida quanto à real necessidade da vacinação interferem diretamente na adesão. Ballalai (apud Morais, 2020) relaciona esse cenário ao modelo dos “três C’s” da hesitação vacinal: confiança, complacência e conveniência. A ausência de confiança nos profissionais ou no sistema pode levar à recusa; a complacência se manifesta quando os pais não percebem risco; e a conveniência diz respeito às dificuldades de acesso. Sato (apud Santos et al., 2023) acrescenta que a recomendação de um profissional de confiança tem impacto positivo na decisão de vacinar.

As crenças pessoais, religiosas, culturais ou filosóficas foram outro fator destacado em seis estudos. Lopes (2022) menciona que teorias conspiratórias, como a suposta relação entre vacinas e autismo ou microcefalia, geram resistência em parte da população. Almeida (2024) complementa que muitos pais associam a vacinação a interesses políticos e econômicos das indústrias farmacêuticas, o que compromete a credibilidade do imunizante.

A pandemia da COVID-19 também foi um ponto sensível, citado em quatro estudos. Durante esse período, houve uma queda acentuada na cobertura vacinal, agravada por fatores sociais, políticos e pelo aumento da desconfiança em relação às vacinas desenvolvidas emergencialmente. Esse cenário impactou negativamente outras campanhas vacinais, o que contribui para o ressurgimento de doenças previamente controladas, como apontado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e por autores como Vieira (2023).

A falta de vacinas nas unidades de saúde apareceu como barreira em três estudos. Segundo Silva (2023), a indisponibilidade dos imunizantes prejudica a continuidade dos esquemas vacinais e desmotiva o retorno das famílias às unidades de saúde. Morais e Quintilio (2021) destacam causas operacionais como vencimento de validade, falhas de conservação ou problemas logísticos.

As dificuldades de acesso — seja por distância, limitações financeiras ou incompatibilidade de horários — foram mencionadas em quatro estudos. Tais barreiras, conforme Vieira (2023), afetam principalmente populações mais vulneráveis, que dependem do sistema público de saúde.

Por fim, a negligência parental e o adoecimento infantil no período agendado para a vacinação foram relatados em três estudos como fatores que dificultam a continuidade do esquema vacinal. A negligência compromete o seguimento das doses subsequentes, especialmente quando os responsáveis não compreendem a importância de manter o calendário atualizado. Já o adoecimento da criança pode levar ao adiamento ou esquecimento da imunização (Morais; Quintilio, 2020).

2 categoria: Diagnósticos e Intervenções de Enfermagem Frente aos Fatores Associados à Hesitação Vacinal

A atuação da equipe de enfermagem é essencial no enfrentamento da hesitação vacinal, especialmente pelo papel estratégico na educação em saúde e no vínculo direto com a comunidade. O enfermeiro é frequentemente o primeiro ponto de contato entre os serviços de saúde e a população, o que o torna fundamental para desconstruir mitos, esclarecer dúvidas e promover confiança no processo de imunização.

A relação de confiança entre o profissional e a família é um fator decisivo para a adesão vacinal, sobretudo em contextos marcados por desinformação, fake news, crenças pessoais ou dificuldades de acesso aos serviços de saúde. A escuta qualificada e a comunicação baseada em evidências são ferramentas que qualificam o cuidado e fortalecem o engajamento da população.

Além disso, cabe à enfermagem acompanhar grupos vulneráveis, identificar lacunas no calendário vacinal e propor ações educativas contínuas, tanto em espaços institucionais (como escolas e unidades básicas) quanto por meio de visitas domiciliares, campanhas de sensibilização e atendimentos individualizados. Essas ações contribuem não apenas para ampliar a cobertura vacinal, mas também para prevenir o reaparecimento de doenças imunopreveníveis.

A seguir, apresenta-se um quadro com diagnósticos e intervenções de enfermagem específicos para cada fator identificado como contribuinte para a hesitação vacinal, que possibilita uma abordagem direcionada e baseada em evidências.

Quadro 06: Diagnósticos e intervenções de enfermagem para cada fator que está relacionado a hesitação vacinal.

FatorDiagnóstico de Enfermagem (NANDA-I)Intervenções de Enfermagem (NIC)
Fake news, desinformação e movimento anti-vacina– Medo excessivo relacionado às barreiras de comunicação, evidenciado por informações conflitantes nas mídias sociais.
– Conflitos de decisão relacionados à tomada de decisão atrasada, evidenciado por fontes de informações conflitantes.
– Desenvolvimento de programa de saúde (8700)
– Marketing social (8750)
– Controle da cadeia de suprimentos (7840)
– Aconselhamento (5240)
Eventos adversos/Insegurança com as vacinasConhecimento de saúde inadequado relacionado a informações insuficientes sobre vacinação, evidenciado por conhecimentos inadequados do processo da doença e das vacinas.
– Medo excessivo relacionado ao estado de alerta aumentado, evidenciado por cautela diante de possíveis eventos adversos.
– Controle de imunização/vacinação (6530) – ensino aos pais sobre imunizações, reações adversas e legislação vigente.
– Controle de imunização/vacinação (6530) – Aconselhamento (5240)
Doença erradicada/Eficácia das vacinas– Resposta imune prejudicada relacionada à hesitação vacinal, evidenciada por aumento de doenças preveníveis.
– Risco de infecção relacionado à adesão inadequada às recomendações de saúde pública e vacinação insuficiente.
– Controle de doenças transmissíveis (8820) – Desenvolvimento de programa de saúde (8700)- Controle de doenças transmissíveis (8820)
– Controle de imunização/vacinação (6530)
Desconfiança da vacina/serviço/profissional de saúde– Autoeficácia em saúde inadequada relacionada à confiança insuficiente na equipe de saúde, evidenciado por adesão vacinal deficiente.
– Risco de comportamentos ineficazes de manutenção da saúde relacionados à confiança inadequada na equipe.
– Orientação quanto ao sistema de saúde (7400)
– Controle do ambiente: comunidade (6484)- Controle de qualidade (7800) – Controle de doenças transmissíveis (8820)
Crenças pessoais– Comportamentos ineficazes de manutenção da saúde relacionados a conflitos entre crenças culturais e práticas de saúde, evidenciado por conflitos espirituais.
– Gestão ineficaz da saúde familiar relacionada a conflitos espirituais com o regime terapêutico, evidenciado por escolhas baseadas unicamente em crenças.
– Educação em saúde (5510) – Intermediação cultural (7330)
– Educação em saúde (5510) – Advocacia na saúde comunitária (8510)
Pandemia COVID-19– Tomada de decisão prejudicada relacionada a fontes de informação conflitantes, evidenciado por angústia ao decidir sobre a vacinação.
– Sofrimento moral relacionado a informações conflitantes, evidenciado por angústia ao agir conforme a própria moral.
– Apoio à tomada de decisão (5250) – esclarecer valores, vantagens e desvantagens das opções.
– Educação em saúde (5510) – Gerenciamento de caso (7320)
Difícil acesso (serviço/saúde/transporte/socioeconômico)– Enfrentamento desadaptativo da comunidade relacionado a recursos insuficientes, evidenciado por baixa cobertura vacinal.
– Gestão ineficaz da saúde da comunidade relacionada a acesso limitado à equipe de saúde, evidenciado por problemas de transporte.
– Desenvolvimento de programa de saúde (8700)
– Assistência quanto a recursos financeiros (7380)
– Orientação quanto ao sistema de saúde (7400)
– Controle do ambiente: comunidade (6484)
Falta de vacinas– Resposta imune prejudicada relacionada à desesperança, evidenciado pelo nível inadequado de vacinação devido à indisponibilidade.
– Gestão ineficaz da saúde da comunidade relacionada à insuficiência de recursos de saúde, evidenciado por falta de vacinas.
– Controle de imunização/vacinação (6530)
– Marketing social (8750)
– Controle de imunização/vacinação (6530)
– Preparo da comunidade para catástrofes (8840)
Negligência / adoecimento das crianças– Conflito excessivo no papel parental relacionado ao conhecimento inadequado sobre a saúde da criança, evidenciado por negligência vacinal.
– Comportamentos parentais prejudicados relacionados ao conhecimento inadequado, evidenciado por atraso vacinal devido à hesitação.
– Controle de imunização/vacinação (6530) – informar exigências legais e notificar famílias.
– Controle de imunização/vacinação (6530) – auditoria dos registros escolares – Observar histórico de saúde e alergias.

Fonte: Diagnósticos retirados da NANDA International (2024-2026) e intervenções baseadas no NIC – Classificação das Intervenções de Enfermagem, (2020).

Diante da multiplicidade de fatores que contribuem para a hesitação vacinal, a elaboração de diagnósticos de enfermagem com base na NANDA-I e a aplicação de intervenções fundamentadas na NIC (Nursing Interventions Classification) tornam-se instrumentos valiosos para orientar práticas clínicas sistematizadas e eficazes.

4. CONCLUSÃO/CONSIDERAÇÕES FINAIS

A hesitação vacinal constitui um desafio relevante para a cobertura vacinal no Brasil, exige estratégias integradas e baseadas em evidências por parte dos profissionais de saúde. Fatores como a desinformação, a disseminação de fake news e a influência de movimentos anti vacinas têm contribuído diretamente para a desconfiança da população em relação às vacinas e à redução das taxas de imunização, especialmente na infância.

Nesse contexto, a enfermagem assume um papel central, sendo responsável por orientar a comunidade, promover o acesso a informações seguras e atuar como elo entre o sistema de saúde e a população. A formulação de diagnósticos precisos, aliados a intervenções específicas e planejadas, fortalece a prática assistencial, que contribui para a superação de barreiras à adesão vacinal.

Campanhas educativas, visitas domiciliares, apoio contínuo às famílias e auditorias nos serviços de saúde representam ações fundamentais que devem ser implementadas de forma sistemática, com o envolvimento direto da equipe de enfermagem. Essas estratégias permitem não apenas ampliar a cobertura vacinal, mas também restabelecer a confiança social nas práticas de imunização.

Além disso, observou-se uma lacuna na literatura quanto a estudos práticos voltados à atuação da enfermagem frente à hesitação vacinal. Isso evidencia a necessidade de incentivar a produção científica aplicada, ao promover a formação de profissionais mais preparados para enfrentar os desafios contemporâneos da saúde pública.

Portanto, este estudo reafirma a importância da enfermagem como agente protagonista na promoção da imunização infantil e no enfrentamento da hesitação vacinal, contribuindo de maneira decisiva para a proteção coletiva e o fortalecimento do Sistema Único de Saúde.

REFERÊNCIAS

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1Enfermeira Especialista em Enfermagem Neonatal e Pediátrica pela Centro Universitário Celso Lisboa, Rio de Janeiro/RJ, Brasil, e-mail: carpdossmc@gmail.com
2Enfermeira Especialista em Enfermagem Neonatal e Pediátrica pela Centro Universitário Celso Lisboa, Rio de Janeiro/RJ, Brasil, e-mail: leirmarins@hotmail.com
3Enfermeira Especialista em Enfermagem Neonatal e Pediátrica pela Centro Universitário Celso Lisboa, Rio de Janeiro/RJ, Brasil, e-mail: rrmarianascimento@gmail.com
4Enfermeira Especialista em Enfermagem Neonatal e Pediátrica pela Centro Universitário Celso Lisboa, Rio de Janeiro/RJ, Brasil, e-mail: vitoria1999eloir@hotmail.com
5Mestre em Enfermagem, Docente Convidado da Pós-Graduação em Enfermagem Neonatal e Pediátrica pela Centro Universitário Celso Lisboa, Rio de Janeiro/RJ, Brasil, e-mail: profclaudemirsj@gmail.com
6Especialização em Enfermagem Psiquiatria e Saúde Mental, Docente pela Universidade Castelo Branco, Campus Realengo, RJ/Brasil, e-mail: calazans_rj@yahoo.com.br
7Mestrado Profissional em Enfermagem, Docente pela Universidade Castelo Branco, Campus Realengo, RJ/Brasil e-mail: enfaligiaprado@hotmail.com
8Especialista em gestão de saúde pela Universidade Estado do Rio de Janeiro e-mail: velasco.t.alessandra@gmail.com
9Enfermeira Especialista em Enfermagem Neonatal e Pediátrica pela Centro Universitário Celso Lisboa, Rio de Janeiro/RJ, Brasil, e-mail: tamara.araujo.enf@gmail.com
10Enfermeira Especialista em Enfermagem Neonatal e Pediátrica pela Centro Universitário Celso Lisboa, Rio de Janeiro/RJ, Brasil, e-mail: catia.kurpan@fiocruz.br
11Enfermeira Especialista em Enfermagem Neonatal e Pediátrica pela Centro Universitário Celso Lisboa, Rio de Janeiro/RJ, Brasil, e-mail: raqueldanello06@gmail.com
12Enfermeira Especialista em Estratégia da Família e Comunidade pela UERJ na modalidade de residência, e-mail: pireddabeatriz@gmail.com
13Enfermeira Especialista em Estratégia da Família e Comunidade pela UERJ na modalidade de residência, e-mail: cassiane.csq@gmail.com
14Enfermeiro Especialista em Saúde da Família nos  moldes de residência pela Secretária Municipal de Saúde com convênio com a UNIGRANRIO, e-mail: brunomiguel.cap33@gmail.com
15Especialista em Enfermagem do Trabalho pela Universidade Estácio de Sá, RJ/Brasil. E-mail: apbspx@gmail.com