INTERAÇÃO ENTRE DOENÇA PERIODONTAL E DIABETES MELLITUS: REVISÃO DE LITERATURA SOBRE O IMPACTO DO TRATAMENTO PERIODONTAL NOS MARCADORES INFLAMATÓRIOS E CONTROLE GLICÊMICO

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202508081205


Cecília Kelry da Silva Serrão1
João Victor Salvador Marques2
Orientador: Prof. Dr. Luiz Claudio Borges Silva de Oliveira3


RESUMO 

A relação entre doença periodontal e diabetes mellitus tem sido amplamente estudada, evidenciando uma interação bidirecional que impacta tanto a saúde bucal quanto o controle glicêmico. Este artigo tem como objetivo revisar a literatura científica sobre o impacto do tratamento periodontal nos marcadores inflamatórios e no controle glicêmico de pacientes diabéticos. A metodologia consistiu em uma revisão sistemática de artigos publicados entre 2020 e 2024, utilizando bases de dados como PubMed, SciELO e Cochrane Library. Os resultados indicam que o tratamento periodontal, especialmente a raspagem e alisamento radicular, somado a terapia medicamentosa, pode reduzir os níveis de marcadores inflamatórios, como a proteína C-reativa (PCR) e interleucina-1β (IL-1β), IL-6, IL-8, TNF-α e PGE2, além de contribuir para a melhora do controle glicêmico, refletida na redução dos níveis de hemoglobina glicada (HbA1c). Conclui-se que a terapia periodontal pode ser uma intervenção adjuvante importante no manejo do diabetes, sugerindo a necessidade de abordagens integradas entre profissionais de saúde bucal e endocrinologistas. Palavras-chave: doença periodontal; diabetes mellitus; marcadores inflamatórios; controle glicêmico; tratamento periodontal. 

ABSTRACT  

The relationship between periodontal disease and diabetes mellitus has been extensively studied, showing a bidirectional interaction that impacts both oral health and glycemic control. This article aims to review the scientific literature on the impact of periodontal treatment on inflammatory markers and glycemic control in diabetic patients. The methodology consisted of a systematic review of articles published between 2020 and 2024, using databases such as PubMed, SciELO, and Cochrane Library. The results indicate that periodontal treatment, especially scaling and root planing, can reduce levels of inflammatory markers such as C-reactive protein (CRP) and interleukin-6 (IL-6), in addition to contributing to improved glycemic control, reflected in the reduction of glycated hemoglobin (HbA1c) levels. It is concluded that periodontal therapy can be an important adjuvant intervention in diabetes management, suggesting the need for integrated approaches between oral health professionals and endocrinologists.  

Keywords: periodontal disease; diabetes mellitus; inflammatory markers; glycemic control; periodontal treatment.

1. INTRODUÇÃO 

A doença periodontal e a diabetes mellitus são condições crônicas que afetam milhões de pessoas em todo o mundo. A relação entre essas duas doenças tem sido objeto de estudo, evidenciando uma interação bidirecional: o diabetes aumenta o risco de periodontite, e a periodontite pode agravar o controle glicêmico em pacientes diabéticos (Barros; Costa, Pinto, 2024). A inflamação crônica associada à periodontite pode contribuir para a resistência à insulina e, consequentemente, para o descontrole glicêmico, enquanto o diabetes, por sua vez, pode exacerbar a resposta inflamatória nos tecidos periodontais (Cavalcante; Azevedo, Azevedo, 2022). 

O problema central desta pesquisa é compreender como o tratamento periodontal pode influenciar os marcadores inflamatórios e o controle glicêmico em pacientes diabéticos. A relevância deste estudo reside no fato de que a periodontite é uma complicação comum em pacientes diabéticos, e sua adequada gestão pode não apenas melhorar a saúde bucal, mas também contribuir para o controle metabólico do diabetes. O objetivo deste artigo é revisar a literatura científica sobre o impacto do tratamento periodontal nos marcadores inflamatórios e no controle glicêmico de pacientes com diabetes mellitus. 

O diabetes mellitus (DM) é uma doença crônica que se caracteriza pela deficiência relativa ou absoluta de insulina, resultando em alterações metabólicas significativas nos níveis de carboidratos, proteínas e lipídios. Essa condição pode ser desencadeada por diversos fatores, como a ação de hormônios antagonistas à insulina, interferências hormonais, ausência de receptores compatíveis ou falha na produção do hormônio.A insulina, produzida pelas células beta das ilhotas de Langerhans, desempenha um papel crucial no metabolismo, facilitando a absorção de glicose pelas células adiposas, hepáticas e musculares. Além disso, regula a glicemia, promove o armazenamento de glicose no fígado e músculos e auxilia no crescimento (Martins et al., 2020) , (Barros; Costa, Pinto, 2024). 

Segundo a International diabetes federation (IDF, 2024), o diabetes é uma das principais causas de mortalidade no mundo, com 3,4 milhões de mortes no ano de 2024, além de afetar cerca de 589 milhões de pessoas.O Brasil é o 5° país na lista de países com maior incidência de diabetes com 16,6 milhões de pessoas (IDF, 2024).Esses números evidenciam que o diabetes é uma doença que necessita de uma atenção especial dos sistemas de saúde. Os dois tipos mais comuns de diabetes são o tipo I e o tipo II. O diabetes tipo I, mais raro, atinge principalmente indivíduos jovens, com sintomas que se manifestam rapidamente, e corresponde a cerca de 10% dos casos. Já o diabetes tipo II, mais prevalente, está frequentemente associado a fatores hereditários e ao estilo de vida, manifestando-se principalmente em adultos acima dos 40 anos. Esse tipo é responsável por 90% dos casos de diabetes e está relacionado a sintomas como poliúria, polidipsia, perda de peso, polifagia e, em casos mais graves, cetoacidose (Martins et al., 2020) , (Sociedade Brasileira de Diabetes , 2023). 

O controle da insulina no organismo ocorre por meio de um mecanismo de feedback, no qual o hormônio se liga a receptores celulares, permitindo a entrada de glicose nas células e mantendo os níveis glicêmicos dentro da normalidade. Além disso, a insulina atua na síntese de proteínas, na formação e armazenamento de lipídios e na biossíntese de ácido hialurônico, essencial para a reparação tecidual. Em pacientes diabéticos não controlados, a deficiência de insulina compromete esses processos, resultando em cicatrização mais lenta e maior suscetibilidade a complicações (Sociedade Brasileira de Diabetes, 2023). 

No diabetes tipo I, o tratamento requer a administração de insulina para regular os níveis glicêmicos. Já no tipo II, que frequentemente está associado à obesidade e à hipertensão, o controle é geralmente feito por meio de medicamentos orais e mudanças no estilo de vida (Sociedade Brasileira de Diabetes, 2023). No entanto, muitos pacientes desconhecem que a saúde bucal desempenha um papel fundamental no controle da glicemia e na melhoria da qualidade de vida. Apesar de alguns sintomas, como sede excessiva e fadiga, serem indicativos de diabetes, o diagnóstico definitivo é realizado por meio de exames laboratoriais, como a hemoglobina glicada, a curva glicêmica e as medições de glicemia em jejum e pós-prandial (Sociedade Brasileira de Diabetes, 2023). 

A doença periodontal (DP) é uma afecção inflamatória crônica que afeta os tecidos de suporte dos dentes, incluindo gengiva, ligamento periodontal e osso alveolar. Considerada uma das principais causas de perda dentária em adultos, a DP é caracterizada por uma resposta inflamatória aos microrganismos presentes no biofilme dental, que, se não controlada, pode levar à destruição progressiva dos tecidos periodontais (Evangelista et al., 2023). A doença periodontal é dividida em duas doenças principais: gengivite, que é  mais leve e reversível podendo ser tratada com uma melhora na higiene oral ou através da remoção da placa bacteriana de forma mecânica, e periodontite, que envolve a perda de inserção e destruição óssea, sendo considerada irreversível sem intervenção adequada (Frutuoso et al., 2023) 

A gengivite é caracterizada por inflamação gengival, sangramento ao escovar ou passar o fio dental e, em alguns casos, halitose. Embora seja uma condição reversível com a melhora da higiene bucal, a gengivite não tratada pode evoluir para periodontite, uma forma mais grave da doença. A periodontite é marcada pela formação de bolsas periodontais, mobilidade dentária e, em estágios avançados, perda dentária (Carvalho et al., 2021). Além disso, a periodontite tem sido associada a diversas condições sistêmicas, como doenças cardiovasculares, diabetes mellitus e doenças respiratórias, evidenciando a importância da saúde bucal para o bem-estar geral (Cavalcante; Azevedo, Azevedo, 2022). 

A etiologia da doença periodontal é multifatorial, envolvendo fatores locais e sistêmicos. O acúmulo de placa bacteriana é o principal fator local, mas outros elementos, como cálculo dental, restaurações mal adaptadas e hábitos como o tabagismo, podem agravar a condição. Fatores sistêmicos, como diabetes mellitus, imunossupressão e predisposição genética, também desempenham um papel significativo no desenvolvimento e progressão da doença (Martins et al., 2020). Estudos recentes têm destacado a relação bidirecional entre a doença periodontal e o diabetes, em que a periodontite pode dificultar o controle glicêmico, enquanto o diabetes mal controlado aumenta a gravidade da doença periodontal (Barros; Costa, Pinto, 2024) 

A prevenção e o tratamento da doença periodontal envolvem a remoção mecânica do biofilme dental por meio de técnicas de higiene bucal adequadas, como escovação e uso de fio dental, além de intervenções profissionais, como raspagem e alisamento radicular. Em casos mais avançados, pode ser necessário o uso de terapia antimicrobiana ou procedimentos cirúrgicos para restaurar os tecidos periodontais (Simpson et al., 2022). A educação em saúde bucal e a conscientização sobre a importância da prevenção são fundamentais para reduzir a prevalência da doença periodontal e suas complicações. 

O objetivo deste artigo é revisar a literatura científica sobre o impacto do tratamento periodontal nos marcadores inflamatórios e no controle glicêmico de pacientes com diabetes mellitus. Nesse contexto, torna-se essencial compreender como os mecanismos imunoinflamatórios contribuem para essa relação bidirecional. A periodontite é uma doença inflamatória crônica de origem infecciosa que afeta os tecidos de suporte dos dentes e tem sido associada a diversas condições sistêmicas, entre elas o diabetes mellitus tipo 2 (DM2). O DM2 caracteriza-se por resistência à insulina e disfunção progressiva das células β-pancreáticas, estando intimamente relacionado a um estado inflamatório sistêmico de baixo grau, mediado por citocinas pró-inflamatórias como TNF-α, IL-1β, IL-6, IL-8 e a prostaglandina E2 (PGE2) (Barros; Costa, Pinto , 2024).Essas mesmas citocinas também desempenham papel central na resposta imunológica frente ao biofilme periodontal, sugerindo uma via comum entre ambas as patologias. Nesse processo, destacam-se os lipopolissacarídeos (LPS), componentes da parede de bactérias gram-negativas presentes no biofilme subgengival, que atuam como potentes endotoxinas capazes de ativar o sistema imune inato e estimular a produção de mediadores inflamatórios. A inflamação resultante da periodontite, potencializada pela presença de LPS, pode exacerbar a resistência à insulina e dificultar o controle glicêmico em indivíduos com DM2, evidenciando um ciclo de retroalimentação entre as duas doenças. Nesse contexto, os marcadores inflamatórios surgem como elementos-chave para compreender essa inter-relação, sendo indicativos tanto da atividade inflamatória periodontal quanto da desregulação metabólica sistêmica. 

A hiperglicemia crônica presente no diabetes favorece a formação dos produtos finais de glicação avançada (AGEs), que se acumulam nos tecidos e interagem com receptores específicos. Essa interação estimula vias celulares inflamatórias, promovendo a liberação de citocinas como TNF-α, IL-1β, IL-6 e IL-8. Esse processo contribui para o aumento da resistência à insulina, agravando o controle glicêmico e perpetuando um ciclo inflamatório que pode intensificar complicações, como a doença periodontal (MOLINA et al., 2016).

Figura 1- Esquema representando a relação entre Periodontite e Diabetes Mellitus tipo 2.

Fonte: TUNES, Roberta Santos et al. (2010) 

Figura 2-  Apresenta uma representação esquemática da interação entre o ciclo hiperglicêmico, a formação de AGEs e a liberação de mediadores inflamatórios, destacando seu papel na patogênese da doença periodontal em indivíduos com diabetes mellitus.

Fonte: Elaborada pelo autor 

2. METODOLOGIA 

Este estudo trata-se de uma revisão sistemática da literatura, com ênfase em artigos publicados entre 2020 e 2024. As buscas foram realizadas nas bases de dados PubMed, SciELO e Cochrane Library, utilizando os seguintes descritores em inglês: “periodontal disease”, “diabetes mellitus”. Dando ênfase em artigos cuja pesquisa mencionava sobre marcadores inflamatórios. A população de interesse consistiu em indivíduos adultos com diagnóstico de diabetes mellitus tipo 1 ou 2 e periodontite. 

Foram incluídos ensaios clínicos randomizados, revisões sistemáticas e meta-análises que abordassem a relação entre o tratamento periodontal e seus efeitos sobre os marcadores inflamatórios e o controle glicêmico. Foram excluídos os estudos que não investigavam essa relação ou que não apresentavam dados quantitativos sobre marcadores inflamatórios específicos, como proteína C reativa (PCR), interleucina-1 (IL-1), IL-6, IL-8 e fator de necrose tumoral alfa (TNF-α). 

A análise dos dados foi conduzida de forma descritiva, com foco nos efeitos do tratamento periodontal sobre a redução dos níveis de marcadores inflamatórios e sobre a melhora do controle glicêmico, especialmente por meio da redução da hemoglobina glicada (HbA1c). Os principais achados foram organizados em tabelas e gráficos comparativos, visando facilitar a análise dos resultados entre os diferentes estudos. 

Adicionalmente, foi considerada a influência de fatores socioeconômicos na progressão da doença periodontal em pacientes diabéticos, com base em estudos epidemiológicos relevantes disponíveis na literatura científica. 

3. RESULTADOS  

Os resultados indicam que o tratamento periodontal, especialmente a raspagem e alisamento radicular, está associado à redução dos níveis de marcadores inflamatórios, como a proteína C-reativa (PCR) e a interleucina-6 (IL-6). Além disso, observou-se uma melhora significativa no controle glicêmico, com redução dos níveis de hemoglobina glicada (HbA1c) em pacientes diabéticos submetidos à terapia periodontal (Tabela 1).

Tabela 1 – Tabela Comparativa que apresenta o impacto do tratamento periodontal nos marcadores inflamatórios e controle glicêmico

Autor/ Ano Tratamento Periodontal Avaliado População Marcadores 
InflamatóriosAnalisados 
Antimicrobianos utilizados  Resultados 
Principais 
BARROS;  COSTA, PINTO, 2024 Raspagem supragengival, subgengival, alisamento radicular, cirurgia periodontal e extrações dentárias Pacientes com diabetes mellitus tipo 1 e tipo 2 com periodontite IL-1β, IL-6, IL-8, TNF-α, PGE2, PCR, adiponectina, HbA1c Doxiciclina (em alguns casos), Clorexidina, antibióticos sistêmicos (não especificados) A terapia periodontal contribuiu para a redução dos níveis inflamatórios e melhora do controle glicêmico. Efeitos benéficos foram mais evidentes em pacientes com maior severidade da doença e pior controle glicêmico.
SIMPSON, T.C. et al, 2022 Terapias não cirúrgicas (raspagem, com e sem antimicrobianos) 3249 pacientes com diabetes mellitus tipo 1 ou 2 e periodontite PCR Amoxicilina + Metronidazol; Doxiciclina + Clorexidina; Tinidazol + Ampicilina; Minociclina Periodontite aumenta a inflamação sistêmica e piora o controle glicêmico. O tratamento reduziu citocinas e HbA1c média 0,43% em 3-4 meses) . 
Bian; Liu e Fu, 2021 SRP (raspagem e alisamento radicular) 72 Pacientes com DM2 e periodontite moderada e severa  TNF-α, PCR-as Amoxicilina Redução significativa de IP, GI, PD, AL e dos marcadores inflamatórios . Melhora clínica, inflamatória e na qualidade de vida. 
FRUTUOSO, Bianca Prudêncio, 2023 Raspagem e alisamento radicular; instrumentaçã o subgengival; associado a antibioticotera pia (não especificada) Revisão de 17 artigos (populações com DM1 ou DM2 e periodontite) IL-1β, IL-6, IL-8, TNF-α, PCR, PGE2, MMPs, RANKL Antibioticoterapia associada (sem especificar o antibiótico), além de abordagens com laserterapia e fototerapia O tratamento periodontal melhora os parâmetros periodontais e reduz marcadores inflamatórios, contribuindo para o controle glicêmico. Confirma a relação bidirecional entre periodontite e diabetes. 
KOLTE et al, 2023 Terapia periodontal não cirúrgica Pacientes com DM2 e periodontite estágio III HbA1c, glicemia, TNF-α, PCR-as, IL-10 Não mencionado Redução de todos os marcadores inflamatórios e melhora clínica. 
SUÁREZ H et al, 2021 Terapia periodontal básica Pacientes com DM2 e inflamação crônica Glicemia Não mencionado 73,4% dos pacientes apresentaram redução da glicemia após tratamento 
RAPONE, B. et al , 2021 Tratamento periodontal não cirúrgico Pacientes com DM2 e periodontite HbA1c, Proteína C Reativa (PCR) Não especificado  Redução média de 0,4% em HbA1c e diminuição significativa da PCR após o tratamento 

Fonte: Elaborada pelos autores 

Os dados analisados demonstram uma forte correlação entre a doença periodontal e o diabetes mellitus tipo 2. Os estudos mostraram que indivíduos quando sujeitos ao tratamento periodontal como, raspagem e alisamento radicular, apresentam melhora na HbA1c e nos marcadores inflamatórios, melhora clínica e redução na profundidade de sondagem.  

Além disso, foi observada uma correlação significativa entre o controle glicêmico deficiente em pacientes com diabetes mellitus tipo 1 e o agravamento do quadro periodontal. A Figura 1 ilustra uma paciente jovem com diabetes tipo 1 mal controlada, apresentando gengivite severa e perda de inserção tecidual, com melhora clínica após intervenção periodontal não-cirúrgica e instrução de higiene oral.

Figura 3 – Tecidos gengivais inflamados na figura A, antes do tratamento periodontal não cirúrgico em paciente com diabetes tipo 1 mal controlado, e melhora significativa no tecido gengival na figura B, após o tratamento periodontal não cirúrgico.

Fonte: (LINDHE et al., 2010, p. 636) 

Além disso, há evidências clínicas da relação entre diabetes mal controlado e maior predisposição à formação de abscessos periodontais, como exemplificado na Figura 4, que mostra um abscesso palatino associado à bolsa periodontal em paciente com diabetes tipo 2.

Figura 4 – Abscesso periodontal em palato de paciente diabético tipo 2 mal controlado.

Fonte: (LINDHE et al., 2010, p. 638) 

A progressão rápida da perda óssea periodontal em indivíduos diabéticos também é evidenciada por registros radiográficos comparativos (Figura 4), os quais demonstram severa reabsorção óssea após o diagnóstico de diabetes tipo 2 em um intervalo de três anos.

Figura 5 – Radiografias seriadas de paciente com diabetes tipo 2 mostrando progressão da perda óssea associada a abscessos periodontais.

(Lindhe et al., 2010, p. 639) 

4. DISCUSSÃO 

A interação entre a doença periodontal e o diabetes mellitus tipo 2 tem sido amplamente evidenciada na literatura recente, com diversos estudos apontando uma relação bidirecional entre essas condições. A inflamação crônica provocada pela periodontite parece contribuir significativamente para a resistência à insulina, dificultando o controle glicêmico em pacientes diabéticos. Por outro lado, o descontrole metabólico do diabetes favorece a progressão da destruição periodontal. Neste contexto, o tratamento periodontal tem se mostrado uma intervenção relevante, não apenas para restaurar a saúde bucal, mas também para promover a redução de marcadores inflamatórios sistêmicos e melhorar os índices de hemoglobina glicada (HbA1c), como demonstrado nos estudos analisados nesta revisão.

Tabela 2 – Tabela Comparativa que apresenta a metodologia e a conclusão de artigos analisados.

Ano Autor Metodologia Conclusão 
2024 BARROS;  COSTA, PINTO  Uma pesquisa exploratória utilizando uma pesquisa bibliográfica de artigos científicos em inglês e português, publicados entre 2002 e 2024 sendo eles 34 artigos científicos,4 livros,1 site e uma tese de doutorado O diabetes mellitus é uma das principais questões de saúde pública devido à sua alta prevalência e impacto sistêmico. Ele tem uma relação bidirecional com a doença periodontal: o mau controle glicêmico agrava a condição periodontal, enquanto a inflamação periodontal dificulta o controle da glicemia. Essa interação agrava ambas as doenças e compromete a qualidade de vida dos pacientes. A terapia periodontal pode ajudar a melhorar o controle glicêmico, destacando a importância de um atendimento odontológico integrado com a endocrinologia. Portanto, é essencial que cirurgiões-dentistas estejam bem informados sobre essa relação para oferecer um tratamento eficaz e interdisciplinar.
2022 CAVALCANTE;  AZEVEDO, AZEVEDO Levantamento bibliográfico com artigos em inglês e em português entre os anos de 2018 e 2022 sendo selecionado 8 artigos Os artigos analisados indicam uma relação bidirecional entre diabetes mellitus e doença periodontal, na qual uma condição influencia diretamente a outra. O conhecimento sobre essa relação é fundamental para o controle e progressão das doenças, tornando essencial um acompanhamento multiprofissional. Quando profissionais de saúde e pacientes estão bem informados, o tratamento é mais eficaz, resultando em uma melhor qualidade de vida. 
2021 MARINE, P. H. B et al  Análise descritiva a partir de uma pesquisa bibliográfica com base na revisão de títulos literários,artigos científicos,teses e revistas sendo analisadas 34 publicações Os artigos analisados indicam uma relação bidirecional entre diabetes mellitus e doença periodontal, onde uma condição influencia a outra. O conhecimento sobre essa conexão é essencial para controlar a progressão das doenças, sendo fundamental um acompanhamento multiprofissional para conscientizar pacientes e melhorar o tratamento e a qualidade de vida. 
2023 FRUTUOSO, Bianca 
Prudêncio,
Pesquisa bibliográfica fazendo uso de uma restrição temporal de 15 anos e utilizando a metodologia PICO sendo selecionados 17 artigos.A revisão evidencia que a diabetes mellitus é um importante fator de risco para doenças periodontais, agravando parâmetros como inflamação, sangramento e perda óssea, em comparação a pacientes saudáveis. Existe uma relação bidirecional entre ambas as condições, sendo o controle glicêmico essencial para reduzir a incidência de problemas periodontais. Além disso, a diabetes pode causar outras complicações orais. O tratamento periodontal aliado à antibioterapia mostra-se eficaz tanto na saúde bucal quanto na melhora do controle glicêmico.
2020 MARTINS, I.S et al Uma revisão da literatura em inglês e em português onde foram usados 28 artigos e 9 livros publicados entre os anos de 1997 e 2019 A periodontite e a diabetes mellitus são doenças de grande impacto na saúde geral. Existe uma relação mútua entre elas, em que o diabetes pode agravar a progressão da periodontite. Pacientes diabéticos com periodontite tendem a desenvolver a doença de forma mais rápida, sendo esse processo influenciado por fatores como o tempo de diagnóstico, higiene oral e controle glicêmico. 
2021 CARVALHO, W.C et al Revisão de  literatura bibliográfica realizada através de busca de artigos em português e inglês.Foram usados estudos clínicos,relatos de casos,revisões de literatura,  além  de monografias,  teses  e dissertações obtidas a partir da literatura cinzenta Este estudo destaca a importância de uma abordagem multidisciplinar no cuidado com pacientes diabéticos, especialmente aqueles com doenças periodontais. Reforça-se a necessidade de integração entre cirurgiões-dentistas e médicos, com foco na anamnese detalhada, condutas terapêuticas adequadas e na conscientização do paciente sobre higiene bucal e controle da diabetes, visando o sucesso do tratamento.
2022 SIMPSON, T.C. et al Um especialista em informação realizou buscas em seis bases de dados bibliográficas até 7 de setembro de 2021, além de utilizar métodos adicionais para encontrar estudos publicados, não publicados e em andamento. Foram incluídos ensaios clínicos randomizados (RCTs) com duração mínima de 3 meses, envolvendo pessoas com diabetes tipo 1 ou tipo 2 e diagnóstico de periodontite. Os estudos compararam a instrumentação subgengival (com ou sem tratamento cirúrgico e/ou antimicrobianos) com nenhuma intervenção ativa ou cuidados habituais (como instrução de higiene oral, educação, suporte e/ou limpeza supragengival). Todos os estudos incluídos mediram a hemoglobina glicada (HbA1c). A atualização de 2022 incluiu o dobro de estudos e participantes, o que fortaleceu a evidência. Agora há certeza moderada de que o tratamento periodontal melhora significativamente o controle glicêmico em pessoas com diabetes e periodontite, em comparação com nenhum tratamento ou cuidados habituais. Novos estudos semelhantes provavelmente não mudarão essa conclusão. 
2024 CHAVES, M.F.M de et al Revisão integrativa da literatura com caráter descritivo e com abordagem qualitativa usando 10 artigos de língua inglesa e portuguesa Existe uma relação bidirecional entre diabetes e periodontite: o diabetes pode agravar a periodontite, e esta pode dificultar o controle glicêmico. O tratamento periodontal melhora esse controle, especialmente com a higiene oral adequada e a redução da carga bacteriana. A falta de conhecimento sobre essa conexão ainda é um desafio, reforçando a importância da conscientização e de uma abordagem multidisciplinar para melhorar a qualidade de vida dos pacientes.
2023 SÁ, Y.S.B de et al Trata-se de um estudo observacional, transversal e quantitativo, com 54 pacientes com diabetes mellitus atendidos em uma unidade de saúde de João Pessoa-PB. Foram incluídos maiores de 18 anos com diagnóstico confirmado de DM, e excluídos edêntulos totais, menores de idade e pessoas com necessidades especiais. A coleta de dados ocorreu após aprovação ética, por meio de um questionário estruturado aplicado durante a espera por atendimento. Foram abordadas informações socioeconômicas, hábitos de higiene bucal, condições de saúde oral e conhecimento sobre a relação entre DM e doenças periodontais. Os dados foram analisados por estatística descritiva e teste exato de Fisher.  Destaca a relação entre diabetes mellitus e doença periodontal, evidenciando a falta de conhecimento dos pacientes sobre essa conexão. Ressalta-se a importância de estratégias educativas para profissionais e pacientes, promovendo o cuidado bucal como parte essencial do controle do diabetes. Uma abordagem multidisciplinar e maior conscientização são fundamentais para prevenir e controlar a doença periodontal, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida dos pacientes. 
2023 EVANGELISTA, M.P et alRevisão de literatura Há uma relação significativa entre diabetes mellitus (DM) e doença periodontal (DP), especialmente em casos de diabetes não controlada, em que a gravidade da DP tende a ser de moderada a alta.
2021 RAPONE, B. et al  O estudo foi um ensaio clínico controlado, randomizado, com dois grupos paralelos, duplo-cego e realizado em um único centro, com acompanhamento de 6 meses. Seguiu as diretrizes da Declaração de Helsinque e de Boas Práticas Clínicas, com aprovação ética da Universidade Albanesa (nº 385). Os participantes foram recrutados entre junho de 2018 e janeiro de 2020, sendo incluídos apenas pacientes com diagnóstico de diabetes tipo 2, sem alteração no tratamento nos últimos 3 meses, que não haviam participado de programas educativos sobre diabetes e que também apresentavam diagnóstico de periodontite. Destaca evidências crescentes de uma relação bidirecional entre diabetes e periodontite: o diabetes aumenta o risco de periodontite, enquanto a inflamação periodontal prejudica o controle glicêmico. Embora os mecanismos exatos ainda não sejam totalmente compreendidos, eles envolvem o sistema imune, a atividade dos neutrófilos e a biologia das citocinas. O estudo mostrou que o mau controle glicêmico está associado à gravidade da periodontite e que essa condição pode elevar os níveis de proteína C reativa (PCR) no plasma. São necessárias mais pesquisas para entender melhor os mecanismos moleculares envolvidos nessa inflamação. 
2021 SUÁREZ, H. et al Trata-se de um estudo observacional, descritivo e transversal, realizado com pacientes diabéticos que apresentavam doença periodontal crônica de natureza imunoinflamatória. A pesquisa foi conduzida na Clínica Estomatológica Docente “Antonio Briones Montoto”, entre maio de 2018 e março de 2020. O universo do estudo foi composto por 97 pacientes, dos quais 64 foram selecionados por meio de uma amostragem intencional não probabilística. Os dados foram coletados a partir de fichas clínicas e da história clínica de Periodontia. A periodontite em pacientes diabéticos é mais comum após os 60 anos, sendo associada principalmente à má higiene bucal, dentes perdidos não substituídos e presença de tártaro. Observou-se uma relação entre a periodontite e a hiperglicemia, com melhora nos níveis de glicose em 73,4% dos pacientes após o tratamento periodontal, indicando uma conexão entre a doença periodontal e a diabetes mellitus. 

Fonte: Elaborada pelos autores 

Os dados apresentados na Tabela 2 corroboram a eficácia do tratamento periodontal como estratégia complementar no manejo do diabetes mellitus tipo 2. Estudos como os de Barros, Costa e Pinto (2024), Frutuoso (2023), Kolte et al. (2023) e Rapone et al. (2021) demonstraram reduções significativas nos níveis de citocinas inflamatórias (como IL-6, IL-1β, TNF-α, PCR e PGE2) e na HbA1c após a realização de raspagem e alisamento radicular, com ou sem o uso de antimicrobianos. A redução média de 0,4% a 0,6% na HbA1c observada em estudos como o de Simpson et al. (2022) e Rapone et al. (2021) representa uma melhora clínica relevante, com impacto direto na saúde sistêmica do paciente diabético. 

Além dos efeitos clínicos, os estudos também destacaram a influência de fatores individuais na resposta ao tratamento, como a gravidade da periodontite e o nível de controle glicêmico prévio. Bian, Liu e Fu (2021) mostraram que diferentes abordagens terapêuticas foram eficazes na melhora dos parâmetros clínicos periodontais e inflamatórios, mas não apresentaram diferença estatisticamente significativa no controle glicêmico entre os grupos, o que sugere a necessidade de individualização das condutas terapêuticas. 

Outro aspecto importante evidenciado por Sá et al (2023) diz respeito ao baixo nível de conhecimento dos pacientes diabéticos sobre a relação entre saúde bucal e controle glicêmico, o que reflete a necessidade urgente de estratégias educativas e preventivas. A condição socioeconômica demonstrou ser um fator determinante para o agravamento do quadro periodontal, especialmente entre indivíduos com menor acesso aos serviços de saúde, conforme também relatado por Suárez et al. (2021), que associaram a má higiene bucal e a ausência de reposição dentária ao agravamento da doença em pacientes acima de 60 anos. 

Dessa forma, reforça-se a importância de políticas públicas que promovam a integração entre as áreas médica e odontológica, assegurando o acesso ao tratamento periodontal como parte integrante da abordagem multidisciplinar no controle do diabetes. A atuação conjunta de cirurgiões-dentistas e endocrinologistas é fundamental para garantir intervenções mais eficazes, com foco na saúde sistêmica e na qualidade de vida dos pacientes. 

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS  

Conclui-se que o tratamento periodontal pode ser uma intervenção adjuvante importante no manejo do diabetes mellitus, contribuindo para a redução dos níveis de marcadores inflamatórios e a melhora do controle glicêmico. A integração entre profissionais de saúde bucal e endocrinologistas é essencial para o manejo eficaz dessas condições crônicas. Futuros estudos devem focar em protocolos de tratamento periodontal específicos para pacientes diabéticos, considerando a gravidade da periodontite e o controle glicêmico prévio. 

Conclui-se também que o tratamento periodontal não apenas melhora a saúde bucal, mas pode ser um fator adjuvante no controle glicêmico, principalmente em indivíduos de baixa renda, que apresentam maiores dificuldades no acesso a cuidados de saúde adequados. Políticas públicas devem ser implementadas para garantir o atendimento odontológico dessa população e reduzir o impacto da periodontite no controle do diabetes mellitus.

REFERÊNCIAS 

BARROS, Jamile Donadia de; COSTA, Danilo Sales; PINTO, Emanuel Vieira. A RELAÇÃO BIDIRECIONAL ENTRE DOENÇA PERIODONTAL E DIABETES MELLITUS: IMPACTOS NA SAÚDE BUCAL E SISTÊMICA. Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação, [S. l.], v. 10, n. 11, p. 1333–1355, 2024.

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1Acadêmico de Odontologia, UNIGAMA.
2Acadêmico de Odontologia, UNIGAMA.
3Doutor em Periodontia, UERJ. Professor de Odontologia UNIGAMA.