IMPACT OF SMOKING ON OSSEOINTEGRATION OF DENTAL IMPLANTS
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/pa10202502212356
Matheus Harllen Gonçalves Veríssimo1; André de Almeida Agra Omena2; Rhuann Ayran Castro Borburema3; Andressa Mota Silva4; Kayala Onawale Correia Alves5; Pedro Bittencourt Costa6; Caroline de Almeida Reis7; Gabriel Batista dos Santos8; Jeferson Tomaz da Silva9; Maria Jessiane de Almeida Silva10; Tomaz Goulart Mendes11; Sérgio Ricardo Canedo Xavier12; Jorge Luiz de Brito Melo13; Luiz Eduardo Meireles Mayrink14
RESUMO
O tabagismo é uma das principais causas que afetam o sucesso dos implantes dentários, também de forma bastante direta, afetando o processo de osseointegração. Outrossim, este estudo tem como objetivo realizar uma revisão integrativa da literatura sobre os principais impactos do tabagismo na osseointegração de implantes dentários. Para isto, foram utilizadas as bases de dados eletrônica: U. S. National Library of Medicine (PubMed), Scientific Electronic Library Online (SciELO), Cochrane Library, Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), além disso, foi utilizado o Google Scholar, uma biblioteca eletrônica de artigos científicos e trabalhos acadêmicos da literatura cinzenta, a fim de pesquisar e identificar estudos que respondessem à pergunta norteadora desta revisão integrativa da literatura. Em seguida, os pesquisadores selecionaram os trabalhos com análise no título e resumo, com base nos critérios de elegibilidade. Os critérios de elegibilidade foram os seguintes: artigos publicados em inglês, português e espanhol; relatos de casos; pesquisas laboratoriais, ensaios clínicos randomizados ou não randomizados, artigos que se adequem à temática. Os resultados desta revisão evidenciam que o tabagismo está diretamente associado a um maior risco de falha na osseointegração de implantes dentários, além de contribuir para a perda óssea marginal e o desenvolvimento de doenças peri-implantares. Observou-se que a severidade dos impactos aumenta proporcionalmente ao número de cigarros consumidos diariamente. Dessarte, a cessação do tabagismo é um fator crucial para o sucesso dos implantes, sendo essencial que profissionais da saúde bucal orientem e monitorem pacientes fumantes para minimizar os riscos e melhorar os prognósticos clínicos.
Palavras-chave: Tabagismo. Implantes dentários. Osseointegração. Odontologia.
ABSTRACT
Smoking is one of the main causes that affect the success of dental implants, also in a very direct way, affecting the osseointegration process. Furthermore, this study aims to conduct an integrative review of the literature on the main impacts of smoking on the osseointegration of dental implants. For this, the following electronic databases were used: U.S. National Library of Medicine (PubMed), Scientific Electronic Library Online (SciELO), Cochrane Library, Latin American and Caribbean Literature in Health Sciences (LILACS); in addition, Google Scholar, an electronic library of scientific articles and academic papers from the gray literature, was used in order to search and identify studies that answered the guiding question of this integrative literature review. Then, the researchers selected the papers with analysis in the title and abstract, based on the eligibility criteria. The eligibility criteria were as follows: articles published in English, Portuguese and Spanish; case reports; laboratory research, randomized or non- randomized clinical trials, articles that are appropriate to the theme. The results of this review show that smoking is directly associated with a higher risk of failure in the osseointegration of dental implants, in addition to contributing to marginal bone loss and the development of peri- implant diseases. It was observed that the severity of the impacts increases proportionally to the number of cigarettes smoked daily. Therefore, smoking cessation is a crucial factor for the success of implants, and it is essential that oral health professionals guide and monitor patients who smoke to minimize risks and improve clinical prognoses.
Keywords: Tabacco Use Disorders. Dental implants. Osseointegration. Dentistry.
INTRODUÇÃO
O tabagismo é uma das principais causas que afetam o sucesso dos implantes dentários, também de forma bastante direta, afetando o processo de osseointegração. Os produtos químicos encontrados nos cigarros afetam basicamente a reação do corpo à instalação do implante, dificultando assim a cicatrização e também aumentando os riscos de complicações. Sendo assim, entender os impactos do fumo é muito importante para garantir uma abordagem clínica mais segura e eficaz (Sánchez-Pérez et al., 2007; Mustapha et al., 2022; Guimaraes et al., 2024).
A osseointegração é o processo mais importante para os implantes dentários manterem sua estabilidade, pois se baseia na criação de uma ligação direta entre o osso e o implante1. Essa etapa é sobre uma reação biológica rápida e precisa, resultando em um encaixe muito seguro da estrutura na mandíbula. Apesar disso, fumar prejudica esse estágio ao perturbar a circulação sanguínea e, portanto, a regeneração óssea, consequentemente, o corpo se torna menos competente na recuperação após a cirurgia (Mustapha et al., 2022).
Além de influenciar o estágio inicial da osseointegração, fumar também afeta a saúde peri-implantar a longo prazo. Pacientes fumantes são mais propensos a ter inflamações de tecido ao redor do implante, o que é propício à perda óssea progressiva e pode levar ao fracasso do tratamento (Naseri et al., 2020; Guimaraes et al., 2024). O acúmulo constantemente presente de substâncias tóxicas na cavidade oral obstrui o tecido mole, causando, portanto, altas taxas de agentes nocivos e, portanto, a longevidade do implante não é atingida (Chrcanovi et al., 2015).
Outro fator desconcertante é o efeito do fumo na resposta imunológica do corpo. O processo de cicatrização dos tecidos e a defesa contra infecções são processos que precisam de uma boa circulação sanguínea e um sistema imunológico eficiente, mas o tabaco reduz a capacidade do corpo de combater microrganismos e reparar danos. Como resultado, a recuperação pós-cirúrgica é retardada e o risco de complicações é significativamente aumentado (Naseri et al., 2020; Mustapha et al., 2022).
Diante desses impactos negativos, é essencial que os dentistas alertem seus pacientes sobre a exposição ao tabaco, que se tornaria um obstáculo no tempo de cicatrização de seus implantes dentários. Orientações sobre a cessação do hábito e monitoramento rigoroso são as etapas críticas que levam a um maior sucesso do tratamento (Guimaraes et al., 2024). Dessa forma, torna-se possível minimizar os danos causados pelo cigarro e garantir um melhor resultado na terapia. Outrossim, este estudo tem como objetivo realizar uma revisão integrativa da literatura sobre os principais impactos do tabagismo na osseointegração de implantes dentários.
MÉTODOS
Esta revisão integrativa da literatura possui uma metodologia qualitativa, sendo baseada em Rother (2007) e Pereira et al. (2018), e no desenvolvimento da seguinte pergunta de pesquisa: Quais os principais impactos do tabagismo na osseointegração de implantes dentários?
Para isto, foram utilizadas as bases de dados eletrônica: U. S. National Library of Medicine (PubMed), Scientific Electronic Library Online (SciELO), Cochrane Library, Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), além disso, foi utilizado o Google Scholar, uma biblioteca eletrônica de artigos científicos e trabalhos acadêmicos da literatura cinzenta, a fim de pesquisar e identificar estudos que respondessem à pergunta norteadora desta revisão integrativa da literatura. As bases de dados foram pesquisadas sem restrição de período de tempo, devido ao reduzido número de artigos científicos encontrados.
Esta revisão integrativa baseou-se em cinco etapas: Na primeira etapa foi o estabelecimento dos descritores para ambas as bases de dados, sendo uma com a utilização de MeSHterms (PubMed/Cochrane Library) e DeCS (SciELO e LILACS). Em seguida, segunda etapa, fora feito a busca avançada nas bases e análise do quantitativo dos artigos científicos presentes na íntegra. Logo em seguida, na terceira etapa, foram selecionados os artigos que se adequaram aos critérios de elegibilidade estabelecidos pelos pesquisadores. Na quarta e quinta etapa, os pesquisadores formularam uma tabela descritiva sobre os autores, objetivo da pesquisa, resultados e conclusão e em seguida, desenvolvimento da discussão dos artigos científicos, a fim de responder à pergunta norteadora estabelecida no início desta metodologia.
Foram utilizados três descritores para a composição da chave de pesquisa, sendo os seguintes (MeSH/DeCS): [(Tabagismo/Tabacco Use Disorders) AND (Implantes dentários/Dental Implants) AND (Osseointegração/Osseointegration)}. Em seguida, os pesquisadores selecionaram os trabalhos com análise no título e resumo, com base nos critérios de elegibilidade. Os critérios de elegibilidade foram os seguintes: artigos publicados em inglês, português e espanhol; relatos de casos; pesquisas laboratoriais, ensaios clínicos randomizados ou não randomizados, artigos que se adequem à temática.
Também foi utilizado o sistema de formulário avançado para busca e seleção dos artigos utilizando conector booleano “AND”. Em seguida, artigos que preencheram os critérios de elegibilidade foram identificados e incluídos na revisão.
RESULTADOS
Os trabalhos que preencheram todos os critérios de seleção foram incluídos no estudo, os que não preencheram os critérios e/ou não se mostraram relevantes foram excluídos. Apesar do grande número de artigos encontrados na busca avançada do Google Scholar, grande parte do material não possuía correlação com a temática abordada. Os resultados por análise foram representados na Tabela 1 e estabeleceu-se a construção da Tabela 2 aos estudos selecionados, com formulação das colunas (Autor/Ano; Objetivo do estudo; Resultados e Conclusão).
Tabela 1 – Seleção dos artigos por análise empregada e estabelecimento dos critérios de inclusão.
Íntegra | Artigos selecionados | |
PubMed | 9 | 1 |
SciELO | 0 | 0 |
Cochrane Library | 0 | 0 |
LILACS | 9 | 3 |
Google Scholar | 26,000 | 4 |
Fonte: Elaborado pelos autores, 2025.
Tabela 2 – Estudos detalhados em tabela de resultados
Autor/Ano | Objetivo do estudo | Resultados | Conclusão |
Nagao et al. (2022) | Avaliar a eficácia de uma intervenção de cessação do tabagismo conduzida por diferentes especialistas em odontologia direcionada a um grupo de pacientes com doenças bucais relacionadas ao tabaco ou em tratamento com implantes. | Um total de 61 pacientes concordou com a intervenção de cessação do tabagismo. A taxa média de abstinência de tabaco confirmada bioquimicamente foi de 37,7% no mês 3, 34,4% no mês 6 e 32,8% no mês 12. A maior taxa de abstinência de tabaco confirmada bioquimicamente no mês 12 foi entre os pacientes que receberam tratamento com implantes (42,9%), seguidos por pacientes com distúrbio oral potencialmente maligno (37,1%) e aqueles com periodontite (21,1%). | Este estudo intervencionista demonstra os desafios encontrados e a viabilidade da intervenção para parar de fumar entre pacientes japoneses que frequentam especialistas em odontologia que concluíram um curso de e-learning sobre cessação do tabagismo |
Miranda et al. (2018) | Revisar a literatura associando a influência e o risco do tabagismo à importância da saúde peri-implantar para previsibilidade do tratamento | O fumo aumenta o risco de peri-implantite e perda óssea peri-implantar. | O tabaco influencia negativamente na osseointegração e sobrevida d os implantes de titânio, devido aos efeitos citotóxicos das suas substâncias. |
Martinez et al. (2023) | Classificar os principais sinais e sintomas clínicos da doença periimplantar a fim de estabelecer um diagnóstico, apresentar quais fatores devem ser avaliados durante o planejamento e manutenções de implantes dentários, os fatores de risco locais e sistêmicos, o tratamento e a importância do implantodontista com o periodontista realizar planejamento corr eto visando um prognostico favorável. | Os estudos mostraram que o acúmulo de placa bacteriana nos implantes resultará no desenvolvimento de mucosite e podendo posteriormente se estabelecer a peri- implantite. Uma história de doença periodontal, tabagismo e falta de terapia de suporte devem ser considerados como indicadores de risco par a o desenvolvimento de peri-implantite. | É de suma importância o trabalho simultâneo do implantodontista com o periodontista com o intuito de se obter um bom planejamento e consequentemente reduzir danos a curto e longo prazo nos tecidos periimplantares. O sucesso do tratamento de doenças periimplantares está na prevenção, envolvendo reforço de higiene oral e manutenções periódicas |
Guimaraes et al. (2024) | Realizar uma revisão de literatura abrangente e crítica para investigar os principais efeitos do tabagismo sobre os tecidos implantares, bem como suas possíveis consequências para o tratamento reabilitador com implantes dentários. | A análise revelou que o tabagismo exerce um efeito negativo substancial na saúde dos implantes dentários e na osseointegração. Os estudos investigados demonstraram uma correlação significativa entre o tabagismo e complicações em torno dos implantes, incluindo perda óssea marginal, inflamação peri-implantar e um maior risco de desenvolver doenças peri-implantares. | O tabagismo representa um desafio significativo para a saúde e a integração de implantes dentários. Profissionais de saúde bucal devem estar atentos aos impactos adversos do tabagismo, informando seus pacientes sobre esses efeitos prejudiciais à saúde oral. |
Chrcanovic et al. (2015) | Testar a hipótese nula de nenhuma diferença nas taxas de falha do implante, risco de infecção pós-operatória e perda óssea marginal para fumantes versus não fumantes, contra a hipótese alternativa de diferença. | A inserção de implantes em fumantes afetou significativamente as taxas de falha, o risco de infecções pós-operatórias, bem como a perda óssea marginal. Os resultados devem ser interpretados com cautela devido à presença de fatores de confusão não controlados nos estudos incluídos | O tabagismo é um fator que tem o potencial de afetar negativamente a cicatrização e o resultado do tratamento com implantes. É importante realizar uma revisão periódica atualizada para sintetizar as evidências de pesquisa clínica relevantes para o assunto. |
Sánchez- Pérez et al. (2007) | Avaliar as taxas de sobrevida do implante entre não fumantes (NS) e diferentes tipos de fumantes (S). | Os pacientes foram divididos em dois grupos: S, 40 pacientes (95 implantes; 58% da amostra); e SN, 26 pacientes (70 implantes; 42% da amostra). Além disso, S e NS foram classificados em quatro categorias diferentes de acordo com o uso diário de tabaco: SN, 26 pacientes e 70 implantes; fumantes leves (LS), 23 pacientes e 44 implantes; fumantes moderados (SM), 11 pacientes e 25 implantes; e fumantes pesados (HS), seis pacientes e 26 implantes. Dezesseis implantes (9,7%) falharam e tiveram que ser removidos. O grupo S apresentou 15 falhas e uma taxa de sucesso de 84,2%. O grupo EN teve apenas uma falha, dando uma taxa de sucesso de 98,6%. O risco de falha do implante foi de ∼31% naqueles que fumavam mais de 20 cigarros por dia. A FPM apresentou diferenças estatísticas em relação à SN ou à LS. No entanto, eles não mostraram diferenças em relação à EM. | Dentro dos limites do presente estudo, o uso de tabaco envolve um risco de 15,8% de falha do implante, com uma razão de chances de 13,1. O uso de tabaco LS ou MS envolve um risco relativo de 10,1% de perda do implante, enquanto o consumo de >20 cigarros por dia aumenta esse risco para 30,8%. |
Mustapha et al. (2022) | Avaliar a influência do tabagismo nas taxas de falha do implante dentário e na perda óssea marginal (MBL). | A meta-análise pareada mostrou que os implantes em fumantes tiveram um risco de falha maior em comparação com os não fumantes (OR 2,402, p < 0,001). A diferença na falha do implante entre os grupos foi estatisticamente significativa na maxila (OR 2,910, p < 0,001), assim como na mandíbula (OR 2,866, p < 0,001). A diferença média (DM) da MBL entre os grupos foi de 0,580 mm (p < 0,001). Houve uma diminuição estimada de 0,001 na OR (p = 0,566) e aumento de 0,004 mm (p = 0,279) na DM MBL entre os grupos para cada mês adicional de acompanhamento, embora sem significância estatística. Portanto, não houve influência clara do acompanhamento no tamanho do efeito (OR) e no MBL MD entre os grupos. | Os implantes colocados em fumantes apresentam um risco de falha 140,2% maior do que os implantes colocados em não fumantes. |
Naseri et al. (2020) | Investigar se havia um risco significativamente aumentado de falha do implante dentário devido ao aumento do número de cigarros fumados por dia. | As metanálises baseadas em dados relacionados ao implante e ao paciente mostraram um aumento significativo no RR de falha do implante em pacientes que fumavam >20 cigarros por dia em comparação com não fumantes (baseado em implante: p = 0,001; RR: 2,45; IC: 1,42–4,22 e baseado no paciente: p < 0,001; RR: 4; IC: 2,72–5,89). | O risco de falha do implante foi elevado com o aumento do número de cigarros fumados por dia. |
Fonte: Elaborado pelos autores, 2025.
DISCUSSÃO
Os efeitos associados ao tabagismo na osteointegração de implantes dentários são amplamente documentados na literatura científica, com inúmeras pesquisas indicando os efeitos prejudiciais desse hábito na previsibilidade e no sucesso dos implantes. Foram conduzidas análises de vários estudos que identificaram diferentes aspectos da influência negativa, desde a taxa de falha do implante até as complicações associadas às doenças peri-implantares.
A pesquisa de Nagao et al. (2022) investigou a eficácia das intervenções para cessação do tabagismo em pacientes com doenças orais do tabaco ou em tratamento com implantes. Ainda houve participantes que conseguiram parar de fumar com apenas 32,8% de taxa de abstinência após 12 meses, mas a maior taxa de sucesso foi do grupo com tratamento com implantes dentários (42,9%). Sendo assim, pode-se observar que alguns pacientes submetidos à implantodontia são mais motivados a parar de fumar, o que pode ter alguns efeitos positivos na taxa de sucesso dos implantes.
Por outro lado, o estudo de Miranda et al. (2018), também, fornece evidências de que o uso de tabaco foi significativamente associado aos riscos de peri-implantite e perda óssea peri- implantar. Esse processo ocorre por conta dos efeitos citotóxicos dos compostos do cigarro, que diminuem as habilidades inflamatórias e de cura do corpo dos tecidos peri-implantares, tornando assim a osseointegração menos previsível.
Da mesma forma, Martinez et al. (2023) estabelecem que fumar quando combinado com um histórico de doença periodontal e uma falta de manutenção regular do tecido peri-implantar é um fator de risco importante no desenvolvimento de peri-implantite. Preocupantemente, isso revela o pré-requisito de uma coordenação completa entre implantologistas e periodontistas e aconselhamento de pacientes sobre como prevenir a progressão da doença peri-implantar no curso do tratamento.
A revisão conduzida por Guimarães et al. (2024) apoia essas descobertas, mostrando que fumar está relacionado a um aumento na perda óssea marginal e inflamação peri-implantar, bem como a um maior risco de falha na reabilitação implantodontica. A pesquisa enfatiza a importância da conscientização do paciente sobre o efeito negativo do fumo na saúde bucal.
Chrcanovic et al. (2015) identificaram que a taxa de falha dos implantes em fumantes e não fumantes foi semelhante. Os resultados indicaram que a maior parte da falha dos implantes foi devido à idade, e quanto mais jovem o paciente, maior o risco. Além disso, não houve precisão nas interações e descobertas específicas necessárias.
A pesquisa de Sánchez-Pérez et al. (2007) e Naseri et al. (2020) examinou a ligação entre o número de fumantes e a falha dos implantes. Os resultados mostraram que os não fumantes tiveram 1,3% de possibilidade de perda o implante enquanto o fumante teve 3%. Sánchez-Pérez et al. (2007) apontaram que o grupo de fumantes apresentou piores resultados com relação ao sucesso do implante. Como o consumo de cigarros por dia é proporcional ao risco de falha do implante, Naseri et al. (2020) confirmam essa correlação também, mostrando que o risco relativo de falha do implante aumenta de forma semelhante à quantidade de cigarros fumados todos os dias. Mustapha et al. (2022) também forneceram dados poderosos sobre o efeito do uso do tabaco na implantodontia. Aparentemente, os implantes feitos em fumantes tinham 1,4 vezes mais probabilidade de falhar do que em não fumantes. Os resultados foram estatisticamente significativos
Por meio da apresentação dessas descobertas, a má influência do tabagismo na osseointegração de implantes dentários é significativa, o que levará à imprevisibilidade do tratamento e ao aumento dos riscos de complicações peri-implante. O ideal é tratar o vício do paciente com estratégias de cessação do tabagismo, o planejamento profissional e abrangente de o tratamento fornecido por uma equipe multidisciplinar composta por outros profissionais de saúde, e o controle rigoroso do status de tabagismo dos pacientes ao longo do curso ajudarão a minimizar esses impactos e, consequentemente, levarão a melhores resultados clínicos a longo prazo.
CONCLUSÃO
O tabagismo configura-se como um fator de risco significativo para o insucesso dos implantes dentários, comprometendo a osseointegração e aumentando a incidência de complicações peri-implantares. Dessa forma, é essencial que cirurgiões-dentistas promovam a conscientização sobre os impactos do tabagismo e incentivem os pacientes a abandonarem esse hábito. O planejamento adequado e a manutenção periódica dos implantes são medidas fundamentais para minimizar os efeitos deletérios do tabaco e garantir um prognóstico favorável a longo prazo.
REFERÊNCIAS
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ROTHER, E.T. Revisão sistemática X revisão narrativa. Acta Paulista. v.20, n.2, p.v, 2007.
SÁNCHEZ-PÉREZ, A. et al. Tabaco como fator de risco para a sobrevivência de implantes dentários. Journal of Periodontology. v.78, n.2, p.351-359, 2007.
1 Graduado do Curso Superior de Odontologia da Universidade Estadual da Paraíba, Araruna, matheusharllen@gmail.com
2 Discente do Curso Superior de Odontologia do Instituto Centro Universitário – Unifacisa
3 Discente do Curso Superior de Odontologia da Faculdade Maurício de Nassau de Campina Grande
4 Discente do Curso Superior de Odontologia pela Faculdade Rebouças de Campina Grande – FRCG
5 Graduada do Curso Superior de Odontologia da Faculdade Unime
6 Graduado do Curso Superior de Odontologia pelo Centro Universitário Atitus Educação
7 Discente do Curso Superior de Odontologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte
8 Graduado do Curso Superior de Odontologia pelo Centro Universitário Christus
9 Discente do Curso Superior de Odontologia pela Universidade Federal de Campina Grande – Patos
10 Graduada do Curso Superior de Odontologia pela Universidade Federal de Alagoas – UFAL
11 Discente do Curso Superior de Odontologia pela Universidade Federal de Uberlândia (FOUFU)
12 Graduado do Curso Superior de Odontologia pela Universidade de Vassouras do Rio de Janeiro
13 Discente do Curso Superior de Odontologia pela Uniesp
14 Mestrando pela Faculdade São Leopoldo Mandic – Campinas