IMPACT OF THE ATLS PROTOCOL ON CARE FOR POLYTRAUMATIC PATIENTS: INTEGRATIVE REVIEW OF EVIDENCE AND IMPLICATIONS FOR HOSPITAL MORTALITY
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ma102025003191654
Ana Clara de Matos Pereira¹; Ana Claudia Vieira da Silva²; Braulio França Nascimento³; Gabriela Cabral Teles de Oliveira⁴; Gabrielle Beatriz Oliveira Brasil⁵; Giovanni Moretto⁶; Jullia Oliveira Barros da Silva⁷; Julia Rodrigues Santos⁸; Jussieu Fernandes Júnior⁹; Lethicia Costa Viguini¹⁰; Lorrayne Gualter de Araújo¹¹; Otávio Henrique Arantes¹²; Paloma Soares Machado¹³; Pedro Augusto Duarte Ribeiro¹⁴; Raphael Marques de Brito.¹⁵
Graduação em Bacharelado em Medicina – Universidade Brasil – Fernandópolis/SP
RESUMO
O politraumatismo representa uma das principais causas de morbidade e mortalidade no mundo, exigindo abordagens emergenciais sistematizadas para otimizar a sobrevida dos pacientes. O Advanced Trauma Life Support (ATLS) é um protocolo amplamente utilizado para garantir a rápida avaliação e estabilização do paciente politraumatizado, priorizando a identificação e o tratamento de lesões fatais por meio da abordagem ABCDE. Esta revisão integrativa analisou a literatura sobre o impacto do ATLS no atendimento ao politraumatizado, com ênfase na sua eficácia na redução da mortalidade hospitalar e nas melhorias nos desfechos clínicos. Os estudos analisados demonstram que a implementação do ATLS resulta em menor tempo de resposta clínica, maior precisão no diagnóstico inicial e maior coordenação entre equipes multiprofissionais. Além disso, a capacitação contínua dos profissionais de saúde e a estruturação adequada dos serviços hospitalares emergem como fatores determinantes para o sucesso do protocolo. No entanto, desafios como a heterogeneidade na aplicação do ATLS em diferentes contextos hospitalares, a necessidade de atualizações constantes e a incorporação de novas tecnologias apontam para a importância de pesquisas futuras. Conclui-se que o ATLS desempenha um papel essencial na redução da mortalidade hospitalar, sendo necessário o fortalecimento da formação profissional e da infraestrutura hospitalar para garantir sua efetividade em larga escala.
Palavras-chave: Politraumatismo; Advanced Trauma Life Support; Mortalidade Hospitalar; Atendimento Emergencial; Abordagem ABCDE.
ABSTRACT
Polytrauma remains one of the leading causes of morbidity and mortality worldwide, requiring systematized emergency approaches to optimize patient survival. The Advanced Trauma Life Support (ATLS) protocol is widely used to ensure rapid assessment and stabilization of polytraumatized patients, prioritizing the identification and treatment of life-threatening injuries through the ABCDE approach. This integrative review analyzed the literature on the impact of ATLS in polytrauma care, focusing on its effectiveness in reducing hospital mortality and improving clinical outcomes. The studies reviewed indicate that ATLS implementation leads to shorter response times, greater diagnostic accuracy, and improved coordination among multidisciplinary teams. Moreover, the continuous training of healthcare professionals and the proper structuring of hospital services emerge as critical factors for the protocol’s success. However, challenges such as disparities in ATLS implementation across different healthcare settings, the need for constant updates, and the integration of new technologies highlight the necessity for further research. It is concluded that ATLS plays an essential role in reducing hospital mortality, requiring the strengthening of professional training and hospital infrastructure to ensure its large-scale effectiveness.
Keywords: Polytrauma; Advanced Trauma Life Support; Hospital Mortality; Emergency Care; ABCDE Approach.
1 INTRODUÇÃO
O politraumatismo representa uma das principais causas de mortalidade e morbidade em nível global, sendo frequentemente associado a acidentes de trânsito, quedas, ferimentos por arma de fogo e agressões físicas (Bergsneider, Young & Schwab, 2015). Devido à gravidade e complexidade do quadro clínico desses pacientes, o atendimento inicial e as primeiras intervenções médicas desempenham um papel crítico na sobrevida e recuperação das vítimas. O manejo eficaz do politraumatizado depende de uma abordagem sistematizada e baseada em evidências, sendo o Advanced Trauma Life Support (ATLS) um dos protocolos mais amplamente adotados no mundo para guiar a condução de tais casos.
O ATLS foi desenvolvido pelo American College of Surgeons (ACS) na década de 1970, em resposta à necessidade de um protocolo padronizado que otimizasse a abordagem inicial do politraumatizado, reduzisse complicações e melhorasse os desfechos clínicos. Desde sua implementação, o protocolo tem sido amplamente adotado em serviços de emergência e trauma ao redor do mundo, sendo continuamente atualizado para incorporar avanços científicos e melhorias técnicas na assistência ao paciente traumatizado (Crispim, Gomes & Santos, 2017).
A aplicação do ATLS fundamenta-se na priorização da abordagem ABCDE (Airway, Breathing, Circulation, Disability e Exposure), que permite a rápida identificação e correção de lesões potencialmente fatais. Essa sistematização do atendimento emergencial visa minimizar o tempo de resposta dos profissionais de saúde, aprimorar a tomada de decisões clínicas e garantir que recursos sejam utilizados da maneira mais eficiente possível. Estudos indicam que a adesão rigorosa ao protocolo pode resultar em redução da mortalidade hospitalar, diminuição de complicações associadas ao politraumatismo e melhor prognóstico para os pacientes (Yuen, Zhang & Chan, 2021).
No entanto, apesar dos benefícios comprovados, a aplicação do ATLS ainda enfrenta desafios, como a necessidade de treinamento contínuo dos profissionais de saúde, dificuldades na implementação em contextos hospitalares com recursos limitados e variações na adesão ao protocolo em diferentes regiões. Além disso, novas tecnologias e abordagens emergentes no manejo do trauma levantam questões sobre a necessidade de revisões e atualizações contínuas no protocolo.
Diante desse cenário, esta revisão integrativa tem como objetivo analisar criticamente as evidências científicas sobre o impacto da aplicação do ATLS no atendimento ao politraumatizado e suas implicações na mortalidade hospitalar. A partir de uma revisão abrangente da literatura, busca-se compreender a relevância do protocolo na assistência ao trauma, avaliar sua eficácia em diferentes contextos clínicos e discutir possíveis aprimoramentos para a sua implementação.
Assim, este estudo contribuirá para a compreensão do papel do ATLS na medicina de emergência, fornecendo subsídios para a melhoria das práticas assistenciais e a redução da mortalidade entre pacientes politraumatizados.
2. METODOLOGIA
Este estudo configura-se como uma revisão integrativa da literatura, um método de pesquisa que permite a síntese do conhecimento disponível sobre um tema específico, combinando achados de diferentes estudos para obter uma visão abrangente sobre o impacto da aplicação do protocolo Advanced Trauma Life Support (ATLS) no atendimento ao politraumatizado e suas implicações na mortalidade hospitalar. A revisão integrativa possibilita a análise crítica da literatura existente e contribui para a formulação de novas perspectivas sobre a prática clínica e as direções futuras da pesquisa na área do trauma.
2.1 Critérios de Inclusão e Exclusão
Para garantir a relevância e a qualidade das evidências analisadas, foram estabelecidos os seguintes critérios de inclusão e exclusão:
Critérios de Inclusão:
- Estudos publicados entre 2010 e 2024, considerando a evolução do protocolo ATLS e sua aplicabilidade nos últimos anos.
- Artigos disponíveis em inglês, português e espanhol, garantindo uma abrangência maior da literatura.
- Estudos que abordem diretamente a eficácia do ATLS na redução da mortalidade hospitalar e sua aplicabilidade na prática clínica.
- Pesquisas realizadas em ambientes hospitalares e pré-hospitalares, desde que envolvam o manejo do paciente politraumatizado utilizando o ATLS.
- Revisões sistemáticas, ensaios clínicos, estudos de coorte e séries de casos que apresentem dados clínicos objetivos e mensuráveis sobre a aplicação do protocolo.
Critérios de Exclusão:
- Artigos que abordem protocolos de atendimento ao trauma não baseados no ATLS, a fim de manter o foco da revisão na aplicação específica deste protocolo.
- Trabalhos com amostras reduzidas que não forneçam evidências estatisticamente significativas.
- Relatos de casos isolados que não apresentem dados comparativos ou análises quantitativas sobre o impacto do ATLS.
- Estudos com metodologia inconsistente ou que não sigam um delineamento robusto para avaliação dos desfechos clínicos.
Os critérios acima foram definidos para garantir a inclusão de estudos com alto nível de evidência científica, contribuindo para uma análise mais precisa e confiável do impacto do ATLS na prática clínica.
2.2 Estratégia de Busca e Bases de Dados
A busca pelos estudos foi realizada em bases de dados científicas de grande relevância na área da saúde, utilizando estratégias de busca estruturadas para garantir a recuperação de artigos pertinentes ao tema. A estratégia de busca combinou descritores padronizados (Medical Subject Headings – MeSH) e palavras-chave específicas, visando recuperar os estudos mais relevantes. As estratégias de busca foram ajustadas conforme os filtros e as particularidades de cada base de dados, garantindo a recuperação de artigos relevantes para a revisão.
A abordagem utilizada assegurou que os estudos incluídos nesta revisão possuam rigor científico e relevância clínica, permitindo uma análise crítica aprofundada sobre o papel do ATLS no manejo do politraumatizado. Conforme destacado por Gomes, Machado & Machado (2021), a avaliação criteriosa dos estudos é fundamental para garantir que as conclusões da revisão reflitam a realidade clínica e as melhores práticas na área da emergência médica. Além disso, Coelho et al. (2014) enfatiza a importância da reavaliação primária e secundária no processo de seleção dos artigos, garantindo que as evidências analisadas sejam coerentes com os objetivos do estudo.
3. RESULTADOS E DISCUSSÃO
O protocolo Advanced Trauma Life Support (ATLS) é amplamente reconhecido como um dos principais referenciais no manejo do politraumatizado, estabelecendo diretrizes claras para a identificação e intervenção precoce em lesões potencialmente fatais. A partir da análise da literatura científica, é possível avaliar criticamente os impactos da implementação do ATLS na redução da mortalidade hospitalar, suas contribuições para a capacitação profissional e os desafios ainda existentes na adoção desse protocolo em diferentes contextos clínicos.
3.1 Impacto do ATLS na Sobrevida e Prognóstico
Um dos aspectos mais discutidos na literatura é a influência do ATLS na sobrevida e no prognóstico dos pacientes politraumatizados. A abordagem estruturada do protocolo permite que os profissionais de saúde priorizem a avaliação e estabilização do paciente por meio da sequência ABCDE, garantindo que as lesões mais críticas sejam tratadas imediatamente. De acordo com Alves et al. (2024), uma avaliação primária adequada baseada no ATLS reduz significativamente a mortalidade hospitalar, pois permite o reconhecimento rápido de complicações como choque hemorrágico e insuficiência respiratória.
Além disso, a eficácia do ATLS está intimamente ligada ao conceito da “hora de ouro”, período crítico para intervenções que podem determinar a sobrevivência do paciente. Franciscon et al. (2020) destacam que o manejo eficiente durante essa janela terapêutica aumenta consideravelmente as chances de sobrevida, pois permite a estabilização precoce antes da progressão para disfunções orgânicas irreversíveis.
Outro fator determinante na melhora dos desfechos clínicos é a implementação de times de resposta rápida, que otimizam a adesão ao ATLS dentro dos hospitais. Pinto et al. (2024) demonstram que a atuação de equipes especializadas, treinadas especificamente para intervenções emergenciais em pacientes politraumatizados, está associada à redução da mortalidade intra-hospitalar e diminuição do tempo de internação nas unidades de terapia intensiva (UTI). Esses achados evidenciam que a aplicação rigorosa do protocolo ATLS impacta positivamente a evolução clínica do paciente, proporcionando maior eficiência no tratamento das lesões traumáticas graves.
3.2 Comparação de Desfechos Antes e Após a Implementação do ATLS
A literatura revisada apresenta evidências substanciais de que a introdução do ATLS resultou em melhorias significativas nos desfechos clínicos de pacientes politraumatizados. Estudos comparativos indicam que, antes da adoção do protocolo, o atendimento a traumas graves era frequentemente marcado por falhas na priorização de lesões críticas, levando a atrasos terapêuticos e altas taxas de morbimortalidade.
Após a implementação do ATLS, observou-se redução na mortalidade hospitalar, diminuição de complicações secundárias e melhor utilização dos recursos de suporte avançado de vida. Os principais avanços incluem:
I. Menor tempo de estabilização inicial – Pacientes atendidos com base no protocolo ATLS apresentam tempo reduzido de resposta inicial, melhorando a identificação precoce de lesões fatais.
II. Redução da mortalidade em UTI – A abordagem estruturada resulta em uma taxa menor de complicações que levam à internação prolongada, como sepse e falência de múltiplos órgãos.
III. Melhora na coordenação interprofissional – O ATLS padroniza a comunicação entre médicos, enfermeiros e equipes de resgate, promovendo fluxos assistenciais mais eficazes.
3.3 Abordagem Cirúrgica e Manejo do Politraumatizado
O ATLS não apenas influencia a triagem e estabilização inicial do paciente, mas também impacta diretamente nas decisões cirúrgicas, garantindo que intervenções críticas sejam realizadas com maior eficiência. Chung, Villanueva e Hart (2020) discutem a relação entre o protocolo ATLS e o timing cirúrgico ideal, destacando que a classificação das lesões traumáticas com base nos princípios do protocolo permite um manejo operatório mais assertivo.
Além disso, os avanços na cirurgia minimamente invasiva têm sido incorporados ao ATLS nos últimos anos, proporcionando alternativas seguras para procedimentos emergenciais. Zong, Wang e Liu (2018) analisam a utilização da cirurgia laparoscópica em pacientes politraumatizados, evidenciando que essa técnica pode reduzir complicações pós-operatórias, tempo de internação e necessidade de ventilação mecânica prolongada. Esses achados demonstram que a evolução do ATLS acompanha as inovações tecnológicas na abordagem cirúrgica, permitindo uma assistência mais eficaz e menos invasiva.
3.4 Impacto na Equipe Multidisciplinar e Atendimento Pré-Hospitalar
A efetividade do ATLS está diretamente ligada à atuação de equipes multidisciplinares e ao treinamento contínuo dos profissionais envolvidos no atendimento ao politraumatizado. O sucesso do protocolo depende não apenas da expertise médica, mas também da capacidade da equipe de enfermagem e dos serviços pré-hospitalares de realizarem uma avaliação primária precisa e garantir a estabilização inicial do paciente.
Miranda et al. (2018) enfatizam o papel da enfermagem no atendimento inicial, destacando que os enfermeiros treinados no ATLS desempenham funções cruciais, como o monitoramento de sinais vitais, administração de fluidos e suporte ventilatório precoce. A qualificação desses profissionais reduz os erros na triagem inicial e melhora a coordenação do cuidado dentro dos serviços de emergência.
No contexto do atendimento pré-hospitalar, o protocolo XABCDE tem sido uma ferramenta essencial para garantir a priorização correta das intervenções antes da chegada ao hospital. Alves (2020) destaca que a aplicação desse protocolo melhora significativamente o prognóstico dos pacientes ao reduzir o tempo de resposta e otimizar o transporte para centros especializados.
Além disso, Santos (2022) reforça a necessidade de uma abordagem interdisciplinar, onde a integração entre equipes médicas, paramédicos e profissionais de enfermagem fortalece a capacidade de resposta do sistema de saúde. O treinamento e a padronização de condutas, conforme preconizado pelo ATLS, são fundamentais para garantir um atendimento homogêneo e de alta qualidade.
3.5 Análise Crítica das Limitações e Lacunas na Literatura
Apesar das evidências sólidas sobre os benefícios do ATLS, algumas lacunas na literatura ainda precisam ser abordadas. Entre os principais desafios identificados, destacam-se:
I. Heterogeneidade na Implementação Global – O protocolo ATLS é amplamente utilizado em países desenvolvidos, mas enfrenta desafios de implementação em países de baixa e média renda, onde a infraestrutura hospitalar e a capacitação dos profissionais podem ser insuficientes.
II. Necessidade de Atualizações Frequentes – A rápida evolução das tecnologias médicas levanta questionamentos sobre a necessidade de revisões mais frequentes no protocolo, incorporando novas técnicas cirúrgicas e abordagens terapêuticas.
III. Falta de Estudos de Longo Prazo – Grande parte das pesquisas sobre ATLS foca em desfechos imediatos (mortalidade e tempo de internação), havendo uma escassez de estudos sobre os impactos a longo prazo, como qualidade de vida e reintegração social dos pacientes politraumatizados.
Esses pontos indicam a necessidade de pesquisas futuras para avaliar como o protocolo ATLS pode ser aprimorado e adaptado às diferentes realidades clínicas, garantindo sua aplicabilidade universal e sua evolução contínua.
Os achados da literatura demonstram que o ATLS tem um impacto significativo na redução da mortalidade hospitalar, na melhoria dos desfechos clínicos e na qualificação da equipe multidisciplinar. No entanto, desafios como a heterogeneidade na implementação e a necessidade de atualização contínua do protocolo ainda representam obstáculos para sua eficácia global.
Dessa forma, torna-se essencial fortalecer o treinamento profissional, expandir a capacitação em regiões menos favorecidas e incentivar a produção de novas pesquisas para garantir que o ATLS continue sendo um pilar fundamental no atendimento ao politraumatizado.
4. IMPLICAÇÕES CLÍNICAS E PRÁTICAS
A implementação do Advanced Trauma Life Support (ATLS) trouxe avanços significativos para a abordagem do politraumatizado, proporcionando maior sistematização no atendimento inicial e impacto positivo na redução da mortalidade hospitalar. No entanto, a eficácia do protocolo está diretamente relacionada à capacitação contínua dos profissionais, à estrutura hospitalar e à necessidade de aprimoramento na sua implementação. A literatura aponta que a aplicação do ATLS enfrenta desafios em diferentes contextos, especialmente em hospitais de menor porte e em países com recursos limitados, onde a infraestrutura pode não ser suficiente para atender às exigências do protocolo (Pape, Weiss & Osterhoff, 2019).
O treinamento contínuo dos profissionais de saúde é um dos pilares para garantir a aplicação eficaz do ATLS. Estudos demonstram que médicos e enfermeiros que passam por atualizações regulares sobre o protocolo têm melhor desempenho na avaliação primária e secundária, maior agilidade na tomada de decisões e redução de erros na estabilização do paciente (Oliveira, 2021). A capacitação aprimora a precisão do diagnóstico e a eficiência da equipe na identificação de lesões críticas, garantindo que intervenções essenciais, como controle de vias aéreas e reposição volêmica, sejam feitas dentro da “hora de ouro”. Além disso, Almeida et al. (2019) destacam que hospitais que investem na implantação de times de resposta rápida apresentam melhores desfechos, uma vez que esses profissionais são treinados para reconhecer sinais precoces de deterioração clínica e agir prontamente, reduzindo o tempo de internação e melhorando a sobrevida dos pacientes.
A literatura também aponta que a implementação do ATLS deve ser adaptada às necessidades específicas de cada ambiente hospitalar. Em centros de trauma altamente equipados, a aplicação do protocolo ocorre de forma mais eficiente, mas em locais com recursos escassos, é comum encontrar dificuldades relacionadas à falta de profissionais treinados, indisponibilidade de equipamentos essenciais e inadequação dos fluxos assistenciais. Pape, Weiss e Osterhoff (2019) discutem como a cirurgia emergencial em trauma tem evoluído com a aplicação do ATLS, mas alertam que a falta de infraestrutura em algumas unidades hospitalares pode limitar a efetividade das intervenções cirúrgicas. Nesse sentido, estratégias como a criação de programas de capacitação acessíveis, a integração de novas tecnologias no atendimento e a padronização de fluxos dentro dos serviços de urgência são medidas essenciais para garantir que o ATLS seja executado de maneira eficaz em diferentes cenários clínicos.
Além da necessidade de capacitação contínua, a literatura aponta a importância de pesquisas futuras para aprimorar o protocolo ATLS e expandir seu impacto na medicina de emergência. Embora existam evidências consistentes sobre os benefícios do ATLS na redução da mortalidade, há lacunas no conhecimento sobre a eficácia do protocolo em longo prazo, incluindo a qualidade de vida dos pacientes politraumatizados após a alta hospitalar. Estudos também sugerem que novas abordagens, como o uso de tecnologia para monitoramento remoto de pacientes críticos, inteligência artificial para triagem rápida e telemedicina no suporte pré-hospitalar, poderiam ser incorporadas ao ATLS para otimizar a assistência ao trauma (Oliveira, 2021). Além disso, é necessário avaliar a aplicabilidade do protocolo em contextos de baixa infraestrutura, considerando adaptações que possam tornar o ATLS viável em locais onde o acesso a recursos médicos é limitado.
A análise das implicações clínicas e práticas do ATLS revela que, apesar de sua eficácia na redução da mortalidade e melhoria da assistência ao politraumatizado, o protocolo ainda enfrenta desafios em sua implementação, exigindo investimentos na capacitação dos profissionais, na adaptação do atendimento a diferentes realidades hospitalares e na inovação tecnológica. O fortalecimento da educação médica continuada, a criação de unidades especializadas em trauma e o desenvolvimento de estudos que avaliem estratégias complementares ao ATLS são medidas essenciais para consolidar a eficácia desse protocolo e garantir sua evolução contínua na medicina de emergência.
5. CONCLUSÃO
A presente revisão integrativa analisou o impacto da aplicação do protocolo Advanced Trauma Life Support (ATLS) no atendimento ao politraumatizado, destacando seus benefícios na redução da mortalidade hospitalar, sua influência na capacitação profissional e os desafios enfrentados para sua implementação em diferentes contextos hospitalares. Os achados demonstram que o ATLS, por meio de sua abordagem sistemática baseada no ABCDE, melhora significativamente os desfechos clínicos ao permitir diagnóstico precoce, estabilização rápida e intervenção eficaz nas lesões potencialmente fatais.
A literatura revisada reafirma a importância do ATLS na redução da mortalidade hospitalar, evidenciando que hospitais que adotam o protocolo de maneira estruturada apresentam menores taxas de complicações, redução do tempo de internação e melhor coordenação entre os profissionais de saúde (Vinhas et al., 2024). A padronização do atendimento ao politraumatizado possibilita que equipes multiprofissionais ajam de maneira coordenada, minimizando falhas na abordagem inicial e otimizando os recursos disponíveis para a assistência ao paciente crítico. Além disso, a implementação de times de resposta rápida e a capacitação contínua dos profissionais emergem como fatores determinantes para o sucesso do ATLS, garantindo que o conhecimento adquirido seja aplicado de forma eficaz e atualizado conforme as novas diretrizes da medicina de emergência (Santos et al., 2023).
Apesar dos avanços proporcionados pelo ATLS, alguns desafios ainda persistem, especialmente em contextos hospitalares com recursos limitados e infraestrutura deficiente. A desigualdade na implementação do protocolo entre diferentes regiões e a necessidade de adaptações para atender a realidades específicas são aspectos que devem ser considerados em futuras pesquisas. Além disso, a incorporação de novas tecnologias, como inteligência artificial para triagem de emergência e monitoramento remoto de pacientes críticos, pode representar um avanço significativo na modernização do protocolo e na otimização do atendimento pré-hospitalar.
Dessa forma, os achados desta revisão reforçam que o ATLS é um pilar essencial na abordagem ao politraumatizado e deve continuar sendo aprimorado para garantir sua eficácia a longo prazo. O investimento em treinamento contínuo, otimização dos fluxos hospitalares e desenvolvimento de estudos que avaliem novas estratégias complementares ao ATLS são medidas fundamentais para consolidar sua aplicabilidade e promover um impacto ainda mais positivo na redução da mortalidade hospitalar. Conclui-se, portanto, que a adoção sistemática do ATLS, aliada a inovações tecnológicas e à capacitação profissional, é um dos caminhos mais promissores para a evolução do atendimento emergencial ao paciente politraumatizado.
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1 Graduanda em Medicina pela Unesulbahia | 2 Graduanda em Medicina pela Universidade Brasil | 3 Graduando em Medicina pela Universidade Brasil | 4 Graduanda em Medicina pela Universidade Brasil | 5 Graduanda em Medicina pelas Faculdades Integradas do Extremo Sul da Bahia – UNESULBAHIA | 6 Graduando em Medicina pela Universidade Brasil | 7 Graduanda em Medicina pela Unesulbahia | 8 Graduanda em Medicina pela Unesulbahia | 9 Graduando em Medicina pela Universidade Brasil | 10 Graduanda em Medicina pela Unesulbahia | 11 Graduanda em Medicina pela Universidade Vila Velha – UVV | 12 Graduando em Medicina pela Unilago | 13 Graduanda em Medicina pela Universidade Brasil | 14 Graduando em Medicina pela Unesulbahia – Faculdades Integradas | 15 Graduando em Medicina pela Universidade Brasil.