IMPACT OF GESTATIONAL DIABETES ON OBSTETRIC OUTCOMES: A LITERATURE REVIEW
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ni10202508161605
Ellen Kátia Dos Santos Pessoa1
Anna Luisa De Almeida Bortolusso2
Leonardo Henrique Silva Pereira3
Cassia Ester Cordeiro Dos Reis4
Ana Cristina Ferreira Silva5
Resumo
O diabetes gestacional impacta negativamente os desfechos obstétricos ao aumentar o risco de complicações maternas e fetais, como pré-eclâmpsia, parto prematuro e macrossomia fetal. O diabetes é uma doença caracterizada pela produção insuficiente ou má absorção da insulina, hormônio essencial para o controle da glicose no sangue e fornecimento de energia às células. Quando não controlada, tal condição pode levar à hiperglicemia e causar complicações cardiovasculares, renais, oculares, neurológicas e, em casos graves, levar à morte. A diabetes gestacional ocorre temporariamente durante a gravidez, quando os níveis de glicose no sangue aumentam, mas não o suficiente para caracterizar diabetes tipo 2. Estima-se que afete entre 2% e 4% das gestantes. Desse modo, resulta em alterações hormonais e metabólicas que geram resistência à insulina, principalmente devido à ação de hormônios placentários como o HLP, cortisol, progesterona e prolactina. Essa condição pode causar complicações obstétricas, como parto prematuro, macrossomia fetal e pré-eclâmpsia, além de aumentar o risco futuro de diabetes tipo 2 para mãe e bebê. Entre os principais fatores de risco estão: histórico familiar de diabetes, obesidade, idade materna acima de 25 anos, hipertensão, gestação anterior com diabetes gestacional ou recém nascido com peso superior a 4 kg. O diagnóstico é feito por meio de exames como a glicemia de jejum (≥92 mg/dL) e o teste oral de tolerância à glicose (TOTG). O tratamento baseia-se em alimentação saudável, atividade física leve, controle glicêmico regular e, se necessário, uso de insulina.
Palavras-chave: Hiperglicemia Gestacional; Risco Obstétrico; Diabetes Gestacional.
1 INTRODUÇÃO
De acordo com o Ministério da Saúde, a prevalência do diabetes prezada nas gestações varia de 7% a 10%, com diferenças regionais notáveis. Pode-se citar que os principais fatores de risco para o aparecimento do diabetes gestacional estão à idade materna superior a 25-30 anos, histórico familiar de diabetes tipo 2, sobrepeso ou obesidade antes da gravidez, entre outros fatores (BRASIL, 2021).
O diabetes mellitus gestacional (DMG) é visto como um problema a nível de saúde pública, devido à sua elevada incidência durante a gestação por disfunções metabólicas. Assim sendo, durante a gravidez, o corpo naturalmente se torna mais resistente à insulina. No diabetes gestacional, isso se intensifica e o corpo da mãe não consegue usar corretamente a insulina, levando a intolerância à glicose (BATISTA et al., 2021).
O Diabetes Gestacional é um subtipo de intolerância aos hidratos de carbono. Assim, o diabetes gestacional pode ser detectado pela primeira vez durante a gestação. O Diabetes Gestacional é um fator de risco para várias complicações maternas e fetais que devem ser levadas em conta e monitoradas durante o acompanhamento do pré-natal. A vigilância, sob a perspectiva obstétrica, ficará na diminuição da morbidade materna e fetal, por meio da monitorização fetal pré-parto e da conclusão sobre o momento e o tipo de parto (ALMEIDA et al., 2017).
2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
Essa revisão bibliográfica teve por finalidade descrever sobre o diabete gestacional, uma condição metabólica que pode surgir durante a gravidez, caracterizada pela intolerância à glicose com início ou primeiro reconhecimento durante a gestação. O trabalho busca explicar os fatores de risco, como obesidade, histórico familiar de diabetes, idade materna avançada e gestação anterior com complicações, além de explanar a importância do diagnóstico precoce por meio de exames de rotina, como o teste de tolerância à glicose. Também visa analisar os impactos da diabetes gestacional tanto para a mãe quanto para o bebê.
3 METODOLOGIA
Este é um estudo baseado em artigos científicos publicados entre os anos de 2008 a 2025, utilizando palavras-chaves como Diabetes Gestacional, DMG e Gestação. Para tanto, foram utilizadas as bases de dados como Livros, PubMed, Biblioteca Virtual e Ministério da Saúde para obtenção de dados e levantamento teórico.
4 RESULTADOS E DISCUSSÕES
4.1 DIABETES GESTACIONAL – DEFINIÇÃO E SINTOMATOLOGIA
A diabetes mellitus é uma doença causada pela produção insuficiente ou má absorção do hormônio insulina, que atua no organismo como regulador da glicose no sangue e garante energia para as células e todo o organismo. A insulina possui a função de quebrar as moléculas de glicose convertendo-as em energia para manutenção das células do nosso organismo. A diabetes mellitus pode causar o aumento da glicemia e elevar as chances de complicações no coração, nas artérias, nos olhos, nos rins e nos nervos. Em casos mais graves, o diabetes pode levar à morte. (BRASIL, 2021).
A Diabetes gestacional ocorre temporariamente durante a gravidez. As taxas de glicose no sangue se elevam, mas ainda abaixo do valor para ser classificado como diabetes tipo 2. É recomendado que todas as gestantes façam o exame de diabetes, regularmente, durante o pré-natal. Mulheres que já possuem a doença têm maior probabilidade de riscos e complicações durante a gravidez e o parto. A diabetes gestacional afeta entre 2 e 4% de todas as gestantes e implica risco aumentado do desenvolvimento posterior de diabetes para a mãe e o bebê. Seus sinais e sintomas consistem no aumento do apetite e da sede, ganho excessivo de peso na gestante ou no bebê, cansaço extremo e fadiga, visão turva, vontade frequente de urinar, inclusive à noite, boca seca, infecções urinárias e candidíase vaginal recorrentes (BRASIL, 2021).
4.2 FISIOPATOLOGIA
O Diabetes gestacional possui uma fisiologia que envolve alterações hormonais e metabólicas que ocorrem durante a gravidez, as quais, levam à resistência à insulina e hiperglicemia como a resistência à Insulina, que, consequentemente, ocorre um aumento na produção de hormônios diabetogênicos pela placenta, como o hormônio lactogênio placentário (HLP), cortisol, progesterona, prolactina. Esses hormônios são responsáveis pela redução da ação da insulina, garantindo que o feto receba glicose suficiente para seu desenvolvimento (ALMEIDA et al., 2017).
A hiperglicemia materna com a resistência à insulina, os níveis de glicose no sangue da mãe aumentam. Isso pode levar a, macrossomia fetal, hipoglicemia neonatal, complicações obstétricas, como parto prematuro e pré-eclâmpsia. Impacto no feto a hiperglicemia materna atravessa a placenta e estimula o pâncreas fetal a produzir mais insulina. Isso pode resultar no aumento do depósito de gordura no bebê, alterações no metabolismo fetal, aumentando o risco de diabetes tipo 2 na vida adulta (BRASIL, 2018).
4.3 FATORES DE RISCO
Os principais fatores de risco que são identificados na diabetes gestacional estão relacionados a predisposição genética, o histórico familiar de diabetes aumenta a probabilidade de desenvolver DMG. As alterações hormonais como o hormônio lactogênico placentário, além de cortisol, estrógeno, progesterona e prolactina, contribuem para a resistência à insulina durante a gravidez. A idade materna também influencia quando se trata de mulheres acima de 25 anos que apresentam maior risco. A obesidade e sobrepeso antes ou durante a gestação. O histórico de diabetes gestacional em mulheres que tiveram DMG em gestações anteriores têm maior chance de se desenvolver novamente. A hipertensão arterial, macrossomia fetal, gestantes que tiveram filhos com peso superior a 4 kg, também são fatores determinantes para o desenvolvimento da patologia (SBEM, 2008).
4.4 DIAGNÓSTICO
O diagnóstico é obtido por meio de exames laboratoriais que avaliam os níveis de glicose no sangue da gestante, podendo ser utilizado o teste de glicemia de jejum, com valor de referência igual ou superior a 92 mg/dL, teste oral de tolerância à glicose (TOTG) após 1 hora, se for igual ou superior a 180 mg/dL, ou, após 2 horas, se for igual ou superior a 153 mg/dL, confirma o diagnóstico. A hemoglobina glicada (HbA1c) também pode ser utilizada para avaliar o controle glicêmico, mas não é o exame padrão para diagnóstico (ZAJDENVERG et al., 2023).
4.5 TRATAMENTO
O tratamento da diabetes gestacional consiste em manter os níveis de glicose dentro da faixa saudável e evitar complicações tanto para a mãe quanto ao bebê, sendo elas, a alimentação equilibrada buscando priorizar carboidratos complexos e evitar açúcares refinados, o consumir fibras para ajudar no controle da glicemia, recomenda-se fracionar as refeições ao longo do dia para evitar picos de glicose, atividade física como exercícios leves, como caminhadas e hidroginástica, influenciam na sensibilidade à insulina, sempre com orientação médica para evitar riscos à gestação. O monitoramento da glicemia regularmente para ajustar o tratamento conforme necessário, o uso de insulina, em alguns casos, quando a glicemia não pode ser controlada apenas com dieta e exercícios (ZAJDENVERG et al., 2023).
4.6 IMPACTO FETAL DO DIABETES GESTACIONAL
Os impactos da diabetes gestacional no feto podem afetar significativamente, tanto durante a gestação quanto após o nascimento. Alguns dos principais efeitos são a macrossomia fetal devido ao excesso de glicose no sangue materno que pode levar ao crescimento excessivo do bebê, aumentando o risco de parto difícil e necessidade de cesárea, a hipoglicemia neonatal após o nascimento, o bebê pode apresentar queda brusca nos níveis de glicose, pois estava acostumado a receber altas quantidades de glicose da mãe. Predisposição para obesidade e diabetes tipo 2 em crianças expostas ao diabetes gestacional na vida adulta. Risco de problemas respiratórios, pois o diabetes gestacional pode afetar o desenvolvimento pulmonar do bebê, aumentando o risco de síndrome do desconforto respiratório neonatal, além de complicações cardiovasculares, além de ter maior predisposição a alterações na pressão arterial e problemas cardíacos ao longo da vida (TÚLIO et al., 2025).
4.7 CONDUTA MEDIANTE AO DG
O diabetes gestacional é uma condição marcada pela intolerância à glicose, identificada primordialmente durante a gravidez, geralmente entre a 24 e 28 semanas de gestação. A resposta apropriada a esse diagnóstico tem como objetivo assegurar a saúde materna e fetal, evitando complicações como nascimento antecipado, pré-eclâmpsia e macrossomia fetal (BRASIL, 2018).
Assim sendo, de início é necessário ter a confirmação do diagnóstico através do teste oral de tolerância à glicose (TOTG) de 75g, de acordo com os critérios definidos pela Organização Mundial da Saúde: jejum ≥ 92 mg/dL, 1 hora ≥ 180 mg/dL e 2 horas ≥ 153 mg/dL. No mais, após ser diagnosticado, o tratamento primordial requer alterações no modo de vida, incluindo orientação nutricional personalizada e estímulo à prática de exercícios físicos, caso não existam contra indicações obstétricas. É crucial monitorar a glicemia capilar para avaliar a glicemia (BRASIL, 2018).
Desse modo, se medidas não farmacológicas não forem suficientes para atingir os objetivos de glicemia, começa-se com a insulinoterapia, que é vista de forma segura e eficiente durante a gravidez. Em certas situações, medicamentos antidiabéticos orais, como a metformina, podem ser empregados, mesmo que ainda existam discussões sobre sua segurança total durante a gravidez (BRASIL, 2018).
5 CONCLUSÃO
O Diabetes Gestacional é uma condição que pode surgir durante a gravidez e exige atenção cuidadosa, pois afeta tanto a saúde da mãe quanto a do bebê. As orientações nutricionais adequadas, o acompanhamento clínico contínuo e, quando necessário, com o uso de insulina, é possível controlar os níveis de glicose e reduzir riscos obstétricos. Após o parto, o cuidado à saúde da mulher continua, visto que há chances maiores de desenvolver diabetes tipo 2. Por isso, o apoio de uma equipe de saúde é fundamental para oferecer segurança, orientação e cuidado em todas as fases, ajudando a mãe e o bebê a seguirem com mais saúde e qualidade de vida.
REFERÊNCIAS
ALMEIDA, Maria et al. Consenso “diabetes gestacional”: Atualização 2017. Revista Portuguesa de Diabetes, v. 12, n. 1, p. 24-38, 2017.
Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia. Diabetes mellitus gestacional, Revista da Associação Médica Brasileira, 2008.
ZAJDENVERG L, Façanha C, Dualib P, Golbert A, Moisés E, Calderon I, Mattar R, Francisco R, Negrato C, Bertoluci M. Rastreamento e diagnóstico da hiperglicemia na gestação. Diretriz Oficial da Sociedade Brasileira de Diabetes, 2023.
BATISTA, Mikael Henrique Jesus et al. Diabetes Gestacional: origem, prevenção e riscos. Brazilian Journal of Development, v. 7, n. 1, p. 1981-1995, 2021.
BRASIL. Ministério da Saúde. Diabetes Mellitus. Brasília: Ministério da Saúde, 2018. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/cadernos_atencao_basica_36.pdf . Acesso em: 22 de maio 2025.
BRASIL. Ministério da Saúde. Cadernos de Atenção Básica – Diabetes Mellitus. Brasília: Ministério da Saúde, 2021. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/cadernos_atencao_basica_36. Acesso em 23 de maio de 2025.
TÚLIO, Marco Couto Sousa, et al. Diabetes gestacional: complicações materno-fetais e estratégias de manejo clínico, Revista ft, 2025.
1Discente do Curso Superior de Medicina da Faculdade Uninassau -Vilhena e-mail: sllenkatia@gmail.com
2Discente do Curso Superior de Medicina da Faculdade Uninassau – Vilhena e-mail: annabortolusso.06@gmail.com
3Discente do Curso Superior de Medicina da Faculdade Uninassau -Vilhena e-mail: leonardo.hsp@hotmail.com
4Discente do Curso Superior de Medicina da Faculdade Uninassau -Vilhena e-mail: reisceo@gmail.com
5Discente do Curso Superior de Medicina da Faculdade Uninassau -Vilhena e-mail: sanacristina835@gmail.com
