REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ra10202506132218
Lucas Falcao Gama1; Lucas Costa Pereira Alves2; Ana Paula Mota Ferreira3; Keila Maria Veras Soares Silva4; Henilda Ferro Castro5; Felipe Anderson Silva de Aquino6; Andre Luis Rodrigues Mathias7; Erico June Neves Teixeira8
RESUMO
Este artigo aborda a importância da gestão sustentável de projetos como fator essencial para a competitividade e responsabilidade social nas organizações contemporâneas. Através de fundamentos teóricos e análise do cenário atual, destaca-se o papel das práticas sustentáveis na geração de valor, inovação e conformidade ambiental. A integração de sistemas como a ISO 14001 e a aplicação dos critérios ESG reforçam a visão de que sustentabilidade e desenvolvimento estratégico caminham juntos. O artigo conclui que a sustentabilidade aplicada à gestão de projetos não apenas fortalece a imagem institucional, mas também proporciona vantagens econômicas e sociais duradouras.
Palavras-chave: Sustentabilidade. Gestão de Projetos. ESG. Competitividade. ISO 14001.
ABSTRACT
This paper discusses the importance of sustainable project management as an essential factor for competitiveness and social responsibility in contemporary organizations. Through theoretical foundations and analysis of the current scenario, the role of sustainable practices in value generation, innovation and environmental compliance is highlighted. The integration of systems such as ISO 14001 and the application of ESG criteria reinforce the view that sustainability and strategic development go hand in hand. The article concludes that sustainability applied to project management not only strengthens institutional image but also provides lasting economic and social advantages.
Keywords: Sustainability. Project Management. ESG. Competitiveness. ISO 14001.
INTRODUÇÃO
Nas últimas décadas, o crescimento industrial no mundo vêm trazendo inúmeros benefícios para a sociedade em geral, novas tecnologias que possibilitem uma vida mais otimizada, no entanto, esse crescimento também trouxe com ele um lado negativo, impactos ambientais significativos, como por exemplo: aumento da emissão de gases de efeito estufa, a escassez de recursos naturais, geração excessiva de resíduos. Além dos impactos ambientais, o crescimento industrial também trouxe algumas pautas sociais, como a desigualdade social, condições de trabalho, impactos à comunidade, inclusão, dentre outros, como também desafios relacionados à governança das corporações, como transparência, ética corporativa e conformidade regulatória, as atividades humanas têm causado pressões sem precedentes sobre o meio ambiente, e os modelos de crescimento econômico precisam ser revistos sob uma ótica mais sustentável. (SACHS, 2004). Esses desafios vêm pressionado cada vez mais as empresas a terem essa preocupação, e é nesse contexto que o mundo corporativo no cenário global vêm cada vez mais procurando formas de conciliar desenvolvimento econômico, responsabilidade ambiental e justiça social, buscando repensar seus modelos de gestão objetivando atingir esses três tópicos, segundo a PwC (2021), as dimensões ambiental, social e de governança (ESG) passaram a integrar o centro das decisões estratégicas empresariais, influenciando o desempenho financeiro, a reputação e a sustentabilidade de longo prazo. Nesse aspecto, a Gestão de Projetos de Forma Sustentável é uma pauta fundamental para se chegar nesse objetivo. Conforme defendido por John Elkington (1997), a sustentabilidade não é apenas uma tendência, é uma necessidade estratégica para empresas e projetos do século XXI.
Portanto, buscar inovações que tragam a sustentabilidade como um pilar é essencial para as empresas atualmente, “a inovação sustentável é a chave para criar valor a longo prazo, equilibrando desempenho econômico com impacto ambiental e social” (TIDD; BESSANT; PAVITT, 2008). Esse olhar reforça a importância de conciliar a sustentabilidade desde os passos iniciais do projeto, visando os resultados, em que estes não comprometam as gerações futuras, como diz o relatório BRUNDTLAND (1987) “Desenvolvimento sustentável é aquele que satisfaz as necessidades do presente sem comprometer a capacidade das gerações futuras de suprirem as suas próprias necessidades”.
É de se levar em consideração que integrar práticas sustentáveis aos projetos não se trata somente de uma escolha ética, mas também de buscar ser uma empresa cada vez mais competitiva no cenário nacional ou internacional, haja vista essa pauta vêm sendo cada vez mais considerada por investidores em geral, que estão presentes em um mercado cada vez mais consciente, “Projetos sustentáveis não são apenas bons para o planeta – eles também fazem sentido econômico e social a longo prazo” – Herman Daly.
Portanto, neste artigo abordaremos sobre como as empresas em modo geral devem focar para terem um crescimento sustentável, buscando inovações, metodologias e tecnologias que podem ser utilizadas para uma administração e operação mais limpa de toda a organização “A inovação sustentável cria soluções que, além de atender às necessidades do mercado, contribuem para a sociedade e o meio ambiente, promovendo um ciclo de desenvolvimento positivo.” TIDD, BESSANT e PAVITT (2008). Buscando o bem estar ambiental, social e administrativo. Tendo em vista que todos esses pontos contribuem para uma visibilidade ainda melhor da marca, não somente por parte dos investidores, mas também da população, comunidade local e dos funcionários da empresa.
FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
Buscando uma definição sobre o que seria a sustentabilidade, temos: “Sustentabilidade é a capacidade de sustentação ou conservação de um processo, ou sistema. O conceito de sustentabilidade aborda a maneira como se deve agir em relação à natureza.” – Rubens Castilho, basicamente, buscando priorizar a saúde do meio ambiente, visando tanto o seu bem estar quanto um futuro consideravelmente próspero, levando em consideração que um crescimento sustentável é o mais salutar possível.
Portanto, com o passar dos anos o termo Sustentabilidade, bem como o termo Desenvolvimento Sustentável, foram ganhando cada vez mais forças no mundo corporativo, com o seu início datando da década de 1970, “O termo Desenvolvimento Sustentável, tal como habitualmente o acessamos, foi cunhado pela primeira vez na década de 1970 pela Organização das Nações Unidas (ONU), especificamente em 1972, na Conferência da ONU sobre Meio Ambiente Humano,” – Artigo RIGS, no entanto, no mundo corporativo essa pauta ganhou uma relevância maior somente na década de 1980, especificamente no ano de 1987, através do Relatório de Brundtland
– “Nosso Futuro Comum”, um relatório que foi publicado pela Comissão Mundial Sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento da Organização das Nações Unidas (ONU), responsável por introduzir a ideia de que o progresso econômico deve ocorrer de maneira equilibrada com a preservação ambiental, dentre as mais diversas contribuições relevantes desse relatório para a sustentabilidade nas empresas, destaca-se: “O desenvolvimento sustentável deve ser entendido como um processo de transformação no qual a exploração dos recursos, a direção dos investimentos, a orientação do desenvolvimento tecnológico e a mudança institucional se harmonizam e reforçam o potencial presente e futuro, a fim de atender as necessidades e aspirações humanas”, a partir dessa afirmação, tornou-se evidente que as práticas empresariais e processos produtivos precisariam transcender as ações econômicas tradicionais.
Como parte das ações voltadas para a intensificação e definição das pautas sustentáveis, nos anos 90 o britânico John Elkington (fundador da consultoria SustainAbility) criou o conceito tripé da sustentabilidade, “os objetivos de negócios são inseparáveis das sociedades e ambientes nos quais operam”, disse ele, definindo esse tripé em: Social – bem estar organizacional e da comunidade; Ambiental – minimizar o impacto ambiental; Econômico – impacto econômico. Esses três tópicos se tornaram os pilares da sustentabilidade no contexto corporativo, de forma que são utilizados para medir se uma empresa está tendo ou não um crescimento de forma sustentável. Mais tarde, em 2004, esses pilares foram definidos em uma sigla – ESG (Enviromental, Social e Governance – Meio Ambiente, Social e Governança), no relatório “Who Cares Wins”, que foi criado a partir de uma parceria da ONU com o Banco Mundial, esse relatório surgiu como uma iniciativa para dar diretrizes e recomendações objetivando a inclusão das questões ambientais, sociais e de governança na gestão de ativos, critérios ESG não são apenas diretrizes éticas, mas refletem riscos e oportunidades reais que afetam o desempenho financeiro e a sustentabilidade a longo prazo das empresas (PwC Brasil, 2021).
Desde então foi alavancado o conceito de sustentabilidade nas corporações em geral, e com o passar dos anos foram sendo criadas algumas ferramentas com o foco em auxiliar as empresas a alcançarem um crescimento sustentável, dentre algumas ferramentas utilizadas como base para uma gestão focada em sustentabilidade temos a ISO 14001, embora foi criada antes do conceito ESG, em 2004 foi finalizada a segunda revisão, organizando e classificando os pontos de vistas relacionadas às tendências de mercado que eram visíveis na época. Buscando uma definição para o que de fato é a ISO 14001, temos que ela é “uma norma internacional que estabelece diretrizes para sistemas de gestão ambiental (SGA) em empresas e organizações. Seu objetivo principal é ajudar as empresas a gerenciar seus impactos ambientais e a promover a sustentabilidade em suas operações.” – Templum, com essas características ela é extremamente válida para uma empresa que busca estar alinhada às pautas sustentáveis, levando que consideração que a sua aplicação em projetos possibilita a visualização de possíveis impactos ambientais nos processos em geral, gerando uma preocupação de se estar em conformidade com as legislações ambientais vigentes.
Portanto, buscar inovações em tecnologias sustentáveis é essencial para uma operação saudável de uma corporação, nesse contexto, em 2015 a ONU lançou a agenda 2030, estabelecendo 17 ODS com metas claras até 2030, dentre elas, tem se: Erradicação da pobreza, energia limpa, produção e consumo responsáveis, ação contra a mudança climática, educação de qualidade, igualdade de gênero, trabalho decente e crescimento econômico, dentre outros. Esta agenda é a base das políticas públicas e estratégias corporativas de sustentabilidade em muitos países e empresas no mundo. Além da agenda 2030, muitos países aderiram a metas ambiciosas até 2050, como: neutralidade de carbono, transição energética, revolução tecnológica sustentável, cidades inteligentes e resilientes. É notório que atualmente o desenvolvimento sustentável têm sido uma preocupação latente para as empresas de modo geral, visando um menor impacto ambiental e assumindo responsabilidade social.
METODOLOGIA
Para a construção deste artigo científico, optou-se por uma abordagem qualitativa, exploratória e descritiva, com o objetivo de compreender, analisar e discutir os principais conceitos, práticas e impactos da gestão sustentável de projetos nas organizações contemporâneas. Essa escolha metodológica justifica-se pela natureza do objeto de estudo, que envolve aspectos intangíveis, como cultura organizacional, responsabilidade social e percepção de valor, os quais não podem ser plenamente capturados por métodos quantitativos tradicionais (GIL, 2019).
A pesquisa qualitativa é adequada quando o foco está em compreender fenômenos complexos e inter-relacionados, e permite captar nuances contextuais que são fundamentais para temas como sustentabilidade e gestão estratégica. Segundo Denzin e Lincoln (2006), a abordagem qualitativa busca interpretar o significado dos fenômenos sociais, analisando as práticas e discursos em seus contextos naturais. Isso é essencial para explorar como a sustentabilidade vem sendo integrada à gestão de projetos e quais são os efeitos dessa integração na competitividade e no posicionamento das organizações.
Tipo e Fonte de Dados
Este estudo foi desenvolvido com base em pesquisa bibliográfica e documental, utilizando como fontes primárias artigos científicos, livros, normas técnicas, relatórios institucionais e documentos emitidos por organizações internacionais, como a ONU, o Project Management Institute (PMI), a Organização Internacional de Padronização (ISO) e consultorias estratégicas como PWC e McKinsey.
A pesquisa bibliográfica tem como finalidade fundamentar teoricamente o trabalho e proporcionar um embasamento sólido para análise. Conforme Lakatos e Marconi (2003), esse tipo de pesquisa permite o conhecimento aprofundado do tema por meio de materiais já publicados, contribuindo para a construção de conceitos e para a identificação de lacunas ou tendências. Já a análise documental complementa a bibliografia ao incorporar dados empíricos extraídos de documentos oficiais, relatórios de sustentabilidade, manuais de boas práticas e cases de empresas que adotam práticas de gestão sustentável de projetos.
Procedimentos Metodológicos
A coleta e análise dos dados foram realizadas em três etapas principais: Revisão de Literatura: Foram identificadas e selecionadas obras-chave e artigos acadêmicos dos últimos quinze anos que abordam temas como sustentabilidade empresarial, ESG, gestão de projetos, inovação sustentável, e responsabilidade corporativa. Bases como Scopus, Web of Science, Google Scholar e SciELO foram utilizadas para garantir a credibilidade e atualidade das fontes. Também foram consultados documentos institucionais como a norma ISO 14001, o Guia PMBOK (7ª edição) e relatórios da ONU sobre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).
Seleção de Estudos de Caso e Práticas Corporativas: Foram analisados documentos e relatórios de sustentabilidade de empresas reconhecidas por sua atuação em gestão sustentável de projetos, como Natura, Unilever e Siemens. A seleção considerou a adoção explícita de práticas integradas de sustentabilidade nos processos de gestão de projetos, inovação sustentável, conformidade com os ODS, e uso de indicadores de desempenho ESG.
Análise Interpretativa: A análise dos dados seguiu uma abordagem qualitativa interpretativa, com o objetivo de identificar padrões, princípios, desafios e benefícios relacionados à implementação de práticas sustentáveis na gestão de projetos. Para isso, foi utilizado o método de análise de conteúdo, conforme proposto por Bardin (2016), que permite sistematizar os dados e interpretá-los à luz do referencial teórico. Justificativa da Abordagem
A escolha por uma abordagem qualitativa e exploratória justifica-se ainda pela atualidade e complexidade do tema. A gestão sustentável de projetos está em constante evolução, influenciada por fatores externos como mudanças regulatórias, pressões do mercado, transformações tecnológicas e crescente engajamento social. Compreender esse fenômeno exige um método que permita analisar o contexto, os valores organizacionais e os processos decisórios de forma integrada e reflexiva. Como aponta Godoy (1995), a pesquisa qualitativa é a mais apropriada para analisar temas em construção, onde o pesquisador busca interpretar e revelar sentidos mais profundos por trás das ações institucionais.
RESULTADOS E DISCUSSÕES
A partir da análise das fontes teóricas, documentais e estudos de caso levantados nesta pesquisa, foi possível identificar uma série de resultados relevantes que demonstram o papel estratégico da gestão sustentável de projetos no contexto organizacional contemporâneo. Os dados revelam que empresas que integram os princípios de sustentabilidade às suas práticas de gerenciamento de projetos obtêm benefícios não apenas reputacionais, mas também operacionais, econômicos e sociais.
Um dos principais resultados observados refere-se à mudança de paradigma na definição de sucesso em projetos. Tradicionalmente, os projetos eram avaliados com base em três restrições fundamentais: escopo, tempo e custo. No entanto, organizações que adotam práticas sustentáveis ampliaram essa visão para incluir também critérios como impacto ambiental, benefício social e contribuição para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Conforme Silvius e Schipper (2014), esse novo enfoque não representa uma simples adição de elementos à gestão de projetos, mas uma verdadeira reformulação dos objetivos e valores organizacionais.
Analisando relatórios de sustentabilidade de empresas como Natura e Unilever, identificou-se que a gestão de projetos sustentáveis tem sido decisiva para atingir metas ambientais — como a redução da emissão de gases de efeito estufa — e sociais — como a geração de emprego em comunidades locais. Esses projetos geralmente são conduzidos por equipes interdisciplinares, que incluem especialistas em meio ambiente, engenheiros, gestores sociais e representantes da comunidade, o que amplia a visão sistêmica e a capacidade de antecipação de riscos.
Outro aspecto relevante identificado foi o papel da inovação sustentável como catalisadora de valor. Em diversas empresas analisadas, os projetos com foco sustentável foram os que mais apresentaram inovação em produtos, processos e modelos de negócio. Tidd, Bessant e Pavitt (2008) destacam que a inovação sustentável não se limita à introdução de tecnologias limpas, mas envolve também repensar os modelos de produção, consumo e relacionamento com stakeholders. Projetos dessa natureza são frequentemente associados a melhorias na imagem institucional, aumento da lealdade do consumidor e atração de investidores sensíveis às práticas ESG.
Do ponto de vista da governança, a implementação de ferramentas como a ISO 14001 e os relatórios integrados de sustentabilidade tem permitido às empresas estruturar seus projetos com maior controle de riscos socioambientais e maior transparência perante seus públicos de interesse. Esses mecanismos fortalecem a credibilidade institucional e reduzem custos com passivos ambientais e conflitos legais, conforme apontado por autores como Barbieri (2011) e Sachs (2004).
A análise documental também demonstrou que a adoção de práticas sustentáveis em projetos não está restrita a grandes corporações. Pequenas e médias empresas (PMEs) vêm incorporando gradualmente esses princípios, motivadas por exigências de mercado, certificações e acesso a linhas de financiamento que privilegiam critérios ESG. Em muitos casos, os projetos sustentáveis tornam-se diferenciais competitivos, possibilitando a entrada em novos mercados e parcerias com organizações mais robustas.
No entanto, a pesquisa também evidenciou desafios recorrentes enfrentados pelas organizações na integração da sustentabilidade à gestão de projetos. Entre os principais obstáculos destacam-se a falta de capacitação técnica das equipes, a resistência cultural à mudança, a dificuldade de mensuração dos impactos sociais e ambientais, e a ausência de indicadores integrados aos sistemas tradicionais de gestão de desempenho. Essas barreiras reforçam a importância de políticas internas claras, investimento em formação contínua e envolvimento da alta liderança no processo de transformação.
Apesar dos desafios, os resultados apontam que o caminho para a gestão sustentável de projetos é não apenas viável, mas vantajoso. Os dados analisados mostram que empresas que se comprometem com a sustentabilidade em seus projetos conseguem alcançar ganhos tangíveis e intangíveis: reduzem custos operacionais por meio de eficiência energética e uso racional de recursos; aumentam o engajamento de colaboradores e comunidades; e fortalecem sua marca diante de um mercado cada vez mais exigente e consciente.
CONCLUSÃO
O presente artigo teve como objetivo analisar a importância da gestão sustentável de projetos como um caminho promissor para promover simultaneamente a competitividade empresarial e a responsabilidade social. A partir de uma abordagem qualitativa, com base em revisão bibliográfica e análise documental, foi possível compreender como os princípios da sustentabilidade — nos âmbitos ambiental, social e de governança (ESG) — têm se integrado, gradativamente, às práticas de gerenciamento de projetos nas organizações modernas, modificando seus objetivos, estratégias e indicadores de sucesso.
Em um cenário global marcado por desafios ambientais urgentes, crescentes desigualdades sociais e maior exigência de ética e transparência por parte dos stakeholders, torna-se evidente que as práticas empresariais tradicionais, orientadas apenas ao lucro de curto prazo, não são mais suficientes para garantir a perenidade das organizações. A sustentabilidade, como já apontado pelo Relatório Brundtland (1987), passou de uma preocupação ambiental para um imperativo estratégico e ético, exigindo das empresas novas formas de operar, inovar e se relacionar com a sociedade e o meio ambiente.
Nesse contexto, a gestão de projetos se apresenta como uma ferramenta essencial para operacionalizar a sustentabilidade nas organizações. Ao integrar objetivos sustentáveis desde a fase de concepção até a entrega final dos projetos, é possível alinhar inovação, eficiência operacional e impacto positivo, criando valor para todos os envolvidos. O gerenciamento sustentável de projetos não apenas amplia a noção de sucesso, incorporando metas sociais e ambientais, mas também fortalece o posicionamento das empresas frente ao mercado e à sociedade.
A análise realizada ao longo do estudo mostrou que organizações que incorporam práticas sustentáveis em seus projetos obtêm benefícios significativos, como aumento da reputação, atração de investimentos responsáveis, maior engajamento de colaboradores e clientes, redução de riscos e custos operacionais, e acesso a novos mercados. Tais práticas envolvem, por exemplo, o uso de tecnologias limpas, economia circular, inclusão social, ecoeficiência, gestão de riscos ambientais, além do cumprimento de regulamentações e compromissos globais, como os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 da ONU.
Outro aspecto importante evidenciado na pesquisa foi a relação entre gestão sustentável de projetos e inovação. Projetos que priorizam a sustentabilidade são frequentemente mais inovadores, não apenas por desenvolverem novos produtos ou processos, mas por proporem modelos de negócios mais resilientes e adaptativos. Essa inovação sustentável, como discutem Tidd, Bessant e Pavitt (2008), é crucial para gerar valor no longo prazo, equilibrando desempenho econômico com impacto ambiental e social.
A implementação da sustentabilidade em projetos, no entanto, não está isenta de desafios. A pesquisa indicou obstáculos como a carência de indicadores claros de desempenho sustentável, a dificuldade de mensuração de impactos intangíveis, a ausência de capacitação técnica nas equipes e a resistência cultural em algumas organizações. Esses fatores indicam a necessidade de uma transformação organizacional mais profunda, que envolva mudanças na cultura empresarial, no perfil de liderança e na forma de planejar e executar projetos.
Além disso, a adoção de normas e diretrizes internacionais, como a ISO 14001 e os frameworks do Project Management Institute (PMI), tem contribuído para estruturar a gestão sustentável de projetos com maior sistematização e alinhamento estratégico. As empresas que conseguem integrar esses instrumentos à sua rotina de projetos mostram avanços mais consistentes na promoção de práticas responsáveis e sustentáveis.
Diante disso, conclui-se que a gestão sustentável de projetos é uma abordagem não apenas possível, mas necessária, sobretudo em um mundo onde os recursos naturais são finitos, os consumidores são mais conscientes e os investidores estão atentos às práticas ESG. A sustentabilidade nos projetos representa, portanto, um diferencial competitivo e uma resposta concreta às demandas globais por responsabilidade social e ambiental.
A competitividade empresarial, longe de se contrapor à sustentabilidade, pode e deve ser fortalecida por ela. Empresas que compreendem isso estão melhor preparadas para lidar com as incertezas do mercado, atrair talentos, acessar capitais verdes e construir relações mais sólidas com suas comunidades e parceiros. Ao transformar a sustentabilidade em um valor organizacional e operacionalizá-la por meio da gestão de projetos, essas empresas não apenas mitigam riscos e melhoram seu desempenho, como também contribuem efetivamente para um futuro mais justo e equilibrado.
Por fim, recomenda-se que futuras pesquisas ampliem o campo empírico deste estudo por meio de estudos de caso, entrevistas e observações diretas em empresas de diferentes portes e setores. Tais abordagens poderão aprofundar o entendimento sobre como a gestão sustentável de projetos é aplicada na prática, quais são suas reais dificuldades e que fatores organizacionais facilitam sua implementação. Além disso, estudos quantitativos poderão contribuir para medir com maior precisão o retorno econômico e social dos projetos sustentáveis, fortalecendo ainda mais sua legitimidade e aplicabilidade no universo corporativo.
Conclui-se, portanto, que a gestão sustentável de projetos não deve ser entendida como uma prática isolada ou acessória, mas sim como uma abordagem estratégica integrada que permeia toda a organização. Seu potencial de promover inovação, melhorar a performance organizacional e contribuir para o desenvolvimento sustentável a torna uma ferramenta essencial para as empresas do século XXI.
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¹Graduando do curso de Bacharelado em Engenharia de Produção na Faculdade do Maranhão (FACAM). São Luís, Maranhão, Brasil. Autor. E-mail: lucasfg130@gmail.com
²Graduando do curso de Bacharelado em Engenharia de Produção na Faculdade do Maranhão (FACAM). São Luís, Maranhão, Brasil. Autor. E-mail: lcpalves18@gmail.com
³Doutora em Biodiversidade e Biotecnologia. Professora na Faculdade do Maranhão (FACAM). São Luís, Maranhão, Brasil. Orientadora. E-mail: anapaula.facam.tcc@gmail.com
4Mestre em Meio Ambiente na Faculdade do Maranhão (FACAM). São Luís, Maranhão, Brasil. Co-autora. Email: soares.keila@hotmail.com
5Mestre em Educação na Faculdade do Maranhão (FACAM). São Luís, Maranhão, Brasil. Co-autora. E-mail: henildacastro@gmail.com
6Mestre em Engenharia de Materiais na Faculdade do Maranhão (FACAM). São Luís, Maranhão, Brasil. Coautor. E-mail: aquinofelipe444@gmail.com
7Mestre em Engenharia Aeroespacial na Faculdade do Maranhão (FACAM). São Luís, Maranhão, Brasil. Coautor. E-mail: engandremathias@gmail.com
8Mestre em Química Análitica no C.E.M. Dayse Galvão de Sousa. São Luís, Maranhão, Brasil. Co-autor. E-mail: erico.teixeira@prof.edu.ma.gov.br
