REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/dt10202509262254
Simone Leite Azevedo Gurgel Guida1
Flaviane de Souza Brito2
Adam Gonçalves Zeni de Oliveira3
Cláudia Santana Belchior4
Samira Ferez de Macedo5
RESUMO
Este estudo apresenta uma meta-análise sobre a formação docente para a interdisciplinaridade no contexto educacional brasileiro, com foco em áreas como a saúde. O objetivo foi sintetizar os achados de pesquisas publicadas entre 2015 e 2025, destacando avanços, desafios e lacunas na capacitação dos docentes para práticas interdisciplinares. Os resultados indicam que a formação pedagógica dos professores é uma lacuna recorrente, com ênfase na necessidade de uma abordagem integrada entre saberes técnicos e pedagógicos. A adoção de currículos integrados, metodologias ativas e estágios supervisionados é apontada como estratégia eficaz para promover a interdisciplinaridade, mas esbarra em resistências institucionais, como vínculos precários de trabalho e falta de políticas de capacitação contínua. Além disso, a análise revela que a interdisciplinaridade ainda é tratada de forma implícita e transversal nos currículos, sem a devida sistematização. A pesquisa conclui que a efetivação de práticas interdisciplinares requer não apenas o engajamento dos docentes, mas também políticas públicas e apoio institucional que promovam a formação contínua e a revisão de currículos e metodologias. A interdisciplinaridade deve ser vista como um processo coletivo e estratégico, essencial para a formação de profissionais críticos e preparados para os desafios contemporâneos.
PALAVRAS-CHAVE: Formação docente, interdisciplinaridade, ensino superior, metodologias ativas, capacitação docente, políticas educacionais.
INTRODUÇÃO
Os problemas sociais e científicos atuais tem demandado soluções que vão além das abordagens tradicionais de disciplinas isoladas. Por conta disso surge a demanda de discutir novas formas de pensar e organizar o ensino. É neste cenário que a interdisciplinaridade se configura como um caminho para promover aprendizagens significativas, integradas e críticas. Trabalhos como os de Fazenda (2011) e Jantsch e Bianchetti (2011) reforçam essa perspectiva ao reconhecer a interdisciplinaridade como via essencial para formar profissionais capazes de enfrentar a complexidade da realidade social.
No entanto, a realização da interdisciplinaridade na prática, não depende apenas de mudanças curriculares, mas do processo de formação docente, pois o professor é o principal mediador entre o conhecimento e a prática pedagógica. É possível observar na literatura que, ainda prevalece, em muitos contextos, uma visão tecnicista da docência, baseada no domínio específico de conteúdo, em detrimento da formação pedagógica consistente e da valorização de competências didáticas, éticas e multidisciplinares, como discutido por Tardif (2014). Assim, a limitação na formação docente limita a capacidade do professor desenvolver experiências de ensino interdisciplinares e emancipatórias. Pesquisas como a desenvolvida por Aguiar et al. (2024) caminham neste mesmo sentido, e destacam que a qualificação docente precisa ir além da dimensão técnico-científica, incorporando saberes pedagógicos e experiências formativas que favoreçam a indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão. Isso implica compreender a interdisciplinaridade não como um elemento eventual ou transversal, mas como princípio de partida para a prática pedagógica.
No campo da saúde, esse debate ganha ainda mais relevância, pois a formação profissional exige competências de colaboração e interdisciplinaridade para enfrentar os desafios complexos dos sistemas de atenção. No contexto do mercado de trabalho, os profissionais atuarão na maioria das vezes em campos multiprofissionais. Existem diversas experiências relatadas na bibliografia que relacionam os benefícios de currículos integrados e metodologias ativas como caminhos para ampliar a integração entre áreas do conhecimento e consolidar práticas pedagógicas inovadoras, são exemplos os trabalhos de Raymuno et al. (2015) e Pimentel et al. (2015). Contudo, os estudos como Custódio et al. (2019) e Fontana, Pinto e Marin (2021) também revelam limitações institucionais e estruturais para o avanço do perfil docente, como a ausência de capacitação pedagógica sistemática, vínculos precários de trabalho docente e falta de políticas de incentivo à educação permanente.
Esse cenário torna notória a necessidade de consolidar e analisar as evidências disponíveis sobre a formação docente para a interdisciplinaridade. Embora o tema venha ganhando espaço no debate acadêmico, ainda são escassas as sínteses que sistematizam os resultados de pesquisas desenvolvidas em diferentes instituições e níveis de ensino. Nesse sentido, o presente estudo, estruturado como uma meta análise teve como objetivo avaliar os achados científicos sobre a formação docente para a interdisciplinaridade, com foco em estudos publicados em português entre 2015 e 2025, buscando identificar avanços, desafios e lacunas que orientem tanto a prática docente quanto a formulação de políticas educacionais mais efetivas. Esta pesquisa está estruturada em 3 seções além da introdução. No referencial teórico, é abordada a base teórica do problema em questão, que permitiu chegar aos descritores utilizados na pesquisa. Na seção de metodologia, é apresentado o método de pesquisa, seleção e análise de conteúdo empregado. A seção de resultados e discussão formaliza uma síntese dos achados científicos e a interpretação da análise. Por fim, as considerações finais que consolidam o entendimento desenvolvido no trabalho e avaliam a efetividade da pesquisa para alcançar seus objetivos.
REFERENCIAL TEÓRICO
A formação docente constitui um dos eixos centrais para a qualidade da educação, especialmente no ensino superior, em que se exige do professor não apenas domínio técnico do conteúdo, mas também competências pedagógicas, sociais e éticas. Segundo Tardif (2014) os saberes necessários ao exercício da docência são plurais, heterogêneos e constituídos historicamente, demandando articulação entre conhecimento científico, experiência profissional e compromisso social. A abordagem do autor distancia a visão reducionista do professor como mero transmissor de conteúdos, reforçando sua função de mediador do processo de aprendizagem.
Nesse contexto, a interdisciplinaridade ganha relevo estratégico no ensino, ao favorecer a integração de diferentes áreas do conhecimento e superar a fragmentação do ensino. Em concordância, Fazenda (2011) defende que a interdisciplinaridade se efetiva como um processo de diálogo e integração entre saberes, enquanto Jantsch e Bianchetti (2011) interpretam como uma prática dialógica que é capaz de romper os limites das disciplinas e gerar novos modos de compreender a realidade. Para que essa concepção se torne real, é necessário que a formação docente contemple não apenas o aspecto técnico, mas também a capacidade de articular conhecimentos em práticas pedagógicas inovadoras.
A identidade docente, de acordo com Aguiar et al. (2024), deve se constituir de forma integral, articulando ensino, pesquisa e extensão de modo indissociável, o que diverge do modelo muitas vezes empregado, com uma visão produtivista e tecnicista. A interpretação dos autores permite compreender que o predomínio desse modelo fragiliza a dimensão pedagógica e compromete a efetividade de práticas interdisciplinares, apontando a necessidade de valorização institucional e de políticas de capacitação permanente.
Além disso, autores clássicos também contribuem para a compreensão desse debate. A visão de Freire (1996), ao escrever sobre “Pedagogia da autonomia” aponta que a docência deve ser orientada por um compromisso ético-político, em que o ensino não se limite à transmissão de informações, mas estimule a autonomia, a criticidade e a emancipação dos sujeitos. Morin (2000) argumenta que a educação deve superar a divisão do conhecimento em compartimentos isolados e desenvolver uma visão complexa da realidade, preparando os estudantes para enfrentar desafios de um mundo marcado pela incerteza e pela interdependência. Num sentido mais amplo, Teixeira (1968), por sua vez, defende que a educação deve ser compreendida como direito e como base para a democracia, assim a prática do ensino deve integrar os saberes existentes, formando cidadãos críticos e participativos.
Dessa forma, o referencial teórico evidencia que a formação docente para a interdisciplinaridade é um processo contínuo e diverso, que envolve não apenas dimensões técnicas, mas também epistemológicas, éticas e políticas. Demonstra ainda que a consolidação dessa perspectiva depende do investimento em capacitação docente, da adoção de metodologias ativas e da construção de currículos integrados, capazes de favorecer a articulação entre diferentes campos do conhecimento e de promover uma educação crítica, democrática e emancipatória.
METODOLOGIA
Trata-se de uma meta-análise de caráter qualitativo, desenvolvida com o objetivo de sintetizar evidências sobre a formação docente voltada para a interdisciplinaridade no contexto educacional. A busca dos estudos foi realizada na base Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), utilizando o descritor “Formação docente para interdisciplinaridade”. Foram considerados trabalhos publicados entre 2015 e 2025, em língua portuguesa, de modo a privilegiar pesquisas recentes e diretamente vinculadas ao contexto brasileiro. Inicialmente foram encontrados 33 resultados. Após a aplicação dos filtros de idioma e período, restaram 11 artigos, dos quais cinco foram excluídos por se tratarem de teses e monografias. A amostra final foi composta por seis artigos científicos, submetidos à leitura de títulos, resumos e, posteriormente, ao exame integral para verificação da aderência ao tema. Para cada estudo, foram extraídos dados referentes a autor, ano, objetivo, metodologia, amostra, principais resultados e limitações. A análise dos dados seguiu abordagem narrativa, em virtude da heterogeneidade metodológica dos estudos selecionados, que contemplaram predominantemente investigações qualitativas e estudos de caso. Os resultados foram organizados por categorias temáticas emergentes, destacando necessidades formativas, metodologias ativas, barreiras institucionais, transversalidade de conteúdos e o papel do docente como facilitador. Reconhece-se como limitações desta meta-análise o número reduzido de estudos incluídos, a concentração geográfica das pesquisas e a predominância de metodologias qualitativas, o que restringe a possibilidade de generalização dos achados. Ainda assim, a síntese realizada permitiu identificar tendências comuns e lacunas relevantes para futuras investigações sobre a formação docente para a interdisciplinaridade.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
A análise dos seis artigos selecionados evidenciou um conjunto de tendências relacionadas à formação docente para a interdisciplinaridade. Os estudos, em sua maioria qualitativos, abordaram experiências em cursos de graduação e formação técnica na área da saúde, revelando tanto avanços quanto obstáculos na efetivação de práticas interdisciplinares, conforme apresentados no Quadro 1.
QUADRO 1: Síntese dos estudos incluídos na revisão integrativa.


De forma geral, verificou-se que a formação pedagógica insuficiente constitui um entrave recorrente. No estudo de Custódio et al. (2019), os docentes relataram fragilidades na formação pedagógica e ausência de políticas de educação permanente, fatores que limitam a articulação interdisciplinar no curso de Medicina. De modo semelhante, Fontana, Pinto e Marin (2021) destacaram a dificuldade enfrentada por professores de cursos técnicos de enfermagem, em razão de vínculos de trabalho precários e da escassez de capacitação continuada. Esses achados convergem com a crítica apresentada por Aguiar et al. (2024), ao apontar que o domínio técnico-científico não basta para assegurar qualidade na docência em nível superior, sendo imprescindível o investimento na dimensão pedagógica e na formação integral do professor.
Outro resultado expressivo foi a identificação de currículos integrados e metodologias ativas como catalisadores da interdisciplinaridade. Raymundo et al. (2015) mostraram que a implantação de um currículo por competências favoreceu o empoderamento docente e a adoção de práticas inovadoras, embora tenha gerado tensões decorrentes de resistências internas e sensação de retrabalho. De forma complementar, Pimentel et al. (2015) demonstraram que o estágio supervisionado integrado em saúde potencializa o trabalho em equipe, a vinculação entre teoria e prática e a atuação docente como facilitador do processo de aprendizagem. Esses estudos reforçam a importância de superar modelos fragmentados de ensino, corroborando a perspectiva de que a docência universitária deve articular ensino, pesquisa e extensão em práticas dialógicas e emancipatórias.
A análise também revelou que alguns conteúdos interdisciplinares ainda são trabalhados de forma implícita e transversal, sem sistematização suficiente. Santos et al. (2023) observaram que a segurança do paciente, embora presente nos currículos de enfermagem, é abordada majoritariamente de forma difusa, dependendo da iniciativa individual dos professores. Essa constatação reforça a necessidade de estratégias pedagógicas deliberadas e de formação docente estruturada, evitando que a interdisciplinaridade se restrinja a discursos e permaneça distante da prática efetiva.
Outro aspecto relevante identificado foi a influência de barreiras institucionais e estruturais. Custódio et al. (2019) destacaram problemas de infraestrutura e dificuldades no uso de metodologias ativas, enquanto Fontana, Pinto e Marin (2021) apontaram obstáculos relacionados à forma de contratação docente, falta de tempo para planejamento coletivo e indefinições curriculares. Tais limitações, embora diversas, indicam que a interdisciplinaridade não depende apenas da motivação individual do professor, mas de políticas institucionais que assegurem condições de trabalho, capacitação e flexibilidade curricular.
Em contraponto às limitações, alguns estudos evidenciaram estratégias institucionais promissoras. Bassani (2019) ressaltou a contribuição mútua entre pós graduação e graduação para a qualificação docente, fortalecendo a pesquisa e o diálogo interdisciplinar na Psicologia. Tal experiência demonstra que o incentivo à integração entre diferentes níveis de formação pode ampliar a atuação interdisciplinar dos professores e criar ambientes mais férteis para a inovação pedagógica.
A discussão dos achados mostra que a formação docente para a interdisciplinaridade é um processo multifacetado, que envolve desde o investimento em capacitação continuada até a reestruturação de currículos e condições institucionais de trabalho. Os resultados apontam que iniciativas pontuais podem gerar avanços, mas que a sustentabilidade das práticas interdisciplinares requer políticas educacionais que reconheçam o papel do professor como mediador do conhecimento e não apenas como transmissor de conteúdos. Essa compreensão dialoga diretamente com a análise de Aguiar et al. (2024), ao defender que a identidade docente deve integrar dimensões pedagógicas, éticas e políticas, sob pena de reproduzir modelos tecnicistas e fragmentados.
Embora a amostra de estudos seja restrita e marcada pela predominância de metodologias qualitativas, a síntese realizada permite afirmar que há consenso sobre a relevância da formação docente para a consolidação de práticas interdisciplinares. As evidências reunidas revelam avanços significativos, sobretudo quando há apoio institucional e uso de metodologias ativas, mas também destacam lacunas que ainda comprometem a efetividade dessas práticas, como a ausência de formação pedagógica consistente e as barreiras estruturais que limitam o trabalho docente.
Assim, a discussão conduzida reforça a necessidade de compreender a formação docente para a interdisciplinaridade como um desafio coletivo, que exige articulação entre políticas públicas, práticas institucionais e engajamento docente. Trata-se de uma dimensão estratégica para o fortalecimento da educação superior e para a preparação de profissionais capazes de lidar com a complexidade do mundo contemporâneo.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A formação docente para a interdisciplinaridade emerge como um eixo estratégico fundamental para a melhoria da qualidade educacional, especialmente no ensino superior e em áreas como a saúde, onde a complexidade dos problemas exige uma abordagem integrada e colaborativa. Embora a interdisciplinaridade seja amplamente reconhecida como uma necessidade para a formação de profissionais críticos, éticos e preparados para os desafios contemporâneos, sua efetivação ainda enfrenta múltiplos obstáculos.
Os resultados desta meta-análise evidenciam que a formação docente, muitas vezes, permanece fragmentada e insuficiente, especialmente no que diz respeito ao desenvolvimento de competências pedagógicas, metodológicas e éticas. A formação técnica, por si só, não é capaz de garantir a competência do docente para lidar com as complexidades do ensino interdisciplinar, que requer uma compreensão profunda das interações entre diferentes áreas do conhecimento e a capacidade de promover práticas pedagógicas inovadoras. A visão tecnicista da docência, focada na transmissão de conteúdos específicos e na reprodução de práticas tradicionais de ensino, limita a eficácia da interdisciplinaridade e, por conseguinte, a formação integral dos estudantes.
Os estudos revisados revelam que, para a interdisciplinaridade ser efetivamente implementada, é necessário um esforço conjunto entre docentes, instituições e políticas públicas. A construção de currículos integrados, a promoção de metodologias ativas e o incentivo a práticas pedagógicas mais flexíveis são passos fundamentais nesse processo. Contudo, a implementação bem-sucedida dessas estratégias depende de uma série de fatores institucionais, como a capacitação contínua dos professores, o fortalecimento da identidade docente e a criação de ambientes que favoreçam o trabalho colaborativo e o planejamento coletivo.
Entre os principais avanços identificados, destaca-se o uso de currículos por competências e metodologias ativas, que empoderam os docentes e favorecem a integração de saberes. Experiências como o estágio supervisionado integrado, observado em algumas das pesquisas, demonstram o potencial dessas abordagens para fortalecer a aprendizagem colaborativa e a aplicação prática do conhecimento. No entanto, a adoção dessas metodologias ainda esbarra em resistências culturais e estruturais, que, muitas vezes, dificultam a transição de modelos tradicionais de ensino para práticas mais dinâmicas e interativas.
As barreiras institucionais, como vínculos precários de trabalho, falta de apoio para a capacitação contínua e a fragmentação dos currículos, emergem como obstáculos significativos para a efetividade da interdisciplinaridade. Essas limitações destacam a necessidade urgente de um compromisso institucional em proporcionar condições adequadas de trabalho, incentivar a educação permanente dos docentes e promover a integração de diferentes saberes de forma sistemática e deliberada.
Por outro lado, a análise também apontou exemplos positivos de práticas institucionais que favorecem a interdisciplinaridade, como o incentivo à integração entre graduação e pós-graduação, que facilita o diálogo interdisciplinar e contribui para a qualificação docente. Tais iniciativas demonstram que, quando existe apoio institucional estruturado, é possível superar as limitações estruturais e criar ambientes de aprendizagem mais ricos e colaborativos.
A interdisciplinaridade não deve ser vista como uma meta isolada, mas como um processo contínuo e coletivo, que demanda a articulação entre políticas públicas, práticas institucionais e o engajamento ativo dos docentes. Para que essa transformação seja sustentável e eficaz, é essencial que haja uma visão compartilhada sobre o papel do professor como mediador do conhecimento e promotor de práticas pedagógicas transformadoras, e não apenas como transmissor de conteúdos. Essa mudança de paradigma é crucial para garantir uma educação superior mais crítica, democrática e capaz de preparar os profissionais para os desafios do mundo contemporâneo.
Em suma, a formação docente para a interdisciplinaridade é uma construção complexa e multifacetada, que exige esforços coordenados em diferentes níveis. A superação das barreiras existentes e a implementação de estratégias inovadoras demandam uma abordagem holística, envolvendo não apenas o desenvolvimento das competências pedagógicas dos professores, mas também a revisão das condições institucionais e das políticas educacionais. Este processo, embora desafiador, é fundamental para a formação de profissionais capazes de atuar de maneira ética, crítica e colaborativa em um mundo interdependente e marcado pela complexidade.
A continuidade da pesquisa sobre a formação docente para a interdisciplinaridade, incluindo a ampliação das amostras estudadas e a diversificação das metodologias de investigação, é essencial para aprofundar o entendimento das melhores práticas e para fornecer subsídios concretos à formulação de políticas educacionais mais eficazes e adaptadas à realidade brasileira.
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1Mestre em Educação (Universidade de Taubaté – UNITAU). Docente no Centro Universitário Santa Cecília – UNICEA e Faculdade de Ciências Humanas do Estado de São Paulo – FACIC. E-mail: iazevedogurgel@gmail.com. Orcid: https://orcid.org/0000-0001-5649-7843.
2Mestre em Ciências Biológicas (Universidade do Vale do Paraíba- UNIVAP). Docente no Centro Universitário Santa Cecília – UNICEA. E-mail: flaviane_britos@hotmail.com.
3Mestre em Projetos Educacionais de Ciências (Universidade de São Paulo – USP). Docente no Centro Universitário Santa Cecília – UNICEA e Faculdade de Ciências Humanas do Estado de São Paulo – FACIC. E-mail: adamfuzy@gmail.com. Orcid: https://orcid.org/0000-0002-3870-3946.
4Especialista em Gestão de Serviços Públicos de Saúde (Faculdade de Ciências Humanas do Estado de São Paulo – FACIC). Docente no Centro Universitário Santa Cecília – UNICEA e Faculdade de Ciências Humanas do Estado de São Paulo – FACIC. E-mail: claudiasantana.belchior@gmail.com.
5Especialista em Psicologia do Trânsito (Universidade de Ribeirão Preto – UNAERP). Docente no Centro Universitário Santa Cecília – UNICEA, Faculdade de Ciências Humanas do Estado de São Paulo – FACIC, e Faculdades Integradas de Ararquara – FIAR.
