FATORES QUE IMPACTAM A PERMANÊNCIA E O DESENVOLVIMENTO ACADÊMICO DOS ALUNOS SURDOS NO ENSINO SUPERIOR

FACTORS THAT IMPACT THE RETENTION AND ACADEMIC DEVELOPMENT OF DEAF STUDENTS IN HIGHER EDUCATION

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202510131802


Giovanni Lima Cedaro1
Michelle Barbosa de Campos2
Natália Lucin3
Neire Abreu Mota Porfiro4


Resumo

O presente estudo tem como objetivo analisar estudos da psicologia sobre fatores que impactam a inclusão, a permanência e o desenvolvimento acadêmico de estudantes surdos no ensino superior, identificando os desafios enfrentados e propondo estratégias que fortaleçam as práticas inclusivas sob a perspectiva da Psicologia. A pesquisa parte do questionamento: “Quais fatores influenciam os conflitos culturais vivenciados entre a comunidade surda e ouvinte no contexto do ensino superior, e como impactam na permanência e no desenvolvimento acadêmico dos estudantes surdos?” Apesar dos avanços proporcionados pela Lei Brasileira de Inclusão (LBI), ainda são recorrentes os desafios relacionados à acessibilidade, falta de profissionais qualificados e barreiras comunicacionais nas instituições de ensino superior. Contudo, questiona-se se os obstáculos enfrentados pelos estudantes surdos são apenas de ordem estrutural. A partir do olhar da Psicologia, este trabalho propõe refletir sobre a exclusão e os conflitos culturais que permeiam as interações entre as comunidades surda e ouvinte, compreendendo que tais aspectos também são determinantes no processo de inclusão acadêmica. A metodologia adotada consiste em uma revisão sistemática da literatura, com abordagem qualitativa e caráter exploratório, baseada na análise de artigos científicos. Os resultados evidenciam a necessidade urgente de ampliar as discussões sobre os impactos na permanência e desenvolvimento acadêmico vivenciados pelos estudantes surdos.

Palavras-chave: Comunidade surda. Permanência. Desenvolvimento acadêmico. Ensino Superior. Psicologia.

1. INTRODUÇÃO

Ao longo das últimas décadas, o Brasil tem avançado na implementação de legislações e políticas públicas que visam garantir os direitos de acessibilidade e inclusão às pessoas com deficiência, especialmente à comunidade surda. Embora direitos fundamentais, como educação e saúde, estejam assegurados pela Constituição Federal de 1988 como bens destinados a todos os cidadãos, a realidade mostra que, para as pessoas surdas, o acesso a esses direitos exigiu esforços adicionais, mobilizações sociais e a criação de leis específicas que garantisse, de fato, a sua efetiva inclusão.

No campo educacional, um marco decisivo foi o reconhecimento da Língua Brasileira de Sinais (Libras) como meio de comunicação legítimo da comunidade surda, o que implicou na obrigatoriedade da presença de intérpretes, tradutores e profissionais capacitados nas instituições de ensino, especialmente no ensino superior. Tal avanço foi essencial para a promoção da acessibilidade linguística, embora não tenha, por si só, resolvido todas as barreiras enfrentadas.

Nesse sentido, a promulgação da Lei Brasileira de Inclusão (LBI) – Lei nº 13.146/2015, que completa uma década de vigência, representa um importante instrumento jurídico na consolidação dos direitos das pessoas com deficiência. A LBI define, em seu artigo 3º, que acessibilidade é a “condição de alcance para utilização, com segurança e autonomia, de espaços, mobiliários, equipamentos urbanos, edificações, transportes, informação e comunicação, inclusive seus sistemas e tecnologias” e, no artigo 4º, assegura que “toda pessoa com deficiência tem direito à igualdade de oportunidades com as demais pessoas e não sofrerá nenhuma espécie de discriminação” (BRASIL, 2015, p. 1).

Apesar dos avanços legais, torna-se necessário questionar se, de fato, houve transformações significativas na realidade vivenciada pelos estudantes surdos no ensino superior após uma década da implementação da LBI. Na prática, observa-se que persistem desafios estruturais, comunicacionais e, sobretudo, emocionais, que muitas vezes inviabilizam a plena inclusão desse público no ambiente acadêmico.

Um dos principais pontos de reflexão é compreender que a inclusão da comunidade surda não se limita à abertura formal de espaços educativos, mas envolve o reconhecimento das diferenças culturais, linguísticas e identitárias que caracterizam essa população. Segundo Reis (2013), tais diferenças vão além da questão da comunicação, configurando-se como elementos constitutivos de uma identidade cultural própria, que frequentemente é ignorada nas práticas inclusivas implementadas nas Instituições de Ensino Superior (IES).

É importante considerar que o processo de aprendizagem está diretamente relacionado à sensação de pertencimento, acolhimento e reconhecimento dentro do ambiente educacional. Assim, aproximar a comunidade surda da comunidade ouvinte exige não apenas adaptações estruturais, mas também um olhar sensível para os aspectos emocionais, culturais e sociais que permeiam essa convivência. Como pontua Reis (2013, p. 117), “Olhar a inclusão escolar pelo ponto de vista dos surdos mostra os muitos problemas que ela proporciona a estes alunos: constrangimento, exposição, preconceito, exclusão. E a aprendizagem, onde fica?”

Diante desse cenário, a pergunta indagativa da pesquisa pautou-se a partir da questão: Quais fatores psicológicos influenciam os conflitos culturais vivenciados entre a comunidade surda e ouvinte no contexto do ensino superior, e como esses fatores impactam na permanência e no desenvolvimento acadêmico dos estudantes surdos? 

Este estudo tem como objetivo geral analisar os fatores que impactam na permanência e o desenvolvimento acadêmico de estudantes surdos no ensino superior, sob a perspectiva da Psicologia. Enquanto, os objetivos específicos foram ordenados em: Identificar os desafios encontrados para permanência do estudante surdo nas IES; Evidenciar a importância da Libras para a acessibilidade educacional aos surdos no Ensino Superior; Discorrer os principais fatores que influenciam na permanência dos estudantes surdos nas IES.

Busca-se, assim, compreender, à luz da atuação do psicólogo, quais avanços, limitações e estratégias têm sido implementados após uma década da LBI, com foco na superação das barreiras interculturais e comunicacionais vivenciadas entre as comunidades surda e ouvinte nas instituições acadêmicas.

2. REVISÃO DA LITERATURA

2.1 A ACESSIBILIDADE EDUCACIONAL E OS DESAFIOS NA PERMANÊNCIA AOS ESTUDANTES SURDOS NO ENSINO SUPERIOR

Em uma linha de pesquisa de revisão sistemática, na tentativa de uma proximidade com a perspectiva de um discente ou docente, ou qualquer pessoa, no geral ouvinte, que busca compreender quais conflitos distanciam os surdos da inserção no Ensino Superior e apontar as causas desta ruptura das IES com a comunidade surda como forma de responder o problema de pesquisa deste texto, antes de tudo, é necessário destacar alguns pontos resultantes observados em outros trabalhos acadêmicos.

Uma característica em comum nos estudos a serem apresentados neste projeto é a limitação na concordância às legislações como a LBI que visam a inclusão dos deficientes, particularmente os surdos, evidenciando que até um certo ponto as leis têm uma demasiada importância para a educação inclusiva, mas para os autores não são válidas ou qualificadas o suficiente para o processo de ensino-aprendizagem da comunidade surda, principalmente nas IES.

Analisando as diretrizes da LBI, Lei Brasileira de Inclusão, de 2015, enfatiza-se o Capítulo IV, o art. 27, parágrafo único, que dispõe: “É dever do Estado, da família, da comunidade escolar e da sociedade assegurar educação de qualidade à pessoa com deficiência, colocando-a a salvo de toda forma de violência, negligência e discriminação” (BRASIL, 2015, p. 4). Dentre esta e outras diretivas, o objetivo é notável ao se intencionar pela proteção do indivíduo surdo na educação.

Em adição, a Lei da Língua Brasileira de Sinais, de 2002, pelo reconhecimento da Libras como língua oficial dos surdos, é sempre abordada nos estudos como um marco essencial para a inclusão da comunidade surda nos espaços de ensino. A Libras é indispensável para os surdos quando se trata especialmente de educação inclusiva. Nas instituições de ensino, como exemplo, pelo decreto n. 5626/05, no Capítulo IV, o art. 14 dispõe:

As instituições federais de ensino devem garantir, obrigatoriamente, às pessoas surdas acesso à comunicação, à informação e à educação nos processos seletivos, nas atividades e nos conteúdos curriculares desenvolvidos em todos os níveis, etapas e modalidades de educação, desde a educação infantil até à superior (BRASIL, 2002, p. 4).

Analisadas essas prerrogativas, a legislação brasileira no geral esclarece que realmente a educação é para todos e parte integrativa como dever do Estado. Todavia, fica o seguinte questionamento: já que as leis de inclusão estão bem estruturadas, por qual razão os estudos sobre educação inclusiva demonstram uma certa insatisfação em seus resultados? A resposta está além da diferença entre o que está no papel e a prática, na verdade discorre uma falta de representatividade da comunidade surda e seus fatores culturais e individuais nesse processo de inclusão.

As legislações inclusivas e o reconhecimento da Libras são, antes de tudo, consideradas conquistas para a comunidade surda, por isso são abordadas relevantemente pelos autores analisados a seguir. Porém, os mesmos pesquisadores consideram que há muito a ser feito para impor uma inclusão ideal aos surdos na educação, principalmente através do Ensino Superior.

De maneira análoga, em base de conhecimento, após a aprovação da Lei de Libras (Lei nº 10.436/2002), até 2020, houve um crescimento de 1100% no número de matrículas de alunos surdos no ensino superior (PASIAN & ROCHA, 2022). No entanto, apesar do impacto da inclusão, o quantitativo ainda é considerado mínimo quando se analisa os dados da população geral, denotando que muitas barreiras na educação inclusiva persistem nas instituições.

A pesquisa, a princípio, pressupõe que, além dos desafios sociais na interculturalidade de aprendizagem e da falta de estrutura para adaptação comunicativa, há também aspectos emocionais que impedem a pessoa surda de realizar a graduação. Nesse conjunto, Coutinho (2021) demonstra por análise qualitativa os impasses de discentes surdos nas IES através da estrutura e funcionamento institucional, afetando consequentemente o estado emocional pelos sentimentos vivenciados na exclusão. Por este sentido, é notável a longitude do ideal da legislação na aplicação das medidas.

Para melhor compreender, nas IES se disponibilizam por lei os espaços aos acadêmicos surdos durante o ensino regular, mas por apresentarem surdez ou deficiência auditiva essas pessoas ainda vão sofrer descaracterizações as quais impedem a inserção no espaço multidisciplinar, seja por questões sociais ou de infraestrutura. Por exemplo, a falta de intérpretes, materiais didáticos adaptados, conhecimento da Libras e, obviamente, o reconhecimento da sua surdez faz com que a pessoa surda tenha sentimento de exclusão e se distancie ainda mais da graduação, como Pinheiro associa:

Por vezes, possibilita-se a entrada, mas não a permanência; e, quando esta ocorre, dadas às condições em que se efetiva, deflagra-se outro processo de exclusão, na medida em que o aluno passa a ser considerado como alguém que ocupa uma vaga no sistema público de ensino, um corpo que assume um lugar marcado na sala de aula, um número na lista de frequência do professor, uma cifra nas estatísticas e no aparato burocrático do Estado, configurando, assim, o que Bourdieu denominou de excluídos do interior, ao se referir ‘aqueles que mesmo estando dentro, permanecem fora’ (PINHEIRO, 2022, p. 19).

Dias (2022), a partir de um levantamento bibliográfico, observou que há uma falta de diretrizes mais específicas pela LBI, tornando-se um desafio para as pessoas com deficiência na área da educação, pois as IES, com as legislações de inclusão, apresentam ações apropriadas para a entrada, mas ineficazes para a permanência do público deficiente, como os surdos.

A questão central da educação especial em nível superior está na criação de condições necessárias para que os alunos tenham o apoio especializado necessitado, de forma que consigam se apropriar dos conhecimentos científicos e culturais disponíveis nas instituições de ensino superior (DIAS, 2022, p. 60).

Nessa tendência de exclusão, os surdos não ficam apenas com a formação acadêmica comprometida, mas também o estado emocional deles é prejudicado de maneira na qual são desmotivados e criam sentimentos negativos acerca das IES. Por este aspecto, Coutinho (2021) realizou uma pesquisa sobre interculturalidade na Educação Superior, identificando com as pessoas inseridas nas IES os sentimentos atribuídos pela experiência de exclusão, e percebeu-se maiores vivências com desvalorização, solidão e tristeza. Nota-se que isso não difere da realidade dos surdos como acadêmicos, já que são vistos pelas limitações e não pela diferença.

Para se ter uma percepção ampliada acerca dessas problemáticas, é relevante considerar os contextos os quais levam a comunidade surda a alguns olhares determinadores. Nessa conjuntura, há visões nas quais colocam o surdo como alguém em necessidade de suporte ou meios cujas propostas são as soluções da surdez, ou seja, caracteriza-se por um olhar patológico pelo qual busca remendar a pessoa para aproximá-la à sociedade ouvinte, ou, para este olhar, a normalidade (REIS, 2013).

Nota-se que essa perspectiva mais mórbida sobre a surdez coloca o indivíduo surdo como um agente limitado, sem condições para conviver em sociedade e com necessidade de adentrar nela, não obstante a implementação dos instrumentos para a captação de sons como o implante coclear. E mesmo que a pessoa surda opte por colocar aparelho auditivo, ainda há questões de disponibilidade e culturais.

E citando as questões culturais, por outro lado, há também a visão cultural e social a respeito do surdo. Em oposição do olhar patológico, a visão da pessoa surda como alguém sociável evidencia que ela não deixa de ser um ser humano como todas as outras pela condição auditiva. Como alega Reis (2013, p. 19): “o surdo é visto como sujeito cultural, com características próprias, não se considerando deficiente, apenas diferente”.

Vasconcelos (2017) realizou uma pesquisa acerca das experiências de duas estudantes surdas oralizadas no Ensino Superior e observou que em ambas se assentaram transformações decorrentes das dificuldades enfrentadas nas IES, mesmo sendo para cada uma delas vivências distintas.

Tanto aprendi com essas mulheres que se dispuseram a compartilhar comigo suas histórias! Destaco aqui a artificialidade de categorias como ‘surdo oralizado’, que muito pouco nos dizem sobre cada pessoa assim denominada. Não apenas as duas participantes eram extremamente diferentes entre si, no que diz respeito à construção da linguagem, como cada uma delas passou por transformações marcantes no curto período em que durou o estudo. Do mesmo modo, a pesquisa me ensinou sobre a ingenuidade, e inutilidade, de tentar enquadrar o vivido em categorias teóricas, quase sempre dicotomizadas e simplificadas para fins didáticos (VASCONCELOS, 2017, p. 17).

Conforme Reis (2013), haver uma visão conceitual da cultura surda e identidade pessoal através da limitação é de suma importância para o funcionamento da educação inclusiva. Logicamente, a pessoa surda em um espaço público necessita do intermédio da Libras para fazer parte do cotidiano, e, para melhor adesão, o ambiente em questão tem que reconhecer a surdez dela e como interage socialmente.

Nesse entendimento, na autoetnografia de Júnior & De Campos-Fonseca (2020), na formação em Psicologia, relataram-se mudanças na percepção do autor, que é um ouvinte, sobre a surdez e os aspectos socioculturais ao se aproximar da comunidade surda pela primeira vez. Esse contato com a cultura surda foi essencial para entender como os surdos são vistos como deficientes pela sociedade.

Assim que pude apropriar-me da linguagem do surdo, mesmo que de forma básica, mas que pudesse compreender e ser compreendido, pude compreender que se afastará de mim a ideia de deficiência, pois não mais reconhecia naqueles sujeitos qualquer déficit. Quanto mais me aproprio da língua brasileira de sinais (LIBRAS), mas compreendo o surdo e suas necessidades. Com isso, me permito refletir que a concepção que temos de deficiência (especificamente no caso da surdez) está mais ligada a ideia que nossa sociedade tem de normalidade, pode tratar-se de uma deficiência projetada pela sociedade “normal” na singularidade do outro. Na perspectiva da psicologia o surdo é tratado como deficiente, fazendo com que esta compreensão seja dentro do universo da deficiência e não do simbólico, reafirmando a noção de normalidade (JÚNIOR & DE CAMPOS-FONSECA, 2020, p. 518).

Por este ângulo, para uma educação inclusiva, não apenas os surdos precisam se adaptar nas IES, mas estas também devem se adaptar ao público surdo. Em verdade, além das instituições, quanto mais a comunidade ouvinte entra em contato com a cultura surda e a Libras, menos conflituosos os espaços se tornam para os surdos (LOPES, 2022). Por isso, é sempre interessante oferecer cursos básicos para docentes e estudantes ouvintes no ensino superior.

Para reforçar, Lopes (2022, p. 41) enfatiza que “no campo do ensino/aprendizagem de línguas, um dos maiores desafios se refere a encontros entre indivíduos diferentes, uma vez que geralmente há conflitos e falta de compreensão no modo de comunicar”. Nesse sentido, para haver a aplicação da aprendizagem intercultural nas IES, é importante que tenha orientações e acompanhamentos dos processos de incentivo para a população surda e ouvinte (LOPES, 2022). Desse modo, os conflitos culturais são previstos e se tornam superáveis no ambiente de aprendizagem.

De uma maneira mais simplificada de se pensar, o essencial é trazer essas ideias à tona, considerando o suporte clínico ao surdo, mas também reconhecendo como uma pessoa com uma condição que, com respeito e empatia, torna-se superável. O aconselhável, nesse aspecto, é conhecer a cultura surda e suas características de interatividade e comunicação. 

2.2 A IMPORTÂNCIA DA LIBRAS PARA O PROCESSO DE INCLUSÃO DA COMUNIDADE SURDA NO ENSINO SUPERIOR

Através do olhar inclusivo, é possível conciliar as questões sociais com as práticas, ao todo voltado para o contexto cultural. A Libras é um meio importante não só como forma de expressão aos surdos, mas também como uma aproximação à cultura dessa comunidade. Além disso, incentivar o uso de Libras por parte da população em geral, através da educação, é uma forma de proteção da cultura surda, e proporcionalmente à identidade do sujeito (REIS, 2013).

Partindo desse pressuposto, no ensino superior, a falta de estímulo da Libras no processo educativo pode desestabilizar a aprendizagem dos surdos, efetuando muitas dificuldades nos estudos. Mesmo que o surdo tenha implante coclear ou aparelho auditivo, ainda se pode ter barreiras na compreensão da fala e exigiria um grande esforço da pessoa na comunicação sem intérpretes e professores especializados em Libras, que são elementos indispensáveis para a formação acadêmica dos surdos (MARTINS & NAPOLITANO, 2017).

Por essa e múltiplas outras razões, deve-se pensar que não é somente o surdo quem deve se adaptar a um ambiente ouvinte, mas também este próprio ambiente deve estar adaptado ao surdo. Isto porque, ao decorrer dos estudos com os surdos como o da Reis (2013), é provado o quão desafiador é para os surdos se inserirem nos espaços educacionais quando nestes não há recursos de apoio. Em vista disso, identifica-se outro obstáculo o qual os surdos se sentem desestimulados a concluir os cursos de ensino superior, por razão de haver pouco ou nenhum intérprete presente.

Na verdade, em muitos contextos, mesmo com presença de intérpretes, há uma problemática no diálogo na ambientação das IES. Nesse aspecto, Lisboa e colaboradores (2021) realizaram uma pesquisa de campo nas IES para destacar a perspectiva de docentes sobre a presença de intérpretes e tradutores de Libras no Ensino Superior, cujos resultados, por meio de visões de eixo temático na relação entre professores, intérpretes e surdos, apresentaram que a maior parte dos professores entrevistados considera que os intérpretes têm a função de apenas mediar o aluno surdo nas aulas, enquanto a menor parte compreende a importância de fornecer materiais ao intérprete antecipadamente ou diminuir o ritmo da fala. 

Percebe-se uma demasiada importância em haver profissionais como meio mediador comunicativo na aprendizagem, mas também é uma área que ainda necessita se desenvolver e criar políticas públicas, principalmente nas relações no meio institucional, para garantir a acessibilidade aos surdos (LISBOA et al., 2021).

Faria, Peixoto & Oliveira (2024, p. 4), a partir de uma revisão bibliográfica, apontaram algumas propostas estratégicas, além dos TILS, com os estudos levantados, para a permanência do surdo nas IES: “uso de tecnologias acessíveis para a facilitação do aprendizado do conteúdo lecionado, bolsas de iniciação científica, espaços inclusivos e políticas salariais, além de, claro, entender esse aluno como um sujeito de direitos”.

Por esta razão, a presença de intérpretes não é suficiente para motivar o discente surdo nos estudos se nem os colegas de formação e professores não tiverem o mínimo de conhecimento sobre as necessidades dos surdos. Nessas condições, a inviabilidade de interação ocasiona o isolamento social, fator este que prejudica o desenvolvimento da aprendizagem. 

Nesse aspecto, a interação social é fundamental para se construir o conhecimento, principalmente com a familiaridade através da linguagem falada ou escrita. No caso dos surdos, a linguagem é mais reconhecida pelos sinais, ou seja, a Libras, e em condições de maiores contatos de interatividade, isto é, mais pessoas para interagir com a pessoa, haverá um maior asseguramento de formação do saber, motivando a seguir o caminho acadêmico.

A educação assume papel principal nesse processo, o que exigirá reconhecer que os surdos se caracterizaram como grupo linguístico minoritário e se constituem nas interações sociais, sendo capazes de transformar-se e ser transformado nas relações produzidas na e pela educação superior. Assim posto, tal afirmativa remeterá considerar providências, apoios e serviços educacionais especializados com vistas à acessibilidade dos exames de vestibular e, em direção ao ingresso à universidade, priorizar a contratação de profissionais qualificados para a função de tradutor-intérprete de Libras/Português – condição indispensável ao desenvolvimento deste grupo na universidade (MARTINS & NAPOLITANO, 2017, p. 112).

O fato é que a linguagem constrói o fator cultural do ser humano, e com as características únicas estabelecidas, formam-se a identidade e diferença pessoal. Em contradição, retirar dos surdos a Libras nos ambientes de cunho educacional é anular a principal linguagem deles, como também é apagar a identidade surda. O desenvolvimento individual, nesse contexto, fica comprometido, o que separa a pessoa do mundo ouvinte. 

Mas voltando ao tema da comunidade surda no ensino superior, observando as dificuldades que podem surgir de motivação no espaço acadêmico e a futura falta de acessibilidade por não haver um contato direto entre a cultura surda e o público, é notável que os surdos não podem ser os únicos a se comprometerem a experienciar diferentes entradas para a interatividade. Por essa razão, conclui-se que o melhor meio mediador para a união do nível superior de educação com a comunidade surda é a Libras, o que, para resumir, os estudantes em formação, o corpo docente e demais profissionais também têm que fazer a parte deles com a língua de sinais.

Como ressalta Lopes (2022, p. 41), “a aprendizagem intercultural implica maior desenvolvimento e abertura em direção a outras culturas, o que inclui a apreciação e o respeito pela diversidade cultural, a superação de preconceitos culturais e do etnocentrismo”. Nesse entendimento, o empenho em aprender através da Libras as características culturais dos surdos resulta em uma aproximação entre as duas culturas, havendo a compreensão e apoio nas necessidades de aprendizagem.

A comunidade ouvinte não apenas se beneficia conhecendo mais sobre a cultura surda, como também aperfeiçoa maior alcance de contato nas realizações profissionais. Para ilustrar essa ideia, Francisco (2023) efetuou um levantamento de estudos sobre a inserção da Libras em estudantes de IES na área da saúde, citando algumas formas ou recomendações de inserir a língua de sinais nos cursos acadêmicos. Profissionais da saúde que se comunicam com Libras podem oferecer tratamentos mais humanizados e referentes para as condições dos pacientes surdos, promovendo a conscientização e acessibilidade à comunidade surda (FRANCISCO, 2023).

Dessa maneira, demonstrou-se a importância do ensino da Libras para profissionais e estudantes de graduação da área de saúde, independentemente do curso em si (enfermagem, medicina, odontologia, nutrição, psicologia etc.). Para que isso ocorra, é preciso que as instituições de ensino superior insiram a Libras em sua grade como disciplina obrigatória, e não apenas eletiva ou optativa como foi observado (FRANCISCO, 2023, p. 55).

Cruz e colaboradores (2021) consideram que inserir o curso de Libras na Psicologia é uma demasiada contribuição para os futuros psicólogos, incluindo os surdos em contato com essa área. Nessa ressalva, com a utilização da Libras, a aplicação psicológica e escuta aos surdos, na elaboração e desenvolvimento da subjetividade do sujeito, são ilimitadas no sentido de compreender a verdadeira expressividade emocional demonstrada pela pessoa surda, movimentando um trabalho que deve ser realizado tanto pelo profissional quanto pelo atendido (CRUZ et al., 2021).

A união das comunidades é indispensável, pois foi com muita disposição dos surdos e ouvintes em lutar pelas causas da comunidade surda para garantir, por legislação, as leis includentes que reforçam o ideal da inclusão na sociedade. No caso de impor Libras como uma disciplina extracurricular no ensino superior, esse reconhecimento da língua de sinais como uma forma de linguagem, a ser usada de maneira político e identitária, promove maior movimentação dos surdos no âmbito acadêmico (MARTINS & NAPOLITANO, 2017).

Partindo desse princípio, a formação de professores, assim como outras graduações, pode ser beneficiada em razão de haver uma maior gama linguística com os alunos surdos, além de haver uma maior ligação cultural. À vista disso, a Libras ganha um maior apoio de reconhecimento e estrutura preparações mais inclusivas na atuação profissional dos docentes.

Como se pode perceber, há vários motivos para a inserção da Libras na grade curricular nos cursos de bacharelado e licenciatura, em razão de ser benéfico para a formação de todas as pessoas, tanto surdas quanto ouvintes.

3. METODOLOGIA 

A fundamentação metodológica adotada nesta pesquisa está baseada em uma investigação científica de abordagem qualitativa, com enfoque exploratório, realizada por meio da análise de artigos científicos selecionados em plataformas eletrônicas especializadas. O delineamento do estudo foi estruturado através de uma revisão sistemática da literatura, por se tratar de uma metodologia capaz de proporcionar maior rigor, fidedignidade e organização dos dados coletados.

De acordo com González (2020, p. 156), a pesquisa qualitativa “tem um caráter polissêmico porque refere práticas várias de indagação do social”, o que evidencia a flexibilidade, a profundidade e a abrangência dessa abordagem, especialmente quando aplicada à investigação de fenômenos sociais, culturais e emocionais. Tal característica permite uma compreensão ampliada dos aspectos que envolvem os conflitos culturais, emocionais e os processos de inclusão da comunidade surda no ensino superior.

Nesse contexto, a revisão sistemática destaca-se como um procedimento metodológico que proporciona clareza, rigor e reprodutibilidade na condução da pesquisa qualitativa. Segundo Donato e Donato (2019), essa metodologia é particularmente vantajosa, pois garante parcialidade controlada e maior confiabilidade nos resultados obtidos, uma vez que os estudos são criteriosamente selecionados, categorizados e analisados a partir de parâmetros bem definidos, como tema, objetivos, período de publicação, relevância científica e aderência ao problema investigado.

Além disso, a revisão sistemática permite não apenas a organização da literatura existente, como também oferece subsídios teóricos valiosos para outros pesquisadores interessados na mesma temática. Nesse sentido, segundo Okoli (2019), esse tipo de revisão não se limita à mera síntese de informações, mas possibilita categorizar múltiplos estudos, analisar tendências, identificar lacunas no conhecimento e responder a diferentes questões sobre determinado tema.

Portanto, a escolha da revisão sistemática como delineamento metodológico nesta pesquisa não apenas assegura maior rigor científico, como também amplia a qualidade da fundamentação teórica, consolidando resultados que possam servir tanto para o avanço acadêmico quanto para práticas profissionais nas áreas da Psicologia, da Educação e dos Estudos Culturais da Surdez. 

4. RESULTADOS E DISCUSSÕES

Para a análise de pesquisa da revisão sistemática, foram impostas palavras-chaves sobre o tema em meio ao sistema de busca avançada em três plataformas fornecedoras de bancos de teses, dissertações e artigos: BVS, BDTD e SciELO.

Em cada biblioteca digital, na opção de busca avançada, filtrou-se a pesquisa pelas palavras-chaves, área de estudo, linguagem e recorte temporal. As palavras-chaves utilizadas foram: estudantes surdos, permanência, ensino superior, comunidade surda, surdez e psicologia. A área de pesquisa almejada pelas dissertações foi Psicologia, adentrada em ciências humanas. A linguagem escolhida foi a língua portuguesa. Por fim, o recorte temporal foi de 2013 a 2025.

Através desse sistema seletivo, os resultados de pesquisa nas plataformas BVS e SciELO foram nulos. Percebe-se uma falta de artigos científicos publicados nessas bibliotecas digitais ao filtrar a área de estudo em Psicologia, denotando um conteúdo como surdos nas IES pouco abordado pela ciência humana.

Em contrapartida, a plataforma digital BDTD teve como resultado 18 artigos, sendo uma dissertação que condiz tanto com o tema buscado desta revisão sistemática, quanto com a área da Psicologia, com palavras-chaves é a limitação do idioma para o Língua Portuguesa, o tipo de documento para todas as opções e o ano de publicação a partir de 2013.

Na primeira etapa da pesquisa, os resultados obtiveram 18 artigos, sendo que um artigo estava duplicado. Após isso, para a delimitação, selecionou-se o assunto para Psicologia e a área de conhecimento para Psicologia Educacional, resultando em dois artigos. Destes materiais, um foi descartado por ter um enfoque na trajetória do estudante surdo na educação básica, sobrando apenas uma dissertação.

A sistematização da pesquisa com os resultados pode ser vista através do fluxograma abaixo:

Fonte: elaboração própria

Os documentos científicos foram inseridos na tabela a seguir:

Tabela 1 – Trabalho científico

Ordem TipoAutor (a)ObjetivoInstituição / Revista / Periódico 
01DissertaçãoSTOLZ, Mariléia LúciaCompreender a vivência de estudantes surdos na Universidade Federal de Santa MariaUniversidade Federal de Santa Maria (RS)

Fonte: elaboração própria

A dissertação selecionada para o estudo se intitula “Vivência acadêmica de estudantes surdos na UFSM: ingresso, adaptação, permanência e conclusão”; tem como objetivo principal a compreensão da vivência surda na Universidade Federal de Santa Maria através de entrevistas semiestruturadas realizadas com os graduandos surdos locais, expandindo-se para questões como a permanência e desenvolvimento até as relações interpessoais no ambiente.

Nas entrevistas, revela-se os desafios os quais os surdos enfrentam desde o ingresso na universidade. Nos resultados dessas entrevistas, pode-se identificar vivências desafiadoras para a permanência dos estudantes surdos nas IES, como a falta de intérpretes, barreiras de comunicação com colegas e professores, sentimento de isolamento, entre outras que desestimulam o desenvolvimento acadêmico e os futuros planos para a comunidade surda nesse espaço. Também vale ressaltar que a universidade referida pela autora da dissertação tem estrutura de acessibilidade e auxílio ao graduando surdo.

Dessa forma, Stolz (2019) demonstra a partir dos resultados da entrevista que os estudantes surdos no ensino superior enfrentam muitas barreiras de comunicação, e que as didáticas oferecidas nas aulas pelos professores precisam ser adaptativas para o melhor acolhimento e adesão nos estudos da comunidade surda. Portanto, além dessas questões, destaca-se a importância de estudos que motivem a quebra dessas barreiras de comunicação à pessoa surda na graduação.

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Com base no estudo que foi apresentado, considera-se que fatores como barreiras comunicacionais, falta de intérprete e pouca adaptação e uso da Libras no ensino influenciam indubitavelmente nos conflitos culturais, até mesmo sociais e psicológicos, para a comunidade surda no ensino superior, impactando consequentemente na permanência, desenvolvimento e inclusão dessa população. 

É válido afirmar que esse cenário ainda é persistente para os surdos. Mesmo com os avanços de acessibilidade e recursos de inclusão desenvolvidos nos últimos anos, há muitos outros recursos dos quais os estudantes surdos sentem falta, tendo como exemplo a Libras nos vestibulares e nas atividades avaliativas. 

O material estudado de Stolz (2019) demonstra uma maior presença de estruturação de apoio educacional aos acadêmicos surdos entrevistados, porém, analisando suas trajetórias, percebe-se nas suas perspectivas que a universidade é um local demasiadamente desafiador à comunidade surda, mesmo o espaço oferecendo condições favoráveis como a presença de intérprete.

Dentre esses desafios, está o isolamento social e comunicacional do surdo para toda a instituição, pois o surdo, pelas pessoas ouvintes não comunicarem em Libras, não consegue se inserir nos grupos, além de não conseguir tirar as dúvidas de forma efetiva com os docentes, o que prejudica seu desenvolvimento acadêmico e autonomia.

Uma outra questão muito relevante para destacar é a falta de estudos da área de psicologia que abordem sobre a comunidade surda, não exclusivamente na educação do ensino superior. Nessa ressalva, ao realizar a pesquisa baseada em revisão sistemática, notou-se uma rebaixada quantidade de artigos de Psicologia que dão visibilidade à comunidade surda.

Desse modo, espera-se que este estudo não apenas sirva como reflexão sobre a realidade da comunidade surda no ensino superior, mas também seja um incentivo a estudos que aproximem a Psicologia da cultura surda, para assim se construir na sociedade um olhar inclusivo e mais humano para a identidade surda.

REFERÊNCIAS

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1Discente do Curso Superior de Psicologia da Faculdade Católica de Rondônia e-mail: giovanni.cedaro@sou.fcr.edu.br
2Discente do Curso Superior de Psicologia da Faculdade Católica de Rondônia e-mail: michelle.campos@sou.fcr.edu.br
3Discente do Curso Superior de Psicologia da Faculdade Católica de Rondônia e-mail: natalia.lucin@sou.fcr.edu.br
4Docente do Curso Superior de Psicologia da Faculdade Católica de Rondônia. Mestre em Educação (UNIR). e-mail: neire.mota@fcr.edu.br