EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA E SAÚDE MENTAL DOCENTE: RELATO DE EXPERIÊNCIA SOBRE PREVENÇÃO DO BURNOUT EM PROFISSIONAIS DA EDUCAÇÃO INFANTIL

UNIVERSITY EXTENSION AND TEACHERS’ MENTAL HEALTH: AN EXPERIENCE REPORT ON BURNOUT PREVENTION AMONG EARLY CHILDHOOD EDUCATION PROFESSIONALS

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/fa10202602051843


Lair Ferreira de Oliveira Filho1, Viviana Cristina de Souza Cesca2, Nayanne Maria Costa Bernardes3, Vitória Emanuela Frazão Marra4, Jose Hiago Gomes da Silva5, Mynara Dutra Castro6, Yasmin Aires Maia Ferreira7, Vitor Ferreira Nunes8, Aline Aparecida Alves de Oliveira9, Karla Maria da Silva10, Luciene Rodrigues de Oliveira Monteiro11, Edilaine Bardella Lopes12


RESUMO

Objetivo: Relatar a experiência de um programa de extensão universitária voltado à promoção da saúde mental e prevenção da síndrome de Burnout entre profissionais da educação infantil de Rio Verde (GO). Relato de experiência: As ações foram realizadas entre setembro e dezembro de 2025, no Centro Municipal de Educação Infantil Maria Joana Perpétuo, em parceria com a Universidade de Rio Verde (UniRV) e a Secretaria Municipal de Educação. Participaram docentes e discentes dos cursos de Enfermagem, Psicologia e Medicina, com intervenções que incluíram a aplicação da Escala de Burnout de Oldenburg (OLBI), rodas de conversa e atividades de relaxamento e autocuidado. Discussão: As atividades favoreceram a conscientização sobre o esgotamento ocupacional, fortaleceram vínculos coletivos e promoveram o diálogo sobre estratégias institucionais de cuidado docente. A experiência também ampliou a visão crítica dos extensionistas e reforçou a relevância da escuta empática e interdisciplinar no enfrentamento do sofrimento psíquico. Considerações finais: A extensão universitária mostrou-se instrumento eficaz de promoção da saúde mental e valorização profissional, reafirmando o papel social da universidade na prevenção do Burnout e na construção de ambientes educacionais mais saudáveis.

Palavras-chave: Extensão Universitária. Saúde Mental. Síndrome de Burnout. Educação Infantil. Docentes. 

1 INTRODUÇÃO

A síndrome de Burnout, também conhecida como síndrome do esgotamento profissional, tem sido amplamente reconhecida como um grave problema de saúde pública e ocupacional, caracterizado pela exaustão emocional, despersonalização e pela diminuição da realização profissional (DEMEROUTI E, 2024). Desde 2022, a Organização Mundial da Saúde passou a classificá-la oficialmente como um fenômeno ocupacional relacionado ao estresse crônico no trabalho (WHO, 2022). No contexto educacional, esse fenômeno vem ganhando destaque em virtude das crescentes demandas emocionais, cognitivas e institucionais impostas aos profissionais da educação (RAMOS AC, et al., 2023). A intensificação do trabalho docente, marcada por responsabilidades pedagógicas, administrativas e afetivas, tornou-se ainda mais evidente nos últimos anos, especialmente após as mudanças impostas pelo período pandêmico, quando o ensino remoto e híbrido geraram novas camadas de exigência sobre os professores.

Pesquisas recentes apontam que o Burnout entre professores e trabalhadores da educação é uma realidade preocupante no Brasil. Estudo realizado por Santos JV e Silva Júnior AC (2023) identificou prevalência elevada de sintomas de exaustão emocional e baixa realização profissional em docentes do ensino básico, especialmente após o período pandêmico. Esses achados reforçam que o ambiente escolar, marcado por sobrecarga de tarefas, baixa valorização profissional e insuficiência de suporte institucional, é terreno fértil para o surgimento de quadros de adoecimento mental. Batista TR e Oliveira LF (2022) destacam que, diante da ausência de políticas efetivas de prevenção, o Burnout docente tende a se tornar um problema estrutural, afetando tanto o desempenho educacional quanto a qualidade de vida dos profissionais. Além disso, observa-se que muitos professores naturalizam o estresse intenso como parte da profissão, reduzindo a probabilidade de buscarem ajuda especializada e contribuindo para o agravamento do quadro.

Além do impacto psicológico, o burnout apresenta repercussões físicas, sociais e organizacionais, sendo associado ao absenteísmo, à intenção de desligamento e à rotatividade profissional, fenômenos que refletem a sobrecarga emocional e a insatisfação laboral dos docentes (ZHANG Q; LI X; GAMBLE JH, 2022). Em contextos de educação infantil, esses efeitos são ainda mais evidentes, visto que o trabalho demanda constante envolvimento emocional, paciência e sensibilidade nas interações com as crianças e suas famílias (PEREIRA FR; FREITAS DS; RAMOS DS, 2021). A literatura também evidencia que, quanto menores as crianças atendidas, maior tende a ser a exigência afetiva sobre o profissional, uma vez que o docente cumpre simultaneamente papéis de educador, cuidador e referência emocional.

Estudos nacionais indicam que os docentes da educação básica estão entre as categorias profissionais mais suscetíveis ao adoecimento mental, em virtude das múltiplas exigências, sobrecarga de trabalho e falta de reconhecimento, sendo a síndrome de burnout um dos principais distúrbios relacionados diretamente à atividade docente (OLIVEIRA EC; SANTOS GT, 2021). A pressão por resultados, o acúmulo de demandas burocráticas e a escassez de espaços institucionais de acolhimento reforçam um cenário adverso à saúde mental dos profissionais.

Na cidade de Rio Verde, Goiás, esse cenário tem sido percebido de forma empírica pelas equipes gestoras das escolas municipais. Embora faltem levantamentos epidemiológicos sistematizados, relatos das coordenações pedagógicas e das próprias equipes de saúde apontam para aumento expressivo nos afastamentos por motivos de saúde mental entre professores e servidores da educação infantil. Paralelamente, dados oficiais mostram que Rio Verde possui uma das redes municipais mais amplas do estado, com dezenas de CMEIs e mais de 10 mil matrículas na educação infantil, alcançando índices de alfabetização de 86%, acima da média nacional (PREFEITURA DE RIO VERDE, 2025). Esse avanço, contudo, vem acompanhado de uma carga emocional significativa para os profissionais que sustentam o processo educativo, o que evidencia a necessidade de programas de acolhimento, prevenção e fortalecimento psicossocial dentro das instituições escolares.

Diante dessa realidade, o Programa de Extensão “Escola que Acolhe: Saúde Mental para Educadores”, desenvolvido pelas faculdades de Enfermagem, Psicologia e Medicina da Universidade de Rio Verde (UniRV), foi implantado no Centro Municipal de Educação Infantil Maria Joana Perpétuo no segundo semestre de 2025, com o propósito de promover a conscientização e prevenção da síndrome de burnout entre os trabalhadores da educação infantil. Inicialmente planejado para abordar temas como ansiedade, depressão e síndrome do pânico, o programa foi reformulado para concentrar esforços na prevenção do esgotamento ocupacional, dada sua incidência crescente e direta relação com o ambiente escolar. A reformulação ocorreu após escuta ativa da gestão escolar, que relatou níveis preocupantes de desgaste emocional entre os educadores, indicando uma demanda urgente por ações de cuidado.

A proposta baseou-se em uma abordagem interdisciplinar entre Enfermagem, Psicologia e Medicina, valorizando a escuta, o acolhimento e a construção coletiva de estratégias de enfrentamento e autocuidado. Assim, buscou-se contribuir para a melhoria da qualidade de vida dos profissionais da educação, ao mesmo tempo em que se fomentou o diálogo entre universidade e comunidade escolar, consolidando a indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão. Este artigo tem como objetivo relatar a experiência vivenciada durante a execução do programa, destacando os métodos utilizados, as percepções dos participantes e as contribuições dessa intervenção para a promoção da saúde mental no ambiente educacional de Rio Verde (GO).

Essa iniciativa reforça a relevância das ações extensionistas como estratégia de promoção da saúde mental entre educadores, integrando ensino, pesquisa e extensão no enfrentamento do esgotamento ocupacional docente. Trata-se de atividade extensionista com aplicação de instrumento (OLBI) mediante TCLE. Não houve identificação individual. A experiência seguiu os princípios éticos vigentes; por se tratar de relato sem dados individualizados, não demandou apreciação de CEP.

2 RELATO DE EXPERIÊNCIA

O Programa de Extensão “Escola que Acolhe: Saúde Mental para Educadores” foi desenvolvido entre setembro e dezembro de 2025, a partir de uma parceria entre a Universidade de Rio Verde (UniRV), a Secretaria Municipal de Educação e o Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) Maria Joana Perpétuo, em Rio Verde (GO). A experiência teve como propósito integrar ações de diagnóstico, sensibilização e promoção da saúde mental, com foco na prevenção da síndrome de burnout entre profissionais da educação infantil. O desenvolvimento das atividades seguiu uma sequência metodológica estruturada em etapas articuladas, que envolveram planejamento, formação dos extensionistas, execução das ações em campo e avaliação reflexiva dos resultados. 

Trata-se de um projeto que, além do objetivo imediato de prevenção do adoecimento psíquico, buscou fortalecer o diálogo entre universidade e comunidade escolar, reconhecendo o papel estratégico das instituições de ensino superior na promoção do cuidado integral.

Na etapa inicial, os docentes orientadores dos cursos de Enfermagem, Psicologia e Medicina realizaram o planejamento pedagógico das ações, definindo objetivos, estratégias e instrumentos de avaliação. Esse momento de alinhamento interprofissional foi essencial para assegurar coerência entre os fundamentos teóricos e a prática extensionista, promovendo uma visão integrada da saúde mental no ambiente escolar.

Também foram discutidos aspectos éticos, logísticos e pedagógicos, como definição das abordagens de acolhimento, distribuição das funções dos extensionistas e adequação das metodologias ao contexto da educação infantil. A segunda etapa consistiu na capacitação dos acadêmicos extensionistas, com oficinas teóricas e práticas sobre escuta empática, comunicação terapêutica, autocuidado e fundamentos conceituais da síndrome de burnout. Essa formação prévia possibilitou o preparo técnico e ético dos estudantes para a atuação em campo, fortalecendo competências essenciais à prática em saúde mental e à extensão universitária. Além disso, os acadêmicos puderam refletir sobre seu próprio autocuidado, reconhecendo que intervenções deste tipo exigem sensibilidade e preparo emocional.

A terceira etapa compreendeu a ação inicial no CMEI, com a participação de cerca de quarenta profissionais, entre docentes, auxiliares, coordenação e equipe administrativa. Nessa fase, foi aplicada presencialmente a Escala de Burnout de Oldenburg (OLBI), mediante assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). Após a aplicação, realizou-se uma roda de conversa que possibilitou aos participantes compartilharem suas percepções sobre o estresse ocupacional e o esgotamento emocional. Muitos relataram, pela primeira vez, a oportunidade de verbalizar seus sentimentos em um espaço de escuta qualificada. Em seguida, os acadêmicos promoveram uma atividade breve de relaxamento guiado, com técnicas simples de respiração e alongamento, voltadas à redução da tensão física e mental. Essa ação inicial permitiu levantar indicadores preliminares sobre a presença de sintomas de burnout e criar um espaço de acolhimento e reflexão entre os trabalhadores da educação, fortalecendo vínculos e promovendo sensação de pertencimento.

A quarta etapa consistiu na realização de uma nova ação educativa no CMEI, planejada a partir dos resultados da escala de burnout e das discussões qualitativas obtidas na fase anterior. A intervenção teve caráter devolutivo e formativo, buscando estimular práticas de autocuidado e fortalecer o vínculo entre os profissionais da educação. Durante a atividade, foram desenvolvidas vivências breves de alongamento e respiração consciente, seguidas de uma devolutiva participativa em formato de roda de conversa, na qual os resultados foram apresentados e debatidos à luz das experiências relatadas pelos próprios trabalhadores. O encontro foi finalizado com uma dinâmica simbólica, em que os participantes registraram atitudes pessoais voltadas à preservação da saúde mental, compondo um painel coletivo representando o compromisso institucional com o cuidado e o enfrentamento do esgotamento profissional. Essa ação consolidou o caráter interdisciplinar do projeto e reforçou a função social da universidade como promotora de bem-estar e saúde mental no ambiente escolar.

Após as ações presenciais, docentes e discentes reuniram-se novamente para sistematizar os resultados obtidos, elaborar um relatório técnico destinado à Secretaria Municipal de Educação e à Pró-Reitoria de Extensão da UniRV e planejar a produção científica derivada do projeto. Esse momento final foi marcado pela reflexão crítica sobre a prática extensionista, pela integração entre teoria e vivência e pela consolidação de produtos acadêmicos voltados à disseminação do conhecimento e à valorização do papel social da universidade. Houve ainda discussão sobre possibilidades de continuidade e ampliação do programa para outras unidades educacionais do município, dada a alta receptividade observada entre os profissionais.

Os resultados alcançados demonstraram impacto positivo tanto para a comunidade escolar quanto para os acadêmicos envolvidos. Entre os profissionais da educação infantil, observou-se aumento da percepção sobre fatores relacionados ao esgotamento emocional, maior valorização das estratégias de autocuidado e fortalecimento dos vínculos coletivos no ambiente de trabalho. Para os discentes, a experiência promoveu a integração entre teoria e prática, ampliando habilidades em comunicação, escuta qualificada, análise crítica e atuação interdisciplinar. Ademais, o projeto resultou em produções extensionistas relevantes, como relatórios técnicos, cartilhas educativas e artigos científicos, fortalecendo a visibilidade institucional e o compromisso da UniRV com a promoção da saúde mental e o desenvolvimento humano em contextos educacionais.

3 DISCUSSÃO 

A vivência proporcionada pelo Programa de Extensão “Escola que Acolhe: Saúde Mental para Educadores” evidenciou, de maneira concreta, os múltiplos fatores emocionais, organizacionais e relacionais envolvidos no adoecimento docente. Desde o primeiro encontro no CMEI Maria Joana Perpétuo, os resultados obtidos por meio da Escala de Burnout de Oldenburg (OLBI) e das rodas de conversa revelaram presença marcante de exaustão, sensação de sobrecarga, irritabilidade e redução do engajamento. Tais achados dialogam com Oliveira e Santos (2021), que descrevem níveis elevados de desmotivação entre docentes submetidos à intensificação das demandas e escassez de suporte institucional.

Durante a aplicação da OLBI, observou-se que muitos profissionais não reconheciam inicialmente os sinais de burnout, interpretando-os como parte natural do trabalho na educação infantil. Esse fenômeno de “normalização do sofrimento” é amplamente descrito na literatura, especialmente em contextos onde o cuidado emocional é elemento central do cotidiano profissional (Garcia-Carmona & Marqués-Pinto, 2020). Ao discutirem os resultados coletivamente, os participantes passaram a compreender que o desgaste percebido não era individual, mas compartilhado e estrutural.

As rodas de conversa demonstraram grande potencial de fortalecimento dos vínculos entre os profissionais, reduzindo o isolamento emocional e criando um espaço seguro para expressão de sentimentos. Essa dimensão relacional é fundamental para prevenção do burnout, uma vez que o apoio social reduz significativamente o impacto das demandas ocupacionais (Skaalvik & Skaalvik, 2021). No CMEI, a sensação de pertencimento e reconhecimento compartilhado emergiu com intensidade ao final das vivências, revelando a importância de espaços institucionais que favoreçam o diálogo e o acolhimento.

As práticas de respiração consciente, alongamento e relaxamento, mesmo breves, produziram efeitos imediatos relatados pelos participantes, como leveza, redução da tensão muscular e melhora da concentração. Estudos mostram que intervenções simples de autorregulação emocional, quando realizadas regularmente, diminuem indicadores de estresse fisiológico e ampliam a percepção de controle subjetivo (Emerson et al., 2020). Assim, as práticas adotadas mostraram-se adequadas ao contexto escolar, onde o tempo é limitado e o desgaste é contínuo.

A devolutiva realizada no segundo encontro também gerou resultados importantes. Ao visualizar graficamente seus níveis de burnout, os profissionais passaram a refletir sobre sua rotina laboral, propondo reorganização de tarefas, pausas conscientes e estratégias de comunicação com a gestão. Esse movimento coletivo confirma as premissas do modelo Job Demands–Resources (JD-R), segundo o qual o equilíbrio entre demandas e recursos institucionais determina a probabilidade de adoecimento (Huo et al., 2025). A intervenção demonstrou que, ao participarem da análise de suas condições de trabalho, os docentes desenvolvem maior percepção de autoeficácia.

Outro aspecto observado foi o impacto da intervenção sobre o reconhecimento simbólico do trabalho docente. Muitos relataram que raramente possuem espaços para validação emocional ou para refletirem sobre a importância de suas práticas, algo identificado na literatura como fator protetor contra exaustão. Fiorilli et al. (2020) mostram que a valorização profissional tem efeito direto na autoestima e na redução do desgaste emocional, corroborando a importância das atividades realizadas no CMEI.

Do ponto de vista formativo, a natureza interprofissional do projeto — envolvendo Enfermagem, Psicologia e Medicina — ampliou significativamente a qualidade da intervenção, oferecendo múltiplos olhares para um mesmo fenômeno. Estudos recentes apontam que práticas interdisciplinares tornam as ações de promoção de saúde mental mais sensíveis, integradas e eficazes (Salmela-Aro et al., 2022). No projeto, essa integração se expressou tanto na escolha da metodologia quanto na condução acolhedora das atividades.

Além dos achados já discutidos, a experiência revelou a necessidade urgente de institucionalizar práticas permanentes de cuidado docente. Muitos participantes relataram nunca ter participado de ações voltadas especificamente à sua saúde mental, o que reforça o caráter inaugural da intervenção e sua relevância enquanto política escolar emergente. A literatura demonstra que escolas que incorporam programas estruturados de bem-estar apresentam menor prevalência de adoecimento e maior satisfação profissional (Salmela-Aro et al., 2022). Somado a isso, observou-se um interesse crescente dos próprios educadores em replicar algumas das práticas aprendidas, como pausas de respiração e momentos curtos de alongamento coletivo, indicando que a intervenção despertou senso de autonomia e corresponsabilidade no cuidado.

Outro ponto emergente foi a dificuldade relatada pelos profissionais em diferenciar cansaço comum de sinais precoces de burnout, o que confirma a importância de ações de educação em saúde capazes de promover alfabetização emocional. A intervenção demonstrou ser espaço eficaz para esse tipo de aprendizado, fortalecendo a capacidade de autoproteção e fomentando um olhar mais crítico sobre as condições reais de trabalho.

Por fim, evidencia-se o potencial de replicabilidade do programa em outros CMEIs da rede municipal. Intervenções de baixo custo, sustentadas na escuta qualificada, na interprofissionalidade e em práticas simples de autocuidado, têm grande capacidade de impacto quando inseridas em ambientes educacionais (Emerson et al., 2020). Assim, os resultados obtidos demonstram que a extensão universitária é caminho potente para promoção da saúde mental docente, articulando cuidado, ciência e transformação social, e criando bases para a construção de políticas institucionais mais amplas voltadas ao bem-estar emocional dos trabalhadores da educação.

AGRADECIMENTOS

Os autores agradecem à Secretaria Municipal de Educação de Rio Verde (GO) pelo apoio e parceria na execução das atividades extensionistas que possibilitaram o desenvolvimento deste projeto, contribuindo para a promoção da saúde mental e o bem-estar dos profissionais da educação infantil do município.

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 1Docente da Faculdade de Enfermagem – Universidade de Rio Verde (UniRV), Rio Verde – Goiás. Mestre em Gerontologia (UCB). e-mail: lair@unirv.edu.br

2Docente da Faculdade de Enfermagem – Universidade de Rio Verde (UniRV), Rio Verde – Goiás. Doutoranda em Ergonomia (FMH). e-mail: viviana.csc@hotmail.com

3Acadêmica de Medicina, Universidade de Rio Verde (UniRV), Rio Verde – Goiás. E-mail:  nmcbernardes@gmail.com

4Acadêmica de Medicina, Universidade de Rio Verde (UniRV), Rio Verde – Goiás. E-mail: vitoria_marra@hotmail.com

5Acadêmico de Psicologia, Universidade de Rio Verde (UniRV), Rio Verde – Goiás. E-mail: jsylvajhs@gmail.com

6Acadêmica de Medicina, Universidade de Rio Verde (UniRV), Rio Verde – Goiás. E-mail: mynara.dcastro@gmail.com 

7Acadêmica de Medicina, Universidade de Rio Verde (UniRV), Rio Verde – Goiás. E-mail: yasminairesmaia6294@gmail.com

8Acadêmico de Psicologia, Universidade de Rio Verde (UniRV), Rio Verde – Goiás. E-mail: vitorferreirarv01@gmail.com

9Acadêmica de Enfermagem, Universidade de Rio Verde (UniRV), Rio Verde – Goiás. E-mail: alinealves3086@gmail.com

10Acadêmica de Enfermagem, Universidade de Rio Verde (UniRV), Rio Verde – Goiás. E-mail: karlamds100789@gmail.com

11Enfermeira, Secretaria Municipal de Educação de Rio Verde, Rio Verde – Goiás. E-mail: lucienro@gmail.com

12 Terapeuta Ocupacional, Fundação de Saúde (HRMS). E-mail: dibardella@hotmail.com