EXPLANTAÇÃO DE IMPLANTE ÓSSEO INTEGRADO COM AUXÍLIO DE TREFINA

EXPLANATION OF INTEGRATED BONE IMPLANT WITH THE AID OF TREPHINE

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/pa10202510261945


Victor Ferreira de Andrade 1
Rodrigo Marocchio Pavane 2


Resumo

A Implantodontia tem se consolidado como uma das principais alternativas para reabilitação oral, proporcionando resultados estéticos e funcionais duradouros. Contudo, falhas mecânicas e biológicas, como fraturas de parafusos e perda de estabilidade, podem comprometer a osseointegração, exigindo a remoção do implante. Diante disso, o presente estudo teve como objetivo relatar e discutir um caso clínico de explantação de implante ósseo integrado com o uso de broca trefina, destacando a aplicabilidade e segurança da técnica. Trata-se de um relato de caso clínico, de natureza descritiva e qualitativa, desenvolvido em ambiente ambulatorial, no qual uma paciente apresentou fratura do parafuso protético na região do dente 25, impossibilitando a recuperação do componente. O procedimento foi realizado sob anestesia local, com uso de broca trefina de 4,0 mm acoplada ao contra-ângulo de implantes, irrigação contínua e baixa rotação. Após a remoção completa do implante, o alvéolo foi preenchido com enxerto ósseo bovino GenOx Inorg Esponjoso e suturado com fio de nylon 3-0. Os resultados clínicos mostraram preservação das corticais ósseas, hemostasia adequada e ausência de complicações pós-operatórias, demonstrando a previsibilidade e a eficiência da técnica. Conclui-se que o uso da broca trefina representa uma alternativa segura e eficaz para remoção de implantes fraturados, permitindo o controle do desgaste ósseo e a manutenção da anatomia alveolar. A técnica mostrou-se reprodutível, com excelente resposta cicatricial e potencial de aplicação em casos semelhantes na prática implantodôntica.

Palavras-chave: Implantes dentários. Implantação endo-óssea. Trefina. Broca cirúrgica.

      1 INTRODUÇÃO

      A Implantodontia consolidou-se como uma das principais áreas de reabilitação oral, permitindo a restauração funcional e estética de pacientes edêntulos com altos índices de sucesso clínico. No entanto, complicações mecânicas e biológicas podem comprometer a osseointegração, levando à necessidade de explantação do implante (Selvaraj et al., 2024). Entre as causas mais frequentes estão a fratura do implante, a peri-implantite avançada e o mal posicionamento tridimensional, que, se não tratados, resultam em perda óssea significativa e risco de infecção (Delantoni; Sengun; Orhan, 2025).

      A remoção cirúrgica de implantes osseointegrados exige técnicas que minimizem danos às estruturas adjacentes. Dentre os métodos disponíveis como o Counter-Torque Ratchet Technique (CTRT), a piezocirurgia e o uso de lasers , o uso da broca trefina permanece como abordagem clássica, eficaz e amplamente utilizada para explantação controlada (Tafuri et al., 2023). Essa técnica baseia-se na remoção circunferencial do osso em torno do implante, permitindo a extração segura do conjunto sem fraturas adicionais ou deformação do leito receptor (Hamdoon et al., 2021).

      Estudos recentes destacam que, quando associada a irrigação adequada e planejamento radiográfico tridimensional (TCFC), a trefina proporciona remoção previsível, rápida e com baixo risco de complicações (Saif; Ali; Ahmed, 2024). No caso relatado neste estudo, a técnica foi aplicada com sucesso na região do dente 25, utilizando uma trefina de 4,0 mm e posterior enxertia com osso bovino sintético, resultando em cicatrização satisfatória e preservação do rebordo alveolar.

      Dessa forma, o presente estudo tem como objetivo relatar e discutir a explantação de um implante ósseo integrado com auxílio de trefina, destacando os aspectos clínicos, técnicos e de segurança que justificam o uso dessa abordagem na prática cirúrgica.

      2 REVISÃO DA LITERATURA

      2.1 Conceitos Gerais sobre a Implantodontia e a Osseointegração

      A Implantodontia consolidou-se como uma das principais áreas da odontologia reabilitadora, possibilitando a restauração funcional e estética de pacientes parcial ou totalmente edêntulos com previsibilidade e longevidade clínicas elevadas. Desde as descobertas de Per-Ingvar Brånemark, na década de 1950, a técnica de ancoragem de dispositivos de titânio ao osso vivo transformou-se em um marco na reabilitação oral (Kochar; Reche; Paul, 2022). O conceito de osseointegração, proposto por Albrektsson (1981), é definido como uma conexão direta, estrutural e funcional entre o osso vital e a superfície do implante, sem presença de tecido fibroso interposto, resultando em uma fixação rígida e assintomática.

      Diversos fatores influenciam o sucesso desse processo, como a qualidade óssea, o design e tratamento de superfície do implante, a técnica cirúrgica, e o tipo de carga protética aplicada (Pandey; Rokaya; Bhattarai, 2022). Estudos demonstram que a temperatura intraóssea durante a perfuração deve ser controlada abaixo de 47 °C para evitar necrose celular e comprometimento da integração (Omar et al., 2022). Além disso, a geometria macro e microtexturizada do implante, associada à biocompatibilidade do titânio, favorece a adesão de proteínas osteogênicas e a diferenciação de osteoblastos, acelerando o processo de regeneração óssea.

      Pesquisas complementares apontam que o controle do aquecimento ósseo e a utilização de sistemas de perfuração otimizados, como as brocas Densah, reduzem o estresse térmico e aumentam a estabilidade primária dos implantes (Gharge et al., 2025). Mincu et al. (2021) também destacam que a avaliação da osseointegração por métodos clínicos e radiográficos é essencial para determinar a longevidade das reabilitações. Além disso, estudos bibliométricos recentes demonstram que o número de publicações sobre complicações implantodônticas tem crescido significativamente, evidenciando a relevância científica e clínica do tema (Asbaihi et al., 2025; Khan; Kazmi; Siddiqui, 2022).

      Winnen et al. (2021) ressaltam que, embora as taxas de sucesso dos implantes ultrapassem 95% em dez anos de acompanhamento, falhas mecânicas e biológicas ainda podem ocorrer devido a sobrecarga oclusal, infecção peri-implantar ou fadiga do material. De forma semelhante, Verma et al. (2023) destacam que as complicações mecânicas como afrouxamento de parafusos e fraturas exigem atenção equivalente às biológicas, pois impactam diretamente na longevidade das reabilitações. Assim, compreender os fundamentos da osseointegração é essencial para o desenvolvimento de protocolos cirúrgicos e protéticos que garantam estabilidade funcional, integração tecidual e durabilidade do tratamento reabilitador.

      2.2 Complicações Associadas a Implantes Osseointegrados

      Apesar das elevadas taxas de sucesso dos implantes dentários, diversas complicações biológicas, mecânicas e estéticas ainda representam desafios clínicos significativos na Implantodontia. As complicações biológicas estão relacionadas a processos inflamatórios que comprometem a integridade dos tecidos peri-implantares, sendo a peri-implantite e a mucosite as mais recorrentes (Hamdoon et al., 2021).

      A peri-implantite caracteriza-se por inflamação progressiva associada à perda óssea marginal, podendo culminar na falência da osseointegração, enquanto a mucosite é uma condição reversível restrita aos tecidos moles. Fatores como má higienização, tabagismo, histórico de doença periodontal e sobrecarga oclusal são considerados determinantes para o desenvolvimento dessas alterações (Saif; Ali; Ahmed, 2024).

      As complicações mecânicas incluem fratura do implante, afrouxamento de parafusos e falhas nas conexões protéticas, geralmente decorrentes de tensões excessivas ou fadiga do material (Yu; Kim, 2020). A sobrecarga oclusal e a má distribuição das forças mastigatórias podem provocar deformações estruturais e perda da estabilidade mecânica. Verma et al. (2023) apontam que essas complicações representam parcela significativa das falhas tardias, podendo atingir de 5% a 7% dos implantes após dez anos, especialmente em pacientes com hábitos parafuncionais, como o bruxismo.

      Já as complicações estéticas e funcionais estão frequentemente associadas ao mal posicionamento tridimensional dos implantes, o que pode gerar desarmonia facial e dificuldades protéticas (Delantoni; Sengun; Orhan, 2025). O posicionamento inadequado, além de comprometer o resultado estético, aumenta o risco de reabsorção óssea e sobrecarga em regiões críticas. Srinath, Chowdary e Damodar (2023) acrescentam que a falta de planejamento tridimensional e o uso incorreto de instrumentação rotatória são fatores que potencializam essas falhas intra e pós-operatórias, exigindo atenção redobrada do cirurgião.

      2.3 Técnicas de Explantação de Implantes Dentários

      A remoção de implantes dentários osseointegrados é um procedimento complexo que requer técnicas capazes de preservar o osso alveolar e minimizar o trauma cirúrgico. A literatura recente apresenta diversos métodos para a explantação de implantes, os quais variam em grau de invasividade, tempo cirúrgico e taxa de preservação óssea.

      A Counter-Torque Ratchet Technique (CTRT) é considerada o método menos invasivo e mais conservador. Consiste na aplicação de um torque reverso controlado por meio de um dispositivo mecânico acoplado à conexão interna do implante, permitindo a ruptura progressiva da interface osso-implante (Winnen et al., 2021). Tafuri et al. (2023) relatam taxas de sucesso superiores a 90%, com mínima perda óssea e possibilidade de reimplante imediato, desde que o torque aplicado não ultrapasse 200 N·cm.

      Outra alternativa amplamente estudada é a piezocirurgia, que utiliza vibrações ultrassônicas em alta frequência para promover microcortes seletivos no osso, preservando tecidos moles e estruturas adjacentes. Segundo Selvaraj et al. (2024), essa técnica proporciona excelente visibilidade operatória, menor sangramento e regeneração óssea mais rápida, sendo indicada para áreas estéticas e regiões de baixa densidade óssea.

      Os lasers Er:YAG e CO₂ representam métodos emergentes de desosseointegração controlada, atuando por ablação térmica na superfície óssea ao redor do implante. Zhang et al. (2024) observaram que, quando aplicados com parâmetros adequados de energia e tempo de exposição, os lasers reduzem o torque de remoção e o risco de necrose térmica, favorecendo a preservação óssea tridimensional.

      Por outro lado, o uso de trefinas e brocas circulares permanece como técnica clássica e amplamente difundida na explantação mecânica, especialmente indicada em casos de implantes fraturados, sem acesso interno ou com perda da conexão protética (Beri et al., 2025). Embora mais invasiva, a trefinação é eficaz e previsível quando realizada com irrigação abundante e controle de profundidade. Kavčič e Božič (2021) reforçam que, em casos de overdentures e fraturas profundas, a trefina se mostra mais segura por reduzir o risco de perfurações estruturais e preservar o volume ósseo residual.

      2.4 Uso da Trefina na Explantação de Implantes Osseointegrados

      A trefinação é um método cirúrgico consagrado para a remoção de implantes osseointegrados, especialmente útil quando não há acesso à conexão interna (implante fraturado/cimentado) ou quando técnicas conservadoras falham. O princípio consiste em desgastar, de forma controlada, uma fina camada óssea circunferencial ao redor do implante por meio de brocas cilíndricas ocas (trefinas), até que a interface osso–implante seja suficientemente afrouxada para permitir a extração com alavancas delicadas ou fórceps. Para reduzir necrose térmica, emprega-se irrigação contínua com solução salina e baixa rotação, mantendo a temperatura intraóssea < 47 °C (Tafuri et al., 2023; Hamdoon et al., 2021).

      A seleção clínica da técnica deve considerar: (i) localização anatômica em maxila posterior, atenção à proximidade do seio maxilar e da artéria alveolar posterior; em mandíbula posterior, respeito ao nervo alveolar inferior; (ii) densidade óssea em osso denso (D1–D2) requer-se torque mais elevado e trefinas com fio ativo eficiente; em osso esponjoso (D3–D4) é mandatória a contenção do calor com irrigação abundante; (iii) diâmetro e comprimento do implante seleciona-se trefina cujo diâmetro interno seja ligeiramente maior que o diâmetro externo  do  implante,  para  evitar  roçamento  metálico,  e  com  marcas  de profundidade/limitadores compatíveis com o comprimento do fixture; (iv) extensão e nível da fratura fraturas cervicais permitem acesso mais previsível; fraturas apicais exigem maior remoção óssea e, por vezes, janela lateral (Hamdoon et al., 2021).

      A literatura mostra que a trefina apresenta alta previsibilidade quando integrada a planejamento tridimensional (TCFC), controle de torque e irrigação copiosa, possibilitando preservação volumétrica aceitável do rebordo e reabilitação subsequente com enxertia e/ou reimplante, a depender do defeito (Tafuri et al., 2023). Em séries clínicas de deslocamento para o seio maxilar, abordagens laterais com trefina/osteotomia guiada permitiram remoção rápida e segura, com baixa morbidade e resolução dos sintomas sinusais no seguimento (Hamdoon et al., 2021).

      Estudos recentes também enfatizam a importância da enxertia imediata pós- explantação com biomateriais xenógenos, que favorecem a regeneração óssea e mantêm a morfologia do rebordo (Raghoebar; Meijer; Vissink, 2024; Nasser et al., 2022). Além disso, Senent-Vicente et al. (2023) destacam que a eficiência da trefina pode ser potencializada com o uso de instrumentos mecânicos de remoção controlada, reduzindo o tempo operatório e o trauma tecidual.

      Relatos clínicos recentes descrevem preservação do rebordo alveolar e possibilidade de reimplante no mesmo sítio após trefinação criteriosa, sobretudo quando se reposiçãoa o “botão” ósseo corticado como tampa e se realiza enxertia imediata para conter o defeito. Em síntese, a trefina permanece técnica de eleição em cenários de fratura e acesso comprometido, desde que aplicada com planejamento, irrigação e controle térmico rigorosos (Tafuri et al., 2023; Hamdoon et al., 2021).

      3 METODOLOGIA

      O presente estudo caracteriza-se como um relato de caso clínico de natureza qualitativa, descritiva e aplicada, cujo objetivo foi apresentar o protocolo clínico e cirúrgico empregado na explantação de um implante ósseo integrado com auxílio de trefina, bem como discutir a aplicabilidade e segurança dessa técnica à luz da literatura científica recente.

      A pesquisa foi desenvolvida a partir de duas etapas complementares: a revisão bibliográfica sistematizada e o relato clínico. A primeira etapa envolveu a busca de publicações indexadas nas bases PubMed/MEDLINE, SciELO e Google Acadêmico, utilizando os descritores em português e inglês: Implantes dentários; Implantação endo-óssea; Trefina; Broca cirúrgica; Dental Implants; Endosseous; Trephines; Surgical Bur. Foram aplicados operadores booleanos AND e OR, restringindo os resultados a artigos publicados entre 2020 e 2025, disponíveis em texto completo e gratuito. Após triagem e exclusão de duplicatas, 25 artigos foram selecionados segundo critérios de relevância e atualização.

      A segunda etapa consistiu na observação clínica direta de um caso realizado na clínica odontológica, envolvendo paciente do sexo feminino que apresentou fratura do parafuso protético e impossibilidade de recuperação do componente. Optou-se pela remoção do implante da região do dente 25 com o uso de uma broca trefina de 4,0 mm, sob anestesia local, irrigação contínua com soro fisiológico estéril e baixa rotação, visando à preservação das paredes ósseas. Após a remoção, realizou-se enxertia óssea com biomaterial bovino sintético, seguida de sutura com fio de nylon 3-0.

      Os dados clínicos e as informações obtidas na revisão de literatura foram analisados de forma descritiva e comparativa, permitindo correlacionar os achados do caso prático com as evidências científicas atuais sobre as técnicas de explantação de implantes osseointegrados.

      4 RELATO DE CASO

      A paciente compareceu ao atendimento relatando mobilidade da prótese. Após avaliação clínica e radiográfica, constatou-se a fratura do parafuso protético, com impossibilidade de remoção do fragmento alojado no interior do implante (Figura 1).

      Figura 1 – Imagem inicial da paciente

      Fonte: Arquivo próprio.

      O procedimento cirúrgico foi iniciado com a realização do bloqueio do nervo alveolar superior médio e com anestesia infiltrativa dos ramos terminais do nervo palatino maior, garantindo conforto e analgesia adequados durante toda a intervenção (Figura 2). O campo operatório foi preparado sob rigorosa assepsia com PVPI, assegurando condições ideais de biossegurança. Em seguida, procedeu-se à incisão e descolamento do retalho mucoperiostal, permitindo ampla visualização da região e exposição da plataforma do implante a ser removido (Figura 3). Após a divulsão tecidual, observou-se claramente o osso subjacente, conforme demonstrado na Figura 4.

      Figura 2 – Anestesia infiltrativa de ramos terminais do nervo palatino maior

      Fonte: Arquivo próprio.

      Figura 3 – Descolamento do retalho

      Fonte: Arquivo próprio.

      Figura 4 – Retalho descolado osso exposto

      Fonte: Arquivo próprio.

      Com o auxílio de uma broca trefina de 4,0 mm acoplada ao contra-ângulo de implantes, foi realizado desgaste ósseo minimamente invasivo ao redor do implante, de modo controlado e conservador (Figura 5). Esse processo permitiu a redução da ancoragem óssea, possibilitando a mobilização do implante por meio de movimentos de cunha cuidadosamente executados até sua luxação (Figura 6.1 e 6.2). Após o amolecimento da interface óssea, utilizou-se um alveolótomo para a exérese completa do implante, conforme evidenciado nas Figuras 7 e 8. A Figura 9 ilustra os principais instrumentos empregados nesta etapa: a lâmina de bisturi 15C, o implante removido e a broca trefina 4.0 mm.

      Figura 5 – Desgaste ósseo minimamente invasivo com auxílio de uma broca trefina 4.0 acoplada ao contra ângulo de implante

      Fonte: Arquivo próprio.

      Figura 6.1 – Aspecto final do desgaste ao redor do pescoço do implante

      Fonte: Arquivo próprio.

      Figura 6.2 – Movimento de cunha para luxação deste implante

      Fonte: Arquivo próprio.

      Figura 7 – Posicionamento do alveolótomo para exérese do implante já luxado.

      Fonte: Arquivo próprio.

      Figura 8 – Exérese do implante

      Fonte: Arquivo próprio.

      Figura 9 – Lâmina de bisturi 15C, Implante removido e a broca trefina 4.0

      Fonte: Arquivo próprio.

      Com o implante removido, o alvéolo cirúrgico foi imediatamente preenchido com enxerto ósseo bovino GenOx Inorg Esponjoso, material biocompatível indicado para regeneração óssea guiada (Figuras 10 e 11). O enxerto foi acomodado cuidadosamente, preenchendo o defeito e restabelecendo o volume ósseo alveolar.

      Figura 10 – Enxerto ósseo bovino da marca Genox sendo colocado no alvéolo cirúrgico.

      Fonte: Arquivo próprio.

      Figura 11 – Enxerto ósseo Genox já acomodado

      Fonte: Arquivo próprio.

      Na sequência, realizou-se a síntese tecidual com fio de nylon 3-0 em pontos simples, obtendo excelente coaptação dos bordos e hemostasia adequada, como se observa na Figura

      12. A Figura 13 apresenta a bancada organizada com todos os materiais utilizados durante o procedimento, destacando o controle asséptico e a disposição instrumental.

      Figura 12 – Aspecto final após a síntese com fio de nylon 3-0

      Fonte: Arquivo próprio.

      Figura 13 – Bancada com os materiais utilizados

      Fonte: Arquivo próprio.

      As Figuras 14 e 15 mostram, respectivamente, a broca trefina longa de 4,0 mm utilizada no desgaste ósseo e o frasco do enxerto ósseo GenOx Inorg Esponjoso, ambos fundamentais para o sucesso cirúrgico obtido.

      Figura 14 – Broca longa trefina 4.0

      Fonte: Arquivo próprio.

      Figura 15 – Frasco do Enxerto Ósseo Genox

      Fonte: Arquivo próprio.

      5 RESULTADOS E DISCUSSÕES

      Os resultados obtidos neste relato de caso confirmam a eficácia da técnica de explantação com broca trefina de 4,0 mm na remoção controlada de implantes osseointegrados, apresentando desempenho condizente com os achados descritos por Tafuri et al. (2023) e Hamdoon et al. (2021), que destacam o método como previsível, seguro e de baixa morbidade quando associado à irrigação abundante e planejamento tridimensional. A remoção do implante na região do dente 25 foi realizada sem danos às corticais ósseas e sem complicações pós-operatórias, permitindo a preservação volumétrica do rebordo alveolar e a posterior reconstrução com enxerto ósseo bovino GenOx Inorg Esponjoso, conforme recomendado por Raghoebar, Meijer e Vissink (2024) para reabilitações imediatas após falhas mecânicas.

      Comparando-se o caso relatado às teorias apresentadas na fundamentação teórica, observa-se que a técnica de trefinação reafirma as conclusões de Beri et al. (2025) e Delantoni, Şengün e Orhan (2025), segundo as quais as fraturas de implantes representam uma das causas mais comuns de explantação tardia, especialmente em situações de fadiga do material e sobrecarga oclusal. A impossibilidade de remoção do parafuso fraturado no presente caso justifica a indicação da trefina, que, conforme Winnen et al. (2021), é o método de eleição quando o acesso interno está comprometido. Ademais, o desgaste circunferencial minimamente invasivo realizado corroborou as recomendações de Saif, Ali e Ahmed (2024), que ressaltam a importância do controle térmico e da rotação reduzida para evitar necrose óssea e preservar a morfologia alveolar.

      Do ponto de vista biológico, o uso do enxerto bovino mostrou resultados compatíveis com os relatados por Zhang et al. (2024), que observaram elevada biocompatibilidade e potencial osteocondutor desse biomaterial, favorecendo o preenchimento do defeito e a regeneração óssea guiada. A cicatrização observada após a síntese com fio de nylon 3-0 foi satisfatória, sem sinais de deiscência, corroborando os princípios descritos por Omar et al. (2022) quanto à importância da estabilização tecidual e da hemostasia para o sucesso pós- operatório.

      Assim, a associação entre técnica cirúrgica criteriosa, planejamento prévio e uso adequado de biomateriais confirmou as vantagens descritas por Selvaraj et al. (2024) e Pandey, Rokaya e Bhattarai (2022), demonstrando que a trefinação é um procedimento previsível e reprodutível para remoção de implantes comprometidos.

      6 CONCLUSÃO

      O presente estudo permitiu demonstrar a efetividade da técnica de remoção de implantes osseointegrados com o uso de broca trefina, evidenciando que se trata de um procedimento seguro, controlado e com excelente previsibilidade clínica quando executado sob planejamento adequado. A abordagem adotada possibilitou a remoção completa do implante fraturado, preservando a integridade das paredes ósseas e minimizando o trauma cirúrgico, fatores essenciais para a manutenção da morfologia alveolar e para o sucesso da reabilitação futura.

      A aplicação criteriosa da técnica, aliada à irrigação constante e à baixa rotação, contribuiu para evitar o superaquecimento ósseo e reduzir o risco de necrose, proporcionando um ambiente propício à regeneração tecidual. A utilização imediata do enxerto ósseo bovino no alvéolo cirúrgico promoveu o preenchimento do defeito ósseo, mantendo o volume alveolar e favorecendo o processo de osteocondução. O controle de assepsia, a organização instrumental e a sutura adequada com fio de nylon 3-0 foram determinantes para uma cicatrização previsível e sem intercorrências pós-operatórias.

      Os resultados obtidos reforçam a importância do domínio técnico e do planejamento detalhado para a execução de procedimentos cirúrgicos em Implantodontia, especialmente em casos que envolvem falhas mecânicas e necessidade de explantação. A experiência clínica relatada demonstra que a combinação entre tecnologia, precisão operatória e uso de biomateriais adequados pode assegurar resultados funcionais e estéticos satisfatórios.

      Dessa forma, conclui-se que a remoção de implantes com broca trefina é uma alternativa eficaz e viável para situações em que há fratura de componentes ou comprometimento da osseointegração, oferecendo vantagens em termos de previsibilidade, segurança e preservação do tecido ósseo. A técnica mostrou-se aplicável na rotina clínica e representa uma solução confiável para o manejo de complicações implantodônticas, contribuindo para a excelência dos resultados reabilitadores e a satisfação do paciente.

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      1 Discente do Curso Superior de Odontologia do Ceproeducar / IESCAPI. e-mail: victorferreira_andrade@hotmail.com

      2 Docente do Curso Superior de Odontologia do Ceproeducar / IESCAPI. Mestre em Saúde Pública pela Universidad San Lorenzo, Especialista em Cirurgia Bucomaxilofacial e Implantodontia pelo Instituto Amazônia de Ensino Superior, e Especialista em Patologia Oral pela Faculdade Metropolitana de São Paulo. E-mail: rodrigomarocchio@gmail.com