EXOSKELETONS AS A THERAPEUTIC TOOL FOR THE HEALTH OF ELDERLY PEOPLE: INTEGRATIVE REVIEW
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ar10202511240855
Aline Pereira Santos Turibio Gomes
Cindy Kethley Barbosa Cardoso
Daylene dos Santos Gonçalves
Larissa Borges Pereira
Orientadora: Prof.ª Márcia Ramos da Silva do Nascimento
RESUMO
Objetivo: Analisar os benefícios e os desafios da terapia com exoesqueletos para a saúde de pessoas idosas. Métodos: Foi realizado busca por artigos publicados em periódicos com política de avaliação por pares, indexados nas bases de dados Scientific Electronic Library Online (SciELO), Biblioteca Virtual de Saúde (BVS), Portal de Periódicos da CAPES e Google Acadêmico. Resultados: A busca resultou em 210 literaturas, sendo selecionados 23 estudos com publicação nas janelas dos últimos 10 anos. Discussão: A utilização dos exoesqueletos robóticos tem representado uma tecnologia inovadora com bons resultados para melhorar a qualidade de vida das pessoas idosas, pacientes com AVC e pessoas com déficit motor. A era robótica tem favorecido conhecimentos tecnológicos e inovadores para o tratamento e reabilitação da marcha, além de integrar os indivíduos ao convívio social e profissional. Da mesma forma, a utilização da Interface Cérebro-Máquina e o dispositivo assistivo por 3D constituem inovações tecnológicas eficientes para auxiliar os pacientes nas terapias. Neste caso, a Tecnologia Assistiva surge como produtos e dispositivos inovadores para promover maior autonomia a pacientes com mobilidade reduzida. Conclusão: Foi possível concluir que as tecnologias utilizadas por meio de exoesqueletos surgiram como ferramentas terapêuticas promissoras para reabilitação das pessoas idosas, em razão da rigidez muscular, pessoas com AVC e o treinamento de marcha. No entanto, o alto custo dos equipamentos surgem como barreiras para a utilização dos pacientes, justamento pela impossibilidade de aquisição por parte de algumas clínicas de reabilitação, além da falta de regulamentação e investimento dos órgãos de saúde.
Palavras-chave: Terapias com Exoesqueletos. Déficit motor. Treinamento de Marcha.
ABSTRACT
Objective: To analyze the benefits and challenges of exoskeleton therapy for the health of elderly people. Methods: A search was conducted for articles published in peer-reviewed journals indexed in the Scientific Electronic Library Online (SciELO), Virtual Health Library (BVS), CAPES Journal Portal, and Google Scholar databases. Results: The search yielded 210 articles, from which 23 studies published within the last 10 years were selected. Discussion: The use of robotic exoskeletons has represented an innovative technology with good results in improving the quality of life of the elderly, stroke patients, and people with motor deficits. The robotic era has favored technological and innovative knowledge for the treatment and rehabilitation of gait, in addition to integrating individuals into social and professional life. Similarly, the use of Brain-Computer Interfaces and 3D assistive devices constitute efficient technological innovations to assist patients in therapies. In this case, Assistive Technology emerges as innovative products and devices to promote greater autonomy for patients with reduced mobility. Conclusion: It was possible to conclude that technologies using exoskeletons have emerged as promising therapeutic tools for the rehabilitation of elderly people, due to muscle stiffness, stroke patients, and gait training. However, the excessive cost of the equipment presents barriers to patient use, precisely because of the impossibility of acquisition by some rehabilitation clinics, in addition to the lack of regulation and investment from health agencies.
Keywords: Exoskeleton Therapies. Motor deficit. Gait Training.
1. INTRODUÇÃO
Exoesqueleto é um termo utilizado pela zoologia como um revestimento rígido externo para suporte e proteção do corpo. Em razão da semelhança com a estrutura natural também passou a ser utilizado por outros ramos da ciência como forma de alongar a extensão das órteses, promover suporte funcional e treinamento motor. Contudo, as órteses são estruturas rígidas que se destinam ao tratamento e correção de pacientes com doenças patológicas.14
A utilização dos exoesqueletos robóticos tem representado uma tecnologia inovadora com bons resultados para melhorar a qualidade de vida das pessoas com mobilidade reduzida. Desta forma, há uma relevância na utilização dos exoesqueletos nos casos de rigidez dos músculos, além do aumento do deslocamento da marcha, o que contribui para reeducar a marcha e a melhorar a força muscular. Essa tecnologia inovadora tem grande importância na complementação das terapias tradicionais, conforme mencionam os protocolos de pesquisas, através dos benefícios do tratamento.7
Na década de 1930, o cientista Richard Scherb criou um aparelhomovido por cabo para acionar as articulações nas terapias ortopédicas. Este foi o primeiro sistema de reabilitação robótica e baseou-se no movimento passivo contínuo. O objetivo era o robô movimentar as articulações por fatores pré-definidos, mesmo sem a contribuição do paciente. Estes exoesqueletos foram introduzidos em aplicações terapêuticas na década de 1970. A era robótica em 1989, culminou com a criação dos equipamentos aplicados para promover a resistência adaptada ao desempenho dos pacientes. Já em 1994, foram desenvolvidos os robôs de reabilitação para membros inferiores (MMII), com a função de ajudar no treinamento da marcha na esteira. Outros avanços contribuíram para que os exoesqueletos fossem utilizados também em membros superiores (MMSS). E seus efeitos têm sido avaliados por meio de ensaios clínicos randomizados.13
As estatísticas revelam que a estrutura etária da população é afetada pela elevação da expectativa de vida e a diminuição dos números de fecundidade. Essa realidade tem interferido nas mudanças recorrentes tanto nos fatores absolutos como relativos das populações. Com isso, a Organização das Nações Unidas estimou que no ano de 2020 havia no mundo 727 milhões de pessoas com 65 anos ou mais, com projeção para o crescimento absoluto de pessoas idosas até 2050 em todo o mundo, podendo totalizar 1,5 bilhão ou mais. Assim, verifica-se um crescimento relativo na população mundial de pessoas idosas, cujo percentual passará de 9,3% para 16% em nível mundial. A representação dos dados do envelhecimento populacional constitui subsídios importantes para o planejamento das ações da promoção de saúde e direitos fundamentais das pessoas idosas e de suas famílias.5
A era robótica tem favorecido conhecimentos tecnológicos e inovadores para o tratamento de indivíduos com déficit motor, além de integrá-los ao convívio social e profissional com melhor qualidade de vida. As diferentes técnicas com dispositivos mecânicos, elétricos sensoriais e a utilização e próteses tem permitido maior habilitação dos comandos de comunicação para os pacientes. No entanto, os estudos evidenciam que os sistemas robóticos são eficazes para o tratamento e terapia das pessoas com deficiência motora.16
A utilização da Interface Cérebro-Máquina (ICM) tem se destacado como uma tecnologia inovadora no campo da reabilitação neurológica, por sua capacidade de promover neuroplasticidade e reparação motora. Essa ferramenta funciona como um dispositivo de comunicação entre o cérebro e os mecanismos externos, como próteses e sistemas de estimulação elétrica, capazes de captar os sinais neurais para executar os movimentos de comando. A ICM é vista como uma tecnologia promissora para reabilitação de pacientes com a parte motora comprometida, pois tem função de recuperar e melhorar a mobilidade, promovendo maior autonomia, principalmente às pessoas idosas acometidas por acidente vascular encefálico (AVE). Entretanto, dois fatores constam como desafio para a implementação desta ferramenta, os declínios cognitivos, como a perda da memória, velocidade de atenção, o alto custo e o investimento limitado em ciência e tecnologia do Brasil, fatores que se tornam desafios para a implementação desta ferramenta na reabilitação de pessoas idosas.8
Da mesma forma, a Tecnologia Assistiva (TA) tem sido muito utilizada para ajudar na saúde. Essa ferramenta como produtos, dispositivos, metodologias e estratégias, e serviços que contribuem de forma prática para promover autonomia e melhorar a funcionalidade das pessoas com deficiência, mobilidade reduzida ou limitações funcionais em razão do envelhecimento.15 Portanto, o estudo tem como objetivo analisar os benefícios e os desafios da terapia com exoesqueletos para a saúde da pessoa idosa.
2 METODOLOGIA
Este trabalho consiste em uma revisão integrativa de literatura a partir da busca por artigos publicados em periódicos com política de avaliação por pares, indexados nas bases de dados Scientific Electronic Library Online (SciELO), Biblioteca Virtual de Saúde (BVS) e Portal de Periódicos da CAPES e Google Acadêmico. Foram utilizados os descritores: “Exoesqueletos, (“Exoesqueleto Energizado/CL” OR “Exoesqueleto Energizado/HI” OR “Exoesqueleto Energizado/SN” OR “Exoesqueleto Energizado/TD”) AND instance:”regional”,
2.1 Critério de Inclusão e Exclusão
Os artigos foram avaliados baseando-se nos seguintes critérios de inclusão: idioma inglês, português e espanhol e período de publicação numa janela dos últimos 10 anos, com relevância para o tema.
A busca inicial resultou em 210 literaturas. Foram excluídos na primeira fase por não apresentarem relevância para o tema, 184 estudos. Na segunda triagem, após a leitura e relevância do tema, foram excluídos 3 artigos. Para inclusão e discussão do tema, foram selecionados 23 estudos com publicação nas janelas dos últimos 10 anos (figura 1).

Fonte: Elaborada pelas autoras.
2.2 Processo de Seleção e Extração de Dados
Após triagem foram selecionadas 23 literaturas para análise dos benefícios e desafios da terapia com exoesqueletos em pessoas idosas. Sendo identificados estudos sobre reabilitação da marcha em pacientes pós-AVE, utilização da terapia robótica para recuperação de disfunções motoras, reabilitação com exoesqueletos e Tecnologia Assistiva para melhorar a funcionalidade e a mobilidade das pessoas por razão do envelhecimento e a terapia virtual com o dispositivo 3D.
3. RESULTADOS
Na análise dos dados, conforme inclusão dos artigos para revisão (Tabela 1) foi possível abordar as seguintes informações: Reconhecer os benefícios da utilização das terapias com exoesqueletos, como uma forma de reabilitar e oferecer melhor qualidade de vida a pessoas com lesão medular, AVC, deficientes, pessoas que apresentam déficit motor, mobilidade reduzida e limitações funcionais em razão do envelhecimento. Essas terapias têm demonstrado que pacientes submetidos ao tratamento com exoesqueletos possuem maior expectativa da qualidade de vida.
Quanto aos objetivos principais, os artigos podem ser separados em quatro grupos temáticos:
- Reabilitação de Marcha Pós-AVE (Araújo et al., 2017; Neves, 2021; Menezes et al., 2025) que foca na recuperação da função de marcha e na aplicação de tecnologias em pacientes que sofreram Acidente Vascular Encefálico (AVE). (Baunsgaard, et al, 2018; Villarejo et al, 2018; Jesus, 2020; Teixeira et al, 2024; Wang et al, 2025; Moreira, 2020), as aplicações tecnológicas, além de auxiliar na marcha, contribuem para melhorar a plasticidade neural, e a qualidade de vida dos pacientes. Porém na interação entre pacientes e terapeutas, algumas limitações podem surgir, constituindo desafios para a reabilitação.
- Reabilitação Robótica para Outras Condições (Araújo, 2021; Lacerda et al., 2024) que se concentra na eficácia de terapias robóticas para a recuperação de outras disfunções. (Ricardo, 2012; Souza et al, 2015; Van Dijsseldonk et al, 2020; Caltran, 2021; Passos et al, 2023) apesar dos autores dos ressaltarem a eficácia e os benefícios das terapias para tratamento de pessoas idosas e acometidas com LM, alertam sobre algumas limitações diárias e lacunas na ciência sobre a projeção desses dispositivos.
- Desenvolvimento e Aplicação Específica de Exoesqueletos (Netto et al., 2023; Sun et al., 2025; Steinhilber et al., 2020) que aborda o avanço e a recomendação de uso de exoesqueletos. (Plentz; Blauth 2022), além da relevância da tecnologia, observam a necessidade de novos investimentos no Brasil.
- Tecnologias Assistivas e Inovações para Pessoas Idosas -Geral (Tobaro et al., 2024; Silva et al. 2023) que foca na utilização de tecnologias mais amplas para a saúde e funcionalidade das pessoas idosas. (Gonçalves; Alves, 2024) esclarecem sobre a importância de conceituar a idade prospectiva como um fator relevante para análise das ações, que pode estabelecer a necessidade de inovações para promoção do direito à infraestrutura.
- Quanto ao delineamento metodológico, identificou-se uma diversidade de abordagens nos artigos, sendo predominantes as revisões de literatura (n=6) seguidas dos estudos sistemáticos (n=5) e das revisões integrativas (n=4) e em menor número as revisões de escopo (= 2), os estudos de caso (n=2), os estudos exploratório e experimental (n=2), a revisão sistemática e metanálise (n=1) e o ensaio clínico randomizado (n=1).
Tabela 1. Seleção dos estudos.
| Artigos | Objetivos | Tipo de estudo | Variáveis estudadas | Resultados |
| Araújo et al., 2017. 1 | Verificar os efeitos do treinamento de marcha em indivíduos adultos e pessoas idosas pós AVE. | Revisão de Literatura | Treinamento de marcha em adultos e pessoas idosas após AVE. | Não foi identificado diferença entre o treino de marcha no solo e o treino na esteira com suporte de peso corporal. |
| Araújo, 2021. 2 | Avaliar e sintetizar o papel da terapia robótica na recuperação do membro superior após enfermidades clínicas e cirúrgicas. | Revisão Sistemática e Metanálise. | Recebimento de terapia convencional e terapia robótica no membro superior em adultos. | A implementação da terapia robótica influenciou na melhora da função motora, movimento e na dor do membro. |
| Menezes et al., 2025.8 | Mapear e sintetizar as evidências científicas sobre os efeitos do uso da ICM na reabilitação de pessoas idosas que sofreram AVE. | Revisão de escopo | O uso da ICM na reabilitação de pessoas idosas pós AVE. | A utilização da ICM mostrou-se útil para melhorar a qualidade de vida dos pacientes. 9 |
| Netto et al., 2023. 10 | Utilizar prospecção tecnológica sobre exoesqueletos robóticos de assistência à locomoção humana. | Revisão de Literatura | A estratégia utilizou a recuperação de 366 documentos de patentes sobre exoesqueletos de assistência à locomoção humana. | Percebeu-se que o aprimoramento dos exoesqueletos robóticos constitui avanços tecnológicos, permitindo maior mobilidade e locomoção das pessoas. |
| Tobaro et al., 2024. 20 | Analisar o uso da impressão 3D no desenvolvimento de dispositivos assistivos para usuários idosos. | Revisão de Escopo | Utilização da manufatura aditiva em robôs assistivos, exoesqueletos, cadeiras de rodas e dispositivos vestíveis. | A impressão 3D permite ajustes rápidos e aumenta a funcionalidade dos dispositivos. |
| Neves, 2021. 11 | Descrever os efeitos, sobre a recuperação funcional de marcha nos pacientes que sofreram AVC, dos treinos robóticos com exoesqueleto e robôs. | Revisão integrativa | Marcha utilizando exoesqueletos e efetores finais. | Tanto os efetores finais quanto os exoesqueletos melhoram aspectos clinicamente relevantes marcha, conforme avaliado por TUG, DGI e BBS. |
| Silva et al., 2023. 15 | Sintetizar o conhecimento quanto às inovações tecnológicas e assistivas utilizadas para a promoção da saúde de pessoas idosas. | 2023 Revisão Integrativa | Foram utilizados 23 estudos desenvolvidos em três temas: “Inserção de tecnologias; “Tecnologias para prevenção, manutenção” e “Implicações da robótica para a assistência de enfermagem à pessoa idosa”. | Demonstrou a eficácia no uso de dispositivos assistivos e digitais, como relógio do tipo smartwatch, casas inteligentes, jogos interativos (estimulação cognitiva e física). |
| Lacerda et al., 2024. 7 | Avaliar a eficácia das terapias de reabilitação em pacientes com lesão medular. | Revisão Integrativa | Incluídos 25 estudos, abrangendo 2.350 participantes. | Exoesqueletos robóticos melhoraram a mobilidade e reduziram a espasticidade, enquanto a estimulação elétrica funcional (EEF) aumentou a força muscular e a função motora. |
| Steinhilber et al., 2020. 17 | Recomendar a utilização de exoesqueletos nos setores de trabalho para pessoas com doenças musculoesqueléticas. | Estudo sistemático | Formulação de 20 recomendações para a utilização de exoesqueletos em local de trabalho. | Não houve consenso ou afirmação nas literaturas sobre a utilização de exoesqueletos nas abordagens de doenças 10 ocupacionais nos locais de trabalho. |
| Baunsgaard, et al., 2018. 3 | Explorar alterações da dor e espasticidade dos movimentos diante de lesões crônicas, da função intestinal e urinária, após o treinamento de marcha com exoesqueletos robóticos. | Estudo exploratório | 52 participantes concluíram o protocolo com 3 sessões de treinamento por 8 semanas com um exoesqueleto robótico Ekso GT (Ekso Bionics). | Não houve relatos de novas dores, após uma única sessão de treinamento. Tendo observado melhora na (SCIM III) e na qualidade de vida dos participantes. |
| Caltran, 2021. 4 | Aplicar controlador de força em exoesqueletos de membros inferiores. | Revisão de literatura | Desenvolvimento de atuadores elásticos para o emprego de órteses ativas e exoesqueletos de membros inferiores. | Foi analisada a vantagem dos atuadores elásticos em dispositivos robóticos de exoesqueletos para ajudar pessoas idosas, com deficiência e com mobilidade reduzida. |
| Jesus, 2020. 6 | Investigar os efeitos da ICM associada à prática mental para recuperar a função motora em pacientes acometidos por AVC. | Ensaio clínico randomizado. | 01 paciente com AVC hemorrágico participou do estudo. | Foi revelado que a associação da ICM e a prática mental se mostraram positivos no desempenho de pessoas com AVC. |
| Moreira, 2020. 9 | Criar dispositivo robótico integrado para reabilitação e treinamento de pacientes com AVC. | Estudo experimental | Criação de dispositivo robótico linear móvel para testes de articulação. | Constatou-se que o dispositivo robótico se mostrou satisfatório nos testes, beneficiando pacientes e profissionais. |
| Passos et al., 2023. 12 | Analisar as causas e tratamentos da lesão medular. | Estudo de caso | Utilização de dispositivos para treinamento de resistência. | Avanços são contatados para o tratamento de LM com terapias de células-tronco, terapia genética e uso de exoesqueletos robóticos. |
| Plentz; Blauth 2022. 13 | Avaliar a relevância da reabilitação robótica na sociedade | Revisão de literatura | Aplicação de reabilitação robótica para ajudar no movimento de forças. | As tecnologias robóticas vêm crescendo no mundo, mas no Brasil, ainda requer mais investimentos. |
| Ricardo, 2012. 14 | Propor modelos de fixação entre exoesqueleto e antebraço. | Revisão de literatura | Simulação com software MSC ADAMS. | Os estudos sobre fixação de exoesqueletos ainda apresentam lacunas na ciência em relação a p projeção dos dispositivos. 11 |
| Sun et al., 2025. 18 | Propor o aprendizado por esforço para controle do exoesqueleto no quadril. | Estudo de caso | Amostra com seis estudantes participantes universitários do sexo masculino. | Foi identificado que as experiências do aprendizado por reforço com exoesqueletos flexível podem reduzir o consumo de energia nas caminhadas. |
| Souza et al, 2015. 16 | Identificar benefícios e inovações sobre a utilização robótica em pacientes com limitação motora. | Revisão de literatura | Abordagem de diferentes autores para tratar do conceito dos dispositivos. | A integração entre o cérebro humano e as máquinas se revelam como terapias promissoras no trato de deficiência motora severa. |
| Teixeira et al., 2024. 19 | Estudar diferentes métodos de estimulação da plasticidade neuronal para reabilitar adultos após AVC. | Revisão integrativa | Inclusão de artigos entre 2017 e 2022. | Os estudos revelaram a melhora nos estímulos da plasticidade neuronal e na qualidade de vida. |
| Van Dijsseldonk et al., 2020. 21 | Avaliar a utilização de exoesqueletos em ambientes domésticos e comunitários. | Estudo sistemático | Os participantes responderam a dois questionários. | Apesar do exoesqueleto ser benéfico para a saúde mental e física de indivíduos com lesão na medula, apresentam limitações no uso em atividades diárias. |
| Villarejo et al., 2018. 22 | Avaliar a inclusão de robôs na reabilitação de indivíduos com desordens neurológicas e reabilitação de marcha. | Estudo sistemático | Desenvolvimento de software para interação com exoesqueletos na reabilitação física. | As terapias de marcha assistidas por exoesqueletos são capazes de melhorar a execução dos exercícios, porém o dispositivo limita a interação entre o terapeuta e paciente. |
| Wang et al., 2025. 23 | Avaliar a interação física entre o homem e o robô em assistência à marcha. | Estudo sistemático | Utilização de robôs para assistência à marcha. | A utilização de robôs na marcha é promissora, porém o desenvolvimento de controladores ainda é um desafio para algumas deficiências. |
| Gonçalves; Alves, 2024. 5 | Revisar o envelhecimento populacional no Brasil. | Estudo sistemático | Aborda dados do IBGE das cincos regiões do Brasil, entre 1980 e 2060. | Verificou-se o mesmo enfoque para o envelhecimento populacional em todas as regiões do Brasil, porém há diferença no estágio do envelhecimento para cada região mensurada. |
Fonte: elaborado pelas autoras.
4. DISCUSSÃO
Neves (2021) evidenciou que a avaliação por meio de testes e escalas utilizando robôs e exoesqueletos são capazes de ajudar nos aspectos clínicos de locomoção, como andar, vestir, se alimentar etc. No que se refere à caminhada, Sun et al (2025) mencionam que os efeitos podem superar os exoesqueletos, em questões como manuseio e custos dos dispositivos, acarretando implicações para a prática clínica. 7,18 Araújo et al (2017) e Neves (2021) evidenciaram que os efeitos dos treinamentos de marcha assistidos por robô em pessoas que tiveram AVC surtiram resultados positivos na reabilitação e locomoção dos indivíduos com mobilidade reduzida. 1, 11 Araujo (2021), Lacerda et al (2024), Neto et al (2023) e Silva et al (2023) demostraram que a eficácia dos tratamentos com exoesqueletos robóticos constitui como uma ferramenta tecnológica e inovadora que visa a melhoria dos movimentos, permitindo maior mobilidade e locomoção, ajustando a função do andar por meio de testes e escalas. 2, 7,10,15
Menezes et al (2025) e Tobaro et al (2024) revelaram que a utilização da Interface Cérebro-Máquina e o dispositivo assistivo por 3D constituem inovações tecnológicas úteis para auxiliar as pessoas com deficiência e mobilidade reduzida, com menor custo e benefício em relação aos dispositivos e equipamentos pré-fabricados. Contudo, apesar da ICM ser considerada útil, com resultados positivos para reabilitação motora dos membros inferiores em pacientes com AVC, ainda são necessários outros estudos para melhores evidências no tratamento e esclarecimento da efetividade. 8, 20
Tobaro et al (2024) confirmaram que a utilização da impressão 3D para o desenvolvimento de equipamentos adaptativos pode ser útil para melhorar a execução das tarefas diárias, promovendo autonomia e independência aos pacientes, sobretudo auxiliando nas funções diárias de locomoção, entre outras. 20 Baunsgaard et al relataram que indivíduos com LM tem se beneficiado com o treinamento dos exoesqueletos. Apesar dos estudos se voltarem de forma frequente para a reabilitação da marcha, ocorreram relatos de melhora da dor, espasticidade, além das funções intestinais e vesicais. Com isso, a utilização do exoesqueleto “Ekso GT (Ekso Bionics, Richmond, CA) 3, (p. 806), contribuiu para redução da espasticidade dos membros inferiores em um grupo de participante, com melhoria no tempo do SCIM II e na qualidade de vida dos participantes. Da mesma forma, o treinamento com exoesqueleto se mostrou também benéfico para pessoas que apresentaram lesões tanto recentes como crônicas. Porém outros desfechos não evidenciaram melhorias significativas, necessitando de mais estudos para a confirmação.3
Além do uso dos exoesqueletos para exercícios de reabilitação motora, a tecnologia se mostrou bem tolerada para as atividades de interação social, com eficácia e segurança. Mas para os cadeirantes com necessidade de suporte, a utilização do exoesqueleto limitou a independência deste. 21
Estudos evidenciaram que a tecnologia robótica avançou rapidamente e promoveu novas chances para a reabilitação de pacientes com incapacidade motora, sobretudo os acometidos por AVE, demonstrando efetivos resultados para a reabilitação dos membros superiores. Porém os desafios se esbarram na aquisição e o alto custo desses dispositivos robóticos, que se torna uma barreira para as clínicas de reabilitação. Neste caso, o Brasil dispõe apenas de um único dispositivo, o ARM “(Assistive Rehabilitation Machine) da Vivax)”(9, p.16), com um custo de 200 mil para compra ou aluguel por 60 mil.9 Apesar dos avanços para utilização das máquinas, alguns autores afirmaram que houve rejeição na fase inicial dos estudos sobre a aquisição e utilização dessa tecnologia, em virtude dos altos custos.16
As análises demostraram soluções promissoras, tanto para a utilização dos robôs como para o apoio de assistência virtual com a utilização do 3D. Esses dispositivos têm se revelado como recursos terapêuticos eficazes para assistência à marcha de pessoas idosas, com deficiência ou mobilidade reduzida. Assim, o uso dessas tecnologias se torna um grande benefício para a reabilitação de pessoas com déficit motor, cognitivo e social, promovendo melhora na qualidade de vida desses pacientes. 23
5. CONSIDERAÇÕES
Torna-se importante considerar os grandes avanços tecnológicos que surgiram com as ferramentas terapêuticas utilizada por meio de robôs e exoesqueletos para auxiliar pacientes com déficit motor. Essa era robótica tem favorecido que pacientes e profissionais tenham maior interação no processo de reabilitação. A utilização Interface Cérebro-Máquina e o dispositivo assistivo por 3D, constituem ferramentas inovadoras para o processo de reabilitação das pessoas idosas que apresentam espasticidade, pessoas com deficiência, mobilidade reduzida e pacientes acometidos com AVC. As tecnologias além contribuir para a reabilitação dos indivíduos, servem também para integrá-los ao convívio social e profissional.
No entanto, apesar de alguns estudos trazerem esperanças sobre a utilização das tecnologias de reabilitação com robôs e exoesqueletos, o alto custo dos tratamentos e a indisponibilidade de tais equipamentos no Brasil, constituem barreiras para das instituições e pacientes. Os valores elevados dos equipamentos, a falta de regulamentação e infraestrutura sobre tais tecnologias, dificultam o avanço e acesso aos tratamentos e terapias.
Assim, ao considerar a realidade das pessoas idosas, onde boa parte depende do Sistema Único de Saúde, em vista dos baixos recursos econômicos, impera a desigualdade social como um fator impeditivo para o acesso ao tratamento e aquisição dos dispositivos no Brasil.
Deste modo, considera-se a necessidade de regulamentação do uso e mais investimentos na área científica e tecnológica, a respeito de tais dispositivos. Também carece a necessidade de criar soluções para que pacientes e instituições possam acessar os tratamentos e terapias, a fim de minimizar as desigualdades ao direito do tratamento de saúde com equidade e igualdade de oportunidades.
6. REFERÊNCIA
1. ARAÚJO, Ingrid Dayane Xavier de et al. Treinamento de marcha em adultos e idosos após acidente vascular encefálico: revisão de literatura. 2017. Disponível em: https://repositorio.ufmg.br/server/api/core/bitstreams/286f7afd-c457-46a5-9c99-843f9f707fb5/content. Acesso em: 23 set. 2025.
2. ARAÚJO, Jéssica Peixoto de. Reabilitação por terapia robótica na funcionalidade do membro superior – uma revisão sistemática e metanálise. 2021. Disponível em: https://iep.hospitaldeamor.com.br/wp-content/uploads/2023/08/PDF-Jessica-de-Araujo.pdf. Acesso em: 23 set. 2025.
3. BAUNSGAARD, Carsten Bach et al. Treinamento de marcha com exoesqueleto após lesão medular: um estudo exploratório sobre condições secundárias de saúde. Journal of Rehabilitation Medicine, v. 50, n. 9, p. 806–813, 2018. Disponível em: https://medicaljournalssweden.se/jrm/article/view/12582. Acesso em: 23 set. 2025.
4. CALTRAN, Cleiton. Controle robusto de força de atuadores elásticos em série aplicados em exoesqueletos para membros inferiores. 2011. Disponível em: https://bdta.abcd.usp.br/directbitstream/b0fe5fbb-6465-4638-8ed8-8c49193121a3/Caltran_Cleiton.pdf. Acesso em: 23 set. 2025.
5. GONÇALVES, Anderson; ALVES, Luciana Correia. Idade prospectiva e as novas medidas de envelhecimento populacional: indicadores para o Brasil e suas cinco regiões. Revista Brasileira de Estudos de População, v. 41, p. e0278, 2024. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbepop/a/PFr6mrgfGjpdt8RzXdrGLmr/?format=pdf&lang=pt. Acesso em: 06 nov. 2025.
6 .JESUS, Joana Miranda de. Uso da prática mental e da interface-cérebro-máquina para favorecer a função motora do membro superior de pacientes pós-acidente vascular cerebral. 2020. Disponível em: https://ri.ufs.br/bitstream/riufs/18439/2/Joana_Miranda_de_Jesus-TCC.pdf. Acesso em: 23 set. 2025.
7. LACERDA, J. P. R.; TONHOLO, L. do C.; CORRÊA, F. H.; MELO, V. A. M. de; QUIRINO, A. C. M. Eficácia das terapias de reabilitação em pacientes com lesão medular: uma revisão integrativa. Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação, v. 10, n. 8, p. 594–604, 2024. Disponível em: https://doi.org/10.51891/rease.v10i8.15170. Acesso em: 24 set. 2025.
8. MENEZES, Rafael Vieira de et al. O uso da interface cérebro-máquina na reabilitação de idosos que sofreram acidente vascular encefálico: uma revisão de escopo. Brazilian Medical Students, v. 10, n. 14, 2025. Disponível em: https://revistas.ifmsabrazil.org/bms/article/view/977. Acesso em: 23 set. 2025.
9. MOREIRA, Heber Rocha. Dispositivo robótico para reabilitação de membros superiores: construção e validação. 2020. Disponível em: https://repositorio.unesp.br/server/api/core/bitstreams/aad54129-c1df-46e8-a586-d5262cdd4389/content. Acesso em: 23 set. 2025.
10. NETTO, José Barreto et al. Prospecção tecnológica sobre exoesqueleto robótico de assistência à locomoção humana. Revista Tecnologia e Sociedade, v. 19, n. 56, p. 112–127, 2023.
11. NEVES, Mariana Vita Milazzotto. Treinamento de marcha assistida por robô na reabilitação de AVC: um estudo piloto. 2021. Tese (Doutorado) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 2021. Disponível em: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5169/tde-11112021-142058/publico/MarianaVitaMilazzottoNevesVersaocorrigida.pdf. Acesso em: 23 set. 2025.
12. PASSOS, Micaely de Souza et al. Lesão medular: revisão de caso. Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação, v. 9, n. 5, p. 3196–3202, 2023. Disponível em: https://doi.org/10.51891/rease.v9i5.9967. Acesso em: 24 set. 2025.
13. PLENTZ, R. D. M.; BLAUTH, Ariane Gamarra. Reabilitação robótica em fisioterapia no Brasil: da ficção para a realidade. Fisioterapia Cardiovascular e Respiratória, p. 9–35, 2022. Disponível em: https://www.researchgate.net/profile/Rodrigo-Della-Mea-Plentz/publication/352002040_Reabilitacao_Robotica_em_Fisioterapia_no_Brasil_da_ficcao_para_a_realidade/links/60b4ff0ba6fdcc1c66f8810e/Reabilitacao-Robotica-em-Fisioterapia-no-Brasil-da-ficcao-para-a-realidade.pdf. Acesso em: 23 set. 2025.
14. RICARDO, Cleber Eugênio. Simulação da interação braço-exoesqueleto. 2012. Disponível em: https://bdta.abcd.usp.br/directbitstream/34abc217-52ce-4d2b-8e42-d6b24f459e44/CLEBER%20EUGENIO%20RICARDO%20PMR12.pdf. Acesso em: 23 set. 2025.
15. SILVA, Eduarda Dias Silva et al. Inovações tecnológicas na assistência de enfermagem ao idoso. Revista Eletrônica Acervo Saúde, v. 23, n. 9, p. e12984–e12984, 2023. Disponível em: https://doi.org/10.25248/reas.e12984.2023. Acesso em: 23 set. 2025.
16. SOUZA, Jefferson Roberto Menezes de; WANDERLEY, Diogo de Aquino; DORIA, Acaro da Silva. A importância da robótica aplicada à neurociência como ferramenta utilizada na reabilitação de pacientes com deficiência locomotora: uma revisão teórica. Engineering Sciences, v. 3, n. 1, p. 6–18, 2015. Acesso em: 23 set. 2025.
17. STEINHILBER, Benjamin et al. O uso de exoesqueletos no contexto ocupacional para prevenção primária, secundária e terciária de queixas musculoesqueléticas relacionadas ao trabalho. IISE Transactions on Occupational Ergonomics and Human Factors, v. 8, n. 3, p. 132–144, 2020. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/33140996/. Acesso em: 24 set. 2025.
18. SUN, Lei et al. Um exoesqueleto macio para auxílio à extensão e flexão do quadril baseado no controle de aprendizagem por reforço. Scientific Reports, v. 15, n. 1, p. 5435, 2025. Acesso em: 24 set. 2025.
19. TEIXEIRA, Pr. et al. Estimulação da neuroplasticidade na reabilitação de adultos pós-acidente vascular cerebral: uma revisão integrativa. Brazilian Journal of Health Review, v. 4, p. e71010, 2024. DOI: 10.34119/bjhrv7n4-019. Disponível em: https://ojs.brazilianjournals.com.br/ojs/index.php/BJHR/article/view/71010. Acesso em: 24 set. 2025.
20. TOBARO, Erica Tiemi et al. A impressão 3D no desenvolvimento de dispositivos assistivos para pessoas idosas. Estudos Interdisciplinares sobre o Envelhecimento, v. 29, 2024. Disponível em: https://seer.ufrgs.br/index.php/RevEnvelhecer/article/view/143337/93419.
21. VAN DIJSSELDONK, Rosanne B. et al. Exoskeleton home and community use in people with complete spinal cord injury. Scientific Reports, v. 10, n. 1, p. 15600, 2020. Disponível em: https://www.nature.com/articles/s41598-020-72397-6.pdf. Acesso em: 23 set. 2025.
22. VILLAREJO, John Jairo et al. Sistema de biofeedback para rehabilitación de marcha asistida por un exoesqueleto. Revista Ingeniería Biomédica, v. 12, n. 24, p. 47–57, 2018. Disponível em: https://pesquisa.bvsalud.org/portal/resource/pt/biblio-985641. Acesso em: 23 set. 2025.
23. WANG, Yifan et al. Uma estrutura de simulação de interação humana para avaliar estratégias de controle em robôs de assistência à marcha. 2025. Disponível em: https://arxiv.org/abs/2503.05825. Acesso em: 24 set. 2025.
