ESTRATÉGIAS DE ENFERMAGEM PARA PREVENIR O DESENVOLVIMENTO DA SÍNDROME HIPERTENSIVA ESPECÍFICA DA GRAVIDEZ (SHEG): UMA REVISÃO INTEGRATIVA DA LITERATURA

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202510241242


Sofia Elóia Maues Rodrigues Wanderley
Luiz Cláudio Andrade de Oliveira
Rita de Cássia Barbosa da Costa
Glória Letícia Oliveira Gonçalves Lima
Mauro Sávio Sarmento Pinheiro
Roberta Alves da Silva
Orientadora: Profª. Ma. Sabrina do Socorro Marques de Araújo de Almeida


1. INTRODUÇÃO

1.1 Tema de estudo

A Síndrome Hipertensiva Específica da Gestação (SHEG) é uma complicação prevalente e desafiadora na saúde materno-infantil, com impactos significativos tanto para a gestante quanto para o feto. Essa condição está associada a riscos aumentados de morbimortalidade materna e perinatal, além de complicações a longo prazo, como doenças cardiovasculares (American College of Obstetricians and Gynecologists [ACOG], 2020). 

A SHEG, caracterizada por hipertensão arterial e proteinúria após a 20ª semana de gestação em mulheres previamente normotensas, é uma das principais causas de parto prematuro e restrição de crescimento intrauterino (Ruano et al., 2015). Além disso, engloba um conjunto de condições que incluem hipertensão gestacional, pré-eclâmpsia, eclâmpsia e hipertensão crônica sobreposta à pré-eclâmpsia. Essas síndromes representam uma das principais causas de morbimortalidade materno-fetal no mundo, especialmente em países em desenvolvimento (Lopes et al., 2020).

A hipertensão gestacional é caracterizada pelo aumento da pressão arterial (PA ≥ 140/90 mmHg) após a 20ª semana de gestação, sem proteinúria ou sinais de disfunção orgânica. Já a pré-eclâmpsia é definida pela presença de hipertensão associada a proteinúria (≥ 300 mg/24h) ou sinais de comprometimento de órgãos-alvo, como insuficiência renal, alterações hepáticas e trombocitopenia (American College of Obstetricians and Gynecologists, 2020). 

Nos casos mais graves, pode evoluir para eclâmpsia, caracterizada pela ocorrência de convulsões, ou para a Síndrome HELLP (Hemólise, Elevação das enzimas hepáticas e Plaquetopenia), uma complicação severa que pode levar à falência múltipla de órgãos (Sibai, 2019).

A fisiopatologia da SHEG envolve alterações na placentação precoce, com disfunção endotelial e vasoconstrição generalizada, resultando em hipertensão arterial e redução da perfusão placentária (Steegers et al., 2010). Sendo assim, o manejo adequado por equipe de enfermagem envolve monitoramento rigoroso da pressão arterial, exames laboratoriais e, nos casos graves, antecipação do parto para evitar complicações maternas e fetais.

A enfermagem exerce uma função primordial na promoção e acompanhamento das ações preventivas em saúde gestacional. Como principais agentes na assistência pré-natal, os enfermeiros prestam um atendimento integral às gestantes e seus familiares, desenvolvendo estratégias fundamentais para a educação em saúde. Sua atuação contempla especialmente a orientação nutricional e a adoção de comportamentos saudáveis durante a gravidez, contribuindo significativamente para a melhoria dos indicadores de saúde materno-infantil (Campos et al., 2024)

1.2 Justificativa

A elevada incidência da SHEG configura um cenário de grande preocupação para a saúde pública. Nossas observações na prática clínica, em consonância com dados alarmantes provenientes de vivência em um hospital materno infantil, revelam um índice significativo de mulheres gestantes acometidas por essa condição, o que nos despertou a atenção, dando ênfase ao número frequente de atendimentos à gestantes que apresentavam SHEG. 

Vivenciar essas situações nos despertou o interesse de aprofundarmos nossos conhecimentos sobre o assunto, visando contribuir no cenário local desta patologia, e na saúde materna e fetal. Observou-se ainda que a realidade é agravada pela deficiência na assistência pré-natal, marcada por um número insuficiente de consultas, idade avançada das gestantes, qualidade de vida por deficiência de atividades regulares, hábitos alimentares inadequados, pobre em nutrientes, porém rico em sódio. E isso corrobora com o que a Organização Mundial da Saúde enfatiza sobre a prevenção.

Estratégias de prevenção para a SHEG têm sido amplamente investigadas, com foco em intervenções modificáveis, como mudanças no estilo de vida, suplementação nutricional e monitoramento rigoroso durante o pré-natal. A suplementação de cálcio, por exemplo, tem sido recomendada para gestantes com baixa ingestão dietética, visando reduzir o risco de pré-eclâmpsia, uma forma grave de SHEG (World Health Organization [WHO], 2018).

A compreensão dos fatores de risco e a implementação de medidas preventivas eficazes, como o acompanhamento pré-natal adequado, a identificação precoce de sinais clínicos e o uso de suplementos como o ácido acetilsalicílico em grupos de risco, podem reduzir substancialmente as complicações associadas (Gomes et al., 2024).

A abordagem preventiva da SHEG contribui para a redução de custos no sistema de saúde e melhora os desfechos perinatais, promovendo uma gestação mais segura para mulheres em contextos de vulnerabilidade. Investimentos em pesquisa e na capacitação de profissionais da atenção primária à saúde são essenciais para ampliar a eficácia dessas ações preventivas e garantir equidade no acesso aos cuidados (Lima et al., 2021).

Estudar as medidas de enfermagem para prevenir o surgimento da SHEG é essencial, pois permite oferecer um cuidado mais humanizado, atento e eficaz às gestantes. Como futuros profissionais da saúde, acreditamos que a enfermagem tem um papel fundamental na orientação, no acompanhamento e na detecção precoce dos sinais, contribuindo diretamente para a segurança da mãe e do bebê.

1.3 Problemática

A SHEG representa desafios significativos para a saúde pública, com impactos que transcendem o período gestacional. Sendo assim, é de suma importância entender melhor o contexto em que o profissional enfermeiro está inserido, e principalmente de que forma o profissional de enfermagem pode contribuir em relação às estratégias adotadas para evitar o desenvolvimento da SHEG. E, apesar dos avanços nas estratégias de prevenção, os desafios persistem, especialmente em populações com acesso limitado a cuidados pré-natais de qualidade em muitos lugares do território nacional (Silva et al., 2019). 

Estratégias de prevenção baseadas em evidências, como suplementação nutricional, modificações no estilo de vida e rastreamento precoce, são fundamentais para reduzir a incidência e as complicações associadas a essas condições, e a enfermagem tem um papel muito importante nesse cenário. Com isso, buscamos responder às seguintes perguntas norteadoras:

a) Quais as evidências literárias sobre as estratégias de enfermagem para prevenir o desenvolvimento da SHEG?
b) Quais as principais estratégias de enfermagem descritas na literatura para prevenir o desenvolvimento da SHEG?
c) Quais os principais diagnósticos de enfermagem aplicáveis à assistência de enfermagem à SHEG?
d) Quais barreiras e desafios enfrentados pela enfermagem?

2. OBJETIVOS

2.1. Objetivo Geral 

Realizar uma revisão integrativa da literatura sobre as estratégias de enfermagem para a prevenção da SHEG entre os anos de 2015 e 2025.

2.2 Objetivos específicos

Elencar os principais desafios e estratégias de enfermagem para prevenir o desenvolvimento da SHEG;

Descrever os principais diagnósticos presentes na literatura de enfermagem aplicáveis à SHEG;

Apontar as barreiras e desafios enfrentados pela enfermagem.

3. REFERENCIAL TEÓRICO

3.1 Hipertensão Arterial Sistêmica

A hipertensão arterial sistêmica (HAS) é uma condição clínica multifatorial caracterizada por níveis elevados e sustentados de pressão arterial, sendo considerada um dos principais fatores de risco para doenças cardiovasculares, cerebrovasculares e renais. Sua alta prevalência, estimada em cerca de 30% da população adulta brasileira, e o impacto sobre a morbimortalidade tornam essa condição um relevante problema de saúde pública (Sociedade Brasileira de Hipertensão, 2020).

A definição e o diagnóstico da HAS são baseados na aferição da pressão arterial sistólica ≥ 140 mmHg e/ou diastólica ≥ 90 mmHg, obtidos em pelo menos duas ocasiões distintas. A Sociedade Brasileira de Hipertensão recomenda a estratificação do risco cardiovascular e a investigação de lesões em órgãos-alvo para orientar o tratamento mais adequado (Sociedade Brasileira de Hipertensão, 2020; Favaretto, 2024).

Estudos recentes demonstram que o controle efetivo da pressão arterial reduz significativamente o risco de eventos cardiovasculares maiores, como infarto agudo do miocárdio e acidente vascular cerebral (Mion et al., 2020). No entanto, a taxa de controle da HAS no Brasil ainda é insatisfatória, o que reflete falhas no diagnóstico precoce, adesão ao tratamento e mudanças no estilo de vida (Décaro et al., 2021).

O tratamento não farmacológico é recomendado como primeira linha de intervenção em todos os estágios da hipertensão e inclui a redução da ingestão de sal, prática regular de atividade física, controle do peso corporal, moderação no consumo de álcool e cessação do tabagismo. Quando necessário, associa-se o tratamento farmacológico, cuja escolha deve considerar a presença de comorbidades, o risco cardiovascular global e a resposta individual ao tratamento (Girotto et al., 2013; Costa et al., 2021).

Pesquisas nacionais como as de Brandão et al. (2022) têm enfatizado a importância de intervenções multiprofissionais no acompanhamento do paciente hipertenso, ressaltando a efetividade de programas de atenção primária para melhorar a adesão terapêutica e reduzir a incidência de complicações. Portanto, o enfrentamento da hipertensão arterial exige uma abordagem integrada, baseada em evidências científicas e em diretrizes atualizadas, como as propostas pela Sociedade Brasileira de Hipertensão.

3.2 Riscos Cardiovasculares na Gestação

A gestação é um estado fisiológico caracterizado por significativas alterações hemodinâmicas, metabólicas e hormonais, que visam suprir as demandas materno-fetais ao longo do desenvolvimento embrionário. No entanto, tais mudanças também podem expor a mulher a um aumento no risco de eventos cardiovasculares, sobretudo em presença de comorbidades ou predisposições genéticas (Nagle et al., 2021). 

O remodelamento vascular, a ativação do sistema renina-angiotensina-aldosterona e a hipercoagulabilidade são elementos-chave nesse contexto, que embora fisiológicos, podem descompensar em situações de sobrecarga (Mazzotta et al., 2022).

Diversos estudos demonstram que mulheres com histórico de doenças cardiovasculares ou fatores de risco prévios, como, obesidade, dislipidemia e resistência à insulina apresentam maior propensão a desenvolver complicações durante a gestação (Tran et al., 2020). 

A gestante com risco cardiovascular elevado deve ser identificada precocemente e acompanhada de forma multidisciplinar, uma vez que condições como insuficiência cardíaca, arritmias e infarto agudo do miocárdio, embora raras, podem ocorrer durante o ciclo gravídico-puerperal (Rafael et al., 2021).

Além dos riscos imediatos, eventos cardiovasculares durante a gestação podem ter repercussões de longo prazo. Estudos longitudinais apontam que mulheres que apresentam alterações hipertensivas, disfunção endotelial ou eventos tromboembólicos gestacionais possuem maior probabilidade de desenvolver doenças cardiovasculares ao longo da vida (Stevenson et al., 2023). Isso reforça a importância da gestação como uma janela de oportunidade para o rastreamento e a prevenção cardiovascular.

Neste cenário, destaca-se a SHEG, que inclui condições como hipertensão gestacional, pré-eclâmpsia, eclâmpsia e a síndrome de HELLP. Essas manifestações não apenas elevam a morbimortalidade materna e fetal imediata, mas também estão fortemente associadas a um risco cardiovascular futuro aumentado. Estudos como o de Wu et al. (2022) confirmam que mulheres que desenvolvem pré-eclâmpsia possuem risco duas a quatro vezes maior de desenvolver hipertensão crônica e doença arterial coronariana em até 10 anos após o parto. Assim, a identificação e manejo precoce da SHEG representam não apenas uma estratégia de proteção gestacional, mas também de saúde cardiovascular ao longo da vida da mulher.

3.3 Pré-eclâmpsia

A pré-eclâmpsia é uma síndrome hipertensiva específica da gestação caracterizada por hipertensão arterial (≥140/90 mmHg) associada à proteinúria significativa (≥300 mg/24h) após a 20ª semana de gestação em mulheres previamente normotensas. Considerada uma das principais causas de morbimortalidade materna e perinatal em todo o mundo, sua etiologia permanece multifatorial e ainda não completamente compreendida (Moodley et al., 2021).

Em todo o mundo, estima-se que >300 milhões de mulheres e crianças estejam em maior risco de problemas crônicos de saúde devido à exposição prévia à pré-eclâmpsia (Dimitriadis et al., 2023), incluindo o desenvolvimento de doenças cardiovasculares, renais e metabólicas, além de alterações no crescimento e no risco de morbidades a longo prazo.

A pré-eclâmpsia é resultado de uma disfunção endotelial sistêmica, precedida por um processo anormal de placentação, em que ocorre invasão inadequada do trofoblasto e remodelamento deficiente das artérias espiraladas uterinas. Esse processo leva à hipoperfusão placentária, liberação de fatores antiangiogênicos e resposta inflamatória exacerbada, comprometendo múltiplos órgãos da gestante (Magee et al., 2022).

Clinicamente, além da hipertensão e proteinúria, a doença pode se manifestar com sintomas como cefaleia persistente, alterações visuais, dor epigástrica e sinais laboratoriais de disfunção hepática, hematológica, e a forma grave da doença pode evoluir para eclâmpsia (Thilagavathy et al., 2020).

Diversos fatores de risco estão associados ao desenvolvimento da pré-eclâmpsia, incluindo primigestação, idade materna avançada, obesidade, histórico familiar da doença, gestação múltipla, diabetes mellitus e doenças autoimunes, como o lúpus eritematoso sistêmico (Podymova et al., 2021).

No que diz respeito à prevenção, o uso de aspirina em baixa dose (75–150 mg/dia) a partir da 12ª semana de gestação tem se mostrado eficaz na redução da incidência de pré-eclâmpsia em mulheres de alto risco, segundo evidências de meta-análises recentes (Rolnik et al., 2020). Além disso, a suplementação de cálcio é recomendada pela Organização Mundial da Saúde para populações com baixa ingestão do mineral. Logo, é importante destacar que a pré-eclâmpsia não se limita ao período gestacional. Mulheres que desenvolveram a condição apresentam risco aumentado de doenças cardiovasculares, renais e metabólicas a longo prazo, evidenciando a necessidade de seguimento clínico após o puerpério (Bramham et al., 2022).

3.4 Eclâmpsia

A eclâmpsia é uma complicação grave da gestação, caracterizada pela ocorrência de crises convulsivas generalizadas em gestantes com pré-eclâmpsia, na ausência de outras causas neurológicas identificáveis. Embora menos comum que outras manifestações da SHEG, a eclâmpsia representa uma das principais causas de morbimortalidade materna e perinatal, principalmente em países em desenvolvimento (Siqueira et al., 2022).

A fisiopatologia da eclâmpsia ainda não é completamente compreendida, mas acredita-se que esteja relacionada à disfunção endotelial generalizada, lesão da barreira hematoencefálica e vasoespasmo cerebral, o que leva a edema cerebral e encefalopatia hipertensiva. Esses processos culminam em crises convulsivas que podem ocorrer durante a gestação, o parto ou no puerpério (Magee et al., 2021).

O diagnóstico da eclâmpsia é essencialmente clínico, sendo baseado na presença de convulsões tônico-clônicas em gestantes com sinais prévios de pré-eclâmpsia, como hipertensão arterial e proteinúria. No entanto, até 20% dos casos podem ocorrer sem sinais pré-existentes, tornando a vigilância clínica criteriosa indispensável ao longo do pré-natal (Pinto et al., 2021).

A abordagem da eclâmpsia é considerada uma emergência médica. O tratamento envolve o controle imediato das convulsões, sendo o sulfato de magnésio o fármaco de escolha por sua eficácia na prevenção de novas crises e na redução da mortalidade materna. Além disso, é fundamental o controle da pressão arterial com anti-hipertensivos seguros na gestação, como a hidralazina ou o labetalol, e a avaliação da necessidade de interrupção da gestação, que é o único tratamento definitivo (Da Silva et al., 2020).

De acordo com Oliveira et al. (2023), a mortalidade materna por eclâmpsia pode ultrapassar 10% em regiões com menor acesso a cuidados obstétricos especializados. Ademais, o risco de complicações fetais, como prematuridade, restrição do crescimento intrauterino e sofrimento fetal agudo, é elevado, sendo necessária uma abordagem multidisciplinar e hospitalar para redução desses desfechos adversos.

A eclâmpsia é não apenas uma complicação obstétrica aguda, mas também um marcador de risco cardiovascular e metabólico futuro para a mulher. A literatura atual reforça que mulheres que sofreram eclâmpsia apresentam risco aumentado de desenvolver hipertensão crônica, doenças cardiovasculares e eventos cerebrovasculares ao longo da vida (Wallis et al., 2022). Portanto, a prevenção, o diagnóstico precoce e o manejo adequado da eclâmpsia são fundamentais não apenas para o desfecho gestacional imediato, mas para a saúde futura da mulher.

3.5 Síndrome de HELLP

A síndrome de HELLP (Hemólise, Enzimas hepáticas Elevadas e Plaquetopenia) é uma complicação obstétrica grave, considerada uma variante ou evolução da pré-eclâmpsia grave, caracterizada pela tríade de hemólise microangiopática, elevação de enzimas hepáticas e trombocitopenia. Embora rara, acometendo entre 0,5% e 0,9% de todas as gestações, a HELLP pode afetar até 20% das pacientes com pré-eclâmpsia grave, sendo associada a alta morbimortalidade materna e perinatal (Sibai, 2020).

A fisiopatologia da HELLP ainda não é totalmente esclarecida, porém, acredita-se que envolva ativação endotelial sistêmica, disfunção hepática e lesão microvascular, o que leva a uma coagulação intravascular localizada e hemólise (Koopmans et al., 2021). O início geralmente ocorre no terceiro trimestre da gestação, mas em cerca de 30% dos casos pode surgir no pós-parto imediato, o que demanda atenção clínica contínua mesmo após o nascimento (Wikström et al., 2022).

Clinicamente, a síndrome manifesta-se com sintomas inespecíficos como dor no quadrante superior direito do abdome, náuseas, vômitos, cefaleia e mal-estar. Esses sintomas podem dificultar o diagnóstico, muitas vezes confundido com condições gastrointestinais ou hepatobiliares. O diagnóstico laboratorial é feito com base na presença de hemólise (evidenciada por aumento de DHL e esquizócitos), elevação das transaminases (AST e ALT) e contagem de plaquetas inferior a 100.000/mm³ (Teran et al., 2023).

O tratamento da HELLP consiste prioritariamente na interrupção da gestação, independentemente da idade gestacional, quando os riscos para a mãe superam os benefícios da manutenção da gravidez. O uso de corticoides pode ser considerado para maturação pulmonar fetal, mas seu papel no tratamento da própria síndrome permanece controverso (Maganha et al., 2021). 

Do ponto de vista fetal, a HELLP está associada a elevado risco de prematuridade, restrição de crescimento intrauterino e óbito perinatal, com taxas que podem variar de 7% a 34%, dependendo da gravidade e da precocidade do diagnóstico (Ferreira et al., 2020). Assim, o manejo deve ser realizado em ambiente hospitalar de alta complexidade, com equipe multiprofissional.

Embora a etiologia e patogênese da HELLP ainda necessitem de maiores esclarecimentos, é um indicativo importante de descompensação sistêmica na gestação. Estudos apontam que mulheres que desenvolvem essa síndrome possuem risco aumentado de desenvolver doenças cardiovasculares e renais crônicas após o parto, o que reforça a necessidade de acompanhamento a longo período (Wallis et al., 2022).

3.6 SHEG

A SHEG, que inclui condições como hipertensão gestacional, pré-eclâmpsia, eclâmpsia e síndrome de HELLP, representam complicações obstétricas de significativa preocupação devido à sua associação com elevados índices de morbidade e mortalidade materna e perinatal. Globalmente, a incidência dessas síndromes aumentou de 16,3 milhões em 1990 para 18,08 milhões em 2019, refletindo um incremento de 10,92% nesse período. Entretanto, a taxa de incidência padronizada por idade apresentou uma redução anual média de 0,68%, sugerindo avanços nos cuidados pré-natais e estratégias de prevenção (Liu et al., 2021).

A distribuição das SHEG varia substancialmente entre as regiões. Em 2019, o sul da Ásia registrou a maior incidência, com 3,84 milhões de casos, seguido pela África Subsaariana ocidental, com 3,71 milhões, e pela África Subsaariana oriental, com 3,12 milhões. Essas disparidades regionais podem ser atribuídas a diferenças nos sistemas de saúde, acesso a cuidados pré-natais e prevalência de fatores de risco como desnutrição e doenças infecciosas (Wallis et al., 2022).

No Brasil, as SHEG continuam sendo uma das principais causas de mortalidade materna. Estudos indicam que a prevalência dessas síndromes no país é significativa, embora dados específicos atualizados sejam limitados. A implementação de políticas públicas focadas na melhoria do atendimento pré-natal e no manejo adequado da hipertensão durante a gestação é crucial para a redução desses índices (Hutcheon et al., 2011).

A relação entre a prevalência das SHEG e indicadores socioeconômicos é evidente. Países com índices de desenvolvimento humano (IDH) mais baixos apresentam taxas de incidência mais elevadas, ressaltando a necessidade de investimentos em infraestrutura de saúde e educação para mitigar os impactos dessas condições (Wang et al., 2021).

Segundo De Ricardo Cavalli et al. (2019), a SHEG constitui um desafio global de saúde pública, com variações regionais marcantes. No contexto brasileiro, a priorização de estratégias que promovam o acesso equitativo a cuidados pré-natais de qualidade é fundamental para a melhoria dos desfechos maternos e perinatais associados a essas síndromes.

Um estudo realizado em 2002 analisou 604 prontuários de mulheres internadas em uma maternidade pública, identificando uma prevalência de 3,64% de casos de Doença Hipertensiva Específica da Gestação (DHEG). As complicações mais frequentes observadas foram parto cesáreo (77,27%), prematuridade (50%) e óbito fetal (13,63%) (Gonçalves et al., 2005).

Outro estudo, utilizando dados da pesquisa “Nascer no Brasil” de 2011 e 2012, analisou possíveis associações entre SHEG e características sociodemográficas em mães adolescentes e adultas jovens. Os resultados indicaram que a SHEG foi mais prevalente em mães adolescentes com baixa escolaridade e acesso inadequado ao pré-natal (Bacelar et al., 2017).​ 

Além disso, pesquisa publicada em 2021 investigou o efeito causal das síndromes hipertensivas da gestação sobre a prematuridade. O estudo concluiu que as mulheres com síndromes hipertensivas tiveram 2,74 vezes mais chances de ter nascimento prematuro precoce e 2,40 vezes mais chances de ter nascimento prematuro tardio, reforçando a relevância do controle dessas síndromes no pré-natal (Franco et al., 2025).

4. METODOLOGIA

4.1 Tipo de estudo

Será desenvolvida uma revisão integrativa da literatura (RIL), seguindo os passos adotados no trabalho de Pereira et al. (2024), sendo a RIL uma metodologia de pesquisa que permite a análise e síntese de evidências científicas sobre um determinado tema, integrando estudos com diferentes abordagens metodológicas, como quantitativas e qualitativas (Correia et al., 2024). 

Essa abordagem é amplamente utilizada na área da saúde, pois possibilita a compreensão aprofundada de fenômenos complexos, contribuindo para a prática baseada em evidências. A RIL segue uma pesquisa bem elaborada, faz busca e seleção de estudos, análise crítica dos dados, interpretação dos resultados e apresentação das conclusões (Silva et al., 2024). Por sua natureza abrangente, a RIL pode ser considerada uma ferramenta valiosa para a tomada de decisões clínicas e para o avanço do conhecimento científico, promovendo a integração entre teoria e prática.

4.2 Fonte de informações

Este estudo buscará na literatura artigos entre os anos de 2020 à 2025, seguindo essa restrição de tempo, nas seguintes bases de dados: Scientific Electronic Library Online (SciELO), Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), MEDLINE, e na Biblioteca Virtual em Saúde (BVS.

4.3 Técnica de coleta de dados

A pesquisa para recuperar os artigos foi realizada em agosto de 2025 diretamente na BVS, e comparada nas outras bases de dados. Logo após ocorrerá a seleção dos artigos. Será então criada uma estratégia de busca com objetivo de se obter uma maior sensibilidade e precisão para encontrar os documentos de interesse. Utilizaremos uma estratégia de busca com a utilização dos seguintes operadores boleanos, “AND” e “OR”. Os descritores serão testados antes das buscas nos Descritores em Ciências da Saúde (DECS). 

A estratégia de busca utilizada para esta revisão foi através dos seguintes descritores: (Hipertensão gestacional OR Hipertensão Induzida por Gravidez OR Hipertensão Transiente da Gravidez AND Enfermagem OR Assistência de enfermagem OR Cuidado de enfermagem).

4.4 Critério de inclusão

Como critério de inclusão, serão utilizados apenas artigos originais publicados e presentes nas bases escolhidas, com restrição de tempo e com restrição de idioma, sendo considerados apenas os artigos publicados em português e inglês, e que possuam como objeto de estudo a prevenção da SHEG. 

4.5 Critério de exclusão

Por outro lado, será levado em consideração como critério de exclusão, documentos como, carta ao editor, resumos publicados em anais de congresso, capítulo de livro, dissertação e tese, além de títulos e resumos não condizentes com a temática abordada, e publicados em outro idioma que não o português ou inglês.

4.6 Técnica de análise de dados

Algumas análises de dados métricas serão realizadas, uma vez que ajudará a mapear com maior precisão alguns autores e citações de seus trabalhos. Além disso, mapearemos as revistas e os tipos de estudos desses trabalhos eleitos. 

Para o desenvolvimento das métricas dos autores, revistas e tipos de estudos, utilizamos a ferramenta excel®, sendo bastante útil para o desenvolvimento de representações gráficas dos achados.

4.7 Aspectos éticos

A RIL deve priorizar estudos que respeitaram os princípios éticos da autonomia, beneficência, não maleficência e justiça, especialmente em contextos de saúde materno-infantil, onde as vulnerabilidades são amplificadas (Beauchamp et al., 2019). A síntese dos dados deve ser conduzida de forma imparcial, evitando a manipulação de resultados ou a omissão de estudos relevantes que possam contradizer as hipóteses iniciais. Por fim, os pesquisadores devem reconhecer as limitações da revisão e evitar generalizações que possam impactar negativamente a prática clínica ou a saúde das gestantes. A ética na RIL, portanto, não se limita à coleta e análise de dados, mas também à responsabilidade social de produzir conhecimento que contribua para o bem-estar das populações estudadas.

4.8 Riscos e benefícios 

Como riscos, é possível ter viés de seleção: A inclusão de estudos com metodologias heterogêneas ou de baixa qualidade pode comprometer a validade das conclusões da revisão; Sobrecarga de informações: A grande quantidade de estudos publicados sobre SHEG pode dificultar a seleção e análise crítica dos dados, exigindo um planejamento rigoroso e tempo dedicado; Interpretação equivocada: A síntese de resultados complexos e, por vezes, contraditórios pode levar a conclusões errôneas, especialmente se não houver uma análise crítica aprofundada; Impacto emocional: Trabalhar com temas relacionados a complicações gestacionais pode ser desgastante para os pesquisadores, especialmente ao lidar com desfechos negativos, como morbimortalidade materna e fetal; Uso inadequado dos resultados: Se a RIL não for conduzida com rigor metodológico, suas conclusões podem ser mal interpretadas ou utilizadas de forma inadequada na prática clínica, potencialmente causando danos às gestantes e seus bebês.

Já como benefícios, é possível observar as lacunas no conhecimento: A revisão pode revelar áreas que necessitam de mais investigação, direcionando futuras pesquisas e políticas públicas; Integração de diferentes abordagens: A RIL permite a análise de estudos quantitativos e qualitativos, proporcionando uma visão mais abrangente e contextualizada dos problemas relacionados à SHEG; Impacto na saúde pública: A síntese de evidências pode subsidiar estratégias de prevenção, diagnóstico precoce e tratamento, reduzindo complicações como pré-eclâmpsia, parto prematuro e macrossomia fetal; Disseminação do conhecimento: A RIL pode ser publicada e compartilhada com a comunidade científica e profissionais de saúde, ampliando o acesso a informações atualizadas e confiáveis.

4.9 Análise de conteúdo

Será adotada a análise de conteúdo de Bardin, que é uma ferramenta sistemática e rigorosa para interpretar e categorizar os dados extraídos dos estudos selecionados. A análise de conteúdo, conforme proposta por Bardin (2011), é um método que permite organizar e analisar informações qualitativas de forma estruturada, seguindo três etapas principais: pré-análise, exploração do material e tratamento dos resultados.

Na pré-análise, os pesquisadores organizam o corpus de estudos selecionados, definindo os critérios de inclusão e exclusão, e estabelecem os objetivos da análise. Em seguida, na fase de exploração do material, os dados são codificados e categorizados com base em temas ou padrões recorrentes, utilizando-se de unidades de registro (palavras, frases ou trechos) e unidades de contexto (segmentos que fornecem significado às unidades de registro). Por fim, na etapa de tratamento dos resultados, as categorias são analisadas criticamente, buscando-se inferências e interpretações que respondam à pergunta de pesquisa da RIL.

A aplicação da análise de conteúdo de Bardin na RIL permite uma abordagem detalhada e reflexiva dos dados, facilitando a identificação de tendências, lacunas e contradições na literatura. Além disso, esse método contribui para a transparência e a reprodutibilidade da revisão, uma vez que suas etapas são claramente descritas e podem ser replicadas por outros pesquisadores. No contexto de uma RIL sobre temas complexos, como saúde materno-infantil, a análise de conteúdo de Bardin é particularmente útil para sintetizar evidências qualitativas e integrá-las às descobertas quantitativas, enriquecendo a compreensão do fenômeno estudado. Abaixo, na Figura 1, a representação prévia do fluxograma das etapas metodológicas seguidas neste trabalho.

Figura 1. Fluxograma metodológico

Fonte: Autores, 2025.

5. RESULTADOS

Após as buscas nas bases de dados e bibliotecas, foram selecionados 22 estudos, dos quais 13 foram excluídos, pois não tratavam o nosso tema de investigação como objeto de estudo. Esta pesquisa resultou num total de 9 artigos eleitos. O quadro 1, abaixo, identifica os estudos por meio dos autores, ano, título e DOI.

Quadro 1. Tabela de dados extraídos dos artigos eleitos.

AutorTítuloDOI / URL
E1Fassarella et al., 2020Nursing care aimed at pregnant women with hypertensive disease specific to pregnancy10.33448/rsd-v9i9.6768
E2Cassiano et al., 2020Perinatal outcomes in pregnant women with hypertensive syndromes: An integrative review10.5902/2179769233476
E3Lentsck et al., 2021Fatores associados à síndrome hipertensiva da gestação: análise múltipla em modelos hierarquizadoshttps://pesquisa.bvsalud.org/portal/resource/mídias/biblio-1222690
E4Neto et al., 2022Fatores de risco e elementos primitivos no desenvolvimento de síndromes hipertensivas no pré-natal: revisão integrativa10.5902/2179769267098
E5Damasceno et al., 2022O papel da enfermagem nas síndromes hipertensivas da gravidez: Revisão integrativahttps://revistas.mpmcomunicacao.com.br/index.php/revistanursing/article/view/2544
E6Ramos et al., 2023Perfil de óbitos por hipertensão gestacional no Maranhão: estudo ecológico10.18606/2318-1419/amazonia.sci.health.v11n2p11-23
E7Da Silva. Et al., 2023Atuação do enfermeiro mediante doenças hipertensivas específicas da gestação na atenção primária à saúde: revisão integrativa10.36557/2674-8169.2023v5n5p4932-4945
E8Alves et al., 2024Assistência de enfermagem a mulheres com síndrome hipertensiva específica da gestação10.51891/rease.v10i11.16480
E9Costa et al., 2025Complicações da hipertensão arterial gestacional10.52076/eacad-v6i1.604

Fonte: Autores, 2025.

Abaixo, no quadro 2, detalha os principais achados dos nove artigos eleitos neste estudo. Além disso, elaborar um quadro com os achados dos artigos eleitos em uma revisão bibliográfica é fundamental, pois ele possibilita a organização e sistematização das informações, favorecendo a comparação entre os estudos, a identificação de convergências e divergências nos resultados, além de oferecer maior clareza e transparência na apresentação dos dados, o que facilita a análise crítica e a síntese do conhecimento produzido, servindo de base para novas interpretações e direcionamentos de pesquisa (Sampaio & Mancini, 2007).

Quadro 2. Principais achados dos artigos eleitos.

Resultados principais
E1Os autores destacam que o papel do enfermeiro inclui promover o autocuidado da gestante, bem como incentivar a adesão às orientações de saúde preestabelecidas, de forma a evitar ou mitigar os efeitos da DHEG. Ainda é salientado que o pré-natal adequado, bem como o treinamento dos profissionais de enfermagem, permitem a identificação precoce da DHEG, viabilizando intervenções preventivas e tratamentos apropriados, o que contribui para reduzir complicações materno-fetal. O estudo conclui que, quando bem executados, esses cuidados de enfermagem (pré-natal + capacitação profissional) melhoram a qualidade de vida da gestante e os desfechos para o feto, já que diminuem a morbidade ligada à hipertensão gestacional.
E2Este artigo evidenciou que as síndromes hipertensivas na gestação estão fortemente associadas a desfechos perinatais adversos, destacando-se o aumento significativo das taxas de prematuridade, baixo peso ao nascer, restrição de crescimento intrauterino, óbito perinatal e necessidade de internação em unidade de terapia intensiva neonatal; além disso, o estudo aponta que a gravidade e a precocidade do surgimento da hipertensão influenciam diretamente na magnitude das complicações, reforçando a importância do diagnóstico precoce, acompanhamento multiprofissional e adoção de estratégias preventivas para reduzir os riscos materno-fetais.
E3O estudo identificou que a ocorrência da síndrome hipertensiva da gestação esteve fortemente associada a fatores maternos e contextuais, como idade materna avançada, excesso de peso/obesidade antes da gestação, antecedentes de hipertensão arterial crônica, histórico de hipertensão em gestações anteriores, menor escolaridade e ausência de acompanhamento pré-natal adequado, sendo esses determinantes importantes para o aumento do risco da doença; os autores ressaltam que tais achados evidenciam a necessidade de estratégias preventivas direcionadas a mulheres com esses perfis de risco, bem como de políticas públicas que garantam acesso universal e qualificado ao pré-natal.
E4O artigo demonstrou que as síndromes hipertensivas da gestação estão fortemente associadas a fatores de risco como idade materna extrema (menores de 18 anos e maiores de 35 anos), histórico familiar de hipertensão, obesidade, diabetes mellitus, sedentarismo e baixa condição socioeconômica, além de gestações múltiplas e antecedentes obstétricos negativos; os autores destacam ainda que elementos primitivos, como alterações vasculares, inflamação sistêmica e disfunções endoteliais, desempenham papel central na gênese dessas síndromes, reforçando a importância de um acompanhamento pré-natal criterioso para o rastreamento precoce desses fatores e a prevenção de complicações maternas e fetais.
E5O estudo apontou que a atuação da enfermagem é fundamental na prevenção, diagnóstico precoce e acompanhamento das gestantes com síndromes hipertensivas, uma vez que esses profissionais estão diretamente envolvidos no cuidado pré-natal e na educação em saúde. Os resultados evidenciam que o enfermeiro exerce papel estratégico na promoção de orientações sobre hábitos de vida saudáveis, adesão ao tratamento, identificação de sinais de risco e encaminhamento oportuno, contribuindo para a redução de complicações maternas e perinatais. Além disso, a pesquisa destaca que a prática de cuidados humanizados, o fortalecimento do vínculo com a gestante e a utilização de protocolos de assistência baseados em evidências potencializam a qualidade do cuidado e a segurança no processo gestacional.
E6Entre 2011 e 2020, foram contabilizados 291 óbitos maternos por causas hipertensivas no Maranhão, sendo as maiores proporções observadas nos municípios de São Luís, Imperatriz, Grajaú, Caxias, Barra do Corda e Santa Inês. A maioria das mulheres que morreram era de cor/raça parda (≈ 69 %), na faixa etária de 20-29 anos (≈ 39 %), com escolaridade entre 8 e 11 anos (≈ 41 %) e solteiras (≈ 45 %). Os óbitos ocorreram predominantemente em ambiente hospitalar (≈ 86 %) e no puerpério imediato (até 42 dias após o parto) (≈ 40 %). Quanto ao tipo de hipertensão, a eclâmpsia foi a principal causa (≈ 58 % dos casos), seguida da hipertensão gestacional com proteinúria significativa (≈ 23 %) e de outras formas como pré-eclâmpsia grave. Observou-se também que quase todas as mortes foram por causas obstétricas diretas (≈ 93 %), apontando para desigualdades relacionadas a populações vulneráveis.
E7O artigo evidencia que, na Atenção Primária à Saúde (APS), o enfermeiro desempenha papel crucial no cuidado às gestantes com Doenças Hipertensivas Específicas da Gestação (DHEG), notadamente na detecção precoce dos fatores de risco, no monitoramento contínuo dos sinais e sintomas, no acompanhamento pré-natal qualificado e na educação em saúde; constata-se que uma assistência eficaz depende de enfermeiros com formação científica, autonomia e habilidades para intervenção, atuando de modo integrado com equipe multiprofissional; conclui-se que para reduzir a morbimortalidade materno-fetal associada às DHEG é indispensável investimento em qualificação profissional, protocolos de atenção padronizados e atenção centrada em prevenção e identificação precoce.
E8Os resultados indicam que a enfermagem exerce papel central desde o pré-natal até o cuidado hospitalar, destacando-se: monitorização contínua da pressão arterial, exame físico, acompanhamento da frequência cardíaca fetal e sinais de complicações; utilização da Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE) para identificar fatores de risco, planejar cuidados individualizados e intervir precocemente; administração de medicamentos anti-hipertensivos e uso de sulfato de magnésio em casos de pré-eclâmpsia; ênfase na educação da gestante, orientação nutricional e apoio psicológico para prevenir agravamentos; e que essas ações integradas contribuem para redução de complicações maternas e fetais.
E9O artigo destaca que a hipertensão arterial gestacional (HAG) é um problema de saúde pública com elevadas taxas de morbimortalidade materna e perinatal, afetando entre 6% e 30% das gestantes. A pesquisa, baseada em uma revisão integrativa de estudos publicados nas bases de dados LILACS e EBSCO, identificou as principais complicações da HAG, incluindo pré-eclâmpsia, eclâmpsia, hipertensão gestacional e síndrome HELLP. O estudo enfatiza que essas complicações são passíveis de prevenção por meio de diagnóstico precoce, acompanhamento regular do pré-natal, assistência individualizada e um sistema de referência eficaz e rápido. Além disso, destaca o papel fundamental dos profissionais de enfermagem na implementação de planos de cuidados especializados, visando à humanização da assistência e à promoção da saúde das gestantes.

Fonte: Autores, 2025.

5.1 Revistas nas quais os estudos foram publicados

Os estudos publicados que foram selecionados, somam um total de 42 citações nas revistas, com média de 4,6 citações. A revista que mais soma citações, é a Revista de Enfermagem da UFSM (n=13), logo após vem a Revista Nursing (n=11), Rev. Pesqui. (Univ. Fed. Estado Rio J., Online) (n=9) e Research, Society and Development (n=8). A revista com a maior quantidade de documentos publicados, também foi a Revista de Enfermagem da UFSM (n=2). As outras revistas publicaram um artigo, cada.

Figura 2. Identificação das revistas nas quais os estudos foram publicados.

Fonte: Autores, 2025.

5.2 Ano de publicação

Os anos de 2020, 2022 e 2023, publicaram dois documentos, cada. 2021, 2024 e 2025 publicaram um documento, cada. O ano de publicação que apresentou uma maior quantidade de citações, foi 2022 (n=24), logo em seguida, vem o ano de 2021, com nove citações, e 2020, com 8 citações.

Figura 3. Ano de publicação dos estudos eleitos, citações e quantidade de documentos.

Fonte: Autores, 2025.

5.3 Tipos de estudo

Foram identificados três tipos de estudos diferentes (revisão da literatura, estudo retrospectivo e estudo transversal). O tipo de estudo mais resgatado neste documento, foi a revisão da literatura, somando sete estudos, com 32 citações, representando também a maior quantidade de citações. O outro tipo de estudo com mais citações, foi o estudo transversal (n=9). O estudo retrospectivo somou apenas um documento e uma citação.

Figura 4. Tipos de estudos dos artigos selecionados.

Fonte: Autores, 2025.

6. DISCUSSÃO

Os dados métricos demonstram que a produção científica sobre a atuação da enfermagem frente às síndromes hipertensivas da gestação está concentrada em periódicos consolidados da área, o que reforça a credibilidade e a relevância do tema no campo da saúde materna. A predominância de publicações em revistas como a Revista de Enfermagem da UFSM e a Revista Nursing evidencia que a discussão sobre o papel do enfermeiro na prevenção e manejo da hipertensão gestacional tem sido amplamente difundida em veículos de grande alcance e impacto acadêmico. Essa concentração também indica o fortalecimento da pesquisa em enfermagem obstétrica, refletindo o empenho dos profissionais em contribuir para o desenvolvimento científico e para a qualificação das práticas assistenciais relacionadas ao pré-natal e à segurança materno-fetal.

Além disso, a distribuição temporal e o tipo de estudo demonstram um amadurecimento gradual da produção científica entre 2020 e 2025, com destaque para o ano de 2022, que apresentou maior número de citações, sugerindo maior visibilidade e consolidação das evidências publicadas. A predominância de revisões de literatura, que somaram sete dos nove artigos analisados, aponta para uma tendência de sistematização e reflexão crítica do conhecimento já produzido, servindo de base para a implementação de práticas baseadas em evidências. Os estudos transversais e retrospectivos, embora menos numerosos, complementam esse panorama ao fornecer dados empíricos que sustentam as conclusões das revisões. Em conjunto, esses resultados revelam um cenário de fortalecimento científico da enfermagem, marcado pela busca constante de atualização e pela valorização do conhecimento técnico e científico como ferramentas para aprimorar a assistência à gestante com risco de síndromes hipertensivas.

6.1 Evidências da literatura sobre as estratégias de enfermagem para prevenir o desenvolvimento da SHEG e as principais estratégias de enfermagem 

A presente discussão sintetiza as evidências constantes nos nove artigos (E1–E9) a respeito das estratégias de enfermagem para prevenir o desenvolvimento da Síndrome Hipertensiva Específica da Gestação (SHEG), descreve as principais estratégias relatadas, apresenta os diagnósticos de enfermagem mais frequentemente aplicáveis na assistência à SHEG e aborda as barreiras e desafios identificados na literatura revisada.

As revisões integrativas e estudos observacionais do conjunto de artigos mostram consenso em torno de três linhas de ação apoiadas por evidência prática: (a) rastreio precoce e estratificação de risco no pré-natal; (b) monitorização sistemática de sinais clínicos e de exames com técnica padronizada; e (c) educação em saúde dirigida à gestante sobre sinais de alerta e adesão ao seguimento. Revisões que analisaram práticas de enfermagem enfatizam que essas medidas, quando implementadas de forma contínua e articulada, contribuem para a detecção precoce e redução de desfechos adversos (E1; E2; E5; E7; E8). Estudos que investigaram fatores associados e perfil de óbitos confirmam que lacunas no pré-natal e na vigilância clínica estão relacionadas a piores desfechos, reforçando o impacto potencial das estratégias de enfermagem na prevenção da SHEG (E3; E6). Assim, há evidência consistente ainda que majoritariamente descritiva e consensual nas revisões de que iniciativas de baixo custo e rotina são eficazes para reduzir risco e gravidade da SHEG quando corretamente aplicadas (E1; E2; E5; E7; E8).

As estratégias de enfermagem para prevenir a Síndrome Hipertensiva Específica da Gestação (SHEG) descritas na literatura podem ser agrupadas em práticas clínicas, educativas e organizacionais. No âmbito clínico, destaca-se o rastreio e a estratificação precoce de risco, realizados no início do pré-natal, com identificação de fatores predisponentes como hipertensão prévia, diabetes, obesidade, primigestação e idade materna extrema. Essa triagem sistemática, acompanhada de registro padronizado e encaminhamento adequado, é apontada como fundamental para direcionar o acompanhamento e prevenir complicações (E3; E4; E7).

A monitorização contínua da pressão arterial e da proteinúria, com técnica padronizada, repetição de medidas quando necessário e calibração regular dos equipamentos, também se destaca como estratégia central na detecção precoce da pré-eclâmpsia. Associada a isso, a vigilância clínica constante por meio da observação de sintomas como cefaleia intensa, alterações visuais, dor epigástrica e edema súbito permite o reconhecimento rápido do agravamento do quadro e o encaminhamento oportuno da gestante para níveis de maior complexidade (E1; E5; E8).

Em relação às ações educativas, os estudos ressaltam a importância da educação em saúde contínua, individual e coletiva, promovida pelo enfermeiro. Essa prática busca desenvolver na gestante o reconhecimento dos sinais de alerta, o uso correto das medicações e a adesão ao acompanhamento pré-natal. A literatura evidencia que a orientação adequada reduz atrasos na busca por atendimento e melhora os desfechos maternos e fetais, tornando-se uma das estratégias mais efetivas de prevenção (E2; E7; E8).

Por fim, as estratégias organizacionais abrangem a capacitação permanente da equipe de enfermagem, a implementação de protocolos assistenciais e fluxos de referência e contrarreferência, além do seguimento ativo das gestantes de risco, incluindo visitas domiciliares e telemonitoramento. Tais medidas fortalecem a padronização das condutas, reduzem falhas no processo assistencial e ampliam o acesso das gestantes aos serviços de saúde, contribuindo diretamente para a prevenção e o manejo precoce da SHEG (E1; E5; E7; E8).

6.2 Os principais diagnósticos de enfermagem aplicáveis a assistência de enfermagem à SHEG

Os estudos analisados evidenciam que os principais diagnósticos de enfermagem aplicáveis à assistência da Síndrome Hipertensiva Específica da Gestação (SHEG) estão relacionados às alterações hemodinâmicas, metabólicas e emocionais decorrentes da doença. Entre eles, destacam-se o risco de perfusão tissular prejudicada, associado à hipertensão persistente e vasoconstrição, e o risco de lesão materna ou fetal, que decorre da redução do fluxo placentário e das complicações como eclâmpsia e descolamento prematuro de placenta. Esses diagnósticos, enfatizados em E1, E5 e E8, orientam a vigilância contínua e o encaminhamento precoce de gestantes em risco, assegurando uma intervenção oportuna e direcionada.

Outro diagnóstico recorrente é o risco de volume de líquidos excessivo, identificado em E5 e E8, que se relaciona à retenção hídrica e ao aumento da permeabilidade capilar característicos da pré-eclâmpsia. O controle rigoroso do edema, da diurese e do peso corporal é indicado como conduta essencial para monitorar a evolução do quadro clínico. Paralelamente, os diagnósticos de conhecimento deficiente e ansiedade são frequentemente descritos nos estudos E2, E7, E3, E4 e E9, refletindo a necessidade de ações educativas e de suporte emocional contínuo às gestantes, que enfrentam medo, insegurança e dúvidas quanto à evolução da gravidez e ao bem-estar fetal.

Também são citados diagnósticos complementares como padrão de sono prejudicado, integridade cutânea prejudicada e nutrição desequilibrada, observados em gestantes com desconforto físico, edema e mudanças alimentares associadas ao tratamento da hipertensão (E8 e E9). Esses diagnósticos ampliam o olhar da enfermagem, permitindo um cuidado integral e interdisciplinar que contempla tanto os aspectos clínicos quanto psicossociais da paciente.

De modo geral, os artigos ressaltam que a formulação dos diagnósticos de enfermagem deve ser baseada no raciocínio clínico e na avaliação sistemática dos sinais e fatores de risco identificados no pré-natal. Essa abordagem possibilita intervenções específicas e mensuráveis, como monitorização da pressão arterial, controle de líquidos, orientação educativa e suporte emocional. Assim, conforme destacado em E1, E5 e E7, o uso dos diagnósticos de enfermagem contribui para o planejamento de cuidados individualizados, fortalecendo a prevenção de complicações e a promoção da segurança materno-fetal.

6.3 Barreiras e desafios enfrentadas pela enfermagem

Os estudos reunidos nos artigos (E1–E9) apontam diversas barreiras que comprometem a efetividade das ações de enfermagem na prevenção e manejo da Síndrome Hipertensiva Específica da Gestação (SHEG). Entre elas, destacam-se o início tardio e a baixa cobertura do pré-natal, que reduzem a possibilidade de rastreamento precoce e de identificação de fatores de risco (E3; E4; E6). Soma-se a isso o déficit de capacitação técnica em algumas unidades, com falhas na medição da pressão arterial, na interpretação da proteinúria e nos critérios de encaminhamento, o que contribui para o subdiagnóstico e o atraso nas condutas. Os autores ressaltam que a formação continuada da equipe de enfermagem é essencial para qualificar o atendimento e evitar desfechos adversos (E1; E5; E7).

Outra dificuldade recorrente refere-se à ausência ou ao não cumprimento de protocolos padronizados e às falhas nos fluxos de referência e contrarreferência, que prolongam o tempo de resposta frente a sinais de agravamento (E1; E5; E7). Além disso, a sobrecarga de trabalho e a escassez de recursos humanos e materiais nas unidades básicas limitam o tempo disponível para a realização de ações educativas e de acompanhamento individualizado (E5; E6). Essas condições tornam o cuidado fragmentado e reduzem a capacidade da enfermagem de intervir de forma precoce e contínua no monitoramento das gestantes de risco.

Por fim, observam-se barreiras socioculturais e econômicas que interferem diretamente na adesão das gestantes ao cuidado, como baixa escolaridade, crenças culturais, dificuldades de transporte e receio de procurar o serviço de saúde, fatores apontados em E2, E6 e E8. Em alguns contextos, também se verifica fragilidade no cuidado pós-diagnóstico, com dificuldade de acesso a níveis mais complexos e demora nas internações indicadas, o que agrava os desfechos e aumenta os índices de mortalidade materna (E6; E3). Diante desse cenário, os estudos reforçam a necessidade de ações integradas, como capacitação permanente, padronização de protocolos, fortalecimento dos fluxos de encaminhamento e ampliação do acesso das populações vulneráveis aos serviços de saúde (E1; E5; E6; E7).

7. CONCLUSÃO

A análise dos nove artigos evidencia que a enfermagem desempenha papel fundamental na prevenção, detecção precoce e manejo da Síndrome Hipertensiva Específica da Gestação (SHEG). As estratégias identificadas destacam a importância do rastreamento precoce dos fatores de risco, da monitorização contínua dos parâmetros clínicos e da educação em saúde voltada à gestante. Quando aplicadas de forma sistemática e respaldadas por protocolos assistenciais, essas ações reduzem a incidência de complicações e contribuem para a melhoria dos indicadores de saúde materna e perinatal. A atuação do enfermeiro, portanto, é decisiva tanto no cuidado direto à gestante quanto na articulação entre os diferentes níveis de atenção.

Os diagnósticos de enfermagem mais recorrentes, como, risco de perfusão tissular prejudicada, risco de lesão materna/fetal, risco de volume de líquidos excessivo, conhecimento deficiente e ansiedade, reforçam a necessidade de uma abordagem integral e individualizada. Esses diagnósticos permitem que o enfermeiro estruture planos de cuidados direcionados à prevenção de complicações, à promoção da segurança materno-fetal e ao fortalecimento do vínculo com a gestante. 

Apesar dos avanços evidenciados nas práticas de enfermagem, os estudos revelam barreiras significativas que ainda comprometem a efetividade das ações preventivas, como o início tardio do pré-natal, a falta de capacitação técnica, a sobrecarga de trabalho, a ausência de protocolos padronizados e fatores socioculturais que limitam a adesão das gestantes. Diante disso, conclui-se que o fortalecimento das ações de enfermagem requer investimento contínuo em educação permanente, ampliação do acesso ao pré-natal e integração entre os serviços de saúde. Assim, o protagonismo do enfermeiro se consolida como elemento essencial para reduzir a morbimortalidade materna e garantir um cuidado humanizado e seguro às gestantes com risco ou diagnóstico de SHEG.

Em adição, a análise métrica dos nove estudos revela que a produção científica sobre a assistência de enfermagem às síndromes hipertensivas da gestação concentra-se em periódicos de destaque nacional, especialmente na Revista de Enfermagem da UFSM, que obteve o maior número de citações (n=13) e publicações (n=2), seguida pela Revista Nursing (n=11) e Rev. Pesqui. (n=9). Observa-se maior produção entre 2020 e 2023, com destaque para 2022, ano que apresentou o maior número de citações (n=24), indicando aumento do interesse e consolidação das pesquisas sobre o tema. Quanto à tipologia, as revisões de literatura predominam (sete artigos e 32 citações), refletindo o esforço em sintetizar evidências para aprimorar a prática assistencial, enquanto os estudos transversais e retrospectivos, embora menos frequentes, complementam a base empírica. Esses dados demonstram o fortalecimento da enfermagem na produção científica voltada à saúde materna, com foco na qualificação do cuidado e na prevenção das complicações hipertensivas na gestação.

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Roberta Alves da Silva
robertaalves336@gmail.com
Enfermeira, Universidade Federal do Maranhão