COMMUNICATION STRATEGIES FOR ADHERENCE TO PRE-EXPOSURE PROPHYLAXIS AMONG ADOLESCENTS AND YOUNG PEOPLE: AN INTEGRATIVE REVIEW
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ni10202506260704
Ana Caroline Do Nascimento Santos1
Katlen Fernandes Dos Santos2
Izabella Araujo Morais3
Patricia Silvestre Limeira4
Iane Brito Leal5
RESUMO
Objetivo: analisar como estratégias de comunicação em saúde influenciam a aceitação e a adesão à Profilaxia Pré-Exposição ao HIV entre adolescentes e jovens em situação de vulnerabilidade. Métodos: revisão integrativa da literatura, orientada pela estratégia PICO e baseada nos critérios metodológicos de Maria Thereza Souza, da Universidade Federal de Minas Gerais. A busca foi realizada nas bases PubMed, MEDLINE e LILACS, considerando publicações entre 2013 e 2024. A triagem e organização dos estudos foram conduzidas com o auxílio da plataforma Rayyan. Resultados: foram incluídos 10 artigos científicos, um protocolo oficial e uma nota técnica, ambos emitidos pelo Ministério da Saúde. Os estudos evidenciam que tecnologias digitais, mídias sociais e intervenções educativas são eficazes na promoção da conscientização e adesão à PrEP entre adolescentes e jovens. Persistem, contudo, desafios como o uso de linguagem técnica, barreiras éticas, estigmas sociais e dificuldades no acesso à informação. Discussão: as tecnologias digitais mostram potencial comunicativo com o público jovem, especialmente quando há personalização das mensagens, linguagem acessível e respeito à diversidade. Estratégias mais inclusivas e culturalmente sensíveis são fundamentais para ampliar o alcance das ações de prevenção. Conclusão: a aceitação da PrEP pode ser fortalecida por meio de estratégias de comunicação acessíveis, personalizadas e alinhadas às diretrizes clínicas e políticas públicas que garantam os direitos à saúde, à prevenção e ao enfrentamento do HIV entre jovens em situação de vulnerabilidade.
Palavras-chaves: Comunicação em saúde; PrEP; HIV; Adolescentes; Jovens; Vulnerabilidade social.
ABSTRACT:
Objective: To analyze how health communication strategies influence the acceptance and adherence to Pre-Exposure Prophylaxis (PrEP) for HIV among adolescents and young people in vulnerable situations. Methods: An integrative literature review was conducted, guided by the PICO strategy and based on the methodological criteria proposed by Maria Thereza Souza from the Federal University of Minas Gerais. The search was carried out in the PubMed, MEDLINE, and LILACS databases, considering publications from 2013 to 2024. Study screening and organization were conducted using the Rayyan platform. Results: A total of 10 scientific articles, one official protocol, and one technical note—both issued by the Brazilian Ministry of Health—were included. The studies indicate that digital technologies, social media, and educational interventions are effective in promoting awareness and adherence to PrEP among adolescents and young people. However, challenges remain, such as the use of technical language, ethical barriers, social stigma, and limited access to information. Discussion: Digital technologies have shown communication potential with young audiences, especially when messages are personalized, accessible, and respectful of diversity. More inclusive and culturally sensitive strategies are essential to expand the reach of prevention efforts. Conclusion: PrEP acceptance can be strengthened through accessible and personalized communication strategies aligned with clinical guidelines and public policies that safeguard the rights to health, prevention, and the HIV response among young people in vulnerable situations.
Keywords: Health communication; PrEP; HIV; adolescents; youth; social vulnerability.
1. INTRODUÇÃO
O Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV) é um retrovírus que pertence à subfamília Lentivirinae. Esse vírus tem a capacidade de atacar diretamente o sistema imunológico, especificamente os linfócitos T CD4+, células essenciais para a defesa do organismo humano. A infecção pelo HIV compromete a resposta imunobiológica, podendo levar à síndrome da imunodeficiência adquirida, caso não tratada adequadamente. O HIV é classificado como uma Infecção Sexualmente Transmissível (IST), sendo transmitido principalmente por meio de relações sexuais desprotegidas, mas também por outras vias, como o compartilhamento de seringas e a transmissão vertical (de mãe para filho) durante a gravidez, parto ou amamentação (BRASIL, 2024).
Atualmente, uma das principais estratégias de prevenção do HIV é a Profilaxia Pré-Exposição (PrEP), que consiste no uso de medicamentos antirretrovirais por pessoas que ainda não foram expostas ao vírus, mas que estão em situação de risco. O objetivo da PrEP é reduzir significativamente a probabilidade de infecção caso ocorra uma exposição ao HIV. Estudos demonstram que, quando tomada de forma adequada, a PrEP pode reduzir significativamente a probabilidade de transmissão do HIV, alcançando uma eficácia de quase total prevenção quando utilizada corretamente (OMS, 2021). Dessa forma, a PrEP representa um avanço significativo no controle da epidemia de HIV, especialmente em populações vulneráveis. A questão norteadora deste estudo é: como diferentes estratégias de comunicação em saúde influenciam a adesão à Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) entre adolescentes em risco de HIV? O foco está em explorar como abordagens de comunicação, tanto digitais quanto tradicionais, podem aumentar a aceitação e promover práticas preventivas.
A adolescência, fase que vai dos 10 aos 19 anos, conforme definido pela OMS, é um período de intensas mudanças físicas, emocionais e sociais. Nessa fase, a descoberta da sexualidade e a busca por autonomia em relação aos pais e à sociedade são aspectos marcantes. No entanto, esses fatores também tornam os adolescentes mais vulneráveis a comportamentos de risco, como o sexo desprotegido. Além disso, fatores como o consumo de álcool e drogas aumentam ainda mais essa vulnerabilidade, dificultando a adoção de práticas preventivas, como o uso de preservativos (Sociedade brasileira de pediatria, 2018).
Apesar de estarem cientes dos riscos, muitos adolescentes continuam a praticar sexo desprotegido, revelando uma discrepância entre o conhecimento dos riscos e a adoção de comportamentos preventivos (Almeida et al., 2020). Segundo a OMS, as infecções sexualmente transmissíveis, incluindo o HIV, têm apresentado um aumento considerável entre adolescentes, tornando-os um dos grupos mais vulneráveis ao vírus.
A justificativa deste trabalho baseia-se no aumento significativo das infecções por HIV entre adolescentes, o que configura uma significativa questão de saúde pública em nível global e demonstra particular vulnerabilidade desse grupo ao vírus. Apesar da Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) ser uma ferramenta comprovada para a prevenção do HIV, sua adesão entre os jovens ainda é limitada, principalmente devido ao estigma associado ao seu uso e à falta de informações acessíveis e claras. Nesse contexto, torna-se essencial investigar as estratégias de comunicação em saúde que podem aumentar a aceitação da PrEP entre adolescentes, utilizando abordagens digitais e tradicionais. Essas estratégias têm o potencial de desmistificar a PrEP, promover a compreensão de seus benefícios e contribuir para a redução da incidência de HIV. Este estudo busca analisar como diferentes abordagens de comunicação podem influenciar a percepção e a adesão à PrEP, promovendo a saúde sexual dos adolescentes e melhorando a prevenção do HIV nessa faixa etária. (Silva, 2021).
Este trabalho tem como objetivo investigar as estratégias de comunicação em saúde utilizadas por profissionais de enfermagem para influenciar a percepção e a adesão à Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) entre adolescentes. Especificamente, busca-se analisar como diferentes abordagens de comunicação, incluindo meios digitais e tradicionais, podem contribuir para aumentar a aceitação e o uso da PrEP, promovendo a saúde sexual dos jovens e contribuindo para a redução da incidência de HIV.
2. METODOLOGIA
Este estudo adotou a revisão integrativa, um método que permite a análise de múltiplas pesquisas, visando à identificação de evidências com potencial de aplicação prática. Essa abordagem permite ao pesquisador analisar diferentes tipos de estudos, tanto experimentais quanto não experimentais, unindo conhecimentos teóricos e práticos. Devido à sua natureza abrangente, que considera um tema sob diversas perspectivas, a revisão integrativa é vista como a abordagem metodológica mais completa para revisões, justificando sua escolha para este estudo (Souza, M. T. 2010).
Na primeira etapa, o tema foi escolhido considerando a importância da PrEP na prevenção do HIV, especialmente entre adolescentes e jovens vulneráveis. Para melhor orientar essa etapa, foi usada a estratégia PICO, que organiza os elementos da pergunta de pesquisa. O PICO foi definido: P (População): adolescentes em risco de HIV; I (Intervenção): estratégias de comunicação em saúde; C (Comparação): estratégias tradicionais; O (Resultado): comunicação eficaz, com maior aceitação e uso da PrEP. Com base nisso, foi formulada a pergunta que direcionou todo o processo de pesquisa e análise. A pergunta norteadora deste estudo é: de que forma as diferentes estratégias de comunicação em saúde influenciam a adesão à Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) entre adolescentes com risco de HIV?
Na etapa seguinte, estabeleceram-se os critérios de inclusão e exclusão. Foram incluídos estudos publicados entre 2013 e 2025, em português e inglês, que abordassem a PrEP em adolescentes ou jovens, e também aqueles que tratassem de algum tipo de estratégias de comunicação em saúde.
Na terceira etapa, a busca de artigos foi realizada utilizando os descritores: “HIV”, “Profilaxia Pré-Exposição”, “Adolescentes”, “Jovens”, “Comunicação em Saúde” e “Adesão à Medicação”. Esses termos foram combinados com os booleanos AND e OR, melhorando as buscas. A estratégia utilizada foi: (“HIV” AND “Profilaxia PréExposição” AND (“Adolescentes” OR “Jovens”) AND “Comunicação em Saúde” AND “Adesão à Medicação”). As buscas ocorreram nas bases PubMed, MEDLINE e LILACS.
A quarta etapa foi a coleta de dados. Foi utilizada a plataforma Rayyan, que facilitou a organização e seleção dos 137 artigos encontrados nas bases de dados. A ferramenta ajudou na identificação dos estudos mais relevantes e eliminar os que não atendiam aos critérios estabelecidos para essa revisão.
Na quinta etapa, foi feita a leitura e análise dos artigos selecionados, foram observados os objetivos de cada estudo, as estratégias de comunicação utilizadas, os métodos aplicados e os principais resultados relacionados ao conhecimento, aceitação e uso da PrEP por adolescentes e jovens
Na última etapa, a sexta, os dados coletados foram colocados numa tabela, que facilitou a comparação entre os estudos e permitiu uma interpretação mais clara. Assim, os resultados foram discutidos com o objetivo de aprofundar a compreensão sobre o impacto das diversas formas de comunicação, tanto as digitais quanto as convencionais, na visão e aceitação da PrEP entre adolescentes e jovens. Esse método possibilitou coletar informações importantes, auxiliando no entendimento de estratégias mais efetivas para a prevenção do HIV nessa população. Logo abaixo, encontra-se o fluxograma PRISMA, que especifica as fases de identificação, triagem e inclusão dos artigos escolhidos para esta revisão integrativa.
Na Figura 1 – fluxograma PRISMA, é possível observar a etapa de identificação, na qual foi utilizada a ferramenta Rayyan, que possibilita a triagem dos artigos. Os estudos foram obtidos por meio de buscas nas bases selecionadas, e os critérios de inclusão e exclusão foram aplicados conforme os objetivos da pesquisa. Além dos artigos selecionados, também foi incluído um documento institucional de relevância nacional: o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) Oral à Infecção pelo HIV — Ministério da Saúde (2024).
3. RESULTADOS
A seleção dos estudos para compor esta revisão integrativa foi realizada por meio da plataforma Rayyan, na qual inicialmente foram identificados 137 artigos científicos relacionados ao tema da profilaxia pré-exposição (PrEP). Após a resolução de 48 artigos duplicados, restaram 108 estudos únicos para análise. Na etapa de triagem, procedeu-se à leitura criteriosa dos títulos e resumos, seguida pela leitura na íntegra dos estudos potencialmente relevantes. Ao final desse processo, 10 artigos foram incluídos na amostra final, por atenderem aos critérios de elegibilidade previamente estabelecidos, um protocolo oficial e uma nota técnica, ambos emitidos pelo Ministério da Saúde.
A escolha dos estudos considerou dois eixos principais: aqueles que abordavam a utilização da PrEP entre adolescentes e jovens, e aqueles que discutiam estratégias de comunicação, educação em saúde e intervenções voltadas à promoção do uso da PrEP nesse público. Além da análise dos artigos científicos, a interpretação dos resultados foi norteada pelas Diretrizes Clínicas para o uso da Profilaxia PréExposição (PrEP) no Brasil, publicadas pelo Ministério da Saúde, cuja última atualização ocorreu em 2024.
Figura 1 – fluxograma PRISMA

Quadro 1 – Síntese de Estudos sobre prevenção do HIV entre adolescentes e jovens
| Título | Ano/Local | Metodologia | Principais Resultados |
| Informações de Profilaxia Pré-exposição (PrEP) no Instagram: Análise de Conteúdo | 2021 / Estados Unidos | Estudo observacional, qualitativo, com análise de conteúdo. | O estudo analisou que embora muitas postagens definam a PrEP, há pouca informação sobre sua eficácia e público-alvo. O estudo aponta a necessidade de melhorar a inclusão e a clareza nas informações sobre a PrEP, especialmente em relação a grupos diversos e vulneráveis. |
| Mídias Sociais e PrEP: Uma Revisão Sistemática de Campanhas de Mídia Social para Aumentar a Conscientização e Aceitação da PrEP entre Jovens HSH e Mulheres Negras e Latinas | 2021 / Estados Unidos | Revisão sistemática. | A revisão revelou que as redes sociais, como Facebook, Instagram e aplicativos móveis personalizados, são ferramentas promissoras para aumentar o conhecimento, a adesão e o uso da PrEP. No entanto, destaca-se a necessidade de estratégias adaptadas culturalmente e sensíveis ao contexto para maximizar o impacto dessas campanhas. |
| Uma Breve Intervenção Educacional de Profilaxia Pré-exposição em uma Clínica de Doenças Infecciosas: Protocolo para um Estudo de Série de Casos | 2022 / Estados Unidos | Estudo de série de casos. | A intervenção educativa breve em clínicas de doenças infecciosas tem potencial para aumentar a conscientização sobre a PrEP, entre pacientes em risco de infecção pelo HIV. O estudo destaca a importância de abordagens educativas simples e direcionadas como ferramentas viáveis para melhorar a adesão à medicação e reduzir as taxas de DSTs. |
| Ética e profilaxia pré-exposição (PrEP) em adolescentes: uma revisão integrativa | 2023 / Brasil | Revisão integrativa. | O estudo mostra que a PrEP, como ampliação da TARV, tem alto potencial para prevenir o HIV entre adolescentes. Contudo, há barreiras éticas e de acesso, especialmente para os mais vulneráveis. É essencial adaptar protocolos às necessidades dos jovens, garantir acesso equitativo e incentivar pesquisas éticas para fortalecer políticas públicas inclusivas. |
| A construção social do estudo PrEP1519: condições de possibilidade para avanços na prevenção do HIV/aids. | 2023 / Brasil | Pesquisa qualitativa. | O estudo revela que a implementação da PrEP1519 no Brasil foi viabilizada pela articulação entre ciência, governo e ativismo, mas enfrenta barreiras relacionadas ao conservadorismo político e social. A consolidação de políticas públicas inclusivas é fundamental para garantir o avanço da prevenção do HIV entre adolescentes e jovens. |
| Informações de saúde sobre profilaxia pré-exposição de mecanismos de pesquisa e Twitter: análise de legibilidade | 2023 / Estados Unidos | Estudo observacional, do tipo análise de conteúdo com abordagem quantitativa. | Destaca que as informações sobre a Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) disponíveis em mecanismos de busca e no Twitter apresentam um nível de leitura elevado, acima do recomendado para o público geral, o que pode dificultar o entendimento e limitar o acesso. Isso evidencia a necessidade de aprimorar a legibilidade desses conteúdos, a fim de ampliar o acesso, apoiar decisões informadas e fortalecer as estratégias de prevenção ao HIV. |
| Conciliando vantagens e dificuldades: conhecimentos e percepções da PrEP sob demanda entre jovens. | 2024 / Brasil | Pesquisa qualitativa exploratória. | Aponta que o conhecimento restrito sobre a PrEP oral diária reduz o interesse de jovens HSH e TrMT pela PrEP sob demanda, evidenciando a necessidade de estratégias educativas que promovam o letramento em saúde. Embora reconheçam a autonomia e a compatibilidade da PrEP-SD com seu estilo de vida, esses jovens ainda enfrentam desafios relacionados ao uso efetivo e adequado dessa modalidade. |
| Tecnologia educacional digital para prevenção do HIV/AIDS entre adolescentes e jovens: revisão de escopo | 2024 / Brasil | Revisão de escopo. | As tecnologias educacionais digitais são variadas e podem ser eficazes na promoção de comportamentos preventivos em relação ao HIV e outras ISTs. Embora as abordagens sejam diversas, é necessário continuar explorando e ampliando o uso dessas ferramentas para melhorar a conscientização e a educação sobre saúde sexual, especialmente entre adolescentes |
| Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Profilaxia PréExposição (PrEP) Oral à Infecção pelo HIV | 2024 / Brasil | Documento oficial do Ministério da Saúde baseado em revisão de evidências científicas e consenso técnico. | Estabelece critérios clínicos e protocolos para uso seguro e eficaz da PrEP no Brasil; orienta também os profissionais sobre indicação, seguimento, adesão e manejo de efeitos adversos; reforça a importância da PrEP como estratégia de prevenção combinada do HIV. |
| Nota Técnica nº 498/2022- CGAHV/.DCCI/SVS/MS: Acesso à Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) de Risco à Infecção pelo HIV para adolescentes a partir de 15 anos, com peso corporal igual ou maior a 35 kg, que apresentem potencial risco para infecção por via sexual pelo HIV. | 2024 / Brasil | Documento técnico oficial do Ministério da Saúde, baseado em evidências científicas e diretrizes nacionais. | Autoriza o uso da PrEP a partir dos 15 anos sem necessidade de consentimento dos pais; destaca autonomia, sigilo e acolhimento; recomenda comunicação acessível e uso de ferramentas digitais. |
| ChatGPT como ferramenta para melhorar o acesso ao conhecimento sobre infecções sexualmente transmissíveis. | 2024 / Singapura | Pesquisa qualitativa exploratória. | O ChatGPT é uma ferramenta promissora para melhorar o acesso às informações sobre infecções sexualmente transmissíveis e forneceu, na maioria das vezes, informações corretas.Contudo, apresenta limitações na profundidade e ausência de informações sobre PrEP, indicando a necessidade de uso complementar com outras estratégias educativas. |
| Promoção da Saúde Sexual para Rapazes (SHAG): um ensaio clínico randomizado sobre o impacto de um programa de mensagens de texto na incidência de HIV e na testagem de ISTs entre uma amostra nacional de homens adolescentes e adultos jovens cisgênero de minorias sexuais. | 2025 / Estados Unidos | Ensaio clínico randomizado. | O estudo avalia uma intervenção por mensagens de texto para prevenir o HIV entre jovens cisgêneros de minorias sexuais, mostrando-se viável e promissora, apesar de algumas limitações. |
4. DISCUSSÃO
De acordo com o UNAIDS Brasil, até o final de 2018, cerca de 37,9 milhões de pessoas no mundo viviam com HIV e AIDS. Mesmo com a queda nas mortes por HIV em geral, essa redução não acontece da mesma forma em todos os lugares nem em todos os grupos de pessoas. Pelo contrário, entre os adolescentes, as mortes relacionadas ao HIV estão aumentando, o que é preocupante e mostra uma realidade diferente da tendência global (Soares el at., 2022). A profilaxia pré-exposição (PrEP), e sua implantação nesse grupo em específico, tem se mostrado uma importante ferramenta no combate ao HIV e outras IST ‘s, e sua eficácia tem sido comprovada em diversos estudos na última década. No entanto, a disseminação e implantação da (PrEP) muitas vezes esbarra em questões éticas e sociais. (Silva et al., 2023).
No desenvolvimento do presente estudo, foram estabelecidos critérios para selecionar os artigos que mais se relacionassem com o tema. Foram incluídos trabalhos que abordassem a PrEP de forma geral, e também aqueles focados no uso da PrEP por adolescentes e jovens. Também foram considerados estudos que relacionassem a PrEP com tecnologias digitais e meios de comunicação em saúde. Isso porque, atualmente, os adolescentes e jovens estão bastante conectados ao mundo digital e às redes sociais, como Instagram, Facebook e Twitter. Muitas vezes, esses jovens dão mais atenção às informações que circulam nessas plataformas, na escola ou na comunidade do que aos conselhos vindos dos próprios pais. Além disso, alguns adolescentes em situação de vulnerabilidade social não contam com uma figura adulta responsável para orientá-los.
No Brasil, um estudo financiado pelos Estados Unidos Da América, e com apoio do Ministério da saúde denominado PrEP1519 foi realizado em diferentes estados, com foco em adolescentes entre 15 e 19 anos que apresentavam algum tipo de vulnerabilidade e destacou-se por integrar ciência, ativismo e políticas públicas, possibilitando o acesso de adolescentes à profilaxia. A pesquisa enfatizou a importância da adaptação das estratégias de comunicação às diferentes realidades sociais, considerando marcadores como gênero, raça e classe (Barros el at., 2023).
As tecnologias educacionais digitais (TEDS) desempenham um papel fundamental na prevenção do HIV, especialmente entre o público jovem, ao possibilitarem o acesso a informações de forma interativa, atrativa e em tempo real. Por meio de plataformas digitais, como aplicativos, redes sociais, vídeos educativos e jogos interativos, é possível disseminar conteúdos confiáveis sobre sexualidade, métodos de prevenção e combate ao estigma relacionado ao HIV. Essas ferramentas favorecem a comunicação direta com os adolescentes e jovens adultos, respeitando suas linguagens e contextos socioculturais, o que potencializa o engajamento e a retenção do conhecimento. Dessa forma, a tecnologia se torna um importante instrumento de educação em saúde, contribuindo para a redução de novos casos e promovendo comportamentos mais seguros e conscientes entre os jovens (Piran et al., 2024 ).
Uma das principais estratégias de prevenção da propagação do vírus é o uso da profilaxia pré-exposição (PrEP). Uma pesquisa realizada com adolescentes e jovens adultos cisgêneros pertencentes a minorias sexuais demonstrou que programas de envio de mensagens de texto com informações sobre a PrEP podem ter papel fundamental na disseminação do conhecimento e na conscientização sobre o seu uso. As mensagens enviadas aos adolescentes durante o período da pesquisa contribuíram para o aumento significativo no número de testagens para o HIV e adesão à profilaxia (Ybarra el at., 2025).
Apesar dos avanços, persistem obstáculos à adesão, como o estigma associado ao uso da PrEP, o preconceito presente nos serviços de saúde. Assim, é fundamental o desenvolvimento de abordagens comunicativas que, além de informativas, ofereçam suporte, acolhimento e respeito às diversidades, promovendo a inclusão (Silva et al., 2023).
Ao serem analisados os estudos selecionados, verifica-se que as estratégias de comunicação em saúde, especialmente aquelas que utilizam a internet, possuem grande potencial para ampliar o entendimento e a aceitação da Profilaxia PréExposição (PrEP) entre adolescentes e jovens. Pesquisas indicam que o uso de plataformas como Instagram, Facebook e YouTube facilita a disseminação de mensagens preventivas, sobretudo quando veiculadas por meio de imagens e linguagem direcionada ao público jovem (Kudrati el at., 2021)
Nos últimos anos, iniciativas como a Estratégia Nacional dos Estados Unidos para o HIV têm reforçado o papel das redes sociais na divulgação de informações sobre prevenção. Redes sociais como o Instagram, são muito populares entre adolescentes e jovens e podem ser aliadas importantes na promoção da PrEP. Porém, estudos mostram que os conteúdos compartilhados nas redes sociais nem sempre são completos, muitos até explicam o que é a PrEP, mas poucos falam como ela funciona ou para quem é indicada. Além disso, quando as postagens vêm de organizações, geralmente são mais informativas, já os perfis pessoais costumam relatar experiências. Esses dados reforçam como a forma de comunicar também influencia o entendimento sobre o assunto (Walsh-Buhi el at., 2021)
Entretanto, um desafio recorrente nas redes sociais é a complexidade dos conteúdos sobre a PrEP. Uma investigação revelou que grande parte dos materiais online apresenta nível de leitura superior ao recomendado para adolescentes, comprometendo sua eficácia como ferramenta educativa (Park et al., 2023).
Muitos adolescentes e jovens ainda não tem a informação que a PrEP pode ser usada de forma mais flexível, como por exemplo no regime sob demanda. No entanto, quando essa informação é apresentada de forma clara, acessível e próxima da sua realidade, a aceitação tende a aumentar. Isso mostra que estratégias de comunicação que respeitam o modo de viver e se proteger desses jovens podem fazer toda a diferença, permitindo que eles se sintam mais à vontade para escolher e manter o uso da PrEP como parte do seu cuidado. (Deus el at., 2024)
Outro aspecto relevante refere-se às ações educativas presenciais em ambientes de saúde, como locais onde são tratadas doenças infecciosas. Evidências demonstram que intervenções educativas breves, associadas à distribuição de panfletos informativos, contribuem significativamente para o aumento da intenção de adesão à PrEP entre jovens (Dalton el at., 2022).
O uso de novas tecnologias, como o ChatGPT, surge como alternativa para fornecer informações sobre infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). Apesar de, em geral, fornecer respostas corretas, estudos apontam que a ferramenta ainda apresenta limitações no ensino sobre saúde, como a ausência de personalização e a omissão de temas relevantes, incluindo a própria PrEP (KOH et al., 2024).
As Normas Clínicas e Diretrizes de Tratamento para a PrEP do Ministério da Saúde, com sua última atualização em 2024, garantem a disponibilização da profilaxia para adolescentes a partir de 15 anos, sem a exigência de consentimento dos responsáveis, assegurando a liberdade individual e a confidencialidade. O documento recomenda que a abordagem seja personalizada, atenciosa e culturalmente adequada, com o intuito de combater o estigma e incentivar a adesão. Além disso, sugere o uso de ferramentas digitais, como aplicativos e lembretes, em conjunto com acompanhamento presencial, para otimizar a continuidade do tratamento e reforçar que a PrEP não substitui o uso do preservativo. Tais diretrizes são essenciais para fomentar a aceitação da PrEP e reduzir a transmissão do HIV entre jovens (Brasil, 2024).
Adicionalmente, a Nota Técnica n.º 498/2022, do Ministério da Saúde, representa uma contribuição relevante para a ampliação do acesso à PrEP entre adolescentes ao autorizar seu uso oral a partir dos 15 anos. O documento reforça a necessidade de estratégias comunicacionais acessíveis e acolhedoras nos serviços de saúde, voltadas especificamente para esse público, com linguagem clara e orientação adequada, de modo a estimular a adesão e minimizar barreiras como o desconhecimento e o estigma.
Por fim, é fundamental que os adolescentes, especialmente aqueles em situação de vulnerabilidade, recebam informações claras e acessíveis sobre a PrEP. Eles precisam entender do que se trata essa estratégia, onde podem iniciar o protocolo e quais são seus direitos, incluindo o fato de que, a partir dos 15 anos, podem começar o uso da PrEP mesmo sem autorização dos pais, quando indicado por um profissional de saúde. Superar essa barreira é essencial para garantir um cuidado mais inclusivo e efetivo para esse público (Brasil, 2024).
5. CONCLUSÃO
A análise das estratégias de comunicação em saúde voltadas para adolescentes e jovens evidencia que abordagens personalizadas, acessíveis e livres de estigmas são fundamentais para promover a aceitação e o uso da PrEP. Embora tenham sido observados avanços na promoção e orientação quanto ao uso da profilaxia entre esse público, persistem barreiras significativas, como o preconceito e a escassez de informações claras e confiáveis.
O estudo demonstra que, apesar dos esforços institucionais e governamentais, ainda é necessário aprimorar a comunicação, tornando-a mais inclusiva e alinhada às realidades e linguagens de fácil entendimento para os jovens.
Além disso, é importante destacar que, para atingir de verdade os adolescentes e jovens, as estratégias de comunicação precisam levar em conta o jeito que eles se informam hoje, principalmente pelas redes sociais e outras tecnologias digitais. Muitos jovens, especialmente os que estão em situação de vulnerabilidade, não têm um adulto para orientar e acabam buscando informações na internet. Por isso, criar conteúdo claros, acessíveis e que falem a língua deles é fundamental para que a PrEP seja mais conhecida, aceita e usada corretamente.
A efetividade dessas estratégias de comunicação depende, ainda, do alinhamento com diretrizes oficiais, como o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas do Ministério da Saúde, que reforça a autonomia, o sigilo e o acolhimento como pilares do cuidado ao adolescente e aos jovens. Estratégias que utilizem recursos tecnológicos e mídias sociais de forma eficaz têm potencial para ampliar o alcance das mensagens preventivas e, consequentemente, contribuir para a redução da incidência do HIV entre adolescentes e jovens.
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1Graduanda em Enfermagem do Instituto de Educação Superior de Brasilia (IESB). E-mail: nutri.anacarolinesantos@gmail.com. Orcid: https://orcid.org/0009-0001-6254-0921
2Graduanda em Enfermagem do Instituto de Educação Superior de Brasilia (IESB). E-mail: katlen02.kf@gmail.com. Orcid: https://orcid.org/0009-0002-7586-7488
3Docente do curso de graduação em Enfermagem do Instituto de Educação Superior de Brasilia (IESB). E-mail: enf.izabellamorais@gmail.com. Orcid: https://orcid.org/0000-0001-8923-6420
4Avaliadora do trabalho de conclusão de curso. Docente do curso de graduação em Enfermagem do Instituto de Educação Superior de Brasilia (IESB). E-mail: patricia.limeira@iesb.edu.br
5Avaliadora do trabalho de conclusão de curso. Docente do curso de graduação em Enfermagem do Instituto de Educação Superior de Brasilia (IESB). E-mail: ianebl@hotmail.com. Orcid: https://orcid.org/0000-0002-2164-0491
