REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202601291143
Prof. Dr. Ernesto de Souza Pachito1
RESUMO
O livro do submarinista britânico Gavin Menzies atestando a ida de chineses para diversos pontos do mundo, inclusive a América Pré-colombiana. Um módulo de distância cartográfica baseado na viagem de Colombo que pode ser aplicado a viagens do Oriente para as Américas. Viagens da China para a África e da África para a América do Sul supostamente feitas por chineses. Opiniões de acadêmicos do século passado que sustentam essa tese das viagens.
Palavras-chave: ORIENTE; NAVEGAÇÕES; CHINA ANTIGA; ÍNDIA ANTIGA; AMÉRICA PRÉ-COLOMBIANA.
ABSTRACT
The book by British submariner Gavin Menzies attests to the travels of Chinese people to various parts of the world, including pre-Columbian America. A cartographic distance module based on Columbus’s voyage that can be applied to voyages from the East to the Americas. Voyages from China to Africa and from Africa to South America supposedly made by Chinese people. Opinions from academics of the last century that support this thesis of these voyages.
Keywords: EAST; NAVIGATIONS; ANCIENT CHINA; ANCIENT INDIA; PRE-COLUMBIAN AMERICA.
1. INTRODUÇÃO
Este texto procura exibir alguns nomes (e/ou o pensamento) de pesquisadores que acreditaram na ida de orientais para a América Pré-Colombiana em diversos momentos da história. Algumas dessas alegações foram (e são) desacreditadas pela maioria da comunidade acadêmica. No entanto, os indícios apresentados, a menos que sejam mentiras, revelam a possibilidade, ou mesmo a certeza, dessas viagens. Mesmo quando tais indícios vêm do texto de uma “amadora” indiana, num site de turismo e gastronomia, suas fontes estão lá, e fomos brevemente atrás delas, procurando, por ora, apenas qualificá-las. Uma fonte da USP, Universidade de São Paulo, traz-nos, sem dúvida, informação confiável que abre a questão de tais viagens pelo Pacífico. Ela acrescentou dados à nossa qualificação de dois acadêmicos internacionais, que são autores-chave nesta pesquisa.
Ficam este texto e suas citações cuja justaposição é, por si mesma, reveladora. Procedemos também as medições em um globo cartográfico que nos levou a uma interessante conclusão. Que fique aqui também aberta a possibilidade de contato cultural e da influência das artes do extremo oriente sobre a arte da América Pré-colombiana. No entanto, trabalhamos em nossa pesquisa apenas com fontes bibliográficas e fotográficas. Que este texto sirva pelo menos de estudo prévio para incursões in loco.
Usamos aspas na palavra “cultura” para designar seu sentido para a arqueologia, como fato datado, por oposição a cultura, sem aspas, no sentido da antropologia cultural.
2. CHINA E ÁFRICA. UMA CERTA DISTÂNCIA
Existe a hipótese da vinda de chineses à América Central e América do Norte setenta anos antes de Colombo, por volta de 1421 (https://super.abril.com.br/historia/china-naamerica/ Acesso em 5/08/2025). Esta hipótese consta do livro de Gavin Menzies 1421: O Ano em que a China descobriu o mundo. Segundo Menzies, submarinista britânico reformado (já morto), um mapa, no século XV, teria sido deixado em Portugal, nas mãos do Infante D. Henrique, mapa este que continha o contorno perfeito da costa de várias regiões de todo o mundo, o que seria impossível para a época. Analisando a situação das armadas à época de sua confecção por um cartógrafo veneziano, Menzies concluiu que só a marinha chinesa poderia tê-lo feito, após navegar por diversas partes do mundo, entre elas as Américas. Menzies apresenta, como provas e registros de testemunhas oculares, um pequeno número de documentos e “ordens de viagens”. Também, “várias versões” de testemunhas oculares dos fatos: “duas delas de historiadores chineses, outra de um mercador europeu e ainda outras dos primeiros exploradores europeus que seguiram o mesmo caminho dos chineses” descobrindo provas da presença destes últimos e artefatos dos mesmos. Menzies fala da presença, em várias partes do mesmo caminho dos chineses, de restos de objetos como juncos (usados na fabricação dos navios chineses) e pedaços de porcelana, que teriam uma origem também chinesa, além de flora plantada já em estado avançado de desenvolvimento quando os europeus chegaram (MENZIES, 2006, p. 2533).
Não apenas a revista Superinteressante noticiou o livro, mas também a rede de comunicações BBC de Londres. (https://www.bbc.com/portuguese/brasil54395169#:~:text=A%20%22descoberta%22%20chinesa,o%20eunuco%20mu%C3%A7ulmano%20Zheng%20He.&text=O%20enigma%20Fux:%20o%20que,Moraes%20no%20julgamento%20de%20Bolsonaro Acesso em 9/09/2025)
Também está no site G1 (Rede Globo de Comunicações) outra notícia, referente ao livro de Gavin Menzies (https://g1.globo.com/mundo/noticia/2020/10/02/como-a-chinapoderia-ter-chegado-as-americas-sete-decadas-antes-de-colombo.ghtml Acesso em 9/09/2025).
Assim, demos uma olhada num globo terrestre, munido de compassos e descobrimos que a distância da Espanha à América Central, a viagem de Colombo, (Fig. 1) é praticamente a mesma que a distância entre o Japão e a costa da América do Norte (Fig. 2), num ponto mediano entre o norte e o sul das atuais fronteiras dos Estados Unidos. Inclusive, para se ir do Japão até a região da América do Norte citada, conta-se com a ajuda da corrente marítima do Pacífico Norte.
Da mesma maneira, a distância entre a Espanha e a América Central é a mesma que entre a China e o Havaí (Fig. 3), que é a mesma entre o Havaí e a costa da América Central (Fig. 4), na altura da atual Nicarágua, ou seja, uma navegação da China para a América Central com escala no Havaí poderia ser possível. Mas esta última opção dobraria o percurso total da viagem do Japão à latitude central dos atuais Estados Unidos.
Fig.1

Fig. 2

Fig3.

Fig4.

Essa mesma distância, mantendo-se o compasso aberto sem alteração de raio em todas essas medidas (Figs. 1, 2, 3, 4), também se apresenta entre a China e o leste, ou sudeste, da África (Fig. 5), tendo feito, a China, várias viagens até as outras regiões, no período Ming, conforme encontramos no site https://www.afrospectives.com:
As interações históricas entre África e China datam de pelo menos o primeiro milênio a.C., com redes de trocas surgindo e se expandido até o século XV d. C. – redes agora referidas como a “Rota Marítima da Seda”. Até hoje, muito pouco é amplamente conhecido sobre estas antigas relações, a despeito da existência de evidências tais como seda chinesa encontrada em tumbas egípcias datadas de a partir de 1000 a.C., e descobertas arqueológicas em sítios da África Oriental como Mogadishu e Kilwa, que contêm artefatos chineses e moedas das dinastias Song, Ming e Qing. Tais trocas não se limitaram ao comércio, elas se estenderam para interações humanas, diplomacia e trocas culturais que cruzaram fronteiras de maneiras surpreendentes. (tradução livre).
(https://www.afrospectives.com/post/rediscovering-ancient-routes-between-africaand-china-a-seminar-on-deconstructing-historical-narrat Acesso em 18/03/2025).
E mais:
De fato, nos últimos 10 anos [a partir de 2005], cientistas têm feito descobertas espetaculares de campo e de arquivos sobre a presença precoce da China no continente africano. Estes últimos achados foram a inspiração para uma conferência internacional, “Exploring China’s Ancient Links to Africa World Conference”, que aconteceu no último outubro [2014] na capital da Etiópia, Addis Ababa.
A conferência foi co-patrocinada pela Aksum University, Etiópia. Especialistas africanos, chineses, americanos e australianos reuniram-se para examinar e debater evidências arqueológicas recentes de antigas relações culturais e econômicas da China com a África.
Os livros de história ocidentais muito nos falam de Vasco da Gama, o explorador português dos séculos XV e XVI, como sendo o primeiro mercado internacional a alcançar a África Oriental. Ele chegou em 1498 numa expedição para achar uma rota marítima para a Ásia, e como nós todos sabemos, sua viagem iniciou mais de 450 anos de dominação colonial. Mas algo que não tem sido alardeado, a despeito de crescentes evidências, é que Zheng He, um eunuco administrador e diplomata durante a dinastia Ming (1368-1644), na China Imperial, chegou na costa Leste da África várias décadas antes de Vasco da Gama.
As viagens marítimas de Zheng He ocorreram entre 1405 a 1433 e está documentado que em 1418 ele levou uma frota de não menos de 62 navios com 37.000 soldados pelo Oceano Índico (“Oceano Ocidental”) (tradução livre). (China’s long history in Africa – New African Magazine Acesso em 19/03/2025)
A África poderia ter sido um ponto de parada para uma grande esquadra, como a de Zheng He, indo em direção à América do Sul, notadamente o Brasil, como nos mostra a estimativa expedita de distância das figuras 5 e 6 a seguir.
Zheng He é justamente o eunuco almirante da esquadra chinesa estudada por Gavin Menzies.
Essa distância parece ser um módulo que talvez fosse factível de se vencer, mesmo em rotas oceânicas. Para sabermos algo mais sobre isso seria preciso estudar a autonomia de tais barcos. E Menzies atesta essa autonomia.
Fig.5

Fig.6

Na figura 6, como dissemos, vemos também o mesmo módulo entre o sudeste da África e o sudeste do Brasil. Tal módulo foi vencido por uma frota europeia (ibérica), nas grandes navegações para a América Central e América do Sul (Brasil). Mas o mais interessante é que Gavin Menzies fala em Peru e Chile, na costa do Pacífico. Logo no início de seu livro, na edição brasileira, ele exibe um mapa com as navegações chinesas entre 1421 e 1423 que mostra toda a costa leste das Américas como tendo sido percorrida pelos chineses. Mas não só, também os Estados Unidos, México, a América Central e a América do Sul (MENZIES, 2006, p. 22-23).
3. ÍNDIA
A pergunta, como já se intui, é se houve transporte do pensamento e das artes chinesa e/ou indiana para as Américas, e dos mesmos do Japão mais regiões do Sudeste Asiático e ilhas da Oceania, para as Américas. O antropólogo francês Paul Rivet, em seu “As Origens do homem americano” (RIVET, 1960, p. 97-116) sustenta a tese segundo a qual os melanésios, em tempos muito antigos, teriam chegado ao Continente Americano.
Quanto à suposta ida de elementos religiosos hinduístas da Índia à China por mar, podemos citar este trecho, no blog thegr8wall.wordpress.com, escrito por uma certa Swarupa, autora de um blog e que atua em certas frentes nada, ou pouco, acadêmicas, como turismo, gastronomia, história, arte, etc. Mas ela nos revela interessantes fontes, como veremos a seguir. Vamos a Swarupa:
Agora é geralmente sabido que Colombo não foi o primeiro a descobrir a América. Antes dele, quase toda cultura marítima pôs o pé nas Américas. Antigos textos hindus estão cheios de referências marítimas de antigos indianos, particularmente das regiões costeiras, tendo relações comerciais com vários países cruzando a Baía de Bengala como Cambodia, Java, Sumatra, Bornéu e China. Relações marítimas e de comércio similares existiram através do Mar da Arábia, como Arábia, Egito e Pérsia. Várias fontes revelaram que os primeiros colonizadores da Babilônia vieram em navios indianos do Golfo Pérsico.
As ligações da Índia com o Sudoeste da Ásia e outras ilhas distantes do Oceano Pacífico são fatos bem estabelecidos da História. Os antigos hindus foram poderosos navegadores e pioneiros de culturas que estabeleceram seus impérios culturais no Sudeste Asiático e lá governaram até o século XIV. A conquista da Malásia pelo rei Rajendra Chola, a história de Buddhagupta, o grande marinheiro, as expedições religiosas de antigos indianos para pregar o evangelho do budismo nas terras distantes do Cambodia, Indonésia, Tailândia, Japão, Coréia, Mongólia e China são provas do impacto da cultura indiana. (tradução livre).(https://thegr8wall.wordpress.com/2013/03/05/ancient-indian-navigators/ Acesso em 26/03/2025).
Aqui, os acadêmicos:
Os principais antropólogos do mundo, Robert Heine Geldern e Gordon F. Ekholm disseram: “Navios do tamanho do que levou Fahien [um peregrino budista] da Índia para a China (através das águas chinesas tempestuosas) eram certamente capazes de percorrer toda a rota para o México e Peru cruzando o Pacífico. Mil anos antes do nascimento de Colombo, navios indianos eram de longe superiores a qualquer um feito na Europa até o século XVIII”. (tradução livre)(https://thegr8wall.wordpress.com/2013/03/05/ancient-indian-navigators/ Acesso em 27/03/2025)
E mais:
Aparentemente os mercadores hindus navegavam frequentemente, alguns se estabeleceram nas terras do Extremo Oriente e viajaram para a Polinésia. De lá avançaram para as Américas Central e do Sul, talvez após paradas em importantes portos e outras ilhas, uma cadeia que parece ter existido então, e alguns deles submergiram devido a movimentos tectônicos da Terra. (tradução livre) (https://thegr8wall.wordpress.com/2013/03/05/ancient-indian-navigators/ Acesso em 27/03/2025)
Aqui, Swarupa refere-se a um intervalo de tempo entre cerca de 300 d.C. ao século XIV d.C (sendo esta última data referente ao limite do domínio indiano sobre o Sudeste Asiático, encontrável no blog de Swarupa coisa que pode ser encontrada também no site da Association for Asian Studies, uma organização acadêmica, que ressalta que não houve simplesmente o transplante da cultura indiana para essas regiões, más influências mútuas). Para esta organização, as relações entre Índia e Vietnã, e Índia e Camboja, começam em cerca de 200 d.C.(https://www.asianstudies.org/publications/eaa/archives/indias-historical-impact-onsoutheast-asia/ acesso em 23/1/2026).
Lembrando que a “cultura” olmeca floresceu entre cerca do ano 1400 a.C. e 400 a.C., como é largamente sabido. Já os astecas, florescendo desde o século XIV d.C., ainda existiam como nação até o século XVI d.C. Uma cronologia que, se considerarmos as civilizações epi-olmeca (até o ano 250 d.C) e de Izapa (até 400 d.C), permite o contato entre as “culturas” asiáticas e essas “culturas” pré colombianas, antes de sua desfiguração pelos espanhóis.
Vejamos um trecho da biografia de Robert Heine Geldern, citado por Swarupa (e escrito por Claire Holt), publicado pela Cornell University:
Quando nos Estados Unidos, ele foi cofundador em 1941 do East Indies Institute of America (depois conhecido como Southeast Asia Institute) junto com Margaret Mead, o falecido Ralph Linton, o falecido Adrian J. Barnouw, e eu mesma. Essa sociedade, depois absorvida pela Association for Asian Studies, primeiro trouxe estudantes do Sudeste da Ásia para os Estados Unidos e procurou promover trocas culturais e acadêmicas com os países daquela região. Em casa, na Áustria, ele foi homenageado e condecorado como cidadão ilustre de Viena, e pela coragem enquanto no serviço militar durante a I Guerra Mundial; ele foi um membro ativo da Austrian Academy of Sciences. Fora do país, ele foi um membro valorizado da Royal Asiatic Society, do Royal Anthropological Institute, e da École Française de l’Extreme Orient. O Viking Fund premiou-o com uma medalha. (tradução livre).
(https://ecommons.cornell.edu/server/api/core/bitstreams/d05a89f5-b3de-42a89d86-d1c451ddd581/content Acesso em 27/03/2025)
E sobre Gordon F. Ekholm, seu obituário no New York Times diz:
Dr. Gordon F. Ekholm, curador emérito de antropologia do American Museum of Natural History e uma autoridade em arqueologia pré-colombiana do México e da América Central, morreu quinta-feira no Phelps Memorial Hospital Center em Tarrytown, N.Y., depois de passar por uma pequena cirurgia. Ele tinha 78 anos e vivia em Pleasantville, N.Y.
Em 1949, Dr. Ekholm exibiu no museu uma mostra gráfica e detalhada com paralelos entre culturas avançadas no sul e no leste da Ásia e a civilização maia, que floresceu entre 300 d.C. e 900 d.C. [período clássico], e sugerindo que os ancestrais dos maias migraram cruzando o Pacífico. Esta teoria foi o principal foco de sua carreira.
Dr. Ekholm nasceu em St. Paul. Ele era ex-aluno da University of Minnesota e fez extensos estudos de pós-graduação em antropologia na Harvard University, onde adquiriu os graus de mestre e doutor. Fez expedições para a Meso-América. (tradução livre) (https://www.nytimes.com/1987/12/19/obituaries/dr-gordonekholm-78-a-curator-at-the-museum-of-natural-history.html# Acesso em 27/03/2025)
Como esta página citada acima só é acessível mediante pagamento, ao estudante citemos outra fonte:
Gordon Frederick Ekholm (ĕk´hōlm), 1909–87, arqueólogo americano, nascido em St. Paul, Minn., Ph.D. Harvard, 1941. Trabalhando com o American Museum of Natural History in New York City depois de 1937, ele ganhou reputação através dos seus estudos arqueológicos e etnográficos. Ekholm analisou as relações entre as mais antigas civilizações da Ásia e aquelas do Novo Mundo, focando no México e na América Central. (tradução livre)(https://www.encyclopedia.com/reference/encyclopedias-almanacs-transcripts-andmaps/ekholm-gordon-frederick Acesso em 15 de novembro de 2025).
O blog thegr8wall.wordpress.com também nos traz, de forma direta, informações sobre as similaridades entre a cultura indiana e a pré-colombiana, comecemos, nessa direção, com citações do blog em questão e subsequente qualificação dos autores citados:
Os paralelos entre as artes e a cultura da Índia e as da América são tão numerosos e estreitos que não é possível atribuí-las um crescimento independente.
Em 1949, dois acadêmicos, Gordon Ekholm e Chaman Lal, sistematicamente compararam os maias, astecas e incas, e as civilizações indígenas norte-americanas com a Índia e países do Sudeste Asiático com orientação hindu-budista. Eles acharam sinais da civilização hindu pelas Américas na arte, arquitetura, calendários, astronomia, símbolos religiosos, etc. O ápice da civilização Maia foi alcançado em um tempo quando a antiga Índia atingiu um pico cultural sem paralelos, durante o
Período Gupta em 320 d.C. (tradução livre)
(https://thegr8wall.wordpress.com/2013/03/23/cultural-similarities-between-theancient-hindu-indigenous-civilizations-of-the-americas/ Acesso em 31/03/2025).
Tendo já qualificado Gordon Ekholm, façamos o mesmo com Chaman Lal:
Chaman Lal é professor (aposentado) e ex-presidente do Centre of Indian Languages na Jawaharlal Nehru University. Ele é conselheiro honorário nos Bhagat Singh Archives & Resource Centre, Delhi Archives, e amigo da Panjab University, Chandigarh. (tradução livre)(https://thegr8wall.wordpress.com/2013/03/23/cultural-similarities-between-theancient-hindu-indigenous-civilizations-of-the-americas/ Acesso em 31/03/2025).
Vejamos outros trechos da mesma página onde a blogueira cita outras fontes:
Sir Stamford Raffles, o historiador britânico, e fundador de Singapura como uma colônia britânica, expressou uma visão similar quando escreveu: “o grande templo de Borobudur em Java pode ser facilmente confundido com um templo Centro-Americano.”
É válido mencionar que o eminente acadêmico Miles Poindexter, um ex-embaixador dos E.U.A. no México, em seu tratado em dois volumes dos anos 1930 “The AyarIncas” chamou a civilização Maia de “inquestionavelmente hindu.” (https://thegr8wall.wordpress.com/2013/03/23/cultural-similarities-between-theancient-hindu-indigenous-civilizations-of-the-americas/ Acesso em 31/03/2025).
Vejamos o que diz Antonio Porro (Doutor em Ciências Sociais pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo). em seu artigo “Contatos transpacíficos entre Ásia e Mesoamérica: uma questão em aberto”:
[…] em meados do século 20 as hipóteses de contatos intercontinentais estavam virtualmente ausentes da literatura arqueológica mesoamericana, ou então eram categoricamente refutadas (cf. os compêndios clássicos de Krickeberg [1939] 1946, Morley 1946, Pijoan 1946, Spinden 1957, Vaillant [1941] 1955).
Esse estado de coisas começou a mudar por ocasião do XXIX Congresso Internacional de Americanistas (Nova Iorque, 1949), quando o sinólogo austríaco Robert von Heine-Geldern e o arqueólogo norteamericano Gordon F. Ekholm apresentaram uma contribuição sobre “Paralelos significativos nas artes simbólicas da Ásia meridional e da Mesoamérica”, acompanhada de uma exposição fotográfica que deixou surpresa e perplexa a maioria dos especialistas nas duas áreas (Heine Geldern e Ekholm 1951). Heine-Geldern já havia feito desde a década de 30 importantes estudos sobre as influências chinesas e indochinesas nas artes da Oceania (Heine-Geldem 1937) e Ekholm, em 1946, sobre estatuetas de cerâmica (supostamente brinquedos) com rodas, procedentes de várias regiões do México.
( https://revistas.usp.br/revmae/article/view/109387. Acesso em: 11 dez. 2025).
E mais:
Nos anos seguintes, eles continuaram a arrolar uma série de elementos arquitetônicos, de formas escultóricas e de motivos simbólicos e decorativos das artes plásticas da China, do sudeste asiático e da índia, de um lado, e de várias regiões da Mesoamérica de outro. Embora reconhecendo a inexistência de dados históricos e arqueológicos a respeito, sugeriram que os inegáveis paralelismos formais teriam sido o resultado da chegada de navegantes asiáticos de mais de uma procedência e em diversas épocas, entre o primeiro milênio a.C. e o primeiro d.C. (Ekholm 1950, 1953, 1955, 1964a, 1964b, Heine-Geldern 1952, 1959a, 1959b, 1960, 1964, 1966). ( https://revistas.usp.br/revmae/article/view/109387. Acesso em: 11 dez. 2025)
Ainda:
O que mais chama a atenção nas semelhanças encontradas é que elas não dizem respeito, na maioria dos casos, a elementos estruturais ou funcionais, mas a motivos simbólicos e até mesmo a detalhes que podem ser simplesmente decorativos. Os mais significativos são os seguintes:
- O motivo da árvore cósmica entre os Maya e em Java; […]
- a postura característica do personagem sentado no trono na iconografia maya e indiana;
- os frisos com personagens entrelaçados em plantas aquáticas que brotam da boca de peixes ou monstros marinhos, no Yucatan e na Índia;
- as máscaras monstruosas da divindade desprovida de mandíbula, entre os Maya e na Indochina;
- os frisos com espirais e volutas geometrizadas em toda a área maya e em El Tajín (México) e nos bronzes chineses;
- os vasos trípodes cilíndricos com tampa de Teotihuacán (México) e do período Han da China;
- a figura humana que emerge das fauces de um sáurio ou de outra criatura monstruosa, entre os Olmecas e Mayas do México e também na Índia, Camboja e Java;
- o deus da chuva com nariz em tromba nos códices mayas e o deus-elefante Ganesa em Champa e outras partes da índia;
- as colunas decorativas provavelmente reminiscentes da antiga arquitetura em madeira, nos palácios mayas de Labná e Sayil (Yucatan) e em Bakong e Prah Ko (Camboja). ( https://revistas.usp.br/revmae/article/view/109387. Acesso em: 11 dez. 2025)
Todos esses itens são motivos para pesquisa iconográfica. Porro cita outros pesquisadores que sustentaram a mesma hipótese de influência da cultura asiática sobre a cultura mesoamericana que, inclusive, têm o mesmo enfoque que o nosso, o da pesquisa e comparação de traços estilísticos das obras de arte, e artes menores, de ambos os continentes. Pesquisadores como Tylor, Graebner e Marchal.
No que tange às relações entre China antiga e Índia antiga, por terra, o budismo teria sido levado para a China da seguinte forma:
O budismo Pali é professado principalmente pelos grupos étnicos Dai, Bulang, Deang, Va e Acheng. Conta com mais de 8 mil monges em mil templos. A tradição se iniciou durante o reinado do Imperador Ming da dinastia Han do leste (25-220 d.C.) que encomendou a Cai Yin e mais 17 dirigentes e intelectuais a irem a diversos países a oeste da China em busca de informações sobre o Budismo. Encontram-se com Kasyapamatanga e Dharmaranya, duas grandes expressões do budismo na Índia, à época, convidando-os para uma visita à capital Luoyang, da época. Os dois líderes espirituais trouxeram em lombo de cavalos brancos, imagens e sutras budistas. O Imperador Ming ordenou a construção de uma residência para eles em Luoyang, transformando-se no primeiro templo budista da China, o monastério Baima (Cavalo Branco em chinês). Foram os primeiros 42 sutras do budismo hindu traduzidos. Mais tarde, o budismo foi amplamente divulgado na China durante os reinados Han do leste dos Imperadores Huan Di e Ling Di (147 – 189 d.C.). […]. (http://br.china-embassy.gov.cn/por/zggk/200408/t20040817_4348843.htm Acesso em 01/04/2025)
O trecho anterior foi extraído do site da Embaixada da China no Brasil.
Com nossos pensamentos e tais informações podemos continuar com nossa intuição de que houve viagens do Oriente para as Américas em tempos pré-colombianos e consequente influência da arte asiática sobre a americana.
4. CONCLUSÃO
Conforme medidas expeditas feitas num globo cartográfico, percebe-se que há uma mesma distância marítima entre a Espanha e a América Central (a viagem de Colombo), o Japão e a América do Norte, A China e o Havaí, o Havaí e a América Central, a China e o sudeste da África e este e a América do Sul (Brasil). Se Colombo conseguiu vencer esta distância, Zheng He, com uma esquadra bem maior e navios maiores, de acordo com Gavin Menzies, também conseguiria. Essa ideia de um contato entre o mundo oriental e a América Pré-colombiana foi defendida por outros pensadores em meados do século XX. De acordo com as cronologias dos astecas, dos olmecas, dos epi-olmecas e da “cultura” de Izapa, haveria uma janela temporal para o contato entre orientais e as civilizações pré colombianas, do século X d.C. (coincidente com a cronologia olmeca) até o século XV d.C., pelo menos.
5. REFERÊNCIAS
LIVROS
MENZIES, Gavin. 1421: O Ano em que a China descobriu o mundo. Trad. Ruy Jungmann. 1ª. Ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2006, p. 15-33.
RIVET, Paul. As Origens do homem americano. Trad. Paulo Duarte. 3ª. Ed. brasileira revista. São Paulo: Anhambi, 1960.
WEBSITES
<China’s long history in Africa – New African Magazine> Acesso em 19/03/2025.
<http://br.china-embassy.gov.cn/por/zggk/200408/t20040817_4348843.htm> Acesso em 01/04/2025.
<https://ecommons.cornell.edu/server/api/core/bitstreams/d05a89f5-b3de-42a8-9d86d1c451ddd581/content> Acesso em 27/03/2025.
<https://g1.globo.com/mundo/noticia/2020/10/02/como-a-china-poderia-ter-chegado-asamericas-sete-decadas-antes-de-colombo.ghtml> Acesso em 9/09/2025.
< https://revistas.usp.br/revmae/article/view/109387. >Acesso em: 11 dez. 2025.
<https://super.abril.com.br/historia/china-na-america/> Acesso em 5/08/2025.
<https://thegr8wall.wordpress.com/2013/03/05/ancient-indian-navigators/> Acesso em 26-27/03/2025.
<https://thegr8wall.wordpress.com/2013/03/23/cultural-similarities-between-theancient-hindu-indigenous-civilizations-of-the-americas/> Acesso em 31/03/2025.
<https://www.afrospectives.com/post/rediscovering-ancient-routes-between-africa-andchina-a-seminar-on-deconstructing-historical-narrat> Acesso em 18/03/2025. <https://www.asianstudies.org/publications/eaa/archives/indias-historical-impact-onsoutheast-asia/> acesso em 23/1/2026.
<https://www.encyclopedia.com/reference/encyclopedias-almanacs-transcripts-andmaps/ekholm-gordon-frederick> Acesso em 15 de novembro de 2025. <https://www.nytimes.com/1987/12/19/obituaries/dr-gordon-ekholm-78-a-curator-atthe-museum-of-natural-history.html#> Acesso em 27/03/2025.
1Universidade Federal do Espírito Santo – UFES
