REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/pa10202507152158
Jandira Mozante Cá1
Prof. Dr. Julio Cesar Souza Silva2
RESUMO
A hipertensão arterial sistêmica é uma das doenças crônicas mais prevalentes no mundo e constitui importante fator de risco para complicações cardiovasculares, cerebrovasculares e renais. Sua elevada incidência, somada ao fato de ser frequentemente assintomática, dificulta o diagnóstico precoce e compromete a adesão ao tratamento. Diante disso, este estudo teve como objetivo compreender os principais fatores associados à hipertensão arterial, abordando causas, sintomas, estratégias de tratamento e obstáculos enfrentados na adesão terapêutica. Trata-se de uma revisão bibliográfica, de natureza descritiva e abordagem qualitativa, com seleção de 26 artigos científicos publicados entre 2020 e 2025, extraídos de bases de dados nacionais e internacionais. Os resultados demonstraram alta prevalência da doença em diferentes grupos populacionais, especialmente entre idosos e pessoas com baixo nível socioeconômico. Entre os fatores de risco predominantes, destacaram-se a alimentação hiperlipídica, o sedentarismo e o estresse crônico. A ausência de sintomas, por sua vez, revelou-se como um dos principais entraves ao diagnóstico e à continuidade do tratamento. A análise também evidenciou a importância das intervenções não farmacológicas, como a dieta DASH, o exercício físico regular e o suporte multiprofissional, com efeitos positivos na redução da pressão arterial. Conclui-se que o controle da hipertensão requer estratégias integradas de prevenção, diagnóstico precoce, educação em saúde e fortalecimento da atenção básica.
Palavras-chave: Hipertensão; Fatores de risco; Diagnóstico precoce; Adesão à medicação; Estilo de vida.
ABSTRACT
Systemic arterial hypertension is one of the most prevalent chronic diseases worldwide and represents a major risk factor for cardiovascular, cerebrovascular, and renal complications. Its high incidence, combined with its frequently asymptomatic nature, hinders early diagnosis and compromises treatment adherence. In this context, the present study aimed to understand the main factors associated with hypertension, addressing its causes, symptoms, treatment strategies, and obstacles to therapeutic adherence. This is a descriptive and qualitative bibliographic review, based on the selection of 26 scientific articles published between 2020 and 2025 from national and international databases. The results showed a high prevalence of the disease among different population groups, especially among the elderly and individuals with low socioeconomic status. The most common risk factors included hyperlipidic diets, sedentary lifestyle, and chronic stress. The absence of symptoms was identified as one of the main barriers to diagnosis and treatment continuity. The analysis also highlighted the importance of non-pharmacological interventions, such as the DASH diet, regular physical exercise, and multiprofessional support, with positive effects on blood pressure reduction. It is concluded that effective hypertension control requires integrated strategies focused on prevention, early diagnosis, health education, and strengthening of primary care.
Keywords: Hypertension; Risk factors; Early diagnosis; Medication adherence; Lifestyle.
1 INTRODUÇÃO
1.1 Panorama epidemiológico da hipertensão arterial
A hipertensão arterial sistêmica (HAS) é uma das condições crônicas mais prevalentes no mundo e representa um dos principais problemas de saúde pública da atualidade. Caracterizada pelo aumento persistente da pressão arterial acima dos níveis fisiológicos recomendados, ela contribui significativamente para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares, insuficiência renal crônica e acidente vascular cerebral, configurando-se como um dos maiores fatores de risco modificáveis para mortalidade prematura (Monteiro et al., 2020).
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 1,28 bilhão de adultos em todo o mundo são hipertensos, sendo que aproximadamente dois terços desses indivíduos vivem em países de baixa e média renda. No Brasil, os dados do Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) indicam que cerca de 24,5% da população adulta declara já ter recebido diagnóstico médico de hipertensão, com maior prevalência entre mulheres e indivíduos com idade superior a 60 anos (Duarte; Perez, 2022). Esses números revelam não apenas a ampla disseminação da doença, mas também sua associação direta com o envelhecimento populacional e os hábitos de vida contemporâneos.
A relevância epidemiológica da hipertensão arterial reside não apenas em sua alta incidência, mas também no seu potencial de gerar desfechos clínicos graves, principalmente quando não diagnosticada precocemente ou quando o tratamento não é adequadamente seguido. Estima-se que a HAS seja responsável por aproximadamente 10 milhões de mortes por ano no mundo, principalmente por infarto agudo do miocárdio e acidente vascular cerebral, além de contribuir para o agravamento de outras doenças crônicas não transmissíveis (Dias et al., 2021).
Embora a condição seja amplamente conhecida, a hipertensão arterial é frequentemente subdiagnosticada. Isso se deve ao fato de que, na maioria dos casos, ela é assintomática ou manifesta sinais inespecíficos, como cefaleias, tonturas e palpitações, o que dificulta sua identificação precoce (Vital; Oliveira Silva; Paz, 2020). Essa característica reforça a necessidade de políticas públicas voltadas para o rastreamento populacional por meio da aferição regular da pressão arterial em unidades de atenção primária à saúde.
A análise dos dados epidemiológicos também evidencia disparidades regionais e sociais. Estudos apontam maior prevalência de hipertensão em regiões mais urbanizadas, com estilos de vida marcados por sedentarismo, alimentação rica em sódio e estresse constante. Além disso, indivíduos de baixa renda e com menor escolaridade tendem a apresentar maior vulnerabilidade à doença, não apenas pelo acesso limitado a serviços de saúde, mas também pela dificuldade em manter hábitos de vida saudáveis e aderir ao tratamento prescrito (Souza et al., 2020; Oliveira et al., 2020).
Outro fator relevante a ser considerado é o impacto da rigidez arterial na fisiopatologia e na progressão da hipertensão, sendo reconhecida atualmente como um marcador precoce de dano vascular e risco cardiovascular aumentado (Oliveira; Barroso, 2020). A análise da rigidez arterial em estudos clínicos tem demonstrado sua associação com a idade avançada, presença de diabetes e dislipidemias, contribuindo para a compreensão mais ampla dos mecanismos fisiopatológicos da hipertensão.
1.2 A hipertensão como fator de risco para outras doenças
A hipertensão arterial sistêmica (HAS) não é apenas uma condição crônica isolada, mas um importante fator de risco para diversas doenças que comprometem a qualidade de vida e a sobrevida dos indivíduos. Seu papel na gênese e progressão de enfermidades cardiovasculares, renais e cerebrovasculares é amplamente documentado na literatura, tornando seu controle um dos pilares da prevenção em saúde pública (Dias et al., 2021).
A rigidez arterial, frequentemente associada ao envelhecimento e à exposição prolongada a níveis elevados de pressão arterial, é um dos mecanismos fisiopatológicos que agravam os riscos cardiovasculares. Segundo Oliveira e Barroso (2020), a rigidez da parede arterial compromete a complacência dos vasos, favorecendo o aumento da pós-carga cardíaca e contribuindo para o desenvolvimento de insuficiência cardíaca e eventos isquêmicos.
Além das doenças cardiovasculares propriamente ditas, a hipertensão também está intimamente ligada à insuficiência renal crônica. A elevação crônica da pressão arterial promove lesões nos glomérulos renais, o que, com o tempo, pode levar à perda progressiva da função renal. Esse ciclo é particularmente perigoso, pois a doença renal também contribui para o agravamento da hipertensão, criando um cenário de retroalimentação (Costa et al., 2021).
Outro desdobramento importante da hipertensão mal controlada é o acidente vascular cerebral (AVC). Trata-se da principal causa de morte no Brasil e de incapacidade neurológica grave, com a HAS sendo o fator de risco mais fortemente associado a esse evento. Segundo Monteiro et al. (2020), a relação entre hipertensão e AVC é direta, e mesmo elevações moderadas da pressão arterial podem aumentar significativamente o risco de eventos hemorrágicos e isquêmicos cerebrais.
Estudos demonstram que os fatores de risco cardiovasculares tendem a se acumular ao longo do tempo. Populações jovens, como os graduandos de enfermagem analisados por Souza et al. (2020), já apresentam níveis elevados de estresse, má alimentação e sedentarismo, fatores que, aliados à predisposição genética, iniciam precocemente o processo hipertensivo. Isso mostra que a HAS está profundamente conectada a uma cadeia de desfechos adversos, e não pode ser tratada isoladamente.
O papel do ambiente de trabalho também é citado como influente no desenvolvimento de hipertensão. Vital, Oliveira Silva e Paz (2020) apontam que jornadas extensas, exposição a estressores ocupacionais e ausência de pausas adequadas aumentam o risco de elevação persistente da pressão arterial. Isso ressalta a importância de intervenções preventivas não apenas no âmbito individual, mas também organizacional.
Em relação aos hábitos alimentares, a dieta hiperlipídica é amplamente reconhecida como um fator que agrava os efeitos da hipertensão. Conforme Da Silva et al. (2020), a ingestão de gorduras saturadas e trans contribui para a disfunção endotelial, o aumento do LDL-colesterol e a resistência insulínica, todos elementos que amplificam o risco de doença cardiovascular em indivíduos hipertensos.
Também é importante destacar que a HAS frequentemente coexiste com outras comorbidades, como diabetes mellitus tipo 2 e obesidade. O trabalho de Duarte e Perez (2022) aponta que pacientes com múltiplos fatores de risco têm maiores dificuldades em controlar a pressão arterial, exigindo abordagens terapêuticas integradas e multidisciplinares.
Portanto, a hipertensão arterial deve ser encarada como um elo dentro de uma rede de condições inter-relacionadas que afetam o organismo de maneira sistêmica. Mais do que tratar apenas os níveis pressóricos, o enfoque na prevenção deve abranger o controle dos múltiplos fatores de risco associados, promovendo mudanças no estilo de vida e políticas públicas voltadas à redução do impacto das doenças crônicas não transmissíveis.
1.3 Causas multifatoriais da hipertensão arterial
A etiologia da hipertensão arterial é complexa e multifatorial, envolvendo uma interação dinâmica entre fatores genéticos, ambientais, comportamentais e sociais. A compreensão aprofundada dessas causas é essencial para o desenvolvimento de estratégias de prevenção e manejo eficaz da doença.
Entre os fatores genéticos, destacam-se alterações na expressão de genes relacionados ao sistema renina-angiotensina-aldosterona, responsável pelo controle do tônus vascular e da volemia. Embora não se possa modificar a herança genética, ela exerce influência significativa na susceptibilidade individual à hipertensão, principalmente quando associada a fatores ambientais adversos (Monteiro et al., 2020).
Entre os fatores ambientais, a alimentação rica em sódio e gordura saturada desempenha papel central no desenvolvimento da HAS. De acordo com Da Silva et al. (2020), a dieta hiperlipídica, além de elevar os níveis de colesterol, compromete a função endotelial e estimula processos inflamatórios sistêmicos, favorecendo o aumento da pressão arterial. A esse contexto soma-se o consumo excessivo de alimentos ultraprocessados, com alta densidade calórica e baixo valor nutricional.
O sedentarismo também figura como um dos fatores comportamentais mais relevantes na gênese da hipertensão. Costa et al. (2021) demonstram que a prática regular de atividade física não apenas contribui para a redução da pressão arterial, como melhora a sensibilidade à insulina, reduz a inflamação sistêmica e favorece o controle do peso corporal – fatores fundamentais para prevenir e controlar a HAS.
Outro aspecto essencial diz respeito à adesão ao tratamento e ao autocuidado. Muitos pacientes apresentam dificuldades em manter o uso contínuo da medicação ou em realizar mudanças no estilo de vida, o que prejudica o controle da pressão arterial. Bernardi et al. (2023) identificaram que a baixa adesão ao tratamento está relacionada a fatores como baixa escolaridade, ausência de sintomas e crenças equivocadas sobre a doença.
Adicionalmente, o estresse psicossocial exerce influência relevante sobre os mecanismos fisiológicos que regulam a pressão arterial. Vital, Oliveira Silva e Paz (2020) apontam que situações de sobrecarga emocional no ambiente de trabalho ou familiar contribuem para a ativação crônica do sistema nervoso simpático e do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, elevando os níveis pressóricos.
O estudo de Oliveira et al. (2020) enfatiza que as condições de vida e trabalho são determinantes importantes na saúde cardiovascular. Indivíduos expostos a ambientes urbanos densamente povoados, com acesso limitado a áreas verdes e a alimentos saudáveis, estão mais propensos a desenvolver hipertensão. Assim, a urbanização desordenada e as desigualdades sociais também devem ser reconhecidas como fatores etiológicos indiretos.
A rigidez arterial também é apontada como causa e consequência da hipertensão. Segundo Oliveira e Barroso (2020), alterações estruturais nos vasos, como o espessamento da parede arterial, aumentam a resistência vascular periférica e dificultam a regulação da pressão arterial. Tais alterações ocorrem de forma progressiva, sendo agravadas por fatores como tabagismo, idade avançada e dislipidemia.
É importante destacar que as causas da hipertensão frequentemente coexistem, potencializando seus efeitos. Duarte e Perez (2022) identificam que pacientes com múltiplos fatores de risco como tabagismo, etilismo, obesidade e histórico familiar apresentam maior dificuldade de controle clínico, sendo necessário um plano terapêutico individualizado.
1.4 Sinais e sintomas: a “doença silenciosa”
A hipertensão arterial sistêmica (HAS) é frequentemente classificada como uma “doença silenciosa” devido à ausência de sintomas específicos na maioria dos casos, o que retarda o diagnóstico e favorece o surgimento de complicações. A percepção equivocada de que a ausência de sintomas significa saúde cardiovascular é uma das principais barreiras para o controle adequado da pressão arterial (Bernardi et al., 2023).
Embora alguns pacientes possam apresentar sinais como cefaleia, tontura, visão turva, palpitações e epistaxe, esses sintomas não são exclusivos da HAS e, muitas vezes, só se manifestam em estágios avançados ou em situações de crise hipertensiva. Isso compromete a procura precoce por assistência médica e dificulta a adesão ao tratamento profilático (Monteiro et al., 2020).
A falta de sintomas evidentes também contribui para a baixa percepção de risco por parte dos pacientes, como demonstrado por Bernardi et al. (2023), que observaram associação entre a ausência de queixas e a interrupção do tratamento farmacológico. Muitos usuários abandonam a medicação por não sentirem “necessidade”, agravando o quadro clínico silenciosamente.
No entanto, mesmo em fases iniciais, a hipertensão pode provocar alterações subclínicas, como microlesões endoteliais e remodelamento vascular. Segundo Oliveira e Barroso (2020), essas alterações anatômicas e funcionais nas artérias precedem manifestações clínicas mais graves e podem ser detectadas por exames complementares, como a análise da rigidez arterial e a microalbuminúria.
Em contextos ocupacionais, a falta de sintomatologia é ainda mais prejudicial. Vital, Oliveira Silva e Paz (2020) relatam que trabalhadores submetidos a jornadas estressantes muitas vezes negligenciam avaliações periódicas de saúde, e só descobrem o diagnóstico durante triagens ou em episódios agudos. Isso reforça a importância de programas de saúde ocupacional voltados para a detecção precoce de doenças crônicas.
Nos ambientes acadêmicos, a situação não é diferente. Souza et al. (2020) verificaram que estudantes universitários, mesmo os da área da saúde, desconhecem seu estado pressórico e, em muitos casos, apresentam fatores de risco associados, como má alimentação, sedentarismo e consumo de álcool. O perfil assintomático da HAS dificulta ainda mais o diagnóstico precoce em populações jovens.
Outro fator que contribui para a subnotificação da doença é a limitação dos sistemas de atenção primária quanto à vigilância ativa de indivíduos assintomáticos. Duarte e Perez (2022) destacam a importância de incorporar a aferição regular da pressão arterial em todas as consultas médicas, independentemente da queixa principal, como forma de triagem sistemática da HAS.
A avaliação clínica deve ser complementada por exames laboratoriais e medidas antropométricas, especialmente quando há suspeita de comorbidades, como hiperglicemia e dislipidemias. A HAS frequentemente coexiste com outras condições que também são assintomáticas, o que exige um olhar clínico atento e integrado (Dias et al., 2021).
É relevante destacar que a ausência de sintomas não significa ausência de risco. A hipertensão não tratada é uma das principais causas de morte súbita e insuficiência cardíaca no Brasil (Costa et al., 2021). Por isso, a conscientização da população quanto à importância do diagnóstico precoce é estratégica na prevenção de desfechos fatais.
1.5 Abordagens terapêuticas e desafios na adesão ao tratamento
O tratamento da hipertensão arterial sistêmica (HAS) envolve uma abordagem multifatorial, que combina mudanças no estilo de vida com terapias farmacológicas. No entanto, apesar da disponibilidade de protocolos eficazes, a adesão ao tratamento permanece um dos maiores desafios enfrentados no controle da HAS, tanto em nível individual quanto coletivo (Bernardi et al., 2023).
Do ponto de vista clínico, a primeira linha de manejo envolve a prescrição de medicamentos anti-hipertensivos, como inibidores da ECA, bloqueadores dos canais de cálcio, diuréticos e betabloqueadores. Entretanto, a simples prescrição não garante o controle pressórico. Estudos demonstram que muitos pacientes não seguem corretamente as orientações médicas, seja por esquecimento, efeitos colaterais ou resistência pessoal ao uso contínuo de medicamentos (Oliveira et al., 2020).
Paralelamente, mudanças no estilo de vida, como alimentação saudável, prática regular de exercícios físicos, cessação do tabagismo e controle do estresse, são fundamentais para potencializar os efeitos do tratamento farmacológico. Costa et al. (2021) destacam que o exercício físico é um coadjuvante importante na redução da pressão arterial, além de contribuir para a melhora do condicionamento cardiorrespiratório e da qualidade de vida dos pacientes hipertensos.
A alimentação equilibrada é outro pilar terapêutico essencial. Da Silva et al. (2020) reforçam que dietas ricas em sódio e gorduras saturadas comprometem o sucesso terapêutico, sendo necessário promover a reeducação alimentar como parte do plano de cuidado. A abordagem nutricional deve ser individualizada, respeitando as condições socioculturais e econômicas do paciente.
Apesar das recomendações, os índices de adesão ao tratamento são baixos. Bernardi et al. (2023) identificaram que fatores como baixa escolaridade, desinformação, ausência de sintomas e dificuldades financeiras estão entre os principais motivos para o abandono do tratamento. Esse cenário evidencia a necessidade de estratégias de acompanhamento mais eficazes por parte da equipe multiprofissional.
O papel da educação em saúde é crucial nesse processo. Intervenções que envolvam orientação continuada, acompanhamento domiciliar e uso de tecnologias (como lembretes por aplicativos ou SMS) têm mostrado impacto positivo na adesão ao tratamento anti-hipertensivo (Dias et al., 2021). A comunicação efetiva entre profissional e paciente, baseada na escuta e no vínculo, também contribui para o fortalecimento da autonomia no autocuidado.
O contexto de trabalho também influencia na adesão terapêutica. Vital, Oliveira Silva e Paz (2020) evidenciam que condições laborais desfavoráveis, jornadas longas e estresse ocupacional dificultam a prática de hábitos saudáveis e o comparecimento regular a consultas. Políticas públicas que incentivem ambientes de trabalho saudáveis podem contribuir significativamente nesse aspecto.
Ainda, Duarte e Perez (2022) apontam que a falta de continuidade na assistência, especialmente em regiões com fragilidades no sistema de saúde, compromete o controle da doença. A ausência de acompanhamento regular, de renovação de receitas e de suporte farmacológico impede o sucesso a longo prazo da terapêutica.
Portanto, mais do que prescrever medicamentos, é fundamental desenvolver estratégias terapêuticas centradas na realidade do paciente, considerando os aspectos biopsicossociais que influenciam sua capacidade de aderir ao tratamento. O controle da hipertensão exige uma atuação integrada entre médicos, enfermeiros, nutricionistas, educadores físicos e assistentes sociais, articulada com políticas públicas de atenção à saúde crônica.
Em suma, a adesão ao tratamento da HAS é um desafio contínuo, que demanda empatia, escuta ativa, estratégias educativas e sistemas de saúde estruturados para garantir o cuidado longitudinal. A superação dessas barreiras é determinante para reduzir a morbimortalidade e promover saúde cardiovascular duradoura.
2. METODOLOGIA
A presente pesquisa utilizou-se do método de revisão bibliográfica com abordagem descritiva e qualitativa. O estudo teve como objetivo identificar, analisar e sintetizar a produção científica recente acerca da hipertensão arterial, com ênfase em suas causas, sintomas e estratégias terapêuticas. A natureza descritiva do trabalho permitiu mapear e organizar o conhecimento já estabelecido sobre o tema, enquanto a abordagem qualitativa favoreceu uma interpretação crítica e aprofundada dos dados, buscando compreender as relações entre os diversos fatores envolvidos na gênese e no tratamento da hipertensão.
A coleta de dados foi realizada entre os meses de março e abril de 2025, por meio de busca eletrônica em bases de dados científicas reconhecidas, tais como SciELO, LILACS, BVS, Google Acadêmico e periódicos de acesso aberto especializados na área da saúde. Foram utilizados os seguintes descritores em Ciências da Saúde (DeCS): “hipertensão arterial”, “fatores de risco”, “sintomas” e “tratamento da hipertensão”. Os termos foram combinados com operadores booleanos (AND, OR) para ampliar a sensibilidade das buscas.
Foram estabelecidos critérios de inclusão para seleção dos materiais: artigos publicados entre 2020 e 2025, em português, inglês ou espanhol, com texto completo disponível e que abordassem de forma direta os aspectos clínicos, epidemiológicos e terapêuticos da hipertensão arterial. Trabalhos duplicados, que não estavam alinhados com o objetivo do estudo ou que apresentavam dados insuficientes para análise foram excluídos.
Após a leitura dos títulos e resumos, foi realizada uma triagem inicial, seguida da leitura na íntegra dos textos selecionados. A análise dos dados foi conduzida de maneira interpretativa, valorizando a compreensão contextual das informações em vez de quantificações estatísticas. Os conteúdos foram organizados em categorias temáticas previamente definidas, permitindo a discussão crítica dos principais achados em consonância com os objetivos do estudo.
O corpus final foi composto por 26 publicações, entre artigos originais, revisões integrativas e estudos de caso, que abordaram desde a fisiopatologia e os fatores de risco até as intervenções multiprofissionais voltadas ao controle e tratamento da hipertensão arterial. Os resultados extraídos foram confrontados entre si, respeitando a pluralidade de perspectivas e metodologias empregadas pelos autores, de modo a assegurar a confiabilidade e a relevância científica da revisão.
3. RESULTADOS E DISCUSSÃO
3.1 Prevalência da hipertensão arterial em diferentes populações
A hipertensão arterial sistêmica (HAS) é reconhecida mundialmente como uma das doenças crônicas mais prevalentes e um dos principais fatores de risco para doenças cardiovasculares, cerebrovasculares e renais. No Brasil, dados recentes demonstram que a hipertensão afeta cerca de um quarto da população adulta, sendo essa prevalência ainda maior entre idosos e mulheres (Dias et al., 2021).
A análise da distribuição da hipertensão segundo diferentes características demográficas e sociais é fundamental para a formulação de políticas públicas mais eficazes. Em estudo de abrangência nacional, Dias et al. (2021) verificaram uma prevalência de 24,3% de hipertensos no Brasil, com maior incidência entre pessoas com baixa escolaridade e renda, confirmando a influência de determinantes sociais na saúde cardiovascular.
Duarte e Perez (2022) reforçam que a hipertensão é mais comum entre adultos com idade superior a 45 anos, especialmente em regiões urbanas com maior densidade populacional. A prevalência tende a aumentar com a idade, atingindo mais de 50% entre pessoas com mais de 60 anos. Além disso, observou-se uma tendência crescente entre mulheres na pós-menopausa, o que pode estar relacionado a alterações hormonais e mudanças metabólicas associadas ao envelhecimento.
Essa tendência é confirmada por Monteiro et al. (2020), que ressaltaram que os principais fatores responsáveis pelo aumento da prevalência da hipertensão são o envelhecimento populacional, a urbanização acelerada e o estilo de vida sedentário, marcados pelo consumo elevado de sódio, estresse e inatividade física. Em seu estudo, a HAS aparece não apenas como condição isolada, mas como elemento central em uma cadeia de comorbidades metabólicas.
No contexto ocupacional, Vital, Oliveira Silva e Nascimento Paz (2020) evidenciaram que trabalhadores submetidos a jornadas extensas, alto nível de exigência mental e ausência de pausas regulares apresentam maior probabilidade de desenvolver hipertensão. Esses dados reforçam a importância de intervenções voltadas à promoção da saúde no ambiente de trabalho.
A prevalência também varia de acordo com o sexo e a faixa etária. A Tabela 1, apresentada a seguir, mostra a distribuição da hipertensão entre homens e mulheres em diferentes grupos etários, com base em dados de estudos populacionais nacionais.
Tabela 1 – Prevalência de Hipertensão por Faixa Etária e Sexo

Fonte: Dias et al. (2021)
A tabela evidencia que, embora a prevalência seja relativamente baixa em adultos jovens, ela aumenta significativamente a partir dos 45 anos, sendo superior entre mulheres na faixa etária acima de 60 anos. Esse padrão pode ser explicado, em parte, pela transição hormonal da menopausa, bem como pela maior frequência de consultas médicas entre as mulheres, o que favorece o diagnóstico (Salgado et al., 2024).
Souza et al. (2020) identificaram uma prevalência considerável de hipertensão entre estudantes universitários de enfermagem, especialmente entre aqueles com hábitos alimentares inadequados e histórico familiar da doença. Esses achados demonstram que a HAS pode estar presente mesmo em faixas etárias mais jovens, sobretudo quando há múltiplos fatores de risco associados.
Estudos regionais também apontam disparidades geográficas na distribuição da hipertensão. Conforme demonstrado na Tabela 2, a prevalência da HAS apresenta variações expressivas entre as regiões do país, sendo mais elevada nas regiões Sul e Sudeste.
Tabela 2 – Prevalência de Hipertensão por Região Geográfica

Fonte: Duarte; Perez (2022)
Essas diferenças regionais podem estar associadas tanto a fatores estruturais, como o acesso aos serviços de saúde, quanto a aspectos culturais, socioeconômicos e comportamentais, que influenciam o estilo de vida da população (Amorim et al., 2024). A maior concentração de centros urbanos e a vida mais acelerada nas regiões Sul e Sudeste, por exemplo, favorecem o sedentarismo, a má alimentação e o estresse crônico.
A pesquisa de Tormas et al. (2020), realizada em unidades da Estratégia Saúde da Família (ESF), demonstrou que a prevalência da hipertensão é maior em pacientes cadastrados que vivem em áreas de maior vulnerabilidade social. Isso reforça a importância da atuação da Atenção Primária à Saúde na identificação precoce e no acompanhamento contínuo desses pacientes.
Gilo et al. (2020) apontam que os idosos representam a parcela mais vulnerável da população em relação à hipertensão arterial. Em seu estudo com idosos brasileiros, a prevalência ultrapassou 60%, sendo maior entre os que apresentavam baixo nível de escolaridade, viviam sozinhos ou eram institucionalizados. A combinação entre fatores biológicos e sociais parece ser determinante nesse cenário.
Salgado et al. (2024), ao investigar a prevalência da hipertensão em mulheres com histórico de pré-eclâmpsia, identificaram uma correlação significativa entre complicações gestacionais e risco cardiovascular futuro. A pesquisa destaca a importância do acompanhamento longitudinal dessas mulheres no pós-parto e durante a vida adulta.
Por fim, Amorim et al. (2024) compilaram dados de diferentes estudos nacionais e internacionais em uma revisão atualizada sobre a prevalência da hipertensão, ressaltando a necessidade de ações intersetoriais que envolvam educação em saúde, infraestrutura urbana e alimentação saudável para conter o avanço da doença.
Diante desses dados, evidencia-se que a hipertensão arterial é um problema de saúde pública multifacetado, cuja prevalência varia de acordo com idade, sexo, região e condições socioeconômicas. A utilização de dados epidemiológicos atualizados permite a identificação de grupos mais vulneráveis e a implementação de ações específicas que visem à prevenção, diagnóstico precoce e acompanhamento adequado da população hipertensa. A articulação entre os serviços de saúde, as políticas públicas e a sociedade civil é essencial para reduzir o impacto da hipertensão e suas complicações no Brasil.
3.2 Fatores de risco predominantes entre os pacientes hipertensos
A hipertensão arterial sistêmica (HAS) é uma condição multifatorial que resulta da interação entre predisposição genética e fatores ambientais e comportamentais. Essa complexidade etiológica implica diretamente na dificuldade de controle clínico da doença, exigindo uma abordagem ampla e integrada no tratamento e prevenção (Monteiro et al., 2020).
Entre os fatores de risco mais destacados na literatura, encontram-se a alimentação hiperlipídica, o sedentarismo, o estresse crônico, o histórico familiar de hipertensão, o consumo excessivo de sódio, o tabagismo, a obesidade e até mesmo o uso prolongado de determinados medicamentos. Silva et al. (2020) realizaram uma revisão sistemática na qual evidenciaram que dietas ricas em gorduras saturadas e pobres em nutrientes essenciais favorecem alterações vasculares e disfunções metabólicas que aumentam o risco de desenvolvimento e agravamento da hipertensão.
Outro aspecto relevante é o sedentarismo, considerado um dos principais comportamentos de risco modificáveis. Souza et al. (2020), ao analisarem a rotina de estudantes universitários de enfermagem, constataram elevada taxa de inatividade física, associada a hábitos alimentares inadequados. Essa associação entre má alimentação e ausência de prática regular de exercícios físicos potencializa o acúmulo de tecido adiposo, desregulação endócrina e aumento da resistência vascular periférica, contribuindo significativamente para o surgimento da HAS.
O estresse crônico também desempenha papel importante na gênese da hipertensão. Segundo Vital, Oliveira Silva e Nascimento Paz (2020), trabalhadores submetidos a ambientes laborais hostis, com alta carga horária e ausência de intervalos adequados, apresentaram taxas aumentadas de pressão arterial, sugerindo a existência de uma conexão direta entre tensão emocional contínua e ativação do sistema nervoso simpático.
A influência dos fatores sociodemográficos é igualmente relevante. Dias et al. (2021) mostraram que indivíduos com baixa escolaridade e renda têm maior probabilidade de desenvolver hipertensão, em função de maior exposição a fatores de risco e menor acesso a serviços de saúde. Essa vulnerabilidade é agravada quando se somam aspectos como racismo estrutural, precariedade habitacional e insegurança alimentar.
Duarte e Perez (2022) complementam que a multiplicidade de fatores de risco torna o controle da HAS mais desafiador, sobretudo em pacientes que acumulam hábitos prejudiciais, comorbidades metabólicas e histórico familiar positivo. A coexistência desses elementos exige uma intervenção terapêutica multidisciplinar e personalizada.
A Tabela 3 apresenta os principais fatores de risco mais frequentemente associados à hipertensão arterial na literatura, juntamente com sua estimativa de prevalência entre indivíduos hipertensos.
Tabela 3 – Fatores de Risco mais Prevalentes entre Hipertensos

Fonte: Silva et al. (2020)
Como se observa, o sedentarismo e o consumo excessivo de sódio lideram a lista de fatores de risco mais prevalentes. A presença de múltiplos fatores em um mesmo indivíduo não é incomum, o que contribui para a resistência ao tratamento e aumento da severidade clínica da doença (Monteiro et al., 2020; Duarte; Perez, 2022). Entre os idosos, a prevalência de fatores de risco tende a aumentar de forma significativa. Gilo et al. (2020) destacam que, com o avanço da idade, há um acúmulo de fatores como obesidade, dislipidemia, uso contínuo de medicamentos e redução da atividade física, o que compromete a capacidade de autoregulação da pressão arterial. Tais condições exigem monitoramento constante e ajustes individualizados na terapêutica.
Feio et al. (2020) abordaram a relação entre dislipidemia e hipertensão arterial, ressaltando que níveis elevados de LDL e triglicerídeos estão associados ao enrijecimento arterial e à diminuição da resposta vasodilatadora, fatores que agravam o quadro hipertensivo. O desequilíbrio lipídico, muitas vezes ignorado, deve ser cuidadosamente avaliado em pacientes com diagnóstico de HAS.
O uso de β-bloqueadores, embora importante no tratamento de diversas condições cardiovasculares, pode acarretar efeitos adversos como disfunção erétil. Pinto et al. (2021) chamam a atenção para a necessidade de uma abordagem humanizada nesses casos, garantindo que o paciente compreenda os benefícios e riscos do uso contínuo desses fármacos, o que também influencia a adesão ao tratamento.
De Farias, Moura e Passos (2022) discutem os obstáculos enfrentados por pacientes hipertensos no enfrentamento dos fatores de risco, apontando que a falta de orientação profissional, barreiras econômicas e o cansaço diante da cronicidade da doença reduzem a capacidade de enfrentamento efetivo da condição.
Um importante contraponto às dietas hiperlipídicas é o uso da dieta DASH (Dietary Approaches to Stop Hypertension). De Lacerda Rodrigues et al. (2020) evidenciaram que essa abordagem nutricional, baseada em frutas, verduras, grãos integrais e baixo teor de sódio, contribui significativamente para a redução da pressão arterial sistólica e diastólica, sendo uma estratégia não farmacológica altamente eficaz e segura.
A distribuição dos fatores de risco também varia conforme a faixa etária. Conforme mostrado na Tabela 4, fatores como sedentarismo, obesidade e estresse apresentam comportamentos distintos ao longo do ciclo de vida.
Tabela 4 – Distribuição de Fatores de Risco por Faixa Etária

Fonte: Dias et al. (2021)
A tabela indica que o sedentarismo é mais prevalente em faixas etárias mais jovens, enquanto a obesidade tende a aumentar com o passar dos anos. O estresse, por sua vez, é significativamente mais relatado por adultos jovens, sugerindo que a sobrecarga emocional pode anteceder o surgimento da hipertensão, mesmo antes de se manifestarem alterações clínicas mensuráveis (Souza et al., 2020).
Esses dados evidenciam a importância de intervenções precoces e direcionadas conforme a faixa etária e perfil sociodemográfico do paciente. Estratégias de promoção da saúde devem ser formuladas considerando não apenas o aspecto clínico, mas também o contexto social, psicológico e ocupacional dos indivíduos (Vital et al., 2020; Gilo et al., 2020).
Em síntese, os fatores de risco para a hipertensão arterial são múltiplos, interdependentes e dinâmicos, o que dificulta intervenções simplistas e generalistas. A literatura aponta para a necessidade de ações integradas, com foco na educação em saúde, reorganização alimentar, incentivo à prática de atividade física e acompanhamento multiprofissional contínuo. O enfrentamento da hipertensão exige uma abordagem biopsicossocial e a articulação entre os setores da saúde, educação e trabalho para modificar os determinantes sociais e comportamentais que favorecem o surgimento e manutenção da doença.
3.3 Reconhecimento dos sintomas e percepção do diagnóstico
A hipertensão arterial sistêmica (HAS) é uma enfermidade silenciosa que, na maioria dos casos, se instala de forma assintomática, dificultando seu reconhecimento precoce pela população. Essa característica é amplamente apontada na literatura como um dos principais desafios no combate à doença, uma vez que, por não apresentar sinais evidentes em sua fase inicial, a hipertensão é frequentemente descoberta apenas após a ocorrência de complicações mais graves, como acidentes vasculares cerebrais ou infartos do miocárdio (Monteiro et al., 2020).
O desconhecimento do quadro clínico e a ausência de sintomas específicos contribuem para a subnotificação da condição e para o baixo índice de adesão ao tratamento, já que muitos indivíduos acreditam não precisar de cuidados médicos contínuos. De acordo com Bernardi et al. (2023), pacientes que não percebem alterações em sua saúde tendem a negligenciar consultas regulares e a interromper o uso de medicamentos anti-hipertensivos, comprometendo o controle pressórico e elevando o risco de eventos adversos.
Essa negligência é ainda mais perceptível em populações jovens. Souza et al. (2020), ao investigarem estudantes universitários da área da saúde, verificaram que grande parte dos entrevistados não realizava aferição periódica da pressão arterial e desconhecia sua condição pressórica. Isso demonstra que, mesmo entre indivíduos com maior acesso à informação, a ausência de sintomas reduz a percepção de vulnerabilidade e a busca ativa por diagnóstico.
Monteiro et al. (2020) ressaltam que o silêncio clínico da HAS está relacionado a uma progressão fisiopatológica lenta, em que alterações estruturais nos vasos sanguíneos ocorrem de forma gradual e imperceptível. Somente quando a pressão atinge níveis muito elevados é que sintomas como cefaleia, tontura e palpitações se tornam mais evidentes, momento em que o risco de complicações já está acentuado. A Tabela 5, apresentada a seguir, reúne os principais sintomas referidos por pacientes hipertensos em estudos populacionais recentes. Vale destacar que a “ausência de sintomas” foi relatada por quase metade dos entrevistados, evidenciando a dificuldade de percepção da doença.
Tabela 5 – Sintomas Referidos por Pacientes Hipertensos

Fonte: Monteiro et al. (2020)
A alta frequência de pacientes assintomáticos descrita na tabela reforça a necessidade de medidas de rastreamento sistemático. Bernardi et al. (2023) argumentam que, quanto mais silenciosa a doença, maior deve ser a vigilância da atenção primária, com incentivo à aferição da pressão arterial em todas as faixas etárias, inclusive entre os jovens.
Nesse sentido, Oliveira et al. (2020) apontam que o diagnóstico tardio da hipertensão está frequentemente associado à falta de políticas públicas que incentivem a prevenção e a detecção precoce em comunidades vulneráveis. Em muitos casos, a hipertensão é identificada de forma incidental, durante atendimentos por outras queixas clínicas ou em campanhas pontuais de saúde.
Tormas et al. (2020), ao avaliarem o perfil de usuários em unidades da Estratégia Saúde da Família (ESF), identificaram que a maior parte dos diagnósticos ocorreu durante consultas de rotina ou por demanda espontânea, não havendo sistematização nas ações preventivas. Essa lacuna compromete a efetividade das estratégias de controle da HAS no âmbito da atenção primária.
A identificação precoce da hipertensão pode ser favorecida por triagens realizadas em contextos diversos. Dias et al. (2021) mostraram que exames ocupacionais, campanhas de saúde e consultas de rotina são oportunidades valiosas para o rastreamento da HAS, especialmente em indivíduos assintomáticos. Essas abordagens permitem a inserção de ações preventivas nos diferentes espaços sociais, ampliando o alcance do diagnóstico.
A Tabela 6, a seguir, sintetiza os principais locais de identificação diagnóstica da hipertensão relatados por pacientes em estudos brasileiros, destacando o papel das Unidades Básicas de Saúde como principal via de descoberta da condição.
Tabela 6 – Locais de Identificação Diagnóstica da Hipertensão

Fonte: Dias et al. (2021)
Esses dados mostram que as UBS são fundamentais na detecção da hipertensão, seguidas pelas triagens ocupacionais, que representam uma importante via de rastreio, especialmente em trabalhadores de empresas formais. As campanhas de saúde pública, apesar de esporádicas, também desempenham papel relevante na descoberta de casos ocultos.
O estudo de De Mendonça Furtado (2022) destaca os principais desafios enfrentados pela atenção primária na identificação precoce da HAS, entre eles, a baixa procura espontânea por aferição da pressão arterial, a falta de capacitação de agentes comunitários para rastreamento e a ausência de integração entre os serviços de saúde e a comunidade.
Adicionalmente, o fenômeno da “hipertensão do avental branco”, descrito por Risk (2020), também pode interferir no diagnóstico preciso da condição. Pacientes que apresentam elevação transitória da pressão arterial durante atendimentos médicos, mas que mantêm níveis normais em ambientes cotidianos, podem ser erroneamente classificados como hipertensos ou, inversamente, ter seu risco subestimado se essa condição não for corretamente investigada com medidas ambulatoriais.
Salgado et al. (2024) acrescentam à discussão o caso específico das mulheres com histórico de pré-eclâmpsia, que frequentemente apresentam pressão arterial elevada durante a gestação, mas não recebem acompanhamento adequado no pós- parto. A negligência desses casos leva à subestimação do risco cardiovascular e à perda de uma oportunidade de diagnóstico precoce e intervenção oportuna.
Outro ponto sensível é o papel da educação em saúde no reconhecimento dos sintomas. Conforme observado por Souza et al. (2020), a carência de informações claras sobre os riscos da hipertensão e seus sinais clínicos prejudica a conscientização da população. Investimentos em campanhas educativas, materiais informativos acessíveis e treinamentos para profissionais da atenção básica são estratégias fundamentais para reverter esse quadro.
Dessa forma, torna-se evidente que o reconhecimento dos sintomas da hipertensão e a percepção do diagnóstico por parte da população dependem não apenas das manifestações clínicas individuais, mas também da efetividade das políticas de saúde pública e da qualidade da informação disseminada. A atuação preventiva, proativa e contínua das equipes de saúde é essencial para transformar o diagnóstico tardio em uma exceção, e não uma regra.
Em síntese, o enfrentamento da hipertensão arterial exige estratégias que contemplem a natureza assintomática da doença. A ampliação da cobertura das ações de rastreamento, a qualificação da atenção básica, o estímulo ao autocuidado e a educação em saúde constituem os principais pilares para o reconhecimento precoce da HAS. Quando devidamente implementadas, essas ações têm o potencial de modificar o curso natural da doença, reduzindo suas complicações e promovendo uma melhor qualidade de vida para a população.
3.4 Adesão ao tratamento e seus obstáculos
A adesão ao tratamento da hipertensão arterial sistêmica (HAS) representa um dos maiores desafios para o controle efetivo da doença, tanto no âmbito individual quanto coletivo. Embora a eficácia das terapias medicamentosas e não medicamentosas seja amplamente reconhecida, estudos demonstram que grande parte dos pacientes hipertensos não seguem corretamente as recomendações clínicas, o que compromete significativamente os resultados esperados (Bernardi et al., 2023).
Segundo Oliveira et al. (2020), a adesão ao tratamento antihipertensivo envolve o comprometimento do paciente com todas as dimensões da terapêutica: uso contínuo de medicamentos, mudanças no estilo de vida e comparecimento regular às consultas. Entretanto, diversos fatores dificultam a continuidade desse processo, desde questões socioeconômicas até aspectos psicológicos e culturais. A ausência de sintomas, por exemplo, é uma das principais causas do abandono do tratamento, pois o paciente não percebe benefícios imediatos em manter o uso da medicação.
Oliveira, J. R. A. et al. (2021) destacam que pacientes com baixa escolaridade tendem a apresentar menor compreensão sobre a cronicidade da doença, seus riscos e a necessidade de controle contínuo, o que os torna mais vulneráveis à interrupção do tratamento. Além disso, dificuldades de acesso a medicamentos, a serviços de saúde e o esquecimento das doses são fatores que impactam diretamente a adesão terapêutica.
Em estudo realizado por De Farias, Moura e Passos (2022), os principais obstáculos relatados por pacientes hipertensos foram a falta de orientação adequada por parte dos profissionais de saúde, o desconhecimento sobre a doença e seus riscos, e o medo dos efeitos colaterais provocados pelos medicamentos. O uso prolongado de fármacos como diuréticos e betabloqueadores pode causar reações adversas que afetam o cotidiano dos pacientes, gerando insegurança quanto à continuidade do tratamento.
Essas dificuldades são ainda mais evidentes entre os idosos. De acordo com Silva Martins et al. (2024), muitos idosos enfrentam barreiras cognitivas e sociais, como a solidão, a baixa escolaridade e a ausência de cuidadores, o que contribui para o abandono do tratamento. A polifarmácia, frequente nessa faixa etária, também representa um fator de risco, devido ao risco aumentado de interações medicamentosas e ao cansaço do paciente frente à complexidade da prescrição.
A Tabela 7, a seguir, apresenta os principais fatores que dificultam a adesão ao tratamento antihipertensivo, conforme levantamento de dados de diferentes estudos nacionais.
Tabela 7 – Fatores que Dificultam a Adesão ao Tratamento Antihipertensivo

Fonte: Bernardi et al. (2023)
A tabela evidencia que a baixa escolaridade e a desinformação estão entre os principais fatores que prejudicam a continuidade terapêutica. De Mendonça Furtado (2022) aponta que muitos pacientes abandonam o tratamento por acreditarem que a pressão arterial “já está controlada”, sem entender que a suspensão do uso da medicação pode gerar efeitos rebote e agravar o quadro clínico.
Diante desse cenário, diversas estratégias têm sido propostas para melhorar a adesão ao tratamento da hipertensão. Amaral-Moreira Mota et al. (2023) demonstraram que a consulta de enfermagem estruturada, com foco na educação em saúde e no acolhimento ao paciente, é uma ferramenta eficaz para estimular a continuidade terapêutica. Essas consultas permitem o estabelecimento de vínculos, a identificação de dificuldades específicas e a construção conjunta de planos de cuidado viáveis à realidade do paciente.
O acompanhamento farmacêutico também tem se mostrado fundamental nesse processo. Ribeiro (2020) destaca que o farmacêutico clínico, ao atuar de forma integrada com as equipes de saúde da família, pode orientar os pacientes quanto ao uso correto da medicação, esclarecer dúvidas sobre efeitos colaterais e promover intervenções de adesão terapêutica baseadas em evidências.
A Tabela 8, a seguir, ilustra as principais estratégias utilizadas para melhorar a adesão ao tratamento da hipertensão arterial, bem como sua efetividade percebida pelos profissionais de saúde e pelos pacientes.
Tabela 8 – Estratégias para Melhorar a Adesão ao Tratamento

Fonte: Amaral-Moreira Mota et al. (2023)
As estratégias apresentadas na tabela revelam que a abordagem multiprofissional e personalizada é a mais eficaz no enfrentamento da baixa adesão. A consulta de enfermagem com foco educativo aparece como a mais bem avaliada, evidenciando a importância da escuta qualificada e do vínculo profissional-paciente. O uso de tecnologias, como aplicativos e lembretes automáticos, também tem auxiliado pacientes a manterem a regularidade na tomada de medicamentos, principalmente entre os mais jovens (Amorim et al., 2024).
Outro fator importante é a gratuidade dos medicamentos. Carvalho (2025), ao apresentar dados do 19º Congresso Português de Hipertensão, destacou que a disponibilidade de antihipertensivos nas farmácias populares e postos de saúde está diretamente associada à adesão, especialmente em populações de baixa renda. A escassez de medicamentos, por outro lado, leva muitos pacientes a interromperem o tratamento ou a adotarem alternativas inadequadas, como a automedicação.
Além disso, a atuação das equipes de saúde da família por meio de visitas domiciliares fortalece o vínculo com os pacientes e possibilita intervenções mais eficazes, sobretudo em áreas de difícil acesso. Essas visitas permitem identificar barreiras que o paciente talvez não mencione em consultas presenciais, como dificuldades econômicas, sociais ou emocionais (De Mendonça Furtado, 2022).
O envolvimento familiar também é essencial. Pacientes que contam com o apoio de familiares na administração dos medicamentos e no comparecimento às consultas tendem a apresentar melhores índices de controle pressórico. Isso é particularmente importante em idosos, que frequentemente enfrentam limitações físicas e cognitivas (Silva Martins et al., 2024).
Dessa forma, a adesão ao tratamento da hipertensão é um processo multifacetado, que depende não apenas da motivação individual, mas também da qualidade da atenção prestada, da acessibilidade aos serviços de saúde e da atuação integrada dos profissionais envolvidos no cuidado. A superação das barreiras identificadas exige investimentos contínuos em educação em saúde, fortalecimento da atenção primária e valorização da escuta ativa e do acolhimento nos serviços.
Conclui-se que, para alcançar o controle efetivo da hipertensão arterial, é fundamental compreender os diversos fatores que impactam a adesão ao tratamento. Estratégias centradas no paciente, baseadas em comunicação clara, apoio multiprofissional e ações intersetoriais, são determinantes para o sucesso terapêutico e a prevenção de complicações futuras.
3.5 Eficácia das intervenções não farmacológicas
As intervenções não farmacológicas constituem a base do tratamento da hipertensão arterial sistêmica (HAS), especialmente em sua fase inicial ou como complemento ao uso de medicamentos. Essas estratégias incluem a prática regular de atividades físicas, a reeducação alimentar, o controle do estresse e o suporte multiprofissional, que juntos promovem melhorias significativas na pressão arterial e na qualidade de vida dos pacientes (Costa et al., 2021).
O exercício físico é apontado como uma das medidas mais eficazes para a redução dos níveis pressóricos. De acordo com Costa et al. (2021), atividades aeróbicas moderadas, praticadas ao menos três vezes por semana, podem reduzir a pressão arterial sistólica em até 10 mmHg e a diastólica em até 7 mmHg em pacientes hipertensos. Além disso, o exercício físico contribui para a perda de peso, melhora a função endotelial, reduz a resistência periférica e favorece a liberação de substâncias vasodilatadoras, como o óxido nítrico.
A alimentação é outro pilar fundamental nas abordagens não medicamentosas. Dietas ricas em gordura saturada, sódio e alimentos ultraprocessados aumentam significativamente o risco de hipertensão. Silva et al. (2020) observaram que indivíduos que consomem quantidades elevadas de alimentos hiperlipídicos apresentam maior incidência de alterações na rigidez arterial e na função renal, além de desenvolverem comorbidades associadas, como obesidade e dislipidemia.
Entre os modelos alimentares mais estudados e com maior eficácia comprovada, destaca-se a dieta DASH (Dietary Approaches to Stop Hypertension). De Lacerda Rodrigues et al. (2020) demonstraram, por meio de revisão sistemática, que essa abordagem nutricional promove redução significativa dos níveis pressóricos, graças ao consumo controlado de sódio e à ênfase em frutas, verduras, grãos integrais e alimentos com baixo teor de gordura. Essa dieta também contribui para a regulação dos níveis de colesterol e glicemia, potencializando seus efeitos protetores cardiovasculares.
O controle do estresse também é uma dimensão essencial das estratégias não farmacológicas. Situações de estresse contínuo ativam o sistema nervoso simpático, elevando a liberação de catecolaminas e promovendo vasoconstrição. Amaral- Moreira Mota et al. (2023) ressaltam que a implementação de práticas de relaxamento, meditação e acompanhamento psicológico são eficazes na redução da pressão arterial, sobretudo quando associadas a outras intervenções educativas.
O suporte multiprofissional é indispensável para garantir a adesão e a eficácia das intervenções não medicamentosas. Segundo Ribeiro (2020), o farmacêutico clínico tem papel relevante na adesão terapêutica, acompanhando os pacientes no uso correto dos medicamentos, evitando interações e reforçando a importância da continuidade do tratamento. Da mesma forma, o nutricionista, o educador físico e o psicólogo atuam de forma integrada, respeitando as necessidades específicas de cada paciente.
A Tabela 9 a seguir apresenta os principais tipos de intervenção não farmacológica utilizados no controle da hipertensão arterial, juntamente com sua média estimada de redução da pressão arterial sistólica.
Tabela 9 – Eficácia de Intervenções Não Farmacológicas na Redução da Pressão Arterial

Fonte: Costa et al. (2021)
Esses dados evidenciam que as intervenções não farmacológicas, quando corretamente implementadas, apresentam resultados expressivos na redução da pressão arterial, podendo em alguns casos até substituir a medicação em fases iniciais da doença. Além disso, a combinação dessas estratégias promove sinergia terapêutica, potencializando os efeitos de cada intervenção.
Salgado et al. (2024) apontam que mulheres com histórico de pré-eclâmpsia e risco cardiovascular elevado se beneficiam significativamente da abordagem multiprofissional, principalmente quando há suporte contínuo de nutricionistas, psicólogos e enfermeiros. A adesão ao tratamento, nestes casos, aumenta quando o plano terapêutico é construído de forma participativa e com foco na individualização do cuidado.
No acompanhamento de idosos, a atuação das equipes multiprofissionais é ainda mais crítica. De acordo com Silva Martins et al. (2024), idosos hipertensos apresentaram melhora significativa da pressão arterial e da funcionalidade geral quando submetidos a programas de reabilitação integrados, com exercícios físicos supervisionados, ajustes alimentares e suporte emocional. O envelhecimento impõe desafios específicos, como a redução da capacidade funcional, o isolamento social e a perda cognitiva, o que demanda abordagens adaptadas à sua realidade.
A Tabela 10, a seguir, apresenta os profissionais envolvidos nas intervenções não farmacológicas e suas funções dentro de uma abordagem integrada de cuidado ao paciente hipertenso.
Tabela 10 – Equipe Multiprofissional e suas Funções no Controle da Hipertensão

Fonte: Amaral-Moreira Mota et al. (2023)
Essas funções demonstram que o sucesso das estratégias não medicamentosas não depende apenas da prescrição de uma dieta ou exercício, mas sim da construção de uma rede de cuidado centrada no paciente. A atuação coordenada desses profissionais favorece o monitoramento contínuo, a adaptação das condutas e o fortalecimento do vínculo entre o paciente e o sistema de saúde (Ribeiro, 2020; Fernandes et al., 2021).
A literatura recente reforça que a eficácia dessas intervenções está associada à sua integração ao cotidiano dos pacientes. Amorim et al. (2024), em uma revisão crítica da eficácia terapêutica não medicamentosa, argumentam que os programas mais bem-sucedidos são aqueles que consideram fatores como cultura, rotina familiar, tempo disponível e barreiras econômicas. Intervenções rígidas ou descontextualizadas tendem a falhar na prática, mesmo quando bem fundamentadas teoricamente.
Outro aspecto relevante é a substituição ou minimização dos efeitos colaterais dos medicamentos por alternativas não farmacológicas. Pinto et al. (2021) apontam que pacientes que experienciam disfunções relacionadas ao uso de fármacos, como fadiga, disfunção sexual ou hipotensão ortostática, frequentemente se beneficiam de mudanças no estilo de vida como estratégia de alívio e compensação.
No campo da saúde pública, a implementação de políticas que incentivem o uso de estratégias não medicamentosas deve ser priorizada. A ampliação do acesso a academias públicas, hortas comunitárias, grupos terapêuticos e educação alimentar são exemplos de ações de baixo custo que têm impacto direto na prevenção e no controle da hipertensão. A integração entre os níveis de atenção, o investimento em capacitação de profissionais e a valorização da educação em saúde são fundamentais para a sustentabilidade dessas políticas (Fernandes et al., 2021).
Em síntese, as intervenções não farmacológicas representam alternativas altamente eficazes, seguras e sustentáveis para o controle da hipertensão arterial. Sua eficácia é amplamente respaldada pela literatura científica, com reduções mensuráveis na pressão arterial e melhoria da qualidade de vida. No entanto, seu sucesso depende da adesão do paciente, do suporte multiprofissional contínuo e da adaptação das estratégias à realidade social e cultural do indivíduo. A promoção de hábitos saudáveis e o fortalecimento do cuidado em saúde devem caminhar lado a lado com os avanços terapêuticos, consolidando uma abordagem mais humana, integral e resolutiva no enfrentamento da hipertensão.
4. CONCLUSÃO
A hipertensão arterial sistêmica permanece como uma das mais relevantes questões de saúde pública no Brasil e no mundo, não apenas por sua elevada prevalência em diferentes segmentos da população, mas, principalmente, por seu caráter silencioso e pelas complicações associadas quando não diagnosticada e tratada adequadamente. Este trabalho buscou compreender, de forma ampla e crítica, os principais aspectos que envolvem a condição hipertensiva, com ênfase nas suas causas, nos sintomas pouco perceptíveis, nas estratégias terapêuticas adotadas e nos desafios enfrentados quanto à adesão ao tratamento.
A partir da análise da literatura e da organização temática dos resultados, foi possível constatar que a hipertensão é fortemente influenciada por fatores comportamentais, sociais e ambientais. A alimentação inadequada, o sedentarismo, o estresse crônico e a baixa escolaridade foram apontados como elementos centrais para o desencadeamento e agravamento da doença. Além disso, a ausência de sintomas em muitos casos contribui significativamente para o diagnóstico tardio, o que dificulta o início precoce das intervenções e reduz a efetividade das estratégias terapêuticas.
A adesão ao tratamento se revelou como um desafio multifatorial, atravessado por barreiras como o desconhecimento, os efeitos colaterais dos medicamentos, a negligência dos sintomas e a fragilidade do vínculo entre usuários e serviços de saúde. A superação desses entraves demanda, de forma inadiável, um modelo de atenção mais acolhedor, educativo e centrado no paciente, com escuta ativa, continuidade do cuidado e valorização das práticas integrativas.
Por outro lado, este estudo também evidenciou o potencial das intervenções não farmacológicas no controle da pressão arterial, especialmente quando conduzidas de forma multiprofissional e personalizada. A prática regular de atividades físicas, a reeducação alimentar, o suporte psicológico e a atuação de equipes interdisciplinares mostraram-se ferramentas poderosas não só para reduzir os níveis pressóricos, mas também para promover bem-estar e autonomia.
Conclui-se, portanto, que o enfrentamento da hipertensão arterial exige mais do que prescrição medicamentosa. Requer ações educativas permanentes, valorização da atenção básica, fortalecimento das redes de cuidado e compromisso político com a promoção da saúde. Cabe aos profissionais da área compreender a complexidade do fenômeno hipertensivo e atuar de forma integrada e humanizada, considerando as múltiplas dimensões que afetam a saúde cardiovascular da população. O caminho para o controle efetivo da hipertensão passa, necessariamente, pela prevenção, pela escuta e pelo cuidado contínuo.
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1Estudante de Medicina Universidade Estadual de Goiás – UEG Jandicaca1998@gmail.com
2Professor de Oftalmologia/Clinica Médica Universidade Estadual de Goiás – UEG julio.silva@ueg.br https://orcid.org/0000-0002-4545-0019
