ENFERMEIRO NA ABORDAGEM DO TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE

NURSES APPROACHING AUTISTIC SPECTRUM DISORDER IN PRIMARY HEALTH CARE

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ar10202503130854


Manuela Moraes¹
Thais Cristina da Costa Garcia²
Cladis Loren Kiefer Moraes³


Resumo

Investigar a abordagem dos enfermeiros no reconhecimento dos sinais de Transtorno do Espectro Autista, que atuam na Atenção Primária à Saúde de um município na Região da Grande Florianópolis, no estado de Santa Catarina. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, de natureza exploratória, descritiva, com 47 enfermeiros, realizada em outubro de 2023. Aplicou-se um roteiro de entrevista semiestruturado elaborado pelas pesquisadoras.O perfil revelou enfermeiros, majoritariamente, do gênero feminino, faixa etária entre 35 e 44 anos, formados a menos de 10 anos, atuando a menos de 5 anos em Unidade Básica de Saúde. Durante a graduação e aa vida profissional o Transtorno do Espectro Autista foi pouco abordado, revelando que os enfermeiros apresentam dificuldades na identificação dos sinais do autismo, no atendimento aos autistas e suas famílias. O conhecimento é a chave para a mudança nos programas de formação e educação continuada. Além disso, os municípios necessitam assumir o planejamento e execução de programas que atendam o portador do autismo e suas famílias.

Palavras-chave: Enfermeiros, Transtorno do Espectro Autista, Atenção Primária à Saúde.

1 INTRODUÇÃO

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é um distúrbio no neurodesenvolvimento do indivíduo afetando a comunicação verbal, a interação social (sentimentos e emoções) e o comportamento (pensamentos e ideias). Os autistas podem apresentar, em diferentes graus, alteração na aprendizagem, além de dificuldades para interagir com a família e o ambiente social (Malik-Soni, et al. 2021). As causas do TEA ainda não são totalmente compreendidas pela  medicina, mas podem estar relacionadas a fatores genéticos e ambientais. A associação entre os fatores ambientais e o TEA é plausível, devido à vulnerabilidade do cérebro em desenvolvimento aos fatores externos (Lavor et al., 2021; Hernandez, et al. 2022).

Segundo o Centro de Controle de Doenças (CDC), dos Estados Unidos da América,  ocorre em 1 caso de autismo a cada 36 crianças de 8 anos, sendo mais comum em meninos (Maenner et al., 2020). Para Carvalho (2024), o número de autistas matriculados no sistema educacional brasileiro cresceu 48% no último ano. Em 2023, o censo escolar contabilizou 636 mil autistas frequentando as escolas em nosso país.

Os autistas enfrentam obstáculos e desafios significativos no diagnóstico e na obtenção de obter cuidados adequados a rede pública de saúde. Além disso, também no ambiente escolar enfrentam dificuldades com a escassez de profissionais capacitados para atender suas necessidades pedagógicas (Malik-Soni, et al. 2021).

Os sinais do autismo surgem a partir do décimo segundo mês de vida, pode ser observados por pais/responsáveis (Araújo, et al. 2022). Entre os sinais identificáveis listamos a dificuldade em interagir socialmente, evitar o contato visual, problemas de comunicação (atraso ou regressão no desenvolvimento da fala), repetição persistente de palavras e frases, além da dificuldade em sair da rotina diária.

O autista pode  apresentar alteração a sensibilidade sensorial, reagir de forma incomum e/ou intensa a sons, cheiros, texturas e luzes, dificuldades em compreender e responder a emoções, iniciar e manter uma conversa e, entender e responder as pistas sociais. (Schmitt, et al. 2023).A gravidade do espectro varia de casos leves a severos, a assistência constante pode ser necessária ao longo de toda a vida (Araújo, et al. 2022; Rodrigues e Pinto, 2024).

O diagnóstico precoce é fundamental para as intervenções especializadas sejam atendidas por uma equipe multiprofissional. Entretanto, dificuldade na identificação dos sinais do THA por profissionais da saúde interfere no diagnóstico precoce e nos encaminhamentos para assistência profissional (Valdez-Maguiña e Cartolin-Princípe, 2019; Buffle e Naranjo, 2021).

Na Atenção Primária à Saúde (APS), estão localizadas as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) que abrigam as equipes de Saúde da Família (eSF). O enfermeiro é um dos profissionais da eSF, que realiza a consulta de enfermagem aplicando técnicas e métodos científicos baseados em evidências buscando identificar, prescrever e aplicar cuidados de enfermagem aos  indivíduos e suas famílias, inclusive no TEA TEA (Rodriges e Sousa, 2023; COFEN, 2017; Ministério da Saúde, 2017; Viana et al., 2020).

Na equipe Saúde da Família (eSF), o enfermeiro tem papel fundamental na promoção, proteção, recuperação e reabilitação da saúde do indivíduo. Aa consulta de enfermagem é a atividade inerente do enfermeiro que permite interação assistencial entre o profissional e o cliente, fornecendo subsídios para a identificação de problemas, inclusive os sinais do Transtorno do Espectro Autista (TEA) (Viana et al., 2020).

Atualmente, há alguns protocolos que podem ser utilizados por profissionais da saúde para identificar sinais do TEA. O protocolo M-CHAT,  disponibilizado na internet, pode ser aplicado entre o décimo oitavo ao vigésimo quarto meses na avaliação do TEA. O M-CHAT leva em consideração as respostas dos pais/responsáveis sobre o comportamento da criança para o diagnóstico final do TEA (Mello, 2023; Robins, 2024).

Diante do exposto, definiu-se como pergunta de pesquisa: Como acontece a abordagem dos enfermeiros no reconhecimento dos sinais do agravo do Transtorno do Espectro Autista em crianças atendidas em consultas de enfermagem em Unidades Básicas de Saúde?

A parceria entre o enfermeiro e a família do autista é crucial para o diagnóstico, acompanhamento e tratamento, buscando alcance de qualidade de vida do autista (Mello, 2023; Ferreira, Theis, 2021; Steffen et al., 2019). Os enfermeiros possuem papel fundamental no atendimento do TEA, considerando as dimensões física, mental, emocional, social e espiritual do indivíduo atendido nas equipes de saúde da família (eSF) (Amaral, Silva, 2021)

A partir do contexto apresentado, o objetivo do artigo é investigar a abordagem dos enfermeiros no reconhecimento dos sinais de Transtorno do Espectro Autista, que atuam na Atenção Primária à Saúde de um município na Região da Grande Florianópolis, no estado de Santa Catarina.

2 METODOLOGIA

Trata-se de uma pesquisa qualitativa, de natureza descritiva e reflexiva. Utilizou-se os Critérios Consolidados  para o Relatório de Pesquisa Qualitativa – COREQ (Souza et al., 2021).

O estudo foi realizado com enfermeiros que atuam em eSFs de um município de médio porte localizado na Região da Grande Florianópolis, em Santa Catarina. O município conta com 26 UBS e 58 eSF, com cobertura de 98,38% da Estratégia Saúde da Família (ESF) (Santa Catarina, 2024).

Os critérios de inclusão elegeu-se: ser enfermeiro, atuar em eSF de uma UBS do município do estudo, realizar consulta de enfermagem e aceitar participar do estudo. Como critérios de exclusão: enfermeiro de licença ou afastamento das atividades laborais, não atuar em eSF de uma UBS, não realizar consulta de enfermagem e não aceitar participar do estudo. Cada enfermeiro foi contatado, após aceite da Secretaria Municipal de Saúde, via ligação telefônica, oportunidade que os pesquisadores formularam o convite do estudo.

Do total de 93 enfermeiros, 29 não atendiam aos critérios de inclusão, 7 encontravam-se afastados de suas funções (5 férias e 2 licença tratamento de saúde), 10 não aceitaram participar do estudo. A amostra dos sujeitos do estudo foi composta por  47 enfermeiros.

A coleta de dados ocorreu em outubro de 2023, em entrevista presencial guiado por roteiro semiestruturado de 21 perguntas (fechadas e abertas) elaborado pelos pesquisadores. Cada enfermeiro foi entrevistado na UBS de atuação, em dia e horário pré-agendado. As entrevistas ocorreram em tempo médio de 40 minutos. As entrevistas foram gravadas em aparelho de áudio digital, autorizadas pelos enfermeiros. O anonimato do enfermeiros na apresentação dos resultados está garantido com a utilização da sigla Enf., seguido de número ordinal, conforme a ordem das entrevistas.

Nas entrevistas, para caracterização do perfil dos enfermeiros, coletou-se: gênero (masculino e feminino), faixa etária (24 a 34 anos, 35 a 44 anos, 36 a 54, anos, 55 e mais), tempo de formação (<5 anos, 6 a 10 anos, 11 a 15 anos, 16 a 20 anos, 21 e +),  tempo de atuação em UBS (<5 anos, 6 a 10 anos, 11 a 15 anos, 16 a 20 anos, 21 e +).  Os dados quantitativos encontram-se apresentados em estatística descritiva (número e percentagem).

As informações qualitativas foram analisadas com a Análise de Conteúdo de Bardin (2011), percorreu-se três etapas: pré- análise, exploração do material, tratamento dos dados e interpretação. Todas as informações coletadas foram transcritas, realizando-se leitura exaustiva, buscando o máximo de precisão, possibilitando o mapeamento das falas por similaridade dos assuntos. Procedeu-se a codificação dos achados, buscando as palavras-chave e os temas relacionados. Por fim, agregou-se os relatos por similaridade,  analisando-os à luz da literatura. Assim, oportunizou-se uma discussão ampliada, conferindo agregar novos conhecimentos.

Este estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética e Pesquisa da Universidade Paulista (UNIP), através do número de CAAE 77086024.4.0000.5512.

3 RESULTADOS

O perfil dos enfermeiros, disponibilizado na tabela 1, revela profissionais de predominância do gênero feminino (n=44; 93%), faixa etária entre 35 e 44 anos (n=14; 30%), formados a menos de 10 anos (n= 13; 28%), atuando a menos e 5 anos em UBS (n= 19; 40%).

Tabela 1. Perfilsociodemográficos dos enfermeiros. São José, SC, Brasil, 2023.

Variáveisn(%)
Gênero 
Masculino3(7,0)
Feminino44(93,0)
Faixa etária 
24 a 34 anos14(29,8)
35 a 44 anos18(38,3)
45 a 54 anos14(29,8)
55 e +1(2,1)
Tempo de formação profissional 
<5 anos4(8,4)
6 a 10 anos13(28,0)
11 a 15 anos12(25,4)
16 a 20 anos8(17,0)
21 anos e +10(21,2)
Tempo de atuação em UBS 
<5 anos19(40,4)
6 a 10 anos14(29,8)
11 a 15 anos5(10,7)
16 a 20 anos5(10,7)
 21 anos e +4(8,4)

Dos 47 enfermeiros, 40(83,0%) revelam que TEA não foi abordado no curso de graduação, 7(15,0%) declaram que os docentes abordaram a TEA resumidamente. Entre os enfermeiros, 1(2,0%) realizou pós-graduação sobre TEA.

Quando solicitado um conceito do TEA, as respostas foram bem variadas e incompletas e reumidas.

Mudança comportamental, uma doença. (E9)

Um conjunto de sinais e sintomas que se configura em um déficit na capacidade de comunicação, ou dificulta o aprendizado e a vida em sociedade, podendo desencadear outros transtornos  mentais e comportamentais, se for mal conduzido. (E11)

Alguns enfermeiros completam o conceito de TEA com uma afirmação.

Já ouvi falar, mas não conheço a fundo, mas é o transtorno de espectro autista, agora saber a fundo a doença, em si, a situação da criança ou do adulto, tá cheio de  adulto sendo diagnosticado agora, é muito delicado. (E6)

Sobre os sinais sugestivos do TEA, os enfermeiros citam os sinais clássicos do transtorno mencionados na literatura.

Sensibilidade a ruídos, seletividade alimentar, andar nas pontas dos pés, desviar o olhar, movimentos repetitivos, entre outros. (E7)

São três sinais, né? Agora fiquei na dúvida, não tenho certeza. (E22)

Quanto aos tipos de TEA, alguns enfermeiros afirmam que há 4 classificações. Outros enfermeiros apresentam incertezas quanto as classificações do TEA.

Não tenho certeza, acho que 4.  (E5)

Atualmente classificados como níveis de suporte 1, 2 e 3, diferenciados pela demanda exigida de auxílio/cuidado. (E44)

Quanto à participação em formações sobre o TEA, 37(78,8%) enfermeiros já participaram, 10(21,2%) realizaram por iniciativa própria.

Questionou-se os enfermeiros sobre o conhecimento da existência de protocolos para avaliação do TEA. Dos enfermeiros, 15(31,9%) conhecem o Modified Checklist for Autism in Toddlers (M-CHAT), 18(38,3%) não conhecem e 14(29,8%) já ouviram falar. Quando perguntou-se sobre a existência de um protocolo de atendimento em sua UBS para crianças com suspeita do TEA, 32(68,1%) desconhecem, 14(29,8%) conhecem e 1(2,1%) não soube responder.

Protocolo escrito não, mas temos alguns manejos e rotinas estabelecidos aqui na unidade, como horários e tempo de consulta diferenciados e menor tempo de espera. (E29)

Os enfermeiros foram indagados sobre a identificação dos sinais do TEA, 22(46,8%) não sabem reconhecer,  20(42,5%) reconhecem e 5(10,7%) talvez reconheçam os sinais clássicos, desde que sejam evidentes nos pacientes

Sim, alguns sinais de alerta eu consigo identificar, mas não todos. (E6)

Os enfermeiros foram questionados sobre os profissionais necessários para o acompanhamento do autista, 47(100%) citaram o médico, além de outros profissionais. 19(40,4%) mencionam o enfermeiro e 28(59,6) não aludem o enfermeiro.

Equipe multiprofissional: neurologista, psicólogo, fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional, enfermeiro, médico de família, fisioterapia, neuropsicopedagogo, conforme as particularidades apresentadas. (E44)

Na consulta de enfermagem, os enfermeiros relatam as dificuldades em atender o paciente com suspeita de sinais do TEA. Os enfermeiros mencionam insegurança no toque físico, manejo de crises e  delimitar limite na aproximação. 

Tenho dificuldades, posso dizer duas, mas a principal é como manejar. Por mais que quase não atenda, manejar a comunicação, como lidar com a criança, o contato, permissão, limite. (E39)

Sim, por conta do atraso no desenvolvimento e também alguns não são verbais, não toleram o toque. Tenho dificuldade de realizar exame físico e identificar outras alterações que o paciente possa ter. apresentar. (E42)

A insegurança dos enfermeiros para realizar a consulta de enfermagem buscando identificar sinais do TEA, pode estar relacionados a pouca experiência na Atenção Primária à Saúde, tempo de formação e desconhecimento sobre sobre a temática.

Não tenho dificuldade,[…] mas para todos a abordagem será feita de acordo com as necessidades apresentadas pelo paciente e o manejo de acordo com o fluxo necessário, realizado pela equipe ESF. (E17)

A abordagem dos familiares/responsáveis do paciente com sinais de TEA é outra dificuldade relatada por enfermeiros, refletindo diretamente na assistência da enfermagem ao autista.

Sim, a maior dificuldade é o entendimento da família. Na rede pública e privada foca muito no autista e pouco na família, sendo que muitos acham que é normal e fala como se o TEA fosse uma comorbidade ou doença. (E46)

Os enfermeiros entrevistados reforçam as impasses no atendimento ao paciente com sinais de TEA, preferindo levar o caso para discussão na sua eSF ou acionar o matriciamento.

Nas UBSs, onde estão lotados pediatras, o profissional atendem e assumem assistência o TEA. Nessas unidades de saúde, os enfermeiros não realizam consulta de enfermagem no TEA.

Não se aplica, não tenho atendido crianças com suspeita de TEA. Na unidade quase não tenho oportunidade de atender crianças, pois o pediatra assume os atendimentos e não compartilha os casos com a equipe. (E4)

Por ser enfermeiro da eSF na UBS, primeiramente discutir o caso com o médico da área e verificar o prontuário para checar se já houve atendimento com outro profissional. Caso não houvesse, marcaria consulta com o médico e/ou pediatra da unidade. (E3)

Encaminhar essa criança para o pediatra. Entraria em contato com o matriciamento, a fonoaudióloga e o psicólogo do matriciamento. (E21)

No município do estudo, a prefeitura construiu o  Centro de Estimulação e Reabilitação em Transtorno do Espectro Autista (CERTEA). O CERTEA conta com diversas especialidades para atendimento dos autistas com idade entre 0 a 6 anos. Já em algumas UBSs do município, por iniciativa dos profissionais, foram elaborados uma rotina de atendimento e encaminhamento dos autistas na APS.

Sim, protocolo de identificação e encaminhamento para o CERTEA. (E44)

Sim, protocolo interno para encaminhamento de crianças menores de 5 anos, para avaliação especializada. (E14)

Os enfermeiros desvelaram a necessidade de melhorias na estrutura física das UBS para receber e atender os pacientes do TEA. Do total de enfermeiros, 27(57%) solicitam capacitações em TEA, 20(43%) sugerem a criação protocolo de atendimento e fluxograma de encaminhamento no município, a criação de uma espaço de espera para acolhimento dos autistas e familiares/responsáveis nas UBS, tempo diferenciado na consulta de enfermagem ao autista  e equipe multiprofissional para acolhimento/atendimento dos familiares/responsáveis

Melhorar a informação […]. Maior complacência da gestão, pelo tempo de atendimento […] para atender com qualidade, mais capacitação, expandir a rede de apoio. (E19)

Em relação ao TEA temos profissionais muito engajados, nas UBSs não tem nada específico para ser melhorado […].. Minha sugestão é para a rede ou ampliação do CERTEA, porque a demanda é muito grande. […]. Uma sugestão também seria uma atividade em grupo para os familiares. (E39)

Os pesquisadores apresentaram aos enfermeiros uma situação hipotética: O enfermeiro atendeu uma criança e identificou os sinais do TEA. Como você aborda os pais?

Os enfermeiros manifestam sentimento de insegurança para conversar com os pais, mas buscam a melhor abordagem e manejo para a situação. A maioria dos enfermeiros sentem-se despreparados, preferem não conversar com os pais sobre o TEA, preferindo agendar uma consulta com o médico da eSF.

[…], tento trazê-los para um lugar seguro, onde podem se abrir comigo coisas que não podem conversar com familiares ou vizinhos. […] que tem sim suspeita e a maioria diz que já sabia. Eles já vem com algumas questões que a escola coloca. (E29)

Puxo pelo que já apresenta, eu costumo falar “ó, esse é um sinal”. […] pondero, aviso que há alguma coisa que precisa ser melhor avaliada, mas nunca digo que é [….. Entender melhor o que já tá acontecendo, tendo cuidado na comunicação. (E39)

Detectou-se que os enfermeiros buscam conhecer a temática, como realizar a abordagem do paciente com sinais de autismo, assim como seus familiares/responsáveis, encontrando-se abertos para aprofundar a temática.

Não acho que esteja preparada para atender, não acho que tenha perfil para atender, mas acho que é importante estar preparada, porque vamos atender, nem sempre a gente faz aquilo tem afinidade […]. (E6)

Sim, por ser um tema relevante e com um aumento significativo de novos diagnósticos nos últimos anos. Importante saber sobre o diagnóstico precoce e as medidas a serem tomadas, […], orientar as famílias. (E12)

Os enfermeiros mostram-se desmotivados, não para o aprendizado, mas na efetiva implementação das políticas públicas para o TEA e o reconhecimento da integralidade da assistência aos autistas e seus familiares. 

[…].. Na enfermagem sempre temos que aprender. Talvez mais capacitação, mais informação. Mas nós, que somos mais velhos e sabemos que o sistema é falho, não temos tanto interesse. (E28)

[…]. Acredito que sabendo mais sobre o assunto vou poder atender melhor os pacientes. Hoje, aqui na UBS, o atendimento se concentra em encaminhar à especializada e os pacientes aguardam anos na fila de espera. (E42)

Destaque, que alguns enfermeiros preferem abster-se em tomar medidas imediatas que garantam a assistência de enfermagem aos autistas e suas famílias, apesar de reconhecer a importância da sua qualificação e treinamento prático na realização da consulta de enfermagem em TEA.

Sei que preciso me aperfeiçoar mais, mas não tenho desejo de fazer isso agora. (E20)

4 DISCUSSÃO

A Resolução do Conselho Federal de Enfermagem (COFEN) nº 736/2024, garante que  enfermeiro realize a consulta de enfermagem em unidades ambulatoriais, domicílios e escolas. Todo o processo é respaldado por  um sistema metodológico, auxiliado de maneira deliberada e sistemática pelo Processo de Enfermagem (COFEN, 2024).

O TEA é uma síndrome biológica e multifatorial, geralmente identificada nos primeiros anos de vida, apresenta sinais variáveis relacionadas ao neurodesenvolvimento. A Associação Americana de Psiquiatria incluiu na terceira edição do Manual de Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-III) e no Código Internacional de Doenças (CID).o diagnóstico do TEA (6A02). O autista necessita de diagnóstico e  acompanhamento precoce por uma equipe interdisciplinar e multidisciplinar, inclusive do enfermeiro, para proporcionar qualidade de vida (Côrrea et al., 2021; American Psychiatric Association, 2014).

Os enfermeiros lotados na ABS, compõem uma eSF, com compromisso de realizar a consulta de enfermagem em puericultura de rotina ou de demanda espontânea. É possível que o enfermeiro atenda crianças com sinais e pais/responsáveis que relatem suspeita de TEA (COFEN, 2021).

Na consulta de enfermagem, quando os pais/responsáveis referem sinais do autismo em sua criança, cabe ao enfermeiro identificar e realizar os encaminhamentos. Na equipe multiprofissional, o enfermeiro é um agente terapêutico que intervêm no sofrimento do autista e da família na aceitação do diagnóstico, auxiliando na adaptação do estilo de vida e do ambiente familiar para o alcance de qualidade de vida (COFEN, 2021).

No Brasil, a Lei n° 12.764/2012 ou Lei Berenice Piana, garante a proteção integral dos direitos da pessoa com TEA. A proposição da Lei n° 1.462/2022, sugere incluir a temática nos currículos de graduação em Pedagogia, Psicologia e Psicopedagogia, sem menção de inserção nos cursos da área da saúde. Assim, formação profissional para atendimento do TEA está voltado para psicólogos, fonoaudiólogos, educadores especiais e psicopedagogos (Brasil, 2012).

No estudo realizado com 82 acadêmicos dos cursos de Enfermagem, Educação Física, Fisioterapia, Medicina, Odontologia, Nutrição e Naturologia, de uma universidade privada, identificou-se que 45(55%) estudantes desconhecem o TEA e a abordagem profissional (Sousa, 2020). As informações corroboram com este estudo, no qual os enfermeiros ressaltam insegurança no atendimento e desconhecimento do TEA. Os enfermeiros entrevistados em nosso estudo foram formados após a Lei n° 12.764/2012, portanto a temática não mereceu destaque nos currículos de graduação em enfermagem.  

No estudo realizado com 168 estudantes de graduação em enfermagem em uma universidade privada, revelou que os alunos buscaram informações sobre o TEA  na internet (128), TV/filmes/séries (87), mídia social (86), conteúdo acadêmico (64), artigos científicos (30), outros (18) e nenhuma (4). Em relação ao conteúdo ministrado sobre TEA durante o curso de graduação em enfermagem, 163(90,5%) não consideram suficiente e 133(79,2%) sentem-se inseguros para atender um autista (Jesus, 2023).

Diante dessas informações, é possível afirmar a importância da internet no acesso às informações sobre o TEA para acadêmicos e profissionais de enfermagem. O acesso ao conteúdo acontece por meio das Tecnologias da Informação e Comunicação,  mídia virtual e redes sociais, consideradas atualmente importantes ferramentas para a educação, contribuindo positivamente para a atendimento dos autistas nos serviços de saúde (Ferreira e Franzoi, 2019).

O aumento no número de casos do autismo ocorre com a utilização de aplicativos disponíveis na internet por pais/responsáveis, que buscam profissionais da saúde, inclusive  os enfermeiros para confirmar ou descartar o TEA (Brasil, 2014). Na internet encontra-se disponível, para leigos e profissionais, o teste de autismo Modified Checklist for Autism in Toddlers (M-CHAT). No Brasil, o Ministério da Saúde (MS), disponibiliza um roteiro de indicadores e sinais de alerta do TEA que pode ser acessado na internet, para auxiliar os profissionais no diagnóstico do TEA (Camelo et al., 2021; Taveira et. al., 2023).

A consulta de enfermagem em puericultura é o espaço ideal que os enfermeiros acolham a criança e os pais/responsáveis, realizando exames para identificação alterações no desenvolvimento neuropsicomotor. O enfermeiro ainda executa a escuta terapêutica dos relatos apresentados por pais/responsáveis sobre o desenvolvimento de seu filho.

A aplicabilidade do M-CHAT e/ou do roteiro disponibilizado pelo MS na internet são ferramentas essenciais na prática do enfermeiro, devidamente capacitado para executar a avaliação (Taveira et. al., 2023). O enfermeiro tem a responsabilidade orientar sobre a evolução dos marcos de desenvolvimento, o convívio no ambiente familiar e social, realizar os encaminhamentos, enfatizar a importância do atendimento multiprofissional, entre outras atividades (Souza, 2020).

Em outro estudo, realizado com alunos de graduação em enfermagem e medicina de uma universidade pública sobre TEA, os estudantes revelam  falta de conhecimento, medo, estigma e dificuldade para realizar o atendimento do autista. No ambiente acadêmico, os estudantes relatam sofrer preconceito, racismo e estigma, o que pode colaborar na reprodução do preconceito e segregação do atendimento do TEA (Camelo et al. 2021).

Quando os estudantes foram questionados sobre as dificuldades apresentadas na prática profissional em relação às famílias/responsáveis no cuidado do autista, relatam a dificuldade na aceitação do diagnóstico, busca de assistência terapêutica e tratamentos na rede pública de saúde. A inserção do autista acontece inicialmente no núcleo familiar, o enfermeiro pode auxiliar na aceitação do TEA, com a realização de ações educativas sobre TEA pode auxiliar a família, a escola e a sociedade, na convivência com o autista (Camelo et al., 2021).

Ao apresentarmos contribuições  os relatos dos enfermeiros e discutirmos a luz da literatura, exploramos questões relevantes quanto ao conhecimento, acolhimento, comunicação, interação e linguagem durante a consulta de enfermagem com autista e seus familiares/acompanhantes. O enfermeiro tem papel relevante na eSF, no atendimento,  planejamento do plano de cuidados individuais e acompanhamento do autista na UBS e nas visitas domiciliares, garantindo que as potencialidades contribuam para a melhor qualidade de vida dos envolvidos.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Neste estudo, revelou-se que na APS, no município do estudo, atuam enfermeiras com menos de 10 anos de graduação, com pouco conhecimento sobre o TEA. O enfermeiro encontra-se respaldado legalmente pelo COFEN para realizar a consulta de enfermagem, entretanto as fragilidades profissionais impedem que seu papel esteja potencializado no atendimento do autismo. Além disso, o descompasso entre as políticas públicas (educação e saúde) revelam as fragilidades enfrentadas por profissionais despreparados para o exercício da vida profissional.

Destacamos, como limitações do estudo, a realização em um município específico na região sul do Brasil, o que impossibilita a generalização dos resultados para outras regiões com diferentes contextos socioeconômicos e recursos de saúde. Outro ponto limitante foram os poucos estudos disponibilizados na literatura que investigue a atuação do enfermeiro da ESF no atendimento ao autista e sua família.

Atualmente, no Brasil, o autismo vive duas situações: a explosão no número de diagnósticos e os diagnósticos tardio do TEA. Além disso, a prática profissional dos enfermeiros revelam carências, tais como: ausência de educação continuada, propostas de protocolos de atendimento, tecnologias digitais de acesso aos protocolo  e fluxograma do TEA na APS.

O conhecimento é a chave para a mudança da situação, os municípios necessitam planejar e executar programas para o TEA e envolver os profissionais das eSFs em educação continuada. Em municípios que tenham um centro de referência para o atendimento do TEA, sugere-se o treinamento prático para os profissionais das eSF.

REFERÊNCIAS

AMARAL, I. S. B. S. T.; SILVA, A. L. A. A consulta do enfermeiro na estratégia saúde da família. Rev. Pesqui., v. 13, p. 227-233, 2021. Disponível em: https://seer.unirio.br/index.php/cuidadofundamental/article/view/8250. Acesso em: 1 mar. 2025.

AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais. 5. ed. DSM-5. Porto Alegre: Artemed, 2014.

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BRASIL. Presidência da República (BR). Lei n. 12.764, de 27 de dezembro de 2012. Institui a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista e altera o § 3º do art. 98 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990. Brasília: Presidência da República, 2012.

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BUFFLE, P.; NARANJO, D. Identificación y diagnóstico tempranos del trastorno del espectro autista: una revisión de la literatura sobre recomendaciones basadas en la evidencia. Rev. Ecuat. Pediatr., v. 22, n. 3, p. 1-19, 2021. Disponível em: https://rev-sep.ec/index.php/johs/article/view/113. Acesso em: 1 mar. 2025.

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¹Enfermeira. Faculdades Associadas de Santa Catarina (FASC). Campus São José, SC, Brasil. e-mail: manu2410moraes@gmail.com
²Enfermeira. Faculdades Associadas de Santa Catarina (FASC). Campus São José, SC, Brasil. e-mail: thaisccosta@gmail.com.
³Docente do Curso Superior de Enfermagem da Faculdades Associadas de Santa Catarina – FASC. Doutora em Enfermagem pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Campus São José, SC, Brasil. e-mail: cladismoraes@uol.com.br