MENTAL HEALTH NURSING: CHALLENGES AND CARE STRATEGIES FOCUSED ON PERSONALITY DISORDERS
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202506121652
Eduarda Lara Silva
Naiara Camilly Ribeiro Teodoro
Lucas Máximo Meira Araújo
Raiane Aparecida Silva
Maria Fernanda Ferreira dos Santos
Hyorrana Priscila Pereira Pinto
Resumo
Introdução: Os transtornos de personalidade representam um desafio significativo para a assistência de enfermagem. Objetivo: Analisar a literatura científica sobre a assistência de enfermagem ao paciente com transtorno de personalidade.Metodologia: Revisão bibliográfica em bases de dados científicas relevantes, com critérios de inclusão e exclusão definidos. Resultados e Discussão: A atuação do enfermeiro é fundamental no cuidado ao paciente, promovendo intervenções que favoreçam a adesão ao tratamento e o desenvolvimento de estratégias de enfrentamento, com ênfase na humanização do cuidado e empatia. Considerações Finais: A assistência de enfermagem a pacientes com transtorno de personalidade requer uma conduta humanizada e fundamentada no conhecimento técnico e na empatia.
Palavras-chave: Transtornos de personalidade; Assistência de enfermagem; Saúde mental.
Abstract
Introduction: Personality disorders represent a significant challenge for nursing care. Objective: To analyze the scientific literature on nursing care for patients with personality disorder. Methodology: Bibliographic review in relevant scientific databases, with defined inclusion and exclusion criteria. Results and Discussion: The nurse’s performance is fundamental in patient care, promoting interventions that favor adherence to treatment and the development of coping strategies, with emphasis on the humanization of care and empathy. Final Considerations: Nursing care to patients with personality disorder requires a humanized conduct based on technical knowledge and empathy.
Keywords: Personality disorders; Nursing care; Mental health.
1. INTRODUÇÃO
Os transtornos de personalidade representam um desafio significativo para a assistência de enfermagem, uma vez que afetam o comportamento, a cognição e a interação social dos indivíduos, impactando diretamente o cuidado prestado. Profissionais de enfermagem desempenham um papel fundamental na abordagem terapêutica desses pacientes, promovendo intervenções que favoreçam a adesão ao tratamento e o desenvolvimento de estratégias de enfrentamento. Diante disso, torna-se essencial analisar a literatura científica para compreender as melhores práticas e desafios enfrentados na assistência de enfermagem a esses pacientes.
Estudos demonstram que o cuidado de enfermagem voltado para pacientes com transtorno de personalidade exige habilidades específicas, como empatia, comunicação eficaz e manejo de crises emocionais, para minimizar o impacto da desregulação emocional e promover o bem-estar do paciente (Silva et al., 2020). Além disso, estratégias baseadas na terapia cognitivo-comportamental e no estabelecimento de limites claros são frequentemente mencionadas na literatura como fundamentais para o sucesso do tratamento (Santos & Oliveira, 2019).
Outro aspecto relevante na assistência de enfermagem é a necessidade de capacitação contínua dos profissionais para lidar com situações desafiadoras, como comportamentos autodestrutivos e manipulação emocional, comuns em alguns transtornos de personalidade. A educação permanente e o suporte institucional são fatores que contribuem para a qualidade do atendimento e para a saúde mental dos próprios enfermeiros (Ferreira et al., 2021).
Dessa forma, esta revisão bibliográfica tem como objetivo analisar a literatura científica sobre a assistência de enfermagem ao paciente com transtorno de personalidade, destacando os principais desafios e estratégias assistenciais recomendadas para otimizar o cuidado prestado.
2. METODOLOGIA
Este artigo trata-se de uma revisão bibliográfica com abordagem sistemática, cujo objetivo foi reunir e analisar criticamente produções científicas relacionadas às abordagens terapêuticas e ao manejo clínico dos transtornos de personalidade. O processo metodológico seguiu múltiplas etapas, iniciando-se pela definição da temática e dos critérios de inclusão e exclusão dos estudos.
A pergunta norteadora da pesquisa foi: “O que a literatura científica apresenta sobre as abordagens terapêuticas e o manejo clínico dos transtornos de personalidade?” As buscas foram realizadas nas bases de dados Periódicos Capes, Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) e PubMed. Os descritores utilizados foram “Transtornos de Personalidade”, “Assistência de Enfermagem” e “Saúde Mental”, extraídos das plataformas DeCS e MeSH, combinados com o operador booleano AND. O recorte temporal considerou publicações entre os anos de 2019 e 2025.
Inicialmente, foram identificados 648 estudos. Após a aplicação dos critérios de exclusão incluindo artigos de acesso restrito, duplicações, publicações que não abordavam a assistência de enfermagem, estudos teóricos sem aplicabilidade prática e revisões sem análise crítica 42 artigos foram selecionados para leitura na íntegra. Ao final da triagem, 14 estudos foram considerados elegíveis e compuseram a amostra final da revisão.
A seleção final dos artigos baseou-se na leitura de títulos, resumos e textos completos, priorizando as produções mais pertinentes ao objetivo do estudo. As informações extraídas foram organizadas e submetidas a análise crítica, permitindo a construção de uma síntese atualizada e relevante sobre o tema em questão.
3. RESULTADOS E DISCUSSÃO
3.1 Definições e Conceitos
A personalidade é um conjunto de características individuais que definem um padrão estável de emoções, pensamentos e comportamentos. Essas características têm impacto significativo em vários aspectos da vida, incluindo bem-estar pessoal, relacionamentos, carreira e sucesso profissional, participação na comunidade e engajamento social. Em resumo, a personalidade influencia quem somos, como nos relacionamos e como vivemos nossa vida. Desse modo, o transtorno de personalidade pode ser considerado um grupo de condições psiquiátricas marcadas por padrões rígidos e disfuncionais de comportamento, que afetam negativamente a capacidade da pessoa de gerenciar impulsos e interagir socialmente (MAZER et al., 2017).
Os transtornos de personalidade são causados por uma combinação de fatores genéticos e ambientais, e costumam surgir entre o final da adolescência e o início da idade adulta, mas também podem se manifestar ainda na infância (NAVES et al., 2022).
De acordo com o “Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais – 2014” existem 10 tipos de transtornos de personalidades que são divididos em 3 grupos, sendo eles o Grupo A, caracterizado por comportamentos excêntricos, inclui transtornos como o paranóide, marcado por desconfiança excessiva, o esquizóide, que apresenta distanciamento social e emoções restritas, e o esquizotípico, que envolve comportamento excêntrico e distúrbios cognitivos. O Grupo B é marcado por comportamentos dramáticos, emocionais e impulsivos, abrangendo transtornos como o anti social, caracterizado por falta de empatia e comportamento manipulador, o borderline, que apresenta instabilidade emocional e relacionamentos caóticos, o histriônico, que busca atenção e apresenta comportamentos dramáticos, e o narcisista, que tem necessidade de admiração e falta de empatia. Por fim, o Grupo C é definido por comportamentos ansiosos e medrosos, incluindo transtornos como o evitativo, que envolve sentimentos de inadequação e isolamento social, o dependente, marcado por necessidade excessiva de cuidado e apoio, e o obsessivo-compulsivo, caracterizado por preocupação excessiva com ordem e controle (APA, 2014).
O diagnóstico e tratamento dos transtornos de personalidade exigem uma abordagem completa e cuidadosa, incluindo uma avaliação multidimensional, terapias psicossociais e comportamentais, intervenções farmacológicas, além do acompanhamento e suporte contínuo (CARVALHO DE ASSIS et al., 2024).
3.2 Dados Epidemiológicos
Estudos epidemiológicos destacam a presença de episódios traumáticos na história pregressa de pacientes que apresentam sintomas de transtornos de personalidade. Evidências sugerem que experiências adversas na infância e adolescência podem estar associadas ao desenvolvimento dessas condições, influenciando o comportamento e a estabilidade emocional dos indivíduos (SILVA, 2023).
De acordo com o dado mais recente publicado pelo Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde, embora o Brasil não apresente taxas globais elevadas de suicídio, a crescente mortalidade por essa causa é alarmante. O país registra um aumento anual de 3,32% no número de óbitos por suicídio, o que exige atenção e medidas preventivas. Estima-se que até 90% das pessoas que cometeram suicídio apresentavam algum transtorno mental antes do ato, reforçando a importância do diagnóstico e tratamento adequado dessas condições (BRASIL, 2021).
Segundo dados do DATASUS, em 2023, foram registrados os seguintes óbitos relacionados aos transtornos mentais: 6 casos de transtorno específico de personalidade, 10 casos de transtorno obsessivo-compulsivo, 5 casos de transtornos do humor persistentes, 6 casos de transtorno esquizotípico, 9 casos de transtorno esquizoafetivo, 90 casos de transtorno afetivo bipolar, 3 casos de transtornos fóbico-ansiosos, 103 casos de outros transtornos ansiosos (BRASIL, 2023).
Esses números reforçam a necessidade de ampliar as políticas de saúde mental, garantindo acesso a diagnóstico precoce e tratamento adequado, além do fortalecimento de estratégias de prevenção ao suicídio e suporte psicossocial para indivíduos em situação de vulnerabilidade (SILVA, 2023).
3.3 Fluxo de Assistência na Rede
O fluxo de assistência na Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) inicia-se, preferencialmente, pela Atenção Primária à Saúde (APS), mas também pode ocorrer por meio dos serviços de urgência e emergência e dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS). A organização desse fluxo deve envolver todos os setores da rede, garantindo um atendimento eficiente e integrado (BRASIL, 2023).
Pacientes que acessam a RAPS pela APS são acolhidos e acompanhados conforme a gravidade do quadro. Casos mais complexos são encaminhados para serviços especializados ou para urgência e emergência. Quando a entrada ocorre pelos CAPS, quadros leves podem ser referenciados para a APS, enquanto casos graves recebem atendimento intensivo ou são encaminhados para internação hospitalar, se necessário (BRASIL, 2023).
As internações devem ser reguladas por critérios clínicos, com duração inferior a 90 dias, garantindo a continuidade do cuidado por meio da integração dos leitos hospitalares com os demais serviços da RAPS. Além disso, protocolos clínicos e diretrizes terapêuticas são fundamentais para assegurar um atendimento resolutivo e adequado à Política Nacional de Saúde Mental. (BRASIL, 2023).
Além disso o Relatório de Saúde Mental em Dados, publicado em 2024, apresenta um panorama atualizado da RAPS no Brasil, detalhando a expansão e qualificação dos serviços de saúde mental, incluindo também CAPS, unidade de acolhimento, serviços residencias terapêutico e programa de desinstitucionalização. Esse relatório aponta o crescimento de 10% da rede nos últimos dois anos, sendo 3.000 CAPS cobrindo mais de 2.000 municípios, havendo também reajuste no orçamento da RAPS, crescendo em torno de 35%, alcançando 614 milhões adicionais (BRASIL, 2024).
3.4 Atuação do Enfermeiro
A atuação do enfermeiro no cuidado ao paciente com transtorno de personalidade é de extrema importância em nível assistencial, onde o enfermeiro tem como responsabilidade estabelecer o vínculo terapêutico com o paciente, tendo um diálogo eficaz, reconhece as dificuldades apresentadas pelo transtorno, que associam a sentimentalidade clínica, administra medicamentos, trabalham com a educação em em saúde, assim também previne comportamentos de risco. (BARBOSA et al., 2020).
A enfermagem busca trabalhar de forma humanizada, podendo transmitir a esses pacientes formas de aceitação, favorecendo ao pacientemente o reconhecimento do seu próprio valor, assim eles podem expressar seus sentimentos. Esses pacientes são mais desafiadores e demandam uma abordagem mais atenciosa, podendo assim provocar sentimentos negativos ao enfermeiro, porém isso não pode acontecer, para que esse comportamento não interfira no vínculo ou no tratamento terapêutico. É importante que o enfermeiro esteja atento e sempre os observando, para a segurança do paciente. Isso pode ser feito através de atividades, evitando que transpareça a desconfiança e o fato de estar observando (AGNOL et al,. 2019).
Os profissionais de enfermagem lidam com diversos desafios, entre eles estão a grande dificuldade em estabelecer vínculo terapêutico com os pacientes, pela instabilidade emocional, a falta de recursos humanos e materiais em instituições de saúde mental é um grande desafio, também inclui a falta de conhecimento e capacitação para lidar com os pacientes. Esses desafios e problemas comprometem a eficácia do tratamento, levando o profissional a ficar com esgotamento e frustração. Isso leva a investimento, educação continuada e suporte emocional para os profissionais (GUEDES et al., 2025).
A Política Nacional de Humanização do SUS (PNH) procura certificar que os usuários do sistema de saúde tenham um atendimento humanizado e integral, proporcionando atividades que fortaleçam o vínculo entre profissionais e pacientes. Para que assim tenham um tratamento eficaz e humanizado, levando em consideração as diretrizes que possam garantir o acolhimento, escuta e respeito às diferenças de cada indivíduo (BRASIL, 2013).
O papel do enfermeiro não se limita a técnicas, mas também a execução de ações de resultados abrangentes, desenvolvendo habilidades de comunicação como ferramentas (AGNOL et al,. 2019).
4. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Conclui-se que a atuação da enfermagem aos pacientes com transtorno de personalidade requer uma conduta mais humanizada, podendo-se fundamentar no conhecimento técnico, como também na empatia. O enfermeiro desenvolve papéis essenciais tanto no cuidado direto, quanto na gestão de serviços, promovendo ações que contribuem com a aceitação ao tratamento, promovendo qualidade de vida ao paciente. Diante disso, a capacitação contínua e o suporte institucional são de extrema relevância para que os enfermeiros estejam prontos para lidar com diversos desafios, sendo eles as crises emocionais e comportamentos que trazem risco ao paciente.
Os transtornos de personalidade são considerados sérios e podem afetar a vida e bem estar do paciente. Dito isso, o desenvolvimento da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) e o investimento para melhor atender o paciente, sendo algo acessível e eficaz. Contudo, a necessidade de implantar medidas para prevenção do suicídio e ampliação dos serviços de apoio, são fundamentais para um cuidado completo e seguro para essas pessoas.
Por fim, é importante investir na capacitação e qualificação dos profissionais e buscar reforçar as redes de apoio, para entregar ao paciente um tratamento eficaz e humanizado.
5. REFERÊNCIAS
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