EFFICACY OF PROPRIOCEPTIVE NEUROMUSCULAR FACILITATION IN IMPROVING GAIT AND BALANCE IN PATIENTS WITH PARKINSON’S DISEASE: A LITERARY REVIEW
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/dt10202511120705
Marjorie Macedo Vasques1
Mayssa Jeniffer Barroso Fleuri1
Naila Brito Sobrinho1
Thamires Rocha Ruiz1
Thaiana Bezerra Duarte2
RESUMO
Introdução: A Doença de Parkinson (DP) é uma patologia neurodegenerativa progressiva que compromete áreas motoras, causando sintomas como bradicinesia, rigidez e instabilidade postural, afetando diretamente a marcha e o equilíbrio. O tratamento medicamentoso foca no controle sintomático, mas não impede a progressão da doença, tornando as abordagens fisioterapêuticas fundamentais. A Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva (FNP) surge como uma técnica que visa otimizar o nível funcional do paciente. Contudo, a literatura carece de consenso sobre a eficácia e padronização de protocolos de FNP para pacientes com DP, justificando a necessidade desta revisão. Objetivo: Analisar a eficácia da FNP na melhora da marcha e do equilíbrio em pacientes com doença de Parkinson. Materiais e método: Trata-se de uma revisão de literatura. Foi realizada uma busca nas bases de dados PubMed, Scielo, PEDro, Periódicos Capes e Google Acadêmico, entre agosto e outubro de 2025, por estudos publicados de 2012 a 2025. Foram incluídos artigos em inglês, português e espanhol que utilizaram intervenções baseadas na FNP em indivíduos com Parkinson e avaliaram parâmetros da marcha e do equilíbrio. Foram excluídos estudos que envolviam outras doenças neurológicas sem análise específica para DP, estudos que não disponibilizaram o texto na íntegra. Resultados: Foram selecionados 6 estudos para compor essa revisão. Os estudos analisados demonstraram que a FNP, aplicada de forma isolada ou associada à fisioterapia convencional, promoveu melhorias na marcha e no equilíbrio. Os resultados, no entanto, são variados quando comparados a outras técnicas: um estudo apontou a FNP como superior ao Tratamento Vocal Lee Silverman (LSVT-BIG)para marcha e equilíbrio, enquanto outros indicaram que o treinamento estratégico e exercícios de equilíbrio específicos foram mais eficazes para o equilíbrio. Não foi identificado um protocolo único, mas as técnicas mais comuns incluíram iniciação rítmica, estabilização rítmica e padrões diagonais. Conclusão: A Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva possui efeitos positivos na reabilitação de pacientes com Doença de Parkinson, contribuindo para a melhora da marcha, do equilíbrio e da independência funcional. Não há protocolos padronizados, sendo as intervenções geralmente individualizadas. Não foram relatadas contraindicações absolutas para a aplicação da técnica nessa população. Recomenda-se a realização de novas pesquisas com amostras maiores e protocolos detalhados para fortalecer as evidências científicas.
Palavras-chave: Doença de Parkinson. Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva. Marcha. Equilíbrio. Fisioterapia.
ABSTRACT
Background: Parkinson’s disease (PD) is a progressive neurodegenerative disease that affects motor areas, causing symptoms such as bradykinesia, rigidity, postural instability, directly affecting gait and balance. Pharmacological treatment focuses on symptomatic control but does not prevent disease progression, making physical therapy essential. Proprioceptive Neuromuscular Facilitation (PNF) emerges as a technique that aims to optimize the patient’s functional level. However, the literature lacks consensus on the efficacy and standardization of PNF protocols for patients with PD, justifying the need for this review. Purpose: To analyze the efficacy of PNF in improving gait and balance in patients with Parkinson’s disease. Methods: This is a literature review. A search was conducted in the PubMed, Scielo, PEDro, Capes Journals, and Google Scholar databases between August and October 2025 for studies published from 2012 to 2025. Articles in English, Portuguese, and Spanish that used PNF-based interventions in individuals with Parkinson’s disease and evaluated gait and balance parameters were included. Studies involving other neurological diseases without specific analysis for PD, and studies that did not provide the full text, were excluded. Results: Six studies were selected for this review. The analyzed studies demonstrated that PNF, applied alone or in combination with conventional physiotherapy, promoted improvements in gait and balance. However, the results are varied when compared to other techniques: one study indicated PNF as superior to the Lee Silverman Vocal Treatment (LSVT-BIG) for gait and balance, while others indicated that strategic training and specific balance exercises were more effective for balance. No single protocol was identified, but the most common techniques included rhythmic initiation, rhythmic stabilization, and diagonal patterns.. Conclusion: Proprioceptive Neuromuscular Facilitation has positive effects on the rehabilitation of patients with Parkinson’s disease, contributing to improved gait, balance, and functional independence. There are no standardized protocols, and interventions are generally individualized. No absolute contraindications for the technique’s application in this population have been reported. Further research with larger samples and detailed protocols is recommended to strengthen the scientific evidence.
Keywords: Parkinson’s disease. Proprioceptive Neuromuscular Facilitation. Gait. Balance. Physical therapy
1. INTRODUÇÃO
A doença de Parkinson (DP) é uma patologia neurodegenerativa, crônica, progressiva e de etiologia idiopática, que ocorre devido à regressão do número de neurônios dopaminérgicos da substância negra, resultando em uma deficiência de dopamina. Essa falta leva ao comprometimento de áreas motoras e sensoriais do cérebro, ocasionando sintomas como tremor em repouso, bradicinesia, rigidez muscular e instabilidade postural (Santos; Santos, 2020).
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a DP é a segunda patologia neurodegenerativa mais comum no mundo, com uma maior prevalência em indivíduos acima de 60 anos. Embora mais frequente em idosos, a doença também pode surgir antes dos 50 anos, sendo então denominada de Parkinson de início precoce (Aguilera; Ferreira, 2020).
O tratamento medicamentoso disponível não é capaz de interromper a progressão da doença ou reverter os danos neurológicos, limitando-se ao controle sintomático (Santos et al., 2012). Diante disso, as abordagens fisioterapêuticas tornam-se fundamentais, especialmente no manejo de sintomas como alterações da marcha e do equilíbrio, que comprometem diretamente a funcionalidade e a autonomia dos pacientes (Silva; Carvalho, 2019).
Nesse contexto, a Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva (FNP), desenvolvida por Herman Kabat em 1940, surge como um recurso de destaque. Sua filosofia se baseia na ideia de que todo ser humano, incluindo aqueles portadores de deficiência, possui habilidades ocultas a serem exploradas e estimuladas (Carvalho, 2014).
A FNP visa alcançar o mais alto nível funcional do paciente por meio da facilitação, inibição, fortalecimento e relaxamento muscular. Com isso, o foco terapêutico é sempre positivo, utilizando o que o paciente é capaz de realizar física e psicologicamente. Os procedimentos básicos da FNP consistem em: resistência, irradiação e reforço, contato manual, posição corporal e biomecânica, comando verbal, visão, tração e aproximação, estiramento e sincronização de movimentos e padrões. Esses procedimentos são combinados com o objetivo de potencializar a resposta do paciente (Assis et al., 2020).
Apesar de sua ampla aplicação clínica, os estudos investigaram sistematicamente a eficácia da FNP em pacientes com DP. A literatura aponta diversidade de protocolos e resultados variados, sugerindo que essa técnica pode trazer benefícios para a marcha, equilíbrio e independência funcional, mas sem consenso sobre padronizações ou diretrizes específicas. Dessa forma, fez-se necessário reunir e analisar criticamente as evidências existentes, identificando lacunas e propondo bases para futuros protocolos de intervenção (Santos et al., 2012).
Diante disso, este estudo teve como objetivo principal analisar a eficácia da FNP na melhora da marcha e do equilíbrio em pacientes com doença de Parkinson. De forma secundária, buscou-se verificar a existência de protocolos de aplicação da técnica, avaliar sua contribuição para a independência funcional e investigar possíveis contraindicações associadas ao seu uso nessa população.
2. MATERIAIS E MÉTODO
Trata-se de uma revisão de literatura. As bases de dados utilizadas para a busca de artigos foram: PubMed, Scielo, PEDro, Periódicos Capes e Google Acadêmico, utilizando os descritores Physical Therapy OR Physiotherapy AND PNF AND Parkinson AND march OR Gait AND Balance, combinados com os operadores booleanos AND e OR, nos idiomas inglês, português e espanhol.
A busca nas bases de dados foram realizadas no período de agosto a outubro de 2025. Foram incluídos estudos publicados entre 2012 a 2025; estudos que apresentaram intervenções baseadas no PNF, aplicados a indivíduos com Parkinson e estudos que avaliaram parâmetros da marcha e do equilíbrio em pacientes com DP. Foram excluídos estudos que envolvessem amostras compostas por outras doenças neurológicas sem análise específica para o Parkinson; artigos publicados em idiomas diferentes de inglês, português e espanhol e estudos que não disponibilizaram o texto completo na íntegra.
Após a aplicação dos critérios de inclusão e exclusão, obteve-se um total de 6 artigos que foram selecionados para compor esta revisão e os resultados desta pesquisa foram apresentados em forma de quadro.
3. RESULTADOS
No primeiro momento, foram realizadas as buscas dos artigos nas bases de dados, no qual, foram encontrados um total de 214 artigos, posteriormente, a eliminação de artigos duplicados, seguida da leitura e análise dos títulos e resumos e a aplicação dos critérios de inclusão e exclusão, resultando em 6 estudos que compuseram esta pesquisa, representados na figura 1.
Figura 1– Fluxograma da Revisão de Literatura

O quadro 1 reúne informações de diferentes estudos que investigaram a aplicação da Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva (FNP) em indivíduos com Doença de Parkinson. Estão descritos o autor e ano de publicação, o tipo de estudo realizado, os objetivos das pesquisas, os instrumentos utilizados para coleta de dados, os procedimentos de intervenção empregados e os resultados de cada estudo.
Quadro 1– Síntese dos estudos incluídos na revisão
| Autor e ano de publicação | Tipo de estudo | Objetivo | Instrumentos de coleta e intervenção | Resultados |
| Kachava;Ravi; Meena (2025) | Estudo experimental | Examinar a eficácia do Tratamento Vocal Lee Silverman (LSVT-BIG) e da Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva (FNP) na melhora do equilíbrio, da marcha e das AVDs em pacientes com Parkinson. | – Escala de Equilíbrio de Berg (BBS) para avaliar o equilíbrio estático e dinâmico. – Avaliação Funcional da Marcha (FGA) para analisar estabilidade durante a deambulação. – Escala Unificada de Avaliação da Doença de Parkinson (UPDRS) para medir a gravidade da doença e impacto nas AVDs. 60 participantes divididos em dois grupos de 30 cada Grupo A (LSVT BIG): realizou 16 sessões em 4 semanas (4x/semana, 30–45 min), com foco em movimentos amplos e repetitivos para recalibrar a percepção motora, melhorar a marcha, postura e coordenação. Foram usados modelagem pelo terapeuta, pistas visuais/táteis e escala de esforço para aumentar a consciência corporal. Grupo B (FNP): também realizou 16 sessões em 4 semanas, aplicando padrões de movimento diagonais, resistência manual máxima, alongamento, tração e contração relaxamento. | Ambos os grupos apresentaram melhora significativa em todas as medidas (p < 0,05). Grupo A (LSVT BIG): obteve melhores resultados nas AVDs (UPDRS reduziu de 34,66 para 18,53). Grupo B (FNP): foi superior na melhora da marcha e do equilíbrio(FGA aumentou de 8,86 para 19,4; BBS de 19 para 32,33). Concluiu-se que o LSVT-BIG é mais eficaz para melhorar as atividades de vida diária, enquanto o PNF se destaca na marcha e no equilíbrio, reforçando a importância de programas personalizados. |
| Mazhar (2023) | Ensaio clínico randomizado cego | Avaliar os efeitos da fisioterapia convencional com e sem a facilitação neuromuscular proprioceptiva (FNP) sobre o equilíbrio, a marcha e a independência funcional em pacientes com Doença de Parkinson. | Os pacientes foram avaliados com a Escala de Equilíbrio de Berg, o Questionário Freezing of Gait (FOG-Q) para a marcha, e a Medida de Independência Funcional (MIF) para as atividades diárias. Fisioterapia convencional segundo as diretrizes europeias para Parkinson e, no grupo experimental, foram adicionadas técnicas de FNP, como iniciação rítmica, reversão lenta e reversão agonista, aplicadas em padrões de movimento dos membros inferiores e pélvicos, realizadas três vezes por semana durante 12 semanas. | Ambos os grupos apresentaram melhora no equilíbrio e na marcha. Porém, o grupo que recebeu fisioterapia convencional associada à FNP obteve resultados significativamente superiores, com maior melhora no equilíbrio (p < 0,05), maior redução do congelamento da marcha (p < 0,001) e aumento mais expressivo da independência funcional (p < 0,001) em comparação ao grupo controle. |
| Udayamala et al. (2023) | Ensaio Clínico Randomizado, comparativo, pré e pós- intervenção | Comparar a eficácia do treinamento estratégico versus técnica de Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva (FNP) na melhora do equilíbrio em pacientes com Doença de Parkinson. | 30 participantes, divididos em dois grupos de 15. Avaliações: Escala de Equilíbrio de Berg (BBS), Teste Timed Up and Go (TUG) e Escala Unificada de Avaliação da Doença de Parkinson (UPDRS – exame motor). Grupo A: Treinamento estratégico de tornozelo e quadril + fisioterapia convencional. Grupo B: Técnicas de FNP (iniciação rítmica, estabilização rítmica, padrões diagonais de membros superiores e inferiores) + fisioterapia convencional. Duração:4 semanas, com 4 sessões por semana, 30 minutos cada. | Ambos os grupos apresentaram melhora significativa no equilíbrio e mobilidade após a intervenção. Na comparação entre os grupos, o Grupo A (treinamento estratégico) obteve evolução superior em relação ao Grupo B (FNP) (p<0,05). Portanto, o treinamento estratégico associado à fisioterapia convencional mostrou-se mais eficaz que a FNP para a melhora do equilíbrio em pacientes com Parkinson de grau moderado. |
| Lee (2023) | Ensaio clínico randomizado experimental, comparativo e Longitudinal | Investigar o efeito da Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva no equilíbrio e na marcha necessária para atividades funcionais em pacientes com Doença de Parkinson. | Dois grupos -(experimental e controle); Intervenção aplicada (FNP e FES); Avaliação antes e depois das intervenções (pré e pós-teste); Instrumentos padronizados de avaliação funcional – (BBS, POMA e TUG). O estudo comparou os efeitos da FNP à estimulação elétrica funcional (FES)sobre o equilíbrio e a marcha de pacientes com Parkinson. Participaram 16 pacientes, divididos aleatoriamente em grupo experimental (FNP) e grupo controle (FES). O protocolo de FNP consistiu em exercícios aplicados em membros superiores e inferiores, com padrões de flexão, abdução, rotação e técnicas de resistência. A FES foi aplicada por meio de eletrodos posicionados em quadríceps, tibial anterior e músculos dos membros superiores, induzindo contrações funcionais. Como instrumentos de avaliação foram empregados a Escala de Equilíbrio de Berg (BBS), a Avaliação de Mobilidade Orientada para o Desempenho de Tinetti (POMA) e o teste (TUG), aplicados antes e após as intervenções. | Observou-se melhora em ambos os grupos, com resultados mais expressivos no grupo experimental. A pontuação da POMA aumentou de 23,63 para 27,13,e o tempo do TUG reduziu em média 2,88 segundos, frente a 1,50 no grupo controle. Apesar de ganhos na BBS, não houve diferença significativa Conclui-se que a FNP favorece o equilíbrio e a marcha, sendo recomendada como estratégia em programas de reabilitação para parkinsonianos entre os grupos. |
| Shafiq et al. 2023 | Ensaio clínico controlado randomizado (ECR) | Determinar o efeito da Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva versus Exercício de Equilíbrio juntamente com Terapia Convencional para equilíbrio e marcha em pacientes com Parkinson crônico. | – Escala de Equilíbrio de Berg (BBS) e da Avaliação Funcional da Marcha (FGA) para verificar o equilíbrio e a marcha. – Mini Exame do Estado Mental (MMSE) foi aplicado para garantir que os pacientes tivessem uma boa função cognitiva, com pontuação mínima de 20 ou mais. As intervenções consistiram em dois grupos: Grupo PNF: Recebeu 45 minutos de Fisioterapia Convencional combinada com a PNF, três vezes por semana, durante 12 semanas. Os exercícios incluíam padrões de flexão e extensão D1 e D2, iniciação rítmica, relaxamento de retenção e padrões pélvicos. Grupo Equilíbrio: Recebeu 45 minutos de Fisioterapia Convencional combinada com Exercícios de Equilíbrio, três vezes por semana, por 12 semanas. As intervenções incluíram padrões de estabilidade estática e dinâmica, exercícios de tandem, transferência de peso e exercícios com olhos abertos e fechados. | Ambas as intervenções (PNF e Exercícios de Equilíbrio) foram eficazes para melhorar o equilíbrio em pacientes com Parkinson crônico. No entanto, os exercícios de equilíbrio se mostraram mais eficazes do que a PNF para o tratamento do equilíbrio. Os dados mostraram uma melhora significativa no grupo de Exercícios de Equilíbrio após 6 e 12 semanas, enquanto a melhora no grupo PNF foi considerada leve após 12 semanas. A diferença entre os dois grupos foi altamente significativa após 12 semanas (p=0,000). Para a marcha, os resultados indicaram que nenhuma das duas abordagens foi significativamente melhor que a outra. A diferença entre os grupos para a marcha não foi considerada significativa após 12 semanas (p=0,492). O estudo constatou que a marcha teve uma melhora significativa no grupo PNF após 6 e 12 semanas, mas uma melhora um pouco menor no grupo de exercícios de equilíbrio após 12 semanas. |
| Santos et al. (2012) | Ensaio clínico, longitudinal e prospectivo | Explorar os efeitos de uma intervenção fisioterapêutica baseada na facilitação neuromuscular proprioceptiva (FNP) em sujeitos com Doença de Parkinson. | Avaliação: Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e saúde (CIF); Escala Unificada de Avaliação da Doença de Parkinson (UPDRS) Questionário de qualidade de vida SF 36 Software de avaliação postural (SAPO). Intervenção: O tratamento com a FNP foi realizado durante 2 meses, 2 vezes por semana, em sessões de 50 minutos cada. Foram realizadas diagonais específicas para membros superiores, inferiores, cintura escapular, cintura pélvica e tronco, com 10 repetições e intervalos de 1 minuto entre as séries. | Melhora nos aspectos cinético funcionais e na execução das atividades de vida diária. Redução da rigidez, melhora do equilíbrio, marcha, tremor e força muscular. Ganhos na qualidade de vida em itens como vitalidade, dor, estado geral de saúde e aspectos sociais. Alterações posturais significativas no alinhamento da pelve (SAPO). De um modo geral a terapia baseada na FNP mostrou-se eficaz, embora os autores ressaltem a necessidade de mais estudos com maior número de participantes. |
A figura 2 apresenta um gráfico com o compilado dos resultados dos estudos incluídos nesta revisão, descrevendo a média do número de participantes, a média de idade, e o número médio de sessões de fisioterapia com PNF.
Figura 2 – Gráfico com o compilado dos principais resultados dos estudos

Os autores destacam que não há um protocolo único para a FNP na Doença de Parkinson e as intervenções foram feitas de forma individualizada. Os protocolos mais utilizados foram: – Iniciação rítmica para redução da rigidez e preparação para marcha;
– Estabilização rítmica;
– Reversão lenta / reversão de antagonistas;
– Contração e relaxamento e sustentar-relaxar;
– Diagonais de MMII e cintura pélvica e diagonais de MMSS e tronco para integração postural e ajuste global do equilíbrio.
4. DISCUSSÃO
Considerando os estudos incluídos nesta revisão, percebe-se que a Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva (PNF) tem bons resultados na melhora da marcha e do equilíbrio em indivíduos com Parkinson. O efeito do método muda de acordo com o protocolo, a duração da sessão e o resultado prioritário de cada paciente.
Em um estudo experimental realizado por Kachhawa, Ravi e Meena (2025), o grupo experimental tratado com PNF apresentou uma melhoria média na Avaliação Funcional da Marcha (FGA) e na Escala de Equilíbrio de Berg (BBS). A FGA é um instrumento clínico que avalia a capacidade funcional da marcha por meio de 10 tarefas específicas, pontuadas de 0 a 3, com escore máximo de 30 pontos. Valores inferiores a 22 indicam maior risco de quedas. Já a BBS avalia o equilíbrio funcional em 14 tarefas do cotidiano, com pontuação máxima de 56 pontos, sendo que escores entre 21 e 40 indicam risco moderado de quedas. No estudo a FGA evoluiu de 8,86 para 19,4 pontos e na Escala de Equilíbrio de Berg (BBS) apresentou progressão de 19 para 32,33, após um total de 16 sessões em comparação com LSVT-BIG tanto na marcha quanto no equilíbrio. Este resultado está em concordância com a revisão de Assis et al. (2020), que apresentou uma diferença média de 0,28 m/s na velocidade da marcha em pacientes submetidos a PNF. A justificativa para este desempenho pode ser explicada porque o PNF utiliza padrões diagonais em MMII e controle pélvico, que são fundamentais para a coordenação da marcha, enquanto o LSVT-BIG alcançou superioridade em atividades de vida diária ao favorecer movimentos amplos e funcionais.
De forma semelhante, Mazhar et al. (2023) verificaram que a combinação de PNF e fisioterapia convencional levou a melhorias significativas no equilíbrio (BBS), congelamento da marcha e independência funcional (MIF). O protocolo consistiu em 36 sessões ao longo de 12 semanas. Os resultados deste protocolo são provavelmente devido ao fato de que o PNF melhora o recrutamento neuromuscular e a integração postural, principalmente, quando associado à fisioterapia convencional.
Em contrapartida, Udayamala et al. (2023) observaram em seu ensaio clínico randomizado, que o treinamento estratégico associado à fisioterapia convencional, foi mais eficaz que a PNF na melhora do equilíbrio (BBS e TUG) em pacientes com Doença de Parkinson. Essa interpretação é reforçada na meta-análise de Radder et al. (2020) que aponta os efeitos significativos do treinamento estratégico sobre equilíbrio e a marcha de indivíduos Parkinsonianos, que pode estar relacionado às diversas estratégias e métodos para ensinar o paciente a atingir seu objetivo final.
Por outro lado, o estudo de Lee (2023) fornece evidências expressivas ao comparar os efeitos da PNF com os da Estimulação Elétrica Funcional (FES). Os resultados indicam que, apesar de ambas as terapias terem promovido melhorias no equilíbrio e na marcha dos indivíduos com a Doença de Parkinson, o grupo que recebeu a PNF apresentou um progresso mais significativo na mobilidade e no equilíbrio funcional, especialmente nas escalas POMA e TUG. De acordo com o autor, essa vantagem pode ser explicada pela habilidade da PNF em estimular o aprendizado motor e o controle neural por meio de feedback constante, além de promover a reeducação muscular por meio da resistência manual oferecida pelo terapeuta.
Shafiq et al. (2023) observaram que exercícios semelhantes de PNF e equilíbrio foram eficazes para melhorar o desempenho da marcha em pacientes com DP crônica, mas a PNF não teve um desempenho tão bom quanto os exercícios de equilíbrio nas medidas da estabilidade postural (BBS). Esse resultado pode ser explicado devido às diferentes abordagens: a PNF foca mais na coordenação global e coordenação postural dinâmica do que o treinamento de equilíbrio que tem o enfoque exclusivo em transferências de peso, respostas posturais muito específicas e em exercícios de equilíbrio, propriamente dito. Essa diferença também é verificada no estudo de Radder et al. (2020), que encontrou que programas de intervenções baseados em equilíbrio geram maiores ganhos no BBS, enquanto a PNF supera em parâmetros baseados na marcha.
A pesquisa de Santos et al. (2012) demonstrou a eficácia da aplicação da PNF como terapia para o tratamento da Doença de Parkinson, levando a uma melhora significativa no quadro clínico e nos aspectos cinético-funcionais desses indivíduos. Os autores trouxeram resultados positivos na execução das Atividades de Vida Diária (AVD’s), na marcha e no equilíbrio, demonstrando os benefícios da PNF nessa população. Esse achados são justificados pelo estudo de Lima et al. (2019), que avaliou a PNF em uma população idosa e encontrou resultados semelhantes, fornecendo ganhos no equilíbrio (BBS) e a melhora na mobilidade com redução de tempo na TUG, reforçando a eficácia da PNF como intervenção terapêutica na reabilitação funcional de pessoas com Doença de Parkinson.
Nesse sentido, ao observar os estudos incluídos na revisão, verificou-se que a PNF demonstrou ser eficiente na melhora da marcha e equilíbrio de pessoas com DP. No entanto, seus resultados são variados no que diz respeito à aplicação da técnica.
Os protocolos mais eficazes combinaram padrões de diagonais D1 e D2 em MMII, tronco e pelve, iniciação rítmica para ativar o movimento; reversão lenta e reversão de agonistas e contração-relaxamento. A duração dos tratamentos variou muito, desde 16 sessões ao longo de quatro semanas até 36 sessões em 12 semanas. O tempo médio de cada sessão variou entre 35 a 40 minutos e a maioria dos estudos relataram melhoria no desempenho da marcha, equilíbrio e execução da AVDs.
Entretanto, apesar dos resultados positivos e da PNF demonstrar ser eficiente nessa população, faz necessário futuras pesquisas com amostras maiores, maior tempo de acompanhamento e a descrição detalhada da aplicação da técnica para estabelecer um melhor desempenho clínico e evidências mais sólidas.
5. CONCLUSÃO
A Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva (PNF) possui uma abordagem promissora na reabilitação de indivíduos com Doença de Parkinson (DP), demonstrando benefícios significativos na melhoria da marcha, do equilíbrio e da independência funcional. Ao promover a coordenação motora, o equilíbrio postural e o desempenho em atividades de vida diária, essa técnica contribui não apenas para a capacidade funcional, mas também para uma qualidade de vida mais plena, permitindo que as pessoas enfrentem os desafios da doença com maior autonomia e confiança.
Embora os tratamentos tenham sido aplicados de forma individualizada, devido à ausência de protocolos padronizados, os resultados positivos observados quando realizados de maneira sistemática e sob supervisão profissional reforçam o potencial clínico do PNF. A inexistência de contraindicações absolutas para seu uso nessa população, com ressalvas apenas para situações de dor intensa, fadiga significativa ou condições clínicas adversas, destaca sua segurança e viabilidade como intervenção terapêutica.
No entanto, para consolidar essas evidências e orientar práticas clínicas mais eficazes, faz-se necessário pesquisas mais abrangentes, com acompanhamento a longo prazo e o desenvolvimento de protocolos detalhados. Essa expansão do conhecimento não apenas fortalecerá a base científica, mas também enriquecerá o cuidado humanizado aos pacientes, transformando desafios em oportunidades de recuperação e bem-estar. Assim, o PNF se apresenta como uma ferramenta valiosa da fisioterapia, inspirando esperança e inovação para aqueles que convivem com a Doença de Parkinson.
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1Discente do Curso de Fisioterapia do Centro Universitário do Norte – UNINORTE.
2Doutorado em Reabilitação e Desempenho Funcional, Docente do Curso de Fisioterapia do Centro Universitário do Norte – UNINORTE e do Curso de Medicina da Afya Faculdade de Ciências Médicas Itacoatiara.Endereço: Av. Joaquim Nabuco, 1365, Centro | Manaus | AM | CEP: 69020-030 | (92) 3212-5000.
