EFICÁCIA DA FACILITAÇÃO NEUROMUSCULAR PROPRIOCEPTIVA NA MELHORA DA MARCHA E EQUILÍBRIO DE PACIENTES COM DOENÇA DE PARKINSON: UMA REVISÃO LITERÁRIA 

EFFICACY OF PROPRIOCEPTIVE NEUROMUSCULAR FACILITATION IN IMPROVING GAIT AND BALANCE IN PATIENTS WITH PARKINSON’S DISEASE: A LITERARY REVIEW

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/dt10202511120705


Marjorie Macedo Vasques1
Mayssa Jeniffer Barroso Fleuri1
Naila Brito Sobrinho1
Thamires Rocha Ruiz1
Thaiana Bezerra Duarte2


RESUMO 

Introdução: A Doença de Parkinson (DP) é uma patologia neurodegenerativa progressiva  que compromete áreas motoras, causando sintomas como bradicinesia, rigidez e instabilidade postural, afetando diretamente a marcha e o equilíbrio. O tratamento  medicamentoso foca no controle sintomático, mas não impede a progressão da doença,  tornando as abordagens fisioterapêuticas fundamentais. A Facilitação Neuromuscular  Proprioceptiva (FNP) surge como uma técnica que visa otimizar o nível funcional do  paciente. Contudo, a literatura carece de consenso sobre a eficácia e padronização de  protocolos de FNP para pacientes com DP, justificando a necessidade desta revisão.  Objetivo: Analisar a eficácia da FNP na melhora da marcha e do equilíbrio em pacientes  com doença de Parkinson. Materiais e método: Trata-se de uma revisão de literatura. Foi  realizada uma busca nas bases de dados PubMed, Scielo, PEDro, Periódicos Capes e Google  Acadêmico, entre agosto e outubro de 2025, por estudos publicados de 2012 a 2025. Foram  incluídos artigos em inglês, português e espanhol que utilizaram intervenções baseadas na  FNP em indivíduos com Parkinson e avaliaram parâmetros da marcha e do equilíbrio. Foram  excluídos estudos que envolviam outras doenças neurológicas sem análise específica para  DP, estudos que não disponibilizaram o texto na íntegra. Resultados: Foram selecionados 6  estudos para compor essa revisão. Os estudos analisados demonstraram que a FNP, aplicada  de forma isolada ou associada à fisioterapia convencional, promoveu melhorias na marcha e  no equilíbrio. Os resultados, no entanto, são variados quando comparados a outras técnicas: um estudo apontou a FNP como superior ao Tratamento Vocal Lee Silverman (LSVT-BIG)para marcha e equilíbrio, enquanto outros indicaram que o treinamento estratégico e  exercícios de equilíbrio específicos foram mais eficazes para o equilíbrio. Não foi  identificado um protocolo único, mas as técnicas mais comuns incluíram iniciação rítmica,  estabilização rítmica e padrões diagonais. Conclusão: A Facilitação Neuromuscular  Proprioceptiva possui efeitos positivos na reabilitação de pacientes com Doença de  Parkinson, contribuindo para a melhora da marcha, do equilíbrio e da independência  funcional. Não há protocolos padronizados, sendo as intervenções geralmente  individualizadas. Não foram relatadas contraindicações absolutas para a aplicação da técnica  nessa população. Recomenda-se a realização de novas pesquisas com amostras maiores e  protocolos detalhados para fortalecer as evidências científicas. 

Palavras-chave: Doença de Parkinson. Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva. Marcha.  Equilíbrio. Fisioterapia. 

ABSTRACT 

Background: Parkinson’s disease (PD) is a progressive neurodegenerative disease that affects  motor areas, causing symptoms such as bradykinesia, rigidity, postural instability, directly  affecting gait and balance. Pharmacological treatment focuses on symptomatic control but  does not prevent disease progression, making physical therapy essential. Proprioceptive  Neuromuscular Facilitation (PNF) emerges as a technique that aims to optimize the patient’s  functional level. However, the literature lacks consensus on the efficacy and standardization of PNF protocols for patients with PD, justifying the need for this review. Purpose: To  analyze the efficacy of PNF in improving gait and balance in patients with Parkinson’s disease. Methods: This is a literature review. A search was conducted in the PubMed, Scielo,  PEDro, Capes Journals, and Google Scholar databases between August and October 2025 for  studies published from 2012 to 2025. Articles in English, Portuguese, and Spanish that used  PNF-based interventions in individuals with Parkinson’s disease and evaluated gait and  balance parameters were included. Studies involving other neurological diseases without  specific analysis for PD, and studies that did not provide the full text, were excluded. Results:  Six studies were selected for this review. The analyzed studies demonstrated that PNF, applied alone or in combination with conventional physiotherapy, promoted improvements in  gait and balance. However, the results are varied when compared to other techniques: one  study indicated PNF as superior to the Lee Silverman Vocal Treatment (LSVT-BIG) for gait and balance, while others indicated that strategic training and specific balance exercises were more effective for balance. No single protocol was identified, but the most common  techniques included rhythmic initiation, rhythmic stabilization, and diagonal patterns..  Conclusion: Proprioceptive Neuromuscular Facilitation has positive effects on the  rehabilitation of patients with Parkinson’s disease, contributing to improved gait, balance, and  functional independence. There are no standardized protocols, and interventions are generally  individualized. No absolute contraindications for the technique’s application in this population  have been reported. Further research with larger samples and detailed protocols is  recommended to strengthen the scientific evidence. 

Keywords: Parkinson’s disease. Proprioceptive Neuromuscular Facilitation. Gait. Balance.  Physical therapy 

1. INTRODUÇÃO 

A doença de Parkinson (DP) é uma patologia neurodegenerativa, crônica, progressiva e  de etiologia idiopática, que ocorre devido à regressão do número de neurônios dopaminérgicos  da substância negra, resultando em uma deficiência de dopamina. Essa falta leva ao  comprometimento de áreas motoras e sensoriais do cérebro, ocasionando sintomas como tremor  em repouso, bradicinesia, rigidez muscular e instabilidade postural (Santos; Santos, 2020). 

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a DP é a segunda patologia  neurodegenerativa mais comum no mundo, com uma maior prevalência em indivíduos acima  de 60 anos. Embora mais frequente em idosos, a doença também pode surgir antes dos 50 anos,  sendo então denominada de Parkinson de início precoce (Aguilera; Ferreira, 2020). 

O tratamento medicamentoso disponível não é capaz de interromper a progressão da  doença ou reverter os danos neurológicos, limitando-se ao controle sintomático (Santos et al.,  2012). Diante disso, as abordagens fisioterapêuticas tornam-se fundamentais, especialmente no  manejo de sintomas como alterações da marcha e do equilíbrio, que comprometem diretamente  a funcionalidade e a autonomia dos pacientes (Silva; Carvalho, 2019). 

Nesse contexto, a Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva (FNP), desenvolvida por  Herman Kabat em 1940, surge como um recurso de destaque. Sua filosofia se baseia na ideia  de que todo ser humano, incluindo aqueles portadores de deficiência, possui habilidades ocultas  a serem exploradas e estimuladas (Carvalho, 2014). 

A FNP visa alcançar o mais alto nível funcional do paciente por meio da facilitação,  inibição, fortalecimento e relaxamento muscular. Com isso, o foco terapêutico é sempre  positivo, utilizando o que o paciente é capaz de realizar física e psicologicamente. Os  procedimentos básicos da FNP consistem em: resistência, irradiação e reforço, contato manual,  posição corporal e biomecânica, comando verbal, visão, tração e aproximação, estiramento e  sincronização de movimentos e padrões. Esses procedimentos são combinados com o objetivo  de potencializar a resposta do paciente (Assis et al., 2020). 

Apesar de sua ampla aplicação clínica, os estudos investigaram sistematicamente a  eficácia da FNP em pacientes com DP. A literatura aponta diversidade de protocolos e  resultados variados, sugerindo que essa técnica pode trazer benefícios para a marcha,  equilíbrio e independência funcional, mas sem consenso sobre padronizações ou diretrizes  específicas. Dessa forma, fez-se necessário reunir e analisar criticamente as evidências  existentes, identificando lacunas e propondo bases para futuros protocolos de intervenção (Santos et al., 2012). 

Diante disso, este estudo teve como objetivo principal analisar a eficácia da FNP na  melhora da marcha e do equilíbrio em pacientes com doença de Parkinson. De forma  secundária, buscou-se verificar a existência de protocolos de aplicação da técnica, avaliar sua  contribuição para a independência funcional e investigar possíveis contraindicações associadas  ao seu uso nessa população.

2. MATERIAIS E MÉTODO 

Trata-se de uma revisão de literatura. As bases de dados utilizadas para a busca de  artigos foram: PubMed, Scielo, PEDro, Periódicos Capes e Google Acadêmico, utilizando  os descritores Physical Therapy OR Physiotherapy AND PNF AND Parkinson AND march  OR Gait AND Balance, combinados com os operadores booleanos AND e OR, nos idiomas  inglês, português e espanhol. 

A busca nas bases de dados foram realizadas no período de agosto a outubro de 2025.  Foram incluídos estudos publicados entre 2012 a 2025; estudos que apresentaram  intervenções baseadas no PNF, aplicados a indivíduos com Parkinson e estudos que avaliaram  parâmetros da marcha e do equilíbrio em pacientes com DP. Foram excluídos estudos que  envolvessem amostras compostas por outras doenças neurológicas sem análise específica para  o Parkinson; artigos publicados em idiomas diferentes de inglês, português e espanhol e  estudos que não disponibilizaram o texto completo na íntegra. 

Após a aplicação dos critérios de inclusão e exclusão, obteve-se um total de 6 artigos  que foram selecionados para compor esta revisão e os resultados desta pesquisa foram  apresentados em forma de quadro. 

3. RESULTADOS 

No primeiro momento, foram realizadas as buscas dos artigos nas bases de dados, no  qual, foram encontrados um total de 214 artigos, posteriormente, a eliminação de artigos  duplicados, seguida da leitura e análise dos títulos e resumos e a aplicação dos critérios de  inclusão e exclusão, resultando em 6 estudos que compuseram esta pesquisa, representados na  figura 1.

Figura 1– Fluxograma da Revisão de Literatura

O quadro 1 reúne informações de diferentes estudos que investigaram a aplicação da  Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva (FNP) em indivíduos com Doença de Parkinson.  Estão descritos o autor e ano de publicação, o tipo de estudo realizado, os objetivos das  pesquisas, os instrumentos utilizados para coleta de dados, os procedimentos de intervenção  empregados e os resultados de cada estudo. 

Quadro 1– Síntese dos estudos incluídos na revisão

Autor e ano de publicaçãoTipo de estudo Objetivo Instrumentos de coleta e 
intervenção
Resultados
Kachava;Ravi;  Meena (2025)Estudo 
experimental
Examinar a eficácia do Tratamento 
Vocal Lee 
Silverman (LSVT-BIG) e da Facilitação 
Neuromuscular Proprioceptiva (FNP) na melhora do 
equilíbrio, da 
marcha e das AVDs em pacientes com Parkinson.
– Escala de Equilíbrio  de Berg (BBS) para avaliar o equilíbrio  estático e dinâmico.
– Avaliação Funcional  da Marcha (FGA) para  analisar estabilidade  durante a  deambulação. 
– Escala Unificada de  Avaliação da Doença de Parkinson (UPDRS) para medir a gravidade da doença  e impacto nas AVDs. 60 participantes 
divididos em dois  grupos de 30 cada Grupo A (LSVT BIG): realizou 16 sessões em 4 semanas 
(4x/semana, 30–45 min), com foco em movimentos amplos e repetitivos para recalibrar a percepção motora, melhorar a marcha, postura e 
coordenação. 
Foram usados 
modelagem pelo terapeuta, pistas visuais/táteis e escala de esforço para aumentar a  consciência corporal. Grupo B (FNP): também realizou 16 sessões em 4 semanas, 
aplicando padrões de movimento diagonais, 
resistência manual 
máxima,  
alongamento, tração e contração 
relaxamento.
Ambos os grupos  
apresentaram 
melhora 
significativa em todas as 
medidas
(p < 0,05). Grupo A (LSVT BIG): 
obteve melhores 
resultados nas  AVDs (UPDRS reduziu de 34,66 para 18,53). Grupo B (FNP): foi superior na melhora da marcha e do equilíbrio(FGA  aumentou de 8,86 para 19,4; BBS de 19 para 32,33). Concluiu-se que o LSVT-BIG é mais eficaz para  melhorar as 
atividades de vida diária, enquanto o PNF se destaca na marcha e no equilíbrio, 
reforçando a importância de programas 
personalizados.
Mazhar  (2023)Ensaio  clínico 
randomizado cego
Avaliar os  efeitos da  fisioterapia 
convencional com e sem a  facilitação 
neuromuscular  proprioceptiva  (FNP) sobre o  equilíbrio, a  marcha e a independência  funcional em 
pacientes com  Doença de 
Parkinson.
Os pacientes foram  avaliados com a  Escala de Equilíbrio de Berg, o  Questionário 
Freezing of Gait  (FOG-Q) para a marcha, e a Medida de  Independência  Funcional (MIF) para as atividades  diárias. Fisioterapia  convencional 
segundo as diretrizes  europeias para Parkinson e, no grupo experimental,  foram adicionadas  técnicas de FNP,  
como iniciação  
rítmica, reversão lenta  e reversão agonista,  aplicadas em padrões de  
movimento dos  
membros inferiores e  pélvicos, realizadas  três vezes por semana  durante 12 semanas.
Ambos os  grupos 
apresentaram
melhora no  
equilíbrio e na  marcha. Porém,  o grupo que  
recebeu  
fisioterapia 
convencional 
associada à FNP  obteve resultados 
significativamente 
superiores, com  maior melhora  no equilíbrio (p <  0,05), maior 
redução do 
congelamento  da marcha (p <  0,001) e aumento mais expressivo  da  
independência  funcional (p <  0,001) em comparação ao  grupo controle.
Udayamala  et al.  (2023)Ensaio Clínico  
Randomizado,  comparativo, pré  e pós- intervenção
Comparar a eficácia do  treinamento  estratégico  versus técnica  de Facilitação  Neuromuscular  Proprioceptiva  (FNP) na melhora do equilíbrio em  pacientes com  Doença de Parkinson.30 participantes,  
divididos em dois 
grupos de 15. 
Avaliações: Escala de  Equilíbrio de Berg  (BBS), Teste Timed  Up and Go (TUG) e  Escala Unificada de Avaliação da Doença  de Parkinson (UPDRS – exame motor). 
Grupo A:  
Treinamento
estratégico de  
tornozelo e quadril +  fisioterapia 
convencional. Grupo B: Técnicas de  FNP (iniciação rítmica, estabilização  rítmica, padrões 
diagonais de membros 
superiores e inferiores) + fisioterapia 
convencional.
Duração:4 semanas, com 4 sessões por  
semana, 30 minutos  cada.
Ambos os grupos  
apresentaram  melhora  significativa no  equilíbrio e  
mobilidade após  a intervenção.  Na comparação  entre os grupos, o Grupo A  (treinamento  estratégico)  obteve evolução  superior em  relação ao  Grupo B (FNP)  (p<0,05). Portanto, o  treinamento  estratégico  associado à  fisioterapia  convencional  mostrou-se mais  eficaz que a  FNP para a  
melhora do  
equilíbrio em  
pacientes com  Parkinson de  grau moderado.
Lee (2023) Ensaio clínico  
randomizado  
experimental,  
comparativo e  Longitudinal
Investigar o  efeito da  Facilitação  Neuromuscular  Proprioceptiva  no equilíbrio e  na marcha  necessária para  atividades  
funcionais em  pacientes com  Doença de  
Parkinson.
Dois grupos -(experimental e controle);
Intervenção  aplicada (FNP e FES);  Avaliação antes e  depois das  intervenções (pré e  pós-teste);  
Instrumentos  
padronizados de  avaliação funcional – (BBS, POMA e  TUG). O estudo comparou os  efeitos da FNP à  estimulação elétrica  funcional 
(FES)sobre o  
equilíbrio e a  
marcha de 
pacientes com 
Parkinson. Participaram 16  pacientes, 
divididos  aleatoriamente em  grupo experimental (FNP) e grupo controle (FES). O protocolo de  FNP consistiu em  exercícios aplicados  em membros  superiores e  inferiores, com  padrões de flexão,  abdução, rotação e  técnicas de  resistência. A FES foi  aplicada por meio de  eletrodos posicionados  em quadríceps, tibial  anterior e músculos  dos membros  
superiores, induzindo  contrações funcionais. Como  instrumentos de  avaliação foram  empregados a  Escala de  
Equilíbrio de  Berg (BBS), a  Avaliação de  Mobilidade  Orientada para o  
Desempenho de  Tinetti (POMA)  e o teste (TUG),  
aplicados antes e após as intervenções.
Observou-se  
melhora em  ambos os  grupos, com  
resultados mais  expressivos no  grupo experimental. A  pontuação da  POMA aumentou de  23,63 para  27,13,e o tempo  do TUG reduziu  em média 2,88  segundos, frente a 1,50 no grupo  controle. Apesar de  ganhos na BBS,  não houve  
diferença  significativa  Conclui-se que a  FNP favorece o  equilíbrio e a  
marcha, sendo  
recomendada  como estratégia em programas de  reabilitação para  parkinsonianos  entre os grupos.
Shafiq et al.  2023Ensaio clínico 
controlado 
randomizado  (ECR)
Determinar o  efeito da  Facilitação  Neuromuscular  Proprioceptiva  versus Exercício  de Equilíbrio 
juntamente com Terapia 
Convencional para equilíbrio e marcha em pacientes com  Parkinson  crônico.
– Escala de Equilíbrio  de Berg (BBS) e da  Avaliação Funcional  da Marcha (FGA)  para verificar o  equilíbrio e a marcha.
– Mini Exame do  Estado Mental  (MMSE) foi aplicado  para garantir que os  pacientes tivessem  uma boa função  cognitiva, com  pontuação mínima de  20 ou mais. As intervenções 
consistiram em dois  grupos: Grupo PNF: Recebeu  45 minutos de  
Fisioterapia  
Convencional  
combinada com a  PNF, três vezes por  semana, durante 12  semanas. Os  exercícios incluíam  padrões de flexão e  extensão D1 e D2,  iniciação rítmica, 
relaxamento de  
retenção e padrões  pélvicos. Grupo Equilíbrio:  Recebeu 45 minutos  de Fisioterapia  Convencional  combinada com  Exercícios de  Equilíbrio, três vezes  por semana, por 12  semanas. As  intervenções  incluíram padrões de  estabilidade estática e  dinâmica, exercícios  de tandem,  transferência de peso  e exercícios com  
olhos abertos e  fechados.
Ambas as  intervenções  (PNF e Exercícios de  Equilíbrio) foram  eficazes para  melhorar o  equilíbrio em  pacientes com  Parkinson  crônico. No  entanto, os  exercícios de  equilíbrio se  mostraram mais  eficazes do que a PNF para o  
tratamento do equilíbrio. Os  dados mostraram  uma melhora  
significativa no  grupo de  Exercícios de  Equilíbrio após 6 e 12 semanas,  enquanto a  
melhora no grupo  PNF foi  considerada leve  após 12 semanas.  A diferença entre  os dois grupos foi  altamente  significativa após  12 semanas  (p=0,000). Para a  marcha, os  resultados  indicaram que  nenhuma das  duas abordagens  foi  significativamente melhor que a  outra. A  diferença entre os  grupos para a  marcha não foi  considerada  
significativa após  12 semanas  (p=0,492). O estudo constatou  que a marcha  teve uma  melhora  significativa no  grupo PNF após  6 e 12 semanas,  mas uma melhora  um pouco menor  no grupo de  exercícios de equilíbrio após  12 semanas.
Santos et  al.  (2012)Ensaio clínico, 
longitudinal e  prospectivo
Explorar os  efeitos de uma 
intervenção  
fisioterapêutica  baseada na  facilitação  neuromuscular  proprioceptiva  (FNP) em sujeitos com  Doença de  Parkinson.
Avaliação:  Classificação  Internacional de  Funcionalidade,  Incapacidade e saúde  (CIF); Escala  Unificada de  Avaliação da Doença  de Parkinson  (UPDRS) Questionário de  qualidade de vida SF 36 Software de  avaliação postural  (SAPO). Intervenção: O tratamento com a  FNP foi realizado  
durante 2 meses, 2  vezes por semana, em  sessões de 50  minutos cada. Foram  realizadas diagonais  específicas para  
membros superiores,  inferiores, cintura  escapular, cintura  pélvica e tronco, com  10 repetições e  intervalos de 1 minuto  entre as séries.
Melhora nos  aspectos  cinético funcionais e na  execução das  
atividades de  vida diária. Redução da  rigidez, melhora  do equilíbrio,  
marcha, tremor  e força  muscular. Ganhos na  qualidade de  vida em itens  
como vitalidade,  dor, estado geral  de saúde e  aspectos sociais.  Alterações  posturais significativas no  alinhamento da  pelve (SAPO).  De um modo  geral a terapia  baseada na FNP  mostrou-se  eficaz, embora  os autores  
ressaltem a  
necessidade de  mais estudos  com maior número de  participantes.

A figura 2 apresenta um gráfico com o compilado dos resultados dos estudos incluídos  nesta revisão, descrevendo a média do número de participantes, a média de idade, e o número  médio de sessões de fisioterapia com PNF.

Figura 2 – Gráfico com o compilado dos principais resultados dos estudos

Os autores destacam que não há um protocolo único para a FNP na Doença de Parkinson  e as intervenções foram feitas de forma individualizada. Os protocolos mais utilizados foram: – Iniciação rítmica para redução da rigidez e preparação para marcha; 

– Estabilização rítmica; 

– Reversão lenta / reversão de antagonistas; 

– Contração e relaxamento e sustentar-relaxar; 

– Diagonais de MMII e cintura pélvica e diagonais de MMSS e tronco para  integração postural e ajuste global do equilíbrio. 

4. DISCUSSÃO 

Considerando os estudos incluídos nesta revisão, percebe-se que a Facilitação  Neuromuscular Proprioceptiva (PNF) tem bons resultados na melhora da marcha e do equilíbrio  em indivíduos com Parkinson. O efeito do método muda de acordo com o protocolo, a duração  da sessão e o resultado prioritário de cada paciente. 

Em um estudo experimental realizado por Kachhawa, Ravi e Meena (2025), o grupo  experimental tratado com PNF apresentou uma melhoria média na Avaliação Funcional da  Marcha (FGA) e na Escala de Equilíbrio de Berg (BBS). A FGA é um instrumento clínico que avalia a capacidade funcional da marcha por meio de 10 tarefas específicas, pontuadas de 0 a  3, com escore máximo de 30 pontos. Valores inferiores a 22 indicam maior risco de quedas. Já  a BBS avalia o equilíbrio funcional em 14 tarefas do cotidiano, com pontuação máxima de 56  pontos, sendo que escores entre 21 e 40 indicam risco moderado de quedas. No estudo a FGA  evoluiu de 8,86 para 19,4 pontos e na Escala de Equilíbrio de Berg (BBS) apresentou progressão  de 19 para 32,33, após um total de 16 sessões em comparação com LSVT-BIG tanto na marcha  quanto no equilíbrio. Este resultado está em concordância com a revisão de Assis et al. (2020),  que apresentou uma diferença média de 0,28 m/s na velocidade da marcha em pacientes  submetidos a PNF. A justificativa para este desempenho pode ser explicada porque o PNF  utiliza padrões diagonais em MMII e controle pélvico, que são fundamentais para a  coordenação da marcha, enquanto o LSVT-BIG alcançou superioridade em atividades de vida  diária ao favorecer movimentos amplos e funcionais. 

De forma semelhante, Mazhar et al. (2023) verificaram que a combinação de PNF e  fisioterapia convencional levou a melhorias significativas no equilíbrio (BBS), congelamento da  marcha e independência funcional (MIF). O protocolo consistiu em 36 sessões ao longo de 12  semanas. Os resultados deste protocolo são provavelmente devido ao fato de que o PNF melhora  o recrutamento neuromuscular e a integração postural, principalmente, quando associado à  fisioterapia convencional. 

Em contrapartida, Udayamala et al. (2023) observaram em seu ensaio clínico  randomizado, que o treinamento estratégico associado à fisioterapia convencional, foi mais  eficaz que a PNF na melhora do equilíbrio (BBS e TUG) em pacientes com Doença de  Parkinson. Essa interpretação é reforçada na meta-análise de Radder et al. (2020) que aponta  os efeitos significativos do treinamento estratégico sobre equilíbrio e a marcha de indivíduos  Parkinsonianos, que pode estar relacionado às diversas estratégias e métodos para ensinar o  paciente a atingir seu objetivo final. 

Por outro lado, o estudo de Lee (2023) fornece evidências expressivas ao comparar os  efeitos da PNF com os da Estimulação Elétrica Funcional (FES). Os resultados indicam que,  apesar de ambas as terapias terem promovido melhorias no equilíbrio e na marcha dos  indivíduos com a Doença de Parkinson, o grupo que recebeu a PNF apresentou um progresso  mais significativo na mobilidade e no equilíbrio funcional, especialmente nas escalas POMA e  TUG. De acordo com o autor, essa vantagem pode ser explicada pela habilidade da PNF em  estimular o aprendizado motor e o controle neural por meio de feedback constante, além de  promover a reeducação muscular por meio da resistência manual oferecida pelo terapeuta. 

Shafiq et al. (2023) observaram que exercícios semelhantes de PNF e equilíbrio foram eficazes para melhorar o desempenho da marcha em pacientes com DP crônica, mas a PNF não  teve um desempenho tão bom quanto os exercícios de equilíbrio nas medidas da estabilidade  postural (BBS). Esse resultado pode ser explicado devido às diferentes abordagens: a PNF foca  mais na coordenação global e coordenação postural dinâmica do que o treinamento de equilíbrio  que tem o enfoque exclusivo em transferências de peso, respostas posturais muito específicas e  em exercícios de equilíbrio, propriamente dito. Essa diferença também é verificada no estudo  de Radder et al. (2020), que encontrou que programas de intervenções baseados em equilíbrio  geram maiores ganhos no BBS, enquanto a PNF supera em parâmetros baseados na marcha. 

A pesquisa de Santos et al. (2012) demonstrou a eficácia da aplicação da PNF como  terapia para o tratamento da Doença de Parkinson, levando a uma melhora significativa no quadro  clínico e nos aspectos cinético-funcionais desses indivíduos. Os autores trouxeram resultados  positivos na execução das Atividades de Vida Diária (AVD’s), na marcha e no equilíbrio,  demonstrando os benefícios da PNF nessa população. Esse achados são justificados pelo estudo  de Lima et al. (2019), que avaliou a PNF em uma população idosa e encontrou resultados  semelhantes, fornecendo ganhos no equilíbrio (BBS) e a melhora na mobilidade com redução  de tempo na TUG, reforçando a eficácia da PNF como intervenção terapêutica na reabilitação  funcional de pessoas com Doença de Parkinson. 

Nesse sentido, ao observar os estudos incluídos na revisão, verificou-se que a PNF  demonstrou ser eficiente na melhora da marcha e equilíbrio de pessoas com DP. No entanto,  seus resultados são variados no que diz respeito à aplicação da técnica. 

Os protocolos mais eficazes combinaram padrões de diagonais D1 e D2 em MMII,  tronco e pelve, iniciação rítmica para ativar o movimento; reversão lenta e reversão de agonistas  e contração-relaxamento. A duração dos tratamentos variou muito, desde 16 sessões ao longo de  quatro semanas até 36 sessões em 12 semanas. O tempo médio de cada sessão variou entre 35  a 40 minutos e a maioria dos estudos relataram melhoria no desempenho da marcha, equilíbrio  e execução da AVDs. 

Entretanto, apesar dos resultados positivos e da PNF demonstrar ser eficiente nessa  população, faz necessário futuras pesquisas com amostras maiores, maior tempo de  acompanhamento e a descrição detalhada da aplicação da técnica para estabelecer um melhor  desempenho clínico e evidências mais sólidas.

5. CONCLUSÃO 

A Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva (PNF) possui uma abordagem promissora  na reabilitação de indivíduos com Doença de Parkinson (DP), demonstrando benefícios  significativos na melhoria da marcha, do equilíbrio e da independência funcional. Ao  promover a coordenação motora, o equilíbrio postural e o desempenho em atividades de vida  diária, essa técnica contribui não apenas para a capacidade funcional, mas também para uma  qualidade de vida mais plena, permitindo que as pessoas enfrentem os desafios da doença com  maior autonomia e confiança. 

Embora os tratamentos tenham sido aplicados de forma individualizada, devido à  ausência de protocolos padronizados, os resultados positivos observados quando realizados de  maneira sistemática e sob supervisão profissional reforçam o potencial clínico do PNF. A  inexistência de contraindicações absolutas para seu uso nessa população, com ressalvas apenas para situações de dor intensa, fadiga significativa ou condições clínicas adversas,  destaca sua segurança e viabilidade como intervenção terapêutica. 

No entanto, para consolidar essas evidências e orientar práticas clínicas mais eficazes,  faz-se necessário pesquisas mais abrangentes, com acompanhamento a longo prazo e o  desenvolvimento de protocolos detalhados. Essa expansão do conhecimento não apenas  fortalecerá a base científica, mas também enriquecerá o cuidado humanizado aos pacientes,  transformando desafios em oportunidades de recuperação e bem-estar. Assim, o PNF se  apresenta como uma ferramenta valiosa da fisioterapia, inspirando esperança e inovação para  aqueles que convivem com a Doença de Parkinson.

REFERÊNCIAS 

AGUILERA, M. P. C; FERREIRA, C. C. V. Doença de Parkinson precoce: revisão  bibliográfica. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento, v. 5, set. 2020.  Disponível em: http://www.nucleodoconhecimento.com.br/saude/doenca-de-parkinson precoce. Acesso em: 28 mar. 2025. 

ASSIS, I. S. A. et al. The Proprioceptive Neuromuscular Facilitation Concept in Parkinson  Disease: A Systematic Review and Meta-Analysis. Arquivos de Neuro-Psiquiatria, v. 78, n.  12, p. 765-773, 2020. Disponível em: http://bdtd.uftm.edu.br/handle/686. Acesso em: 8 mar. 2025. 

CARVALHO, E. L. D. Efeitos da Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva (FNP) sobre  a marcha de pacientes parkinsonianos. 2014. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação  em Fisioterapia) – Instituto de Saúde e Biotecnologia, Universidade Federal do Amazonas,  Coari, 2014. Disponível em: https://riu.ufam.edu.br/bitstream/prefix/4086/2/Emilton%20Lima%20de%20Carvalho.pdf. Acesso em: 8 mar. 2025. 

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 1Discente do Curso de Fisioterapia do Centro Universitário do Norte – UNINORTE.

2Doutorado em Reabilitação e Desempenho Funcional, Docente do Curso de Fisioterapia do Centro Universitário do Norte – UNINORTE e do Curso de Medicina da Afya Faculdade de Ciências Médicas  Itacoatiara.Endereço: Av. Joaquim Nabuco, 1365, Centro | Manaus | AM | CEP: 69020-030 | (92) 3212-5000.