CHALLENGES FACED BY PHYSICAL EDUCATION TEACHERS INCLUDE PEOPLE WITH AUTISTIC SPECTRUM DISORDER.
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/fa10202503301622
Robson Borssuk Kock1,
Felipe Moreno Farias2,
Orientador: Prof. Dr. Caluê Papcke3
RESUMO
O Transtorno do Espectro Autista (TEA) apresenta desafios significativos em áreas como comunicação, interação social e comportamento, o que pode dificultar a participação plena de alunos com TEA no ambiente escolar. Essas dificuldades tornam-se especialmente evidentes nas aulas de Educação Física, que exigem constante interação e adaptação pedagógica. Este estudo tem como objetivo identificar e sistematizar os principais desafios enfrentados por professores de Educação Física Escolar na inclusão de alunos com autismo. Para isso, foi realizada uma revisão de literatura com enfoque em estudos nacionais, publicados entre 2020 e 2023, com destaque para pesquisas empíricas. A análise contemplou sete estudos obtidos por meio da base de dados Google Scholar (GS). Entre as barreiras mais frequentes, destacam-se a ausência de formação específica sobre inclusão, a dificuldade na adaptação de conteúdos e metodologias, e a escassez de apoio institucional. Constatou-se ainda que muitos professores desenvolvem estratégias a partir da experiência prática, e não da formação acadêmica. Tais resultados evidenciam a necessidade de políticas públicas voltadas à formação continuada e ao fortalecimento de redes de apoio para garantir práticas pedagógicas inclusivas e efetivas.
Palavras-chave: Educação Física escolar. Inclusão. Transtorno do Espectro Autista.
ABSTRACT
Autism Spectrum Disorder (ASD) presents significant challenges in areas such as communication, social interaction, and behavior, which may hinder the full participation of students with ASD in the school environment. These difficulties are particularly evident in Physical Education classes, requiring constant interaction and pedagogical adaptation. This study aims to identify and systematize the main challenges faced by physical education teachers, including students with autism. To this end, a literature review focused on national empirical studies published between 2020 and 2023, emphasizing primary research. The analysis included seven studies from the Google Scholar (GS) database. Among the most frequent barriers are the lack of specific training on inclusion, difficulties in adapting content and teaching methods, and the lack of institutional support. It was also found that many teachers develop strategies based on practical experience rather than academic training. These findings highlight the need for public policies aimed at continuing education and strengthening support networks to ensure inclusive and effective pedagogical practices.
Keywords: Physical Education. Inclusion. Autism Spectrum Disorder.
INTRODUÇÃO
O Transtorno do Espectro Autista (TEA), também referido como autismo, é um distúrbio do neurodesenvolvimento que emerge nos primeiros anos da infância, conforme o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5). Caracteriza-se por afetar a capacidade de interação, comunicação e comportamento, este último marcado por padrões repetitivos. O TEA é classificado em níveis que variam entre leve, moderado e grave. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2021, estimava-se que uma em cada 160 crianças fosse afetada por esse transtorno.
Uma reportagem do jornal da Universidade Estadual Paulista (UNESP) relata que o número de diagnósticos vem aumentando, exigindo maior aceitação social. O Censo Escolar do Brasil registrou um crescimento de 280% no número de estudantes com TEA matriculados em escolas públicas e privadas entre 2017 e 2021. Ainda que os dados nacionais estejam desatualizados, estimativas apontam cerca de dois milhões de autistas no país. Se aplicarmos ao Brasil a proporção apresentada no relatório de 2022 do Center for Disease Control and Prevention dos EUA — um caso para cada 44 crianças — o número ultrapassaria quatro milhões (RIBEIRO, 2023).
Na mesma matéria, a professora Andrea Misquiatti, do Departamento de Fonoaudiologia da UNESP/Marília, afirma que o diagnóstico pode ser realizado de forma precoce. Ela destaca a importância da atenção compartilhada, como o ato de a criança seguir o olhar do adulto, e ressalta o atraso na linguagem como sinal relevante.
Diante desse cenário, estudar este público é fundamental para promover sua inclusão, sendo a escola um dos principais caminhos. A Emenda Constitucional nº 91 de 18/02/2016 estabelece o dever do Estado em garantir atendimento especializado às pessoas com deficiência. A escola, por sua vez, é espaço de desenvolvimento humano, contribuindo para o crescimento individual e coletivo dos alunos. A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) destaca que cada faixa etária deve explorar campos de experiência que favoreçam esse desenvolvimento (BRASIL, 2017).
É necessário que o educador compreenda as características do TEA para planejar intervenções adequadas. A familiaridade com as especificidades dos alunos com autismo é essencial para um ambiente educacional inclusivo, que favoreça seu processo de aprendizagem.
Embora existam diversas publicações sobre a inclusão de pessoas com deficiência no ambiente escolar, observou-se que são escassos os estudos que sistematizam especificamente as dificuldades enfrentadas por professores de Educação Física na inclusão de alunos com TEA. Em geral, as publicações concentram-se nos aspectos diagnósticos ou em abordagens mais amplas da inclusão, sem aprofundar as práticas pedagógicas desses profissionais. Nesse sentido, este estudo justifica-se por buscar reunir e analisar essas dificuldades de forma mais direcionada, podendo contribuir com subsídios para futuras investigações e para o aprimoramento da prática docente.
A atuação do professor de Educação Física diante da inclusão envolve múltiplos desafios: como avaliar? Como equilibrar a atenção entre alunos com e sem TEA? As adaptações devem ser individualizadas ou coletivas? Esses questionamentos evidenciam a complexidade da prática pedagógica nesse contexto.
Assim, este estudo tem como objetivo identificar listar algumas dificuldades enfrentadas por professores de Educação Física Escolar na inclusão de alunos com autismo em suas práticas pedagógicas.
MATERIAIS E MÉTODOS
Este estudo adota uma abordagem qualitativa-descritiva, caracterizando-se como uma revisão sistemática. Essa metodologia utiliza a literatura como fonte de dados, com o intuito de reunir e analisar publicações que abordem um tema específico relacionado ao problema de pesquisa. O objetivo é mapear os estudos que apresentam estratégias ou reflexões sobre uma determinada prática educacional, empregando métodos de busca sistematizados (Sampaio & Mancini, 2007).
A busca foi realizada no mês de novembro de 2023, na base de dados Google Scholar (Google Acadêmico), por sua ampla cobertura de publicações científicas acessíveis ao público e sua relevância no contexto educacional brasileiro. Utilizou-se a seguinte combinação de descritores em língua portuguesa, por meio do operador booleano E (AND):
“Educação Física escolar E autismo E inclusão E barreiras E dificuldades E transtorno do espectro autista E TEA E Ensino Básico E Professores E Educação Física E Escola”.
A pesquisa inicial resultou em aproximadamente 1.250 publicações. No entanto, por meio da leitura dos títulos, foram desconsiderados documentos duplicados, textos fora da área da Educação Física Escolar, publicações que não se caracterizavam como artigos científicos (como apresentações de eventos, resumos expandidos e trabalhos acadêmicos de graduação), além daqueles que não tratavam do contexto brasileiro.
Os critérios de inclusão considerados foram:
a) artigos científicos publicados entre 2020 e 2023;
b) publicações em periódicos nacionais com foco no contexto educacional brasileiro;
c) estudos que abordassem a inclusão de alunos com Transtorno do Espectro Autista (TEA) nas aulas de Educação Física escolar, ainda que as dificuldades e barreiras não estivessem descritas de forma explícita.
Os critérios de exclusão foram:
a) textos de caráter opinativo, não científico ou não submetidos a comitês editoriais;
b) estudos realizados fora do contexto da Educação Física escolar;
c) artigos que abordassem o TEA de maneira genérica, sem relação direta com a prática pedagógica de professores de Educação Física no Ensino Básico.
Após essa triagem inicial, foram selecionados sete artigos para leitura na íntegra e análise qualitativa. Os dados extraídos de cada estudo foram sistematizados em uma tabela, com informações referentes ao(s) autor(es), ano de publicação, instrumento de pesquisa utilizado, participantes envolvidos, objetivos do estudo e os principais resultados. Essa sistematização permitiu identificar e agrupar as principais dificuldades relatadas pelos professores no processo de inclusão de alunos com TEA nas aulas de Educação Física escolar.
Para a descrição dos resultados foram identificadas nos artigos incluídos no estudo os aspectos gerais das publicações (tabela 1) e pelas características metodológicas (tabela 2) um compilado das dificuldades (tabela 3).
RESULTADOS E DISCUSSÃO
A seguir, serão apresentadas as tabelas com os dados sistematizados dos estudos selecionados. Após a apresentação, será realizada a discussão dos principais achados.
Tabela 1- Artigos selecionados para a análise, conforme autor, título, periódico, ano de publicação e Qualis CAPES
N° | Autores | Título | Periódico | Ano | Qualis |
1 | Dias; Borragini | A inclusão de crianças autistas nas aulas de Educação Física escolar | Revista Expressão da Estácio | 2020 | * |
2 | Maia; Bataglioni; Mazo | Alunos com transtorno do espectro autista na escola regular: relatos de professores de Educação Física | Revista da Associação Brasileira de Atividade Motora Adaptada | 2020 | B3 |
3 | Schliemann; Alves; Duarte | Educação Física Inclusiva e Autismo: perspectivas de pais, alunos, professores e seus desafios | Revista Brasileira de Educação Física e Esporte | 2020 | B2 |
4 | Kistt Santos; Da Silveira Gonçalves | Desafios e estratégias na prática docente de professores de Educação Física com estudantes com TEA | Biomotriz | 2021 | B3 |
5 | Souza et al. | Inclusão de estudantes com transtorno do espectro autista: análise das publicações do CBCE (2009–2019) | Revista da Associação Brasileira de Atividade Motora Adaptada | 2021 | B3 |
6 | Caetano; Gomes | Intervenções lúdicas inclusivas: dificuldades de interação e comunicação de crianças com TEA na Ed. Infantil | Momento – Diálogos em Educação | 2021 | A4 |
7 | Dias; Antunes; Borgmann | O ensino da Educação Física com alunos com TEA: inclusão em pauta | Revista Saberes Docentes | 2023 | B5 |
Fonte: Elaboração própria (2024).
*O artigo não possui classificação no Qualis CAPES
Tabela 2 – Metodologia e Resultados
N° | Autor(es) / ano | Instrumento | Participantes | Objetivo | Resultados |
1 | DIAS; BORRAGINE, 2020 | Revisão de literatura | Não se aplica | Compreender as dificuldades encontradas pelo professor de Educação Física ao incluir um aluno TEA em suas aulas. | Isolar o aluno TEA não facilita a atividade. Destaca-se ausência de diretrizes e necessidade de abordagens individualizadas. Sugere o método TEACCH. |
2 | MAIA; BATAGLION; MAZO, 2020 | Entrevista semiestruturada | 8 professores de Porto Alegre | Analisar a percepção de docentes quanto à inclusão de alunos com TEA na escola regular. | Participação melhora com rotinas e atividades bem definidas. Engajamento maior no ensino infantil com objetos e jogos. |
3 | SCHLIEMANN; ALVES; DUARTE, 2020 | Revisão de literatura | Não se aplica | Discutir os desafios da inclusão de crianças com autismo nas atividades físicas escolares. | Baixa participação de alunos com TEA. Destaca-se a importância da formação especializada dos professores. |
4 | KISTT SANTOS; DA SILVEIRA GONÇALVES, 2021 | Revisão de literatura | Não se aplica | Identificar desafios e estratégias na prática docente para inclusão de estudantes com TEA. | Falta de formação específica e necessidade de adaptação individualizada das atividades. |
5 | SOUZA et al., 2021 | Pesquisa bibliográfica | Não se aplica | Investigar a inclusão de estudantes com TEA a partir de publicações do CBCE. | Ainda são poucos os trabalhos sobre o tema. Práticas inclusivas passam por sensibilidade docente e estratégias específicas. |
6 | CAETANO; GOMES, 2021 | Questionários, observação e análise documental | 3 turmas e 3 crianças da educação infantil | Analisar dificuldades e possibilidades de comunicação em aulas de Educação Física com intervenções lúdicas. | Inclusão favoreceu interação e percepção entre as crianças. Superou estigmas de separação em turmas especiais. |
7 | DIAS; ANTUNES; BORGMANN, 2023 | Questionários | 4 professores | Ampliar a compreensão da formação docente sobre inclusão de alunos com TEA. | Professores não planejam com foco na inclusão. Falta formação continuada. |
Fonte: Elaboração própria (2024).
Tabela 3 – Eixos da prática docente e suas respectivas barreiras, dificuldades e desafios
Eixos da prática docente | Barreiras/Dificuldade/Desafios |
Formação | Falta de conteúdos e disciplinas específicas sobre TEA durante o curso de graduação; Falta de estágios e vivências práticas com alunos com TEA; |
Formação Continuada | Encontrar cursos específicos e voltados para o TEA; Falta material didático específico de TEA para Educação Física Escolar, recursos didáticos e metodológicos e melhores práticas; Escassez de cursos de formação continuada ofertados aos professores da esfera pública. |
Equipe escolar | Dificuldades com os projetos político pedagógicos; isento de propostas e recursos; Falta de apoio e interesse da equipe escolar em relação à inclusão e de estratégias para um projeto integrado para o aluno com TEA; Desconhecimento de como lidar com os alunos com TEA da parte da equipe pedagógica e gestão. |
Espaço e Ambiente | Superlotação de alunos nas turmas; Dificuldades em manter um trabalho sequencial com a turma; Falta de materiais e de infraestrutura escolar; |
Diagnóstico TEA | Sobrepeso e obesidade do aluno com TEA; Dificuldades motoras; Dificuldade para interagir socialmente, como manter o contato visual, identificar expressões faciais e compreender gestos, expressar emoções; Barreiras na comunicação, caracterizado por uso repetitivo da linguagem e dificuldade para iniciar e manter um diálogo; Alterações comportamentais, como manias, apego excessivo a rotinas, ações repetitivas, interesse intenso em coisas específicas e dificuldade de imaginação; Dificuldade em atingir os objetivos das aulas. |
Comunidade escolar | Baixa integração entre a comunidade escolar, gestores, pedagogos, coordenadores; Pouco contato com os pais e familiares dos alunos com TEA Ausência de laudo específico que diferencia os níveis de TEA. |
Fonte: Elaboração própria (2024).
Nesta seção, exploramos os resultados fundamentais extraídos das análises dos estudos. Inicialmente, destaca-se a importância da formação docente e do planejamento pedagógico como elementos centrais para a promoção da inclusão. Posteriormente, identificamos as principais barreiras e/ou desafios destacados pelos professores de Educação Física ao incluir estudantes com TEA.
Para uma compreensão apropriada dos resultados, é essencial salientar que o Qualis/CAPES representa o sistema brasileiro de avaliação de periódicos. Mantido pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, esse sistema classifica os periódicos científicos utilizados para a disseminação da produção intelectual dos programas de pós-graduação “stricto sensu” (mestrado e doutorado). Essa classificação considera tanto o alcance de circulação (local, nacional ou internacional) quanto a qualidade, expressa por categorias (A, B, C), conforme a área de avaliação.
No presente estudo, apenas um artigo (CAETANO; GOMES, 2021), classificado como A4 (14,2%), foi publicado em periódico de maior circulação, vinculado à Universidade Federal do Rio Grande (FURG). Esse dado pode refletir não necessariamente uma ausência de estudos qualificados, mas sim os desafios envolvidos na realização de pesquisas com esse público específico. A complexidade da temática e as dificuldades de acesso a amostras representativas — muitas vezes agravadas pela ausência de laudos diagnósticos formais — podem limitar a produção e publicação em periódicos de maior impacto. O referido estudo utilizou diversos instrumentos de pesquisa, como questionários, análise documental, observação participante, diário de campo e registro audiovisual, e mesmo com essa estrutura, foram analisadas três turmas com um aluno com TEA em cada uma delas.
A maior parte dos estudos tem classificação qualis B (71,4%) e 1 artigo (14,2%) é de um periódico sem classificação qualis, sendo estudos mais restritos e com menor abrangência e relevância, quatro estudos foram revisões bibliográficas (CAETANO; GOMES, 2021; DIAS; BORRAGINE, 2020), (SCHLIEMANN; ALVES; DUARTE, 2020), (KISTT SANTOS; DA SILVEIRA GONÇALVES, 2021) (SOUZA LIMA, 2021). Demonstrando que os estudos atuais e talvez por causa da pandemia focaram mais em revisões bibliográficas, revistando estudos mais antigos. Dois estudos (DIAS; ANTUNES; BORGMANN, 2023; MAIA; BATAGLION; MAZO, 2020) foram entrevistas com professores de Educação Física Escolar. Que ofereceram subsídios acerca do contexto dos docentes, entendemos que entrevistas com os docentes podem oferecer mais recursos acerca das dificuldades e para que se busque alguma diretriz em busca de ofertar possibilidades acerca do quadro, é interessante ressaltar que existem um espectro de áreas da prática docente e não apenas a aula em si, mas toda sua relação com a comunidade escolar como estudo, burocracias, relações com equipes da escola, busca de formação, interação com familiares, portanto os estudos poderiam focar nessa visão mais holística da sociedade.
O estudo de (DIAS; BORRAGINE, 2020, p. 2) ressalta dificuldade de inclusão:
que existem grandes dificuldades para tal inclusão, no entanto esta é possível. Isolar o aluno TEA não o ajuda e nem facilita a atividade do profissional, muito pelo contrário, essas atitudes não só prejudicam o aluno, mas também não agregam na carreira do profissional de educação física, pois este pode novamente se deparar com situações similares. A inclusão é importante e necessária, podendo contribuir positivamente na vida do aluno, dos que o cercam e do professor de Educação Física, que se sentirá cada vez mais seguro em sua atuação e intervenção.
O artigo (MAIA; BATAGLION; MAZO, 2020, p. 1) enfatiza a necessidade de habilidades sociais para o docente:
As estratégias docentes incluem atentar para as particularidades das crianças com TEA, traçando-se objetivos e métodos condizentes com as necessidades e potencialidades individuais. Atividades e objetos próprios da rotina de cada aluno foram citadas como forma de se estabelecer o engajamento inicial nas aulas, seguidas pelo uso de distintas estratégias, a fim de se promover a inclusão nas aulas em igualdade aos pares sem deficiência. A mediação por pares foi mencionada, suscitando benefícios à turma de alunos. Ademais, o trabalho interdisciplinar foi referido como indispensável à efetiva Educação Inclusiva. Conclui-se que as características apresentadas pelos alunos com TEA nas aulas de Educação Física, levam os professores a buscarem estratégias que lhes permitam favorecer o ensino e a aprendizagem destes, sendo as habilidades sociais amplamente evidenciadas nesse sentido.
O trabalho de (SCHLIEMANN; ALVES; DUARTE, 2020, p. 1) ressalta a falta de aderência e dificuldade em questões esportivas:
O baixo nível de participação dos alunos com autismo nas atividades físicas e esportivas foi um tema recorrente observado nos estudos, além da necessidade de formação especializada dos professores de educação física para lidar com essa população.
A revisão bibliográfica de (KISTT SANTOS; DA SILVEIRA GONÇALVES, 2021) Apresentou-se uma compilação de dificuldades em uma tabela, fornecendo uma base valiosa para a formulação de uma tabela nossa de forma adaptada. Essa abordagem incluiu a revisão de estudos, resultando em uma lista abrangente de dificuldades e estratégias. Embora tenha referenciado alguns artigos mais antigos, esses contribuíram de maneira indireta para a pesquisa. Vale ressaltar que, em relação às barreiras, a percepção destas está vinculada à ideia de necessidades, e não barreiras, conforme observado pelos professores de Educação Física. Destaca-se que as dificuldades são, na verdade, necessidades não atendidas pelo sistema educacional, e é plausível supor que, ao excluir a consideração dos alunos com TEA, tal lista de desafios poderia ser igualmente aplicada a todos os cenários e estudantes.
O texto de (SOUZA et al., 2021, p. 212) enfatiza essa análise em torno do processo, que cada pessoa vai ter sua individualidade e que nunca termos um guia exato que sirva para todos:
O estudante com TEA é um ser humano único, como nós, com suas individualidades e necessidades únicas, onde um laudo médico ou diagnóstico não podem ser limitadores das possibilidades educacionais a serem vivenciadas pelo indivíduo. Portanto, concluímos nossa investigação entendendo que a inclusão do/da estudante com TEA nas aulas de EF escolar podem ser promovidas por diversos caminhos em um processo infindável e dinâmico que deve considerar os diferentes atores e atrizes envolvidos, valorizando suas diferenças e potencialidades na busca de uma EF escolar mais digna, ética, igualitária e inclusiva.
O trabalho de (CAETANO; GOMES, 2021, p. 294) chama a atenção que os próprios documentos legais de orientações geram discrepâncias e desinformações:
O PCEF apresenta-se com viés tradicional, tendo a concepção de professor entendida como um profissional prático. Fiorini e Manzini (2016, p. 49) explicam os motivos das dificuldades dos professores de Educação Física para criar condições favoráveis à inclusão de alunos com deficiência e autismo: a elaboração das estratégias de ensino, os recursos pedagógicos e a seleção dos conteúdos. Assim, a análise dos documentos citados apontou para contradições entre as orientações legais (nacional) e as orientações em âmbito municipal como, por exemplo, os objetivos educacionais do município e da escola pesquisada, pois apresenta um discurso democrático, mas sem indicações claras de estratégias para o processo de inclusão, além de não contar com a participação efetiva dos profissionais envolvidos em sua elaboração.
(DIAS; ANTUNES; BORGMANN, 2023, p. 73) enfatizam a necessidade de formação continuada dos professores:
Observou-se, ainda, que estes professores apresentam dificuldades para ensinar alunos com TEA na escola regular e necessitam formação continuada para encontrar alternativas. Portanto, mesmo os professores que já possuem alguma formação continuada na área da educação especial, ainda se sentem despreparados para atender a inclusão. Assim, é notória a razão para estes profissionais ainda se sentirem ineficazes em promover a inclusão na escola regular.
Encontramos 2 estudos sendo, 1 entrevista e 1 questionário,(DIAS; ANTUNES; BORGMANN, 2023; MAIA; BATAGLION; MAZO, 2020) tal dado aponta que a maioria dos estudos já são de revisões que citam estudos mais antigos, isso demonstra certa dificuldade em realizar estudos com este público e a escassez de estudos originais, apontando a necessidade de mais estudos de qualidade no ramo, que busquem entender toda a comunidade escolar e médica buscando a interdisciplinaridade da questão.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A pesquisa identifica e sistematiza as principais barreiras enfrentadas por professores de Educação Física escolar na inclusão de alunos com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Os objetivos propostos são atingidos ao evidenciar que tais dificuldades não se limitam à prática pedagógica, mas envolvem também questões estruturais, formativas e relacionais no contexto escolar.
O estudo destaca que a inclusão de alunos com TEA exige uma atuação docente sensível e adaptativa, considerando a ampla variação de características e níveis do transtorno. Fica evidente que o professor não pode atuar isoladamente, necessitando de apoio institucional, formação contínua e articulação com a comunidade escolar.
Constata-se que a falta de diretrizes específicas para o atendimento de alunos com TEA, aliada à ausência de formação inicial e continuada, compromete o avanço de práticas inclusivas. A atuação em quadras abertas, muitas vezes com excesso de estímulos, também representa uma limitação significativa para o desenvolvimento das aulas com alunos com TEA.
A principal contribuição da pesquisa está em oferecer um panorama sobre as dificuldades enfrentadas por professores de Educação Física, servindo de base para novos estudos e para o desenvolvimento de políticas públicas que considerem essa realidade. Reconhece-se como limitação do estudo o número reduzido de trabalhos originais encontrados, o que reforça a necessidade de pesquisas futuras com maior aprofundamento empírico sobre o tema.
REFERÊNCIAS
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DIAS, F. K.; ANTUNES, F. R.; BORGMANN, M. E. O ensino da Educação Física com alunos com transtornos do espectro autista (TEA): inclusão em pauta. Revista Saberes Docentes, v. 8, n. 15, 2023.
DIAS, H. L. A. B.; BORRAGINE, S. de O. F. A inclusão de crianças autistas nas aulas de Educação Física escolar. Revista Expressão da Estácio, v. 3, n. 1, p. 1–12, 2020.
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KISTT SANTOS, T.; DA SILVEIRA GONÇALVES, P. Desafios e estratégias na prática docente de professores de Educação Física com estudantes com transtorno do espectro autista. Biomotriz, v. 15, n. 1, p. 246–258, 2021.
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SOUZA, B. et al. Inclusão de estudantes com transtorno do espectro autista: uma análise das publicações do CBCE entre 2009 e 2019. Revista da Associação Brasileira de Atividade Motora Adaptada, v. 22, n. 1, p. 195–216, 2021.
SOUZA LIMA, R. A inclusão na Educação Física do aluno com Transtorno de Espectro Autista. Paripiranga, BA, 2021
1Mestre em Educação Física pela Universidade Tecnológica Federal Do Paraná (PPGEF-UTFPR)
2Especialista em Educação Física Escolar pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC PR)
3Prof. Dr. em Tecnologia da Saúde da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PPGTS-PUC PR)