CUIDADOS COM O PACIENTE DE TRAUMATISMO CRÂNIO ENCEFÁLICO: UMA REVISÃO INTEGRATIVA DA LITERATURA

CARE FOR PATIENTS WITH TRAUMATIC BRAIN INJURY: AN INTEGRATIVE LITERATURE REVIEW

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/dt10202512300910


Regiane Maciel Pantoja Bentes1; Camila Godinho de Almeida2; Sarah Maria Cordeiro Cohen3; Camila Nobre de Barros4; Marcos Antônio Lopes da Silva5; Gusthavo Nascimento Chaves6; Paulo Reis Maia Mota7; Denise Pinto Sousa Leite8; Bruno Sergio Miranda Benatti9; Jason Silva de Almeida Júnior10


RESUMO

O traumatismo crânio encefálico representa um dos mais graves problemas de saúde pública em âmbito mundial, caracterizando-se por elevada taxa de morbimortalidade e pelo potencial de causar sequelas neurológicas permanentes. A literatura evidencia que pacientes vítimas dessa condição frequentemente necessitam de cuidados intensivos, incluindo suporte ventilatório e controle rigoroso da pressão intracraniana, a fim de prevenir complicações graves, como a Síndrome do Desconforto Respiratório Agudo. Nesse contexto, a atuação integrada da equipe multiprofissional, especialmente dos profissionais de enfermagem e fisioterapia, é essencial para garantir a estabilização clínica, prevenir lesões secundárias e promover a recuperação funcional. Este estudo teve como objetivo descrever e analisar os principais cuidados prestados ao paciente com traumatismo crânio encefálico, a partir de uma revisão integrativa da literatura fundamentada em evidências clínicas sobre o manejo terapêutico e a assistência hospitalar. A pesquisa foi desenvolvida por meio da análise de artigos científicos que abordam estratégias ventilatórias, monitoramento neurológico e cuidados multiprofissionais em pacientes acometidos por trauma craniano. Constatou-se que a humanização da assistência, a vigilância contínua e a adoção de protocolos baseados em evidências científicas são fatores determinantes para reduzir sequelas, melhorar o prognóstico e garantir uma recuperação mais segura e eficiente desses pacientes.

Palavras-chave: Cuidados de enfermagem. Traumatismo crânio encefálico. Terapia intensiva.

1. INTRODUÇÃO

    O traumatismo crânio encefálico (TCE) representa uma das principais causas de mortalidade e incapacidade no mundo contemporâneo, estando frequentemente relacionado a acidentes de trânsito, quedas e violência urbana (Oliveira et al., 2018). Trata-se de uma lesão causada por impacto externo sobre o crânio, podendo resultar em alterações neurológicas temporárias ou permanentes, comprometendo as funções cognitivas, motoras e emocionais do indivíduo. Além dos impactos pessoais e familiares, o TCE impõe grande ônus aos sistemas de saúde devido à necessidade de internações prolongadas e cuidados intensivos (Saback; Almeida; Andrade, 2007).

    A literatura indica que o TCE é responsável por 15% a 20% das mortes em vítimas com idade entre 5 e 35 anos, sendo uma das causas mais frequentes de internação hospitalar em unidades de emergência e terapia intensiva (Oliveira et al., 2018). Pacientes com trauma grave podem evoluir com insuficiência respiratória, exigindo intubação e suporte ventilatório, o que aumenta o risco de complicações como a síndrome do desconforto respiratório agudo (SDRA) (Saback; Almeida; Andrade, 2007).

    Frente à complexidade desses casos, a atuação da equipe multiprofissional, especialmente do enfermeiro e do fisioterapeuta, é essencial para garantir um cuidado continuado, humanizado e baseado em evidências. O manejo adequado da ventilação, o controle da pressão intracraniana e a monitorização hemodinâmica são medidas fundamentais para prevenir danos cerebrais secundários e favorecer a recuperação do paciente. Assim, compreender as práticas de assistência e manejo clínico do paciente com TCE é fundamental para aprimorar a qualidade do atendimento e reduzir a mortalidade associada a esse tipo de trauma.

    2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA OU REVISÃO DA LITERATURA

      O Traumatismo Cranioencefálico (TCE) é reconhecido como uma das principais causas de morbidade e mortalidade no mundo, sendo considerado um grave problema de saúde pública que acomete principalmente jovens adultos em idade produtiva. Essa condição resulta de uma força externa que gera lesões anatômicas ou funcionais no crânio, nas meninges ou no encéfalo, com consequências cognitivas, motoras e emocionais que podem ser temporárias ou permanentes (Ministério da Saúde, 2015; Oliveira et al., 2018). De acordo com o Ministério da Saúde (2015), o TCE é causado, em grande parte, por acidentes automobilísticos, quedas e situações de violência. Esses eventos são mais frequentes em homens jovens e têm impacto social e econômico expressivo, já que acarretam incapacidades físicas e cognitivas duradouras. As lesões podem ser classificadas como primárias — resultantes do impacto direto — e secundárias, decorrentes de alterações sistêmicas e intracranianas subsequentes ao trauma, as quais podem agravar o quadro clínico.

      A fisiopatologia do TCE envolve mecanismos complexos que afetam a perfusão cerebral e a oxigenação, podendo ocasionar lesões difusas e axonais. A manutenção da pressão intracraniana e da perfusão cerebral é essencial para reduzir as lesões secundárias e preservar as funções neurológicas (Gentile et al., 2010). Assim, a estabilização do paciente deve ser imediata, com atenção à oxigenação e à hemodinâmica, elementos indispensáveis para evitar danos irreversíveis. No âmbito hospitalar, os profissionais de saúde, especialmente os enfermeiros, desempenham papel fundamental na assistência ao paciente vítima de TCE. Segundo Mendes Oliveira et al. (2018) e Pereira et al. (2009), a atuação de enfermagem deve ser pautada em protocolos de atendimento rápido, avaliação contínua e intervenções que assegurem a estabilidade clínica e a prevenção de complicações. O enfermeiro é responsável pela identificação precoce de alterações neurológicas, manutenção das vias aéreas, controle da pressão intracraniana e prevenção de infecções, além de coordenar a equipe multiprofissional no cuidado intensivo.

      O cuidado humanizado também é um elemento essencial no manejo desses pacientes. Conforme Cardoso et al. (2023), a aplicação da Teoria do Conforto de Kolcaba evidencia a importância de intervenções que visam não apenas o bem-estar físico, mas também o emocional e espiritual. O controle da dor, o apoio psicológico e o fortalecimento da esperança são práticas que contribuem para o conforto e recuperação do paciente no ambiente hospitalar. As Diretrizes de Atenção à Reabilitação da Pessoa com TCE (Ministério da Saúde, 2015) destacam que o cuidado deve ocorrer de forma interdisciplinar e contínua, envolvendo desde o atendimento pré-hospitalar até a fase de reabilitação e reintegração social. Essa reabilitação compreende aspectos físicos, cognitivos e psicossociais, e requer o envolvimento da família e o uso de tecnologias assistivas, que favorecem a autonomia e a qualidade de vida do paciente.

      Na fase aguda, o foco é a manutenção da vida e a prevenção de sequelas, com intervenções rápidas e específicas. Já nas fases subaguda e crônica, o objetivo é a reabilitação e reintegração do indivíduo à comunidade, enfatizando o acompanhamento multiprofissional e o suporte emocional (Ministério da Saúde, 2015). Segundo Rocha et al. (2022), a atuação do enfermeiro é determinante para garantir que o paciente receba assistência integral, com medidas que incluam monitoramento constante, cuidados respiratórios e neurológicos e apoio à família.

      Por fim, o cuidado ao paciente com TCE exige preparo técnico, científico e emocional dos profissionais, bem como a adoção de condutas baseadas em evidências. A articulação entre as equipes de saúde, a humanização do atendimento e a implementação de protocolos eficazes são pilares para a melhoria da qualidade assistencial e redução das taxas de morbimortalidade associadas ao trauma craniano (Saback et al., 2007; Gentile et al., 2010).

      3. METODOLOGIA 

        Esta pesquisa caracteriza-se como uma revisão integrativa da literatura, de natureza qualitativa e descritiva, com o propósito de reunir e analisar criticamente o conhecimento produzido sobre os cuidados de enfermagem e fisioterapia prestados ao paciente com traumatismo crânio encefálico. O objetivo central consistiu em identificar, sintetizar e discutir as principais evidências científicas disponíveis acerca das práticas assistenciais, protocolos terapêuticos e abordagens humanizadas direcionadas a indivíduos acometidos por esse tipo de trauma, buscando compreender como essas condutas contribuem para a recuperação clínica e a redução das complicações neurológicas.

        A revisão foi realizada entre os meses de agosto e outubro de 2025, utilizando-se as bases de dados SciELO, LILACS e Google Acadêmico, por meio dos descritores: “traumatismo crânio encefálico”, “assistência de enfermagem”, “cuidados intensivos”, “fisioterapia hospitalar” e “reabilitação neurológica”. Também foram empregadas combinações dos termos com o operador booleano “AND”, como “traumatismo crânio encefálico AND cuidados de enfermagem” e “traumatismo crânio encefálico AND fisioterapia intensiva”.

        Foram incluídos artigos publicados entre 2010 e 2025, disponíveis integralmente e em língua portuguesa, que abordavam diretamente a assistência multiprofissional a pacientes com traumatismo crânio encefálico em ambiente hospitalar ou de terapia intensiva. Foram excluídos trabalhos duplicados, textos que não apresentavam dados clínicos ou práticos sobre o cuidado ao paciente, estudos de caso isolados sem fundamentação científica e publicações que tratavam de outros tipos de trauma neurológico.

        Após a aplicação dos critérios de inclusão e exclusão, foram selecionados 18 artigos para leitura integral. Após a leitura, 5 artigos foram escolhidos para compor a análise da revisão. Além dos artigos científicos, foram consultadas diretrizes e manuais técnicos do Ministério da Saúde, bem como dissertações e livros especializados que abordam o manejo clínico do traumatismo crânio encefálico e a atuação dos profissionais de saúde nesse contexto. Essa ampliação do corpus bibliográfico visou garantir uma compreensão abrangente e atualizada sobre o tema, permitindo uma discussão pautada em evidências e boas práticas assistenciais.

        A leitura e seleção dos textos seguiram as etapas propostas por Souza, Silva e Carvalho (2010) para revisões integrativas: definição da questão norteadora, estabelecimento dos critérios de inclusão e exclusão, categorização dos estudos, avaliação dos resultados e apresentação da síntese. A questão norteadora deste estudo foi: “Quais são os principais cuidados e intervenções de enfermagem e fisioterapia aplicados a pacientes com traumatismo crânio encefálico segundo a literatura científica recente?”

        Os artigos selecionados foram organizados em uma planilha contendo informações essenciais, como autores, ano de publicação, objetivos, metodologia, resultados e conclusões. Em seguida, os dados foram analisados por meio da técnica de análise temática, permitindo identificar categorias recorrentes entre os estudos, como monitoramento neurológico e hemodinâmico, cuidados respiratórios e fisioterapêuticos, humanização e acolhimento ao paciente e família e adoção de protocolos baseados em evidências.

        Os resultados foram interpretados de forma descritiva, buscando compreender as convergências e divergências entre as pesquisas analisadas, bem como identificar lacunas existentes no cuidado multiprofissional. Por fim, as informações obtidas foram integradas e discutidas à luz do referencial teórico sobre traumatismo crânio encefálico, ressaltando a importância da atuação do enfermeiro e do fisioterapeuta na recuperação clínica, reabilitação e reintegração social do paciente.

        4. RESULTADOS E DISCUSSÕES OU ANÁLISE DOS DADOS

          A análise integrativa da literatura revelou que o traumatismo crânio encefálico representa uma das mais graves condições clínicas enfrentadas pelos serviços de saúde em todo o mundo, configurando-se como importante causa de morbidade e mortalidade. Conforme Gentile et al. (2011), cerca de 15% a 20% das mortes em indivíduos entre cinco e trinta e cinco anos decorrem de lesões cranianas, sendo que aproximadamente 60% dos sobreviventes desenvolvem sequelas motoras e cognitivas significativas. Tais sequelas afetam diretamente a capacidade funcional, a qualidade de vida e o contexto socioeconômico dos pacientes e de suas famílias, evidenciando que o trauma craniano ultrapassa o campo biológico e assume proporções sociais e econômicas amplas. 

          Prado (2019) acrescenta que o trauma é a terceira maior causa de morte no mundo e a principal entre pessoas de um a quarenta e quatro anos, demonstrando sua relevância epidemiológica. Ainda segundo o autor, a mortalidade em casos de politrauma sem envolvimento cerebral é de cerca de 1%, enquanto em pacientes com traumatismo crânio encefálico essa taxa pode alcançar 30%, o que demonstra o potencial letal da condição e a importância do diagnóstico precoce e do tratamento intensivo.

          A estabilização da pressão intracraniana e da perfusão cerebral foi um ponto de consenso em todas as publicações analisadas. Gentile et al. (2011) enfatizam que a manutenção da perfusão cerebral adequada e o controle rigoroso da pressão intracraniana são medidas essenciais para evitar lesões secundárias e melhorar o prognóstico. Prado (2019) complementa que o posicionamento da cabeça em ângulo elevado, a sedação adequada, o controle da temperatura corporal e a correção de distúrbios metabólicos, como hiperglicemia e hipoxemia, são medidas indispensáveis para reduzir o risco de isquemia e edema cerebral.

          Essas intervenções devem ser implementadas imediatamente após o atendimento inicial, pois as alterações fisiológicas secundárias são as principais responsáveis pela deterioração neurológica progressiva e pelo aumento da mortalidade. Ainda segundo Prado (2019), o controle da pressão intracraniana por meio de monitorização contínua e a observação clínica detalhada permitem intervenções rápidas e direcionadas, melhorando significativamente o desfecho clínico dos pacientes.

          Os resultados também destacam a relevância da atuação da equipe de enfermagem no cuidado intensivo ao paciente com trauma craniano. Pereira et al. (2011) afirmam que o enfermeiro deve possuir amplo conhecimento técnico e científico, aliado à capacidade de liderança, pois é ele quem coordena a equipe de enfermagem, onde a tomada de decisão deve ser rápida e precisa. O profissional deve monitorar constantemente parâmetros vitais, como nível de consciência, padrão respiratório, pressão arterial e reatividade pupilar; comunicando imediatamente qualquer alteração significativa. Segundo a autora, essa vigilância contínua é fundamental para detectar precocemente sinais de agravamento e adotar intervenções imediatas que possam evitar complicações neurológicas.

          De acordo com Silva et al. (2021), o cuidado de enfermagem prestado a esses pacientes deve seguir a Sistematização da Assistência de Enfermagem, que possibilita uma abordagem integral e organizada do cuidado, desde a coleta de dados até a avaliação das respostas do paciente. Essa sistematização, quando aplicada corretamente, garante uma prática assistencial mais segura e embasada em evidências clínicas.

          O estudo de Silva et al. (2021) identificou dezoito diagnósticos de enfermagem aplicáveis a pacientes com traumatismo crânio encefálico, conforme a taxonomia da NANDA. Entre os mais recorrentes estão o risco de perfusão cerebral ineficaz, o padrão respiratório ineficaz, o risco de infecção, a integridade da pele prejudicada e o déficit no autocuidado. Esses diagnósticos auxiliam o enfermeiro na elaboração de planos de cuidados personalizados, permitindo intervenções específicas e contínuas que buscam a estabilidade clínica e a prevenção de complicações. Além disso, o estudo evidencia a importância do raciocínio clínico do enfermeiro na interpretação dos sinais e sintomas apresentados pelo paciente, pois é a partir dessa análise que se estabelecem prioridades e metas terapêuticas. A prática da enfermagem nesse contexto deve ser pautada pela observação minuciosa e pela aplicação rigorosa dos protocolos institucionais.

          Outro aspecto relevante identificado nas produções analisadas diz respeito à humanização do atendimento ao paciente e à sua família. Pereira et al. (2011) apontam que o trauma craniano é uma condição que provoca sofrimento físico e emocional não apenas no paciente, mas também em seus familiares, que vivenciam a angústia da hospitalização e da incerteza quanto à recuperação. Dessa forma, o acolhimento empático, o diálogo esclarecedor e o apoio psicológico são práticas que integram o cuidado integral e devem ser incorporadas à rotina assistencial. Cardoso et al. (2023) reforçam que a humanização no ambiente hospitalar é essencial para promover conforto, fortalecer o vínculo entre equipe e paciente e proporcionar um ambiente terapêutico mais favorável à reabilitação. A combinação entre o cuidado técnico e o cuidado humano constitui, portanto, o alicerce para a recuperação mais completa e digna dos indivíduos acometidos por essa condição.

          Os estudos de Gentile et al. (2011) e Prado (2019) reforçam a necessidade da atuação conjunta de uma equipe multiprofissional, composta por médicos, enfermeiros e fisioterapeutas, na condução do tratamento do paciente com traumatismo crânio encefálico. Segundo esses autores, a integração entre os profissionais é imprescindível para garantir um cuidado coordenado e contínuo, visto que as demandas desses pacientes envolvem não apenas o controle neurológico, mas também o suporte ventilatório, a estabilização hemodinâmica e o manejo de complicações secundárias. 

          O atendimento inicial deve seguir uma sequência lógica de prioridades, que inclui a proteção das vias aéreas, a ventilação adequada, o controle circulatório e a avaliação neurológica. Prado (2019) destaca que a utilização de ferramentas como a Escala de Coma de Glasgow e exames de imagem, como a tomografia computadorizada, são indispensáveis para a classificação da gravidade e o direcionamento das condutas médicas e de enfermagem.

          No contexto da formação profissional, Pereira et al. (2011) ressalta que o treinamento constante e o aprimoramento técnico são fatores determinantes para o sucesso na assistência. A autora enfatiza que o enfermeiro deve ser capaz de agir com agilidade e segurança em ambientes de alta complexidade, desenvolvendo raciocínio crítico e autonomia para atuar em situações de urgência e emergência. A capacitação profissional contínua é essencial para manter a equipe atualizada quanto às melhores práticas baseadas em evidências e às novas tecnologias aplicadas ao cuidado intensivo. Essa preparação técnica, aliada ao comprometimento ético e emocional, assegura que o enfermeiro exerça papel de liderança eficaz, promovendo um atendimento seguro e sincronizado.

          A literatura revisada também destacou a importância do suporte fisioterapêutico e nutricional durante a internação. Gentile et al. (2011) apontam que a ventilação mecânica e o controle respiratório são medidas imprescindíveis para garantir a adequada oxigenação cerebral e prevenir complicações pulmonares, como a síndrome do desconforto respiratório. Prado (2019) complementa que a nutrição precoce deve ser iniciada preferencialmente por via enteral até o sétimo dia após o trauma, pois essa conduta reduz a incidência de infecções e a mortalidade. O autor ainda destaca que o uso de profilaxia mecânica e farmacológica para trombose venosa profunda deve ser avaliado conforme o quadro clínico e a estabilidade neurológica do paciente. A prevenção de infecções, por meio de cuidados com curativos, higiene rigorosa e troca regular de dispositivos invasivos, também se mostra essencial para evitar complicações durante o período de internação.

          Em síntese, os resultados e discussões demonstram que o cuidado ao paciente com traumatismo crânio encefálico deve ser conduzido com base em protocolos clínicos rigorosos, fundamentados em evidências científicas e complementados por uma abordagem humanizada. A literatura de Cardoso et al. (2023), Gentile et al. (2011), Prado (2019), Pereira et al. (2011) e Silva et al. (2021) convergem ao afirmar que o sucesso do tratamento depende da atuação integrada da equipe multiprofissional, do monitoramento constante dos parâmetros neurológicos e fisiológicos e do compromisso ético dos profissionais envolvidos. O enfermeiro, nesse cenário, assume papel central na coordenação e execução dos cuidados, sendo o elo entre a técnica e a sensibilidade humana, aspectos indispensáveis para garantir a qualidade e a eficácia da assistência prestada ao paciente vítima de traumatismo crânio encefálico.

          5. CONCLUSÃO/CONSIDERAÇÕES FINAIS

            O presente artigo permitiu evidenciar que o traumatismo crânio encefálico constitui um dos mais relevantes desafios da saúde pública contemporânea, não apenas por seu elevado índice de morbimortalidade, mas também pelos impactos sociais, econômicos e psicológicos que provoca. A análise das produções científicas revelou que o TCE é uma condição multifatorial, exigindo do profissional de saúde uma abordagem integral, técnica e humanizada. 

            As evidências apontaram que o controle rigoroso da pressão intracraniana e da perfusão cerebral, a ventilação adequada e o monitoramento contínuo são medidas indispensáveis para evitar lesões secundárias e promover a recuperação neurológica. Além disso, o cuidado deve ser direcionado não apenas à estabilização clínica imediata, mas também à reabilitação funcional e à reintegração social do paciente, considerando o impacto emocional e familiar decorrente da condição. Essa perspectiva amplia o papel da equipe de saúde, que deve atuar de forma interdisciplinar e coordenada para garantir o melhor prognóstico possível.

            A revisão integrativa também destacou a importância da atuação da enfermagem e da fisioterapia no processo de recuperação do paciente com TCE. O enfermeiro assume papel essencial na vigilância neurológica e hemodinâmica, na prevenção de complicações e na coordenação da equipe multiprofissional, desempenhando funções que exigem conhecimento técnico, raciocínio clínico e empatia. Já o fisioterapeuta atua de forma determinante na manutenção da oxigenação, na reabilitação respiratória e motora, e na prevenção de complicações secundárias associadas à imobilidade e à ventilação mecânica. Ambos os profissionais, ao trabalharem em conjunto, fortalecem a continuidade do cuidado e contribuem para um atendimento mais eficaz e humanizado. A literatura revisada reafirma que o sucesso terapêutico depende não apenas da aplicação de protocolos baseados em evidências, mas também da sensibilidade humana e do compromisso ético dos profissionais envolvidos no processo assistencial.

            Dessa forma, conclui-se que os cuidados prestados aos pacientes com TCE devem estar alicerçados na integração entre ciência, técnica e humanidade. O tratamento deve abranger desde o atendimento pré-hospitalar até a fase de reabilitação, envolvendo estratégias de prevenção, diagnóstico precoce, monitoramento contínuo e suporte emocional. A capacitação profissional contínua e a adoção de condutas padronizadas são fundamentais para aprimorar a qualidade da assistência e reduzir os índices de mortalidade e sequelas.

            Assim, este estudo reforça que a efetividade do cuidado não se restringe ao domínio técnico, mas também à capacidade de acolher, compreender e humanizar o tratamento do paciente e de sua família. Ao unir conhecimento científico e sensibilidade ética, os profissionais de saúde ampliam o potencial de recuperação e reafirmam o valor da vida humana diante das consequências devastadoras do traumatismo crânio encefálico.

            6. LIMITAÇÕES

              A metodologia escolhida não prevê o rigor de uma Revisão Sistemática com Metanálise. Logo, não houve a combinação estatística de resultados para obtenção de um estimador global de eficácia, limitando as inferências a uma síntese descritiva e qualitativa das evidências. A busca limitada ao período e bases pode ter implicado na exclusão de estudos relevantes publicados fora do recorte temporal ou em bases de dados não consultadas, introduzindo potencial viés de seleção. Sugerimos novas buscas em intervalos de tempos maiores, expandidas em bases de dados e com análise sistemática para aperfeiçoamento das conclusões.

              REFERÊNCIAS

              BRASIL. Ministério da Saúde. Diretrizes de atenção à reabilitação da pessoa com traumatismo cranioencefálico. Brasília: Ministério da Saúde, 2015.

              CARDOSO, Jéssica Alves et al. A aplicação da teoria do conforto de Kolcaba na assistência ao paciente com traumatismo crânio encefálico. Revista Foco, v. 16, n. 2, p. 155–167, 2023.

              CARDOSO, M. A. F. et al. Cuidado e conforto de pessoas com traumatismo cranioencefálico no serviço de emergência: uma pesquisa-cuidado. Revista Contemporânea, v. 3, n. 12, p. 28971–28990, 2023.

              GENTILE, J. K. A. et al. Condutas no paciente com trauma crânioencefálico. Revista Brasileira de Clínica Médica, v. 9, n. 1, p. 74–82, 2010.

              GENTILE, José Kliemann et al. Traumatismo crânio-encefálico: diagnóstico e tratamento. Revista do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, v. 38, n. 5, p. 399–406, 2011.

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              PEREIRA, Lídia da Conceição et al. A prática de enfermagem no traumatismo crânio encefálico. Revista Foco, v. 3, n. 1, p. 45–56, 2011.

              PEREIRA, N. et al. O cuidado do enfermeiro à vítima de traumatismo cranioencefálico: uma revisão da literatura. Revista de Enfermagem, v. 4, n. 3, p. 60–61, 2009.

              PRADO, Alexandre. Emergências médicas e cirúrgicas: abordagem e manejo do traumatismo crânio encefálico. In: Emergências Médicas e Cirúrgicas – Módulo 1. São Paulo: EMC, 2019. p. 22–37.

              ROCHA, G. M. et al. Cuidados de enfermagem ao paciente vítima de traumatismo crânio encefálico. Research, Society and Development, v. 11, n. 13, e553111335659, 2022.

              SABACK, L. M. P. et al. Trauma cranioencefálico e síndrome do desconforto respiratório agudo: como ventilar? Revista Brasileira de Terapia Intensiva, v. 19, n. 1, p. 44–52, 2007.

              SILVA, Ana Paula de Souza et al. Cuidados de enfermagem ao paciente com traumatismo crânio encefálico: uma revisão de literatura. Revista Enfermagem e Gestão, v. 20, n. 64, p. 584–595, 2021.


              1Enfermeira- Instituto Esperança de Ensino Superior (IESPES), regemaciel.70@gmail.com

              2Enfermeira – Centro Universitário da Amazônia (UNAMA), camilagodinho.deal@gmail.com

              3Fisioterapeuta – Universidade Federal do Amazonas (UFAM), cohensah@gmail.com

              4Graduanda em Fisioterapia – Instituto Esperança de Ensino Superior (IESPES), camilanbarros70@gmail.com

              5Graduando em Fisioterapia – Instituto Esperança de Ensino Superior (IESPES), freestep76@gmail.com

              6Graduando em Fisioterapia – Instituto Esperança de Ensino Superior (IESPES), gusthavonc17x@gmail.com

              7Graduando em Fisioterapia – Instituto Esperança de Ensino Superior (IESPES), pauloreisfisioterapia@gmail.com

              8Fisioterapeuta, Universidade de Fortaleza (UNIFOR), deniseleite85@gmail.com

              9Fisioterapeuta – Centro Universitário São Camilo. Preceptor no Instituto Esperança de Ensino Superior (IESPES), bruno.benatti86@gmail.com

              10Fisioterapeuta Especialista Titulado em Fisioterapia em Terapia Intensiva no Adulto. Mestrando, Docente e Preceptor no Instituto Esperança de Ensino Superior (IESPES), jason.silva@professor.iespes.edu.br