CONTRIBUTIONS OF THE VExUS SCORE IN THE EVALUATION OF SYSTEMIC VENOUS CONGESTION AND TOLERANCE TO FLUID THERAPY
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202503311632
Jefferson Miranda Cardoso1
Anfremon D’Amazonas Monteiro Neto2
RESUMO
A avaliação hemodinâmica de pacientes críticos é fundamental para o manejo adequado em unidades de terapia intensiva, e o índice VExUS (Pontuação de Ultrassom de Excesso Venoso) tem se destacado como uma ferramenta inovadora. Este artigo revisa a literatura sobre o VExUS com o objetivo de explorar suas vantagens e limitações, comparando-o com outras ferramentas de avaliação de congestão venosa e como sua aplicação influencia nos desfechos clínicos. Este estudo trata-se de uma revisão de literatura, nos anos de 2019 a 2024, nas bases de dados e repositórios: Scientific Electronic Library Online (SciELO), PubMed, APA PsycInfo®, Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações (BDTD), e os repositórios da Universidade do Estado de São Paulo (USP) e da Universidade Federal do Amazonas (UFAM). O estudo evidencia a importância do VExUS como uma ferramenta valiosa no diagnóstico e no tratamento de pacientes com condições graves, contribuindo para a tomada de decisões terapêuticas mais eficazes.
Palavras-chave: VexUS. Cardiointensivismo. Avaliação. Congestão Venosa Sistêmica.
ABSTRACT
Hemodynamic assessment of critically ill patients is crucial for proper management in intensive care units, and the VExUS (Venous Excess Ultrasound Score) has emerged as an innovative tool. This article reviews the literature on VExUS with the aim of exploring its advantages and limitations, comparing it with other venous congestion assessment tools, and analyzing how its application influences clinical outcomes. This study is a literature review conducted from 2019 to 2024, using databases and repositories such as the Scientific Electronic Library Online (SciELO), PubMed, APA PsycInfo®, Virtual Health Library (BVS), Brazilian Digital Library of Theses and Dissertations (BDTD), and the repositories of the University of São Paulo (USP) and the Federal University of Amazonas (UFAM). The study highlights the importance of VExUS as a valuable tool in the diagnosis and treatment of patients with severe conditions, contributing to more effective therapeutic decision-making.
Keywords: VexUS. Cardiointensivism. Evaluation. Systemic venous congestion.
1. INTRODUÇĀO
A avaliação do estado hemodinâmico de pacientes críticos é essencial na medicina intensiva, nesse contexto, o índice VexUS (Pontuação de Ultrassom de Excesso Venoso) vem se destacando como uma ferramenta de utilidade significativa. Ele é uma técnica que utiliza a ultrassonografia para avaliar a congestão venosa sistêmica, que está frequentemente presente em pacientes com insuficiência cardíaca e outras condições críticas [1]. Esta técnica permite que os profissionais de saúde obtenham uma visão mais detalhada sobre a distribuição de fluidos no corpo, o que é essencial para o manejo de pacientes em estado grave [1, 2].
O VExUS desempenha um papel importante na medicina intensiva ao auxiliar na tomada de decisões em casos complexos ao fornecer uma avaliação objetiva da congestão venosa. Ele ajuda a ajustar a administração de fluidos, evitando sobrecargas de volume e complicações graves e promove a individualização do tratamento [2, 3], o que é essencial no manejo de pacientes com insuficiência renal aguda (IRA), insuficiência cardíaca direita, hipertensão pulmonar, doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) ou edema pulmonar [4,5].
O protocolo VExUS avalia a congestão venosa usando ultrassom dos padrões Doppler para avaliar a veia cava inferior (VCI) e as veias hepáticas, portais e intrarrenais [4, 5]. Cada um desses pontos fornece informações sobre o grau de congestão venosa, o que permite uma avaliação mais ampla e precisa do estado hemodinâmico do paciente [3, 6].
A figura 1 mostra a pontuação VExUS onde no estado normal o fluxo sanguíneo nas veias interlobares exibem fluxo contínuo, semelhante à veia porta, mas é visto abaixo da linha de base, indicando fluxo para longe do transdutor. À medida que a pressão atrial direita aumenta, as veias se tornam menos complacentes, resultando em fluxo pulsátil. Isso leva ao surgimento de um padrão bifásico caracterizado por ondas sistólicas (S) e diastólicas (D) distintas [2, 7].
Com novos aumentos na pressão atrial direita, o padrão de fluxo faz a transição para um padrão monofásico, onde apenas a onda D permanece abaixo da linha de base. Esse padrão se assemelha muito ao padrão Doppler observado em veias hepáticas, onde a onda S é invertida, mas pode não ser claramente visualizada, pois é obscurecida pela forma de onda arterial [2].
A pontuação VExUS é mostrada na figura 1 simplificando, quando a avaliação da VCI é pletórico (ou seja, a pressão atrial direita é elevada), o congestionamento grave é identificado por anormalidades graves de fluxo em pelo menos duas veias, enquanto o congestionamento moderado é caracterizado por anormalidade de fluxo grave em pelo menos uma das veias discutidas acima [7].
Se houver apenas pequenas anormalidades nos padrões de fluxo, isso sugere um leve congestionamento. No entanto, se a pressão atrial direita não estiver elevada, o congestionamento venoso é considerado ausente. Nesses casos, deve-se ter cuidado em relação às limitações técnicas do VCI ao estimar a pressão atrial correta [3, 6, 8].
Figura 1 – Sistema de classificação de ultrassom em excesso venoso
Fonte: Khan AA, Saeed H, Haque IU, Iqbal A, Du D, Koratala A. (2024).
A pontuação é atribuída com base no diâmetro e colapso da VCI além de alterações no fluxo venoso hepático e renal. Com essa abordagem, é possível identificar rapidamente pacientes com congestão venosa significativa e intervir de forma precoce, antes que complicações sérias ocorram [6].
A utilização dessa ferramenta na prática clínica ainda está em fase de estudo, mas tem demonstrado resultados promissores. Estudos indicam que o uso desse índice está associado a uma redução na mortalidade em pacientes críticos, uma vez que permite intervenções mais rápidas e direcionadas [9].
Além disso, ele facilita a monitorização contínua do paciente, pois a ultrassonografia pode ser realizada à beira do leito de forma não invasiva. Esse é um benefício significativo, considerando que técnicas invasivas, como o cateterismo venoso central, podem causar complicações e requerem equipamentos especializados [10].
Ademais, a utilização do VExUS contribui para uma abordagem mais holística e humanizada no cuidado ao paciente crítico. Ao oferecer uma avaliação menos invasiva, ele reduz o desconforto e os riscos associados aos procedimentos tradicionais, melhorando a experiência do paciente e promovendo uma recuperação mais segura. Em um ambiente de cuidados intensivos, onde o estresse e a ansiedade são constantes, qualquer método que ofereça uma abordagem menos traumática é altamente benéfico para a saúde física e mental do paciente [11].
Por fim, o índice VExUS representa uma inovação no campo da medicina, pois permite uma abordagem mais precisa e personalizada para o manejo de fluidos em pacientes críticos. Sua implementação pode levar a uma melhoria substancial nos desfechos clínicos, aumentando a segurança e a qualidade do atendimento. Com os avanços contínuos na tecnologia ultrassonográfica e na pesquisa médica, é provável que o VExUS se torne uma ferramenta cada vez mais comum e valiosa na prática diária dos profissionais de saúde, consolidando-se como um recurso indispensável [5, 11].
A literatura atual sobre os parâmetros e a avaliação do congestāo venoso sistêmica ainda é um campo relativamente novo. O objetivo deste artigo é revisar a literatura atual sobre o protocolo VExUS, explorar suas vantagens e limitações, compará-lo com outros métodos que avaliam a congestão venosa e analisar o impacto do uso do protocolo do VExUS nos desfechos clínicos dos pacientes.
2. OBJETIVOS
2.1 Geral
- Revisar através da literatura as contribuições do protocolo VExUS na avaliação da congestão venosa sistêmica e na tolerância à fluidoterapia.
2.2 Específicos
- Investigar as limitações e vantagens do uso do protocolo VExUS;
- Comparar o VExUS com outros métodos de avaliação de congestão venosa;
- Avaliar como a aplicação do VExUS influencia nos desfechos clínicos.
3. METODOLOGIA
O protocolo metodológico descrito na pesquisa, visa assegurar a inclusão dos estudos mais relevantes e atualizados sobre o tema, utilizando diferentes bases de dados e repositórios acadêmicos.
3.1 Etapas de Coleta de Dados
Para a revisão de literatura, foram selecionadas as seguintes bases de dados e repositórios: Scientific Electronic Library Online (SciELO), PubMed, APA PsycInfo®, Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações (BDTD), e os repositórios da Universidade do Estado de São Paulo (USP) e da Universidade Federal do Amazonas (UFAM). A escolha dessas fontes se deve à sua relevância e abrangência, incluindo artigos, dissertações e teses que abordam o Protocolo VExUS em contextos clínicos e de pesquisa.
3.2 Estratégias de Busca
As buscas foram definidas a partir da estratégia PICOT onde o P representa os pacientes críticos, I = Ultrasound Score, C = Venous Excess Ultrasound Score, O = contribuições do escore VExUS e o T se refere ao desenho que se caracteriza por ser um estudo transversal, qualitativo de revisão sistemática de literatura. Para tal e maximizar a sensibilidade e a especificidade dos resultados, foram aplicados descritores e palavras-chave relacionadas ao Protocolo VExUS. Foram utilizados termos como “VExUS score”, “avaliação de sobrecarga venosa”, “ultrassonografia venosa”, “venous congestion”, “venous excess ultrasound score” e “ultrassom de sobrecarga venosa”. Em cada base de dados, os operadores booleanos (AND, OR) foram aplicados para combinar os descritores e refinar os resultados de forma a garantir a obtenção de publicações diretamente relacionadas ao tema.
3.3 Critérios de Inclusão e Exclusão
Foram definidos critérios de inclusão para limitar a revisão a estudos relevantes e de qualidade. Os critérios de inclusão englobam publicações nos idiomas português, inglês e espanhol, estudos realizados de janeiro de 2019 a junho de 2024 que abordem especificamente o protocolo VExUS em avaliações de sobrecarga venosa ou contextos clínicos de relevância. Os critérios de exclusão incluem artigos de opinião, editoriais e resumos de congressos.
3.4 Triagem dos Estudos
A leitura seletiva dos 110 estudos encontrados nas bases de dados supracitadas, foi feita inicialmente, por meio da análise de título e resumo. Os estudos duplicados nas bases de dados foram computados apenas uma vez. A partir das análises dos títulos e resumos foram selecionados 56 artigos para leitura integral e crítica, sendo 42 excluídos ao serem aplicados os critérios de exclusão preestabelecidos no estudo. Assim, compuseram a amostra 14 estudos.
3.5 Análise de Dados
Para a análise dos estudos incluídos foi utilizado um formulário padronizado para a extração dos dados, incluindo informações como autores, ano de publicação, tipo de estudo, objetivo, metodologia, principais achados e conclusões.
A análise temática foi conduzida para identificar os principais tópicos abordados nos estudos sobre o protocolo VExUS. As categorias temáticas incluíram: limitações e vantagens do protocolo VExUS para prática clínica, comparar o protocolo com outros métodos de avaliação de congestão venosa e como a aplicação do VExUS influencia nos desfechos clínicos.
3.6 Síntese e Integração dos Resultados
Os resultados da revisão foram sintetizados em uma análise integrada, comparando as evidências obtidas nos diferentes estudos. Foram destacadas as contribuições mais significativas e as inconsistências encontradas, com o objetivo de apresentar uma visão geral e crítica do estado atual do conhecimento sobre o protocolo VExUS. Essa etapa permite identificar tanto as evidências robustas que sustentam o uso do protocolo quanto às áreas que necessitam de mais estudos.
4. RESULTADOS E DISCUSSĀO
O índice VExUS é uma ferramenta emergente que oferece uma abordagem não invasiva para avaliar a congestão venosa em pacientes críticos. Desenvolvido para fornecer dados sobre o estado hemodinâmico, o VExUS ajuda os profissionais de saúde a monitorar e manejar a distribuição de fluidos no organismo, no entanto, como qualquer ferramenta médica, ele apresenta tanto vantagens quanto limitações, que devem ser compreendidas para que seu uso seja otimizado na prática clínica [5].
Uma de suas principais vantagens é a capacidade de oferecer informações precisas e em tempo real sobre a congestão venosa. Ao utilizar a ultrassonografia para avaliar a veia cava inferior, as veias hepáticas e as veias renais, o índice fornece uma visão detalhada da sobrecarga de fluidos, conforme observamos na figura 2. Essa avaliação permite que os médicos ajustem o tratamento de forma personalizada, evitando tanto a hipovolemia quanto a sobrecarga de fluidos, que podem ser prejudiciais em pacientes críticos [12].
Outra vantagem do VExUS, que utiliza o ultrassom, é ser uma ferramenta não invasiva que proporciona maior conforto e segurança ao paciente. Isso é especialmente relevante na medicina intensiva, pois evita riscos associados a alternativas tradicionais, como o cateterismo venoso central, que pode causar infecções, traumas vasculares e outras complicações [13].
Figura 2 – Sistema de classificação de ultrassom em excesso venoso.
Fonte: Fernandes RM, Souza AC, Leite BF, Kawaoka JR. (2023).
O VExUS destaca-se pela simplicidade e rapidez, podendo ser realizado em poucos minutos por profissionais treinados, o que facilita decisões clínicas ágeis. Isso é crucial nos cuidados intensivos onde o tempo é determinante para o sucesso do tratamento. Além disso, a sua praticidade permite a aplicação rotineira na avaliação de pacientes críticos, tornando-se uma ferramenta essencial na prática da equipe médica [7].
Apesar das vantagens, o VExUS também apresenta algumas limitações importantes. Uma delas é a necessidade de treinamento específico para a interpretação das imagens ultrassonográficas. Embora a técnica seja relativamente simples, a precisão dos resultados depende da habilidade do profissional em identificar e interpretar adequadamente os sinais de congestão venosa. Em hospitais onde o treinamento em ultrassonografia é limitado, a implementação deste protocolo pode se tornar um desafio, restringindo seu uso a locais com equipes capacitadas [7].
Outra restrição do VExUS é que, embora forneça uma visão útil da congestão venosa, ele é apenas uma parte da avaliação hemodinâmica completa. Ele não oferece detalhes sobre a função cardíaca e outros parâmetros importantes, sendo necessário complementá-lo com outras ferramentas e exames. Em casos complexos, onde vários fatores afetam o estado hemodinâmico, o VExUS pode não ser suficiente para orientar o tratamento [7, 12].
Além disso, há condições específicas em que o VExUS pode não ser aplicável ou apresentar limitações técnicas. Por exemplo, em pacientes com alterações anatômicas na veia cava inferior ou nas veias hepáticas e renais, a avaliação por ultrassom pode ser prejudicada, resultando em dados imprecisos ou incompletos. Nesses casos, as informações obtidas por esse protocolo podem não ser confiáveis, limitando sua utilidade em determinadas populações de pacientes [15].
É importante notar que o uso do VExUS ainda passa por validação científica. Embora estudos iniciais indiquem sua eficácia e segurança, mais dados são necessários para confirmar sua aplicabilidade em diferentes contextos clínicos. Essa limitação ressalta a importância de que os profissionais de saúde utilizem o VExUS com cautela associando-o a outras avaliações para um manejo seguro e completo de pacientes críticos [5, 7, 13].
Além disso, o VExUS pode enfrentar limitações em locais com poucos recursos, onde há baixa disponibilidade de ultrassonografia e profissionais específicos. Em hospitais de pequeno porte ou com infraestrutura limitada, a falta de equipamentos e de capacitação contínua pode dificultar sua implementação. Assim, embora o protocolo proporcione benefícios, sua aplicação prática pode ser restrita em contextos de menor acesso a tecnologia e treinamento especializado [13].
O índice VExUS oferece uma alternativa não invasiva e segura aos métodos tradicionais, como o cateterismo venoso central, que, embora forneça dados direto sobre a pressão venosa, traz riscos como infecções e traumas vasculares. Com o VExUS é possível avaliar a congestão venosa sem o desconforto e as potenciais complicações associados aos procedimentos invasivos [15].
Outro método amplamente utilizado é a ultrassonografia da veia cava inferior (VCI) que é amplamente utilizada para avaliar a congestão, medindo o diâmetro e colapso da VCI para indicar o estado de volemia. No entanto, o protocolo VExUS oferece uma visão mais abrangente ao combinar a análise da VCI com a avaliação das veias hepáticas e renais, permitindo uma avaliação mais completa e detalhada do quadro clínico [15, 16].
O ecocardiograma é uma outra ferramenta amplamente utilizada para avaliar o estado hemodinâmico e pode identificar sinais de sobrecarga de volume, porém seu foco principal está na função cardíaca e nos fluxos cardíacos. Por outro lado, o VExUS é especificamente voltado para a análise da congestão venosa. Embora o ecocardiograma seja essencial para avaliar a função e estrutura cardíaca, ele pode não captar com precisão a congestão periférica e visceral. O VExUS, ao focar na sobrecarga venosa em áreas específicas, complementa o ecocardiograma e oferece uma análise mais direcionada da congestão venosa, que é um aspecto frequentemente crítico em pacientes com insuficiência cardíaca e choque [9].
Os casos apresentados nos estudos coletados destacam o impacto do VExUS na avaliação da congestão venosa, permitindo intervenções personalizadas em pacientes adultos críticos com lesão renal aguda. Ajudou também a distinguir entre congestão venosa crônica e disfunção cardíaca aguda, facilitando ajustes precisos na terapia diurética para evitar o carregamento indiscriminado de fluidos e a resistência ao diurético [13].
O VExUS oferece monitoramento em tempo real e não invasivo, alinhando-se ao conceito de medicina de precisão. Ele permite decisões personalizadas no manejo de fluidos, auxiliando no uso eficaz de diuréticos e outras intervenções, com foco em proteger o coração e evitar a congestão venosa. Essa abordagem individualizada otimiza o estado de hidratação, reduz o risco de complicações e melhora o tratamento da insuficiência renal aguda em pacientes com cirrose, doença pulmonar obstrutiva crônica e insuficiência cardíaca direita [15, 17].
Vale ressaltar que o cateterismo cardíaco direito e a medição direta da pressão atrial direita (RAP), ainda são técnicas mais precisas para aliar a congestão venosa, especificamente como um indicador confiável de hipertensão venosa. Contudo, o cateterismo cardíaco direito não é uma abordagem viável para a avaliação clínica de rotina devido ao seu alto custo e a uma taxa de complicações de até 1% em centros de alto volume [18, 19].
Essas limitações destacam a necessidade de um meio preciso, barato, reprodutível e não invasivo de avaliar a hipertensão venosa. No entanto, o VExUS ainda não foi rigorosamente validado como um verdadeiro padrão para avaliar a congestão venosa [7, 9, 18].
Em contrapartida, o VExUS precisa ser visto como um componente do exame hemodinâmico à beira do leito e não deve ser confundido com o estado do volume. Vale destacar que o VExUS não tem capacidade para distinguir entre sobrecarga de volume e pressão. Por exemplo, condições como hipertensão pulmonar persistente e regurgitação tricúspide podem manifestar irregularidades na linha de base nessas ondas. Isso também se aplica à embolia pulmonar hemodinamicamente relevante ou tamponamento cardíaco, onde mudanças acontecem devido à pressão excessiva [7, 20].
Considerando os variados tratamentos para essas condições, a dependência única do VExUS não é recomendada, exigindo uma análise completa. Os perfis Doppler também são afetados pelas arritmias, especialmente no Doppler da veia hepática [7].
Tabela 1 – VExUS, uma avaliação precisa da congestão venosa guiou o início da terapia diurética em cinco pacientes com lesão renal aguda e tensão do coração direito ou insuficiência/hipertensão pulmonar/DPOC/envolvimento multissistêmico.

Fonte: Adaptado de Shubhangi Kanitkar; Crítica Soni, Bhumika Vaishnav (2024).
Ademais, indivíduos com cirrose e hipertensão portal podem apresentar ondas hepáticas e da veia porta anormais na linha de base, que não corresponde adequadamente à pressão atrial direita. Igualmente, pacientes com insuficiência renal crônica severa podem exibir Doppler venoso infrarrenal pulsado sem indícios de alta pressão arterial ou congestão venosa em outras áreas. Ademais, a realização de Doppler infrarrenal apresenta obstáculos técnicos, com um percentual de falha estimado em 30% [2, 7, 8].
Podemos observar na tabela 1, a aplicabilidade do VExUS e suas influências nos desfechos clínicos de alguns pacientes em acompanhamento e tratamento de insuficiência cardíaca direita e outras condições associadas, visto que a avaliação através do VExUS permitiu um parecer detalhado da congestão venosa, especialmente pela observação da VCI.
Esses casos clínicos ilustram como a avaliação VExUS fornece uma visão precisa da congestão venosa e da dinâmica cardiovascular, podendo ser uma ferramenta essencial no diagnóstico e tratamento de pacientes com condições graves relacionadas à insuficiência cardíaca direita e distúrbios associados. A implementação de terapias guiadas por VExUS demonstrou resultados positivos, com alívio sintomático, melhora na função renal e até mesmo a reversão de condições agudas que ameaçavam a vida.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O VExUS surge como um instrumento diagnóstico promissor para o tratamento de pacientes com insuficiência cardíaca e outras condições congestivas. Contudo, assim como qualquer modalidade em progresso, há áreas específicas que necessitam de aprimoramento.
A sua exatidão depende da habilidade de um médico em operar o Doppler espectral, exigindo treinamento e prática apropriados. Assim, em situações de doença renal e hepática, sua confiabilidade se reduz. Apesar da inclusão cada vez maior do treinamento POCUS durante a graduação em medicina e nas residências, ele ainda não se destaca em aplicativos avançados, como o VExUS.
Na realidade, cabe aos internistas a principal tarefa de conduzir os pacientes com insuficiência cardíaca e assegurar a desobstrução adequada antes da alta. Embora haja vantagens potenciais, os médicos ainda resistem em adotar VExUS e POCUS de maneira extensa até que essas aplicações apresentem avanços significativos nos resultados do paciente.
Um diagnóstico exato é crucial para aprimorar os resultados do paciente, pois possibilita o tratamento adequado, resultando em resultados superiores. Contudo, a expectativa de que apenas uma modalidade diagnóstica possa aprimorar os resultados sem um tratamento independente que proporcione tais vantagens é infundada.
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1Graduação em Medicina pela Universidade Federal do Amazonas (2017) e graduação em Enfermagem pela Universidade Federal do Amazonas (2004). Enfermeiro da Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas e enfermeiro da UTI do Hospital Universitário Getúlio Vargas pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares. Pós-graduando do curso de Cardiointensivismo pela Universidade do Estado do Amazonas – UEA.
2Graduação em Medicina pela Universidade Federal do Amazonas (2000). Pós-graduação (Residência Médica) nas áreas de Cardiologia e Medicina Intensiva, com título de Especialista. Professor assistente da disciplina de Clínica Médica do Curso de Medicina da Universidade Barão de Mauá em Ribeirão Preto/SP (2004-2005). Mestrado Profissional em Cirurgia em Janeiro de 2019. Médico coordenador da UTI do Hospital Check-Up, Professor Concursado na Cadeira de Medicina Intensiva na Universidade Estadual do Amazonas – UEA e Médico Intensivista da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH) – Responsável Técnico da UTI do Hospital Universitário Getúlio Vargas – HUGV. Supervisor do Programa de Residência Médica em Medicina Intensiva da Universidade do Estado do Amazonas – UEA.